Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capitulo Três
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Primeiras Horas de Trauma
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Cuidado ao ver uma poça de sangue, isso pode te trazer um grande choque de realidade.
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18 de Julho de 2008
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Minhas mãos tremiam, era como se eu estivesse com uma espécie de convulsão interna. Eu não conseguia parar de fitar o sangue espalhado pelo chão, o único som que eu ouvia era o choro pesaroso de Hinata. O esquisito de tudo aquilo, era Naruto olhando-a fixamente nos olhos a boca cheia de sangue com um sorriso de orelha a orelha. As mãos dos dois estavam presas juntas, e eu conseguia vê-los murmurando coisas um para o outro. Minato estava do lado esquerdo de Hinata, observando atentamente todos os gestos do filho.
- Saia daí rosada. - Senti alguém tocar meu ombro.
Eu estava em choque. Eu apenas assistia Sasuke me pegar pelos ombros e me levantar dali. Estremeci logo que vi o corpo da garota próximo de mim. Sem que eu notasse minhas mãos agarraram fortemente o blazer do Uchiha. Respirei fundo, tentando não desmaiar. Aquilo tudo era muito para minha cabeça, era como se eu estivesse dentro de um daqueles filmes onde a mocinha é mandada para uma dimensão diferente, com uma realidade que ela não consegue lidar.
Sasuke me afastou da multidão de pessoas que davam espaço para os paramédicos cuidarem de Naruto. Os homens vestidos de branco eram rápidos e ágeis, por nenhum segundo fraquejaram quando viram a poça de sangue, ou o tamanho do buraco no peito do loiro. Em uma maca eles carregavam Naruto, e Hinata seguia logo atrás, a distância fui capaz de vê-la adentrar na ambulância sem ser questionada por ninguém.
- Venha, as coisas só vão piorar. - Ele disse me arrastando para dentro de casa.
Aquele ato, a forma como Sasuke estava falando, aquilo tudo lembrava-me do menino que ele era antes da morte de sua mãe. Acho que quando eu tinha cerca de seis anos nós brincávamos na casa de campo da minha família, assim como as vezes que Mikoto pedia para Tsunade acompanhá-la nas compras e nós acabávamos por ir junto. Era a primeira vez em anos que ele não estava apenas me infernizando.
A casa estava praticamente vazia, não vi nenhuma alma viva por perto. Todos ainda deveriam estar no quintal, fofocando sobre o ocorrido ou comunicando/exagerando aos repórteres qual era a situação ali. Fiz uma nota mental de fazer Otou-san reforçar a segurança, por que se uma garota conseguia passar por todos aqueles homens fortes e armados qualquer um conseguiria.
Sentei-me no sofá de cor mogno, perto da lareira vendo o Uchiha ficar ao meu lado. Ele apenas estava ali me observando, provavelmente esperando que eu desmaiasse ou algo do tipo. Passei minhas mãos por meus cabelos, desfazendo a trança que já estava extremamente bagunçada. Em um gesto inconsciente eu tirei meus sapatos, trazendo meus pés para cima do sofá. Eu sabia que aquilo era contra a postura que meu pai me ensinara, mas eu não lembrava direito das regras de etiqueta no momento. Cruzei minhas pernas, escondendo meu rosto nas mãos, finalmente deixando que as lágrimas escorressem.
Havia muitas coisas que eu jamais admitiria em voz alta, que eu deixava somente a mim mesma saber. Uma delas é que eu sempre tive a vontade de presenciar uma cena como a de minutos anteriores, e acabar saindo como a heroína da história. Mas eu nunca imaginei que a sensação de ver aquilo tudo acontecendo fosse tão ruim. Não era qualquer um que agüentaria assistir sem um trauma para o resto da vida. E eu tinha total certeza que lembraria de Naruto sangrando e Hinata chorando com ele nos seus braços para o resto da minha vida.
- Sakura-sama! - Ouvi alguém gritando, levantei a cabeça fitando entre as lágrimas um dos seguranças da mansão. - Você está bem? Quer que eu chame alguém?
- Traga Tsunade aqui. - Falei chorando.
Assim que proferi as palavras vi o homem desaparecer de minha visão. Respirei profundamente, tentando conter os soluços que queriam escapar. Recostei-me no sofá, encarando minhas mãos vermelhas, limpei-as no vestido que eu com toda certeza iria colocar fogo depois daquele evento desastroso. Não era o tipo de coisa que eu queria guardar como lembrança.
Dirigi meus olhos a minha direita, vendo Sasuke me analisar com cuidado. Eu não consegui decifrar o que aquilo significava, se ele estava me achando uma louca mimada, ou se talvez por um milagre estivesse preocupado comigo. Provavelmente ele só estava pensando em formas de esfregar na minha cara como eu sou fraca e o jeito que meu choro é irritante para seus ouvidos.
A curiosidade me tomou. Por que diabos ele me tirou daquela multidão? Não era algo que um dia eu esperava vindo dele. Não do idiota que ele tinha se tornado nos últimos anos, que sempre andava com um grupo de pessoas vestidas de preto e se excluía da sociedade. Fiquei imaginando por que ele não estava nervoso ou algo do gênero, já que Naruto era seu melhor amigo e os dois eram como irmãos desde o dia em que eu os conheci. O loiro corria risco de morte e Sasuke não demonstrava nenhuma preocupação sobre isso.
- Não entendo porque você não está entrando em colapso. - Murmurei o fitando.
- Hn. Entrar em colapso não resolveria meus problemas. - Deu de ombros.
Ele parecia estranho e indiferente, como se tudo aquilo não o afetasse. Talvez Sasuke fosse o tipo de cara que guardava os sentimentos, bons ou ruins, só para ele mesmo. O dia que ele perdesse o controle eu não iria querer estar por perto, o Uchiha sabe ser assustador quando quer.
- Você vai para o hospital depois? - Perguntei, ficando incomodada com o silêncio.
- Apenas amanhã. - Ele também se recostou no sofá, acabamos por ficar encarando o teto branco com um enorme lustre no centro.
- Sasuke, por que você quer que eu vá a casa de campo amanhã com você? - Falei tentando afastar meus pensamentos do recente trauma.
- Você pode ser irritante, mas é a única que pode afastar minhas ex-namoradas de mim. - Pude ouvir um leve sorriso em sua voz.
- Aposto que você tem motivos obscuros por trás disso, mas... Só irei com você se for pela manhã seguida do baile.
Ele me encarou, assentindo levemente. Ficamos ali parados em total silêncio entre nós. Os sons das sirenes cada vez aumentavam mais, pessoas falavam alto, choros e gritos na confusão que se estabelecia do lado de fora. Nunca mais olharia para aquele maldito jardim do mesmo jeito, a lembrança de sangue, dor e lágrimas ficaria sempre em minha mente quando eu fosse para ali. Naquele momento o começo de um novo ponto de vista se abria em minha mente.
Aos poucos meus olhos foram pesando, e foi inevitável não deitar no sofá e manter minha mente focada em coisas alegres e infantis. Sasuke continuava da mesma forma, enquanto eu mantinha a cabeça escorada no braço do sofá. Parecia algo infantil já que eu era praticamente uma adulta com os meus dezessete anos completos, mas naquele momento eu só desejei ter minha mãe ali comigo. E eu não estava falando de Akane.
…
Sentei em um reflexo, vendo tudo a minha volta virar em uma vertigem. Franzi o cenho, vendo que estava no meu quarto, para ser mais específica na minha cama vestindo meu pijama branco de mangas compridas. Respirei fundo, ligando o abajur ao lado da minha cama. Na poltrona ao lado desta estava Tsunade, dormindo e com aparência cansada.
Suspirei aliviada, foi ela que eu desejei ver antes de cair no sono. Aquela mulher de cinqüenta anos, mas que possuía uma aparência de trinta, bonita, determinada, forte e que sabia ser extremamente compreensiva. Tirei os cobertores verdes de cima de mim, saindo da cama e caminhando até a mesma. Ajoelhei-me ao seu lado, balançando suavemente seu ombro.
- Tsunade... - Sussurrei. - Tsunade...
- Você está bem pequena? - Falou depois de piscar algumas vezes.
- Mais ou menos. - Abaixei a cabeça um tanto envergonhada. - Dorme comigo hoje?
Se fosse em qualquer outra situação ela provavelmente daria uma de durona e diria que eu era velha de mais para aquilo. Mas a loira simplesmente assentiu, me olhando de forma materna ela se colocou de pé e deitou comigo na cama. Eu a abracei, deixando que as lágrimas rolassem pelo meu rosto por mais uma vez. Tsunade deixou que eu desabasse, assim como todas as vezes que eu realmente precisava, eu sabia que quando eu precisasse independente do que era só com ela que eu poderia contar.
Desde pequena eu sempre fui mais bem tratada por ela, enquanto meus pais me viam como uma boneca que deveria ser vestida com a roupa de menina perfeita. A loira sempre viu meus erros e tentou me ajudar a corrigi-los, mas meus pais diziam-na que os meus hábitos, que para ela eram errados, para eles eram corretos. Na minha infância sempre foi ela que esteve presente em todos os momentos cruciais da minha vida, bons ou ruins. E novamente estava ali do meu lado me apoiando, mesmo sabendo o quão ruim eu sempre fui.
- Se acalme Sakura, já passou. - Tsunade murmurou.
- Foi horrível, mama.
- Já passou. - Ela repetiu. - Tudo vai ficar bem agora.
- O que aconteceu depois que eu adormeci?
- A policia nos interrogou, em breve vão pedir sua versão da situação também, seu pai começou a brigar com os seguranças, Minato e Hiashi foram para o hospital, aos poucos todos foram indo para suas casas. - Ela falava enquanto acariciava meus cabelos.
- E Sasuke? - Perguntei antes que me desse conta.
- O que tem Sasuke? - Ela estava surpresa pela minha pergunta.
- Ele está bem?
- Sim, ele carregou você até aqui em cima. Depois disso foi embora, enquanto Fugaku também se dirigia para o hospital.
- Como vão ser as coisas agora, mama?
- Nós teremos que seguir em frente Sakura, no final das contas a vida dessa menina pode ter acabado, mesmo que tenha sido por suas próprias mãos, mas a nossa continua.
Assenti silenciosamente, ela estava certa. Eu só esperava que eu fosse capaz de encarar isso tudo amanhã quando os repórteres viessem me perguntar sobre o ocorrido. Amanhã seria o meu tão esperado Baile de Inverno, cujo eu venho preparando e esperando por meses. Mas agora... Agora eu não tinha a mínima vontade de colocar o meu vestido e dançar com Sasori por toda a noite, era como se fosse algo estúpido de mais depois do que aconteceu hoje.
A única coisa que eu tinha certeza que iria fazer amanhã era comprar algumas flores e ir ao hospital dar apoio a Hinata e ver se Naruto estava realmente bem. Tenho certeza que Hinata me explicaria o porquê da garota ter feito tudo aquilo, apesar de eu possuir uma boa ideia do motivo do colapso e a sede de vingança que Sasame tinha. Se não me engano ela vivia agarrada no loiro, questões amorosas eram mais que óbvias.
Respirei fundo, me aconchegando no enorme peito de Tsunade. As coisas seriam irritantes e extremamente complicadas daqui para frente, principalmente o fato de que eu seria atacada por todas as revistas de fofocas do mundo bem na porta dos lugares que eu freqüentava. Aquelas líderes de torcida provavelmente fariam um escândalo, e culpariam Hinata pela morte de Sasame. Eu estava preocupado em como a Hyuuga ficaria de forma emocional nos próximos dias, acredito que ela iria culpar-se por tudo.
…
Na manhã seguinte meu corpo reagiu no automático, de forma que quando eu vi estava sentada na sala de jantar vestindo uma calça jeans e uma blusa branca, com os cabelos molhados e jogados por cima do ombro e meus olhos fixos na xícara de café. Eu não era o tipo de pessoa que me vestia de forma tão simples, ou passava um mísero dia sem maquiagem no rosto, mas parecia que naquela manhã especifica eu estava desligada da minha realidade.
Otou-san estava sentado à ponta da mesa, com o jornal de sábado nas mãos. A manchete da primeira página era: "Desastre: Tragédia na festa de caridade das empresas H&U". Não era atoa a raiva que o corpo de Touya expressava, mãos apertando o jornal com força, mandíbula trincada, era como se ele fosse pular no pescoço de alguém a qualquer momento.
- Olhe no que isso se tornou! - Me assustei quando ouvi seu punho bater na mesa. - O fiasco que essa maldita garota fez em minha casa! Aquele idiota do filho do Minato não sabe escolher suas namoradas e isso acaba gerando um fiasco!
- Se acalme querido. - Okaa-san disse. - Veja o lado bom, apesar do ocorrido a imprensa ficou impressionada com a atitude de Sakura, segundo a Mode Gal nossa filha se tornou um exemplo para as meninas de sua idade. Eles alegam que as propagandas da empresa onde ela aparece farão com que os aparelhos eletrônicos vendam três vezes mais.
- Ao menos você fez algo de útil. - Eu sequer o fitei, a toalha de mesa parecia mais interessante.
Eu já estava mais que acostumada com aquilo, Touya irritado e Akane o acalmando, e depois ele me "elogiando" de forma bruta. Quando eu era menor lembro-me de enfrentá-lo às vezes, querendo lhe provar o quão boa filha eu sou. Mas ao longo dos anos eu me dei conta de que isso era praticamente impossível, não havia forma de ele se orgulhar de mim, não se as coisas que eu teria que fazer me deixariam mal depois.
Aquilo tudo me estressava, eles só se preocupavam com a empresa, os negócios, o que os outros iriam pensar sobre acontecimentos como o de ontem. Era tudo tão superficial, após anos eu me dei conta de como aquilo sempre me irritou. E já não entendia porque me mantive calada por todos esses anos, mantendo só para mim as coisas que eu gostava e desgostava. No momento eu me sentia como uma atriz que vive o roteiro escrito para sua personagem, por mais que ela atuasse as duas nunca seriam a mesma pessoa.
- Mais tarde você irá ao hospital visitar o Uzumaki, quero que quando os repórteres aparecerem você chore e diga o quanto aquilo foi dolorido para você, aja da melhor forma possível. - Meu pai disse bebendo um gole de café preto. - Não estrague tudo.
Minhas mãos se serraram por debaixo da mesa, eu me corroia de raiva não entendendo como eu me fechei da realidade presa a um mundo de mentiras, como eu pude me matar dessa forma? Onde estava aquela menina meiga que um dia eu fui? Eu não me reconhecia. Não estava crendo que fui estúpida por tanto tempo! Não eram minhas ideias, meus objetivos que invadiam minha mente, mas sim os deles. Das pessoas mais arrogantes que eu já conheci em toda minha vida, eu havia me tornado tudo que eu sempre odiei nos meus pais.
Eu podia ouvi-los se dirigirem para mim, mas eu não dei importância. Coloquei-me de pé, caminhando (praticamente correndo) até meu quarto. Enquanto eu subia a enorme escada me corroia de raiva de mim mesma. Os gritos no andar de baixo já não me alcançavam, e o que eu mais queria era me jogar em minha cama e pensar, somente pensar no que eu queria, e no que eu deveria fazer.
Antigamente quando eu parava para assistir televisão e via a bela repórter dizer que crianças haviam morrido, pessoas tinham sido assassinadas, assaltos de banco, estupros... Era como se tudo aquilo jamais fosse me atingir. Mas desde ontem, quando eu vi aquela garota mais nova que eu segurando uma arma disposta a matar alguém que eu conhecia por quase toda minha vida... Naquele momento eu notei que o mundo que eu havia construído em minha mente era uma grande mentira, a muralha do meu mundo cor-de-rosa tinha se desmoronado. Fazendo-me abrir os olhos para tudo que eu achei que jamais me alcançaria.
Aos poucos me vi analisando tudo em minha vida. Quando eu estava no oitavo ano e fui convida para entrar no conselho estudantil eu fiz isso porque era o que a filha certinha de um bilionário deveria fazer, para que os outros vissem como era maravilhosa a filha de Haruno Touya. Os bailes que eu ajudei a organizar eram para mostrar o quanto eu era bonita e um dia seria uma ótima esposa.
Onde estava a garota feminista que eu sempre aleguei ser? Nós estávamos no século vinte e um, uma mulher pode ser muito mais que uma boa esposa. Eu nunca quis ficar escondida atrás de um homem pelo resto da minha vida, nunca gostei de ser o sexo frágil. E agora que eu percebia que sempre fui o que mais odiei. Eu deveria ter chocado minha cabeça contra uma parede de concreto, aquele era o único motivo que eu via para tanta estupidez. Eu me tornei uma patricinha mimada, estúpida, consumista e arrogante. Não era o tipo de pessoa que tinha amigos verdadeiros.
Respirei fundo, me sentando na cama. Fitei as paredes achando-as tão sem graça, infantis de mais. Eu possuía dezessete anos e tinha um quarto que podia ser de uma garota de dez. Não tinha ideia de como seguiria com minha vida depois desse choque de realidade, logo após ver uma real poça de sangue. Mas eu tinha alguma noção disto, e o primeiro passo de longe seria ir visitar Naruto e Hinata no hospital, a Hyuuga era uma das poucas pessoas que eram verdadeiras comigo.
Eu iria deixar de ser idiota como vinha sendo e lhe apoiaria, afinal eu posso não ter agido como sua melhor amiga nos últimos anos, mas ela sempre agiu como minha. Foi por isso que peguei meu celular dentro da bolsa, e liguei para a primeira pessoa que estranhamente apareceu em minha cabeça.
- Você pode me buscar em casa? - Perguntei ao ouvir sua respiração do outro lado da linha.
- O que aconteceu para você estar ligando para mim rosada?
- Eu só achei que conseguiria uma carona já que você iria ao hospital.
- Tudo bem. - Ele suspirou. - Chego ai em dez minutos, espere na porta.
Sinceramente... Aquilo foi uma atitude impulsiva, mas boa. Sasuke era uma pessoa com quem eu arranjei problemas minha vida toda, mas nunca o conheci realmente. Talvez eu estivesse errada sobre ele, assim como com a maioria das pessoas a minha volta. Quem sabe lá no fundo, ele seja alguém suportável, assim como havia sido na noite anterior.
Pus-me de pé, caminhando até a penteadeira que ficava de frente no canto contrário ao da minha cama. Apenas penteei meus longos cabelos e peguei um casaco, colocando no meu bolso minha carteira e celular. Não necessitava mais que aquilo no momento. O problema seria quando meus pais tirassem satisfações por minhas ações contrariadas às deles. Acredito que não seria algo que eu não fosse capaz de agüentar.
Meditei por dois minutos, tentando me acalmar e não descontar a frustração que eu tinha comigo mesma em alguém. Eu tinha certeza que Tsunade me apoiaria nessa mudança, pelo menos era isso que eu esperava. Abri a porta do meu quarto, vendo somente uma empregada passar com roupas de cama nas mãos. Fui até a escada, descendo os degraus de pressa. Meu pai estava sentado na poltrona da sala de estar, e se eu quisesse chegar até a porta teria que passar por ali.
- Onde pensa que vai Sakura? - Ele disse raivoso, provavelmente irritado pelo ocorrido de minutos atrás.
- Ao hospital. - Assim que terminei de proferir essas palavras, fui capaz de ouvir o som de uma buzina.
Não parei para ouvir o que ele tinha para me dizer, eu sabia que não seria boa coisa. Era mais que comprovado que ele quisesse que eu fizesse uma cena dramática. Assim que abri o portão eletrônico que dava para a garagem pude ver a moto vermelha parada bem a minha frente. Sasuke estava ao lado dela, segurando um capacete extra, vestindo jeans escuros uma camiseta preta e jaqueta de couro. Trajes que ele normalmente usava, e combinavam muito bem com ele.
- Quem é você e o que fez com a rosada? - Perguntou sarcástico.
- Ver pessoas a beira da morte pode muito bem mudar a opinião de qualquer um. - Falei.
- Suba. - Disse com o cenho franzido.
Em Tóquio existia uma grande quantidade de hospitais, mas eu tinha certeza que o qual nós estávamos nos dirigindo era onde Jiraya, padrinho de Naruto trabalhava. O homem que possuía a mesma idade de Tsunade era diretor chefe e um dos melhores médicos do país. Minato tinha total confiança naquele velho pervertido. Era estranho o fato de um médico conceituado ter lançado tantos livros pornôs. Jiraya era tio de Minato, ele havia o criado quando seus pais morreram, e pelo que eu sabia Naruto e ele tinham uma grande ligação.
Sasuke andava em alta velocidade pelas ruas movimentadas, eu apertava meus braços em sua cintura cada vez mais. Sentir o vento frio tocando minha pele e me deixando arrepiada era uma coisa tão boa, acho que talvez tenha sido por isso que eu sempre gostei do inverno. Ia demorar um pouco ainda para os flocos de neve começarem a cair, e eu realmente estava esperando por isso.
Eu estava curiosa sobre mim mesma. O que havia me dado na cabeça para pedir que Sasuke me buscasse em casa, ou desafiasse meu pai? Aquilo soava tão estranho para mim, parecia que eu nunca faria algo como aquilo. Assim como eu sempre achei que o Uchiha jamais tentaria me ajudar, ou sequer fizesse algo como me acalmar depois de um trauma. Naquelas últimas vinte e quatro horas tudo parecia tão confuso para mim. Eu me sentia uma extraterrestre em um mundo desconhecido.
Todas as coisas que eu estava sentindo, eu não conseguia distinguir quem foi verdadeiro comigo em toda minha vida, e se eu fui verdadeira em algum momento. Parecia tudo uma enorme loucura, todas aquelas coisas na minha cabeça... Simplesmente não era algo que eu geralmente pensava. Eu realmente me sentia tão estranha. E era a milésima vez naquela manhã que eu repetia a mesma frase.
Logo que chegamos perto do hospital eu era capaz de ver a multidão de repórteres ali, a polícia estava por perto e os seguranças do hospital tentavam os afastar das portas. Fiquei impressionada com aquela estupidez, pareciam animais atrás de comida, simplesmente desesperados. Quando viram a moto ficaram eufóricos, mas Sasuke só acelerou mais ainda enquanto os flashes nos atingiam. Ele estava indo para um enorme portão que dava entrada para o estacionamento, ali eu tinha certeza que a imprensa não seria capaz de nos seguir.
Demorou cerca de quinze minutos para entrarmos no Hospital, minha mão segurava o braço de Sasuke, haviam alguns seguranças do nosso lado. Eu não soube de imediato qual foi o momento em que entrei na recepção, os flashes me cegando levaram alguns segundos para meus olhos se adaptarem com a luz. Uma mulher vestida de branco, com seu cabelo castanho preso em um coque nos encarava com um olhar hesitante, ao mesmo tempo em que parecia já nos esperar ali.
- Posso ajudá-los? - Perguntou.
- Qual o quarto de Uzumaki Naruto? - Sasuke falou.
- 256, quarto andar, segunda sala a direita. - A mulher respondeu, seu olhar se mantinha em nós dois.
Enquanto caminhávamos até o elevador que eu notei que ainda segurava seu braço, como se ele me mantivesse-se sobre meus pés. Era algo de outro mundo, levando em consideração que sempre vivíamos em pé de guerra. Acho que esses meus atos simplesmente fora do comum eram causados pelo gesto de ontem. Eu senti que Sasuke era outra pessoa naquele momento, na verdade eu parecia outra pessoa.
Fitei as portas se abrirem, suspirei. Finalmente notando que eu não tinha ideia do que diria a Naruto, ou Hinata. Eu havia vindo ali porque era uma boa desculpa para sair de casa e esquecer aquele "acidente". O que eu tinha vontade de fazer era obrigar meu pai a comprar outra casa, uma que não lembrasse a tiros e poças de sangue.
- O que você tem? - Sasuke perguntou fazendo com que parássemos no meio do corredor.
- Digamos que eu levei um choque de realidade. - Murmurei fitando meus pés, meus cabelos caiam sobre meus olhos, escondendo meu rosto de sua visão.
- Até que você reagiu bem ontem, comparado ao estado que está agora. - Comentou.
- Eu só... Eu só me sinto como o ser mais imbecil do mundo. - Falei deixando que as lágrimas escorressem por minha bochecha. - Tudo o que eu fiz foi chorar, aquilo que eu vi ontem... Eu nunca pensei que algo daquele tipo iria acontecer com alguém que eu conheço, ainda mais na minha frente. O que eu acreditava ser real é uma grande mentira agora.
Sasuke não disse nada, e eu o agradeci por isso. Por não estar fazendo nenhuma piada sobre aquele estado frágil que eu me encontrava. Eu me sentia tão tola, Hinata deveria estar sofrendo muito mais que eu. Só que por mais que tivéssemos sido criadas de forma similar, éramos muito diferentes. Hinata deveria estar sendo forte, rezando para que Naruto se recuperasse, ao invés de ficar chorando como uma completa idiota, assim como eu estava fazendo.
- Venha, tenho uma solução temporária para seus problemas. - Sasuke disse, me puxando pela mão para um lugar até então desconhecido.
To Be Continued...
N/a:
Oiie my cats!
Tenho que dizer que fiquei emocionada com as reviews, é maravilhoso saber que vocês estão gostando. (: Sério mesmo.
Bom... Como eu quis deixar bem claro nesse capitulo, a Sakura tomou uma boa dose de realidade. Mas ela ainda continua sendo ela, só que tentando mudar para melhor. Eu não tenho muito a dizer hoje, só espero que vocês tenham gostado desse capitulo também!
O que me lembra... Eu prometo postar todas as terças e quintas, mas isso depende da colaboração de vocês. A partir de agora eu vou sempre estar respondendo as reviews, e espero que vocês continuem as mandando C:
Por hoje é só...
Beijos
Sami
N/b:
Hey people! É parece que a Sakura finalmente começou a acordar e perceber que aquele mundinho em que vivia é uma grande mentira... mas será que ela conseguirá se libertar facilmente de tudo aquilo tendo pais como os dela? Ahhh...não esqueçam dos reviews, já disse várias vezes, mas eles são MUITO importantes...são eles que motivam a autora!
Bjinhos
Bella
