2ª TEMPORADA – EPISÓDIOS DE 9 A 12 – ROMANCES E CULPA
OS DIÁLOGOS DESTACADOS FORAM RETIRADOS DA OBRA ORIGINAL, RESPEITANDO-SE OS DIREITOS AUTORAIS DE BRUNO HELLER E DA REDE CBS
Lisbon despertou de um sono revigorante, apesar do seu rosto ter os olhos inchados de tanto chorar. Mas de certa forma, ser confortada por Jane, com tanto carinho e afeição, ajudou-a a vivenciar o luto por Sam. Claro, seu coração estava repleto de tristeza e saudade, contudo, ter finalmente destruído um dos vários muros de Jane e conquistado sua confiança e amizade, ajudaria com certeza. O lado dele da cama estava vazio, mas o travesseiro ainda mantinha o perfume de sua colônia. Ela espreguiçou-se longamente, e agarrou o travesseiro dele e permaneceu na cama por mais cinco minutos. O cheiro do café chegando às suas narinas a fez sair da preguiça, obrigando-se a levantar do calor reconfortante da cama. Lisbon fez sua rotina matinal, descendo os degraus como que fosse atraída pelo aroma do café recém feito. Ela chegou à cozinha e ficou surpresa com que viu: Jane vestido com uma calça de moletom e uma camiseta que um de seus irmãos havia deixado em sua casa. Ele estava entretido mexendo ovos em uma frigideira (aliás, de onde vieram os ovos, o café e tudo o mais que estava na mesa? Ela não se lembrava de ter feito compras).
'' – Bom dia!'' – ele disse alegremente, ainda mantendo os olhos na frigideira. '' – Eu fiz algumas compras, se você não se importar. Não tinha nada na sua cozinha.'' – ele virou-se e seu tom de voz era de incredulidade.
'' – Bom dia.'' – ela respondeu sem se deixar constrangida pelo comentário mordaz dele. '' – Eu não tenho tempo para cozinhar, você sabe.'' – Ela deu de ombros, recebendo agradecida a caneca de café que ele lhe ofereceu. Ela tomou um gole e o sabor era único, delicioso. '' – Jane, esse café está incrível.'' – os olhos dela brilharam de prazer.
'' – Coloquei uma pitada de noz moscada. Para dar um gosto especial.'' – ele praticamente a acariciou com o olhar.
'' – Obrigada.'' – as bochechas dela ficaram vermelhas, quase tanto como seus olhos inchados.
'' – Não precisa agradecer.'' – ele falou baixinho – '' – Você está bem?''
'' – Vou ficar.'' – ela respondeu com sinceridade.
'' – Ok.''
Eles terminaram o café da manhã em um silêncio confortável. Ao terminarem, Jane recolheu toda a louça, jogando os restos no lixo, colocando pratos, talheres e copos na lavadora.
'' – Bom, tenho que ir. Sabe, trocar de roupa, ir trabalhar.'' – ele estava com os olhos baixos, estudando a reação dela.
'' – Ok. Vejo você no trabalho.'' Ela despediu-se ansiosamente, de repente envergonhada por ter se mostrado tão vulnerável na noite passada.
'' – Não precisa ficar encabulada. Estou aqui para o que você precisar.'' Ele fez um carinho delicado no rosto dela, uma intensidade nos olhos que provocou arrepios em Lisbon.
Nas duas semanas seguintes, eles mantiveram como hábito almoçarem ou jantarem juntos uma ou duas vezes. Não houve beijos ardentes ou abraços, apenas desfrutavam a companhia um do outro. Em uma tarde calma sem novos casos, o diretor interino da divisão foi até o escritório de Lisbon; ele era um homenzinho franzino, atarracado, com olhos azuis claros, pele muito branca e cabelos ruivos rareando na cabeça. Claramente ele estava nervoso por estar no comando da Divisão, mesmo que provisoriamente.
'' – Lisbon, Jane.'' – ele chamou incerto, olhando para todos os lados, parecendo muito incomodado com o fato de Jane estar deitado no sofá de Lisbon, sentindo-se muito à vontade.
'' – Senhor.'' – ela levantou a cabeça do arquivo que estava lendo.
'' – Teremos um baile de arrecadação de fundos na próxima sexta-feira. É um evento black-tie; você e sua equipe estão convidados a participar.''
'' – Hum, se é um convite, eu vou recusar.'' – Jane disse do sofá com voz debochada.
'' – Na verdade, é uma convocação, senhor Jane. Espero tê-los todos lá. Lisbon, providencie o entretenimento. É tudo.'' O pobre homem saiu inseguro da sala na mesma medida com que entrou.
'' – Você não consegue se controlar, não é?'' – ela fuzilou Jane com o olhar.
'' – Ele disse que estávamos convidados.''
'' – Era uma observação retórica.'' – Lisbon tinha um tom pesado de sarcasmo. '' – E já que você está tão empolgado, você será a atração do evento.''
'' – Eu, porque?'' – ele levantou levemente a cabeça com ar de contrariado.
'' – Por que eu estou dizendo. Então, prepare-se para se apresentar.''
'' – Você é muito mandona.'' – ele recostou-se com aborrecimento na almofada, cruzando as mãos em seu peito. Mesmo assim, em sua mente, ele começou a planejar o que faria na apresentação. Para ele seria muito fácil, um show para entreter milionários otário, humpf, era moleza para ele. Na noite do evento, ele vestiu a contragosto um smoking, fazendo-o lembrar dos velhos tempos de falso vidente, incomodando-o um pouco. Ao chegar no salão, ele ficou deslumbrado com o vestido sem manga de Lisbon, que abraçava delicadamente sua cintura, exibindo com graça e elegância seus lindos seios. O cabelo penteado com a franja para o lado deixava o verde de seus olhos destacado, tornando-a, se isso era possível mais bela. Ele engoliu uma grande bola que estava presa em sua garganta. Então, ele sacudiu os ombros, mexendo o pescoço de um lado para outro, preparando-se para entrar no palco. Apesar de sua inquietação, Jane não pode resistir a sorrir quando viu Risgby e Van Pelt surgirem de uma das salas atrás do salão com os rostos tingidos de vermelho. A quem os dois estavam enganando? Embora ele tivesse conseguido o dinheiro com uma apresentação no mínimo inusitada, eles tiveram que investigar o roubo da Joalheria Doverton, no qual, o marido da patrocinadora do baile fora baleado. O caso torno girava em torno da ganância de um dos sobrinhos da Sra. Doverton, que contratara um bandido para roubar os diamantes da loja da tia; um golpe perfeito se não Carl Worde não tivesse sido baleado. Jane mais uma vez empregou um de seus truques e esquemas, desmascarando o suspeito.
'' – Risgby encontrou o diamante.'' Ele disse ao final do dia, chegando devagar à sala de Lisbon.
'' – Que bom.'' – ela estava carrancuda, apesar de terem resolvido o caso.
'' – E então, jantar hoje?'' ele tentou com um leve sorriso no rosto.
'' – Hoje não quero mais ver sua cara. Boa noite.'' – ela levantou-se muito irritada, pegando sua bolsa, passando por ele com fúria, crepitando de raiva. Ele deu de ombros. Bom, ele tentou.
0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
Durante a investigação do homicídio Barney Sloop, uma bolada na cabeça, despertou em Jane dolorosas lembranças de sua juventude, de quando ele e o pai trabalhavam no circo, em sua barraca de ''Garoto Maravilha'', enganando o público com truques baratos de adivinhação. Desde que se entendia por gente, ele e o pai armavam esses shows no circo que trabalhavam, sendo que Alex Jane aproveitava-se descaradamente do talento ímpar de seu filho, talvez herdado de sua mãe. Alex Jane não falava sobre a mãe de Jane, então, ele não tinha ideia se ela havia morrido ou simplesmente abandonado a vida errante circense. Pode ser que ela ficara cansada de fazer parte de um enredo de trapaça somente para arrancar dinheiro de pessoas crédulas. Jane nunca teve a oportunidade de perguntar a ela, e pouco se lembrava dela. Eram ele e pai desde sempre. Agora, Jane era um rapaz crescido, com lindos olhos azuis, um cabelo loiro radiante, que arrancava suspiros das mocinhas da plateia, e pasmem, de algumas mulheres maduras também. Seu charme encantador envolvia a todos, não deixando qualquer dúvida de que ele era realmente um vidente; seu pai apenas organizava as apresentações, gastando todo o dinheiro que conseguia com jogos e bebedeira. De todos, o trailer de Alex e Patrick Jane era o mais gasto, com vários pontos de ferrugem na lataria, ar condicionado com defeito, um sofá cama velho e batido, que mal acomodava um Patrick Jane que cresceu muito nos últimos verões.
Mas para Alex Jane, o que importava é ter o filho por perto para conseguir dinheiro. Ele nunca fora muito bom com o lance de trapaça e adivinhação – típico da família Jane. Talvez fosse verdade que talento pulasse uma geração, pois seu filho desde muito novo, dava sinais de conquistar as pessoas com poucas palavras e um sorriso matador. Durante muito tempo, essa era a única realidade de Jane conhecia: incrementar truques para conseguirem mais dinheiro a cada temporada. E em cada cidade, cada apresentação, o dinheiro era gasto na mesma velocidade do que era ganho. Seu pai dava-lhe uma pequena parte dos lucros, gastando o restante com suas noitadas intermináveis. Muito jovem, Jane aprendera a esconder bem seu dinheiro, de modo que pudessem ao menos comprar mantimentos para o mês. Era muito comum Jane buscar abrigo, escapando da embriaguez do pai, com um velho amigo e sua esposa, que o acolhiam com carinho em seu trailer. Foi com eles que Jane aprendeu a cozinhar, limpar e lavar a roupa. Também fora com eles que Jane teve uma pequena experiência familiar, uma pequena amostra do que era ser tratado com carinho e respeito.
Como ele não tinha outra escolha, permanecia ao lado do seu pai, tentando a todo o momento impressioná-lo com suas habilidades de leitura fria do público que visitava o circo. Não era raro os dois ficarem sentados no alto da roda gigante – brinquedo que constantemente tinha a placa de ''manutenção'', observando as pessoas com um binóculo. Em todas as oportunidades, Jane acertava na mosca na descrição do alvo, o qual seria abordado particularmente durante a apresentação de seu show. Era extremamente cansativo ficar horas a fio, torrando no sol, analisando e escolhendo as pessoas que seriam enganadas. Quanto maior fosse a cara de desespero, maior era chance de conseguir iludir o alvo. No fundo, Jane estava ficando cansado de tudo isso e todas as noites, deitado em sua cama minúscula e desconfortável, ele perguntava-se se era isso mesmo que faria para o resto de sua vida: fingir ser vidente para ganhar um dinheiro que seria quase todo gasto com os vícios do pai. Em várias oportunidades, ele passava a noite em claro, mirando o céu estrelado e a lua muito grande através da janela com o vidro sujo do trailer. Ele queria muito se rebelar, mas para onde ele iria se saísse do circo? Com quem ele viveria e principalmente, como ele ganharia dinheiro quando tudo que sabia era enganar e iludir as pessoas. Essas dúvidas o atormentavam profundamente, mantendo-se sob o jugo do seu pai aproveitador e abusivo.
Por isso, quando ele percebeu que Scott Sinclair estava passando o mesmo com o pai, da sua maneira, ele mostrou ao rapaz que não deveria deixar seu talento ser abusado por um pai ganancioso e manipulador. Barney Sloop já havia chamado a atenção do rapaz e Jane apenas terminou de abrir seus olhos para a realidade. Com uma imensa satisfação, Jane viu que o rapaz retomou as rédeas de sua carreira ao contratar um empresário para gerenciar seus contratos e salário. O jovem Snake era igualmente usado implacavelmente pelo pai Jupiter Snake, que matara Barney Sloop para manter em sigilo a verdadeira idade de seu filho e evitar que o jovem fosse expulso da Academia e perdesse sua grande chance de estrelar no beisebol.
O que trouxe um alento para Jane, foi perceber que Lisbon não estava mais brava com ele, depois do último caso:
'' – Vamos ver um médico.'' – ela disse em um tom preocupado.
'' – Porque, você não está bem?'' – ele perguntou com deboche.
'' – Você não está bem. Cho disse que quase desmaiou.'' – ela reforçou seu ponto de vista.
'' – Ah, eu estava fingindo. Detesto essa história dramática. Coitado do rapaz.'' – ele desdenhou.
'' – Precisa ver um médico. Quem sabe fazer uma ressonância.'' – seu tom apreensivo era muito adorável.
'' – E o que o médico vai dizer? Você bateu a cabeça, precisa descansar.'' Ele falou com um toque de diversão em sua voz. Ao chegarem no final da escadaria, ele fez uma expressão de doente, cambaleando um pouco para trás.
'' – Você está bem?'' – Lisbon aproximou-se dele rapidamente, amparando-o com um dos braços.
'' – Estou brincando.'' – Jane devolveu ao perceber os olhos aflitos dela, afastando-se sorrindo amplamente. Quando Lisbon o alcançou no carro, não pode deixar de lhe dar uma bofetada dolorosa no braço dele antes de entrarem no carro e voltarem para Sacramento.
0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
'' – Eu adorava essa música.'' – Lisbon de repente ficou nostálgica.
'' – Você adora essa música.'' – ele disse contente por poder mudar de assunto a respeito de como ele tivera convencido Risgby a participar da charada.
'' – Eu adorava essa música...'' ela manteve uma expressão sonhadora.
'' – Claro, se quiser dançar...'' – ele ofereceu-se com expectativa.
'' – O que? Com você? Não...'' – ela respondeu imediatamente na defensiva, seus olhos estreitos em desconfiança.
'' – Ah, qual é? Você pode fingir que sou aquele cara cruel e firme, que você venerava de longe, mas com quem nunca falou.''
Ela franziu o nariz de uma maneira encantadora ao dizer: '' – Ok, mas nada de gracinhas.'' – Lisbon balançou jovialmente os ombros.
'' – Mesmo?!'' – ele pegou sua mão suavemente, conduzindo-a para a pista, com uma expressão travessa no rosto; ela apenas sorriu para ele, e aceitou com facilidade a condução de Jane durante a dança. Ela recostou a cabeça em seu ombro, sentindo no rosto os músculos fortes de seu peito e o aroma agradável de sua loção. Ele dançava com ela suavemente, saboreando cada momento na pista de dança, respirando com prazer o perfume dela, sentindo a maciez delicada dos cabelos dela em seu rosto. Depois que a música acabou, eles ficaram por mais alguns instantes balançando-se na pista de dança, como se tudo no mundo houvesse sumido e que apenas existia aquele doce momento entre eles. Foi ela que se afastou primeiro:
'' – Temos que ir.'' – suas bochechas estavam vermelhas.
'' – Podemos dançar mais uma música, se quiser.'' – ele falou sedutoramente, mirando-a com uma intensidade tão grande que causou arrepios em sua espinha. Ela claramente estava em dúvida em ceder ou não à oferta dele. '' – Vamos lá, não há mal algum em dois colegas de trabalho se divertindo após resolverem um caso. Dois amigos dançando sem malícia.'' – ele frisou a palavra ''amigos'' para enfatizar seu ponto. A verdade era que ele não queria deixa-la sair de seus braços, o calor do seu corpo miúdo e forte era viciante e o perfume dela parecia não sair mais do seu nariz. Pela primeira vez em muito tempo, suas mãos estavam suadas e seu coração batia descontroladamente, torcendo para que ela dissesse sim. Quando a próxima música dos anos 90 começou, ela deu de ombros, oferecendo-lhe a mão para que retomassem a dança. E assim ficaram por mais três músicas até os pés de Lisbon reclamarem, apesar de suas botas confortáveis. Sentindo-se como dois adolescentes, eles saíram em busca do carro, o rubor de ambos contrastando com a brisa úmida da noite. Eles entraram no carro e encararam-se por vários minutos, até Jane vencer distância e beijar Lisbon nos lábios com vontade. Ele colocou uma das mãos em seu rosto, tocando delicadamente seus cabelos. Suas línguas travavam uma deliciosa batalha em suas bocas e quando tiveram que se separar para respirar, Jane deitou vários beijos molhados em seu pescoço, arrancando sutis gemidos de Lisbon.
'' – Vamos para sua casa?'' – ele sugeriu dando-lhe uma pequena mordida no ponto do pescoço dela que pulsava descontroladamente.
Ela não disse nada, dirigindo meio às cegas enquanto Jane acariciava sensualmente sua coxa. Lisbon atrapalhou-se um pouco para abrir a porta com Jane pendurado na parte de trás de seu pescoço, esfregando sua ereção em suas nádegas. Eles nunca haviam chegado tão longe em seus amassos e sinceramente falando, fazia algum tempo que haviam se beijado. Jane e Lisbon entraram no apartamento dela aos tropeços, largando as roupas pelo caminho em direção ao quarto dela.
'' – Teresa.'' – ele sussurrou desejoso no ouvido dela, enfiando a língua em sua orelha para depois morder devagarinho o lóbulo. Ela apenas gemia e passava as mãos por todo seu corpo, suspirando de desejo. Eles caíram suavemente em sua cama, com Jane moendo a entrada do seu centro com seu pênis latejante. Eles beijavam-se ardentemente, tendo Jane segurando as mãos dela por cima de sua cabeça, atacando sem piedade seu pescoço. Lisbon levantava os quadris para encontrar com o pênis dele, louca para que ele terminasse com sua agonia.
'' – Patrick, por favor.'' – ela gemeu, remexendo desesperadamente os quadris, não necessitando de mais preliminares. Ele sorriu maliciosamente, levantou seu corpo e devagar, colocou a ponta de seu membro no centro dela, penetrando-a centímetro por centímetro, desfrutando do estremecimento dela cada vez que ele empurrava. Quando ele a preencheu completamente, teve que parar de movimentar, pois o sexo de Lisbon era apertado, molhado e suas paredes pareciam mastigar seu membro continuamente; alguns momentos depois, ele se concentrou e começou a bombar com vigor, arrancando dela suspiros e gemidos.
'' – Mais forte, mais forte...'' – ela gemia enquanto prendia os quadris dele com suas pernas, mantendo-o firmemente dentro dela. Mais algumas estocadas, ela gozou ruidosamente, mexendo sua vagina vigorosamente para que seu clitóris muito inchado permanecesse em contato com a base do membro dele enquanto o corpo dela dava espamos de prazer. Ele não resistiu mais e gozou muito, seu membro liberando jatos e jatos de sêmen, uma sensação quase dolorida depois de tanto tempo de celibato. Ofegante, ele saiu lentamente de dentro dela, ambos sentindo a falta do contato. Ela se aconchegou em seus braços e dormiu quase imediatamente. Ele ficou muito tempo olhando para o escuro, tentando identificar as sombras que permeavam o quarto. De súbito, ele pensou ter visto sua esposa parada ao lado da janela. Ele piscou várias vezes, tentando focar seu cérebro, porém, lá estava ela, olhando-o com censura, seu corpo esvaindo-se em sangue pelas facadas feitas por Red John. Ela balançava a cabeça negativamente, uma expressão de decepção cobrindo seu rosto. Jane afastou a cabeça para não olhar para ela, porém, não pode resistir em encará-la de novo. Desta vez, sua filha estava ao lado dela, com o rosto lavado de lágrimas e sangue. Elas ficaram caladas, julgando-o implacavelmente.
'' – Desculpem, desculpem, desculpem...'' – ele começou murmurar baixinho para não acordar Lisbon. Então, o corpo de Lisbon escorregou por seus braços, e olhando para baixo, ele estava encharcado de sangue, sua garganta cortada, seus olhos muito arregalados de surpresa.
'' – J..a...n...e...'' – cada sílaba do seu nome era um lampejo de dor em seu rosto.
'' – Não...não... Teresa, não...'' – ele desesperadamente tentou estancar o sangue, vendo a vida de Lisbon deixar seus olhos. Ao levantar a cabeça de Lisbon, sua esposa e filha estavam ao lado da cama, olhando com pena e soturnamente o corpo sem vida de Lisbon.
'' NÃOOOOO''' – ele gritou, saltando do sofá da CBI com um salto, suando frio, seus cabelos molhados e estranhamente seu pênis mantinha-se semi-ereto. Ele respirou muito fundo, arfando sem parar, olhando para todos os lados, com medo de encontrar os rostos críticos e decepcionados de sua esposa e filha; aterrorizado com fato de se deparar com o corpo dilacerado de Lisbon. Mas a sala estava vazia, um silêncio profundo, sendo intercalado com o canto de alguns grilos do lado de fora. Jane se levantou, cambaleou até o banheiro masculino, lavando o rosto e pescoço, enxugando-se com várias folhas de papel toalha. Ele voltou para o sofá, assustado demais com o pesadelo para voltar a dormir. O amanhecer trouxe os primeiros agentes chegando para trabalhar, inclusive Lisbon, que foi ao encontro dele com a testa franzida de preocupação:
'' – Você está bem?'' – ela perguntou à giza de um bom dia.
'' – Bom dia Lisbon, como você está? Vou preparar uma xícara de chá, com licença. '' – ele saiu às pressas, com medo de desmoronar na frente dela. Ele tinha que ser mais forte; tinha que controlar seu desejo e um sentimento crescente de carinho com ela, que estava invadindo suas veias, tumultuando seus pensamentos.
0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
Quando Brenda Shettrick procurou Lisbon para dizer que uma equipe de televisão iria fazer um documentário sobre sua Unidade de Crimes Graves, sua primeira reação foi de aversão. Apesar de estar à frente de uma das equipes mais solicitadas da CBI, Lisbon não sentia-se à vontade perante às câmeras, dando eventuais entrevistas e declarações quando estritamente necessário. Porém, o argumento de Shettrick de que era um pedido do Procurador a convenceu a ceder, mesmo com algumas reticências. E para piorar, o caso de um assassinato em Salter - Central Valle envolvendo o poder público e um grupo de ambientalistas radicais exigiria a maior atenção e cuidado, e isso era muito difícil com uma equipe de reportagem atrás dela o dia todo.
Jane estava pior do que nunca, mal disfarçando seu aborrecimento por estar sendo filmado constantemente. Ele andava pelos corredores emburrado, com a cara enfezada, os olhos sérios, mesmo com suas observações zombeteiras sobre todas as pistas que conseguiam. Ele agia como se soubesse quem era o assassino, porém, por diversão, ele não iria compartilhar seu palpite, tendo seu passatempo principal observa-los bater a cabeça entre uma pista furada e outra, além das constrangedoras entrevistas com os envolvidos. Após assistirem as filmagens das outras emissoras de televisão, Lisbon teve certeza de que ele havia descoberto algo, todavia, ele desconversou e foi até a cozinha, sendo seguido por ela de perto. Eles estavam discutindo os aspectos pessoas de Martha Sinclair, quando o pessoal da TV chegou de fininho, filmando-o indiscretamente enquanto Jane procurava algo para comer na geladeira.
'' – Desliga essa câmera, senão vou enfiá-la por sua goela.'' – ele disse extremamente zangado, em uma rara demonstração de raiva. Lisbon ficou surpresa e para evitar que algo mais acontecesse, ela o tirou da cozinha.
'' – Vamos dar uma voltinha, vem.'' – ela segurou seu braço com firmeza, tendo ele se deixado levar por ela; de certa forma, Lisbon sempre ficava impressionada de como ela conseguia persuadi-lo nas situações mais tensas.
'' – Eu sei que não tem sido agradável com a equipe de filmagem, mas você tem que colaborar. São ordens do Procurador.'' – ela começou assim que entraram em sua sala e fechara a porta.
'' – É...é...eu sei.'' – ele balançou o corpo desconfortavelmente para frente e para trás, evitando olhar diretamente para ele.
'' – O que foi? Achei que você iria ficar muito à vontade na frente das câmeras.'' – ela disse em um tom de brincadeira, tentando amenizar a tensão palpável no ar.
'' – A última vez que estive em frente a uma câmera, as coisas não terminaram muito bem.'' – ele falou muito baixinho, sua voz carregada de tristeza e remorso.
'' – Ah, Jane, me desculpe.''
'' – Não, tudo bem, você está certa. Não há motivos para não ser civilizado. Vou pedir desculpas.'' – ele saiu rapidamente de sua sala, deixando-a plantada no lugar, muito envergonhada de ter esquecido da tragédia pessoal de Jane. Ela sentou pesadamente em sua cadeira, colocando a cabeça por entre suas mãos, percebendo em sua visão periférica que Jane e o pessoal da equipe de TV saíram com pressa, mas todos exibiam sorrisos, então ela não precisava ficar preocupada. Pelo menos, por enquanto. Cerca de 40 minutos depois, ela estava revisando os depoimentos do caso, tentando pescar alguma coisa que deixaram passar, quando o repórter entrou em sua sala assustado:
'' – Sequestraram seu colega Jane.'' – seu rosto era puro terror e susto. '' – Eles estavam encapuzados, portavam armas, estavam em uma vã branca e arrastaram Jane para dentro, jogando-o com desleixo, fechando a porta e disparando em alta velocidade. Foi horrível.'' – ele terminou a narrativa, arfando muito, andando ansiosamente de um lado para outro. '' – E eu perdi esse furo, droga!'' ele pensou amargamente, passando os dedos pelos cabelos.
Lisbon levantou-se imediatamente, dando ordens à sua equipe, que prontamente saiu para investigar, voltando com a informação de que Jane fora sequestrado por Jasper, o líder dos ambientalistas radicais. Cho e Risgby vieram com informações sobre um dos seguidores de Jasper, tendo recebido autorização dela para encontrar e trazer o suspeito para interrogatório. Lisbon ainda comandava uma investigação de homicídio, por isso, deixou a parte da conversa com Cho e Risgby, sabendo muito bem que o último poderia ser muito ameaçador quando sua cara de bonzinho escorregava, deixando transparecer seu olhar sério e intimidador. Com efeito, cerca de quinze minutos depois, eles saíram da sala com a localização de Jasper e possivelmente de Jane. Ao invadirem o chalé, encontraram apenas Jane caído no chão, algemado em uma cadeira. Ela não resistiu em tirar sarro dele, alegando que ele teria que permanecer no lugar até o esquadrão anti-bombas chegar; ele olhou para ela indignado, claramente chateado por sua situação precária estar servindo de chacota para ela.
'' – Ah, você está brincando né? Me desamarra daqui e conto toda a história.''
'' – Tá bom. Que história.'' – ela sacou a chave de algema de seu bolso traseiro, ainda com diversão no olhar como também muito interessada no que ele iria dizer. A princípio, a história toda era um tanto fantástica, apesar de fazer muito sentido quando se pensava a respeito. Ela não podia evitar de ficar impressionada em como Jane conseguia enxergar nas evidências o caminho para encontrar o assassino, além de revelar as histórias paralelas que de alguma forma influenciaram o caso.
Eles estavam reunidos na mesa de reunião, assistindo a um programa de TV sobre o caso de corrupção da prefeita Melba, quando seus dois agentes mais novos chegaram com rosquinhas, tendo declarado que eram amantes. Risgby e Van Pelt estavam obviamente constrangidos por revelar seu segredo, bom, não era bem um segredo, pois até ela havia percebido os sinais, optando em manter-se ignorante e fingir que não tinha percebido, torcendo para que o assunto se resolvesse sozinho. E agora, os dois estavam diante dela, declarando-se amantes, obrigando-a a tomar uma decisão:
'' – Não, vocês não são amantes, porque um relacionamento íntimo entre dois colegas é estritamente contra as regras.'' – ela tentou inutilmente dar a pista para que eles mantivessem seu relacionamento em segredo, para que ela não fosse obrigada a tomar alguma atitude. Porém, tanto Risgby quanto Van Pelt foram lentos na compreensão e continuaram afirmando que eram amantes. Indignada, ela balançou a cabeça negativamente, respondendo com frustração quando interpelada por Cho e Jane sobre o que ela faria a seguir:
'' – Não sei, estou pensando.'' – ela balançava no lugar exasperada. '' – Saiam.'' – ela finalizou a conversa com rispidez, sua cabeça fervendo pela decisão que teria que tomar a partir daquele momento. Ela soltou um suspiro alto quando os dois viraram as costas, jogando sua rosquinha meio comida no guardanapo.
'' – Perdi a fome.'' – ela reclamou, levantando-se em direção ao seu escritório, onde poderia pensar com calma. Ela queria por tudo no mundo que houvesse outra solução, talvez uma brecha na norma, algum tipo de exceção que não a obrigasse a levar o caso ao conhecimento dos Recursos Humanos. Lisbon passou o resto do expediente revirando normas e mais normas da CBI, desconcertada por não ter achado nada que ajudasse.
'' – Suspeito que não encontrou sua resposta neste monte de papéis.'' – Jane surgiu cautelosamente em sua porta, estudando o terreno, conhecendo Lisbon bem demais para não provoca-la enquanto estava furiosa.
'' – Não.'' – ela disse desanimada. '' – Vou para casa pensar no assunto. Boa noite.''
'' – Eu posso ajudar, se quiser.'' – ele ofereceu de bom grado.
'' – Duvido muito que sua ajuda será algo legal que não afetará minha carreira.'' – ela finalizou com deboche em sua voz, passando por ele com pressa, fugindo da responsabilidade de ter de decidir a vida de dois colegas, e mais do que isso, de dois amigos queridos. Nessas horas é que ela odiava em ser chefe.
