N/a: Para Taiih, feliz aniversário (17/06) minha cat. Espero que goste do capitulo. São Doze páginas + n/a n/b para você se deliciar.
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Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Dez
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Um Turbilhão
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Na festa de quinze anos de Julieta, quando atingiu a maioridade para sua época, ela conheceu Romeu, e então uma das mais belas e trágicas histórias de amor surgiu. Tome cuidado com sua dose diária de romance, porque, acredite em mim, na minha família festas sempre são o melhor sinal para o começo de um novo desastre.
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23 de Julho de 2008
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- Tem certeza que é uma boa ideia? - Perguntei hesitante. - Não sei se seus avós vão gostar de me ver.
Olhei para a casa enorme, toda feita de madeira antiga, dois andares e parapeitos com trepadeiras envolvendo parte das paredes. Aquele era o tipo de lugar que você imaginaria a casa dos sete anos, onde Branca de Neve poderia sair a qualquer momento pela porta da frente com sua maçã envenenada. Toda vez que eu vinha ali este pensamento sempre me surgia. O jardim florido, com árvores que evidenciavam o fim do outono e o recém-chegado inverno. Não era o tipo de lugar que você ligaria a um Uchiha.
- Toda vez que eu venho aqui, eles só perguntam de você. - Sasuke falou, me levando até a porta da frente. – Alegre-se, gostam mais de você do que do Itachi.
- Isso não é exatamente a coisa mais gratificante de se ouvir.
Sasuke bateu na porta, respirei fundo, apertando inconscientemente o braço do, agora então, homem ao meu lado. A casa dos pais de Mikoto é totalmente diferente do que "deveria" ser, principalmente se fôssemos levar em conta os dois grandes médicos bem afortunados que eles eram. Era tudo simples e bem arrumado, as únicas modernidades ali eram a televisão de plasma, o DVD e o computador que ficavam na sala, fora isso somente aparelhos domésticos como fogão e micro-ondas. Ao menos era assim desde a última vez que eu tinha ido até lá.
O moreno franziu o cenho, pelo que percebi, eles não deveriam estar em casa. Ele olhou para o sofá na varanda, caminhou até ali, pegando alguns papeis sobre a mesa de centro, ao mesmo tempo em que me puxava com ele. Levantou o vaso de flores silvestres, encontrando um papel com seu nome. Pelo visto o casal de idosos já esperava pela visita do neto.
- O que diz aí? - Perguntei, tentando ler sobre seu ombro.
- Eles tiveram que viajar para Suna, o irmão do meu avô está internado no hospital.
- O que vamos fazer agora?
- Creio que uma maldita festa nos espera. - Bufou. - Vamos logo, ao menos eu tenho uma desculpa para ir embora mais cedo.
- Qual?
- Tenho que levar você para casa.
- É muito óbvio e meus pais estarão lá. Ambos farão questão de que eu vá com eles para que você se "divirta" em seu aniversário. - Fiz aspas com os dedos. - Venha comigo, eu tenho uma ideia, algo que nos atrasará por cerca de meia hora.
- E o que seria? - Perguntou desconfiado.
- Eu preciso comprar um vestido e você um smoking. O transito de Tóquio é um caos, e uma garota demora muito para escolher a roupa perfeita.
- Como você consegue ser uma vadia dissimulada e uma filhinha de papai ao mesmo tempo? - Riu sarcástico, passando o braço ao redor da minha cintura e me guiando novamente para o centro da cidade.
- São poucas que conseguem se mostrar bem diante dos outros e ainda sim ser uma vadia manipuladora. - Ri com ele, tremendo levemente pela baixa temperatura.
Sasuke apertou meu corpo mais forte de encontro ao seu, obrigando-me a suspirar. Da próxima vez que eu saísse de casa sem prazo de volta, usaria algo como calças e moletom, ao contrario de saia, meia-calça, e um fino suéter. Isso me pouparia de dramas futuros. A noite era iluminada por uma enorme lua cheia, do tipo que você sempre vê em filmes de terror, linda e assustadora. As árvores enormes não ajudavam muito com o cenário macabro, apenas pioravam as coisas.
Como o destino pode ser irônico. Por toda minha vida Uchiha Sasuke e Haruno Sakura estiveram em conflito, seja somente como primos, amigos, amantes, rivais e novamente família. Depois de todos esses anos, estávamos em uma mesma encruzilhada, seguindo pelo silêncio de uma noite escura de outono, ambos perdidos em pensamentos, e no meu caso, todos eles se dirigiam para o passado. Pensar no quanto eu me sentia imatura naquele momento, sendo que madura seria a palavra que usaria para me descrever semanas atrás. Aquelas coisas borbulhando em minha cabeça e estômago me faziam voltar a pré-adolescência, quando você começa a descobrir a si mesmo. Era aterrorizante.
Por mais que eu tentasse me afastar, alguém, ou alguma circunstância, gerava uma reaproximação entre nós dois. Lá estava eu novamente, ajudando Sasuke a escapar de coisas que ele não queria fazer. Só me faltava começar a fumar maconha com ele por mais uma vez, porque isso, já seria passar demais das minhas fronteiras psicológicas que demoraram tanto para serem erguidas. Eu quase cometi um deslize na casa de campo, de certo modo, devo agradecer as palavras sutis do meu pai, foram elas que me impediram de cometer o segundo maior erro da minha vida.
Quem eu queria enganar? Eu sequer me conhecia direito, apenas meus defeitos e mínimas qualidades! Uma vez me disseram que todos podemos ser quem quisermos, as palavras exatas foram: "Ninguém é alguém Haruno, se eu quiser ser fria como você, posso o fazê-lo quando eu quiser." Naquele momento eu não sabia dizer se queria cair nos encantos de Sasuke – apesar dele não estar dando essa exata impressão – ou simplesmente tentava me descobrir. Desde que eu comecei a ter um real diálogo com as pessoas do meu passado, a única coisa que escuto é "você mudou". Como se dissessem que a Angelina Jolie virou a Amy Winehouse.
Não posso dizer que nos últimos tempos virei a melhor pessoa do mundo, mas sendo arrogante, orgulhosa, narcisista e seus afins, isso acabou impedindo que eu me machucasse novamente. De certa forma meu relacionamento com meus pais melhorou muito, jamais tirei uma nota menor que "9" na escola, tive namorados que, bom não gostavam de mim, mas ao menos me respeitavam. Eu não mentiria ao dizer que desejava um pouco do meu antigo otimismo e meu excesso de preocupação com os outros, mas ainda sim, eu preferia ser uma vadia dissimulada a sentir aquela estaca de bronze perfurar meu peito, ego, e total subconsciente por mais uma vez.
Eu havia chegado a um ponto em que só queria passar a noite com uma garrafa de vinho e músicas da Fiona Apple. Eu não deveria ansiar por reviver algo que já havia passado do prazo de validade há muito tempo. Seria como se todas as vezes que eu me xinguei e martirizei-me por tudo, fossem apagadas de mim sem nenhum arrependimento. Eu não queria isso! Sentia-me em um jogo interno, onde qualquer que fosse o resultado eu sairia perdendo, e perdendo para mim mesma. Pisando em todos os meus ideais com um sapato de marca barata. No fundo, eu era apenas um turbilhão de emoções, sem sequer sentido ou real escolha. Por mais que eu tentasse fazer o certo, para mim, eu não conseguia.
- Sasuke, posso lhe perguntar algo?
- Diga. O que veio te perturbando até aqui? - Respondeu abrindo a porta da Chanel, só então percebi onde estávamos.
- Como você percebeu?
- O silêncio sempre te denuncia.
- Vou fingir que você não me chamou de tagarela. - Revirei os olhos. - Mas me diga Sasuke, o que você faria se quisesse algo, mas por mais que esse algo te desse momentos de alegria e felicidade, você sabe que ele vai te prejudicar no futuro?
Sasuke estava virado para uma vendedora, ao mesmo tempo em que pegava alguns vestidos para mim, todos sobre seus braços. Ele deu as costas para a mulher encantada sorrindo e me encarou, com olhos fulminantes de raiva. Pegou meu braço e me carregou para perto dos provadores, ele despejou as roupas sobre o banco estofado, foi ai que eu vi o quanto fulo ele realmente estava. Fechou as cortinas brancas, entrando no provador feminino, comigo.
- Você está usando drogas novamente Sakura? - Ele rosnou pausadamente, apertando meus ombros com as mãos.
- Não seu imbecil! - O empurrei. - De onde você tirou essa ideia?
- Você acabou de descrever todos os sintomas de um drogado.
- Eu estava lhe fazendo uma pergunta sobre homens, seu crápula. - Bufei. - Você é meu primo, deveria me dar conselhos sobre isso sem pensar em coisas desse calibre.
- Diz isso a garota que fumava um beck a cada intervalo entre as aulas. - Se sentou, passando as mãos pelos cabelos, estava visivelmente mais calmo. - Diga rosada, no que você precisa de ajuda.
- Você ouviu. Sabe a teoria da maconha, cocaína e seus derivados, então tipo isso só que relacionado com duas pessoas.
- Não sou uma garota, não deveria perguntar isso para Hinata?
- Hinata diria "Siga seu coração", e eu não acredito mais nessa bobagem de contos de fadas. - Comecei a me despir quando ele virou de costas ao meu pedido. - Você é homem, e eu preciso de uma opinião masculina. Vamos Sasuke, não é como se você fosse perder algum membro por causa disso.
- Se você está afim do cara, só tenha algo sem compromisso, finja que não se importa, qualquer ser humano se sente atraído pelos que lhe ignoram. Seja fria, sempre funciona.
- Obrigado por isso. - Toquei seu ombro, fazendo-o olhar para mim. - Então o que acha?
...
Meus olhos analisaram a mulher de frente para o espelho. Os cabelos soltos indo até a cintura, o vestido roxo e tomara-que-caia, com a parte superior justa em formato de coração, a saia volumosa e rodada. Olhos marcados pela sombra violeta e o lápis preto, as bochechas rosadas e a tiara preta com laço no cabelo, que combinava perfeitamente com os sapatos Stella Mccartney, pretos com um pequeno laço em prata. Sorri para meu próprio reflexo. Acho que fiz bem em deixar o vestido que minha mãe escolhera no armário, eu já estava cansada de usar roupas de uma senhora de idade naquele tipo de evento.
- Vejo que está pronta.
Sorri levemente, virando-me para encarar Sasuke. Ele estava escorado no arco da porta, com as mãos nos bolsos do terno cinza Marc Jacobs, o cabelo sempre bagunçado e uma expressão séria no rosto. Aquele semblante era tão familiar para mim que eu não tremia mais como a maioria das pessoas, todos os homens da minha família possuíam aquilo. Frieza corria no meu sangue, deveria ser por isso que eu sabia ser vingativa e uma vadia manipuladora quando eu queria.
- Espero que esteja preparado para a surpresa que Emiko preparou. - Falei, parando ao seu lado. - Fuja para cá quando não aguentar mais as coisas lá embaixo.
Fazia cerca de duas horas que tínhamos voltado das compras. A nossa conversa ainda ficava em minha cabeça, e eu sabia, que por mais turbulenta que fosse a noite meus pensamentos não sairiam de onde estavam. Apesar disso, eu faria de tudo para me distrair. As pessoas que eu mais desgostava estariam lá embaixo, e eu tinha prometido para Tsunade que ajudaria Sasuke a se safar dessa.
Tio Fugaku gostava de mim, a coisa mais horrível que ele já disse foi que sempre quis me ter como filha, mas ao falar isso, deu a intenção de que era para Sasuke jamais ter nascido. O que eu mais desejava era estar dormindo em minha cama, sem pensar nos desastres que possivelmente aconteceriam. Só isso me fazia pensar que qualquer coisa que Emiko fizesse, Fugaku ficaria do lado dela.
Fechei a porta atrás de mim, entrelaçando meu braço com o dele, caminhando lentamente até as escadas. Nossa família tinha criado uma tradição para quando se completasse a maioridade, um parente do sexo oposto deveria conduzir o aniversariante até os convidados e toda a família, cumprimentar todos os presentes e demonstrar o quão adulto você era. Sinceramente, aquilo foi algo que eu sempre achei ridículo. Não era uma tradição japonesa, a qual com certeza eu idolatraria por causa do meu patriotismo, mas sim algo que só acontecia entre os Uzumaki, Hyuuga, Uchiha e Haruno. Era triste só de pensar que eu teria que o fazer no próximo ano.
- Pare com isso. - Sasuke segurou meus dedos que se mexiam constantemente sobre seu braço. - Deveria ser eu a estar nervoso.
- Sasuke você sempre foi coração de pedra, o que me leva a crer que jamais gostou de nenhuma das suas namoradas ou prostitutas. - O fiz parar dois passos antes do topo da escada. - Mas eu... Todos os meus ex-namorados estão no andar inferior, todos me magoaram, não existiu um relacionamento meu que eu saí por cima. Então sim, eu estou nervosa.
- Foi para isso que me pediu o conselho? - Perguntou olhando para o lado.
- Talvez. - Dei de ombros.
- Você continua insegura. - Me encarou fixamente. - Acho que essa foi a única coisa que não mudou em você.
- Não se pode mudar tudo. - Abaixei a cabeça, deixando que meu cabelo cobrisse meu rosto.
- Você tem as pernas mais bonitas que eu já vi. - Disse erguendo meu queixo. - Use isso para fazer seus ex-namorados chorarem por você.
- Obrigada, pervertido. - Ri. - Ok, acho melhor descermos agora, quem sabe consigamos ir embora mais cedo.
- Hn. - Revirou os olhos. - Ambos sabemos que seremos os últimos a ir embora.
Eu odiava quando ele me cortava com seus diálogos monossílabos, mas atualmente é estranho o ver falando tanto, ainda mais comigo. Depois das últimas tragédias e das que viriam, porque se eu tinha certeza de algo, era que Emiko aprontaria contra Sasuke, eu somente desejava ir para algum spa onde ninguém me conheça e eu passaria a tarde bebendo sucos naturais e recebendo massagens. Nada de pensamentos e/ou acontecimentos frustrantes.
Era possível ouvir a música clássica, e ver as pessoas vestidas a black-tie do topo da escada. Nada que você normalmente cogitaria para uma festa de um adolescente. Ergui meu queixo apertando a mão de Sasuke que segurava a minha sobre seu braço. Sei bem que sou uma das garotas mais odiadas que eu conheço, por isso eu mostraria para todas aquelas pessoas que eu pouco me importava com elas. Como Okaa-san havia me dito uma vez, "Só porque você odeia alguém não precisa demonstrar isso. Ser legal com quem você não gosta não te faz falsa, somente educada." Talvez fosse a hora de usar alguns dos ensinamentos de Uchiha Akane.
Um tapete vermelho cobria todos os degraus da escada, era bonito admito, mas mesmo assim continuava clichê. Os lustres de cristais, as mesas com toalhas brancas com enfeites em azul e preto, no teto haviam quatro espécies de bandeiras, cada uma com o símbolo de uma das famílias das Empresas H&U. Tudo aquilo parecia uma combinação de um casamento com um evento político, a única coisa que deixava claro um possível aniversário era o bolo enorme e negro na mesa central.
Meus cabelos roçavam em minhas costas, na abertura do vestido. Respirei fundo e sorri levemente, usando Sasuke como apoio. Não queria admitir para mim mesma, mas naquele momento eu me sentia realmente nervosa. Principalmente depois de ter visto aqueles três elegantes homens, cada um em uma mesa diferente, mas ainda sim, acompanhados por elegantes mulheres, muito mais adultas e bonitas que eu. A forma que eles me superaram era chocante, e pensar que eu havia entrado em um estado de depressão depois de tantas decepções seguidas.
Todos se questionam do porque da minha grande mudança nos últimos anos, mas nenhum deles tem ideia da verdade. Eu sumi, desapareci por uma semana, sem deixar rastros ou pistas para ninguém me encontrar. Tomei decisões, me martirizei, chorei, gritei, tudo isso sozinha. E enquanto eu descia aquelas escadas eu pude ver realmente porque me tornei o cubo de gelo que sou hoje. Sei bem que a culpa foi minha e de minhas escolhas, assim como aqueles três homens, e Sasuke, pisaram imensas vezes sobre mim, despertaram o que de pior havia em Haruno Sakura. E lá estava eu, sendo a melhor amiga deles de novo.
A principal diferença é que agora eu os enxergo de cima, podendo enfrentá-los de igual para igual. Não sou nenhuma aliada de satã, mas naquele momento eu entendi como Lúcifer se sentiu. Provavelmente cansado de ser pisado e com inveja de seus irmãos cometeu a traição e segundo lendas urbanas virou o Diabo, o mal. Mas ninguém jamais se questionou se o Senhor das Trevas teve motivo para isso. Talvez sim, talvez não. Mas Sakura-chan teve bons e belos motivos para se tornar Haruno Sakura. A dama de gelo.
Sempre que um membro da união H&U chega a maioridade, se torna um grande homem ou uma grande mulher, a pessoa que irá reger a partir dali os negócios da família. Para as pessoas de fora tudo é um evento glamoroso e todos dizem que queriam estar no nosso lugar. Mas só quem é de dentro sabe que aquele é o pior castigo que alguém com nosso sangue pode ter. Só naquele ano três de nós chegariam a esse ápice, primeiro Sasuke, depois Naruto e finalmente Hinata. O meu "castigo" só chegaria no ano seguinte, mas em compensação o peso maior estaria nas minhas costas, diferente dos outros herdeiros eu tenho sangue de duas grandes famílias, sendo assim, tendo a maior responsabilidade. Um fardo que somente os tolos desejam carregar.
O único que sempre quis aquilo foi Itachi, e ele se saíra melhor que qualquer um que já vi. Ainda fazendo a faculdade de administração e direito ao mesmo tempo, já comandava as coisas parcialmente, uma grande ajuda para Fugaku. Por inúmeras vezes vi meu tio esfregar isso na cara de Sasuke, talvez tenha sido por isso que os irmãos mal se falam ultimamente, apesar de que eu possuo uma boa parcela de culpa.
- Parabéns Sasuke! - Direcionei meus olhos para a mulher a minha frente. Emiko. Seus cabelos castanhos avermelhados, repicados e caindo sobre seus ombros combinavam perfeitamente com o vestido negro e justo que ela usava.
- Hn. - Sasuke não retribuiu o abraço, apenas deu um leve tapa nas costas dela. Quem visse de longe diria que era um gesto carinhoso entre parentes, mas eu que estava ali bem ao lado dos dois estava conseguindo sentir toda a tensão no ar.
- Está linda Sakura.
- Obrigada.
Não era agradável a presença daquela mulher, quando meus olhos pousavam nela eu só conseguia pensar em morte e como ela desgraçou nossa família. Mas deveria ser algo de sangue, Karin era tão fácil e interesseira quanto sua tia Emiko.
Com a música calma escondendo a aflição e falsidade que preenchiam o lugar, a passos lentos, Sasuke e eu nos encaminhamos para cumprimentar todos os convidados. Naquele enorme salão de bar, transformado em um lugar digno a hierarquia estavam presentes todos que eram importantes para os lucros e maior desenvolvimento da empresa. Para os que ali estavam a única importância era o dinheiro que iriam lucrar. Por mais que eu não conhecesse nem metade das pessoas presentes, eu as cumprimentei com um sorriso no rosto, pois sabia que caso um mínimo detalhe fosse afetado, eu que pagaria as consequências.
Tentei me concentrar em algo diferente, algo que não fosse o desastre que aconteceria se eu me deixasse cair pelos encantos dos meus ex-namorados, e fixei meus olhos nos meus pais sentados com Fugaku, Minato e Kushina, todos conversavam e sorriam para nós. Não consegui desviar os olhos de Okaa-san, seus olhos, tão negros que se não fosse pelo tom acinzentado das íris mal se daria para diferenciar da pupila, mas não fora exatamente aquilo que fez meu interesse despertar, foi o brilho em seu olhar, nada que um dia tenha visto exalar com tanta verdade dela. Era felicidade pura.
Um turbilhão de emoções surgiu em meu interior. Sasuke me olhou confuso, se questionando sobre minha expressão, em um gesto automático movi a cabeça para os lados. No momento não sabia o que me assustava mais, se era Itachi vindo com Karin nos cumprimentar, Sasori e Tayuya atrás destes, Sai e um cara gostoso e desconhecido logo atrás, ou... Ou descobrir o motivo da brilhante alegria que minha mãe demonstrava, meu sexto sentido dizia que a novidade não seria algo que me deixasse muito alegre. Só o que eu desejava era chorar e sair correndo dali, como uma criança com medo, porque era assim que eu me sentia.
Foi então que a luz surgiu bem onde menos esperava. Lá estava ele, parado ao meu lado, como quando o contei que haviam roubado meu primeiro beijo. Seus olhos preocupados e ao mesmo tempo irritados, mas estranhamente depois de tudo que eu fiz, que ele fez, eu sabia que Sasuke estava ao meu lado. Ele era a âncora do meu navio, que impedia que eu me chocasse com as rochas pontudas, cujas quais, obviamente, me destruiriam. Tal foi minha surpresa quando o moreno desentrelaçou nossos braços e pegou minha mão, dando um suave beijo em minha testa. A forma que ele sempre dizia "está tudo bem" sem fazer algo escandaloso ao estilo de Naruto.
- Já lhe tiro daqui. - Sussurrou perto de meu ouvido.
- Obrigado. - Murmurei de volta, tentando conter um arrepiou.
Inspirei profunda e discretamente, então virando de frente para o casal a nosso frente, nenhum dos dois parecendo muito felizes. Itachi. Eu havia conversado pouco com ele nos últimos tempos, mal conseguia olhar para os seus olhos. Apesar de sempre ter sido bom em conter emoções eu conseguia ver e sentir o total desagrado que ele não queria demonstrar. Parecia que alguma das minhas antigas emoções surgia em meu ser, autoflagelação. O gesto de afeto entre mim e Sasuke não deveria ter acontecido, eu deveria ter contido meus conflitos internos para que ficassem visíveis só para mim. Agora eu receava que um novo confronto entre os irmãos Uchiha se iniciasse.
Mas diferente de mim Sasuke parecia não se importar com que o irmão futuramente faria. Ele encarava um ponto duas cabeças atrás de Karin – Sasori. A ruiva, acompanhada de meu primo, sorria extremamente falsa, claro, como se ninguém soubesse do seu amor doentio por Sasuke, ou o ódio palpável por mim. Por mais que ela quisesse demonstrar que não ligava, eu sentia as vibrações de ciúme que ela queria conter. Tinha uma bela ideia de que tipo de surpresas ela teria preparado para Sasuke após a festa, algo como algemas e sexo, mas ela sentia que seus planos foram estragados por minha causa.
Eu deveria estar pagando por algum grave pecado naquele momento, e eu tinha uma ótima ideia do qual, algo relacionado a remorso, sangue e traição. As pessoas que eu mais temia ver naquela noite estavam atrás umas das outras, todas esperando que eu sorrisse obviamente falsa, ou fizesse um grande escândalo como sair correndo e chorando, cair sobre o garçom com a bandeja cheia de taças de champagne e acabar banhada pelo meu próprio sangue. Algo bem dramático. A forma como as coisas se ligam instantaneamente aos meus pensamentos chega a ser assustador.
Sasuke apertou a minha mão lançando-me um olhar que servia de lembrete para nossa conversa anterior. Bem, sobre charme e "galinhagem" Sasuke entendia demasiadamente bem. Certo Sakura! Gritei mentalmente. Mantive minha coluna reta, e sorrindo verdadeiramente, de uma forma vingativa é claro, ao olhar para os três casais a minha frente. Eu deveria mostrar que eles eram passados, e não somente isso, mas que eu estava ótima da forma que estou agora, depois de séculos – solteira.
- Olá Itachi. - Falei o abraçando rapidamente, virando e dirigindo um aceno para sua acompanhante. - Karin.
- Parabéns, otouto. - Itachi sorriu minimamente para Sasuke, me lançando apenas um olhar em retribuição ao cumprimento.
- Sasuke-kun! - Franzi o cenho ao ver a ruiva perder a postura e se jogar nos braços do Uchiha, quando ela foi lhe dar um beijo no rosto, errou de propósito, roçando-lhe os lábios. - Feliz Aniversário!
- Hn. - Disse segurando a cintura dela enquanto a afastava.
Pelo que Sasuke demonstrava, ele não estava muito contente com a exalação de afeto em público pela parte de Karin. E a ruiva ficou menos contente ainda ao ser ignorada. Itachi segurou o pulso de Karin, puxando-a para longe. Ela deixou bem claro sua maior antipatia por mim me lançando um olhar torto. Talvez não soubesse que Sasuke deveria ser acompanhado por um membro da família, e ficou com a maior raiva imaginando que ele havia "trocado-a" por mim. Simplesmente ridículo.
- Sakura! - Arregalei os olhos ao sentir os braços fortes me circularem em um abraço doce e, ao mesmo tempo, másculo. - Você está divina! Tenho certeza que esse vestido é da Chanel.
- Sim, Sasuke em ajudou a escolher. - Pisquei para ele. - Eu realmente estava com saudade de você, bicha.
- Admita querida, eu posso ser gay. - Falou, sussurrando no meu ouvido em seguida. - Mas eu fui o que melhor te satisfez na cama
- Sai! - Bati no seu ombro vermelha.
- O que? É verdade. - Sorriu docemente, virando-se para seu acompanhante. - Kamui, esses são Sasuke e Sakura. Sasuke, Sakura esse é o meu namorado, Kamui.
- Se eu soubesse que você me trocou por um cara desses teria sugerido um triângulo amoroso. - Ri, deuses, aquele homem era magnífico, com seu cabelo loiro escuro e olhos chocolate, era o tipo de cara que você imaginaria como modelo de cueca da Calvin Klein.
- Ignore isso. - Sai fingiu murmurar. - Provavelmente ela está em seu período fértil, sempre fica assim perto daqueles dias.
- Sai! - Grunhi por mais uma vez. Sasuke e Kamui somente nos encaravam, parecendo que o acompanhante do meu ex-namorado queria gargalhar com nós dois.
- Bom minha dama de cabelos cor-de-rosa, acho melhor irmos para nossa mesa. Espero poder falar com você depois. - Sai lançou um olhar significativo na direção do moreno ao meu lado. - Aliás, feliz aniversário Sasuke.
Ok. Talvez eu não devesse ter temido o meu reencontro com Sai, por mais que ele lembrasse a família Uchiha, seu jeito por muitas vezes feminino me fazia pensar que nosso namoro não passou de uma amizade colorida. Deus eu amava aquele cara, só que em um sentido diferente do que eu antes tinha pensado. Teria que me lembrar de marcar de sair com ele depois, amigos gays são ótimos quando você está em um constante dilúvio de sentimentos.
Rápido demais para a alegria me preencher. Com a presença de Sai eu acabei esquecendo Sasori por alguns minutos. Agora lá estava ele, parado a minha frente com as mãos quase no traseiro de Tayuya e parecendo não ligar para o que a imprensa ali presente fosse falar disso. Realmente não entendia o porquê de ter me apaixonado por ele. Tão bruto, estúpido e mulherengo, era como se eu me envolvesse com o pior tipo de bad boy, justamente para me machucar. Não posso negar o quanto doeu os ver ali. E Tayuya, bom, parecia que a morte de sua irmã caçula sequer havia a afetado.
- Como você tem coragem de aparecer aqui? - Sasuke disse em um sussurro ameaçador, se colocando um passo a minha frente, ficando exatamente entre mim e Sasori, como um escudo de proteção.
- Fui convidado, pensei que gostaria da minha presença aqui. - O ruivo respondeu sarcástico.
- Sugiro que vá embora.
- Logo, só estou esperando pelo grande espetáculo. - Virou as costas para nós, puxando Tayuya com ele.
- Tenha uma ótima festa pink. Vai ser a sua última. - Tayuya falou sobre o ombro, me lançando um olhar do mesmo tipo que o de Karin. O que me levava a conclusão de que, não era exatamente para Sasuke que o fiasco iria se direcionar.
Por Kami, eu estava temendo pelo pior! Sasori não sabia exatamente muito sobre meu passado constrangedor, Tayuya e Karin deveriam saber o mesmo que ele, eu sempre soube manter as coisas bem escondidas. Mas aquelas palavras, e a soma das reações anteriores pareciam querer me dizer algo, que ainda não fui capaz de compreender. Realmente esperava que não fosse algo similar a festa de caridade das empresas H&U, Tayuya não poderia ser ciumenta e psicopata como a irmã, ao menos eu rezava para isso.
Os meus três ex-namorados e suas acompanhantes foram os últimos a quem deveríamos cumprimentar, para em seguida nos encaminharmos para onde meus pais estavam sentados. Vê-los depois de tanta coisa ter acontecido e ao mesmo tempo sentir que pouca coisa mudou acabou mexendo ainda mais com a minha cabeça. Eu queria distinguir o que eu sentia por cada um deles, amor, ódio, desprezo, amizade, mas por agora ainda não conseguia o fazer. Eu só queria fugir dali, mesmo que isso me tornasse uma covarde, eu sabia que não aguentaria mais emoções fortes no estado que eu estava.
- Olhem se não é o aniversariante! - Kushina disse alegre, se levantando da mesa onde estava sentada e abraçando nós dois ao mesmo tempo. - Vocês dois estão tão bonitinhos, mal dá para dizer que são as mesmas crianças que se sujavam com lama no meu jardim.
- Você não precisava ter dito isso, madrinha. - Sasuke falou, dando um beijo na bochecha dela.
- Claro que sim, você acha que eu ia perder a chance de lhe constranger. Jamais! - Ela riu, colocando uma mecha de cabelo vermelho, que havia escapado do coque bem feito, atrás da orelha. - A Sakura não se importou viu. - Ela se virou para me encarar. - Sakura, você está bem?
- Ha-Hai. - Murmurei tirando sua mão de minha testa.
Não dei muita atenção para o que os dois conversavam, meu olhar estava fixado nos meus pais. Eles estavam um tanto isolados, mamãe tinha o cabelo bem cacheado, e usava um vestido azul marinho, leve e solto, já Otou-san vestia um smoking de cor grafite, com a sua mão segurando a dela no primeiro gesto de amor que eu vi entre eles nos meus dezessete anos de vida. Foi então que eu realmente senti meu mundo desabar.
Meu pai largou a mão de minha mãe, mas se aproximou mais dela, dando-lhe um rápido e suave beijo nos lábios. Quando se afastaram ambos estavam sorrindo. Ela pegou a mão dele e pousou em seu ventre, os dois fitavam aquela parte do corpo de minha mãe, como uma criança abrindo os presentes de natal. Eu sabia o que aquilo significava.
Aquele olhar, aquele toque, Minato e Kushina viviam o tendo, principalmente depois que ela lhe contou que estava grávida novamente. Meus pais estavam felizes, porque, pelo visto, eu ganharia um irmão, e eles amavam aquela criança que mal parecia ter se formado. O afeto nos olhos deles era algo que eu jamais vi direcionado para mim. Por mais egoísta que isso fosse, a única coisa que eu pensei foi o quanto essa criança iria me desgraçar.
- Sakura. - Sasuke balançou meus ombros. Tranquei minha mandíbula, respirando fundo e tentando conter as lágrimas. - Vamos, vou te tirar daqui.
- Não. - O afastei de mim. - Eu estou bem.
Virei as costas para ele, praticamente correndo em direção ao bar. A única coisa que eu precisava naquele momento era uma boa dose de tequila, talvez algo mais forte. Eu não conseguiria parar ali e vê-los exalando toda aquela felicidade, se o fizesse seria como estragar o conto de fadas. E eu sempre pensando que Okaa-san jamais quis ter filhos, mas esse não era o caso, ambos meus pais, sempre quiseram ter filhos, pelo visto o que não desejavam era me ter como filha.
Oh Deus! Agora eu entendi tudo! O real motivo da estranha aproximação, deles estarem fingindo preocupação, dos colapsos de "eu me importo" e do nada não ligarem nenhum pouco para mim. Tudo isso só para me largar a grande bomba. Afinal, eu estava no terceiro ano do ensino médio, só faltaria mais um ano para me formar na escola e eles deveria estar pensando em me deportar para fazer a faculdade em outro país. Enquanto isso eles estariam vivendo o seu "felizes para sempre" com o novo membro da família.
No fim das contas o problema sempre fui eu. Somente eu. Eu gerei grandes problemas para meus pais, amigos, e como se isso já não bastasse, eu destruí toda a minha vida. Eu deveria ter ficado em Londres, jamais ter voltado. O que me levou até Londres também foi uma das coisas mais desesperadoras e erradas que eu já fiz. Se eu não tivesse rolado escadas a baixo naquele hotel bem no centro da cidade, esse erro ainda me consumiria. A queda e a dor quando o meu corpo rolou e se chocou com o vidro foi tanta que me fez mudar por inteiro. Okaa-san e Otou-san tinham vergonha de mim, eu tinha de mim mesma. Eu era o caos!
E pensar que quando me encaminharam para um psiquiatra depois da minha tentativa de suicídio aos treze anos os médicos haviam me dito "Sua família te ama Sakura, não faça essa loucura novamente, você não sabe como eles vão se sentir.". O psicólogo deve ter entendido que eu quis tirar minha vida por culpa dos meus pais, não fora exatamente disso. Eu só sempre fui covarde demais para fazer coisas muito difíceis para meu psicológico. O problema nunca foram eles, sempre fui eu, a única que sempre trouxe desgraça para tudo e todos ao seu redor. O que na época me levou a conclusão de que desaparecer para sempre seria minha única escapatória.
- O que deseja senhorita? - O bar tender perguntou.
- Duas doses de tequila. - Falei me sentando.
- Tem certeza? - Arqueou a sobrancelha, duvidando que eu conseguiria tomar sequer um gole. - É meio forte.
- Não sou ignorante, tequila não é nada comparando a coisas que eu já bebi. - Disse ríspida. - Se você puder me trazer logo essa porcaria.
Ele virou as costas para mim, provavelmente preocupado em perder seu emprego caso eu caísse de bêbada por somente duas doses de tequila. Aquilo não me deixaria nem ao menos alegre. Mas é como dizem, os vencedores bebem para comemorar, os perdedores porque precisam. A ideia de sumir dali ficava a cada segundo mais tentadora. E eu via que eu sempre fui a fraca, nunca existiram barreiras me protegendo do resto. E por fim, e não menos degradante, minha vida era uma merda.
Virei-me para o palco do bar, onde geralmente ocorriam os shows ao vivo, lá estava uma garota mascarada, pelo cabelo ruivo e o vestido de antes era mais do que obvio ser Karin. Ela bateu no microfone algumas vezes para chamar a atenção dos presentes. É, pelo visto lá estava mais uma coisa que estragaria minha noite. Oh quanta felicidade (note o sarcasmo)! A ruiva tinha uma máscara cobrindo seus olhos, e eu pude ver então que ela seria a surpresa de Emiko, o que todos já esperavam, menos eu.
- Boa noite a todos. - A voz soou por todo o salão. - Queria lhes mostrar algumas coisas, tenho certeza que todos irão ficar surpresos.
Franzi o cenho, aquela voz não era de Karin, e virando-me para o lado eu pude vê-la parada ao lado de sua tia e Fugaku. Meus olhos voltaram para a ruiva no centro do palco, ela tinha um controle remoto na mão e logo após as luzes todas se apagaram, e a única claridade que existia era a das luzes no balcão do bar e a tela LCD enorme no palco. Uma música conhecida invadiu meus ouvidos, e com o som de AC/DC - You Shook Me All Night Long, só de escutar aquela canção minhas pernas começavam a tremer de ansiedade, e meu coração palpitava estrondosamente.
- Aqui está senhorita. - O bar tender depositou um pequeno prato com sal e limão junto com a dose de tequila a minha frente.
- Esqueça as doses e me traga a garrafa inteira. - Falei com os olhos um tanto arregalados.
A ruiva sorria cruelmente com a minha imagem aparecendo na tela. Lá estava eu na casa de campo, beijando ardentemente Uchiha Sasuke, como se fosse uma bruxa condenada a fogueira horas antes de sua execução. Meus olhos esfumaçados, as pálpebras cobertas por uma sombra negra, o cabelo curto e envolvido por cachos indo até meus ombros. A mão dele dentro da minha camiseta justa e branca do The Cure, minhas pernas rodeando seu quadril.
Queria saber como conseguiram aquele vídeo, sendo que estávamos sozinhos aquele dia. A cena mudou na tela, mostrando Ino, Tenten e eu dançando sobre uma mesa When I Grow Up das Pussycat Dolls. Era oficial, estavam expondo meu escandaloso passado na frente de toda mídia internacional. Nós dançávamos coladas uma nas outras, comigo no meio e as duas com as mãos em meus quadris, rebolando e descendo lentamente até o chão. Até que Sasuke apareceu negando com a cabeça e rindo suavemente.
- Hei rosada, vamos logo! - Ele tinha gritado sobre a música alta.
- Só se você vier aqui! - A minha antiga eu gargalhou, ainda mais quando tomou um longo gole da garrafa de gim, depois Tenten pegou o recipiente e jogou no pescoço de Ino, começando a beijar ali.
Deus! Jamais imaginei que aqueles momentos foram gravados e ainda mais que iriam ser expostos para todos os presentes. Peguei a garrafa sobre o balcão e tomei um longo gole, eu precisava dar um jeito naquilo. Estava passando dos limites. No vídeo eu me jogava nos braços de Sasuke e ele me pegava no colo, ainda sim, eu continuava a dançar. Eu estava parecendo uma grande prostituta. O que acontecia na casa de campo ficava na casa de campo! Mais ou menos como Las Vegas. Minha mente não consegui digerir os fatos, não entendia como conseguiram filmar aquilo e além disso, expor para tantas pessoas.
Senti alguém segurar meu braço. Virei-me para ver Sasuke com raiva mais que evidente em seu rosto. Ele me puxou pela mão, nos afastando da multidão de pessoas. Naquele momento eu agradeci pelas luzes estarem apagadas, aquilo já estava passando do humilhante e vergonhoso. Suas mãos tremiam junto das minhas, a nossa volta pessoas se mantinham com os olhos arregalados e bocas abertas. A cena não era a mesma de antes. O que piorou ainda mais a situação.
Hinata e Naruto surgiram do nosso lado, e o loiro estava tão irritado quanto o moreno. Até ali sequer tinha visto o casal na comemoração. O vídeo atualmente estava mostrando o que aconteceu com nós quatro semana passada, a quase morte de Naruto, o desespero de Hinata, minha face de medo, e Sasuke demonstrando espanto. As palavras surgiram grandes na tela: "Você quer saber por que isso aconteceu?" Paramos de frente para os seguranças, e os garotos começaram a falar com eles.
Como resposta a pergunta do vídeo estavam as frases: "Eles não são quem pensam. Os tão prestigiados herdeiros se relacionam entre si, traindo seus respectivos namorados e a si mesmos. Só trarão vergonha quando assumirem a tão prestigiada rede H&U". Parei em choque. Duas imagens apareceram uma ao lado da outra. Na primeira estava Naruto tampando o corpo de Hinata com seu próprio enquanto ela segurava firmemente um lençol branco sobre seus seios, os dois olhando para uma porta escancarada. E ao lado desta, estava eu, somente de lingerie com os braços de Sasuke ao meu redor enquanto nos beijávamos. E por fim, escrito em preto estava: "O amor não é lindo?".
- Cansei disso. - Sasuke disse em fúria.
Meu coração palpitou mais forte com medo, não somente do que fariam conosco, separação foi a primeira coisa que veio em minha cabeça, mas eu tinha medo do que Sasuke faria agora. Foi então que o vi, pegando um grande vaso de flores com água dentro, ele levantou velozmente o braço e com toda a sua força jogou o objeto sobre o telão, parecendo um arremessador em um jogo de baseboll. Acertando o alvo em cheio. O alarme de incêndio soou por todo o lugar, e os seguranças se dirigiam para a mulher sorrindo e aplaudindo o espetáculo que tinha acabado de montar.
A televisão havia pego fogo, e todos gritavam ali. Sem dúvida aquela noite estava mais tumultuada do que eu um dia imaginei que seria. Provavelmente nossa família começaria a ser conhecida por festas turbulentas e eventos desastrosos.
Virei-me, quando Sasuke voltou a me puxar. Hinata e Naruto vinham logo atrás de nós. Estávamos fugindo das consequências naquele momento. Depois do trauma que passamos não queríamos ficar ali e ver os repórteres se jogando sobre nós e questionando sobre aquele vídeo. Eu já não aguentava coisas daquele tipo, era estressante demais. Não me surpreendia que Sasuke quisesse fugir daquilo tanto quanto eu.
Entramos na cozinha, e nos apressamos para sair pela porta dos fundos, uma saída um tanto estratégica. Os cozinheiros e garçons nos olhavam curiosos, e continuaram daquele modo até que a porta fosse aberta com um estrondo alto e fechada com outro. Do lado de fora, estacionado do outro lado da rua, estava o Camaro amarelo de Naruto. Era difícil correr sobre o salto agulha, mas deveria ser pior para Hinata já que ela usava um vestido longo. O barulho de buzinas, gritos, e música alta era típico naquele lado da cidade, onde a maioria das boates, bares e danceterias se localizavam.
- Naruto se acalme! - Gritei para as costas do loiro que corria com raiva. - Se não se acalmar vai acabar causando um acidente de carro!
- Eu estou calmo Sakura-chan!
- Não é o que aparenta, você é tão fácil de se ler como águas cristalinas. - Soltei a mão de Sasuke, parando na frente de Naruto. - Eu te conheço desde que usávamos fraudas, talvez tenhamos mudado, mas eu sei muito bem o que acontece quando você está em desequilíbrio emocional. Então se você nos ama o suficiente, se controle para ser capaz de dirigir essa porcaria de carro antes que os caras da imprensa apareçam! Ou que eu chute seu saco!
Os três que me acompanharam me olhavam surpresos por culpa das minhas últimas palavras. Seus olhares diziam "a Sakura voltou", era estranho, mas um estranho um tanto agradável. Naruto sorriu, aquele seu sorriso que sempre me acalmava quando eu chorava em seu colo, a confiança exalava dele, assim como sua bipolaridade extrema, o garoto que conseguia ser sábio e estúpido em um estralar de dedos. Obriguei-me a lhe retribuir o sorriso. Ele desligou o alarme, abrindo a porta do passageiro para uma Hinata visivelmente perturbada, enquanto Sasuke me fazia sentar no banco traseiro.
- Para onde vamos? - Perguntei.
- Só Deus sabe. - O loiro disse pisando no acelerador, quando ele o fez foi possível ver a aglomeração de repórteres que davam a volta no quarteirão a nossa procurava. Eu esperava que estivéssemos em um refúgio por no mínimo uma semana, era o tempo que eu tinha antes do meu último ano no colegial começar. E ao menos por esses dias eu queria me livrar da mídia que sempre me perseguia.
Não tinha noção do que nossos respectivos pais fariam com nós, mas naquele momento era a última coisa que eu desejava pensar: Nas consequências.
To Be Continued...
N/a:
Desculpem-me pelo atraso, eu vou tentar postar uma vez por semana, porque sinceramente a minha criatividade some e reaparece do nada. E outra, eu estou me preparando para a "Feira Multicultural" da minha escola, eu tenho que apresentar em agosto, um ou dois dias depois do meu aniversario, um trabalho enorme sobre a Evolução do Feminismo, e eu preciso pesquisar muito e ter tudo na ponta da língua. Então, caso houver atraso com as atualizações vocês já sabem o que é, a escola me ocupa muito e eu ainda estou tentando escrever meu livro, o sonho de total ficwriter.
Como eu tinha dito antes, esse capitulo ia ser chocante, várias pistas sobre o passado de Sasuke e Sakura, e como puderam ver, eles realmente tiveram algo, mas ninguém sabia. Que gente safadinha. Meus amores, eu não vou falar muito hoje porque eu vou deixar isso com vocês, e please, sejam legais e deixem suas reviews enormes, pode xingar, dizer que parte você gostou, o que deseja que aconteça (hentai vai demorar alguns poucos capitulos ok), que querer bater na vakarin, palpites de quem seja a ruiva no palco, era plano de quem o desastre desastroso (?) fiquem avisados que toda e qualquer opnião é bem vida, sendo positiva ou negativa.
Bom, por hoje é só.
Beijos
Sami
ps: Feliz aniversáiro Thaii. Sigam meu tumblr e twitter. O/ avisem que doi follow em vocês xD
N/b
Hey people! Ahhh que capítulo BOMBÁSTICO! Nossa gente, o debate interno da Sakura foi tenso...deve ser realmente muito difícil se imaginar como um estorvo para todos. Imaginem, seus pais nunca lhe deram atenção e depois aparecem "encantados" por um futuro filho... qualquer um teria que ser muito forte diante da situação.
Humm, e quem será a ruiva (grupo das vadias malvadas..rsrsrsrs) que revelou o passado do quarteto? Alguém muito mal amada com toda a certeza... Bom, tenho certeza que com reviews descobriremos as respostas. Não leva muito tempo e faz autores e betas muito felizes!
Beijos
Bella
Reviews:
Taiih: Oiee gatinha /o/ Sim, eu tive que demorar um pouco para atualizar o capitulo anterior, fica doente é foda run' kk, mas to melhor sim, obrigada por perguntar. Nossa, não acredito que você entrou assim, diariamente, para ver minhas atualizações! Nossa quando eu começo a escrever essa mudança de personalidade dela é como se eu entrasse no papel, fico imaginando tudo, acho que é por isso que eu amo tanto escrever. Tipo, eu nunca conheci nenhuma menina que dissesse "Eu Odeio o Itachi", pocha, ele é um Deus Grego, e depois do que ele fez pro Sasuke no mangá, nossa me apaixonei mais ainda por ele. *o* Eu meio que tava escrevendo esse capitulo depois de ter olhado o último episódio do anime, que tá bem na parte do reencontro do time 7, e eu meio que fiquei puta com o Sasuke, cade o meu badboy com cérebro, tipo me veio o pensamento "Itachi-kun, por que você não aparece e da umas palmadas na bundinha gostosa dele?" kkk' Bulimia não foi só o que a Sakura teve, essa menina é cheia dos problemas, tipo, se você soubesse tudo o que ela fez antes de virar a Sakura patricinha do mal, ficaria chocada. Muahhahahahahha kk' Não só sério o seu pai, o meu também, tipo minha mãe sabe que é normal beber na adolescência, ela bebia, e eu tenho jogo aberto com ela, nunca cheguei bêbada em casa, mas meu pai não gosta quando eu bebo, meio que ele fala "só um golinho" kkk'. O pai da Sakura é muito fdp, eu tenho raiva dele também, eu quero ver o que ele vai fazer depois desse vídeo que foi exposto nesse capitulo. G_G To com pena dela já. A Sakura pode ter sido muito vaca antes, mas ela valoriza muito a Hinata, e sabe como a Hyuuga é frágil, e como conhece o Naruto de tempos atrás... kasoaksoako Eu nunca gostei de caras afeminados, tipo Justin Bieber e seus derivados, então espero nunca correr o risco de depois de anos de namoro ouvir aquelas três palavras perigosas: "Eu sou gay" kk. Que bom que está gostando da relação dos dois, eu sempre fico em duvida no que escrevo pro Sasuke, tipo tem que ser algo que se encaixe com ele sabe, nem meloso de mais, nem do mal de mais kkk'. Ahhh a mudança da Sakura e a citação dela do capitulo anterior foi totalmente inspirada em uma frase de Pretty Litlle Liars, bom eu nunca olhei sabe, mas quando eu vi no tumblr a frase "Todos te criticam porque você mudou, mas ninguém se questiona se você teve motivos para mudar." Tipo eu li e reli aquela frase e entrou na minha cabeça, porque primeiro fez sentido para minha própria vida, e se encaixou muito bem com o que eu queria mostrar na fic. Eu não me encaixo para escrever sobre pessoas super fúteis, primeiro porque eu tenho umas primas assim, e Deus como aquilo me irrita, meio que falam de tudo e todos, mas não se enxergam. Kk' Eu já fiz alguns "bicos" trabalhando com meu primo, meio que a partir dos treze, mas foi só de vez em quando. Eu estou louca para trabalhar, comprar minhas coisas, ser independente. *-* E hentai... eles logo virão ;9 Eu to amando a biografa do Kurt, é meio psicopata, tipo as coisas que ele pensava quando criança e que ele fazia te deixam de olhos arregalados. Mas eu estou gostando bastante do livro.
Menina eu já ouvi falar um monte em NANA, é um mangá, neh? G_G Ultimamente eu ando muito sem cultura, mal consigo fazer minhas coisas, tipo enquanto eu digito isso era para ter feito o meus temas da escola. ;p Eu nunca ouvi fala em Skins para ser bem sincera, mas uma coisa eu te digo, o que eu mais vejo nas minhas reviews são comparações com livros e seriados que eu nunca vi. Kkk' Mas vou olhar skins, pelo que eu vi no google agora deve ser muito bom. XD Itachi fez sua aparição nesse capitulo, e só digo que a partir dele muitas coisas vão ser reveladas. Kkk' #domal. As vezes a Little J me da raiva, mas no meu ponto de vista ela é uma Blair que não consegue alcançar a original, alias, depois de ter olhado toda série eu comecei a ler os livros, to bem no começo, mas as coisas são um tanto diferentes... Eu gosto da Little J porque a Taylor Momsen interpreta ela, e a Taylor Momsen tem ideias e um estilo similar ao meu, talvez seja por isso que eu goste "delas", fora os escândalos que ambas aprontam kkk'... Bom, uma coisa que você sempre vai ver nas minhas fics são garotas determinadas, eu odeio mulheres submissas, tipo é como se toda a luta por nossos direitos fosse em vão. Mas apesar disso todas nós seremos submissas por um homem algum dia, estar apaixonada é o "ó" kkk. Bom essa semana eu atualizei meu tumblr, e postei uns textos da minha autoria, só da uma olhada. E muitos thanks viu gatinha, eu realmente espero que tenha gostado desse capitulo, presente beeem atrasado pro seu aniver.
Outras reviews respondidas por DM.
