Corajosamente, Vivi seguiu o maldito shichibukai até a área mais afastada do bar, parando a frente do homem, que estava prestes a puxar uma cadeira para se sentar, quando notou a aproximação da princesa.

Intrigado, o portador da Suna Suna no Mi a olhou por cima do ombro, se questionando mentalmente o que a herdeira de Alabasta poderia querer consigo. Admitia que, apesar de fraca e insignificante, Vivi era surpreendentemente corajosa para sua idade e sua descendência nobre.

—Miss Wednesday? Posso ajudá-la em algo?

—Não seja cínico, seu verme desgraçado! — vociferou com os olhos estreitos em irritação. O maxilar estava erguido, com uma autoconfiança admirável. Ou apenas estúpida. — Eu sei que você está aprontando alguma coisa. Deve estar querendo se vingar pelo o que aconteceu em Aalabasta...

—Como eu me lembro de ter lhe dito agora pouco — ele inspirou fundo, medindo-a dos pés a cabeça, com um olhar arrogante. — Eu não tenho o menor interesse no seu país medíocre. Morra.

Ela riu forçadamente o encarando enfurecidamente.

—Você pode ter manipulado o Luffy para escapar da prisão, mas a mim você não engana, seu merdinha filho da...

Ele sorriu entre um trago e outro de seu charuto e, surpreendendo a princesa, Crocodile segurou o queixo dela, encarando-a fixamente nos olhos.

O toque inesperado provou um arrepio inexplicável em Vivi que, confusa, permaneceu com os olhos arregalados, sem saber o que ele estava tramando. Crocodile estalou a língua satisfeito com o olhar dela e então se inclinou na direção dela, aproximando perigosamente seu rosto ao dela.

—Continua a mesma princesinha boca suja de antes. — ele claramente se divertia com o olhar surpreso da jovem mulher a sua frente. Os olhos cor de violeta estavam o encarando profundamente. — Não sabia que é grosseira se dirigir a um homem mais velho desta forma, Vivi-san?

—Vá para o inferno! — esbravejou, afastando-se rapidamente das mãos másculas e ásperas, lutando para ignorar aquela sensação esquisita que dominava seu corpo. — Nunca mais encoste um dedo em mim, seu porco.

Ele pareceu não se abalar com nenhuma das palavras que lhe era dirigida, demonstrando inclusive certo divertimento e prazer ao vê-la perder a compostura com tamanha facilidade.

—Algo a mais?

—Fique sabendo que eu vou vigiar todos os seus passos e não tenho medo de entregá-lo para a marinha.

O sorrisinho presunçoso retornou aos lábios avermelhados de Crocodile, que se inclinou na direção dela e retrucou astutamente.

—Nesse momento eu não acho que você esteja em posição de fazer ameaças, miss Wednesday, não se esqueça de que eu já trabalhei na guarda real de Alabasta. Duvido muito que o seu querido papai saiba que esteja aqui.

Os olhos violetas vacilaram e ela engoliu em seco, prendendo a respiração. Crocodile alargou o sorriso ainda mais.

—Basta uma denúncia anônima do seu paradeiro e a ilha se encherá de guardas e soldados a sua procura. É isso o que você quer?

Ela mordeu a boca com força, erguendo a cabeça para encará-lo com seriedade.

—Fique longe de mim, Crocodile.

—Com todo o prazer.

Os dois encararam-se por alguns segundos, até ela quebrar o contato visual, afastando-se dele a passos rápidos e furiosos. O homem continuou onde estava, observando a partida da mulher de cabelos azulados e ficou sério por algum tempo, pensativamente.

Ele nunca duvidou de que a princesa fosse maluca, afinal, só sendo extremamente louca para se infiltrar numa organização criminosa altamente perigosa, mas ir sozinha para uma ilha recheada de criminosos degenerados e problemáticos?! Ele sorriu com esse pensamento. Ela tinha culhão de sobra, isso admitia despreocupadamente.

Infelizmente ela precisaria mais do que culhão para sobreviver a aquele festival diabólico.

De volta ao hotel em que estava hospedada, Vivi tomou um demorado e relaxante banho quente de banheira, furiosa consigo mesma. O que tinha na cabeça para ir ameaçar um ex-shichibukai? Ela bufou antes de esfregar o rosto entre as mãos e então jogou a cabeça para trás, encarando o teto demoradamente. Merda, agora ele a tinha nas mãos e se quisesse poderia facilmente orquestrar uma emboscada para dizimar o exército de Alabasta!

Que ódio!

Como fora ingênua ao achar que poderia confrontar um homem tão desprezível como Crocodile... Ela bufou e fechou os olhos por alguns segundos, mergulhando na banheira e retornando a superfície logo após, suspirando fundo.

Precisava encontrar Luffy e os outros o rápido possível ou provavelmente correria risco de vida.

—Idiota, idiota, idiota! — praguejou, balançando a cabeça indignadamente. — O que é que eu tinha na cabeça afinal? — respirou fundo e engoliu em seco.

Afim de esquecer o encontro desagradável da noite anterior, Vivi acordou cedo e foi as compras, com Karoo em seu encalço. Em seguida, deu uma repaginada no próprio visual e foi explorar a ilha.

Comprou algodão doce para Karoo e alguns sucos naturais para ele; participou de algumas apostas, experimentou cervejas importadas e parou para assistir as corridas de navios. Tirou inúmeras fotos com Karoo na cabine personalizada e logo após parou para almoçar em um restaurante igualmente luxuoso.

Estava retornando para o hotel, já que seu fiel companheiro demonstrava os primeiros sinais de exaustão física, quando avistou uma tenda com roupas de odaliscas. Contrariando seus instintos óbvios de sobrevivência que a alertavam que poderia ser facilmente reconhecida com aquelas indumentarias, Vivi comprou algumas e então seguiu em direção a um pub exclusivo. Havia muitos piratas vestidos a caráter, tal como estivessem de fato em uma casa de show em um país desértico e isso a animou.

Sabia que era arriscado, mas não era justamente por isso que estava ali? Para viver um pouco de perigo e emoção?

As mulheres dançavam escandalosamente bem, ao som de uma música agitada.

Enquanto ela se distraia com o lugar e a música, Karoo saia discretamente, visivelmente cansado de todas as compras e andanças, a deixando dentro do estabelecimento.

Vivi não se importou ao notar a ausência dele. Estava completamente deslumbrada com a decoração e a música do lugar.

Além disso, ele também precisava se divertir um pouco, então ela decidiu que iria procurá-lo mais tarde.

Rindo, Vivi dançava desinibidamente, remexendo os quadris e jogando os cabelos de um lado para o outro, com o véu em mãos. Os seus pés movimentavam-se no ritmo da música e ela girava o corpo suavemente, exibindo as pernas torneadas, e ocasionalmente inclinando-se para trás, com flexibilidade e desinibição.

Em Alabasta, seu pai provavelmente ficaria furioso com a sua dança. Dizia que era inapropriado para uma princesa dançar com trajes de odaliscas, ainda mais daquela forma.

Ele talvez estivesse certo sobre isso, mas ali, naquele lugar, longe do país arenoso e sem temer a desaprovação de alguém, ela era apenas uma mulher livre desprovida de responsabilidades ou qualquer embargo de consciência.

Vivi rodopiou a cabeça, balançando os fios cacheados, rebolando sensualmente. Em seguida ela jogou o véu de um lado para o outro, curvando-se na direção dele. Sorria lindamente.

Os peitos fartos subiam e desciam, comprimidos na parte superior do traje de odalisca. Ela girou, em meio a risos e aplausos dos telespectadores presentes.

A princesa parou abruptamente, deixando o véu escorregar por entre seus dedos e deixou de sorrir, com os olhos rosados levemente arregalados.

Do outro lado do salão, bebendo um gole de rum, Crocodile a observava fixamente, em silêncio. Ela engoliu em seco, sentindo o coração acelerar drasticamente.

O ex-shichibukai tinha um olhar sério, que rapidamente se converteu em uma expressão debochada, ao perceber que também era observado. Ele sorriu ferinamente, intercalando entre um trago de seu charuto e um gole de seu rum.

Vivi respirou fundo, claramente desconcertada, abaixando-se rapidamente para pegar o véu e voltou a dançar, esforçando-se para ignorar a presença intragável do dito cujo. Deu as costas para ele, concentrando-se no público da outra parte do salão, em vão.

Ela sabia que ele continuava a fitá-la, em tom de desafio. Confirmou isso com um olhar por cima do ombro. Os olhos escuros do maldito encontraram os seus e ele continuou a sorrir, provocando-a.

Cretino.