N/a: Prestem atenção nas datas. Sugestão: Coldplay - I'll See You Soon


Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

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Capitulo Quinze

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O "Eu" Perdido

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As coisas não são simplesmente assim, a vida não é a bosta de um conto de fadas onde tudo se encaixa no final. Eu não sou a donzela em perigo, a menininha ingênua da história. Eu não sorrio com facilidade e simplesmente não posso dar as costas para tudo. Escondo metade do que eu sinto, na ânsia de ser forte. Desculpe-me não existe nada que eu possa fazer sobre isso.

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14 de Agosto de 2008

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Mai Smith, a mais bonita australiana que eu já conheci estava parada a minha frente, encarando-me como se eu fosse só mais uma pessoa na rua. Tudo bem que ela só tinha me visto aos meus catorze anos, três anos atrás, mas como não me reconheceria afinal eu tenho cabelo rosa. Isso é mais que notável.

Minha mãe biológica sorriu de canto, ajeitando a bolsa no ombro em um gesto muito mais que familiar. Ela olhou para o carro negro de vidro esfumaçado. Não perdeu dois minutos se focando em mim, em seguida abriu a porta do passageiro, entrando no carro e sumindo da minha vista.

Deus, eu não acreditava no que acabava de ver! Meu coração palpitava tão forte que eu achava que iria explodir e isso não tem nada haver com uma crise apaixonada ou algo do tipo. Era uma sensação ruim. Imagine você vendo depois de tanto tempo a pessoa que destruiu sua vida, além de, é claro, ser a "dita cuja" que fez você se transformar no que mais odiava. Irônico, não? A melhor parte é que deveria ser a pessoa que você mais confia no mundo, mães são para isso afinal. O porto-seguro dos filhos.

Suguei uma lufada de ar, passando as mãos por meus cabelos, praticamente correndo casa adentro. PUTA QUE PARIU! Aquilo não era nada, nada bom. Akane não poderia nem saber que Mai está na cidade, sério, a loira quase destruiu o casamento dos meus pais, DUAS VEZES, uma terceira seria, sem dúvida alguma, o fim.

Não ouvi movimentação na casa, talvez fosse muito cedo para minha mãe acordar, mas eu tinha certeza absoluta que meu pai não estava na cama. Caminhei até a última porta do corredor, abrindo-a. Mordi lábio. Ele não estava lá.

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15 de Agosto de 2008

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Eu estava parada ao lado da enorme árvore, com as mãos nos bolsos do jeans e meus cabelos voando junto com o vento. Meus olhos fechados e a cabeça encostada no tronco marrom, não era a quietude que eu desejava, mas eu estava gostando de ficar sozinha com os meus pensamentos. Com as imagens contínuas surgindo em minha mente, nenhuma muito ligada à outra, aparecendo aleatoriamente diante da minha imaginação. As memórias eram mais que presentes naquele momento.

Esse ano mostrava-se confuso e complicado. Eu não era mais uma criança, tampouco me sentia como uma adolescente. Não surgia ideia alguma sobre como lidar com o fator sentimental, e eu não estou me referindo ao Sasuke, à desordem que ele me trazia não se comparava com o simples olhar da mulher que me colocou no mundo.

Dificilmente eu poderia explicar o que sentia agora com palavras exatas. Por exemplo, eu estava quieta, eu me sentia exausta, com o tipo de cansaço que vem depois de uma noite de choro – e eu não havia derramado uma lágrima sequer. Eu queria ficar sozinha, porém a ânsia de contar isso a alguém estava forte demais no meu peito. Eu não o faria. Uma das coisas que eu aprendi é que segredos só existem de você para você mesmo, caso eu falasse para qualquer pessoa que vi Mai isso, obviamente, cairia nos ouvidos de Akane, de uma forma ou de outra.

Não vi meu pai ontem pelo resto do dia, ou sequer hoje, o único sinal de sua presença era o carro na garagem – ele nunca saía sem ele. Eu almejava gritar, jogar tudo para o alto, ter gritado com Mai mandando ela para o mais longe de todos nós, colocar tudo nas mãos dos meus pais, isso era problema deles não meu, porém não poderia. Estava fora do meu próprio alcance. Não fazia sentido essa coisa de se importar com os outros ter voltado para mim, o pior de tudo é que eu não sabia de onde ela havia vindo!

Tinha também aquela incerteza do caralho! Pois é... Haviam meus pais, Mai (eu me negava a chama-la de mãe), Sasuke e ver todos os meus antigos/atuais amigos usando as mesmas porcarias de sempre. Eu me sentia como a chata da história, com todas essas coisas me preenchendo a mente, mas infelizmente, eu meramente não conseguia desviar delas.

Era por causa da soma de todas essas coisas que eu estava parada na frente dos portões da mansão Uchiha. Diferente do que muitos pensariam, eu não estava ali à procura de Sasuke, ou até mesmo Itachi. Só a lembrança de Mikoto que eu queria. Ela saberia o que fazer agora, ela me aconselharia, beijaria-me a bochecha e perguntaria se eu queria um dos seus famosos brownies de chocolate. Apenas olhando para essa casa, onde ela morreu, eu não conseguia seguir adiante, com os meus problemas fúteis, ou com as minhas tentativas de melhorar meu mau humor.

Eu acendia o isqueiro em minhas mãos meticulosamente, com as lembranças das coisas que eu correria atrás em outra ocasião. Assim como eu tinha dito para o Sasuke, a vontade degradante de cair nas drogas estava me atingindo, insuportavelmente. Olhar para o fogo tintilando me fazia pensar não só nos meus problemas, mas também me freava sobre decair. A pessoa que eu havia me tornado – quem quer que ela seja – jamais recorreria a isso, ela era forte.Isso era o que eu tentava, quase inutilmente, colocar na minha cabeça. Não era uma solução aceitável, qualquer coisa era melhor do que isso.

Mordi o lábio, fechando minha mão em punho. Eu queria muito pegar a carteira de cigarros no meu bolso traseiro. Fechei firmemente os olhos. Respire Sakura, relaxe Sakura, vá para casa, entre na piscina, nade, olhe TV, mas não aja como uma drogada de merda! Você é mais forte que isso porcaria! Lembre-se da garota que tentou se suicidar; que perdeu sangue, além de ter uma overdose de todas aquelas drogas. Você cresceu; pessoas inteligentes não decaem ao passado, elas ficam firmes, por mais que a tentação seja grande.

Encolhi-me dentro do casaco branco, que escondia minha blusa cinza de mangas longas. Rapidamente olhei o relógio em meu pulso, vendo que já passava das sete da noite e eu estava no mesmo lugar desde as três. Suspirei, dando as costas para a casa antiga.

Estaquei. Deparando-me com o moreno de braços cruzados me encarando. Ele não mostrava ter chego agora. Abaixei a cabeça, deixando meus cabelos longos esconderem parcialmente meu rosto. Respirei fundo, assistindo-o caminhar para mais perto de mim. Quando ele ficou a um passo de distância, meu corpo se moveu em um gesto totalmente estranho, levando em conta a postura de pouco contato humano que eu vinha tendo.

Eu o abracei. Minha cabeça em seu peito, meus braços o rodeando o mais forte que eu poderia. Eu não sabia o motivo disto. Ok. Eu precisava daquele contato, minhas emoções estavam em conflito, meu cérebro doía sem pausa e eu só queria que meu instinto me guiasse. No caso, levando-me para a pessoa que esteve mais próxima de mim no último mês. Sem hesitar, ele me envolveu, apertando-me contra seu corpo.

Jamais admitiria, mas só esse cara abusivo conseguia colocar as coisas na linha dentro de mim, isso quando não se tratava dele, mas no resto ele era bom. Era o mesmo dom que sua mãe possuía. O jeito meio calado, que momentaneamente se mostrava alienado, com respostas físicas, não verbais e, principalmente, olhos negros que mostravam tudo e nada. Eu jamais entenderia a forma magnânima que ele me acalmava e irritava ao mesmo tempo, sendo certo e errado, incógnito demais.

- Venha. – Sussurrou em meu ouvido, arrepiando-me. – É melhor você entrar comigo.

Assenti sem soltá-lo ou sequer sair do lugar. Eu não conseguia, sentia-me estúpida, mas eu desejava chorar – afinal, eu andava fazendo muito disso ultimamente. Tomei uma profunda respiração, prendendo-o com meus braços. Minhas mãos tremiam, assim como seguravam firme e desesperadamente o tecido de sua roupa. Eu não sabia o que fazer! Isso soava errado ao extremo para mim.

Ignorando totalmente meus debates internos, todos sem nenhum sentido, aproveitei a oportunidade que ele estava me dando. Apenas sentir o conforto do seu corpo, o coração batendo, fazendo algo que ele jamais me permitiria no universo paralelo que antes vivíamos. Nós não erámos mais duas crianças no começo da puberdade, longe disso, pelo que notei ambos mudamos, mais do que demostrávamos. E... Eu gostava disso.

Esse Sasuke... Um que tinha enfrentado tanta coisa, que se mostrava forte e sabiamente calado, que só dizia o necessário e guardava muitas coisas para ele mesmo. Era desse tipo de viga que eu precisava e eu não sabia o porquê. Parecia que toda a fragilidade que eu contive por toda a minha vida tinha vindo à tona agora e ele era a pessoa que me levantava, por mais debilmente que eu estivesse caída. Ele tinha virado a minha nova Mikoto. Quem me colocava no lugar certo e apertava o "play", fazendo-me seguir meus próprios passos e ideias de forma correta, por mais errado que ele fosse às vezes.

Dei um passo para trás, afastando-me. Passei as mãos pelos cabelos em mais um dos meus gestos nervosos, virando as costas para ele.

- Desculpe. – Falei. – Eu ando um pouco fora de controle.

- Hn. – Sasuke parou ao meu lado. – Vamos entrar.

- Não sei se Emiko vai gostar de me ver.

- Como se você ligasse para o que aquela vaca pensa. – Rolou os olhos.

Dei de ombros vendo-o atravessar a rua, o segui, em silêncio. Não lhe perguntei metade das coisas que eu queria saber, eu estava me controlando levemente agora. Menos tagarela. Fitei as suas costas escondidas pela jaqueta preta, os cabelos negros balançando com o frio do inverno. Sasuke sequer olhou para o segurança parado ao lado de sua casa, passou reto, olhando-me por cima do ombro para ter certeza que eu estava o seguindo. Não o culpava por essa leve desconfiança, eu andava descontroladamente imprevisível ultimamente.

Tudo ali parecia o mesmo que eu lembrava. Os móveis em tom azul, as paredes branco-gelo, o carpete negro, pinturas no estilo clássico nas paredes e tudo extremamente quieto. Como eu desconfiava, tanto Sasuke quanto Itachi não deixariam Emiko mudar o lugar que sempre pertenceu a sua mãe. Não, aquilo seria como violar o túmulo da matriarca Uchiha.

Não existia ninguém em cômodo algum, pelo menos os que eu vi. Sasuke passou direto, sem olhar para nada, subindo as escadas e caminhando até a terceira porta a esquerda, abrindo-a. A primeira coisa que vi foi o pôster do ColdPlay, algo que era totalmente contrastante com a sua personalidade. Qual é! Estávamos falando de alguém tão realista e desiludido com a vida como eu. ColdPlay era uma coisa tão bonita, um bocado romântica, nada que eu ligaria a Sasuke se não o conhecesse.

A cama king-size coberta por um edredom negro, com todos os travesseiros e almofadas jogados sobre essa - tudo na escala preto e branco, sendo uma grande variação de cinza. A porta do banheiro ficava na parede esquerda, do lado uma estante de livros e cd's, tudo tão simples e organizado. Totalmente a sua cara.

Sasuke fechou a porta, sentando-se na cama logo depois. Eu o acompanhei, ficando ao seu lado, apenas olhando meus pés escondidos pelo allstar preto e a calça jeans justa que eu vestia. Eu me sentia meio constrangida por tê-lo agarrado, era estúpido se eu levasse em conta que transamos diversas vezes umas duas semanas atrás, mas eu tinha me tornado alguém que odeia demonstrar sentimentos. Eu não sei, eu mesma me confundo.

- Você não foi à aula hoje. – Constatou.

- Não. – Deitei meu tronco, fitando o teto.

- Para alguém que não faltou uma aula nos últimos dois anos isso é bem estranho vindo de você. – Comentou, sem demonstrar muita importância.

- Eu sei. – Suspirei lhe fitando pelo rabo do olho. – Só ando meio fora de mim ultimamente.

- Hn. Isso é algo que você tem feito muito. – Lhe lancei um olhar confuso. – Repetir as coisas.

- Talvez eu esteja ficando velha. – Revirei os olhos. – Ou são as coisas acontecendo na minha, não mais, tão pacata vida. Eu... – Respirei profundamente, não conseguindo conter as palavras que se seguiram. – Eu vi minha mãe ontem.

- Akane? – Ele crispou as sobrancelhas. – O que tem isso?

- Não. Não Akane. - Mexi meus pés em frustração, eu necessitava compartilhar aquilo. – Mai. Você sabe. A minha mãe biológica, que eu venho procurando desde meus doze anos. Foi estranho vê-la depois de todo esse tempo.

- Então você já a havia visto. – Concluiu.

- Sim. Foi por causa dela que, bem, eu tentei me matar. – Sua cabeça virou agilmente em minha direção, com os olhos arregalados por menos de segundos. – Não me olhe assim, isso foi a mais de três anos. Depois que eu me entupi de heroína, cocaína, ainda não lembro como fui capaz de cortar meus pulsos, eu deveria estar drogada demais para isso. Eu tive uma overdose, perdi muito sangue, quase morri. Foi por isso que eu desapareci, reabilitação e tudo mais.

Ele me olhava intrigado, ao seu modo, claro, com as sobrancelhas levemente franzidas, e pequenas rugas se mostrando na testa. Sasuke era a primeira pessoa que eu contava sobre isso, fora as pessoas que assistiram meus atos fracassados, e Itachi que havia descoberto por seus próprios meios, mas só o Uchiha mais novo sabia por mim.

Deitada ao seu lado eu olhava as paredes ao mesmo tempo em que ele me encarava. Caso isso fosse algo menor que a realidade eu teria rido. Em que mundo eu tinha me tornado alguém tão negativa e que contava às coisas que me feriam para um bastardo que eu prometi nunca mais trocar uma palavra? Isso era surreal para mim. Eu nunca fui do tipo que gostava de conversar sobre coisas que me machucaram, o que eu mais achava idiota no mundo era chorar, e analise quantas vezes o fiz no último mês.

Depois de anos pensando que eu tinha me encontrado, notei que na verdade estou ainda mais perdida. Estou em meio a uma maré de lembranças misturadas com a angústia dos meus pesadelos. Eu vi a mulher que me gerou e, mesmo depois das coisas que ela me disse, eu não conseguia correr e esbofeteá-la. Acredite, eu imaginei muito disso. Não gritei com meu pai por não me dizer o que ele sabia sobre isso, eu não descontei em ninguém, sequer toquei no assunto até agora. Algo estava acontecendo e eu não conseguia descobrir se era uma coisa boa.

Em principio, eu desejava saber qual foi o momento em que me perdi.

Fechei os olhos por um segundo, sentindo os dedos percorrerem a pele descoberta do meu pescoço. Encolhi a barriga em um gesto de agonia, contornando o pulso dele com as minhas próprias mãos. Hesitante eu toquei seu rosto, almejando que as coisas tivessem sido diferentes desde o começo. Que eu tivesse agido de forma madura, jamais ter me apegado a metade dos meus vícios, ser capaz de sorrir diante da dor, não ter medo da aproximação... Queria me libertar das prisões que impus a mim mesma.

- Quando a viu? – Sasuke perguntou abrindo os braços, para que assim, eu deitasse em seu peito.

- A primeira vez foi em Veneza, eu sabia que ela morava lá e quis encontrá-la, como se fosse resolver todos os problemas que tinha me metido. – Apertei o tecido da sua camiseta preta, escutando o som do seu coração. – Quando a encontrei, ela me deixou claro que não desejava participar da minha vida que, por ela, teria me abortado, mas meus avós paternos a impediram, dizendo que meu pai me criaria se ela não o desejasse.

Ele apertou meus ombros. Eu gostava de fechar os olhos quando ele estava perto, para caso fosse um sonho, eu sobrevivesse a ele. Não consegui me abrir com nenhum ser vivo, só com ele. Não me questione sobre isso, há coisas que nem mesmo os sábios podem responder. A gravidade simplesmente não respondia sobre o magnetismo entre nossos corpos, isso era demais para mim.

- Você tem alguma ideia do que ela faz aqui?

- Nenhuma. – Mordi meu lábio. – Eu só quero que ela fique longe, porque agora que as coisas começaram a dar certo ela vai querer estragá-las.

Suas mãos bagunçavam meus fios de cabelo e, ali, eu me sentia um pouco mais leve. Descarregando em palavras todo o peso que esteve sobre meus ombros, respirando o seu perfume amadeirado e ouvindo as batidas ritmadas que saiam do seu peito. O conjunto me acalmava. Ali eu conseguia ignorar tudo que senti quando vi a bonita australiana, meu medo e desconfiança. Tudo sem motivo algum.

Levantei minha cabeça fixando meus olhos nas pérolas negras. Eu gostava do calor humano que emanava delas, com o tempo eu pude perceber quais eram as poucas pessoas que viam o fogo escondido sobre a barreira de gelo. Jamais imaginei que eu seria uma delas. Impulsionando meu corpo, deixei que meu instinto me guiasse.

- Feche os olhos. – Ele franziu o cenho e eu apenas levantei a sobrancelha para ele. – Por favor?

Suspirou e eu sabia que ele teria revirado os olhos se isso fosse outra ocasião. Ri baixo, sentindo sua respiração tocar meu rosto. Delineei suas maças do rosto com meus dedos, tocando seus lábios quando eles se entreabriram. Nunca entendi porque alguns livros diziam que o toque de um ser que se esconde era frio, pois não o era, não com Sasuke, ele era tão quente como uma lareira em uma nevasca. Só não demonstrava isso. Foi com esse pensamento que eu me inclinei, roçando minha boca na sua.

No momento eu não me importava se fosse me irritar comigo mesma horas depois, eu só suplicava por seu toque. Nesse instante o agora era a única coisa que fazia sentido. Eu não pensaria no passado ou nas ações futuras, somente deixaria tudo seguir seu rumo, sem interrupção.

Arfei. Sua boca procurava a minha desesperadamente, suas mãos me apertavam junto do seu corpo. A intensidade nublava minha mente. Meu corpo se apoiava no dele como meus sentimentos vinham fazendo, meus dedos se entrelaçavam em seus cabelos negros com o medo do adeus que eu tanto sentia. Ali, eu era dele.

Sua boca era quente, seus lábios prendiam os meus entre eles, as mãos percorriam as minhas costas, eu conseguia sentir a brisa que vinha da janela aberta com parte da pele exposta. Meu peito estava junto do seu e, bem no fundo da minha mente, eu escutava o som de Violet Hill do Coldplay. Sorri sobre seus lábios, sem dúvida era impossível de decifrar Uchiha Sasuke.

Agora eu estava deitada com seu corpo sobre o meu, os dedos em minha nuca fazendo com que me arrepiasse. Arfante, nos separamos e assim que abri os olhos o vi me fitando. Eu quase podia ver o ponto de interrogação na sua testa. Deslizei minha mão dos seus cabelos, pelo pescoço, até ficar pousada no ombro. Meu corpo vibrava, meu quadril estava levemente arqueado e o que eu mais desejava nesse momento era ele.

- O que você está fazendo, rosada? – Perguntou tirando uma mexa de cabelo do meu rosto.

- Seria estúpido se eu dissesse que não sei? – Disse tocando o seu rosto.

Ele suspirou fechando os olhos rapidamente. Aquele era para ser um momento de relutância das duas partes, mas, impressionantemente, não era algo que eu deixaria de fazer. Assim como antes, deixei meu corpo me guiar, o beijando por mais uma vez. Não sabia se era por culpa dos problemas que eu vinha tendo, ou da necessidade de esquecer o mundo a minha volta. A única coisa que minha mente me deixava pensar era a vontade inumana de tê-lo dentro de mim.

- Sasuke-kun, por favor... – Murmurei entre seus lábios, meus seios sendo esmagados por seu torso. – Apenas hoje... Eu preciso de você.

Ele riu baixo, eu tinha certeza que se não estivesse com as pálpebras fechadas estaria revirando os olhos. Típico. Mordeu meu queixo, beijando meticulosamente a extensão da minha pele. Sua língua brincava com meu corpo, libidinosa, como se ali fosse um território de seu total e completo domínio. Eu chutei meus tênis, sabendo que ele fazia o mesmo, se levantou rapidamente tirando o casaco. Meus dedos percorreram lentamente seus músculos, beijei seu umbigo, puxando a camiseta para cima enquanto sentia sua ereção próxima do meu peito.

- Sakura... – Falou baixo, segurando meus cabelos.

- O que...? – Perguntei mordendo seus ombros.

- Você está louca. – Sussurrou cravando os dentes no lóbulo da minha orelha.

- Se quer que eu pare melhor dizer agora. – Sussurrei de volta, passando as mãos sobre o cós da sua calça.

- Tsc.

Tranquei a mandíbula engolindo um grito. Ele tinha me deitado na cama, sendo completa e totalmente esmagada por seu corpo, minhas mãos espalmadas por seu peito, sentindo tirar minha roupa com uma lentidão enlouquecedora. Eu me sentia borbulhando, meu coração batia descompassado, eu estava úmida e eu o queria – agora. Quando eu estava só de lingerie Sasuke abriu o meu sutiã, tirando as alças com os dentes, deslizando seus dedos para dentro da parte inferior do conjunto – arfei.

Sua boca se chocou de encontro com a minha, enquanto seus dedos deslizavam suavemente pela minha virilha, rumo ao meu núcleo de prazer. Agarrei seus ombros, roçando meus seios nus contra ele, seu beijo me consumia por completo, fazendo minha cabeça girar e aquela agonia prazerosa das preliminares inundando meu corpo. Minhas unhas deslizaram dali até o fim de suas costas, fazendo-o soltar um baixo gemido e deslizar as últimas peças de roupa para fora do seu corpo.

Levantou a cabeça, tirando as mechas de cabelo próximas dos meus olhos. Um sorriso de canto se formou em seus lábios, esticando-me por uma mínima distância, acariciei seu rosto, beijando suas bochechas, a ponta do nariz, o canto da boca e finalmente chegando onde eu queria. Prendi-me junto dele, com sua língua brincando com a minha e seu membro invadindo meu corpo, deslizando para dentro e para fora, assumindo todo o controle que tinha sobre mim. Eu me movia no modo automático, enroscando as mãos nos fios negros e sorrindo sem pensar. Apenas me deliciando com a sensação daquela união física.

Com os olhos semicerrados eu via seus ombros subindo e descendo, eu o apertava dentro de mim, com seu rosto afundado em meu pescoço e o enchendo de carícias, senti os espasmos do clímax me alcançarem. A sonolência me envolvendo e, lentamente, as cobertas criando uma barreira contra o vento. Adormeci, com nossos corpos ainda conectados.

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13 de Junho de 2005

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Itália – Veneza

Eu sorri para o espelho, meus cabelos curtos e cacheados estavam emoldurando meu rosto, a calça jeans era preta, mas sem rasgos, a regata branca surgiu de algum lugar da minha mala. Esse não era meu habitual, mas achei que algo comportado seria bom para meu primeiro encontro com Mai Smith. Deus, eu estava tão animada! Até tinha negado passar o delineador nos olhos, de longe, minha marca registrada, aquilo era algo fenomenal!

Ajeitei o casaco cinza nos meus braços escondendo meus pulsos. As cicatrizes eram recentes e eu não queria que minha verdadeira mãe descobrisse o modo que eu aliviava o peso dos meus ombros. Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha, mordendo o lábio compulsivamente e apertando meus olhos. Respirei fundo. Era hora de ir. Peguei meu celular sobre a cama, junto com alguns euros, os colocando no bolso da calça. Abri a porta do quarto, caminhando em direção ao elevador.

Depois de anos procurando, eu finalmente havia a encontrado. A única pista que eu tinha era uma foto antiga com as iniciais "M.S." escritas com uma caligrafia que eu reconheci como a do meu pai. Sorri, entrando em um táxi e citando o endereço da casa dela.

Touya não reclamou quando eu disse que queria viajar, ele apenas me questionou para onde eu ia, eu menti, é claro. Eu não queria ficar em casa com Akane me perturbando sobre como eu deveria tirar as roupas escuras, comportar-me, estudar, ir a alguma porra de desfile, festas, eu não gostava disso. Eu também teria deixado Tsunade preocupada com meu estado "emo", com o scream saindo alto do meu quarto. Eu não queria isso. Eu só queria esquecer aquela família, esquecer Sasuke, eu desejava desaparecer por tempo indeterminado. Era por isso que eu estava aqui, finalmente tomando coragem e mudando as coisas.

Eu não conseguia deixar de lembrar o beijo que ele me deu quando eu estava quase embarcando, o beijo avassalador que me fazia ofegar a procura de oxigênio, a luxúria e a ansiedade nos seus lábios. Droga, eu me odiava por ter chorado durante isso! Eu o amava tanto e a única coisa que ele sabia fazer era brincar comigo, como se eu fosse algo descartável. Ao contrário do que ele alegava, ele nunca me viu como sua melhor amiga, se o fosse, jamais teria dormido comigo e "trepado" com a vadia da Karin logo depois.

Simplesmente me negava a ficar ali, dizer que o amava e viver o "felizes para sempre". Depois de tudo, só agora eu via que eu não deveria direcionar minha vontade de encontrar alguém que eu gostasse em cima dele. Sasuke sempre seria do tipo que ia em busca de prazer, não paixão. Como eu me odiava por gostar dele e, ainda assim, não conseguir colocar a culpa de tudo nele. Isso me indignava!

Porém, agora as coisas seriam diferentes. Mai e eu nos daríamos muito bem, nós sorriríamos quando ela me contasse que decidiu morar em Veneza porque amava Willian Shakespeare como eu. Beberíamos um delicioso suco de frutas no centro da cidade e ai eu pediria para viver com ela, mandaria Tóquio para o inferno e sorriria todas as manhãs com a loira de covinha nas bochechas. Era isso, estava decidido!

O motorista avisou que havíamos chegado. Assim, eu lhe joguei uma nota de cinquenta euros, preparando-me para vê-la. A rua era bem longa, só havia mansões ali todas com cercas elétricas, seguranças e carros de luxo na garagem. Não era muito diferente da rua onde eu morava. Andei lentamente, olhando atentamente o número das casas, os detalhes, eu queria saber tudo sobre ela. Acredito que tentar descobrir algo a partir de onde morava era um bom começo.

Engolindo uma lufada de ar eu parei na frente do meu destino, apertando o botão negro do interfone cautelosamente.

-Quemgostaria? – Uma voz feminina disse. Era ela, eu tinha certeza.

- Sakura Haruno, eu gostaria de falar com Mai, se não for incômodo. – Houve uma pausa, um murmúrio de vozes e depois eu escutei:

- Pode entrar.

Franzi o cenho para o vazio daquela voz, mostrava-se irritada, no fim poderia não ser ela. Qual é? Minha mãe era fodástica demais naquelas roupas de couro da foto para se tornar tão arrogante assim. Admito que eu estava menos confiante, mas isso não me impedia de colocar meu plano em ação. Não. Nada me pararia agora.

Um velho senhor na casa dos sessenta, provavelmente o mordomo, veio me receber, ele me lançou um sorriso pequeno. Talvez minha mãe tenha falado de mim para ele, esse senhor poderia ser como Tsunade, um empregado que trabalhava a mais de uma geração para a família e que era quase um parente. Lhe lancei um sorriso enorme, acenando levemente com a cabeça. Eu não sabia falar italiano, meu inglês não era perfeito, então preferi usar apenas a linguagem corporal.

- Srtª. Sakura, você pode se sentar e esperar madame Mai. – Falou pausadamente, arriscando o japonês. – Aliás, sou Gregori.

- É um prazer. – Mordi o lábio, sentando-me.

Aquele lugar era bem silencioso, pouco se ouvia os carros na rua ou a civilização, totalmente diferente do caos diário de Tóquio. A decoração da casa da minha mãe parecia tão mórbida, sem graça. A decoração pastel, e estatuetas, quadros, com exceção dos móveis, tudo parecia casual ao extremo. A diferença entre a mansão Haruno era evidente, uma mistura do sombrio do meu pai com a elegância de Akane, sem dúvida mais vivo e bonito que os tons neutros dali.

Balancei meus pés ansiosa, puxando as mangas do casaco para cima, eu mal aguentava o calor dali, estava tudo morno na Ásia e na Europa já era verão. O esmalte das minhas unhas começava a descascar, o que me fez pensar porque não tinha visto isso antes para ter removido a cor preta. Parece que minha primeira impressão não seria das melhores.

Levantei a cabeça ao escutar os passos do salto agulha chegando até a sala. Não pode ser. Uma mulher loira, sua cor se mostrava natural em uma cor meio acinzentada de cachos grossos, tinha o corpo bem delineado. Pelos meus cálculos ela tinha trinta e seis, por ai, era alguns anos mais nova que Touya, mas pelo físico mal se dizia que possuía sua real idade. Só que ela não parecia com a garota da foto. Tudo nela era cheio de ironia e arrogância e eu não entendia isso.

- Sakura, por que está aqui? – Seus olhos azuis me fitavam com intensidade, queimando-me por dentro.

- Eu vim... Eu vim saber sobre você. – Hesitei. – Eu gostaria de saber por que minha mãe jamais falou comigo e o motivo de morar do outro lado do mundo.

Ela riu em escárnio, sentando-se no sofá oposto ao meu, cruzou as pernas colocando as mãos sobre o colo e pela primeira vez depois de um longo tempo eu me sentia humilhada. As coisas não deveriam estar ocorrendo dessa forma.

- Quer que eu lhe diga a verdade nua e crua? – Mai não esperou que eu respondesse, apenas continuou a falar. – Eu não queria responsabilidades, não queria você, aborto foi minha primeira opção, por mim teria o feito. Sua avó descobriu, contou para o seu pai, ele me paga para ficar longe de você e todos ficam felizes. Agora se puder ir embora, eu tenho coisas para fazer.

Eu estava paralisada, em choque, sem conseguir mover um músculo sequer. Não podia ser, não era ela. Alguém tinha ameaçado sua vida para que dissesse isso para mim, minha verdadeira mãe não seria assim, não poderia ser. Inspirei profundamente, ficando de pé e barrando o caminho para a mulher que acabara de me dar às costas.

- Depois de tudo que eu passei para te encontrar você vai sair andando sem me dar detalhes de nada? – Estiquei minhas mãos, fazendo uma parede com meu corpo. – Droga! Eu só queria ter uma família de verdade, você não poderia apenas me dizer como se apaixonou pelo meu pai, ou como escolheu fazer faculdade a cuidar de mim? Eu só quero saber quem minha mãe realmente é!

Tranquei os dentes sentindo suas mãos segurarem firmemente meus pulsos, manchas de sangue começaram a aparecer, fazendo Mai franzir o cenho e me analisar da cabeça aos pés. Aquele não poderia ser um bom sinal.

- Você me vê como uma saída para tomar juízo. – Apontou para meus braços. – Você tem quantos anos agora? Catorze, não é? Cortar seus pulsos não vai lhe adiantar nada, eu lhe deixei com seu pai porque ele era um tolo e você nasceu de um relacionamento breve e sem graça. Eu nunca amei seu pai, não se iluda a procura de romances, criança. Nós nos conhecíamos quando crianças e dormimos juntos algumas vezes. Só.

Com a brutalidade eminente eu continuava em silêncio, esquecendo a coragem e respostas prontas que eu sempre tive.

- Só de olhar para você eu vejo metade das drogas que você usa, as veias no seu braço são salientes, você tem um tique no nariz provavelmente adquirido depois de usar cocaína. Eu não tenho filhos e se tivesse, nenhum deles seria um drogado de merda como você. É a ultima vez que lhe digo Sakura, vá embora. Não quero ter que entrar em processo judicial com seu pai, me livre de problemas e parta.

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16 de Agosto de 2008

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Sentei na cama, deixando as cobertas de lado, minhas mãos se puseram automaticamente sobre meu rosto. Novamente aquele gesto repugnante estava me preenchendo, a água salgada saindo dos meus olhos e meu corpo tremendo. O sonho cheio das lembranças do meu encontro com Mai me angustiava. Aquilo não era nem metade das merdas feitas naquele dia.

Eu não queria voltar a ser a mesma de antes, eu não podia. Sentia-me bem sem as ilusões, a esperança e todo o resto. Esconder-se dos problemas não me ajudava em nada. Aprendi a criar e controlar minhas responsabilidades, matar aula e não aparecer nos compromissos agendados estava fora disso. A que ponto eu havia chegado?

- O que foi rosada? – Sasuke perguntou, sentando-se ao meu lado.

- Apenas um sonho ruim. – Falei, secando as lágrimas rapidamente. – Que horas são?

- Três. – Passou o braço pela minha cintura, puxando-me de encontro ao seu corpo. – Por que diabos você insiste em mentir para mim? Eu te conheço Sakura, você só chora quando algo grave acontece. Isso já está me assustando.

Eu o abracei, fechando meus olhos e absorvendo suas palavras. Sim ele me conhecia, foi a pessoa que mais me conheceu em toda minha vida, a única que eu contei todos os meus segredos e, apesar do meu problema em admitir sentimentos, eu tinha o feito com ele. Sasuke tinha me machucado, mas sempre esteve do meu lado para curar as feridas restantes. Era uma espécie de porto-seguro, uma viga que eu gostava de me apoiar.

- Acho que voltei a ter um pouco do meu "eu" perdido. – Murmurei. – Não consigo mais mentir para você. Não sei o que fazer Sasuke-kun.

- Hn. – Suspirou, afagando minha cabeça. – Não se preocupe agora, volte a dormir. Qualquer coisa, eu estou aqui.

Ele me beijou de forma casta, deitando-se e me convidando para o aconchego dos seus braços. Era só daquilo que eu precisava agora.

To Be Continued...


N/a:

Não vou me desculpar pela demora gatas, às vezes eu tenho coisas para resolver, e outras só a imaginação que trava. Lembra quando eu perguntei se queriam capítulos mais longos e mais demorados ou mais rápidos e curtos? Pois é, tanto eu quanto a maioria de vocês concordamos que de vez em quando é bom esperar. O capitulo passado teve poucas reviews, e eu dramatizei um pouco, não culpo vocês por isso, mas colaborem ok?

Eu quis colocar um pouco do passado da Sakura com a mãe dela para vocês entenderem, nesse capitulo só apareceu um pouco da conversa das duas, ao longo da fic mais coisas vão aparecer.

Aii que raiva, o FF anda de sacanagem comigo! Eu tentei responder as review, acho que respondi a maioria, mas por algum motivo trancou alguma coisa. Então eu só vou agradecer a vocês: Taiih; Schayara; Kahli Hime; Caroline Cisnero; Nimsay; Nick Granger Potter; Lady Vampire; Chris96; ; pelas reviews!

Acho que não tenho muito que dizer hoje, só espero que tenham gostado.

Beijos

Sami.

Ps: Sem reviews, sem capitulo :x


N/b:

NOSSA! Essa Mai não tem coração! Realmente esse é um forte motivo para o que a Sakura fez, mas NÃO uma justificativa... Hummm, parece que a relação da rosada com o Sasuke está cada vez mais forte, hein?

Girls, eu peço desculpas porque atrasei um pouco na revisão do capitulo... fiquei meio doentinha... sorry!

Reviews, reviwes, reviews, pleaseeeeee!

Beijos

Bella