Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Doze
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Olhos Negros e Irrelevantes
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A verdade está eminente, diante dos olhos, o sábio jamais conseguirá vê-la, pois a inocência não tem mais refúgio em seu corpo. Somente quando menos se aguarda as revelações surgem para equilibrar sua vida. E nesta hora se percebe como a ignorância é enorme em seu corpo. Caso você seja como eu, corra, porque quando tudo isso se expõem não existe mais lugar para se esconder – de quem você realmente é.
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27 de Julho de 2008
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Franzi o cenho, sentindo a cama em baixo de mim e o corpo quente e masculino enrolado no meu. É... Até chegava a parecer que eu havia voltado aos meus tempos de hard rock. Uma putaria bem vista. Sorri de forma libidinosa. Sexo, drogas e rock and roll, sendo que a única coisa que realmente me fazia falta era o sexo com rock 'n' roll. Passar horas ouvindo os clássicos e tendo orgasmos, sem dúvida era meu paraíso particular.
Sasuke estava deitado de bruços na cama, com a mão atrevida percorrendo minha virilha e tudo que estivesse próximo a ela. Fechei os olhos, ignorando o prazer que seus dedos gelados me traziam. Mordendo meu lábio inconstantes vezes. Deslizei as unhas por suas costas sentindo-o arquear o corpo quase imperceptivelmente. Ali ficaria um belo vergão. Satisfeita, joguei as cobertas de lado, caminhando sem qualquer peça de roupa até o banheiro.
Fechei a porta, entrando no box praticamente transparente, a água morna percorrendo cada curva do meu corpo. Revirei os olhos, notando as marcas de dentes no colo do peito, coxas e barriga. Provavelmente eu deveria ter chupões no pescoço também. Em outro momento eu me preocuparia se aquelas manchas sumiriam até o começo da próxima semana. Pelos meus cálculos estávamos em uma quarta-feira e segunda era primeiro de agosto, a volta às aulas, e o começo do meu último ano no ensino médio. Seria com toda certeza um ano estressante.
Suspirei, deixando-me pensar pela primeira vez desde que saímos de Tóquio no desastre que haviam armado. Aquela blasfêmia me fez repensar sobre cursar jornalismo, realmente me fez odiar a profissão que almejei ser desde pequena. Tinha que procurar outro caminho profissional, este já não me satisfazia.
Não conseguia ignorar a idéia de que meu pai estivesse com algo macabro em mente. Era o único motivo possível para recebermos aquela mensagem alegre e inspiradora de Fugaku. Por favor, aqueles velhos poderiam fazer qualquer coisa, menos deixar seus filhos sem castigo após um escândalo daquele tamanho.
Passei o shampoo lentamente pelo cabelo, meu corpo tinha um cansaço agradável, seria realmente difícil ser ágil naquele momento. Passar praticamente uma semana inteira isolada do mundo naquele hotel fez com que eu lembrasse coisas que estavam profundamente enterradas. Eu não era idiota, tinha uma ótima noção de que sexo com Sasuke, nunca seria só sexo. Não era como se eu tivesse transado com um cara que conheci em uma festa e jamais o veria depois disso. Cautela, eu necessitava urgentemente adquiri-la.
Alguns dias atrás eu temi ir para casa de campo com Sasuke porque eu sabia que se me deixasse levar demais, poderia cair em seus encantos novamente. Claro, eu tinha o esquecido e, também, nunca me apaixonei, nem gostei de ninguém desde que paramos de nos falar. Eu sabia que estava bem diferente, digo, diferente da Sakura-chan que o amava. Mas mesmo assim, eu não poderia arriscar. Podíamos até nos relacionar quando se tratava do físico, porém a distância seria tomada quando ultrapassasse a linha emocional. Minha vida não era maravilhosa, mas ao menos eu não tinha dores inumanas no peito. Eu queria que as coisas continuassem dessa forma.
Passei as mãos pelos cabelos molhados, deixando a espuma escorrer até o ralo. É Haruno, se você deixar suas barreiras caírem, desta vez, será o fim. Nem se afastar, mudar de cidade, estado e/ou país resolveria seu problema. Foco. Eu não poderia esquecer que o demônio um dia foi um dos mais belos e sedutores anjos. E sem dúvida Uchiha Sasuke era um belo anjo negro, inumanamente sexy e inconstantemente drogado. Do tipo que com um toque íntimo lhe leva ao céu e o inferno ao mesmo tempo. Eu tinha alcançado um maravilhoso paradoxo.
Arregalei os olhos, deixando o sabonete se chocar contra o chão devido ao susto. É só falar no diabo que seu rabo aparece. Olhei para o moreno, com a boca levemente aberta. Da próxima vez eu trancaria a porta. Suas mãos estavam frias como gelo, fazendo com que leves choques surgissem em meu corpo. Um sorriso de canto no rosto e olhos negros mostrando diversão... Era exatamente isso que eu via nele nos últimos dias. Algo anormal, se eu fosse pensar na pessoa que ele foi durante o tempo em que éramos apenas "conhecidos". Isso criava um grande contraste com o menino sorridente que ele foi.
- Você não consegue ficar um minuto sem sexo, não é Uchiha? – Perguntei enquanto suas mãos deslizavam até a parte lombar de meu corpo, me puxando de vagar ao seu encontro.
- Hn. – Bufou, prendendo meu lábio entre seus dentes. – A culpa é sua.
- Minha? – Sua voz estava rouca, mas em compensação eu mal conseguia falar, o calor surgindo em meu corpo era avassalador.
- Você me excita.
Com aquelas últimas três palavras ele pressionou seu corpo contra o meu. Sem resistir, mordi seu peito passando as unhas por todo o caminho até seu membro, roçando os dedos nos cachos negros por ali. Em resposta, suas mãos de dedos longos apertaram minhas nádegas em agitação. Roubando-me um beijo estrondoso, eu pude sentir todo seu desejo por culpa de sua ereção. Sempre pensei que eram somente os homens que acordavam famintos por sexo, mas ao notar o calor do corpo e a rigidez dos seios vi que aquilo era a mais pura mentira.
Abaixando-se de forma rápida, Sasuke segurou minhas duas pernas, penetrando-me de uma só vez e enlaçando-as ao seu corpo. Deixei que o ar escapasse dos meus pulmões, minhas mãos agarram com força seus ombros. Amante de seios como ele sempre foi, desceu a boca até o mamilo direito, me fazendo arfar, jogando minha cabeça para trás e sentindo minhas costas pressionadas contra os azulejos e a água só deixando a fervura nos corpos ainda maior. Estocou seu membro dentro de mim, os músculos internos se contraíram de primeira, repetindo inúmeras vezes o ato.
Seus olhos chocaram-se com os meus, havia um círculo cinza ao redor das íris negras, me fazendo pensar que talvez ele estivesse tão viciado em meu corpo como eu estava no dele. Parando de se mover, Sasuke segurou meu rosto com as duas mãos, beijando-me de forma casta enquanto o seu líquido quente me invadia. Contrai minha barriga em prazer, sentindo sua língua se enrolar com a minha. Meu corpo escorregou até o chão, me deixando sentada sobre ele. Postou suas mãos no meu quadril, ele mesmo me movia sobre seu corpo, prendendo seu cabelo em meus dedos, puxando-o para mais perto de mim, deixei que o calor do clímax me preenche-se, e estranhamente o mesmo aconteceu com o moreno.
Arfante, cansada e relaxada pelo esforço físico, deixei que ele beijasse meu pescoço e ensaboasse minhas costas. Fechei os olhos, engolindo um bocejo e um sorriso de satisfação. De um jeito peculiar, cochilei, com o rosto escondido na curva de seu pescoço, me sentindo em paz ao receber suas carícias e beijos. Sem dúvida era uma forma maravilhosa de passar um tempo fora da realidade. Por mim, as coisas continuariam assim.
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Tomei um gole do cálice de vinho, suave, assim como eu gostava, meus olhos dirigidos por sobre a cabeça dos rapazes que estavam a minha frente, jogados no carpete da suíte-apartamento. Hinata se enrolou mais um pouco no cobertor verde ao meu lado. Eu não conseguia ver o rosto de Sasuke e Naruto, mas eu tinha certeza que cada vez que Hinata suspirava, eles reviravam os olhos. Depois de um filme no estilo CSI, a Hyuuga nos obrigou a olhar um de seus filmes preferidos. Que no caso seria Romeu e Julieta. Eu já tinha todas as cenas e falas decoradas, então só mantive meus olhos na tela LCD, sem dizer nada.
Fazia alguns dias que estávamos hospedados naquele hotel, parecia um sonho em meio a uma guerra mundial. Na única vez que me prestei a abrir minha caixa de e-mails, vi as inúmeras noticias sobre nós quatro, e como mostrar ao mundo o que os herdeiros das empresas H&U realmente são, só fez cair às ações no mercado internacional. O mais engraçado de tudo foi o e-mail de Karin, perguntando se eu estava bem e dizendo que as reportagens e críticas eram motivos de pura inveja. Pelos deuses, poderia existir maior falsidade? Eu só me prestei a responder o e-mail que Itachi me mandara, lhe informei que todos estavam bem e que estávamos tentando nos esconder do mundo por enquanto.
"A morte que sugou o mel de teu hálito..."
- "Não teve forças para bulir com a beleza de tua face." – Recitei a fala de Romeu, fazendo três pares de olhos me encararem. – Vocês não deveriam se impressionar tanto, uma das citações do Frei Lourenço, bem no começo do filme, é a melhor de todas.
- Quem diria Haruno Sakura uma amante dos clássicos. – Hinata caçoou.
- Você não viu nada, Hina-chan. – Naruto disse, escorando a cabeça no colo da namorada. – Sakura-chan conhece todos os romances que você pode imaginar.
- Sério? – Perguntou surpresa. – Nunca imaginei que alguém que gostasse de romance jamais acreditaria no amor.
- Hyuuga, Hyuuga. – Balancei a cabeça, bebericando o vinho logo depois. – A vida é a melhor escola que existe, e ela te ensina muito bem que romances com final feliz e amor eterno só existem nos livros.
- Não diga isso Sakura-chan. - Hinata falou decepcionada. – Você só fala isso por que nunca amou antes.
Dei de ombros, ignorando o olhar de canto que Sasuke me direcionou. A morena a minha direita bagunçou os cabelos de Naruto com as mãos, enquanto deixava que lágrimas escorressem pelo seu rosto quando a jovem Julieta enfiou o punhal de Romeu em seu estômago. Era estranho como eu parecia sem qualquer emoção para aquilo, a antiga Sakura estaria derramando litros de água salgada nessa parte. Por favor, Julieta tinha catorze ou quinze anos, e Romeu não passava dos dezessete. É praticamente impossível se amar com essa idade, muito menos se entregar a todo esse drama. No começo do filme Romeu tinha um tombo por outra garota e do nada começou a amar Julieta. Isso tudo me frustrava.
- Hei Naruto, se você quer conquistar minha amiga, de verdade, deveria começar a decorar alguns versos românticos.
- Não precisa, ele já me conquistou. – A morena disse, vermelha com um sorriso doce na face.
O loiro riu, dando um beijo rápido em Hinata.
Quebrando o clima amoroso, um estrondo soou no ar. Fazendo o casal se separar abruptamente quando palmas foram ouvidas, seguidas por uma porta se fechando.
Ali, parados, com os braços cruzados, estavam os homens que mais temíamos ver. Irônico que somente Minato não estivesse presente, o único que nos livraria de problemas não estava aqui para nos salvar. É estávamos com os dias contados.
Sinceramente, nunca cogitei a idéia de ficarmos livres de um castigo, sentença ou como chamavam nos dias de hoje, pena de morte. Revirei os olhos internamente, tomando o resto do líquido em minhas mãos em uma respiração só. Peguei o controle, desligando a televisão e vendo os garotos se colocarem de pé. Eu conseguia distinguir muito bem as expressões faciais de nós quatro. Hinata estava com medo. Naruto queria proteger Hinata e dar uma de herói. Sasuke tentava suprimir sua raiva. E eu... Bem, eu continuava indiferente, de qualquer forma eu pouco me importava com o resultado disso tudo.
- Quando lhes avisei para desaparecem até a poeira baixar, não imaginava que estivessem se divertindo tanto. – Fugaku foi o primeiro a se manifestar, com seu olhar congelante sobre nós.
- Cada um tem um ponto de vista, não é pai? – Sasuke sorria de canto.
- Não seja cínico Sasuke. – O patriarca Uchiha disse.
- Desculpe otou-san, essa jamais foi minha intenção.
Os mais velhos lhe encaravam como se Sasuke fosse uma criança birrenta. Mas Fugaku... Bem, ele estava realmente indignado com o filho, lhe humilhando na frente de seus sócios daquela forma. Eu não sabia muito, me importei pouco com meu primo nos últimos anos, tentava não ficar ligada demais a sua vida, mas sempre me mantinha informada. Karin ao menos teve uma utilidade para mim nesse sentido. Uma vez, no natal passado, se não me engano, Itachi havia me dito que seu otouto mal parava em casa. Pelo que entendi Sasuke só colocava os pés em casa para tomar banho e dormir, nem fazia questão de fazer as refeições na mansão. O menino perfeito tinha se perdido completamente com o tempo.
- Sentem-se. – Hiashi falou, vendo que Fugaku não tinha um bom controle da situação.
Hinata se sentou mais uma vez ao meu lado, tendo Naruto segurando sua mão direita na ponta do sofá. Sasuke se escorou no braço do móvel, cruzando os braços. Bati levemente no seu joelho, me olhou por milésimos de segundo, encarando seu pai em seguida. Por favor! Aquilo era ridículo, só eu que tinha noção de quanto mais crianças imaturas aparentássemos pior seria nossa situação? Em quase três anos, parecia que eu fui à única dali a amadurecer.
Pelo canto de meu olho vi meu pai analisando as roupas que eu vestia. É... Um samba canção de Sasuke, junto com um moletom dele não me deixava em uma situação muito boa. Papai já deveria ter uma boa idéia do meu antigo relacionamento com seu sobrinho pelas fotos e imagens naquele vídeo, mas ver pessoalmente parecia deixar tudo ressaltado.
- Não estamos mais na idade média, Sakura, Sasuke. – Fugaku disse. – Não é normal primos se relacionarem.
- Então você dormiu mesmo com seu primo, Sakura? – Meu pai estava irritado, com as mãos com juntas cada vez mais brancas em todas as palavras que falava. – Não é possível que...
- Otou-san, esse tipo de assunto é melhor ser conversado em particular. Você não quer lavar roupa suja na frente do resto da família, não é? - Falei, ajeitando minhas pernas sobre o sofá.
Abaixei meus olhos, eu conhecia meu pai bem o bastante para saber que mostrar medo e vergonha em sua frente o fazia sentir no controle da situação. Por mais que este não fosse o caso. Homens, extremamente previsíveis. Creio que Hinata tivesse o mesmo senso que eu, pois ela praticamente tinha feito o mesmo só que desde o momento em que Hiashi tinha colocado os pés no aposento. Se bem que no fundo eu sabia que ela realmente estava envergonhada e se culpando de certo modo.
Touya apenas me respondeu com um leve aceno, se escorando na parede logo depois. Hiashi e Fugaku se entreolharam, estavam pensando em seu próximo passo. Eu só rezava para que Naruto e Sasuke não agissem como crianças imprudentes, apesar disto ser algo bem normal vindo deles.
Internamente eu desejava que colégio interno ou prisão não estivessem na lista de punição que os três homens planejaram para nós.
- Vamos nos focar no ponto principal de tudo isso. – Hiashi disse.
- Queremos saber tudo que estava naquele vídeo. – Fugaku complementou. – Expliquem-nos como fizeram para chegar neste tipo de situação.
Sasuke e eu nos encaramos, fitando Hinata e Naruto logo depois. Por onde eles queriam que começássemos? Não sei muito sobre o casal ao meu lado, mas eu e o Uchiha tínhamos uma lista bem suja.
- O que quer saber especificamente, tio? – Perguntei.
- Sakura. – Fugaku respirou fundo, se agachando em minha frente e segurando minhas mãos entre as suas. – Querida, eu sei tudo que aconteceu, seus motivos para viajar para a Alemanha e a evolução que teve nos últimos anos. Então, eu ficaria realmente grato se me dissesse se você continua...
- Usando drogas? – Sasuke riu em escárnio.
- Isso Sasuke. – O Uchiha mais velho não encarou o mais novo, porém vi como ele ficou irritado com o gesto pela força de suas mãos sobre as minhas.
- Respondendo sua pergunta, tio, não, eu parei com isso há muito tempo. – Soltei meus dedos dentre os seus, puxando o moletom e lhe mostrando a extensão de meu pulso até cotovelo. – Como pode notar, estou limpa. As cicatrizes nem existem mais.
- Fico aliviado. – Quando ele virou o rosto para Hinata, pude ver alguns fios brancos se estendendo por seu coro cabeludo. – E quanto a você criança?
- Nunca usei nada ilícito, Uchiha-san. – A Hyuuga bateu seus indicadores, olhando-lhe nos olhos negros. – Para ser sincera, a única coisa que fiz foi beber um pouco de champanhe com a autorização do meu otou-san.
Levantando-se, Fugaku sorriu o mínimo possível, nem parecia realmente estar sorrindo. Meu pai não demonstrava muito espanto, ele sabia muito bem como eu tinha virado a filha perfeita. E filhas perfeitas não se envolvem com drogas ou qualquer coisa que afetaria de forma negativa os seus pais. Hiashi tinha total controle sobre Hinata, não como já teve um dia, mas ele sabia que sua filha conhecia as conseqüências para todo e qualquer ato.
- Você também usou drogas Sasuke? – Meu pai perguntou, pousando a mão no ombro do sobrinho favorito.
- A pergunta real seria se ele ainda as usa, Touya. – Era impressionante como a face calma de Fugaku se tornara raivosa em um estralar de dedos.
As juntas dos dedos do moreno estavam realmente brancas, Sasuke nunca foi paciente, e até fiquei surpresa por ele não ter explodindo ainda. Todavia seu pai não ajudava muito a melhorar às circunstâncias. Mordendo o lábio, hesitando, pousei minha mão sobre a dele, fazendo com que me encarasse. Foquei meus olhos nos seus, todos cheios de uma raiva assustadora. Tínhamos em comum o fato de sempre querermos a atenção dos nossos progenitores e nunca tê-la recebido. A principal diferença é que eu tinha dado a volta por cima, e Sasuke continuava agindo como uma criança.
Não sei se meu gesto simples obteve algum efeito, mas eu vi aquele fogo demoníaco se apagar de seus olhos. Menos mal. Fitei Hiashi, tentando implorar para meu padrinho que aliviasse a situação.
- Fugaku, menos. – Parecendo entender o que lhe pedia, o Hyuuga falou, ainda me observando. – Foco.
Pai e filho se encaravam, parecia que Fugaku havia recebido sua resposta. Quem cala consente, ao menos isso é o que o ditado diz. Baixei a cabeça, fechando os olhos e negando aos céus. Aquele idiota, não tem ideia do que se chama "auto-preservação". Engoli em seco, querendo esquecer os gritos que se seguiram.
- Você realmente não presta! – Fugaku gritara, perdendo o controle.
Hinata havia soltado um grito desesperado, cobrindo a boca com a mão. Naruto a colocou atrás de seu corpo, enquanto Hiashi se aproximava da filha.
Sasuke se levantava, passando a mão pelo canto dos lábios e limpando um filete de sangue. Uchiha Fugaku tinha lhe deferido um soco, fazendo com que ele caísse do sofá e suas costas se chocassem com o chão frio. Aquilo não era nada, nada bom.
- Seu pirralho insolente! – O pai caminhou rapidamente até o filho, lhe segurando pela gola da camisa e o erguendo do chão. – Emiko estava certa, eu deveria ter te mandado para uma escola militar enquanto podia. Você nunca terá um mínimo de cérebro, e eu sonhando que um dia amadurecesse e se tornasse um homem bem sucedido, como seu irmão.
- Claro sua querida Emiko. – Riu irônico. – Claro pai, ela é tão inteligente. Planejou um assassinato e chantageou uma garota de catorze anos para que não a delatasse, tudo nas suas costas. Assim como ela dá em cima de todos que vivem embaixo do seu teto e você jamais percebeu isso.
Meu coração explodiria se batesse mais forte. Eu sentia todo meu corpo tremer, minha respiração estava ofegante. Sasuke sabia. Eu sentia meus olhos tremerem. Eu quase pude visualizar o sangue, o choro e os gritos depois do tiro. E pensar que Sasuke sabia de tudo. Olhei para Hinata e Naruto logo atrás, confusos. Meu pai e Hiashi pareciam não entender nada enquanto Fugaku dava um terceiro soco no seu filho. Atingindo bem o meio do estômago. Nada melhor que isso para animar um final de tarde de uma quarta-feira!
Pus-me de pé, sendo segurada por meu pai quando tentei me meter entre os dois. Debati-me em seus braços, lutando inutilmente para me soltar. Aquilo estava me irritando! Sasuke deixava Fugaku lhe espancar e sequer reagia! Parecia que ele gostava daquilo, como se quisesse que seu pai jogasse toda sua raiva e ódio sobre ele. Um enorme absurdo!
- Pai faça alguma coisa! – Gritei, sem desviar o rosto para encará-lo. – Eles vão acabar se matando!
- E você vai acabar morrendo caso se meta entre os dois! – Sua voz estava um tanto sufocada, acredito que ele estava ficando sem fôlego. Afinal, papai poderia parecer ter uns trinta, mas estava perto dos cinqüenta.
- Naruto, me ajude. – Hiashi disse.
- Hai.
Senti-me só um pouco mais calma, vendo os dois correrem pelo pequeno espaço tentando persuadir Fugaku a parar de espancar o filho. Mas parecia inútil, homens se tornavam monstros quando estavam furiosos. Eu sabia bem disso, Sasori, meu ex-namorado, era um perfeito exemplo.
Todos os observávamos e, ao mesmo tempo, era como se só os Uchiha estivessem na sala, em uma discussão nova e tão cheia de padrões antigos. Mal conseguia fazer meu corpo reagir, minha mente estava embaralhada e eu não sabia direito o que pensar ou falar. Não queria mais ficar ali, mas também não deixaria Sasuke sozinho. Touya me soltou, quando viu que eu tinha me acalmado.
Respirei fundo, ainda sim continuando a ouvir a discussão dos dois.
- Você não tem futuro! – Fugaku era quem se debatia agora, tentando se desprender de Hiashi e Naruto. – Não passa de um drogado! Você é toda a causa da minha desgraça! Se não fosse por você sua mãe estaria viva!
Ele não podia estar dizendo isso! Não sabia de nada, Sasuke nunca foi o culpado. Eu era a culpada. Abaixei-me passando a mão pelo rosto ferido do Uchiha, notando os danos e imaginando por quanto tempo estariam ali, no seu semblante perfeito. Com os olhos encharcados de lágrimas, segurei seu rosto, obrigando-o a me encarar. Eu sabia que se caso ele continuasse daquele jeito analisando seu pai, acabaria se martirizando por dentro.
- Por favor, olhe para mim. – Falei com o sussurro de voz que tinha. – Sasuke-kun, vamos para o quarto. Não o escute, você sabe que não é verdade!
- Sasuke, escute a Sakura-chan, vá com ela. – Naruto disse, segurando tio Fugaku, cujo último mais parecia uma besta raivosa do que um ser humano normal. – É melhor para vocês se acalmarem, 'tebbayo.
Seus membros se moveram rápido e habilidosamente. Parecia não ligar para mim, ali do seu lado, desprendeu-se de mim e saiu andando com a sensualidade de um gato até a porta bem à sua frente. Estremeci, ficando de pé da forma mais ligeira que pude. O segui, como sempre fiz, fazendo o possível para ignorar os resmungos raivosos atrás de mim.
Sasuke pareceu não notar que eu estava dois passos atrás dele, mas, de qualquer forma, deixou a porta do aposento aberta para que eu entrasse. Fechei o objeto de madeira, me escorando neste com minhas mãos juntas nas costas.
Ele socou a primeira parede que viu, descontando toda sua raiva e agonia com força, ao invés de lágrimas. Havia ido até sua calça jogada sobre a poltrona de couro, tateando os bolsos. Quando encontrou o cigarro e o isqueiro que queria, abriu o frigobar carregando uma garrafa de Jack Daniels consigo. Não era uma noite estrelada, eu não estava em casa, mas, sem dúvida, tudo isso parece o caos que eu sempre vivi.
Sasuke estava lá fora, com o cigarro aceso na boca, apreciando o gosto mentolado. Era engraçado que aquelas pequenas coisas não mudavam. Durante todo o tempo em que estivemos aqui não o vi fumar por uma vez, e agora isso. Eu não fumava mais, contudo, o prazer deveria continuar o mesmo. O alívio que a nicotina trazia ao corpo fazia os músculos relaxarem, poderia até tirar algum peso da mente, mas o efeito durava pouco. Parecia um dejà vú. Soprando a fumaça para fora do corpo, bebeu um gole do uísque escorando-se na parede de pedra e fechando os olhos.
Em passos lentos, fui até o sofá verde musgo onde ele estava sentado, me pondo ao seu lado. Puxei minhas pernas para cima do móvel, cruzando-as. Não disse nada, não havia o que dizer. Pelo que eu o conhecia palavras de conforto só piorariam a situação. Passei as mãos sobre o rosto tentando me acalmar.
Ah, eu sabia muito bem o que o cara ao meu lado estava sentindo. Ódio. Raiva. Rancor. Tristeza. Autoflagelo. Mágoa. A lista era bem grande. Quando cheguei a meu pai, no final de junho de 2005, caso não me engano, eu lhe disse tudo, tudo que eu fazia, como queria me livrar disso, o que fiz em Veneza. Tudo. Seus olhos me encararam com choque por uma fração de segundo, depois ele tinha vindo até mim e puxado às mangas do meu casaco para cima, se deparando com vários tipos de cicatrizes. Ele deveria estar se perguntando, antes disso, porque eu usava casacos na estação mais quente do ano, e acabou por descobrir sua resposta.
Lembro que depois ele se sentou em uma poltrona qualquer do seu escritório e escondeu o rosto entre as mãos. Eu estava chorando desesperadamente. A agonia em meu peito era maior do que eu era capaz de suportar. Tinha caído de joelhos na sua frente, tirando as mãos de sua face e as segurando o mais forte que eu pude. As únicas palavras que saiam da minha boca eram "Me perdoe" e seu olhar distante só fazia com que eu me sentisse pior. Para bem ou mal eu mudei muito depois daquele dia. Depois de anos tinha abraçado meu pai.
Só que, com Sasuke, as coisas eram bem diferentes. Por mais que Touya fosse filho da puta quando queria, ele tinha respirado fundo e pensado com cautela no meu problema. Eu assumi meus erros, o Uchiha não. Fugaku falou tudo de cabeça quente, eu tinha total certeza que depois ele estaria arrependido, porém nunca se desculparia por isso. Uchiha Sasuke possuía um grande ódio por si mesmo, e sempre se destruía. Eu sabia bem que seu ego enorme era apenas uma fachada, e quando ele estava sozinho se prendia aos pesadelos em sua mente. Eu nunca fui capaz de entender corretamente a razão disso.
Passei os dedos pelo rabo de cavalo onde meus cabelos estavam presos. Virando-me para encarar Sasuke. Ele continuava do mesmo jeito de antes... Olhos fechados e perdido em pensamentos. Estiquei os dedos, pegando a carteira e tirando um cigarro de dentro.
- Você não vai fumar. – Sua voz soou rouca, desgastada.
- Eu faço isso às vezes, um cigarro não vai acabar com meus pulmões. – Tateei o sofá, a procura do isqueiro.
- Evite que eu me estresse mais rosada – Ele me encarou com olhos neutros. – e largue logo essa porcaria.
- Só se você apagar o seu e me alcançar ouísque.
Sasuke revirou os olhos, ele tinha uma boa ideia de como eu podia ser insistente. Amassou o cigarro contra a mesa de madeira ao seu lado, jogando-o para longe. Ficamos em silêncio, olhando para o quase completo pôr-do-sol. Tomei um gole direto da garrafa, fazendo cara feia ao sentir o gosto forte da bebida. Aquilo parecia melhor em outros tempos.
- Alguma vez na sua vida você pensou em compartilhar o que pensa com alguém? – Perguntei.
- Já.
- Prefiro não saber com quem, mas... Apesar de tudo, eu não bateria com a porta na sua cara, de novo, se me contasse o que acabou de falar para o seu pai.
- Hn. – Revirou os olhos. – Como se fosse adiantar.
- Sou a pessoa menos indicada para falar, porém, se você continuar assim vai acabar sozinho Sasuke-kun. – Murmurei perto de seu ouvido. – E tanto eu quanto você sabemos que seu maior medo é a solidão.
Arregalei os olhos, sentindo suas mãos segurarem meus pulsos, me prendendo com seu corpo contra o sofá. Seus dentes estavam praticamente trincados, naquela posição eu podia ver por dentro da gola da sua camiseta cinza, notando as marcas vermelhas se tornando roxas no abdômen. Fugaku tinha exagerado.
- Você não sabe calar a boca. – Falou ríspido.
- Vou levar isso como um elogio, Uchiha. – Cuspi seu nome. – É uma grande honra ser a única pessoa capaz de te tirar do controle.
- Irritante! – A raiva borbulhava em seus olhos, e apesar das conseqüências, melhor do que ninguém, eu sabia como reprimir emoções podia fazer mal. – Por que não se escondeu atrás do seu pai, como tem feito o tempo todo? Com medo do mundo. É bem mais lógico do que vir atrás de um drogado.
Ri em escárnio.
- Claro, Uchiha, você fala como se fosse tão corajoso. – Ri em sarcasmo. – Caso fosse, teria tido a mínima coragem de ter vindo falar comigo durante todos esses anos, ao invés de se esconder nessa fachada de machão. Você não passa de um FRACO! Mais um idiota preocupado com a casca dura do que em machucar os outros! Você não presta!
É parecia que eu havia perdido as rédeas da situação. A cada palavra dita eu dava um soco em seu peito, apesar de saber que não fazia efeito, e se ele quisesse me impedir, não teria me soltado. Como era possível uma situação se inverter tão rápido? Droga! Eu queria espancá-lo agora!
- Você não disse isso na primeira vez que dormiu comigo. – Crispei os olhos. – Você pode dizer o que quiser Haruno, mas continua sendo mais uma garota mimada apaixonada por mim!
- Crápula. – Lhe dei uma bofetada, deixando um vergão em seu rosto. – Não acredito que te amei um dia, e que ainda por cima a minha primeira vez tenha sido com um troglodita como você! Afastar-me foi a melhor coisa que eu fiz, me distanciei do tipo de pessoa indecorosa como Uchiha Sasuke! Tão fragilizado porque ninguém nunca dá bola para ele! Mas no fundo tão podre como qualquer homem na face da terra!
O empurrei com toda a força que eu tinha! Levantai-me saindo dali. Mordi um lábio, tentando engolir os soluços que insistiam em escapar. Maldito! Aquele infeliz só me fazia chorar. Uma criança que não sabia admitir seus erros, dando uma de revoltado e sequer pensava em crescer e superar isso.
Abri a porta do quarto com força, fazendo-a se chocar contra a parede. Os cinco presentes na sala me olharam surpresos, e nem perdi meu tempo dirigindo minha indignação a eles. Procurei minha bolsa com os olhos, encontrando-a ao lado da televisão LCD. Eu conseguia ouvir passos pesados ao meu encalço, mas me obriguei a ignorá-los. Quando estava chegando perto do sofá, no centro do cômodo, senti meus pulsos sendo cobertos por suas mãos novamente.
- Me solta! – Gritei lhe chutando da melhor forma que pude. – Não tenha a decência de olhar para minha cara novamente! Por mim você pode queimar banhado em óleo e eu não me importo! Só não reclame depois quando a única pessoa que vai ficar do seu lado é a vadia ruiva, você já estourou meu limit-
Meus olhos ficaram esbugalhados, sentindo sua boca sobre a minha. Filho da puta. Acha que isso ia conseguir me distrair. Como se eu me importasse com isso ou o fato das pessoas presentes. Ergui o joelho, acertando seu membro com toda a força que eu tinha.
- Fiquei longe de mim! – Berrei, vendo-o encolhido no chão. Dei as costas, me voltando para meu pai. – Por favor, vamos para casa.
- Ah você não vai! – Sasuke disse parando em minha frente. – Agora vai ouvir!
- Eu não quero ouvir nada que saia dessa sua maldita boca. – Naquele momento minhas mãos tremiam e eu via tudo vermelho. – Me deixe em paz!
- Você fala de coragem, mas não se esqueça que foi você quem fugiu, não eu. – Sua voz era fria.
- Cale-se Sasuke. – Fugaku interveio, parecendo ter esquecido a briga que teve há poucos minutos com o filho. – Isso não vai chegar a nada.
- Não se meta. – Ele respondeu, sem desviar os olhos dos meus.
- Acalmem-se. – Hinata falou. – Estão brigando por nada.
- Sabe o que mais me indigna? – Perguntei junto ao choro. – Você não saber nada sobre mim. Caso soubesse nunca diria isso. Pode até se queixar por eu ter dado as costas para você, mas quem fez isso primeiro não fui eu. Você não me conhece, Sasuke.
- Do que está falando? – Não diria que a raiva tinha desaparecido do seu corpo, mas sim se escondera atrás da aflição.
Respirei fundo, deixando minhas mãos caírem ao lado do corpo, minha cabeça pendeu para baixo, escorando-se acidentalmente em seu peito. É... Eu realmente deveria ter me afastado quando pude, não queria ter dado a chance para as memórias entrarem, mas acabou ocorrendo o contrário. Sim, eu sou muito estúpida. Mordi o lábio, fungando. Suas mãos seguraram meus ombros, e eu senti quando ele travou, lembrando de algo.
- Você não...?
- Sim. Eu vi. – Dei um passo para trás. – Foi ai que eu notei que era só mais uma, minha vida tinha que mudar, e você com toda certeza teria que estar fora dela.
Ele nada disse, me olhando e tentando decifrar-me, sabia que era impossível agora. Distanciei-me, pegando minha bolsa e não ligando por estar de pés descalços. Fiz o máximo que pude para conter os soluços, mordendo meu lábio até sentir o gosto de sangue na boca. Cutuquei meu pai. Saindo as pressas do recinto, com Touya logo atrás de mim.
Descia as escadas, degrau por degrau, sentindo o piso frio em meus pés, preferia estar em movimento do quê pegar um elevador e ter que esperar quieta. Só almejava que a viagem de carro fosse rápida, o que eu mais queria era tomar um banho e me livrar do odor dele em meu corpo, me jogar na cama e rezar para ter uma noite sem sonhos.
É... Eu sem dúvida odiava relembrar o passado.
...
Chegando a casa, agradeci mentalmente por meu pai ter ligado o rádio do carro e não ter proferido nenhuma palavra durante o percurso. Ele tinha respeitado o meu silêncio, e eu realmente me sentia grata por isso.
Ele apertou o botão da esquerda no controle, abrindo o portão da garagem. Logo que estacionou sua BMW preta, me retirei do carro. Indo a passos rápidos até a porta. Girei a maçaneta, e entrei, me deparando com Akane sentada em uma poltrona da sala de estar, a única que dava uma visão da porta da frente. Creio que quando ela escutou o som do trinque, levantou a cabeça, correndo em minha direção.
- Meu Deus, Sakura, o que aconteceu?
Joguei-me em seus braços, deixando as lágrimas que vinha segurando durante todo o caminho escorrem por meus olhos. Droga! Eu me sentia tão estúpida! Eu já tinha dezessete anos e chorava como uma criança. Onde estava à mulher forte que eu sempre aleguei ser?
Okaa-san envolveu seus braços ao meu redor, tínhamos mais ou menos a mesma altura, por isso, descansei minha cabeça em seu ombro. Akane dava leves tapas em minhas costas, eu sabia que ela encarava meu pai pedindo uma resposta.
- Ela brigou com Sasuke. – Touya falou, afagando minha cabeça de leve. – Hei Sakura, pare de chorar, você sabe que não vai adiantar muita coisa. Caso queira chorar, ao menos chore por algo que valha a pena.
- Seu pai está certo, vamos, eu vou pedir para que preparem algo para você comer. – A morena sussurrou em meu ouvido.
Passei as costas das mãos no rosto, tentando, inutilmente me livrar da água salgada. Ela me puxou pela mão, sentando-se em cima do tapete da sala. Juntei-me a ela, deitando a cabeça em seu colo.
Três anos atrás, para ser exata, no dia 5 de junho de 2005, eu tinha brigado com meu pai, Sasuke me convidara para ir à casa de campo com ele, houve uma festa naquele dia. Dessa festa que surgiram as gravações mostradas no último evento das empresas H&U. Eu estava realmente estressada, dançar, beber, fumar, nada disso tinha me adiantado, então Uchiha Sasuke e eu começamos a nos amassar. O resultado disso foi à perda da única coisa pura que me restava.
Quando acordei na manhã seguinte, me sentindo realmente feliz, não sei, naquela época eu era uma menina boba e apaixonada, eu esperava receber um "eu te amo", ou algo do tipo clichê. Mas ao contrário disso, encontrei Ino no corredor, lhe contei o que tinha acontecido. Apesar de me sentir uma vaca, porque, naquele tempo, Tenten era namorada de Sasuke, mesmo sendo um relacionamento aberto. Ino tinha rido, e juntas caminhamos até a cozinha. Lá me deparei com a coisa que mais me magoou.
- Aquele não é o Sasuke... Beijando a Karin? – A loira falou com raiva e surpresa, olhando para mim sem saber o que fazer.
Mas ele não estava só a beijando, sua calça estava nos joelhos, e pelos gritos da vadia ruiva, eu tinha uma ótima idéia do que ali acontecia. Dei as costas, mal agüentava a dor no peito. Havia me vestido, saído sem que ninguém percebesse, nos dias que se seguiram fiz cortes profundos nos pulsos, claro, antes tinha cheirado muita cocaína, tendo uma overdose como resultado. A minha sorte foi que uma das empregadas me encontrou no banheiro, quando levava toalhas limpas para lá.
Sabe, foi um tempo difícil, porque eu tinha descoberto diversas coisas ruins sobre a minha família, e isso tinha me atingido de uma forma muito assustadora. No hospital, meus pais me olhavam com tanta decepção que eu mesma havia lhes implorado para ir para alguma clínica de reabilitação. Nessas horas você realmente vê aqueles que estão do seu lado, acho que foi uma das poucas vezes que meus pais me apoiaram, ali me consolando e me xingando ao mesmo tempo. Só que eu nunca lhes contei a verdade por inteiro ou o motivo daquilo.
Saí do país. Tsunade e eu ficamos morando no apartamento do papai em Munique. Lá pratiquei todo tipo de esporte, e fiquei até começo de setembro. Quando voltei a Tóquio, a Sakura de antes, não existia mais, ignorei todos aqueles que, de alguma forma, tinham ligação com meu antigo vício.
Foi bom para mim, nos últimos anos, eu fui uma Sakura sem dor, que se divertia como ela bem quisesse, sem se auto-prejudicar. Mas agora, sem motivo aparente, eu fui idiota o suficiente para me entrelaçar ao passado. Porém, eu faria de tudo para que as coisas não se repetissem.
- Quer falar sobre o que aconteceu? – Mamãe perguntou.
- Agora, não. – Sorri fracamente, lembrando de algo. – Eu vou ganhar um irmão?
- Como você sabe? – Vi curiosidade brilhar nos seus olhos negros, parecia que ela ficou um pouco contente por ter desviado meus pensamentos de Sasuke. – Foi seu pai não foi? Eu disse para ele manter segredo até termos certeza, mas pelo jeito não conseguiu se conter.
- Ele não me disse nada, eu vi a mão dele na sua barriga e deduzi tudo sozinha. – Dei de ombros.
- E está contente com isso Sakura?
- Para dizer a verdade, no começo não gostei muito. – Falei. – Mas agora a idéia parece bem agradável.
- Fico feliz. – Ela tirou alguns fios de cabelo do meu rosto. – Sei que não estive muito presente na sua vida filha e, como lhe disse dias atrás, o que eu mais quero agora é recompensar o tempo perdido. Você me dá essa chance?
- Dou. – A abracei, me sentindo confortável em seus braços.
- Não gosto de criticar ninguém criança, mas você está se escondendo do mundo. Por acaso já prestou atenção nisso? – Neguei com a cabeça. – Tente se abrir, se quiser eu estarei aqui para isso, mas não se feche de novo. Eu já fiz isso, Sakura, e sei como é bom não ser atingida pela dor, porém isso só te faz mal.
- Eu sei.
Ela mordeu o lábio hesitante, talvez medindo suas palavras, eu não tinha certeza sobre isso. Enrolou seus cabelos e os jogou por trás dos ombros, me olhando com um brilho novo nos olhos.
- Mãe, diga de uma vez.
- Ok! – Riu, juntando as mãos. – Eu sei o que vem acontecendo com você, e o que sentia por Sasuke no passado, como se magoou... Quando você estava no hospital, depois daquele incidente, eu passei à noite lá, e você ficava sonhando com aquilo, a palavra que mais dizia durante o sono era o nome dele.
- Por que nunca me disse isso?
- Jamais teve muita importância. – Se justificou. – O que quero dizer com isso, é que, talvez na época ele não possuísse noção que você gostava dele. Não ignore o garoto de novo por causa disso.
- E o que quer que eu faça? – Disse um pouco irritada. – Que pule no seu colo ignorando todo o passado?
- Não. – Falou séria. – O que quero que entenda, é que não conseguimos seguir em frente se ficarmos agarradas ao passado. A vida continua e é isso que você tem que aprender.
To Be Continued...
N/a:
Minhas gatinhas, digam-me, o que acharam do capitulo? Sério, eu trabalhei nele para caralho, espero que receba aspectos positivos.
Well, eu realmente sinto muito com o atraso, eu tive um motivo de merda para atrasar, o que aconteceu foi que a anta aqui deixou o note dela cair no chão, e o HD travou, o resultado é que eu tenho que mandar ele para a assistência, e vai demorar cerca de um mês para chegar. ¬¬"
Bom, eu to usando o PC pré-histórico aqui de casa, o problema é que ele não tem mouse, e eu to fazendo o possível para conseguir atualizar.
Parece que vocês descobriram nesse capitulo um dos motivos fundamentais para a Sakura ter se tornado uma pessoa fechada para o mundo, mas tenho que dizer, existem muitas coisas há mais por trás disso. Alemanha e Itália, pelo visto a Haruno gosta de dar a volta ao mundo.
Como a maioria de vocês pediu, dizendo que preferiam que eu demorasse um pouco e deixar os capítulos mais longos e bem estruturados, aqui está... Eu até teria escrito mais do que 10 páginas, mas achei que tinha que deixar emoção para o próximo capitulo também. ;p
Se vocês quiserem ariscar, chutar, palpitar por review as opções sobre o distanciamento da Sakura, e entre outras coisas da fic, fiquem a vontade. Kkk' Gatinhas minhas, eu ando realmente empolgada com a fic nos últimos tempos, é provável, se houver no mínimo 15 review nesse capitulo, que eu poste na próxima semana, ou até nessa. Gente eu fiquei apavorada com o número de acessos aqui. Sério, vocês são cruéis kkk'
Bom, por hoje é só.
Reviews respondidas por MP, e as anônimas aqui em baixo.
Beijos
Sami
Reviews:
Alice C. Uchiha: Pior gatinha, acho que essa era a única fic minha que você não tinha lido ainda, acho que tem pelo menos um comentário seu em cada uma delas. :x kk' Bom Eu realmente fico feliz que você tenha gostado, essa fic está sendo o maior desafio para mim, totalmente fora dos meus padrões. Realmente espero que você tenha gostado desse capitulo viiiu!
N/b:
OMG! Muita tensão no ar nesse capítulo... humm, fui só eu ou vocês também perceberam sutis mudanças de comportamento do Sasuke quando está com a Sakura, ou que ele tenta mantê-la longe das drogas? Alguém tem um palpite do que isso significa? Rsrsrsrs
Ai tadinha da Sakura, se apaixona, se "entrega" para o cara que ama e no outro dia o vê com o pior tipo de "vagaba" que existe...realmente horrível, ainda mais na fase que a garota vivia!
Mandem reviews com opiniões, sugestões e palpites...Isso ajuda a motivar a autora e capítulos vem mais rápidos!
Beijos
Bella
