2ª TEMPORADA – EPISÓDIOS 13 A 16

OS DIÁLOGOS DESTACADOS FORAM RETIRADOS DA OBRA ORIGINAL, RESPEITANDO-SE OS DIREITOS AUTORAIS DE BRUNO HELLER E DA REDE CBS

Lisbon passou dias e noites matutando e sem dormir como resolveria a questão de Risgby e Van Pelt. Muito mal-humor e dores de cabeça envolvidos. Ao menos, ela pode deixar a questão da terrível morte de Sam que ainda machucava seu coração; sua alma estava dilacerada, durante as madrugadas, quando não estava refletindo sobre o relacionamento de Risgby e Van Pelt, ela chorava lágrimas doídas de saudades e um pouco de arrependimento de não ter investido no amor que sentia por Samuel Bosco. Porém, ela enterrava esse arrependimento no fundo de sua consciência, afinal, ela não tinha opção, Sam era um homem casado. E então, seus pensamentos voltavam para Risgby e Van Pelt; não havia jeito, ela teria que comunicar ao Recursos Humanos, obriga-los a tomar uma decisão: ou ficavam juntos e seriam transferidos ou se separam e permanecem na Unidade. Ela só não queria ser responsável por forçá-los a uma escolha tão difícil. No fundo, ela estava se sentindo horrível, cruel, ressentida e talvez com um pouco de ciúme, pois eles estavam vivendo seu amor, entregando-se ao sentimento mais forte que possa existir; mesmo que fosse contra as estúpidas regras da CBI. Eles entenderam um ao outro, tornando o imperfeito em perfeito.

Foram chamados para atender a um homicídio na Motores Zenit, uma funcionária havia sido morta e jogada dentro do porta-malas de um carro luxuoso, e Cho, ironicamente Cho, comentou sarcasticamente que o veículo teria um bom desconto agora que um corpo havia sido encontrado nele. Lisbon teve que fazer força para não revirar os olhos; Cho estava acompanhando demais Jane. Geralmente, esses comentários inapropriados sairiam da boca maliciosa de Jane, não de Cho. No escritório, Lisbon chamou seus dois agentes mais novos para a conversa que ela estava adiando há muito tempo:

'' – Chamou Chefe?'' – Risgby apareceu na porta, com os olhos arregalados.

'' – Sim, quero falar com você. Na verdade quero falar com os dois.'' – Van Pelt estava na sala dela, apresentando uma nova pista.

'' – Sabem do que se trata. Eu queria ter mais tempo para pensar no assunto, mas percebi que isso está ficando constrangedor. Então... Agentes Risgby e Van Pelt vocês me disseram que estavam em um relacionamento sexual; confirmam isso?'' – Lisbon tentou manter a pose profissional enquanto falava com eles, sentindo por dentro que estava sendo muito injusta.

'' – Sim.'' – os dois falaram ao mesmo tempo, com a cabeça baixa em constrangimento.

'' – Certo. Como sabem, um relacionamento íntimo entre dois agentes é contra as regras. Assim que esse caso for resolvido, vou comunicar ao RH. Alguma pergunta?''

'' - Sim, eu tenho. Eles irão transferir um de nós de Unidade?'' – Van Pelt perguntou preocupada.

'' – Irão, sabe que é a regra.'' – Lisbon usou de toda sua força de vontade para não chorar ou sair correndo da sala naquele momento, vendo seus dois agentes saírem cabisbaixos de sua sala. Ela suspirou alto, revirou os olhos, bateu com as mãos na mesa com desgosto, chateada por ser obrigada a fazer isso com seus subordinados. Era injusto. Indignada, ela levantou-se da mesa, praticamente gritou por Jane para irem falar com o marido de Lisely, Jeff Sparhock.

'' – Lisbon, não fique assim.'' – Jane tentou uma conversa, apesar de Lisbon estar claramente irritada, e desta vez não era com ele. '' – Você não pode fazer nada.''

'' – Do que você está falando?'' – ela respondeu agitada, continuando a procurar o apartamento de Sparhock

'' – Risgby e Van Pelt. Não é culpa sua. Eu entendo; não precisa esconder que está com inveja e ressentida.''

'' – Eu não estou...'' – ela começou a gritar com ele, mas antes que pudesse terminar, um grande barulho veio do apartamento de Sparhock; era ele destruindo seu violão em um ataque de fúria, desconsolado pela morte de sua esposa Lisely. respondeu todas as perguntas inconsolável, claramente chateado pelo fato dela trabalhar e sustentar a casa enquanto ele tentava se consolidar como músico, sentindo-se um fracassado por não ter conseguido sucesso em sua carreira artística, obrigado a ver sua esposa ser cantada por clientes e receber presentes.

'' = Eu não sinto inveja ou rancor.'' – ela retomou o assunto interrompido, com a voz um pouco mais aguda do que o normal

'' – Mas lembra das minhas palavras exatas. Não fique assim, eu também sinto isso às vezes, por que todo mundo tem uma vida boa...'' – ele devolveu com conhecimento de causa.

'' – A minha vida é boa.'' – ela retorquiu estridentemente.

'' – Normalmente, você está acima desses conceitos, mas está de mãos atadas...por isso, sua dor de cabeça de tensão.'' – ele continuou calmamente, consciente de que estava certo.

'' – Eu não...'' ela tentou, mas com um levantar de sobrancelhas de Jane, ela cedeu. '' – Tá, estou com dor de cabeça, porém é só uma coincidência. Risgby e Van Pelt provocaram essa situação, e se eu, como chefe deles, não comunicar, estarei infringido as regras...'' – seu telefone tocou com a ligação de Van Pelt indicando outra pista.

Ela não queria dar o braço a torcer, contudo, na verdade ela estava se sentindo pior por ter confrontado os dois do que quando ela estava protelando sua decisão; pelo menos, ela não estava carregando o peso do mundo em suas costas. Malditas regras! Maldita obrigação de chefia por ter que denunciar o casal! Isso absolutamente era uma droga. Ela e Jane foram procurar o milionário com o qual Lisely Douglas tivera seu último compromisso antes de morrer: Walter Marsburn. Estranhamente, ele e Jane tinham uma semelhança incrível de personalidade; arrogante, egocêntrico, manipulador e ainda por cima, mulherengo. Não se envergonhou convidá-la para sair, mesmo estando na companhia de uma mulher que claramente era uma modelo, pela idade e pelo desinteresse na conversa deles. Jane ainda a provocou por dois dias, alegando que ela deveria ter aceitado o convite. No princípio, ela ficou aborrecida com essa possibilidade, todavia, com o passar do tempo, ela sinceramente começou a considerar a ideia. Afinal, ela era solteira, sem compromisso, e estava sozinha há um bom tempo. Então, por que não? Como Jane mesmo disse: todo mundo tem uma vida boa, então porque não ela? No momento, porém, ela tinha um caso para resolver e Walter Marsburn era um suspeito, não havia sido descartado ainda. E claro, como parte da diversão particular de Jane, ele estava ''interrogando'' Walter em um recanto luxuoso, provavelmente provocando o outro para descobrir se ele era o assassino. E lógico, no processo, Jane acabou destruindo um carro de luxo, só para ter acesso novamente a Motores Zenit e enfrentar o suspeito que evidentemente, Jane não havia compartilhado com ela. Era certo que Jane resolvia os casos, contudo, às vezes ele extrapolava em suas travessuras; apesar de que ela acabava se divertindo no final, distraindo-a da dor de sua decisão em relação a Risgby e Van Pelt. Isso a consumia, levantando a dúvida se estava agindo certo. E sinceramente, ela não achava correto ser responsável pela separação de Risgby e Van Pelt, afinal, o trabalho deles não havia sofrido nenhum prejuízo desde que ficaram juntos. Portanto, quem se importa? Desde que mantivessem a discrição no escritório, não havia motivos para ela provocar uma separação que provavelmente iria prejudicar o ambiente de sua equipe. Por isso, no final do caso, ela tomou sua decisão:

'' – Vocês não me contaram. Que estão juntos, não me disseram nada e pelo que eu saiba, ninguém violou o regulamento. Nada de olhares, nada de gestos e muito menos beijos no escritório.'' – ela disse a eles satisfeita, se sentindo bem consigo mesma desde que soube do relacionamento deles. Estranhamente, eles não reagiram como ela esperava, contudo, ela não teve tempo para pensar nisso pois logo depois, recebeu uma ligação de Jane. De certa maneira, ele impressionou tanto Marsburn que este emprestou outro de seus carros de luxo.

'' – Conheço um restaurante fantástico em Napa. Podemos estar lá em sete minutos.'' – ele falou contente como uma criança que acabara de ganhar seu presente de Natal favorito. Lisbon deu de ombros, e entrou no carro. Afinal, era um veículo bem bacana. Evidentemente, ele não respeitou os limites de velocidade, e passado o susto inicial, a viagem foi bem divertida. Era uma coisa boa sentir o vento nos cabelos, a brisa do vale de Napa em seu rosto, o calor do sol aquecendo seu corpo. E verdade seja dita, o restaurante era realmente muito bom; ficava em um prédio assobradado, sendo que no padock, mesas estavam dispostas de forma que podiam ter uma vista espetacular do lugar.

'' – Pelo visto, você tomou uma outra decisão em relação a Risgby e Van Pelt.'' Ele comentou enquanto saboreava sua salada.

'' – Como você sabe disso?'' – Lisbon ficou na defensiva, não confirmando nem negando que havia mudado de ideia.

'' – Seus ombros estão relaxados, seu rosto não está contorcido em tensão e aposto que sua dor de cabeça passou.'' – ele disse conciso, demonstrando que a conhecia melhor do que qualquer pessoa.

'' – Ok, você está certo. Não contei nada ao Serviço de Apoio aos Funcionários; mesmo assim, eu esperava uma reação diferente deles'' – ela franziu a testa em dúvida – '' não pareceram felizes com minha decisão.''

'' – Não leve a mal, não tem nada a ver com que você decidiu. Aliás, foi uma boa decisão, você está certa.''

'' – Eu não sei... se alguém descobrir, o resultado pode ser pior.'' – ela remexeu distraidamente o filé em seu prato.

'' – Meh, não fique tão preocupada. Tudo vai dar certo.'' – ele a consolou, devorando com prazer seu último pedaço de carne.

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Pela primeira vez, Jane viu a máscara de seriedade escorregar do rosto de Cho; David Sang claramente era um amigo muito querido, uma pessoa de grande importância na vida passada dele. Seus olhos geralmente frios e calculistas tinham um brilho distinto de tristeza e dor. Por mais que tentasse esconder, Cho estava magoado e sentindo-se culpado pela morte de seu velho amigo David. E Jane, perplexo consigo mesmo, sentiu que poderia ajudar, que queria ajudar. Normalmente, ele evitava se envolver com os problemas pessoais dos outros membros da equipe, mantinha distância do que quer que fosse relacionado a questões emocionais da equipe, porém, Jane não conseguia evitar uma necessidade desenfreada de ajudar Cho a descobrir quem matou seu amigo David. Afinal, depois de Lisbon, Cho era uma das poucas pessoas em quem Jane poderia confiar sua vida e com o passar do tempo, havia desenvolvido um sentimento caloroso de amizade. Por isso, Jane fez de um tudo para convencer Cho a investigar, acompanhando-o na investigação das pistas que conseguiram do caso. O mais difícil foi persuadi-lo a participar da charada extremamente melindrosa, que poderia acabar com a carreira de Cho, além de levar tanto ele quanto Cho para prisão. Contudo, dada a complexidade do caso, seria a única forma de fazer o culpado confessar. Jane ainda ficava impressionado de como algumas pessoas faziam para alimentar sua ganância: Adam Reed, um gerente empresarial de quinta categoria, que drogava e abusava sexualmente de sua secretária Crystal, aproveitando-se da vulnerabilidade dela. Frank, o homem que supostamente dava segundas chances a antigos condenados, apenas empregava pessoas na condicional para obriga-las a cometer crimes para ele. Era uma atitude baixa e deplorável, um modo mesquinho e cruel de manipular as pessoas, abusar de seus medos e deixa-las a sua mercê. O plano de Jane de fingir que Cho perdera o controle e matara Adam Reed em um ímpeto assassino, para obrigar Frank a confessar que matou David Sang e que o mantinha no controle ao ameaça-lo de violar a condicional. E Frank o matou quando David Sang quis sair do esquema, tentar realmente mudar de vida, se redimir assim como Cho havia feito. Era uma pena. Jane ainda notava uma sombra de tristeza no olhar de Cho, porém, quanto a isso, ele não poderia ajudar. Era um assunto que ele, Cho, deveria resolver sozinho. Reconhecer que estava errado, que julgara mal seu velho amigo era um caminho a ser trilhado por Cho, e somente por Cho. Jane fizera sua parte ao trazer justiça a David Sang, e no fundo, ele tinha certeza de que Cho encontraria sua paz interna, buscaria uma maneira de aplacar a dor na consciência que o consumia por dentro. Mesmo com seu jeito estoico, Cho era um homem de sentimentos e fortes emoções, um homem que mantinha seu coração seguro atrás de uma poderosa muralha que construíra ao longo dos anos, a qual, poucas pessoas, raras na verdade, conseguiram transpassar.

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'' – Tudo bem, ela já foi.'' Lisbon estava muito aborrecida por ter que se desculpar de novo por uma travessura de Jane.

'' – Quem?'' – ele olhou para ela fingindo não saber do que ela estava falando.

'' – Poupe-me. Você está com a consciência pesada e merecidamente. – ela ficou ainda mais abrorrecida.

'' – Meh...a justiça pode ser bem dura; omelete e ovos, tudo acaba bem quando termina bem. – ele respondeu desdenhoso.

'' – Uma resposta decorada não é desculpa. Ah, e a Abigail mandou dizer que você é um sádico cruel e irresponsável.'' – tom de sua voz mostrava que não havia diminuído seu aborrecimento.

'' – Ah, ela acertou em cheio.'' – ele falou simplesmente, como se fosse um fato amplamente conhecido. Ele a encarou com uma seriedade ímpar'' – Tudo bem? Não adianta esconder de mim.''

'' – Eu estou bem.'' – ela desconservou.

'' – Tá bom. Boa noite.''

Lisbon revirou os olhos e sentou-se com cansaço em sua cadeira, soltando um profundo suspiro. Esse caso do envenenamento de Jeffrey Bardy foi muito custoso, cansativo; ele fora um chefe famoso, alcóolatra e enganador. Era um homem perdido no vício, iludido com sua amante rica e poderosa Julia San Germann, sabotando a abertura do restaurante de sua Sub-chefe Elisa, porém, ao saber da gravidez da esposa, ele empreendeu muito esforço para melhorar. Pena que foi um pouco tarde demais. Lisbon conhecia bem a doença do alcoolismo, após a morte de sua mãe, seu pai desistira da vida, afundando-se na bebida e ficando agressivo com os filhos, matando-se ao final de tudo, como se quisesse dar um encerramento em seu tormento pessoal. Apesar de Lisbon ter presenciado a queda de seu pai, ela manteve o consumo de álcool socialmente, contudo, depois da morte de Sam, ela vivia amargurando sua dor e mágoa, buscando alívio em vários goles a mais, principalmente quando a solidão em sua casa torna-se opressora e impossível de suportar. As únicas oportunidades em que ela não ficava bêbada era quando ela saía para jantar com Jane ou ele aparecia em sua casa para preparar o jantar. Nos últimos dias, ela tem dado várias desculpas para que ele não fosse a sua casa. As garrafas de uísque e vodca que outrora estavam cheias, agora estavam com menos da metade. Ela também mantinha uma garrafa de uísque na gaveta da mesa em seu escritório, para tomar um gole ou outro quando o estresse do trabalho a reprimia até o fundo de sua alma. Mas claro, Jane percebeu que algo não estava certo; ele a pressionou levemente, e diante da negativa dela, ele saiu para preparar seu chá, e cerca de 20 minutos depois, ele retornou com a xícara dele e outra para Lisbon:

'' – Toma, vai te fazer bem.'' – ele disse muito sério, sentando-se na cadeira em frente a ela, tomando sua própria bebida.

'' – Chá?'' – Lisbon estava descrente, como chá poderia ajuda-la? '' – Não preciso de chá para nada. Vou pra casa, boa noite.'' – ela se levantou abruptamente, atrapalhando-se para pegar sua bolsa.

'' – Eu sei o que você está fazendo.'' – a voz dele era dura, como raramente ela ouvia.

'' – O que?! Não estou fazendo nada.'' – ela desconversou, com uma voz estridente.

'' – Você está sofrendo e está se refugiando no confortável casulo da bebida.''

'' – Eu não...'' ele não disse nada, apenas levantou as sobrancelhas com conhecimento de causa. Ela desistiu e voltou a se sentar, resignando-se a pegar sua xícara e tomar um gole do líquido quente e reconfortante, surpreendendo-se ao perceber uma melhora em seu estado geral de tristeza quando terminou a xícara. Ela nunca daria o braço a torcer para Jane, todavia, a verdade era que o chá fizera mais bem a ela do que a bebida alcóolica. Talvez tenha sido pelo simples fato de ter sido preparado por Jane. Ele, de alguma forma, sempre percebia seus humores, seu estado de espírito, e geralmente, ele acertava no modo de lidar com ela.

'' – Satisfeito?'' – ela perguntou desafiadoramente – '' – Posso ir embora agora?''

'' – Você sabe que sempre pode contar comigo, não é Teresa?'' – seus olhos azuis cintilavam uma aura de seriedade e preocupação.

'' – Eu estou bem, Jane.'' – ela devolveu, claramente lutando para manter a voz estridente sob controle. '' – Estou cansada, vou para casa. Boa noite.'' – ela levantou-se de novo, desta vez um pouco mais devagar, pegou sua bolsa e chaves, saindo porta afora. Em seu íntimo, ela sabia que Jane estava certo. Ela estava sofrendo, mas ela não precisava da ajuda de ninguém. Ela poderia resolver isso perfeitamente bem sozinha. A começar pela diminuição do consumo de álcool; quem sabe, vez ou outra, tomar o chá reconfortante preparado por Jane. Era uma grande possibilidade.

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'' – Bruu...está frio aqui. Ainda está brava comigo?''- eles estavam esperando o elevador, Lisbon ao seu lado evitando olhar para ele, furiosa por ter sido enganada junto com os outros com o truque de Jane.

'' – Estou.'' – ela respondeu brava, porém, amenizou a carranca do rosto com prazer. ''Mas sabe o que me ajudou? Dar um soco no seu nariz.'' – e ela sorriu, um sorriso sincero depois de um longo tempo do seu rosto carregar apenas traços fortes de tristeza.

'' – Fico feliz em ter prestado esse serviço.'' – ele devolveu alegre, satisfeito ao vê-la sorrir de novo, suas adoráveis covinhas aparecendo.

'' – Quer jantar?'' – ele perguntou com uma voz serena.

'' – Hum, quero sim. Você paga e eu escolho o lugar, por tudo que me fez passar hoje.''

'' – Justo, muito justo.'' – quando o elevador chegou ao térreo, ele colocou um braço entre as portas para mantê-las abertas enquanto o outro foi direto para as costas de Lisbon, guiando-a para fora. Ela caminhou à frente dele muito determinada, indo direto para seu carro; ele apenas a seguiu e durante todo o caminho em direção ao restaurante, eles permaneceram em um silêncio confortável.

Jane se sentiu muito mal em enganá-la daquele jeito; geralmente, ele dividia alguns pedaços de seus planos, para ela não ser pega totalmente desprevenida. Contudo, dada a depressão pela qual ela estava passando, ele achou que um pouco de agitação, um pouco de medo de morrer, um pouco de autorrealização por continuar vivendo ajudaria na melancolia de Lisbon. Jane sabia que seus métodos eram um pouco tortuosos, mas devido aos muros devidamente levantados para que Lisbon não se aproximasse demais, ele escolhera agir desse modo.

Lisbon escolheu um restaurante italiano, pedindo lasanha a carbonara e cannoli de sobremesa. Sabedor que ela estava evitando bebida alcóolica, ele escolheu suco natural para acompanhar a refeição deles. Feliz por ela estar claramente melhor, ele pagou a conta sentindo seu coração muito mais leve. Eles foram até a casa de Lisbon, e Jane a acompanhou até a porta, como de costume.

'' – Bom, acho que agora eu me redimi um pouco, não é?!'' – ele balançou em seus pés, com as mãos seguras para trás.

'' – Sim, confesso que me sinto melhor.'' – ela disse com seu adorável sorriso que mostrava suas covinhas. '' – Está tarde, quer dormir aqui hoje?''

'' – Com você?'' – ele levantou as sobrancelhas com um toque sutil de malícia.

'' – Não.'' – ela bateu em seu braço. '' – Você dorme no sofá. E então.''

'' – Claro, como eu poderia recusar um convite tão amável?'' – ele respondeu com um brilho travesso nos olhos.

Ela sorriu de novo, balançando a cabeça desacreditando no quanto Jane era abusado. Todavia, ela permitiu sua entrada, trouxe travesseiros e edredon, além da velha camiseta de seu irmão que normalmente Jane usava quando passava a noite na casa dela. Desejando boa noite, ela subiu para se arrumar para dormir, enquanto Jane fez sua própria rotina noturna, circulando pela casa dela muito à vontade. Ele tirou seu terno, colete, camisa, calça, dobrando-os cuidadosamente, colocando-os na poltrona; vestiu a camiseta, ajeitou os travesseiros, esticou o edredon, e deitou-se de barriga para cima, observando as luzes dos postes e da lua que entravam pelas frestas da janela da sala de Lisbon, lançando curiosas sombras na parede. Ele ficou imóvel por um longo tempo, evitando pensar em Lisbon, no calor de seus braços. Jane sabia que seu sentimento por Lisbon tornava-se complexo e profundo a cada dia, e ele reprimia-os para que não o distraíssem de seu objetivo de vingança. Ele tinha que admitir que estava ficando cada dia mais difícil, porém, ele teria que ser forte. Jane não estava conseguindo dormir, principalmente por medo de seus pesadelos, que agora incluíam Lisbon sendo estripada por Red John. Seus olhos estavam pesados, mas ele piscava bravamente para não dormir. Ele estava nessa batalha íntima, ele ouviu passos delicados de Lisbon descendo a escada. Ele fechou rapidamente os olhos, esperando que ela tivesse ido à sala apenas para conferir se ele estava dormindo. Ele sentiu a aproximação cuidadosa dela, sua voz o chamando baixinho ao mesmo tempo que ela cutucava o ombro dele delicadamente.

'' – Jane? Está dormindo?'' – ela sussurrou.

'' – Não.'' – adivinhando que ela também não estava conseguindo dormir, ele abriu o edredon, convidando-a para deitar-se ao lado dele no sofá, ajeitando seu corpo de modo que ela pudesse ficar confortável. Lisbon não se fez de rogada, aceitando com prazer o abraço dele. Eles ficaram em silêncio por um bom tempo até suas respirações regulares evidenciarem que ambos tinham finalmente dormido. Antes do dia amanhecer, Jane desvencilhou-se vagarosamente dela, trocou de roupa, foi até a cozinha, ligou a cafeteira e preparou algumas torradas. Quando ele voltou para sala, ela já estava acordada, espreguiçando-se longamente no sofá, bocejando muito.

'' – Bom dia.'' Ele a cumprimentou com um sorriso. '' – Fiz seu café da manhã. Tenho que ir para me arrumar para trabalhar. Até mais tarde.'' – antes mesmo dela falar alguma coisa, ele rapidamente escapuliu porta afora, amaldiçoando-se por ter cedido mais uma vez à tentação em tê-la em seus braços.