Vivi permaneceu cabisbaixa, com o rosto entre os braços. Ao fundo tocava uma música odiosamente melodiosa, cantada por um grupo de piratas embriagados.
Ela era uma traidora. Havia traído seu país, a tripulação do Chapéu de Palha, seu pai... Koza... Meu Deus! Ela tinha traído Koza e todo o seu histórico de luta e dedicação ao país de Alabasta.
Estava se sentindo péssima. Como podia ter se deixado levar por um tesão momentâneo?
A princesa suspirou fundo e levantou a cabeça, ligeiramente desanimada. Como iria encarar Karoo depois da imperdoável traição na noite passada? Estava cheia de culpa e arrependimento.
— Está tudo bem com você, Akika?
Vivi levantou a cabeça, encarando o rosto amigável e estranhamente confiável de Tayuya, que puxou uma banqueta para se sentar ao lado da princesa. A mulher de cabelos azuis fez um beicinho.
—Eu fiz uma merda colossal na noite passada, Tayuya-san. Eu decepcionei os meus amigos. E o meu pai também. — explicou, em tom melancólico. — Não sei como eu farei para encarar os meus amigos agora... — ela esfregou o rosto entre as mãos. O fato de que deveria estar procurando por eles só piorava a crescente sensação de frustração consigo própria.
Luffy iria ficar tão zangado! Ele tinha se arriscado e colocado a própria cabeça a prêmio para ajudá-la a salvar o país e a acabar com a Baroque Works.
Nami, Usopp, Sanji, Zoro, Chopper... Pelos deuses, ela tinha falhado totalmente com eles!
—Não seja assim tão dura consigo mesma, Akika-chan, você é jovem, bonita, tem todo o direito de fazer besteiras! A vida é curta demais para ficar se remoendo por causa do julgamento alheio. — Tayuya sorria otimista. — O que você pode ter feito assim de tão grave para ficar com essa cara?
Transei com o vilão que tentou usurpar o trono do meu pai. Vivi sorriu amarelamente. Nenhuma palavra bonitinha iria ajudar a diminuir a culpa que ela estava sentindo. Mas ficava profundamente grata pela tentativa e para não soar mal-agradecida, absteve-se de tecer comentários arisco.
—Obrigada, Tayuya-chan. Você é muito gentil. — ela sorriu e a outra balançou a cabeça afirmativamente. — Acho que tem razão.
Satisfeita a outra gesticulou para o barman, pedindo duas garrafas de sakês e alguns aperitivos.
—Onde está o seu bando pirata? — Vivi perguntou curiosamente para a morena, que deixou de sorrir subitamente e esbugalhou os olhos de forma engraçada.
—Ah... — Tayuya pigarreou. — Eles devem estar por aí, sabe como é, provavelmente em algum puteiro ou sei lá.
Vivi riu e Tayuya fez uma careta, levemente desconfortável.
Minutos depois, o barman retornava, colocando a frente delas um pote com algumas nozes, e também as garrafas de sakês que elas haviam pedido.
—Um brinde. — propôs Tayuya. — A juventude.
—A juventude! — entoou Vivi sorridente. Ela deu um demorado gole em sua bebida e então voltou a encarar a morena. — Escuta, nós já nos vimos antes? Você me parece familiar...
—É claro que nós já nos vimos antes. — Tayuya respondeu com seriedade e Vivi a fitou atentamente. — Nós nos vimos ontem, bobinha! — e desatou a rir divertidamente.
Vivi acabou rindo também, mesmo assim não conseguia ignorar aquele sentimento de déja vú que crescia toda vez que encarava a mulher de cabelos escuros. Havia alguma coisa nela que... Vivi não sabia explicar direito... Ela não parecia pirata de forma alguma.
Mesmo assim, não conseguia se lembrar de onde. Estava tão frustrada. Queria perguntar, porém não queria soar insistente e invasiva e com certeza não precisava arrumar confusão com uma possível tripulação pirata.
O jeito seria descobrir por outros métodos...
—Espera. — a princesa deu um último gole em seu sakê e respirou fundo. — Aquilo ali é um barril de hidromel? — perguntou com os olhos brilhando em nítida excitação.
—Acho que sim. — Tayuya direcionou seu olhar para a mesma direção que a princesa encarava. — Uh, dizem que essa é a bebida favorita dos deuses nórdi... — ao se virar para encarar a amiga, Tayuya surpreendeu-se ao perceber que ela já não estava mais lá. — Essa garota gosta mesmo de beber. — comentou para si mesma.
Vivi bebia o hidromel diretamente da pequena torneira embutida no barril, e estava de cabeça para baixo, sendo segurada por alguns piratas que riam e gritavam a aplaudindo pela coragem.
Quando finalmente bebeu o suficiente, eles ajudaram-na a descer e alegremente, Vivi gargalhou, aplaudindo a si mesma, sendo acompanhada pelos demais. Ao longe, Tayuya a observava com um sorriso amigável.
A princesa acenou para a nova amiga.
—Venha Tayuya, você precisa experimentar isso. — e correu na direção da outra, a puxando pelo braço.
—Ah não, obrigada, eu acho que não deveria...
—Vamos, só um gole! — Vivi voltou a insistir, meio risonha, com as bochechas avermelhadas graças a quantidade absurda de álcool ingerida.
Deitada na cadeira de sol, com a peruca parte do seu "disfarce", Vivi usava óculos escuros e deliciava-se com a quentura. Karoo estava na piscina, divertindo-se com outros animais e hóspedes do hotel. Ela ainda estava com uma puta ressaca da noite anterior e tirava um cochilo quando foi surpreendida pela voz grave que tanto conhecia.
—Você fica bem de biquíni, Vivi-hime.
Ela manteve os olhos fechados.
— O que você quer aqui, Crocodile? Não me diga que pretende dar um mergulho na piscina. — desdenhou com ironia. — Se fizer isso, eu receio informar que sou uma péssima nadadora.
—Eu vim aqui como um... Amigo.
—Amigo?
—Sim. — despreocupadamente, o ex-shichibukai se sentou na cadeira próxima a princesa de Alabasta, fumando mais um charuto. — Você deveria se afastar da sua amiguinha de cabelos escuros.
—Ah é? E por que diabos eu faria isso? — ela ergueu o óculo e o encarou fixamente, com desconfiança.
—Aquela mulher é capitã da marinha. A pupila do Smoker. — explicou, fazendo-a piscar os olhos, sentando-se na cadeira.
Os olhos do Crocodile voltaram-se brevemente para o pato, que o encarava de dentro da piscina com uma careta engraçada. E então, virou-se para fitar Vivi, que parecia estar digerindo aquela informação.
Um filme passou rapidamente pela cabeça de Vivi e ela exprimiu um palavrão em voz baixa, incapaz de acreditar. Ela sabia que conhecia aquela mulher de algum lugar! Agora tudo fazia sentido!
—Não pode ser... É a Tashigi — murmurou para si, piscando os olhos, frustrada com sua própria estupidez.
—Você parece surpresa. — ele levou uma mão até o queixo dela, que estremeceu diante do toque e sorriu convencidamente com isso. Os olhos dela estavam cheios de expectativa. — Jura que não percebeu? Esperava mais de você, Miss Wednesday.
Irritada, afastou-se bruscamente dele, levantando-se da cadeira e jogando seu óculo de sol sobre ela.
—Cale a boca, seu jacarezinho imbecil. — ela estalou o pescoço e então pegou impulso antes de, então, jogar-se na piscina e mergulhar o mais fundo possível.
Ela o observou do outro lado do cassino: ele estava sentado de frente para uma mesa de apostas. Estava desgraçadamente gostoso trajando uma camisa social azul-marinho e calça caqui. Os cabelos, como de costume, estavam penteados para trás.
Crocodile não parecia minimamente preocupado com os adversários ao seu redor.
Ele exalava tamanha autoconfiança, que chegava a ser irritantemente sexy.
Ele subiu o olhar até ela, quando percebeu que estava sendo observado e isso a desconcertou momentaneamente, a fazendo prender a respiração e se afastar a passos rápidos, com os ombros encolhidos tensamente.
Ali estava ela. Mais uma vez.
Era a segunda vez em menos de quarenta e oito horas que tomava uma decisão incrivelmente errada e burra, mas ela não se importava. Era difícil se concentrar em coisas tão banais como moral, decência ou deveres quando tinha a língua do ex-corsário indo fundo dentro da sua feminilidade dentro do elevador, que Vivi torcia para ser a prova de som.
Vivi gemeu torridamente, fechando as mãos em punhos e mordendo a boca, com os olhos semicerrados. O homem, ajoelhado a sua frente, a chupava vagarosamente, com os olhos escuros fixos no seu rosto, captando todas as expressões dela. Vivi rugiu, em meio a gemidos, o que levou Crocodile a abafar uma risadinha, intercalando sua língua com os seus dedos.
Quando ela finalmente chegou ao seu ápice, gozando na boca dele, o homem permitiu-se exprimir um urro gutural igualmente animalesco antes de se levantar subitamente e prensar seu corpo ao dela, a envolvendo com seu corpo e a beijando com intensidade.
Vivi murmurava durante o ósculo, sentindo-o penetrá-la por completo, sem qualquer cerimonia. Ela arfou alto, ao senti-lo baixar o vestido tomara que caia preto antes de então, abocanhar os seios dela com vontade.
O elevador continuava travado no mesmo andar.
Ela se apoiava nos ombros dele, rebolando de encontro a excitação do inimigo que deveria odiar até os seus últimos dias de vida. Ela gemia roucamente, sentindo-se ser totalmente preenchida por ele, que ia cada vez mais fundo e rápido dentro dela.
—Achei que você quisesse me ver longe de você... — provocou, passando a língua pelo mamilo intumescido, encarando-a fixamente.
—Ca-Cala a boca! — ela inspirou fundo, com os olhos entreabertos, o abraçou pelo pescoço, esfregando-se ainda mais contra o corpo másculo do ex-schichibukai. — Ah...Ah... Ah... Crocodile!
Nua, Vivi caminhou em direção ao frigobar que havia dentro do cômodo e pegou uma garrafa de rum. Retirou a rolha da garrafa e deu um demorado gole antes de retornar para a cama kingsize, sentando-se na mesma.
Crocodile deixou o banheiro, envolto somente por uma toalha preta, que rapidamente atirou ao chão e então sentou-se na cama, próximo a ela.
Ela o observou pegar mais um charuto, em silêncio.
Era tarde demais para se arrepender de suas ações. Ela gostou de gozar na boca dele. Gostou de ser puxada pelos cabelos dentro do elevador e revirar os olhos em um prazer inexplicável. Gostou. Gostou muito de ser tocada, lambida, chupada por aquele desgraçado.
Já que está no inferno, abrace o capeta, não é esse o ditado?
—Você transou comigo só para eu não revelar o seu pequeno segredinho a marinha?
—Não sabia que você tinha o ego assim tão frágil, sir Crocodile. — ela colocou a garrafa de rum sobre o criado mudo e espreguiçou-se.
A mão dela acariciou o seu seio, e ele brincou com o mamilo rosado, sentindo-o endurecer em seus dedos. Ela arfou.
Ele inclinou-se sobre ela, e beijou o seio despido antes de chupá-lo lentamente. Vivi gemeu novamente, fechando os olhos e ele sorriu satisfeito.
—Bom. Seria um desperdício e tanto ter de entregá-la. — dito isso, voltou a se afastar, observando-a.
