N/a: Para 'luh-chan!


Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

Capítulo Onze

I Never Do That

Segundo os meus professores de educação sexual, adolescentes são cheios de hormônios e bizarrices. Eles falam como se jamais tivessem tido nossa idade. Mas em algo eles estavam certos: uma hora nós sempre paramos para descontrair e, quando isso acontece, as maiores merdas das nossas vidas surgem.

...

24 de Julho de 2008

- Não acredito que está lendo essa porcaria, Hinata. - Revirei os olhos, apontando para o livro em suas mãos. - Romances são tão iguais e obsoletos, eles se odeiam, se apaixonam e alguém os quer separados. Isso me da ânsia.

- Olha quem fala, pelo que Naruto-kun e até mesmo Sasuke, me disseram você era apaixonada por esse clichê.

- Pessoas mudam quando acordam para a realidade. - Dei de ombros.

- Se você diz. - Ela me respondeu como se não acreditasse em minhas palavras.

- Sakura-chan. - A encarei. - Sabe o que dizem? Uma vez ferida, duas vezes mais fria.

- Isso é verdade.

- Acho que você deveria se deixar iludir, ao menos um pouco. - Hinata sorriu, deixando o livro de lado e me abraçando. - Às vezes pessoas se fecham com medo de se machucar, mas não tem ideia de como o calor humano é bom.

- Depois que você deixou a castidade se tornou bem pervertida, não é? - Gargalhei, empurrando seu ombro.

- Sakura-chan!

Estávamos escoradas no carro de Naruto, havíamos parado para abastecer naquele lugar tão pequeno e simples. Os garotos foram comprar alguma coisa para comermos, enquanto eu e Hinata esperávamos. Há dez minutos ela havia pego o Morro dos Ventos Uivantes para ler. Suas bochechas coravam e seus olhos brilhavam com intensidade, fora os suspiros a cada página virada. Foi aí que nossa discussão começara.

Olhei para os jeans simples e a babylook branca que eu usava. Eu tinha muita sorte quando se tratava de encontrar vestimentas. Hinata iria dormir na casa de Naruto ontem a noite e tinha deixado no carro uma mochila com roupas, nos livrando dos vestidos pesados. Quando a perguntei se Hiashi sabia sobre o lugar que iria passar a noite, ela me alertou que estaria em minha casa. Ficava impressionada com a forma que ela estava sendo corrompida. Hinata ajeitou sua saia rodada, me olhando de canto. Arqueei a sobrancelha esperado que ela falasse.

- O que foi? - Perguntei.

- Posso lhe fazer uma pergunta... um tanto particular?

- Diga, minha vida foi praticamente toda exposta ontem a noite.

- Você... Você e Sasuke-kun... Bem, você sabe? - Mordeu o lábio, envergonhada.

- Sim. - A encarei. - Acho que você percebeu isso, aquele vídeo disse tudo.

- Eu nunca tinha imaginado isso. Vocês são primos, e além do mais agem como... Como... - Interrompeu-se, sem encontrar as palavras.

- Cão e gato? - Ri levemente. - Sasuke não é exatamente meu primo Hinata.

- Sua mãe é irmã do pai dele.

- Akane é irmã de Fugaku, não minha mãe.

- Ai meu Deus, mas...!

- Quando eu tinha doze anos eu os ouvi falar sobre isso, em como Okaa-san não podia ter filhos e sobre uma antiga namorada de Otou-san aparecer grávida. - Franzi os lábios. - Eu concluí tudo sozinha.

Hinata me abraçou, sem saber o que dizer. Aquele gesto de gentileza sempre me trouxe conforto. Mas depois da minha descoberta de ontem, eu não me importei com isso. Na realidade não me importava já fazia um bom tempo. Só estava deixando as coisas seguirem seu caminho. E depois de terminar o colegial eu tentaria entrar para alguma faculdade no exterior, como Columbia ou até mesmo Harvard. Dalí em diante eu constituiria meu futuro individual, e depois montaria minha própria família. Simples assim.

Por muitas vezes achei que fosse coisa de minha cabeça o desapego por minha família, mas no fim fui próxima de pouquíssimas pessoas e, em sua maioria, sem laços sanguíneos. Eu até poderia facilmente me apegar aos outros, mas agora ficava distante para que isso não acontecesse. Hinata estava certa quando me disse sobre ser uma mulher ferida. Pois eu o era, posso ter superado muitas coisas que entraram no meu caminho, mas isso não anula a dor que elas trouxeram. Com certeza, eu era mesmo uma pessoa amarga.

Eu não estava pensando em fugir ontem, pelo contrário, queria enfrentar os problemas de frente. Era estranho, ainda mais se eu fosse levar em conta o quanto estava fugindo nos últimos dias. Desejei levar aquilo como uma adulta, não afogar minha raiva no álcool como vinha fazendo. Um dia eu encarei meus medos de frente, e iria fazê-lo agora. Não entendi por que Sasuke me puxou junto de Naruto e Hinata, me carregando para longe. Aquilo simplesmente não possuía fundamento. A única coisa que eu tinha percebido fora que, Uchiha Sasuke só se tornava mais enigmático com o tempo.

Inalei o ar do campo, misturado com o cheiro de hortênsias e sol que Hinata exalava. Entregando-me ainda mais ao abraço amigo. A morena sempre seria uma menina delicada, ainda mais com o seu cabelo preso na trança embutida que eu havia recém feito, e a camiseta de azul com estampa de desenho animado. Talvez fosse por isso que ela e Naruto combinavam tanto a meu ver. Eles tinham a pureza de uma criança em um corpo maduro. Chegava até ser encantador.

Piscando por causa do sol, fui capaz de ver Naruto e Sasuke saindo do estabelecimento comercial, cada um com um par de sacolas nas mãos. Ambos franziram o cenho ao fitarem Hinata e eu. Também deveriam, eu não era do tipo que exalava afeto. Geralmente aquele tipo de gesto só ocorria com Tsunade e ninguém mais. Naruto pareceu relutante em falar, mas cochichou algo com Sasuke, que lhe respondera no mesmo tom de voz baixo.

- O que você acha que eles estão fofocando? - Hinata murmurou para mim.

- Não tenho ideia. - Falei segurando uma risada. - Só espero que não estejam tendo nenhuma fantasia pervertida.

Hinata gargalhou, e eu a segui, fazendo os dois amigos se espantarem, sem demonstrar muito disso. Era estranho, apesar de tudo era agradável e natural estar ali – com minha melhor amiga. Fazia séculos que eu não sorria de forma verdadeira, muito menos gargalhava. Poderia ser de outro mundo, mas continuava sendo animador. A Hyuuga desprendeu-se de mim, voltando para a posição que estava, lendo seu romance.

- O que vocês compraram? – Abaixei-me, abrindo as sacolas que eles colocaram no chão. - Olha Hinata, vodka. Bem, parece que os dois querem nos embebedar. Acho que deveriam trazer vinho, os dois sabem que sou fraca quando se trata dessa bebida.

- Por que ela falando tão formal? - Naruto perguntou para Hinata.

- "Morro dos Ventos Uivantes". - Ambas respondemos alegremente.

- Ok... - Naruto disse confuso.

Não me questione do por que, mas eu me sentia tão feliz conversando com Hinata, sobre coisas que eu tinha prometido a mim mesma jamais pensar. Como dizem, não se pode guardar tudo para sempre. Abri um pacote de confetes de chocolate, o alcançando para a garota ao meu lado. Sentei no chão de terra, sendo seguida pela morena. Encaramo-nos, segurando para não rir da curiosidade dos que nos observavam. Acredito que aquela liberdade que havia surgido depois de uma mensagem de texto recebida no celular de cada um havia nos acalmado. O e-mail de Fugaku dizia para nos afastarmos por enquanto, e que aquela era uma decisão dos nossos pais. Foi um copo de água fresca bem em meio ao Saara.

- Hei. - Naruto chamou a nossa atenção. - Já que a Sakura-chan está tão a fim de beber, porque não jogamos verdade ou consequência?

- Qual é Naruto. - Revirei os olhos. - Isso é brincadeira do primário. Vamos acrescentar algo nisso.

- O que? - O loiro arqueou as sobrancelhas animado.

- Vamos jogar eu nunca... - Falei.

- Ótimo. - Sasuke disse. - Eu começo...

Ele pegou uma das garrafas de vodka e abriu, colocando a outra no centro de nós. Girou o recipiente, parando em Naruto pergunta para mim. Ou algo do tipo já que estávamos misturando dois jogos.

- Eu nunca... - Ele pausou, mostrando um sorriso sacana depois. -...Transei com um gay.

- tirando comigo imbecil! - Falei apontando para o loiro. - Só uma pergunta, a palavra gay sugere um cara gay ou pode ser simplesmente uma garota?

O Uzumaki arregalou os olhos para mim, tossindo por ter se afogado com a bebida. Não era nada de mais, ele também tinha transado com uma garota. Não tenho culpa se antes, se bem que valia para agora, eu quis provar de tudo para não ter dúvidas depois. Com a ajuda de Hinata ele se recompôs.

- Eu não esperava por isso, 'ttebayo.

- Hn. - Sasuke sorriu de canto. - Sabe quem foi a garota com quem ela dormiu?

- Quem? - Naruto parecia uma criança esperando um grande segredo ser revelado.

- Konan.

- O QUE? - Ele ficou de pé, apontando para mim. - Sabe quantos caras levaram um grande fora da Konan? Muitos Sakura-chan, muitos mesmo. E agora você me diz que dormiu com ela.

- Não sei exatamente se dormi, mas acordamos nuas e "molhadas" na mesma cama. - Fiz aspas com os dedos.

- Agora você pode beber metade da garrafa! - Naruto se sentou, cruzando as pernas e os braços emburrado.

- Com todo o prazer. - Sorri, com a vodka na mão. - Eu nunca... Transei com um gay gostoso e uma "bi" que o Naruto e o Sasuke nunca conseguiram pegar!

- As coisas não são bem assim. - Sasuke disse. - Eu nunca tentei nada com a Konan.

- Se você diz... - Lhe mostrei a língua.

- Espera ai, Sakura-chan. - Naruto disse. - Escolhe verdade ou consequência?

- Verdade.

- Com quem você perdeu sua virgindade? - Eu odiava quando ele sorria daquela forma marota.

Mordi meu lábio inferior. Naruto aguardava uma resposta ansioso, nunca conheci alguém que fosse tão curioso quanto o loiro. Franzi o cenho, deixando minha cabeça cair de lado. Hinata e Sasuke me observavam sem demonstrar tanta emoção quanto o loiro. Peguei a garrafa de vodka, negando com o dedo. Tomei alguns goles, acredito que era isso que eu deveria fazer já que não respondi a sua pergunta.

- Vamos lá, Sakura-chan. - Naruto juntou as mãos, implorando. - Nem foi uma pergunta tão constrangedora assim.

- Existem coisas que você não pode simplesmente pedir para uma garota te contar.

- bom então. - Fez uma carranca. - Como consequência você vai ter que... Contar um segredo obscuro seu.

- Naruto. - O encarei séria. - Vai te fuder!

Ele começou a rir. Desgraçado. Pelo visto o loiro estava realmente afim de que eu colocasse meus podres para fora. O pior de tudo é que Sasuke e Hinata também estavam curiosos pelas minhas próximas palavras, e só uma coisa imprudente veio a minha cabeça. Mas de jeito nenhum que eu a revelaria. Revirei os olhos, dizendo a primeira idiotice que me veio a cabeça.

- A primeira vez que menstruei eu tinha dez anos, eu estava na praia com um garoto. - Achei melhor não citar nomes, isso acabaria se tornando mais constrangedor do que era. - Ele me levou correndo para um hospital achando que eu estava tendo hemorragia interna.

O casal presente começou a rir, Naruto em sua forma sempre escandalosa, já Hinata possuía um riso discreto. Sasuke e eu nos encaramos, dei de ombros enquanto ele negava com a cabeça. Aquilo nunca foi realmente um segredo, era algo bem leve se fossemos levar em conta todos os segredos que eu e ele mantínhamos bem escondidos. Além disso, existiam as coisas que eu guardava a sete chaves comigo. Aquelas que eu não revelaria nem em meu leito de morte.

- Ok... Quem é o próximo? - Hinata tinha as bochechas vermelhas de tanto dar risada. Ela girou a garrafa, parando para que ela perguntasse algo para Sasuke.

- A droga! - Falei. - Você pegou a pessoa menos má, Sasuke! Hinata não vai te mandar fazer nada extremo. Sem graça.

- Alguns são pessoas de sorte. - O Uchiha riu, colocando confetes na boca.

- Hei. - Hinata estava emburrada, as mãos dela estavam apoiadas em sua cintura, parecendo uma mãe dando uma boa lição em seus filhos. - Eu não sou a boazinha.

- É sim. - Os outros presentes falaram em uníssono.

- Ótimo. - A morena disse com os lábios franzidos em manha. - Eu nunca... Beijei meu primo.

- Golpe baixo. - Naruto disse gargalhando.

Eu estava com a boca escancarada e com os olhos arregalados. Deus! Jamais imaginei que essa garota tivesse um demônio no corpo, afinal, era o namorado dela que tinha o apelido de Kyuubi, não a Hyuuga. É, acredito que Naruto realmente esteja má influenciando-a. Engoli em seco. Roubei o pacote de chocolate da mão de Sasuke, comendo uma porção destes. Era melhor prevenir, porque pelo visto eu ficaria bêbada logo. Ri internamente. Acho que o jogo havia virado. Estava me arrependendo seriamente de tê-lo proposto.

- Você tem que tomar mais que o Sasuke, Sakura-chan. - Maldito seja Uzumaki Naruto. - Você beijou seus dois primos, 'ttebayo.

- Obrigada por lembrar, baka. - Bufei, tomando um quarto do conteúdo do que havia sobrado da primeira garrafa de vodka. - Ok... Continuem o jogo enquanto eu estou sóbria.

- Verdade ou consequência, Sasuke? - Hinata perguntou sem encará-lo, seus olhos estavam direcionados a mim, como um pedido de desculpas. Apenas fiz um gesto com a mão, para que ela deixasse para lá.

- Consequência.

- Você vai ter que... - A morena sorriu para mim, e eu já tinha uma boa ideia do que ela iria aprontar. - ...Beijar o Naruto-kun.

- Vai lá bonitão. - Cutuquei o ombro do moreno, incentivando-o. - Sabe, eu nunca vi dois caras se beijando. Será que as garotas ficam excitadas com isso, já que os caras gostam tanto quando mulheres se beijam?

Ai, eu amo a ironia do destino. Minutos atrás estavam tirando comigo por ter namorado Sai, e agora a namorada de um deles quer que ambos se beijem. Talvez o álcool e a recente adquirida liberdade estejam afetando-me finalmente. Eu havia deitado com a cabeça no colo do Uchiha, sentindo minhas bochechas doerem de tanto sorrir. Sasuke arqueou a sobrancelha pra mim, revirando os olhos.

- Você realmente acha que eu vou fazer isso?

- Não. - Hinata disse rindo levemente.

- Mas o Naruto faria. - O loiro me olhou raivoso. - O que? Quem cala consente.

- Hei, pergunte para Hinata, ela vai explicar bem para você quais são meus gostos. - Naruto falou sacana.

- Ok. Não quero saber das intimidades sexuais de vocês. - Comi algumas bolinhas de queijo. - Vamos continuar o jogo.

- Obrigada, Sakura-chan. - Hinata jogou seu livro em cima de mim. - Se você pudesse voltar um dia no passado, qual seria?

Eu sabia que aquela pergunta não era direcionada a mim, mas não pude deixar de refletir sobre isso. Dia 12 de junho de 2005. Eu me impediria de ter entrado naquele avião com destino a Veneza, jamais chegaria ao hotel onde conheci Yahiko, não tomaria o maior porre da minha vida, muito menos teria consumido tantas drogas. Isso evitaria que eu rolasse escadas abaixo e literalmente ter matado alguém. Suspirei, fechando os olhos e esperando uma resposta de Sasuke. Eu estava curiosa sobre aquilo, mas ao mesmo tempo fez um fato do passado surgir em minha memória.

- 5 de junho de 2005.

Encostei minha cabeça no vidro da janela, deixando meus olhos se perderem na lua e nas estrelas que brilhavam ao longe. Era cerca de cinco da manhã, eu estava vestindo um pijama recém-adquirido nas lojas de conveniência do hotel onde estávamos. Ao meu redor, estava um cobertor azul, e eu não tinha ideia do porque exatamente, mas lágrimas escorriam pelo meu rosto. Era estranho, as lágrimas que eu sempre desejei derramar estavam vindo em enormes porções ultimamente.

Aconcheguei-me mais sobre o sofá de couro, tomando um gole do chá quente que eu tinha nas mãos. Olhei por sobre o ombro, vendo Sasuke dormir pacificamente na cama de casal. Vê-lo daquela forma tão bonita e, um tanto inocente, acabava por ter um efeito calmante em mim. Acho que a nostalgia estava me atingindo cada dia mais. Parecia que o anjo sobre meu ombro gritava bem mais alto que o demônio do outro lado. Passei uma das mãos pelo rosto, secando as lágrimas e voltando a me focar na noite estrelada.

A nossa brincadeira de hoje à tarde não deixava de me perturbar. Eu sabia perfeitamente o porquê do dia 5 de junho ser importante para mim, mas não tinha ideia do porque era para o Uchiha. Naquele dia eu e Itachi havíamos rompido nosso namoro, ambos concordamos que estávamos juntos só por culpa do consolo, afinal, ele e eu gostávamos de pessoas que não queriam nada conosco e adoravam pisar em nossos corações. Foi com toda certeza a forma mais calma que terminei um namoro, sem dor nem ofensas. Bem diferente do meu caso com Sasori.

Sasori... Era engraçado pensar nas inúmeras qualidades que eu via nele antes, e não era capaz de achar nenhuma agora. Não saía da minha mente que ele tinha alguma coisa relacionada com o "filme" exibido no aniversário de Sasuke. Sasori tinha pirado, imaginando que eu e o Uchiha tínhamos um caso, algo que sem dúvida alguma nunca foi verdade. Nós nos pegamos algumas vezes séculos atrás, mas isso foi antes e depois de eu ter estado com Itachi. Não era algo que eu queria exatamente esconder. Mas, em compensação, queria saber de onde essa ideia tinha lhe surgido. Não poderia ser porque ele viu Sasuke e eu abraçados, éramos primos, família sempre deve te apoiar. Fechei os olhos, em confusão.

Sem entender exatamente o porquê, meus pensamentos se direcionaram a última imagem que eu tinha dos meus pais. Os dois se encaravam sorrindo, as mãos de Okaa-san sobre as de Otou-san que estavam apoiadas no ventre dela, algo digno de filmes melosos. Acredito que a mudança recente de comportamento dos dois em relação a mim, venha disso. Meu irmãozinho ou irmãzinha estava para vir ao mundo, algo que os dois sempre desejaram, e que me fazia sentir sendo substituída. Era egoísmo da minha parte, mas eu não estava realmente vendo um lado bom nisso. Gostaria de ser um bocado menos pessimista e imaginar como seria maravilhoso ter um membro a mais na família. Mas eu não conseguia.

Franzi o cenho, sentindo meu corpo ser carregado e, de imediato, abri os olhos.

- O que está fazendo, Sasuke?

- Te levando para cama. - Disse como se fosse óbvio. - Já são seis da manhã e você não sai daquela janela, estava começando a me dar agonia.

- Não quero dormir. - O abracei pelo pescoço, escondendo meu rosto ali.

- Ele bufou sentando-se na cama comigo em seu colo. Sasuke desprendeu meus braços de seu corpo, segurando minhas mãos com as suas sobre a cama. Ele soprou no meu rosto, assim como fazia quando éramos crianças e estava querendo colocar juízo em minha cabeça. Era engraçado o quanto aquela situação antiga se invertera.

- Você está com olheiras rosada, e com cara de quem chorou a noite toda. Eu mal consegui dormir com os seus soluços.

- As coisas não são bem assim. - Pisquei, escorando minha testa na sua. - Você deveria estar sonhando.

- Sério? - Ele caçoou, passando a mão pelo meu rosto e me mostrando seus dedos molhados. - Então o que é isso?

- Estava chovendo, e alguns pingos d'água caíram sobre meu rosto. - Dei de ombros.

- Você já foi uma melhor mentirosa.

- O que você quer de mim? - Perguntei, passando as mãos pelos cabelos.

Ele me olhou com os olhos penetrantes, como se estivesse me analisando. Mexeu levemente as sobrancelhas, em um olhar calculista. Eu conhecia bem aquele gesto. Suas mãos pousaram na cama, se escorando nelas ele continuou me observando. Eu sentia a porcaria do meu rosto esquentar, no fundo eu queria ignorar a razão disso. Levantando o braço direito, colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

- Você continua com os mesmos tiques de sempre. - Falou por fim.

- O que esperava? Eu não mudei tanto assim como todos dizem.

- Não mudou. - Me respondeu. - Ao invés disso escondeu do mundo e de você mesma quem realmente é.

- Por que diz isso? - Eu já estava irritada, tanto, que lhe empurrei fazendo com que se deitasse na cama. - Todos ficam me criticando, como se eu não tivesse motivos suficientes para ter me afastado. No que eu mudei afinal?

Soltei o ar, que nem notei que prendia. Sasuke havia trocado nossas posições, me deixando deitada com seu corpo sobre o meu. Ele me olhava de cima, ainda meio deitado. Arregalei os olhos com aquele seu gesto inesperado.

- Eu te conheço rosada. - Ele revirou os olhos. - Você pode tentar ser a vilã da história, mas o seu papel mesmo é o de mocinha.

- O que diabos... –

Seus braços circularam minha cintura, puxando-me contra seu corpo pressionando meus lábios contra os seus. O ar escapou de meus pulmões. Por instinto, minha boca se moveu sobre a sua, sentindo o gosto de tabaco e menta. Diferente da última vez que eu tinha beijado-o, no dia 12 de junho de 2005, o seu beijo não era avassalador que me fazia ofegar por oxigênio. Era calmo, sua língua se movia com a minha no ritmo de uma lenta valsa. Sem poder mais resistir, deixei que minhas mãos espalmassem por seu peito, subindo lentamente até seu pescoço e se enroscando nas madeixas negras.

Os lábios separaram-se dos meus por um breve segundo, depois de mais um beijo ele desceu a boca para meu pescoço, deixando uma trilha de calor ali. Queria lhe perguntar por que estava fazendo aquilo, mas eu sabia a resposta. Sexo, "amassos", beijos, nós dois sempre fomos bons em retribuir as necessidades um do outro. Era algo natural quando se relacionava a Sasuke e Sakura. Desci uma de minhas mãos por seu peito, puxando a barra da camisa, tirando-a de seu corpo. Minhas unhas arranharam suas costas e peito, fazendo com que ele pressionasse seu membro ainda mais a minha intimidade. E eu o trazia para mais perto de mim, esmagando os meus seios quando nos aproximávamos ainda mais.

Minha barriga se comprimiu no momento em que dedos gelados a tocaram, ele sempre soube que esse era meu ponto fraco. Não hesitou. Simplesmente se depreendeu de mim, arrastando a blusa enorme que eu usava para cima, para que eu sentisse seus beijos tocando minha pele quente. Ele encarou meus seios, com um brilho de malícia em seus olhos. Nunca tive o hábito de dormir com sutiã, acredito que ele havia acabado de descobrir isso. Abaixou-se, contornando-os com as pontas dos dedos, esfregando seu nariz e seus lábios na parte que mais me afetava. Mas dois podiam brincar daquele jogo.

Retirei a calça de moletom e a boxer vermelha, naquele momento, eu estava mais vestida que ele. Contornei seus ombros, mordiscando seus músculos. Enquanto sugava meu pescoço ele tateava a escrivaninha ao lado da cama, em busca de um preservativo. Quando o achou, vestiu-o rapidamente em seu membro, me beijando com desejo e arrancando a última peça de roupa em meu corpo. Mordi meu lábio, tentando conter o gemido que queria escapar de minha boca – quando ele finalmente entrou na minha cavidade. O encarei, quando ele fazia o mesmo comigo.

- Sem arrependimentos? - Perguntou.

- Sem arrependimentos.

Envolvi minhas pernas em seu quadril, sentindo-o se mover dentro de mim. Ter alguém tão "bem dotado" como Sasuke daquela forma comigo era realmente gratificante, principalmente se fôssemos levar em conta que eu não fazia sexo a mais de seis meses. O beijei novamente, abraçando o seu pescoço quando ele fazia o mesmo com minha cintura. Meus seios pressionados ao seu tórax, respirações aceleradas, e estocadas cheias de luxúria. Algo engraçado entre nós dois era o fato de ambos sempre estarem tentando conter gritos e gemidos de prazer. Por isso a cada movimento eu o mordia, ou beijava-o para não deixar que meu orgulho se ferisse. Não queria parecer dominada por ele, e acredito que o sentimento era mútuo.

Os meus músculos internos se contraiam, e eu sabia o que aquilo significava, Sasuke também. Ele me colocou sentada sobre ele, com as mãos em meus quadris intensificando os movimentos. Nossos corpos estavam suados, meus cabelos grudados em minha testa. Soltei um pequeno suspiro quando o primeiro orgasmo se mostrou, o líquido quente escorrendo por nossas pernas. Escondendo o rosto na colina entre meus seios, o Uchiha soltou um pequeno gemido, me alcançando no clímax em seguida. Deitei-me sobre seu corpo, beijando-lhe o pescoço quando nossos lugares foram por mais uma vez invertidos.

Não tenho ideia de quantos orgasmos se seguiram, mas de algo eu tinha certeza, aquela vez foi bem mais satisfatória do que a única outra vez que havíamos feito sexo. Eu não era mais virgem, então o prazer foi total. Sem dúvida a melhor transa da minha vida, não que eu fosse revelar isso um dia. Agradeci aos céus, por tomar anticoncepcional e ter usado só um enorme camisão para dormir. Eu não precisaria ficar preocupada pensando que o preservativo poderia estourar, e as chances de gravidez fossem eminentes, ainda mais por eu estar em meu período fértil.

- Você continua bom de cama, Uchiha. - Falei enquanto respirava fundo, com seu peso sobre mim.

- Você melhorou bastante rosada. - Sua voz estava embargada. - Deveríamos repetir mais vezes.

- Vou pensar no seu caso.

Minha mão subia e descia por suas costas, fazendo-o se arrepiar levemente. Seu membro ainda estava dentro de mim, e eu não ousei reclamar por causa disso. Ele tirou os cabelos do meu rosto, pressionando seus lábios contra minha têmpora. Meu corpo se comprimiu, fazendo-o soltar um pequeno riso. E ali estava, de volta da escuridão o garoto sorridente que eu conheci durante minha infância. Sem conseguir não retribuir, sorri de orelha a orelha, lhe roubando mais um beijo.

- Admita Sasuke. - Empurrei levemente seu ombro com o indicador. - Nenhuma de suas vadias te satisfaz tanto na cama como sua querida e inocente prima.

- Seus atributos melhoraram. - Puxou a parte inferior de meus lábios com os dentes. - Mas eu não lhe compararia com as vadias, rosada.

- Então você está dizendo que elas se saem melhor que eu? - Segurei seu queixo, com um sorriso sacana no rosto.

- Não. - Ele deu de ombros. - Elas não se comparam a você.

- Muito obrigada. - Mordi seu queixo. - É um grande elogio vindo de você.

- Hn. - Revirou os olhos, se deitando ao meu lado e finalmente saindo dentro de mim.

Ele fechou os olhos, colocando o braço direito sobre a testa. Apoiei-me nos cotovelos, deitando sobre seu peito com os braços cruzados sobre este. Passei a mão por seus cabelos, bagunçando-os ainda mais. Não sabia se aquilo foi um erro ou não, mas ao menos agora eu sabia que não precisava me preocupar com um estado emocional. Quando ele me encarou, sem dizer nada apenas tentando me ler, eu soube que deveria ter me segurado e não ter me entregue por carência.

- Por que você voltaria ao dia cinco de junho? - Ele franziu as sobrancelhas com minha pergunta. - Foi o dia que eu fui embora.

- Sim. - Suspirou, olhando além de mim. - Eu teria impedido que você fosse e se tornasse uma menina mimada, e em consequência você não me deixaria ser o que sou hoje.

- Nunca imaginei que você não gostasse da pessoa que se tornou. - Passei a mão por seu rosto. - Muito menos que gostava da garota que vivia correndo atrás de você.

- É, ela era irritante. - Caçoou. - Mas me impedia de estragar minha vida.

- Talvez ela só tenha se cansado de ajudar os outros e ao mesmo tempo estragar a vida dela. - Olhei para meus dedos sobre sua pele. - Por isso ela se tornou egoísta, uma forma de não se machucar.

- E ela se sentiu melhor assim? - Sasuke perguntou. Eu fechei meus olhos, me deitando ao se lado e me cobrindo com o edredom grosso. Mordi o lábio. Relutando em responder.

- De certa forma. - Falei com um nó na garganta. - Ela se sentia bem ao ver que podia se divertir sem as drogas e o álcool, apesar de beber às vezes. Dava-se bem com a família, mas acabou se fechando e se tornando solitária. Ela sempre soube que aquele era um risco que tinha que correr...e não se arrepende disso, apesar de ter se afastado de todas as pessoas que gostava. Mas...

- Mas o que? - Ele se moveu, para me encarar depois de minutos de silêncio.

- Ela se sente melhor agora, onde consegue equilibrar as coisas e ter amigos. - Sorri com os olhos marejados para ele. - A garota de cabelos rosa descobriu que independente das burradas e das coisas que ela e seu amigo de cabelos pretos fizeram, um sempre apoiaria o outro.

- Você está certa. - Sasuke envolveu minha cintura, fazendo com que minha cabeça pousasse sobre seu peito. - São dois idiotas, mas idiotas que se apóiam.

Ri levemente, fechando meus olhos e o abraçando de volta. A nostalgia fluía por meu corpo, lembranças das inúmeras vezes que dormi na casa de Mikoto, quando Sasuke e eu nos abraçávamos assustados com as histórias de terror que Itachi nos contava, a dor de barriga por comer chocolate demais antes de dormir. Sentia-me no conforto da infância por mais uma vez, e aquilo era realmente gratificante. Suspirei, deixando meu corpo relaxar e entrar no mundo dos sonhos.

Franzi o cenho, sentindo a luz no meu rosto e barulhos de passos – provavelmente alguém estava tentando não fazer alvoroço, mas falhando seriamente nisso. Puxei os cobertores para me cobrir melhor, sentindo Sasuke soltar um leve gemido de indignação por conta do sol. Passou os braços por minha volta, escondendo o rosto em meio aos meus cabelos. Abri lentamente os olhos, fixando-os sobre os ombros do moreno. Sorri de canto.

- Sabe... Você deveria carregar camisinha com você Naruto, ao invés de vir procurar no quarto dos outros.

O loiro arregalou os olhos, puxando a calça com o zíper aberto para cima. Seu cabelo estava um caos, e ele tinha muita pressa. Tateei a cômoda ao lado da cama, esticando a mão com o preservativo para ele. Naruto analisou o meu estado e de Sasuke. Revirando os olhos e me mostrando um sorriso safado, arrancou a embalagem dentre meus dedos. Voltando-se para a porta. Antes de sair, disse:

- Vocês podem negar, mas sei o que querem esconder do mundo. - Virou a maçaneta. Vi em seus olhos azuis tudo o que ele queria dizer, e no fundo, bem no fundo, sabia que era verdade. - É bom te ter de volta, Sakura-chan.

- É bom estar de volta, Naruto.

Quando a porta se fechou e o loiro se foi, eu vi que minhas últimas palavras eram realmente verdadeiras. Eu estava de volta. Uma versão melhorada de mim mesma, e eu gostava disso. Ri, sentindo um sopro no meu pescoço, seguido de uma mordida. Pude ver bem que aquela seria uma longa manhã. O volume que roçava em minha coxa dizia tudo. Mordi sua orelha em retribuição... Só esperava que demorasse para essa semana passar, porque eu tinha certeza que quando as férias acabassem o caos estaria montado, somente me esperando.


N/a:

Oi meus amores! Como vocês estão? Pois é... eu sei que demorei quase um mês pra postar, mas tenho bons motivos. Minha melhor amiga, veio de Belo Horizonte para me ver, detalhe, eu moro no Rio Grande do Sul. Eu realmente amo escrever fics, mas eu amo ela muito mais. Eu odeio minha escola, não sei porque eles dão férias se vão entupir agente de dever de casa. ¬¬ E, o último e mais importante, eu não estava conseguindo escrever, tipo, eu to me sentindo muito alegre nesses últimos dias, e como a fic é drama, não sabia se iria se encaixar. Quando comecei a escrever pela quinta vez, a inspiração veio, e o resultado é o capitulo de hoje, com hentai, diversão e tudo mais. O/

Eu sei que vocês devem estar putas comigo, mas espero que entendam... Aliás, geralmente eu posto capítulos com 13 páginas ou mais, mas se vocês quiserem que eu atualize com mais frequência vou ter que diminuir o número das páginas. A escolha cabe a vocês! Vou ser obrigada a responder as reviews no próximo capitulo, eu não queria atrasar mais.

Um último pedido... Não sei se vocês conhecem, já leram, ou ouviram falar da fanart Konoha High School, pois é, a autora, Damleg, tá meio sumida, super ocupada. E nós pretendemos fazer ela voltar com os post's... Se vocês pudessem dar uma olhadinha no meu perfil e ajudar na campanha eu seria realmente grata.

Por hoje é só...

Beijos

Sami

N/b:

Hey people! E então, o que acharam do capítulo? Muitas revelações e finalmente o tão esperado hentai SasuSaku... Wou, a Sakura sabia que não era filha da Akemi...talvez tenhamos aí um motivo para a família dela ser tão "distante". Não sei vocês, mas fiquei impressionada com a mensagem do Fugaku...será que esses pais estão realmente tentando mudar em relação aos filhos?

Heee...o Sasuke e a Sakura se entregaram a atração que os envolvia... se bem que eu acho que existe muito mais coisa entre esses dois...amei a explicação do porque do Sasuke achar importante o dia 05...e vocês? Please, mandem reviews dando opiniões!

Beijos

Bella