N/a: Hei gatas, desculpe pela demora na atualização, mas eu tive motivos. Desculpa mais uma vez. Bom, esse capitulo é um dos que eu mais gostei de escrever. Sugiro que vocês escutem "The Ballad Of Mona Lisa" do Panic At The Disco enquanto leem. Boa Leitura.
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capitulo Dezessete
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Jovens Adultos
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Sim, eu já fui irresponsável e incoerente. Alguém fugindo dos problemas com muito sexo, drogas e rock 'n' roll. Mas foi quando eu estava mais perdida do que nunca que eu vi quem Haruno Sakura realmente era.
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16 de Agosto de 2008
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Estática eu o encarei. Seu rosto não denunciava nada, ali não dizia se ele me segurava porque não queria que ela se machucasse, ou pelas consequências que isso me causaria depois. Tão usual. Meu pai era como eu naquele sentido, odiava deixar as mascaras caírem. Ele me puxou para trás, ficando entre aquela mulher e eu. Algo me dizia que doía nele ver nós duas brigando. Afinal, ela era seu primeiro amor até onde eu sabia, e eu a sua filha. Havia uma partícula de dor nos seus olhos verdes, mas nem isso fez minha raiva recuar.
- Você sabia, não sabia? – Eu perguntei puxando meu braço com força. – Você tinha total conhecimento de que ela estava na cidade, e eu acreditando nessa sua felicidade pela minha mãe estar grávida. Não acredito que fez isso.
Meus dentes estavam trincados, do mesmo modo que meus punhos estavam. Aquela agonia borbulhava dentro de mim. O que mais me indignava era o olhar de Mai, ela me encarava como se eu fosse uma criança fazendo uma cena. Se fosse a Sakura que correu para os braços dela três anos atrás, bem, talvez ela tivesse razão. Contudo, eu era a certa agora. Eu tinha todo o direito de ficar revoltada com os dois. Ambos eram meus progenitores, Touya era mais que isso, era meu pai, mas eu só não podia aceitar o que eles estavam fazendo com Akane!
- Você a chamou de mãe. – Mai disse, seu eu não soubesse do seu lado filho da puta, ou me esquecesse das palavras que ela acabara de dizer, eu acreditaria que o que tinha nos seus olhos azuis era magoa.
- É dessa forma que você chama quem a cria. – Coloquei uma mecha de cabelo raivosamente atrás da orelha, pouco ligando para minha voz cortante. – Ao contrario da vadia que dorme com alguém e não gosta das consequências que vem com isso.
- Ela não ti criou, eu me lembro do que você disse pra mim! – Mai deu um passo em minha direção, e por um segundo eu esqueci completamente como havíamos chego naquela discussão.
- Ah, então foi para isso que você voltou? – Lhe sorri sarcástica. – Para recuperar todos esses anos perdidos de amor maternal?
Meu pai respirou fundo, ele me pegou pelo braço me arrastando para longe. Lançou um misero olhar sobre os ombros, mas eu não consegui ver o que ele queria dizer a Mai. Se era uma palavra de consolo ou amor, ou mandá-la se fuder. Eu sentia que ele estava irritado, e eu também estava. Eu só não poderia acreditar no que acabou de acontecer.
Onde diabos estava o meu autocontrole, o que demorou todo esse tempo para ser erguido?
Aquela mulher lá trás não poderia ser a Mai Smith que eu conheci. Eu não acreditava nela, de jeito nenhum. Ela queria algo, provavelmente dinheiro, ou alguma coisa assim. Quem sabe algo superior estava a castigando por praticamente vender sua filha. O mais estranho de tudo? Bem, era a dor que eu sentia no peito. Por muitos anos eu desejei que ela desse importância para mim, e agora, quando havia uma mínima esperança disso estar acontecendo, eu não acreditava nela. É estupido se sentir assim por uma pessoa que você não conhece direito.
Eu conseguia sentir meu sangue borbulhando de fúria, as coisas estavam turvas para mim. Como eu queria quebrar a cara dela por me dizer essas coisas, por se intrometer na pequena estabilidade que tinha surgido dentro da minha família. Entretanto, sempre tinha alguma coisa para atrapalhar. E o pior te tudo, era que esse pequeno momento fez a alegria que eu senti em ver meu irmão sumir por completo. Ela não podia ter feito isso comigo.
- Você está tendo um caso com ela, não está? – Eu perguntei, enquanto Touya empurrava meu ombro para que eu me sentasse em uma das cadeiras da sala de espera.
E ele ficou em silêncio, andando de um lado para o outro bem a minha frente. A mão passando pelo cabelo em um gesto irritado, e baforadas de ar sendo o único som por ali. Eu fechei os olhos, prendendo minha cabeça para frente. De todas as vagabundas, ele tinha que se envolver justo com minha "mãe". Aquela que ele nunca falou sobre, que só soube que eu a conhecia e sabia sobre suas mentiras quando tentei me suicidar? Porque para ele eu sempre acreditei que quem me colocou no mundo foi Uchiha Akane, atual senhora Haruno.
- Fique fora disso Sakura. – Ele simplesmente disse, virando as costas para mim.
- Você espera que eu ignore o fato de você estar tendo um caso com, com ela. – Minha voz não estava muito alta, mas minhas palavras fizeram seus pés estacarem no chão. – Eu fui estupida em acreditar que você tinha mudado. Era perfeito demais para ser verdade.
Quando ele se manteve calado, eu continuei.
- Eu sempre estive a deriva na escola, em casa, foi uma merda quando eu descobri que Akane não era minha mãe. Eu meio que cheguei à conclusão que você me odiava porque eu parecia com Mai. Mas não tem nada haver com isso, não é? – Eu levantei, ficando cara a cara com ele. – Você só ignorou o fato de que precisava crescer agora. Espero que ao menos com meu irmão você seja qualquer coisa próxima de um pai. Algo que você nunca foi para mim.
O que eu odiava nele? Essa coisa de passar para mim tudo o que eu achava repugnante em um ser humano. Toda garota é ensinada que o mundo é perfeito e que um dia ela vai achar seu príncipe encantado, e normalmente é um cara que ela gosta que quebra essa ideia absurda. Mas comigo não foi assim, foi meu próprio pai traindo minha mãe que me deixou bem claro que contos de fadas não existiam.
Quieto. Touya só sabia ficar quieto. Eu não conseguiria tirar nenhuma resposta palpável dele. É difícil se quebrar a rotina quando se tratava de homens no poder, independente do lugar onde você mora. Vendo que nada mais seria dito, eu o dei as costas, voltando para a lanchonete. Eu precisava colocar meus pensamentos em ordem antes de voltar até Akane. Ela se preocuparia demais, e isso é a última coisa que eu queria agora.
Pedi a uma garçonete qualquer uma xícara de chá, e me sentei perto da janela. Essa situação toda era muito confusa e bizarra. Eu fitei a noite de Tóquio, chegando a conclusão de que teria que acabar com o caso entre meus pais, por mais sem noção que isso soasse. Eu conversaria com Akane sobre tudo isso, ela merecia saber, que tipo de pessoa eu seria se escondesse isso dela? Nunca desejaria que isso acontecesse comigo, alguém que eu confio me escondendo que o cara que eu sou casada a quase vinte anos está a traindo com a mãe da enteada.
Certo, isso está confuso.
Eu imaginava como as coisas seriam daqui para frente. Okaa-san nunca teria coragem de expulsar Otou-san da própria casa, ela sairia, tanto Tsunade quanto eu iriamos para qualquer lugar que ela fosse. Eu teria olhares tortos na escola, e repórteres idiotas fazendo especulações, mas nada que eu já não fosse acostumada. Ia dor, eu me arrependeria eternamente por estragar o casamento deles, mas eu não conseguiria viver com isso, digo, sem fazer a coisa certa.
Depois de bebericar o chá, eu voltei para o consultório onde Akane estava. Admito que pensei na possibilidade de Touya estar do lado dela, mas para a minha descrença ele deve ter corrido atrás de Mai. A coisa de fazer sexo em lugares inapropriados como quarto do zelador ou banheiro masculino devia ser algo de família
Minha mãe estava sentada em uma poltrona do lado de fora do consultório, ela tinha um sorriso bobo no rosto enquanto olhava os ultrassons. Me sentei ao seu lado, escornado a cabeça em seu ombro. O braço magro envolveu meus ombros em um abraço rápido. Ela estava animada, e por agora eu me manteria em silêncio sobre sua situação matrimonial.
- Vamos para casa? - Perguntei.
- É melhor esperarmos seu pai chegar, eu dispensei o motorista, apesar de que o carro continua no estacionamento do hospital.
- Sem problemas, eu dirijo. - Dei de ombros, fazendo a ficar surpresa. Eu tinha carteira de habilitação, mas era raro me ver no volante. - Podemos passar no Starburcks e comprar aquele bolo de chocolate que você gosta.
- É uma boa ideia.
Akane ficou de pé e me estendeu a chave. Eu sai do hospital com ela, rezando para que quando chegássemos em casa Touya estivesse lá.
…
17 de Agosto de 2008
...
- Eu gostaria de saber porque você está me ligando a uma hora dessas, rosada. - A voz sonolenta disse.
- Sasuke, já passa das três da tarde. - Revirei os olhos. - Por que justo hoje você decidiu matar aula?
Eu estava atirada no sofá da sala, meus pés balançavam enquanto eu olhava para o lustre no teto. A casa estava silenciosa, minha mãe foi encontrar Kushina para falar sobre a gravidez, eu preferi ficar em casa, parecia que elas precisavam de um momento só de mamães. Eu resolvi ligar para Sasuke alguns minutos atrás, ele tinha pensamentos impulsivos e radicais, mas que davam certo, cujos poderiam me ajudar agora.
- Hn. Eu passei a noite ouvindo Fugaku falar sobre a empresa, a importância do que eu estava fazendo. - Eu ouvi ele se mexer na cama, como se estivesse se levantando. - Eu merecia um descanso depois do papo nerd entre ele e Itachi.
- Ok... Vou fingir que estou com pena de você, Uchiha. - Eu ri baixo. - Escute, você consegue me encontrar daqui a meia hora no Starbucks do centro? Preciso falar com você, Hinata e Naruto.
- No que se meteu?
- Nada ainda. - Eu suspirei, ouvindo a porta da frente ser aberta. - Só esteja lá, ok? Eu vou ter que desligar. Falo com você depois.
- Certo, rosada.
Eu continuei deitada, o sofá era grande demais para que alguém me visse nele, com seu couro escuro e os braços altos. Ouvi passos, salto alto, e passadas pesadas. Eu respirei fundo. A primeira coisa que me surgiu na cabeça foi Touya trazendo Mai para nossa casa. Isso seria baixo demais, até para ele.
Fiquei de pé, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto guardava o celular no bolso do jeans. As vozes estavam vindo da cozinha, risos baixos. Tamanha foi minha surpresa quando vi meus avós abraçando Tsunade na cozinha.
- O que vocês estão fazendo aqui? - Perguntei surpresa, eles não gostavam muito de se socializar conosco.
- Também é bom ver você Sakura. - Minha avó disse, com os braços cruzados. - Estamos aqui para o aniversário do seu pai.
- Hn. - Aniversário do meu pai? Sério? Não poderia ser, normalmente Aika e Norio Haruno avisavam antes de suas visitas, e eu sempre fui a primeira a saber. Algo dentro de mim me avisou que eles planejavam algo. Meus avós eram tão conspiradores quanto meu pai, o melhor era me manter atenta. - Mas o aniversário de Touya é só no final do mês.
- Criança, pare de ser tão meticulosa e venha abraçar seu velho avô. - Norio falou abrindo os braços.
O cabelo do meu avô era grisalho, mas existiriam alguns fios castanhos como os do meu pai. Eu já havia puxado a minha avó paterna, com suas madeixas rosadas e olhos verdes brilhantes. Eu dei um beijo nos dois e recebi um aceno de Tsunade, como se ela estivesse me cumprimentando por minha boa educação. Na adolescência Tsunade era baba de Akane, ela me contou que as visitas dos meus avós a casa dos Uchiha era algo bem frequente na época. Na minha cabeça o casamento dos meus pais sempre foi arranjado, apesar de que ambos negavam, alegando que sempre foram apaixonados um pelo outro.
Os patriarcas Haruno se sentaram a mesa da cozinha, ambos tomando chá enquanto eu me deliciava com um pedaço de pizza que eu havia sobrado do almoço. Eu os olhava em suas roupas formais demais para uma visita ao filho. Vovó usava uma saia até os joelhos de cor azul, com um blazer no mesmo tom. E vovô tinha um terno preto adornando seu corpo. Eles pareciam estar com a cabeça longe, seus olhos se desviavam para mim de pouco em pouco tempo. Qualquer que fosse o real motivo deles estarem aqui, eu estava envolvida.
Me despedi rapidamente, saindo para encontrar Sasuke. Eu jamais entenderia o motivo, mas os mais velhos pareciam sempre contentes em ver os jovens herdeiros das empresas H&U se envolvendo. Tio Kakashi me falou uma vez que os Hyuuga geralmente se casavam entre si, e que quando pequeno ele escutou a possibilidade de que ele se casasse com alguma Uzumaki. Sério, essa coisa toda me assustava. Parecia bom para os negócios que todos fossemos uma família unida, elos matrimoniais fortificavam isso, segundo ele.
Abri a porta de vidro do Starbucks, ao fundo havia uma cabeça loira abraçada a um corpo pequeno, sorri vendo o moreno revirar os olhos para o casal que se encarava sorridente. Se algo que Sasuke e eu tínhamos em comum era a antipatia por casais melosos. Eu puxei uma cadeira ao lado dele, colocando meu celular sobre a mesa.
- Boa tarde. - Falei.
As respostas foram vagas, todos estavam curiosos. Como eu tinha notado antes de sair de casa, no meu sangue corria o gene da intriga. Não haveria o dia em que os Haruno não planejassem sobre sua própria família, hoje eu descobri que isso também se referia a mim.
- Meu pai está traindo Akane. - Eu disse de uma vez. - Com minha mãe biológica.
- U-A-U! - Naruto arregalou os olhos, piscando freneticamente. - Eu não esperava por isso, 'ttebayo.
- Ninguém esperava. - Hinata acrescentou.
- Eu imaginei que era por isso que ela estava na cidade. - Sasuke disse tomando um gole do seu café, ele tinha as íris negras fixas em mim. Julgando por meu status atual de chorona e mimada ele deveria estar tomando uma dose de cautela.
- Ontem eu a vi no hospital, quando estava com a minha mãe. - Acho que eles intenderam que eu jamais chamaria Mai de mãe em voz alta. - Meu pai me impediu de socar ela.
- Não acredito. - Naruto sorriu para mim. - Eu teria gostado de ver isso, da última vez que vi você brigando com alguém a pessoa não saiu exatamente inteira.
Refleti sobre isso. Antigamente eu não levava ofensas para casa, e agora sou alguém muito tolerante. O mundo era realmente sarcástico. Cruzei as pernas, deixando que meus olhos si dirigissem para a minha calça jeans. Alguns antigos hábitos estavam sendo retomados, como o uso de calça, camiseta e os moletons masculinos, os últimos geralmente roubados do guarda-roupa de Sasuke.
- Touya fez bem em me segurar, talvez Mai não estivesse viva agora se eu tivesse pulado nela. - Bufei.
Lembrei de quando eu havia chegado no hotel depois da nossa conversa, eu decidi subir pelas escadas para que ninguém visse minha cara suja de lágrimas. Acidentalmente eu fiz a maior estupidez de todas, é claro, depois de tombar escada abaixo voltei para o meu quarto e tive uma overdose. Naquele dia eu tinha feito o Top Três das maiores merdas da minha vida. Impressionante, até meus catorze anos eu havia cometido gafes o suficiente para ser condenada e passar o resto dos meus dias em uma cela.
- Primeiramente, eu vim aqui para saber se estão dispostos a me ajudar. - Hesitante, eu encarei rosto após rosto. - Se aceitarem, não farão coisas exatamente boas para o seu currículo escolar.
Olharam entre si, acenando.
- Estamos com você, rosada.
…
19 de Agosto de 2008
…
Eu estava escorada no arco da porta, vendo Sasuke organizar alguns documentos para Sarutobi-sama. Nosso "estágio", ou seja lá como chamam isso, já havia se dado inicio. Todos os dias eu ficava um tempo na escola com ele e depois ia ser a secretária do meu pai. Era horrível ter que olhar para cara dele como se nada tivesse acontecido no hospital. Eu entrava no modo "negócios", não que adiantasse muito. Parecia que nossa relação tinha regredido.
Suspirei, fechando os olhos e cruzando os braços. O pior era a sensação de que eu estava me transformando nele, em mais um manipulador com o sobrenome Haruno. Não que o que eu estava fazendo não fosse necessário, porque eu tinha que tirar Mai do caminho, mas era estranho me ver em uma situação dessas. Eu que sempre fui contra tudo que meu pai fazia, que queria ser como Kakashi, alguém fora dos Haruno. Meu tio foi a um ponto mais extremo, trocando o sobrenome para o de solteira de sua mãe.
Uma mão acariciou meu rosto, separando meus braços e envolvendo meu corpo em um abraço. Escorei minha cabeça no seu ombro, vendo-o fechar a porta. Sasuke não disse nada, só ficou ali, em silêncio, comigo o apertando forte.
- Está arrependida? - Ele perguntou no meu ouvido.
- Não. - Segurei o tecido da sua roupa com os dedos. - Só parece que eu estou fazendo a coisa certa do jeito errado.
- Às vezes você me confunde, rosada. - Sasuke se afastou o suficiente para segurar meu rosto em suas mãos, seus olhos de um negro profundo me encarando com perplexidade. - Existe o seu lado vingativo todo cheio de "eu sou fodona", e há esse que eu vejo agora.
Eu não sabia o que lhe dizer. Então coloquei minhas mãos sobre a dele, sem conseguir desviar de seus olhos por um segundo sequer. Meu corpo se movia sozinho, quase em sintonia com o dele, e isso realmente me assustava.
- E qual é o lado que você vê agora? - Murmurei.
- Eu vejo a minha rosada, a que esteve se escondendo em uma casca de menina má, uma que fugiu de mim e por todos esses anos eu estava tentando encontrar.
Deixei o ar sair dos meus pulmões. Minha mão tirou a dele do meu rosto, segurando-as entre as minhas. Fechei os olhos, me inclinando na direção da sua boca. Dando um passo para frente, seu corpo ficou colado no meu, suas mãos entrelaçadas nas minhas enquanto minha boca se movia sobre a sua. E Deus, como aquilo era bom!
Talvez se todos aquelas coisas não tivessem acontecido comigo, eu teria tido uma demonstração maior de afeto. Eu teria pulado no seu colo dizendo tudo que eu sentia por ele. Só que essa não era aquela Sakura. Agora eu sou uma medrosa, com o tipo mais estupido de medo. Eu tinha perdido tantas pessoas que eu amava, que agora parecia idiota ficar fazendo juras de amor, só para ver mais alguém partindo.
E esse ainda era Sasuke. Minha primeira paixão, meu primeiro beijo, minha primeira vez. O cara que foi meu irmão mais velho até a puberdade chegar. Que me fazia rir e chorar, que dizia coisas fofas no seu estilo "eu não tenho sentimentos". Quem quebrou meu coração, e agora, vindo do nada, estava tentando reconstruí-lo. Alguém que me fez saber o que é ser inteira de novo, como se eu tivesse encontrado algo dentro de mim mesma, uma coisa que tinha estado perdida por mais tempo que eu lembrava.
Uchiha Sasuke. Alguém que me fez correr para o outro lado do mundo a procura de conforto. Foi o rosto dele que eu vi quando tive aquela overdose abominável, foi nele que eu pensei quando achei que estava morrendo. E os contras estavam vindo à tona. As milhares de garotas que ele ficou, e o dia após termos dormido juntos pela primeira vez.
Eu o queria, de uma forma que eu nunca quis antes. Mas algumas lembranças ainda doíam, eu continuava magoada. Sem sabendo o que sentir.
Tentando esquecer tudo o que se passava pela minha cabeça, eu soltei nossas mãos, prendendo meus braços ao redor do seu pescoço, desgrenhando seus cabelos com os meus dedos. Estar ali, parecia certo. Então era ali que eu continuaria até o momento em que eu sentisse ser errado.
Nossos lábios se separaram, e eu continuei com os olhos fechados, apreciando a forma dos seus braços me segurando forte.
- Por que me disse isso? - Eu perguntei, continuando com a minha mania de apertar o tecido de suas roupas, como se isso fosse o impedir de deixar os meus braços.
- Eu não sei. - Disse sincero. Seu cheiro amadeirado tocando o meu nariz. - Não sou bom com esse tipo de coisa, rosada.
- É, eu não sou mais tão boa nisso como eu já fui. - Admiti.
Sasuke deu alguns passos para trás, se sentando em uma das poltronas que enchiam o escritório de Sarutobi-sama. Eu me permiti sentar no seu colo, já passava um pouco das quatro, e eu sabia que em sextas-feiras ele tinha reuniões até as sete da noite. Havia bastante tempo para ficar ali sem ser notado.
- Nós mudamos. - Sasuke falou, escorando a cabeça no meu ombro.
- Muito.
Eu refletia sobre suas palavras, eu estava completamente desiludida, então não conseguia assimilá-las do jeito que realmente deveria. Brinquei com seus dedos, um tanto constrangida. Finalmente minhas barreiras estavam caindo, mais ou menos. Eu continuava desconfiada de tudo, e bem em meu normal arrogante. Apenas tinha deixado de ser tão dura se tratando dele.
- E agora? - Perguntei quando ele levantou o rosto para olhar para mim.
- Agora você não foge mais, e esquecemos o passado. - Sasuke me deu um sorriso de canto, roçando levemente seus lábios nas minhas pálpebras.
Eu assenti, beijando-o de novo e de novo. Eu aproveitaria alguns minutos a mais, eu não sabia o que me esperava para o resto da tarde.
…
Sasuke tinha combinado de passar na minha casa as dez horas, para que assim fossemos para a festa do branco, onde Naruto e Hinata também estariam. Eu tinha dado uma rápida passada em casa, apenas para trocar de roupa. Eu tinha tirado o uniforme preto e branco da Konoha High e o trocado por uma calça social preta, blazer da mesma cor uma camiseta de botões azul. Eu parecia mais velha, mas de um jeito bonito.
O meu cabelo estava espalhado pelas minhas costas enquanto eu andava até o escritório do meu pai. Respirei fundo, dando uma leve batida na porta. Nada. Dando de ombros, me sentei na mesa de vidro onde estava um computador, vários papeis, telefone e usual material de escritório. Organizei tudo, uma pasta para os distribuidores, compradores, compromissos marcados, pessoas para ver. A agenda estava organizada com seus afazeres do dia.
Eu nunca pensei que trabalhar para alguém fosse tão chato. Quer dizer, com Sarutobi-sama era uma coisa legal, como se eu estivesse ajudando meu avô a organizar suas coisas. Com meu pai, eu acabava por ficar o dia todo em uma mesa super moderna vendo executivos entrarem e saírem da sala de reuniões. E não tinha muita gente bonita, de nenhum dos dois times que eu jogava, o que fazia tudo mais irritante.
Suspirei, passando as mãos pelos cabelos e folhando os papeis espalhados. Eram quase cinco horas e nenhum sinal do meu pai agora. Deveria estar comendo aquela vadia loira que me colocou no mundo. Apenas espero que ele não esteja com ela essa noite, senão meu plano vai por água baixo. Eu tinha planejado tudo muito friamente. Onde estaríamos quando tudo acontecesse, a pouca quantidade que moveríamos nas contas de banco. Ninguém saberia o que aconteceu com ela. Ela apenas sumiria, e se tivesse bom senso jamais colocaria os pés no Japão de novo.
Levantei a cabeça, me surpreendendo ao descobrir que meu pai esteve o tempo todo na sua sala, e não com quem eu pensava. Meus avós, seus pais, estavam caminhando firmemente em direção da saída. Eles não pareciam muito contentes. U-A-U. Parecia que toda a família Haruno estava dentro de suas próprias conspirações, e algo dentro de mim me disse que meus avós queriam o mesmo que eu.
- Touya, vejo que fez algo certo, finalmente. - Meu avô disse, olhando para mim. - É bom mesmo que Sakura comece a conhecer os negócios.
- Pois é vovô, eu descobri que tomos uma renda de 27 bilhões por dia. - Dei um sorriso de canto. As empresas H&U eram as maiores distribuidoras de peças e equipamentos eletrônicos no mundo. Esse era um lucro variável se fossemos parar para analisar.
- Muito bem. - Haruno Norio falou. Meu pai deu uma rápida olhada para mim, como se dissesse "Livre-se deles". Eu acenei, me virando para vovó Aika.
- Soube que você e Sasuke estão namorando, Sakura. - Pisquei, surpresa pelas palavras de Aika.
- Nós não estamos, exatamente, namorando. - Dei de ombros. Eu não tinha ideia do que chamar a minha relação com Sasuke, e "namoro" não parecia uma boa palavra para descrever.
Ambos arquearam a sobrancelha para mim. Eu odiava ter essas conversas com eles. Porque sempre que me viam nunca deixavam de perguntar de Sasuke. Eles realmente queriam que ficássemos juntos. Se minhas ações fossem somadas a dele seriamos sócios maioritários. Eu iria herdar uma parte das de Mikoto, as de Akane, Touya, e provavelmente Kakashi, já que ele não poderia ter filhos devido a uma doença na infância.
- Ele vai hoje a noite me buscar para a festa do branco, perguntem para ele. - Sorri de leve, deixando meu cabelo cair para o lado.
- Ótimo. - Vovô balançou a cabeça. - Aika, eu vou descer, te encontro na recepção.
Vovó acenou. Ela queria falar comigo a sós, isso era obvio. Eu levantei e caminhei até umas das salas vazias, caso meu pai perguntasse eu lhe diria que fui tomar um café ou algo assim. Eu sou uma boa atriz, maravilhosa mentirosa, mas vovó me ganhava nesse sentido. Ela se sentou em uma das cadeiras da sala de reuniões, indicando que eu me sentasse a sua frente. Ela cruzou as pernas, deixando que as mãos juntas sobre o colo, e então começou a falar.
- Não precisa fingir Sakura, eu sei que você descobriu tudo por trás de Mai.
- Sim. E obrigada por ser o motivo de eu ainda estar viva, vovó. - Eu cruzei meus calcanhares, assim como ela havia me ensinado quando pequena. - Acredito que saiba que ela está de volta.
- Era sobre isso que eu estava conversando com seu pai. - Aika me lançou um sorriso sarcástico. - Fico impressionada com a estupidez dele. Touya acha que Mai quer montar uma família feliz. Tanto eu quanto você sabemos que é tarde demais para isso. Você não é a mesma de três anos atrás. Eu tenho orgulho de você Sakura, só espero que saiba o que está fazendo.
Como eu havia dito, vovó era uma mulher e tanto. Eu viva na sua casa quando pequena, mas por certas circunstâncias preferi manter distancia nos últimos anos. Ela não gostava da minha mãe biológica, mais do que eu gostava. E como sempre, Aika estava atenta a tudo. Talvez ela não soubesse exatamente o que eu iria fazer, mas supos que não fosse nada que atrapalharia as suas vontades.
- Akane está gravida, e eu quero que meu irmão tenha uma família que eu não tive. - Eu falei séria, olhando firmemente em seus olhos verdes.
Ela sempre me disse que quando olhava para mim via uma versão mais nova sua, uma que cometeu muitos erros semelhantes, e se ergueu das próprias cinzas. Essa noite eu descobriria se isso era verdade.
- E você está certa em fazer isso, criança. - Aika ficou de pé, e eu copiei seu movimento. - Só tome cuidado para não deixar rastros. Você não vai querer que seu pai descubra o final da sua amante favorita.
Eu acenei. E juntos fomos até a porta. Meu sangue corria feito água gelada por minhas veias. Eu estava me transformando em um monstro, um mostro digno do sangue Haruno. Eu não gostava de imaginar na pessoa que eu me tornaria daqui a dez anos. Estava na hora de colocar um fim em tudo e seguir em frente. Ao menos dessa vez eu não estava sozinha. Esta noite eu veria quem os herdeiros de uma das maiores potencias mundias realmente eram. Só não sabia se estava preparada para isso.
To Be Continued...
N/a:
Oi gatas. Eu sinto muito por essa demora em postar, mas eu fiquei triste por causa das reviews, e também tinha muita coisa acontecendo. Eu gostei desse capitulo. Acho que eu consegui mostrar o quanto a família da Sakura é "manipuladora", como ela propriamente disse. Escutem, eu vou viajar, ficar duas semanas fora, mas eu tenho o próximo capitulo todo planejado. Prometo postar assim que eu chegar em casa, contanto que você sejam legais e comentem.
Todo mundo pedindo uma oficialização de namoro. Não sei quando vocês vão conseguir isso exatamente, mas podem ter certeza que vocês vão descobrir muitos podres da Mai e da Sakura no próximo capitulo. Os motivos mais fortes para elas serem assim.
E vocês gostaram desse presente de natal? *0* Desculpem se tem algum erro de português, é que a minha beta, a Bella, foi viajar, e a vontade de escrever me veio quando ela não podia betar para mim. ¬¬"
Quero saber o que vocês acham que a Sakura vai fazer! O capitulo não está tão grande quanto o normal, mas isso é porque se eu colocasse mais uma coisa ia acabar com a surpresa.
O titulo desse capitulo é "Jovens Adultos", porque eles estão tomando as decisões difíceis, e meio que aderindo as conspirações das próprias famílias.
Espero que tenham gostado. Eu respondo as reviews no próximo capitulo, porque eu tenho que sair agora e amanhã eu vou estar viajando o dia todo.
Feliz natal e um maravilhoso ano novo para vocês gatas.
Bgsbgs
Sami
