Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

...

Capítulo Treze

...

Garota Ironia

...

Não é só colocar um par de brincos de diamantes e andar sobre um salto agulha. Não. Para você ser alguém no meu mundo, além de criar tendências tem que estar sobre um pedestal que nunca irá cair. Tome cuidado quando os tanques de guerra chegarem, afinal, é só mais um ano escolar dando início.

...

1° de Agosto de 2008

...

Fitei levemente o anel em meu dedo, o solitário de ouro com uma pedra cor-de-rosa no centro. Respirei fundo me preparando para o transtorno que aconteceria dali a alguns segundos. A porta do carro foi aberta, dois seguranças saíram, peguei minha bolsa preta, uma das minhas favoritas da Chanel, só para dar sorte. Coloquei meus pés para fora, dei uma leve olhada na sapatilha de bolinhas pretas e brancas, segurando a mão de um dos homens do meu pai logo depois.

- Haruno Sakura!

- Sakura!

- Senhorita Haruno! O que tem a dizer sobre seu romance com seu primo, Uchiha Sasuke?

- Sakura! Sakura! Itachi ficou com ciúmes, pelo seu envolvimento com o irmão?

- Seus pais admitem o seu novo relacionamento? É uma tática de negócios?

- Haruno? Quais são seus planos para o futuro? É verdade que você teve um caso com uma modelo francesa?

Ajeitei os óculos escuros, continuando a andar como se aquele bando de gente não estivesse a minha volta. Um pé na frente do outro, cabeça erguida e postura correta. Ah meu bem, aquilo daria muito o que falar. E não era uma modelo francesa, mas sim uma atriz nova-iorquina.

Fora a mídia ao redor da escola, havia uma porção de alunos, em maioria calouros. Podia reconhecer rostos novos, alguns que eu já havia visto em festas, mas nenhum que realmente chamasse minha atenção. Pênis e vaginas novas, interessante, talvez eu voltasse a deixar meu lado bissexual ativo. Sorri internamente.

A escola continuava a mesma, construída com tijolos acinzentados, dando a impressão que se estava adentrando em um castelo moderno. Bancos de madeira espalhados pelo pátio enorme, cujo era cheio de árvores frutíferas, uma praça para as crianças do primário brincarem bem à esquerda. Mais de uma dúzia de postes de luz, para dias escuros, o que não era o caso de hoje. Trepadeiras envolvendo a parede direita do prédio central. Tudo normal.

Tirei o ipod do bolso da saia, passando a música. Bad Reputation – Joan Jett. É, isso combina perfeitamente com meu estado social no momento. Porque eu não ligo para minha má reputação. Sussurrei com a cantora, subindo os degraus da entrada da escola.

Agradeci pelos óculos, ninguém podia ver meus olhos serrados através destes. Crápula. Parado na porta da escola, com as mãos nos bolsos e pérolas negras fixas em mim. Ouvi altas exclamações as minhas costas. Eles realmente pensavam que eu estava correndo para os braços dele? Eu não me rebaixava aquele ponto. Quando fiquei com um passo de distância do moreno, desviei de seu corpo, empurrando a porta de vidro.

- Bom, acho que por agora estão dispensados rapazes. – Sorri, tirando os óculos.

- Está entregue, senhorita Haruno. – Um dos seguranças disse. – Qualquer coisa, já sabe o que fazer.

Acenei enquanto eles se distanciavam. Chequei meu relógio de pulso, marcava 07h20min AM. As aulas só começavam as oito, mas eu teria uma reunião com Sarutobi-sama neste horário, pelo que tínhamos conversado antes das férias, eu ainda continuaria responsável pelo conselho estudantil. Pelos meus cálculos os alunos seriam chamados ao auditório as 08h30min, onde as apresentações seriam feitas aos novatos e também os anúncios sobre os times esportivos. Tudo ok, e marcado na minha agenda.

- Sakura.

Olhei sobre o ombro para o garoto as minhas costas, ignorando seu cumprimento e seguindo em frente. Garotas suspiravam enquanto o olhavam, sussurros eram ouvidos por todo o corredor. Acelerei o passo, encontrando olhos negros em meu caminho, sorri, abrindo os braços e circulando o pescoço de Sai.

- Haruno, você se superou. – Ele disse me girando, percorrendo meu corpo de forma analítica. – Adorei seu look, graças aos deuses da moda, nada de coisas pretas e rasgadas. Pensei que você tinha decaído.

- Meu bem, depois de namorar um gay bom de cama por dois anos, você aprende a se vestir bem. – Falei, dando uma piscada. – Onde está seu novo namorado? Eu estava pensando em chamar vocês para saírem comigo essa semana. Não sei se você ouviu falar, mas tem um novo restaurante, com uma musse de frutas vermelhas, daquele tipo que você gosta.

- Ótima idéia. – Ele se aproximou do meu ouvido, murmurando só para que eu o escutasse. – Gata, por que diabos você está ignorando o gostosão aí atrás? Depois daquele vídeo eu até cheguei a pensar que vocês estavam tendo um caso.

- É bom saber. – Falei me afastando. – Te explico mais tarde. Agora eu tenho que encontrar alguém.

- Boa sorte. – Riu. – Ah, e Sakura...

- O que? – Perguntei parando de andar.

- Estão todos se questionando qual vai ser o príncipe da Rainha de Gelo esse ano.

- Qual a sua aposta?

- Inuzuka.

- Boa escolha, mas Hana já terminou o colegial.

Continuei a passos largos e delicados, ouvindo os risos sonoros do meu ex-namorado. Rainha de Gelo. Aquele apelido parecia tão confortável agora, eu realmente esperava que ele continuasse da mesma forma até o final do ano letivo. Aquele apelido tinha surgido por eu nunca ter ligado realmente para meus namorados. Sai foi o único, mas ele era meu amigo gay, escondendo sua sexualidade dos pais, geralmente eu convidava o garoto que ele pegava para ir lá para casa. Apesar de gostar de caras, Sai me dava sexo quando eu queria. Uma espécie de amizade colorida. Foi o meu melhor relacionamento, sem dúvida alguma.

Mordi meu lábio, tamborilando os dedos sobre a alça da bolsa. Deus, se eu falasse aquilo soaria tão estranho. Como uma garota poderia dizer que seu melhor relacionamento foi com um gay? Seu melhor amigo gay, mas ainda sim... É eu jamais diria isso em voz alta.

No corredor onde eu estava, havia uma grande quantidade de armários à direita, os banheiros também ficavam daquele lado. Abri a terceira porta a esquerda, depois de ter dado suaves batidas nesta e receber um cansado "entre".

O homem já meio idoso usava um terno azul escuro, riscado de giz. Sua postura estava torta, com os ombros caídos para baixo, o cabelo ralo, sem duvida ele deveria estar bem estressado. Eu tinha uma ótima noção de que Hokage-sama não teve um dia de descanso nessas semanas de férias. Fico imaginando quantas vezes esse velho foi subornado para que revelasse os podres dos alunos desse instituto. O salário, ou a própria fortuna, deveriam ser enormes, a maioria das pessoas sucumbiria ao suborno da imprensa.

- Sempre pontual. – Sarutobi-sama disse baixinho, parecia que ele fazia de tudo para conter um bocejo. – Sakura, falta pelo menos meia hora para nossa reunião.

- Eu sei sensei. – Dei de ombros. – Achei que seria melhor agora, pelo e-mail que me mandou, imaginei que desejasse que eu estivesse na palestra. Também vim pegar a lista dos novos estudantes, para apresentá-los a escola.

Ele suspirou, tirando os óculos e apertando o local onde se escoravam no seu nariz. Deus, ele deveria se aposentar! Tinha setenta e poucos anos e continua firme no cargo de diretor. Tudo bem que aquela escola pertencia a sua família, mas ele já tinha um filho bem crescido, capaz de administrar os negócios. Tudo bem que nos últimos anos eu tinha tirado um peso enorme da suas costas, o ajudando não só com as funções do conselho estudantil como sendo praticamente sua assistente. Eu falei sério ao otou-san quando disse que queria crescer e adquirir responsabilidades. Mas apesar da minha ajuda, eu tinha conhecimento do quanto Sarutobi trabalhava.

- Quer que eu faça um chá? – Perguntei.

- Café, bem forte de preferência.

Sorri, levantando-me e caminhando até a cafeteira. Era engraçado o fato daquilo se tornar o caos quando eu estava fora. Havia papéis espalhados por toda a mesa, xícaras sujas ao lado, no balcão onde ficava uma pequena pia. Depois que liguei o aparelho, agachei-me, retirando meia dúzia de pastas de dentro da pequena estante. As depositei em cima de uma cadeira, começando a separar os documentos próximos a mim.

...

Caminhei pelo corredor entre os acentos do auditório, ao lado do diretor com alguns professores ao meu redor. Ao olhar para o lado vi centenas de cabeças nos fitando, algo normal ao se dar início a um ano escolar. No meio das cadeiras notei Hinata me olhando um pouco triste, ao seu lado Naruto e Sasuke. Os três me fitavam. Acenei com a cabeça para a Hyuuga, continuando o percurso até o palco de madeira.

- Bom dia e bem vindos a Konoha High, eu sou Sarutobi seu diretor. – Disse, parecendo um pouco mais acordado. – Creio que não é necessário lhes avisar o que devem ou não devem fazer, isso será alertado na primeira aula do dia e caso não notaram, há um folheto com as regras em cada acento. Lamento ter que sair às pressas hoje, mas como a maioria de você já deve saber, mal tenho tempo para aparecer nos corredores. Deixarei que Haruno Sakura, presidente do conselho estudantil, lhes informe sobre o resto.

Um mês atrás eu não temeria esse momento, não que esteja o fazendo agora, mas eu sabia que essa vez seria totalmente diferente da última. Levantei-me, ao mesmo tempo em que Sarutobi descia a pequena escada e ia em direção a porta de saída. Os murmúrios eram um tanto altos, e eu tinha uma ótima idéia do que se tratava. Realmente esperava que o mundo esquecesse a maldita fofoca antes de eu ir para Harvard.

- Sinto muito pelo diretor Sarutobi, mas quando ele diz que está ocupado, acreditem em mim, ele realmente está ocupado. – Comecei a falar ouvindo as vozes se acalmarem. - Minha função aqui, é representar o comitê estudantil e lhes falar sobre extraclasses que são obrigados a fazer. Nessa instituição existe uma soma um pouco diferente das notas. Dez pontos serão somados a cada matéria, essa nota virá das suas extraclasses, tudo o que fizerem nessa escola será avaliado. Garanto-lhes isso. É, principalmente, com esse sistema que a escola garante que quando saírem daqui adentrarão nas melhores universidades do mundo.

Ah, eu realmente adoro os olhos arregalados dos novatos, bolsistas ou não. Geralmente os pais colocavam os filhos nessa escola para garantir que eles ganhassem disciplina e amadurecessem. Isso não acontecia com todos, mas cerca de oitenta e nove por cento se saía bem. Para se ter uma idéia, notas baixas na escola, equivaliam a oito e meio de dez, eram poucos que tiravam dez em tudo, eu fazia parte desse grupo, mas a média por aluno era 9,2. Admito que meu primeiro ano de volta pareceu-me puxado, mas eu adquiri ótimas notas no final do semestre.

- Em nosso grupo de atividades e cursos, temos administração, culinária, engenharia, computação, inglês, espanhol, francês, alemão, todos os esportes que possam imaginar. Além disso, existem clubes, como quiserem chamar, de xadrez, literatura... Acreditem a lista é bem longa. Alguma pergunta? – Uma dúzia de mãos se levantou, apontei para um garoto pequeno e rechonchudo que parecia pertencer ao primeiro ano. – Você

- Quando são as férias? – Risos se seguiram.

- Bom, nossa avaliação é por semestre, depois de diversas discussões sobre o assunto foi decidido que a cada fim de semestre haveria dois meses de férias ou duas semanas. Dessa forma alunos novos teriam que esperar apenas cinco meses para ingressarem em outra turma. Digamos assim, duas semanas atrás foi o fechamento de um semestre. Depois de dois semestres se conclui cada ano. Existem alguns casos que o aluno consegue se adiantar e pula um semestre. Depois de dezembro são dois meses de pausa, e duas semanas no final de julho.

- Isso é difícil de ocorrer, Haruno-san? – Uma menina esguia e tímida perguntou. – Digo, pular um semestre.

- Se você estudar bastante, não. – Lhe respondi. – Por motivos pessoais eu acabei perdendo metade de um semestre, quando voltei à escola me dediquei e fui capaz de superar minha antiga turma. Eu tenho dezessete anos e estou no último ano, sendo que a maioria com minha idade está no penúltimo. Mais alguma pergunta?

Eu me sentia um pouco mais calma, todas aquelas perguntas eram padrão para o começo do semestre, nada incômodo foi dito ainda. Ao dar uma olhada sobre o ombro, vi todos os professores sentados em uma enorme mesa de vidro, cada um com um caderno de anotações sobre suas novas turmas. Os treinadores analisavam calmamente cada rosto a procura de um novo campeão.

Por um momento deixei que meus olhos caíssem sobre o cara que me fitava, sentado na terceira carreira de cadeiras. Coloquei um cacho atrás da orelha, voltando a olhar para o auditório em si. Foco Sakura! Ignore o fato dele ter te beijado na frente da sua família, te xingado e ignorado pelo resto da semana. Como se nada tivesse acontecido.

- Haruno?

-Desculpe? – Passei a mãos pelos cabelos, focando em uma garota morena, de olhos verdes curiosos. – O que deseja saber?

- Onde eu me inscrevo para entrar em algum dos grupos que você citou?

- Em cada prédio existe um grande mural vermelho, nele há vários avisos, lá estarão desde já às fichas de matrícula com horário e data para se apresentar ao encarregado de cada curso ou grupo.

Vi uma grande movimentação do lado esquerdo, respirei fundo, segurando-me para não revirar os olhos. Mantive a postura, vendo Karin e Tayuya entrando no local. Elas estavam atrasadas, e para melhorar sua situação faziam um barulho estrondoso. Algo que realmente me indigna é o fato de Tayuya ter feito toda aquela cena no hospital quando Naruto estava internado e agora esquecer totalmente a morte da irmã. Dei uma olhada de esguelha para Kurenai, professora de matemática e técnica das líderes de torcida. Ela se levantou, mostrando sua barriga de grávida e indo até o microfone ao meu lado.

- Karin, Tayuya estão dispensadas do treino pelo resto da semana. – Falou em tom de ordem. – E se não sentarem e calarem a maldita boca agora, irão ser expulsas da equipe. O que acham da ideia?

Silêncio. Aquela mulher parecia um demônio quando estava irritada, e todos sabiam que isso só piorara com sua gravidez. Eu tinha pena do professor Asuma, a cada dia ele deveria se arrepender mais por seu esperma ter se infiltrado no útero da morena.

- Pode continuar Sakura.

- Obrigada. – Agradeci. – Alguém tem mais perguntas?

Silêncio...

- Você saiu do país por que Uchiha Sasuke quebrou seu coração?

Virei meu rosto rapidamente para a morena sorridente encostada na parede ao fundo. Ri em escárnio, eu não deixaria a fachada cair. Ah de jeito nenhum, ou não me chamava Haruno Sakura. Cruzei os braços, dando a minha melhor analisada na novata. Ela parecia ser mais velha que eu, uns dois anos talvez, o que me fez questionar o que ela fazia aqui. Seu cabelo era longo, com um laço o prendendo bem na ponta. É... Ela era do tipo vadia.

- Não lhe devo satisfações sobre minha vida pessoal, mas – Enrolei meus cabelos, o jogando sobre o ombro. – caso você conheça meu apelido nessa escola, saberá que isso não é verdade.

Eu tinha certeza que não sairia daquela sala sem um questionamento daqueles, sem dúvida. Deveria me agradecer por todos esses anos de treino, nas tentativas de esconder as emoções em um estalar de dedos. Era em momentos como aquele que eu desejava que meu pai não aparecesse muito diante das câmeras, minha vida seria bem mais simples se esse fosse o caso.

Virei de costas, me afastando do microfone e sentando-me ao lado de Kakashi-sensei. Ele me olhou, lendo-me. Meu tio me conhecia muito bem, foi graças a ele que eu consegui recuperar o tempo perdido, com toda sua ajuda dentro e fora da escola. Ele também foi o único, a saber, tudo o que tinha ocorrido antes e depois da Alemanha. Estendeu-me sua garrafa d'água, e tomei um gole, apenas para molhar os lábios.

- Rainha de Gelo.

- Como? - Arqueei a sobrancelha.

- Rainha de Gelo. – Sorriu, descruzando os braços. – Conheço você Haruno, e também sei que tipo de pessoa você foi.

Não consegui suprimir as reações, olhos arregalados, boca meio aberta, mãos em punhos. Crispando os olhos lhe analisei, calças militares, babylook preta e lisa, coturnos. A escola jamais admite que se entre daquela forma em seus domínios. Não tinha noção de quem aquela garota era, mas de algo eu tinha certeza: Faria da sua vida um inferno. Ninguém tocava no meu passado. Ele deveria continuar morto, independente das providências que eu tivesse que tomar.

...

A água morna contornava todo meu corpo, meus braços faziam um movimento giratório, um entrando na superfície da água enquanto o outro saía. Minhas pernas se moviam constantemente com a força da minha raiva. Dei uma cambalhota, chutando a parede e retomando o impulso. Não importava o quanto meus músculos doessem, eu continuava, até que meu corpo travasse de tão cansado. Era impossível descansar enquanto não chegasse até o limite do meu limite, e isso só ocorria quando a irritação era extrema em meu organismo.

Afinal, quem diabos era aquela vadia mal vestida para tentar me atingir no primeiro dia da volta às aulas? O rosto nem a voz me eram familiares, a personalidade longe de ser conhecida. Nenhuma pessoa se atreveu a falar comigo daquela maneira nos últimos sete anos, e aquela moribunda vem me atacar.

Bati a mão na parede pela oitava vez, voltando a fazer o percurso da piscina. Eram cento e cinqüenta metros, setenta e cinco metros de ida e setenta e cinco de volta - um pouco maior que as medidas olímpicas - e eu ainda não tinha começado sequer a me acalmar. Levantei a cabeça por alguns segundos, sugando ar para os meus pulmões e escondendo o rosto novamente na água.

Fingi que o pequeno discurso da morena não existiu, fiquei assistindo os professores se apresentarem e declarar suas funções, ignorando totalmente os murmúrios seguidos sobre Sasuke, a morena e eu. Depois que terminou, fui até meu armário pegando o maiô preto com vermelho e a toca de mesma cor, padrões da escola, e vindo até aqui, matando aula depois de tempos. Não consegui me impedir de fazê-lo.

No meio da décima terceira volta, parei. A piscina tinha um pouco mais de dois metros de profundidade, eu batia meus pés para flutuar na água. Segurei a cabeça, puxando-a levemente até encostar no ombro esquerdo. Fazendo a mesma coisa no sentido contrário não me adiantou muito, me deixou só um pouco mais relaxada. Alonguei os braços também, depois disso, mergulhei mais uma vez.

Ao chegar à borda, praguejei mentalmente por ter deixado a toca se soltar de meus cabelos. Nadei até a escada sentindo meus cabelos grudarem nas costas, com pequenos cachos se formando. Logo teria que cortá-lo, apesar de gostar do comprimento, estava quase alcançando o final das costas. Olhei o relógio de pulso, vendo que já passava das dez e meia, até o intervalo tinha terminado e eu continuava na água, submissa em pensamentos. Peguei a toalha sobre um dos bancos, torci um pouco do meu cabelo e envolvi o tecido de algodão ao redor do meu corpo. Continuando com os olhos fixos na piscina.

- Seu nado melhorou bastante, é irônico que a única equipe que você não entrou foi a de natação. Talvez porque eu faça parte dela.

Não mexi a cabeça, apenas deixei que meus olhos o acompanhassem por alguns segundos. Suspirei, ouvindo seus passos e o peso de seu corpo fazendo o banco de madeira estalar. Ele não disse nada, seus cotovelos apoiados nos joelhos, e da mesma forma o rosto escorado nas mãos cruzadas. Havíamos passado por tanto e parecia que continuávamos na estaca zero. As posições estavam invertidas, ele foi o primeiro a falar e eu me mantive quieta.

- O que quer Uchiha? – Murmurei, me encolhendo dentro da toalha já molhada.

- Meu pai – O encarei, estranhando Sasuke não chamar Fugaku pelo primeiro nome – me disse os motivos da sua ida para Alemanha.

- E quais foram? – Perguntei, tentando descobrir o que ele sabia.

- Segundo ele, você e seu pai brigaram por causa de uma mulher chamada Mai; Você e eu... – Pausou me olhando muito pouco e se voltando para frente. – Você me viu fudendo com a ruiva, e quando voltou para casa seu pai e você discutiram de novo e você gritou na frente da sua mãe sobre as amantes dele.

- É só isso que sabe?

- Não. – Sasuke se virou completamente para mim, seus onixes estavam gélidos. – Você se cortou a noite toda, se injetou e se entupiu de cocaína, fora os remédios que engoliu.

Fiquei em silêncio, a visão sem foco. É, ele sabia de tudo, de uma forma resumida, mas ainda sim sabia. Isso deixou a pessoa mais tagarela do mundo sem fala. Mordi o lábio, passando as mãos pelos cabelos. Não sabia o que lhe dizer, mal era capaz de distinguir o que eu estava sentindo. Era algo ruim, com uma agonia no peito, as mãos tremendos de um frio inexistente, a vontade de chorar, mas não ser capaz de derramar lágrimas, arrependimento... Talvez tudo aquilo sejam características da frustração, eu não possuía muita noção sobre isso.

O silêncio era torturante. Era-me óbvio que eu deveria lhe responder, porém não fui capaz de elaborar uma resposta. Ignorar um fato não significava que ele não tivesse ocorrido, eu descobri isso muito bem quando Sasuke e eu voltamos a nos reaproximar. Eu o odiava por ter chegado perto e feito tudo voltar, ao mesmo tempo em que tinha raiva de mim por não ter resolvido tudo de uma só vez.

Não sei de onde as palavras me surgiram, mas sempre me veio à cabeça que amor e ódio andavam juntos. Um instigando o outro a mudar de lado. Acredito que criei essa perspectiva com minhas próprias experiências de vida. Sentir todos que você ama te decepcionarem e você mesma os decepcionar. Minha vida foi sempre cheia de conflitos, a maioria deles gerados por mim, mamãe, papai... Sasuke. Eu era tão irritante que para chamar a atenção acabava os magoando. Eu sou a errada. Porém, no caso de Sasuke, as coisas não foram bem assim.

- Você me magoou. – Falei em um risco de voz. – Era a única pessoa que não tinha o feito, eu te amava tanto seu imbecil que comecei a te odiar com o tempo. Acho que esse foi o golpe final. Uchiha Sasuke foi quem acendeu o pavio da minha mudança. Meu corpo pode até estar inteiro agora, sem nenhum dano... Mas todas as coisas, você, isso me fez morrer por dentro. Não sou metade da pessoa alegre que fui um dia Sasuke.

Manteve-se calado fitando o vazio. Droga. Sempre guardei isso para mim, sentia um pouco de alívio por ter dito, só não conseguia deixar de me sentir como uma menininha inocente por ter pensado nele todos os dias. Continuar escondendo algo do mundo, algo que o mantém a salvo. Ridículo pensar que toda vez que beijava seu irmão, quando fechava os olhos, o via. Não era algo que fizesse sentido para mim. Algo forte, mas não tão forte para ser amor. Amor não poderia ser assim, se você ama é incapaz de beijar outra pessoa ou ficar com outro. Jamais seria capaz de distinguir isso.

- Eu sei que sou um cafajeste Sakura, mas a rosada que eu conheci nunca decairia, por ninguém. - Ele me olhava esperando tirar algo de mim, só com o gesto de fitar meus olhos verdes. Tirou um cacho de perto do meu rosto, me obriguei a segurar sua mão e, distânciá-lo. Naquele momento eu não queria seu toque ou proximidade. - Sakura, olhe para mim. – Pediu em voz neutra.

- O que quer agora? – Perguntei sem encará-lo, não tinha coragem suficiente para fazê-lo. Era raro ouvi-lo me chamar pelo meu primeiro nome, toda a minha vida ele só me chamava de "rosada", e só nesse dia foi dito duas vezes por sua boca. E o pior, tudo o que disse estava certo.

- Você.

- Acha que é simples assim? – Segurei a toalha com força. – Dar meias respostas e não me dizer nenhum dos motivos, eu não posso pular nos seus braços e ignorar o que você me fez.

- Hn. – Bufou, fitando-me com olhos raivosos. – E o que quer que eu diga? Que não sabia de nada, que pensei que você só me via como um substituto para o Itachi? Que só depois de você ter sumido eu vi o sangue nos lençóis?

- Eu posso ser muitas coisas Sasuke, mas nunca fui a vadia da história. - Falei com os dentes travados, indecorosamente calma. – E só para lhe informar, eu que terminei com seu irmão, não o contrário. Sabe por que estávamos juntos? Por consolo. Itachi gostava de outra garota, e eu... E eu gostava de você.

Respirei fundo, achando que aquela conversa já havia terminado, fiquei de pé, recolhendo minhas coisas. Prendi meu cabelo em um coque, colocando a mochila esportiva sobre o ombro, quando ia abrir a porta do vestiário, estaquei, ouvindo sua voz.

- Você disse que eu fui o primeiro a dar as costas, mas não se esqueça rosada, não é só você que é cheia de mágoas e rancor.

Deixei a mochila cair junto com a toalha e tudo o que eu segurava. Meu cabelo estava quase se desprendendo, os olhos fixos no chão e as mãos tremendo.

Deus! Como eu queria me virar e pular em seus braços, o espancar até pedir perdão! O que eu queria afinal de contas? Quando comecei a me envolver com ele sabia muito bem o que iria acontecer. Nosso estilo era chamado hard rock. Levávamos como lema a vida sem compromisso, relacionamentos abertos, amassos em um dia e no outro era como se nada tivesse acontecido. Como uma bola de neve cheia de amizade colorida. Éramos sempre Sasuke, Ino, Tenten e eu, ficávamos entre nós e nunca foi visto como algo grave por nossa parte! Não era como se fôssemos gritar um para o outro um esplendoroso "eu te amo" e viver felizes para sempre.

Virei meu corpo, escorando-me na parede, com os braços cruzados sobre o peito. O dia estava sendo tão anômalo. Eu não estava sendo a garota apaixonada por Sasuke, a roqueira de anos atrás, muito menos a patricinha nerd que vivia discutindo com ele durante os últimos anos. De modo que as duas versões de mim mostravam-se inexistentes e da mesma forma, dentro de uma intersecção. A ordem em meio ao caos; como li no Símbolo Perdido. Começa a surgir uma pontada de sentido.

O foquei com olhos vazios. A primeira coisa que havia surgido em minha cabeça foi que ele parecia estar me manipulando. Porém eu conhecia-o, quando ele tenta te manipular, você raramente nota isso. Mordi o lábio, esperando que ele me dissesse algo.

Dei um passo em sua direção, ficando alguns centímetros longe do seu rosto. No fundo eu possuía noção de que sentia alguma coisa por ele. Mas agora... Eu não queria me prender a ninguém. Por favor, praticamente minha vida toda fiquei namorando alguém. Itachi, Sai, Sasori, nunca parei para fazer coisas só com minhas amigas. Aliás, como se eu tivesse alguma amiga que não fosse Hinata. Eu deveria me reorganizar, pensar nitidamente sobre meus atos e que rumo minha vida estava tomando.

Sasuke não estava dizendo que gostava de mim, aos meus olhos ele desejava ter sua antiga amiga irritante de novo. A pessoa que mais o conheceu, apesar de conhecê-lo muito pouco. Eu tinha jurado a mim e ao mundo que havia amadurecido, e esse estava sendo o momento de provar isso. Okaa-san me disse o quanto me apegar demais ao passado fazia mal, e agora era o momento de esquecê-lo.

- Passe lá em casa por volta das seis da tarde. – Falei. – Mamãe vai gostar da sua visita.

Lancei-lhe um pequeno sorriso, dei um beijo estalado na bochecha e continuei meu caminho. Depois de um banho teria que me aprontar para as aulas da tarde. Eu tinha esperanças de estar tomando decisões sábias.

...

- Sakura-chan, o que deu em você? – Hinata perguntou quando me sentei ao seu lado no refeitório. – Você não compareceu a nenhuma das aulas.

- Eu sei, mas eu precisava não pensar em nada. – Dei de ombros, chamando uma garçonete. – Tipo, o dia estava sendo meio tenso, e nesse meio tempo eu acabei conversando um pouco com Sasuke.

Hinata arregalou os olhos, deixando sua cabeça cair de lado. Ri um pouco, dando um leve empurrão em seu ombro. Ela se voltou para o seu pedaço de pizza, dando uma mordida na fatia e bebendo um pouco de coca depois de engolir.

A morena me pareceu tão... não sei... viva. Eu tinha uma boa noção de como as coisas foram complicadas, mas eu estava sendo egoísta e as vendo só por meus olhos. Hinata tinha visto seu namorado levar um tiro e depois Sasame se matou na sua frente. Fora aquela imagem constrangedora onde Naruto e ela estavam apenas com um lençol os cobrindo e a mesma garota aparecer na porta do quarto. De forma alguma era o tipo de lembrança que se gostava de guardar.

Eu a encarava, notando o brilho de seus olhos e o rosa das bochechas. Aquele intervalo estava sendo diferente, Hinata não se reprimia, eu tinha certeza que antes ela queria fugir para os braços do loiro e, agora, ela podia. Pelo que pude ver Hiashi não contestou seu relacionamento com o Uzumaki, afinal, Hinata logo faria dezoito anos, deveria saber que não a controlaria para sempre, por isso fazia seu melhor agora.

- Sakura.

- Sim? – Perguntei, abrindo a garrafa de coca-cola.

- Por que você não me contou o que teve entre você e Sasuke? – Ela se mostrava constrangida ao falar sobre isso. – Digo, você é minha melhor amiga, sempre achei que o mesmo valia para você.

- Você é minha melhor amiga. Eu não sei, acho que tive um desejo voraz de esquecer tudo, como se fosse apenas parte da minha imaginação, não algo que realmente aconteceu. – Mordi o lábio, lhe pedindo desculpas com os olhos.

Eu queria lhe dizer como senti desconfiança do mundo todo, que não era capaz de demonstrar meus sentimentos, nem chorar... Porém achei desnecessário. Agora eu sabia contar nos dedos às pessoas que eu podia contar, e eram mais que uma. Além de Tsunade, havia Hinata, a única que me suportou durante esse tempo todo. Atualmente se eu necessitasse compartilhar algo, seria com ela.

- Prometo te contar tudo quando estivermos sozinhas.

- Todos os detalhes? – Praticamente implorou.

- Todos.

- Maravilha. – Riu suavemente.

Dei mais uma mordida na pizza de frango, passando o resto do almoço com a morena me contando sobre suas primeiras aulas. Quando a interrompi, perguntando sobre a morena no auditório, ela não soube me dizer quem era. Não sabia quem era aquela garota irônica, mas tinha uma boa noção de que, caso eu não tomasse cuidado, ela me meteria em sérios problemas.

To Be Continued...


N/a:

Oiie minhas gatas, como estão?

Bom, eu prometi que quando as reviews viessem iria postar o capítulo. Fiquei um pouco decepcionada porque o numero de acessos, leitores e favoritos era enorme, mas as reviews não chegaram a metade disso. #mimi" Mas como eu vi que um monte de gente que não comentava antes fez isso no capítulo anterior, como agradecimento a todas vocês, tive que postar.

A maioria de vocês se questionaram se o Sasuke sabia que a Sakura era virgem quando dormiu com ela, porque ele foi cafajeste e esses afins. Espero que tenham entendido isso no capítulo. Eu não sei sobre os outros estilos musicais, mas o rock em si tem muitas variantes, e o hard rock é uma delas. É um estilo meio The Runaways, Joan Jett, coisas do tipo. É uma coisa que pode ser pesado, animado, ou com a realidade do mundo. Acho que seria interessante se vocês procurassem sobre isso na internet. E o hard rock tem como lema o amor livre, nada é de ninguém, tudo é de todos, e isso também entra no quesito relacionamento, é claro, se o casal estiver de acordo.

Pois é... Esse capítulo foi mais light, mas ele é só um pouco mais leve pelas coisas que estão por vir. Ah, eu queria que vocês começassem a prestar atenção nas datas, porque no futuro pode ocorrer de eu pular um mês em um capítulo, ou coisas do tipo, isso é para fazer o que eu tenho planejado para história.

Meninas, eu vou pedir com os meus melhores olhos do gato de botas. Por Favor, deixem reviews. Olhem, eu vi que algumas de vocês disseram que tem vergonha de demonstrar a opinião e que acham que eu não vou gostar das suas suposições. Mas, sério, eu amo reviews longas, com tudo que vocês acham que vai acontecer, o que pensam sobre cada parte mostrada, se são contra a favor de cada ação. Realmente, eu amoooooo quando vocês palpitam, e sintam-se livres para isso.

Bom, por hoje é só, e o próximo capitulo só vem junto com as reviews. #run'

Beijos

Sami

N/b:

People! E então o que acharam da tão esperada conversa entre o Sasuke e a Sakura? Eu sou meio suspeita...rsrsrsrs, mas gostei muito da forma como eles agiram...a Sakura está mesmo mostrando amadurecimento, afinal eu acho que no lugar dela daria uma passagem só de ida para o Sasuke conhecer Plutão...rsrsrsrsrsrs... nem um pouco vingativa, né? Rsrsrsrsrs...

Humm, e quem será a menina do auditório? Mandem seus palpites, reviews com opiniões e tudo o mais...sempre são bem-vindas!

Beijos

Bella


Reviews:

Haruno Melonie: Nossa gatinha é super empolgante ler isso LOL, tipo as vezes eu demoro por causa da escola, mas sempre que eu posso eu atualizo, eu geralmente tendo atualizar uma vez por semana, mas nos últimos tempos ando ocupada. E tipo, meu as vezes eu surto na frente do computador como vc. Kk'Muito obrigada pelos elogios, eu não acho minhas fics tudo isso, geralmente tento colocar o que eu tenho em mente ali, é maravilhoso saber que você gostou. Olha eu amo reviews, independente do tamanho, fic avontade em escreve-las viu, não precisa ter vergonha. :p Bom, a Sakura não falou com o Naruto porque ele sempre tava junto do Sasuke, eu pretendo explicar melhor isso nos próximos capitulos. Cara eu ganhei uma fã, que empolgante *-* Bom, espero que tenha gostado desse capitulo e dos próximos.

Rafa: Muito obrigada pelos elogios gatinha, bom aqui ta o capitulo, agora só falta você me contar o que achou dele.