Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

Capitulo Cinco

Minha Doce Tragédia

….

Quando se está chorando pelas lágrimas e gritos dos anjos, o melhor a se receber é um abraço caloroso. Mas caso você seja como eu, e não tem como conseguir isso, esconda-se debaixo das cobertas, e reze para tudo logo passar.

18 de Julho de 2008

Admito que nunca odiei tanto os causadores da minha popularidade na escola, e "fama" no mundo, como no dia de hoje. Não havia um lugar que eu fosse que não houvesse paparazzis tentando descobrir e especular sobre coisas inexistentes no incidente de ontem. Hinata ficou mais que agradecida quando os seguranças do hospital nos levaram até o carro. Assim que as portas foram fechadas ela tinha suspirado e deitado no meu colo, não estranhei quando ela fechou os olhos e pegou no sono.

Passei a mão pelos cabelos olhando os prédios altos de Tóquio pela janela. Era tudo tão moderno e bonito, haviam algumas poucas árvores pelas ruas contrastando com o mundo a sua volta. Era algo realmente lindo, e apesar de já ter saído do Japão, eu sabia que era naquela cidade extremamente bonita que eu iria me sentir confortável pelo resto da vida. Não sabia realmente o porquê, mas eu gostava de Tóquio. E acredite, havia muitos motivos para eu odiar a cidade.

- Hinata acorde, chegamos.

Ela resmungou alguma coisa, mas saiu do carro ainda escorada ao meu corpo. Caminhávamos juntas pela trilha de pedras brancas, meu olhar analisava a casa que há tanto tempo eu vivia. Três andares, branca, uma porta dupla de madeira antiga, as duas grandes janelas de vidro que ficavam de cada lado da casa, o enorme jardim com grama verde e canteiros de flores. Eu gostava da parte da frente da mansão, diferente do quintal, ali não havia acontecido nenhuma tentativa de homicídio.

Hinata parecia uma boneca de pano ao meu lado, estava sendo praticamente carregada por mim. Não que ela fosse muito pesada, apesar das curvas formosas de seu corpo, eu pesava alguns quilos a mais que ela.

Respirei fundo assim que abri a porta. Como eu imaginei meu pai estava sentado na sua poltrona de couro negro lendo o jornal, com um copo de wisky na mesa de centro. Ele fazia aquilo todo sábado pela manhã, apesar de estar praticamente na mesma posição de quando eu saí, não me surpreendi por isso, ele lia quase todos os jornais e revistas da cidade e ainda olhava as notícias sobre a empresa no seu computador, tudo para saber o que diziam sobre seus investimentos. De certa forma era assim que ele me controlava.

- Sakura. – Virei-me, encarando Tsunade. - Hinata está bem?

- Sim, não se preocupe mama, ela só está com sono. - Sorri levemente. - Você se importaria de me ajudar a levá-la para o meu quarto?

- Claro que não criança! - Disse.

- Sakura. – É, eu sabia que otou-san acabaria por me notar, infelizmente. - Fez o que eu disse?

- Não tive tempo para isso. - Minha voz saiu sem qualquer tipo de emoção. Aquilo me assustou, não havia respeito ou sequer medo em minhas palavras.

- Espero que tenha um bom motivo para isso. - Seus olhos me encaravam com imensa raiva.

- Desculpe pai, mas se me der licença vou para o meu quarto.

Não esperei sua resposta, somente olhei para a governanta que me fitava curiosa, e fiz sinal para que me ajudasse a levar a morena escada acima.

Quando Hinata deitou-se na cama, desejando um quase não audível "boa noite" - apesar de ser apenas onze horas da manhã – Tsunade estava parada ao meu lado, alisando-me meticulosamente. Cobri Hinata com o cobertor verde claro, vendo-a aconchegar-se mais a cama, abraçando infantilmente o travesseiro. Sorri com aquele gesto.

- O que aconteceu com você Sakura? – Virei-me para encará-la, vendo sua cabeça caída para o lado.

- Fora o que aconteceu ontem a noite, nada.- Dei de ombros sentando-me em um dos pufes espalhados pelo cômodo.

- Você está sem maquiagem, com roupa e cabelo de forma que você jamais usaria. Algo com toda certeza aconteceu.

- Eu apenas... Não sei dizer mama, acho que abri meus olhos para a realidade. Ao invés de viver em um mundo paralelo e cheio de fantasia. A forma que eu vi Naruto ontem me afetou. - Disse sinceramente.

- Você está bem com isso criança? - Ela sentou-se em um sofá no banco estofado que ficava bem abaixo da janela. - Só porque você acha que descobriu uma grande mudança na sua vida, não quer dizer que tem que deixar de fazer coisas que você gosta. Você sempre amou usar todos aqueles acessórios desde pequena, simplesmente parece que não é você que eu estou enxergando.

Ela estava certa. Pela manhã eu me vesti daquele jeito mais "desleixado" sem preocupar-me com minha aparência, mas agora eu queria passar um pouco depó compacto, hímel, lápis de olho, coisas que eu estava habituada. Por mais que eu quisesse mudar e criar uma personalidade própria, sem a influência dos meus pais, digo, sem ser a menina perfeita que eles querem que eu seja. Acima de tudo eu amava usar aqueles utensílios que no futuro farão mal para minha pele. Mas... A personalidade de cada um é moldada pelas coisas que viveu, e, de certa forma, por todos a sua volta.

Suspirei, passando as mãos pelos cabelos. É, Tsunade estava completamente certa. Eu queria correr para o meu banheiro passar todas aquelas coisas no meu rosto. Somente para me sentir bonita, como eu normalmente fazia. E aquele olhar analítico que ela lançava-me – cujo qual eu estava muito mais do que acostumada – mostrava-me que ela me entendia de certa forma.

- Mama, você conhece muito bem meus problemas com otou-san e okaa-san, acho que é a pessoa que melhor me conhece no mundo todo. E, eu não sei como explicar isso... Eu vi que muitas das minhas atitudes ao longo desses anos foram erradas... Mas...

- Seja mais clara.

- Quando eu vi todo aquele sangue, no momento em que eu encarei aquela garota com olhar raivoso apontando uma arma para o Naruto, aquele moleque sempre sorridente que eu conheço desde pirralha... A soma de tudo me fez pensar como eu estava sendo inútil, só fazendo compras, dever de casa e namorando.

- Ver sangue te fez mudar de ideia Sakura? - Um humor inexistente surgiu em sua voz.

- Parcialmente. Acredito que tenha sido todos os fatos ocorridos no dia. - Disse. - No momento em que eu comecei a mover-me tentando estancar o sangue e impedir que Naruto morresse, uma coisa mudou em mim. Eu senti-me extremamente contente quando o vi hoje no hospital, vivo. As peças que faltavam se encaixaram agora. Por isso estou tentando, por mais clichê que isso seja, ser uma pessoa melhor.

- Você parece ter amadurecido um pouco. - Tsunade falou séria, mas aos poucos um sorriso pequeno se formou em seu rosto. - Mas eu sei que deixar de fazer as coisas que você gosta não vai tornar-te uma boa pessoa. Apenas não desista de seus sonhos por uma causa que você ainda não conhece por inteira.

Eu assenti, sorrindo de leve para ela e encaminhando-me para o meu guarda-roupa. Às vezes eu ficava irritada pela forma que aquela loira sempre estava certa. Ela só poderia ter uma bola de cristal, ou ver o futuro nas cartas de tarô para nunca errar. Se bem que quando se tratava de apostas e jogos de azar Tsunade nunca saia ganhando.

- Sua mãe estava preocupada com você. - Comentou.

- Akane, preocupada comigo? - Olhei para ela com as sobrancelhas arqueadas. - Ela está bem por acaso? Ou bebeu muito ontem?

- Ela é sua mãe Sakura, é natural que se preocupe com você.

- Claro, como aquela vez em que eu passei dois dias sem dar sinal de vida e quando cheguei em casa ela sequer havia notado. – Agachei-me pegando uma blusa que havia caído no chão. - E você ouviu muito bem como ela apoiou Touya essa manhã. Mandando-me fazer uma cena dramática sobre os acontecimentos de ontem à noite.

Tsunade bufou, revirando os olhos. Ela se colocou de pé escorando-se na porta do meu guarda-roupa, onde eu procurava algo mais agradável para vestir. Eu sabia que ela estava observando-me, provavelmente pensando nas palavras corretas para me dizer, palavras que entrariam na minha cabeça. Olhei de soslaio para ela, vendo-a morder o lábio inferior.

Passei as mãos por meus cabelos, concentrando-me novamente no que iria vestir. Meus olhos pousaram na saia de pregas preta, que combinaria muito bem com meu scarpin preto e minha blusa de mangas longas lilás. Fitei minhas unhas, imaginando que cor iria combinar com o meu vestido para o baile de inverno.

- Você guarda muito rancor no seu coração, isso faz mal Sakura. - Tsunade disse. - Você sempre quis atenção dos seus pais, agora quando lhe digo que sua mãe está preocupada com você, sua reação é negativa. Às vezes você é muito confusa.

Ela não esperou que eu a respondesse, somente empurrou de leve meu ombro e caminhou devagar porta a fora. Droga, eu odiava quando ela fazia isso. Fazia minha cabeça girar e me dar vontade de bater em alguma coisa. Tsunade dizia as coisas tão na cara que por vezes era revoltante para mim. Mas ela estava certa dificilmente eu perdôo alguém.

O que eu podia fazer? Minha mãe nunca se importou comigo, quando eu saía com ela era só para mostrar para os outros o quão boa mãe ela era (note o sarcasmo). Ela não podia ter mudado de uma hora para outra, e do nada ficar querendo saber de mim, e como eu estou. Aquilo me deixava fula! Akane sequer se importava com as traições do meu pai (porque ele deixava isso mais do que na cara), e fingia não saber desse fato. Acredito que desde que ela tivesse sua fortuna (sendo dinheiro dos meus avós ou do meu pai) ela sentir-se-ia mais que bem.

Sabe, minha vida só está piorando segundo após segundo, não estranharia se um raio caísse bem na minha cabeça. Daqui a pouco eu estaria louca. Primeiro Sasuke e eu nos dando bem, e isso já é como se animais falassem, eu tendo crises de bondade e consolando as pessoas. Era inacreditável! E me irritava, muito. Eu não tenho culpa de guardar rancor, foi assim que eu aprendi a ser, não era possível mudar isso com um estralar de dedos.

- Está sentindo-se melhor? - Perguntei assim que Hinata acordou.

- Hai. - Ela sentou-se na cama, pousando as mãos no rosto. - Só um pouco tonta.

- Venha, vamos comer alguma coisa. – Levantei-me da cama, estendendo a mão para ela. - Você deve estar morrendo de fome.

Durante a tarde, enquanto Hinata dormia, eu não parei quieta. A cabeleireira e a manicure que Akane contratou haviam vindo para me arrumar para o baile. Então meu cabelo e minhas unhas estavam prontos, somente faltava eu me vestir e me maquiar para a noite. Eu sabia que, por mais que eu tivesse aguardado esse evento por meses, não seria como sonhei, da forma que passei horas imaginando a perfeição.

Todo ano repórteres eram convidados para o baile de inverno, uma forma da escola mostrar como seus alunos eram civilizados e um dia seriam um dos grandes empresários do mundo. No entanto, devido ao que aconteceu ontem, os jornalistas não estariam interessados em saber como passamos o ano nos preparando e estudando muito, ou como as garotas estavam bonitas nos seus trajes de gala. Eles somente se preocupariam em tirar informações sobre os herdeiros das empresas H&U: Hinata, Naruto, Sasuke e eu. Acredite, eu tinha certeza que muitas mentiras seriam ditas por boa parte da escola.

O silêncio preenchia a casa toda, meu pai estava no escritório, minha mãe na casa de Naruto, prestando consolo a Kushina-san. Sendo que boa parte dos empregados estavam de folga, menos os seguranças, é claro. A casa estava mais sombria que o normal, mesmo as paredes pintadas de um amarelo claro e os quadros de flores pareciam ocultar-se na escuridão. Era estranho ver o lugar que eu cresci e me sentia protegida, tão distante do que era antes. Chegava a ser assustador.

- Que horas são, Sakura-chan? - Hinata perguntou me tirando dos meus devaneios.

- Quinze para as sete. - A respondi enquanto entrávamos na cozinha. - O que quer comer?

- Não sei, qualquer coisa, desde que seja salgada.

- Que tal yakisoba, seu preferido, não é?

Ela apenas sorriu levemente e assentiu para mim, indo sentar-se à mesa. Hinata estava notavelmente abatida. Não deveria ser grande surpresa já que ela sempre gostou do Naruto e ele estava no hospital. Fiquei feliz ao saber que ele não tinha entrado em coma ou coisa do tipo. Aquele garoto era feito de aço, não entendia muito bem como ele já estava visivelmente melhor, sendo que na noite anterior seu sangue espalhava-se por todos os lugares.

Servi uma boa porção em um prato, colocando-o no microondas. Abri a geladeira, pegando duas latas de refrigerante e as depositando sobre a mesa, junto com dois copos e pratos de vidro. Caminhei até Hinata, entregando-lhe o yakisoba. Seus olhos estavam tristes, e ela comia lentamente o macarrão.

- Hei, quer desabafar agora? - Falei tocando sua mão estendida sobre a mesa.

- Não quero te incomodar com coisas idiotas. - Murmurou.

- Você sabe muito bem que se eu não quisesse te ajudar não me disponibilizaria para isso.

- Obrigada. - Suspirou.

- Não há de quê. - Eu disse. - Agora, diga-me, por que... Bem, Sasame fez aquilo ontem?

Eu não sabia se havia usado as palavras certas, mas sabia que elas tinham mexido com Hinata. Talvez só o fato de lembrar-se da garota já mexesse com ela, eu tinha certeza que Tayuya despejando o que quer que fosse hoje pela manhã havia apenas piorado ainda mais a situação.

- Você sabe o quanto eu gosto do Naruto-kun. - Seus olhos miravam a mesa. - Bom, ele tinha tentado algo comigo, mas eu estava hesitante porque... Por mais que eu gostasse dele eu não queria me machucar, Naruto-kun não é nenhum santo. Eu o conheço desde pequena, sei como ele age com as mulheres.

- Eu nunca esperaria isso de você. - Fui sincera. - Para mim era mais provável que você se jogasse nos braços dele.

- Eu sei. Depois que eu disse aquilo para ele, Naruto falou que gostava de mim, senão, não teria insistido. - Ela olhou para mim com os olhos marejados. - Foi aí que Sasame apareceu. Ela começou a gritar comigo, chamando-me de diversas coisas por roubar o namorado dela. Eu senti-me a maior traidora, Sakura-chan.

Pousei meus olhos nos seus, ali havia angústia, culpa e tristeza. Hinata estava sofrendo seriamente. Levantei da cadeira, sentando ao lado dela. Meus braços se abriram, permitindo que ela se escorasse no meu corpo e chorasse mais uma vez.

- Não foi culpa sua. - Falei acariciando seus cabelos. - Você optou por ficar com quem você gosta, não podia deixar sua felicidade ir embora por causa de uma garota. Hinata, você não sabia que ela cometeria aquela loucura, fez o correto em ficar com Naruto.

- E-eu me si-sinto mal por ca-causa disso. - Disse soluçando.

- Respire fundo. - Ordenei. – Acalme-se e me conte aos poucos o que aconteceu.

- Depois... Depois que Naruto-kun foi conversar com ela, eu não o vi mais. - Falou um pouco mais calma. - Quando o vi na festa, ele estava com a mesma roupa de antes. Eu... Eu apenas não entendi porque ela o levou até ali.

- Acho que para que você pudesse ver o espetáculo que ela queria dar. - Escorei meu queixo no topo da sua cabeça. - Não vou te dizer que não fiquei chocada com o que vi Hinata, porque seria uma grande mentira. Mas, nós somos humanos e temos uma vida curta, acredito que tanto eu quanto você deveríamos tentar esquecer isso. Não é o tipo de memória que eu contaria para os meus netos um dia. Pense em como você gosta do Naruto, não sei essas coisas de filme sabe, só siga em frente.

Ela não disse nada, apenas ergueu os olhos para mim e sorriu minimamente, dando-me um beijo na bochecha e sussurrando um "obrigada". A vi passar a mão pelo rosto secando os restinhos de lágrimas, em seguida prendendo seu cabelo habilmente em um coque. As olheiras estavam destacadas em baixo dos seus olhos perolados, eu senti que minhas palavras a ajudaram um pouco, mas não o suficiente. Ela se concentrava para não chorar novamente, e eu não a culpava por isso.

- Desculpe-me Sakura-chan, mas não consigo imaginar-me no meio daquelas pessoas que a cada minuto vão me interrogar sobre Naruto-kun, e eu quero muito ficar no hospital ao lado dele. - Disse depois de alguns minutos.

- Tudo bem. - Bufei, desistindo de convencê-la. - Olha aqui, se você não quer ir tudo bem, mas não vá para o hospital, mas sim para casa. Você não dormiu muita coisa e sua mãe deve estar preocupada com você. Eu peço para o motorista te deixar em casa.

- Mas Sakura-chan...

- Hinata, não teime comigo. - Disse séria. - Tanto eu quanto você sabemos quem está certa.

...

Passei os dedos pelos meus cabelos fitando-me no espelho enorme que ficava na sala de estar. Eu não estava mais gostando do que vestia, não conseguia entender como havia me apaixonado por aquele vestido dias atrás. Parecia que tudo havia perdido a graça de repente, nada parecia me agradar.

Fechei os olhos, deslizando os dedos por entre os fios de cabelo. Tudo estava tão diferente, eu sentia-me em um mundo diferente. Olhei para o vestido rosa champanhe que ia até os meus joelhos, suas mangas deslizando até meus cotovelos, o delicado desenho de flores nas bordas da saia e ombros. A sombra de olho branca e as bochechas rosadas combinando com o batom neutro deixavam a maquiagem sutil. Era como se eu estivesse vendo uma princesa pronta para encontrar seu príncipe. E eu realmente odiei aquilo.

Meus cabelos estavam soltos e extremamente cacheados, todo aquele visual era resultado de uma tarde com tratamento digno de um salão de beleza. Eu sentia como se fosse a última vez que eu me vestiria assim, porque eu nunca usava algo que me irritava, como acontecia no momento.

Suspirei, sentando-me em um dos sofás da sala. Eu estava ansiosa, e não sabia dizer se naquele momento isso era uma coisa boa ou ruim. Olhei novamente para o relógio, vendo que Sasori estava meia hora atrasado, nós havíamos combinado de sair um pouco antes para beber ou comer alguma coisa, mas até então ele não tinha aparecido.

- O que está fazendo aqui ainda Sakura? - Levantei meus olhos para encarar minha mãe parada no arco da porta. - Você já deveria ter ido para o baile.

- Sasori ainda não chegou. - Disse simplesmente.

Akane colocou uma mecha do seu cabelo castanho atrás da orelha, jogando a bolsa preta em cima do sofá oposto ao meu. Ela me fitava com seus olhos pretos e penetrantes, às vezes eu me perguntava se era realmente filha dela, nós não tínhamos nada de parecido, fisicamente falando. Olhei para sua blusa vermelha de mangas compridas, que ela usava por baixo do seu blazer preto, que combinava perfeitamente com a calça social. Chegava até parecer uma mulher de negócios.

Okaa-san caminhou a passos lentos até mim, sentando-se ao meu lado. Ambas ficamos em silêncio, apenas observando o nada. Repentinamente minha conversa com Tsunade veio a minha cabeça. Seria mesmo verdade que minha mãe estava preocupada comigo, depois de tantos anos. Aquele pensamento fazia minha cabeça latejar. E somado ao atraso de Sasori, acabava me causando uma grande enxaqueca.

- Sakura. - Akane me chamou, tocando meu ombro.

- Sim? - Perguntei, virando a cabeça para encará-la.

- Eu sei que deve ser difícil para você lidar com o que aconteceu ontem, mas... Eu só queria que soubesse que eu estarei do seu lado para te apoiar quando precisar.

- Por que está se importando com isso? - Falei da forma mais natural possível. - Não estendo essa sua mudança.

- Não é bem assim. - Negou. - Eu sempre me preocupo com você.

- Não é o que parece. - Desviei meus olhos novamente dos seus, voltando a fitar minhas mãos que pousavam sobre meu colo. - Admita, você não sabe muita coisa sobre mim. Geralmente é com isso que as mães se preocupam, em conhecer seus filhos.

- Talvez eu tenha estado um pouco afastada nos últimos tempos.

- Você quer dizer anos, não é? - Falei sarcástica. - Aparência perfeita é o que mais importa na sua vida.

- Não fale assim comigo. - Ela me olhou com mágoa nos olhos. - Eu cometi muitos erros Sakura, e estou tentando corrigi-los a partir de você. Acho que eu me prendi demais ao fato de ter casado sem amor, apenas por ordem do meu pai e ter perdido minha pureza com um homem que eu não amava, todos os meus sonhos foram embora. Eu desisti totalmente deles quando descobri estar grávida de você, como se a culpa fosse sua, não minha.

- Como é gratificante saber que a desgraça da minha mãe foi causada por mim. - Sorri irônica.

- Eu estive sempre errada Sakura, e eu lhe peço desculpas por isso. - Fitei seus olhos, vendo que estavam marejados. - Ontem eu pensei que iria te perder, e vi que eu nunca teria sabido quem minha filha era.

Eu não lhe respondi, não sabia o que dizer. Por mais que eu quisesse seguir com o meu plano de ser uma pessoa melhor, eu não poderia dizer que a perdoava por todos os meus dezessete anos de abandono, se realmente não sentisse isso. Porque sempre quando eu precisei de uma mãe ao meu lado ela nunca esteve ali, e isso me magoou profundamente. Olhando as coisas agora, eu jamais tive uma família de verdade, somente uma superficial.

Quando eu chorava sozinha no meu quarto por causa dos trovões à noite, ninguém ia me acudir dizendo que passaria, ou me contando que as gotas de chuva eram lágrimas dos anjos que choravam pela humanidade. Minha infância sempre foi solitária, com constantes trocas de babás. Eu tinha começado a me prender em um mundo que não existia, onde tudo era perfeito, e eu tinha pessoas que podia contar. Mesmo que bem lá no fundo eu soubesse que era mentira. Eu estava sozinha.

O engraçado era que até a porcaria do Uchiha me conhecia melhor que a minha própria mãe. Eu sempre quis uma mãe como Mikoto ou Kushina, aquelas do tipo que sempre estariam do seu lado, e lhe xingariam por manchar o tapete da sala, ou correr nas escadas. É... Acho que eu sempre fui uma criança conturbada. Com uma vida cheia de tragédias. De ser ignorada em casa a apanhar de garotas na escola. Não era atoa que eu me transformei nessa pessoa fria e sem real personalidade.

- Não vou dizer que te perdôo, porque eu ainda sinto muita mágoa sobre o passado. - Falei olhando fixamente para os seus olhos. - Mas se você, não sei, quiser começar a ter uma amizade comigo e me conhecer melhor, eu não vou te negar isso.

Eu vi que ela acrescentaria alguma coisa, e eu realmente não queria ouvir. Agradeci aos céus quando a campainha tocou. Levantei-me rapidamente pegando minha bolsa que estava sobre a mesa de centro. Dei-lhe um aceno de adeus e parti em direção a porta. Lá no fundo eu sentia-me culpada, mas sabia que se ficasse ali ouvindo suas palavras eu acabaria por desabar em lágrimas, e eu já estava cansada de chorar.

Parei em frente à porta. Respirando fundo, girei a maçaneta. Meus pés enraizaram-se no chão, enquanto eu fitava o homem bonito usando um Hugo Boss, os cabelos da forma habitual – extremamente bagunçados – um olhar analítico no rosto, fitando-me da cabeça aos pés. Realmente não era a pessoa que eu esperava. Mas acredito que os dois deveriam estar igualmente bonitos.

- Pronta para ir ao baile rosada?

- Será um prazer. - Retribui o seu sorriso, pegando a sua mão e caminhando para fora da casa.

É aquela noite sem dúvida seria muito interessante.

To Be Continued...


N/a:

Oiie minhas gatinhas & gatinho. Kkkk Foda isso, tem um cara lendo as minhas fics. *-*

Eu sei que prometi que postaria na quinta-feira, mas houve alguns imprevistos como deveres escolares e duas provas nessa próxima semana, assim com a entrega de uns três trabalhos acabaram por me atrasar. E também admito que reescrevi esse capitulo umas duas vezes. Posso dizer que eu simplesmente amei o resultado, modéstia parte. ;p

Vocês descobriram um pouco sobre o motivo da Sasame ter tido um surto de loucura. Mas a Hinata não contou tudo para Sakura, há muitas coisas por trás disso. Muhahahaha! #fail

A 'luh-chan, assim como alguns de vocês tinham me perguntado sobre as idades. Então a Sakura tem dezessete, e o resto está fazendo dezoito nesse ano da fic. Como podem ter notado vai ser uma "Long-Fic". A minha primeira nesse estilo. Então podem ter certeza, que por mim vocês vão se surpreender muito a cada capitulo.

Falando nisso, próximo capitulo é o baile. Grandes emoções os aguardam. Muahahaha! #fail²

Review: (O restante foi respondido por MP)

Vivian-san: Pois é gatinha, as ruivas são pirigosas e do mal, eu digo isso porque uma das minhas amigas é assim. Kakak #brinks. A Tayuya bateu no Sasuke, fiquei tri indignada também, mas ele deve ter dito alguma coisa, só pode. u.u No primeiro capitulo eu não deixei bem claro que a Sakura era namorada do Sasori, acho que dei mais a entender que eles só se davam uns pegas... É eu sei, as vezes é um saco escrever uma review, mas apesar de tudo eu sempre mando. Porque quando você escreve vê como é desanimador não receber nenhuma. Espero que você tenha gostado gatinha. O próximo capitulo já está meio encaminhado.

Pricililica: Aiii gatinha, fico feliz que esteja gostando. Eu faço o meu possível para as coisas ficarem bem realistas. E ai o que achou desse capitulo?

Taiih: Gatinha se você gostou dessa Sakura deve ser como eu. Sério eu adoro histórias com garotas determinadas que fazem o que elas querem e não ficam só se lamentando por causa de caras. E saber que você que parece gostar desse tipo de Sakura, acabou por gostar da fic já me alegra muito. XD Aii o Sasuke é demais, ao longo da fic você vai ver as coisas que ele vai aprontar, tipo sobre as drogas como ele tinha dito no capitulo anterior, ele achava que a Sakura ia acabar se viciando muito fácil, por isso não deu nada desse tipo para ela. Posso te dizer que as partes calientes não estão muito longes, e quando elas chegarem não vão mais querer ir embora kkk #ero' kkk Espero que tenha gostado desse capitulo também.

Letyy-chan: Que bom que gostou gatinha, a Sakura finalmente tá tomando semancol kkk E a cada capitulo eu espero que ela se toque mais da realidade. E aí o que você achou desse capitulo?

Deiah: Nossa gatinha, fiquei até constrangida agora com tantos elogios. *-* Muito obrigada mesmo. Bem, eu queria fazer uma Sakura diferente, nada de só correr atrás do Sasuke e se lamentar colocando a culpa nos seus ombros. Por mais que eu goste dessa Sakura mudar de vez em quando é bom xD É o Sasuke só tá tentando a Sakura, primeiro no banheiro agora no hospital, mas espera só para ver quando ela se deixar levar. Kkk Ninguém vai segurar essa rapariga. Gatinha, eu amoo review enormes, e se você se sentir na vontade de demonstrar sua satisfação eu ficaria mais do que feliz com isso! Eu te entendo, eu também odeio quando as fics que eu gosto dificilmente são atualizadas, por isso que eu tento atualizar as minhas pelos menos duas vezes por semana. Mas e aí my cat, o que achou desse capitulo?

Por hoje é só my cats, bom eu sei que demorei um pouco mais que o combinado. Mas, por favor, vamos continuar colaborando com as reviews porque a cada dia que eu entro tem mais "favoritos/alertas" no meu e-mail para essa fic. Fora as pessoas que visitam a pagina. Então já aviso, só vou atualizar quando tiver "10" reviews.

Beijos

Sami

N/b

People! Muitos acontecimentos no capítulo...é, parece que a Tsunade sempre tem razão... menos nos jogos, como disse a Sakura...rsrsrsrs! Confesso que estou amando a mudança da Sakura...a garota tem muita determinação e acho que ainda há muitas coisas para nos mostrar...afinal ela está começando a revelar-se (até pra ela mesma!). Humm, perdoar nunca é fácil...mas faz parte do amadurecimento...

Ahhhh, estou super ansiosa pelo baile e a chegada da Sakura e do Sasuke na festa...então, mandem reviews que vai ajudar o capítulo a sair mais rápido!

Beijos

Bella