REINO DE ALABASTA
CIDADE DE ALUBARNA
O rei Kobra arremessou outro vaso em direção a porta, decepcionado e frustrado com o que estava escutando. Conforme desconfiava, sua filha não tinha ido visitar Rebecca coisa nenhuma, tampouco chegou perto de Dressrosa.
Os seus olhos estavam arregalados. As mãos fechadas em punhos e os dentes trincados furiosamente.
—Isso é inaceitável! — esbravejou no ápice da sua ira. — Como vocês podem ter perdido a minha filha, a minha filhinha de vista, inferno?
—Ela despistou os guardas reais, Vossa Majestade. — Chaka deu um passo a frente, encarando o rei fixamente. — Deixou o navio em um país próximo a Alabasta e depois embarcou em outro navio quando todos os guardas estavam distraídos.
—Quando os guardas estavam distraídos...? — Kobra balançou a cabeça furiosamente. — Minha filha pode estar correndo perigo e é essa a desculpa esfarrapada que você me dá, Chaka?
O homem emudeceu-se, arrependido das palavras que disse anteriormente. É claro que o rei estava certo. Era um absurdo que os guardas a tivessem perdido de vista.
—Eu sinto muito, Vossa Majestade. Eu não pensei antes de falar. Eu irei colocar os meus melhores homens atrás dela nesse exato momento.
—Que homens seriam esses, me pergunto? Uma dúzia de guardas que deveriam estar sob o seu comando foram contornados pela minha filha com demasiada facilidade, e tudo porque estavam distraídos. Eu não tenho alternativa, é claro, exceto contatar a marinha.
Pell, que se manteve de braços cruzados, refletindo sobre toda a situação, finalmente deu um passo à frente.
—Essa talvez não seja uma boa ideia, meu rei. Aquele cara da marinha, Smoker, sabe sobre a ligação dela com os chapéus de palha, talvez ele resolva usá-la para descobrir o paradeiro dos mugiwaras — explicou. — Precisamos agir cautelosamente, sem chamar a atenção da marinha.
—Bem, e o que é que você sugere, então?
—Não se preocupe. Eu irei pensar em algo. — curvou-se respeitosamente a frente do rei e então se afastou. — Vamos, Chaka, temos muito trabalho a fazer.
—Hai. — concordou o grandalhão, antes de reverenciar polidamente Kobra, que apenas sentou-se em seu lugar, claramente frustrado e preocupado.
Os dois deixaram a sala a passos rápidos. Pell parecia estar considerando algum plano absurdo para reencontrá-la e, evidentemente, isso preocupava o outro. Eles não podiam contar com a marinha de forma alguma, mas também não podiam se atrever a buscar a ajuda de piratas. O que restava, então?!
—Você parece saber o que fazer.
—Mais ou menos. — Pell estreitou os olhos. — Eu ainda não sei se isso vai realmente funcionar, mas nós precisamos tentar.
—Não está cogitando pedir a ajuda de piratas, está?
—Não seja idiota. — Pell respirou fundo, estava sentindo-se parcialmente responsável por aquele fatídico episódio. Se ele não tivesse sido tão ingênuo ao acreditar na promessa feita por Vivi, nada daquilo estaria acontecendo. — Eu tenho duas cartas na manga e confesso que a segunda alternativa é um tanto radical.
Chaka o escutou atentamente, intrigado para saber do que diabos o outro estava falando. Ele permaneceu quieto e o seguiu sem dizer nada pelos longos corredores do palácio em direção as escadarias da frente.
A população estava igualmente desesperada, imaginando que a princesa tivesse sido raptada por um inimigo vingativo ou até mesmo que estivesse... Oh, Chaka se recusava até mesmo a pensar em tal palavra, era angustiante demais para que pudesse aguentar!
—Nós precisamos conversar com a princesa Rebecca — Chaka exclamou. — Ela com certeza deve saber sobre o paradeiro da Vivi-chan.
—Provavelmente será inútil. Dificilmente ela iria nos contar alguma coisa, você sabe como isso funciona, as mulheres sempre se protegem. Principalmente se as duas forem princesas rebeldes com segredos a esconderem dos demais. — Pell avaliou friamente, acelerando os seus passos.
Ele definitivamente não queria usar a sua segunda carta na manga. Era arriscada demais e o rei Kobra provavelmente não ficaria nada feliz, mesmo assim, não deixava de ser uma alternativa, caso a primeira falhasse.
—Primeiro, nós precisamos visitar um velho amigo da Vivi. Aposto que Koza poderá nos ajudar.
Vivi estava deliciando-se com uma porção de falafel, no pub árabe em que, apenas alguns dias atrás, estava dançando desinibidamente em meio a desconhecidos e Crocodile.
Eles continuavam se encontrando. E ela continuava acordando do lado dele no dia seguinte. Era estranho pensar que estava transando com um desgraçado como o ex-schichibukai, mas ela já tinha passado da parte em que se arrependia. O "relacionamento" deles era puramente físico e ela estava determinada a esquecê-lo assim que retornasse para Alabasta, ou até que fosse encontrada pela marinha ou o exército real.
Até aquele momento, ainda não tinha tido o menor sinal de Luffy ou de qualquer outro do bando do chapéu de palha e estava começando a acreditar que talvez eles não estivessem na ilha. O que seria uma pena, afinal, aquela era a sua grande e única oportunidade de viver uma aventura antes de ser castigada pelo seu pai, que naturalmente deveria estar uma fera com o seu misterioso desaparecimento.
"Tayuya" que na verdade era a capitã da marinha, Tashigi, ocasionalmente aparecia para lhe fazer companhia. O que a fazia se questionar se ela não estaria ali, na verdade, para procurá-la e delatá-la para o pai ou estaria, mais uma vez, atrás dos seus amigos?
—Aí está você! Finalmente te encontrei!
Ela ergueu a cabeça, completamente surpresa, para encarar um rosto que conhecia muito bem e escancarou a boca, engasgando-se brevemente com o falafel. Vivi bebeu um pouco de água e então respirou fundo, com os olhos esbugalhados em incredulidade.
—Rebecca-chan? O que você está fazendo aqui?
—Eu decidi seguir os seus passos e fugi do castelo. — a rosada, que usava uma peruca laranja, mas definitivamente era Rebecca, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Vivi. — E parece que eu fugi na hora certa, todo mundo está atrás de você. O seu pai está desesperado e o povo acha que você foi sequestrada.
—Kami-sama. — Vivi encolheu-se na cadeira, passando a mão entre o rosto. —Não quero nem imaginar o que meu pai fará assim que eu pisar meus pés novamente em Alabasta...
—Pode ter certeza que você está muito, muito encrencada. — Rebecca pegou um falafel e o levou até a boca, deliciando-se com o mesmo. — Adivinha como eu cheguei até aqui?
—Entrou sorrateiramente em um navio pirata e pediu carona?
—Sim!
A dupla gargalhou escandalosamente e então se abraçou demoradamente.
—Se a moda pega... Deuses, estou ferradíssima! — Vivi riu imaginando a reação de seu pai e o de pai de Rebecca quando as duas voltarem.
—E então? Você está curtindo as suas primeiras e últimas férias da vida?
—Ah sim. Você não faz ideia do quanto. — Vivi sorriu e gesticulou, chamando um garçom, pedindo duas garrafas de sakês. — Assim que nós almoçarmos, eu faço questão de levá-la para fazer compras. Nós temos que dançar e tirar muitas, muitas fotos juntas.
Elas continuaram conversando despreocupadamente, intercalando o falatório com alguns goles de sakês e aperitivos, que eram entregues pelo garçom inexpressivo que andava de um lado para o outro. O dia estava radiante e apenas começava.
