N/a: Bom, eu estive um pouco ocupada, por isso o capítulo não veio tão rápido. Espero que estejam prontas para conhecer um lado da Sakura que não estão, no mínimo, acostumados. ;9 Boa leitura.
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Dezoito
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Planos Maquiavélicos
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Primeiro você ganha as cartas, analisa o jogo, mas nunca, jamais, conta com as cartas do seu adversário, é só você e suas estratégias. Sempre tenha um plano B, o caos pode se instalar quando menos se espera.
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19 de Agosto de 2008
…
Por todo o dia eu estive nervosa, mas não agora. Estranhamente eu me sentia calma, relaxada, sem nenhum peso nos ombros, ao menos neste momento. Vestida e maquiada, eu fui ver Akane. Meus avós tinham passado pouco tempo em casa, mas os conhecendo, eles deveriam ter ficado o resto do tempo a importunando. Sério, isso era um saco. Eu até me dava bem com ambos, minha infância foi sempre cheia de tardes junto deles, minha reabilitação também, vovó viajava toda semana para Europa para me ver. Só que com Akane era diferente.
Ela estava grávida do primeiro filho, uma coisa extremamente boa, e eles fingiam que ela não sabia das traições do meu pai, tentando colocá-la em uma espécie de camada super protetora. Talvez okaa-san, não soubesse de Mai, ou até mesmo que eu sabia dela, porém ela tem total conhecimento de não ser a única na cama do meu pai.
Torci os lábios. Ela estava no seu próprio escritório, que para mim era mais uma biblioteca gigante, sentada no chão coberto por carpete, com várias fotos espalhadas a sua volta. As sandálias de tiras prateadas que eu usava não faziam muito som em contato com a superfície aveludada, não foi surpresa ela sequer ter me notado até que eu sentasse ao seu lado.
- Relembrando os velhos tempos? - Perguntei sorrindo levemente, deixei que a trança embutida caísse para o lado.
- Pode-se dizer que sim.
Ela não tirou os olhos das fotografias. Seu cabelo estava se desprendendo do coque frouxo a cada vez que ela mexia a cabeça. Parecia dentro de seu próprio universo particular. Eu mordi o lábio. Eu queria contar para ela todas as coisas que eu fazia, e mostrar que não sou a criança mimada que todos pensam, mas agora eu não conseguiria. É parecido com a sensação de querer muito um baseado e, ao mesmo tempo, saber o quanto isso era errado. Eu meio que tinha me fechado para algumas coisas, não era agradável que ela fosse uma delas.
Cansada dos meus pensamentos, eu peguei uma das suas fotos. Nela, havia Kushina e Mikoto na sua época de colegial, saias rodadas e tudo mais. O que me fez lembrar que o uniforme da Konoha High era o mesmo há bastante tempo. Em outra foto havia Kakashi, ele deveria ter uns doze anos, ou coisa assim. Os braços cruzados e uma cara irritada ao lado do irmão mais velho. Eu não tinha certeza, mas chutava uns dez anos de diferença entre ele e Touya. Na última delas, estava Akane, com um sorriso tão doce e apaixonado que eu jamais pensei ser possível vir dela, do seu lado um cara bonito, pele levemente bronzeada e olhos verdes parecidos com os meus. Só que aquele não era meu pai.
- Quem é o gostosão de roupa de banho do seu lado?
Ela riu baixo, antes de responder.
- É o meu amor da juventude. - Ela colocou o cabelo atrás da orelha de um jeito meio desajeitado. - O nome dele é Lucca, é russo. Morou aqui durante um tempo, quando descobriu que seu pai era um jardineiro ao contrário do grande advogado que conheceu.
- Não me diga que é um clichê, tipo, a princesa e o plebeu. - Falei com a sobrancelha levemente arqueada.
- Não! - Akane revirou os olhos negros para mim. - A mãe dele tinha uma fortuna tão grande quanto a dos meus pais, era só que... bem... algo meio errado na época. Eu o amava, de certo modo ainda amo, mas ambos cometemos erros demais para ficarmos juntos.
- Que tipo de erros?
- Orgulho, ciúmes... Vivíamos brigando por causa de Touya. - Akane deu de ombros, melancólica. - No fim ele voltou para a Rússia e eu fiquei aqui, acabei casando com seu pai e o resto você já sabe.
É, eu sabia... O final era um final infeliz e um casamento sem amor, não que eu acreditasse muito no último. Que coincidência. Tanto Touya quanto Akane deixaram seu "verdadeiro amor", ou o que seja, ir embora e se casaram com quem seus pais achavam melhor. Tudo pelo bem da empresa.
- Se você tivesse a chance de voltar para ele, voltaria?
- Sim. - Disse sem hesitar. - Acho que ele foi a única pessoa que realmente me entendeu, viu que eu não era a filha mais nova de um bilionário. Ele me viu como uma garota revoltada com problemas de atenção com os pais. Nada mais que isso.
Baixei os olhos para o meu vestido justo e branco, apreciando os detalhes, como o cinto de pedras azuis e rosas na cintura, e em pequenos adornos nas mangas nos ombros. Parecia errado invadir um momento íntimo como aquele. Quem sabe, se caso ela e Touya se separassem, ela não voltasse para o bonitão russo. Akane bem que merecia.
Ouvi a porta abrir no andar de baixo, fiquei de pé, equilibrando-me nos saltos. Ela queria ficar sozinha, era melhor deixá-la em paz por um tempo. Dei-lhe um beijo na testa e recebi um sorriso de volta.
Voltei para o meu quarto para pegar minha bolsa. Teoricamente eu passaria a noite na casa de Sasuke, ou na de Hinata, nós montamos alguns álibis, por assim dizer. A última coisa que faríamos hoje era nos divertir. Passei a mão pelo pescoço, fechando a porta do meu quarto. Tamanha foi a minha surpresa ao encontrar o Uchiha sentado na minha cama. Ele estava bem vestido, com calça caqui branca e uma camiseta com gola V e os cordões da amarra se intercalando.
- Toda essa produção é para mim? - Eu dei um sorriso de canto para ele.
- Sempre, rosada.
Sasuke ficou de pé vindo até mim. Ele estava sério, admito que talvez eu também estivesse. A aflição começou a preencher meu corpo e eu o abracei quando ele abriu os braços para mim. Era satisfatório tê-lo como ponto de escora. Algo em mim dizia que o elo entre os descendentes das quatro famílias ia bem mais longe do que só negócios. Eu não sabia se era verdade, mas eu sentia que meu avô, o de Naruto, o de Sasuke e a avó de Hinata também tiveram elos para manter a família inteira.
Desnorteada se mostrava uma boa palavra para demonstrar como eu me sentia. Sem muita reação, só fazendo as coisas por serem necessárias, parte da rotina ou algo do gênero. Cá entre nós, eu estava começando a pensar em mim mesma como uma versão melhorada de alguma vilã de um filme cheio de corrupção. Não que as coisas fossem dessa forma, mas tudo que estávamos fazendo tinha uma boa quantidade de dinheiro e interesses envolvidos.
- Naruto e Hinata já estão lá?
- Sim. - Escorei a cabeça no seu ombro, fechando os olhos. - Eles estão sentados com ela, Hinata levou o vinho rose como você sugeriu. Admito que jamais imaginei que os dois seriam capazes de nos ajudar.
- Por quê? - Perguntei.
- Olhe para nós dois, rosada. Manipulamos e fazemos o que os outros julgam errado desde que nascemos. Hinata e Naruto nunca quiseram se envolver com o lado sujo da família.
Ele estava certo e, no fundo, eu me culpava por envolvê-los nisso. Eu só não era capaz de fazer sozinha. No fim das contas aquele monstro loiro era a minha mãe. Era tarde demais para pensar que eu jamais iria ir para o céu, ou seja lá o que, por sujar as minhas mãos com sangue familiar. Já estava feito.
…
O enorme galpão ficava em uma parte isolada da cidade, ele pertencia a família, então não tive problemas para trazê-la aqui, e calar olhos e ouvidos com umas notas verdes foi fácil. Eu tinha um casaco preto, longo, cobrindo meu corpo, minhas mãos estavam nos bolsos enquanto Sasuke e eu percorríamos a distância até a porta.
O lugar estava quieto, tudo aceso, quando meus pés tocavam o chão o som ecoava pela extensão cheia de caixas. Havia uma espécie de sala/quarto, na parte mais afastada. O quarto era como salas de interrogatório, uma parede com vidro fumê, que não se via nada de um lado e tudo do outro. De início eu me senti em alguma série policial que eu tanto gostava, a diferença aqui era que, tecnicamente, eu era a vilã da história.
Sasuke parou ao lado do arco da porta fechada, eu copiei seu gesto, encarando seus olhos. Ele deveria estar pensando quão grandes eram as coisas que eu escondia, não só dele, mas de todo mundo. Havia meia dúzia de podres meus que Sai conhecia, e também era só. Eu não sabia se o Uchiha a minha frente estava preparado para o que viria a seguir, eu tinha feito uma pesarosa lista de coisas que eu queria fazer com Mai, talvez ele só não estivesse pronto para isso.
Uma coisa ruim é que as palavras de Naruto vieram a minha cabeça, o que ele havia me dito quando estávamos bêbados e fugindo da imprensa naquela estrada de terra. Algo como "É bom ter você de volta, Sakura-chan". Senti-me um pouco afetada por isso, porque, de uma forma ou de outra, a sua amiga de infância não tinha voltado. Ela deveria estar perdida em algum lugar dentro de mim. Era bem provável que ela jamais voltasse a surgir, talvez só por breves momentos.
Pelos infernos, como eu queria ser quem eu era antes: amável, inocente e virgem. A Sakura antes das drogas e dos corações partidos. Porém, isso estava longe de se tornar real. Mordi de leve o lábio, tentando entender a razão para Sasuke estar me olhando sem falar nada. Como... como se esperasse que eu fizesse alguma coisa.
- O que foi? - Perguntei quando já não me aguentava mais.
- O que não foi, você quer dizer. - Ele suspirou, passando as mãos pelos cabelos. - Você não está tensa, ou com medo do que vai fazer. Sempre que age assim está escondendo algo grande. Só me pergunto se devo ter medo disso.
- Acredite Uchiha, eu já fiz e vi coisas que fariam você ficar com medo. - Falei com sinceridade. - Você tem que saber que minha conversa com Mai vai ser uma delas, e você vai ouvir muitos podres meus saindo da boca dela. É sua decisão se ainda quer continuar.
- Hn. - Ele revirou os olhos. - Sempre misteriosa, rosada.
Eu não lhe disse nada em relação a isso, ao contrário do esperado, eu abri a porta com uma firmeza que chegava a ser elegante. Comecei a tirar o casaco e o pendurar em um porta-chapéus, como se fosse uma coisa normal visitar o cativeiro da sua mãe. Virei-me para ela, a qual estava sentada com as pernas cruzadas na cama enorme, os cachos sempre tão grandes e elaborados estavam uma bagunça só. A melhor parte era o vestido azul como seus olhos. Ela deveria ter se encontrado com Touya antes de ser sequestrada.
- Gostou do vinho, mamãe?- A última palavra soou como um palavrão saindo da minha boca.
Como combinado, só havia eu e ela ali. Sasuke se moveu para a sala ao lado com Naruto e Hinata. Aquele assunto era entre nós duas, nada mais justo que uma "conversa particular". Isso se você pudesse chamar de particular quando outras três pessoas a assistiam.
- Maravilhoso, criança. - Mai disse sarcástica, continuando no fingimento de que estávamos em uma suíte luxuosa, ao invés de um galpão cheio de ratos. - Não pensei que você chegaria ao ponto de, me buscar em casa, porque estava tão ansiosa para me ver.
- Não pude resistir, tudo em mim queria estar próxima a você, ma chérie.
Puxei uma das luxuosas cadeiras roxas que adornavam o cômodo, sentando-me de pernas cruzadas. Eu peguei uma das taças ali, e servi vinho para mim. Cá entre nós, eram poucas as bebidas alcoólicas que eu gostava, e vinho rose não estava entre uma delas. Balancei o objeto entre os dedos, lançando-lhe um olhar tão analisador quanto o que era direcionado a mim.
- Você se superou. - Ela deu um pequeno sorriso seco.
- Foi uma grande coisa para uma "drogada de merda", não? - Lhe dei meu sorriso mais iluminado. - Sempre segui o exemplo da minha mãe australiana, nada como passar de uma viciada para uma vadia manipuladora.
- Correto. - Mai parecia entre a raiva e o orgulho, a questão era se isso era direcionado a mim ou a ela mesma. - É sempre melhor ser a vadia do quê...
- Do quê a garotinha do coração partido. - Bufei, revirando os olhos. Ela nunca tinha me dito isso antes, mas em algumas coisas nossos pensamentos eram realmente similares.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, enquanto ela se levantou com a taça nas mãos e começou a andar pelo quarto. Deixei que apenas meus olhos a seguissem. Eu estava presa em uma nova face de mim mesma. Algo que provavelmente tinha surgido com o excesso de sábados à noite no meu quarto, passando os canais da tevê a cabo. Eu fiquei um ano e meio nessa, até que Sai começou a me arrastar para todo tipo de festa com ele. Mas eu tive um bom tempo para analisar todas as coisas que eu já havia feito. Não me fazia sentir melhor, só menos culpada.
- E como está sua madrasta? - Mai me perguntou. - Soube que ela está muito feliz com o bebê.
- Ela realmente está. - Lhe respondi friamente. - Meu irmão vai ter tudo o que eu não tive, estou trabalhando para isso nesse exato momento.
- Oh. - Colocou a mão na boca no mais falso gesto de surpresa. - Então é por isso que estou aqui. Para você se sentir melhor cuidando do seu irmão, algo que não fez pelo seu filho.
Eu ri baixo para ela. Era obvio que ela ia esfregar isso na minha cara. Eu tinha feito um "back up" de toda a vida dela, e como Mai nunca foi estúpida fez o mesmo com a minha. Algo em mim disse que palavras de má índole e bufadas de surpresa aconteciam do outro lado do vidro. Todos sabiam que eu tinha um histórico sujo e, meio por cima, as razões para eu ter evitado meus antigos amigos por todos esses anos, mas nenhum deles tinha escutado os detalhes sórdidos.
- Eu nunca fui exatamente do tipo religiosa, mamãe, mas digamos que Deus quis assim. Talvez faça você se sentir melhor, já que abortou uma criança antes de eu nascer.
Ela cerrou os olhos, ainda sorrindo.
- Bom, você fez seu dever de casa. Parabéns por isso. – Deu-me um aceno de cabeça. - O seu irmão tinha que "ir com os anjos", para que não estragasse minha vida. Eu gostava do seu pai Sakura, quando estava grávida de você, mas foi irônico o Deus, ou seja lá o quê, ter me feito engravidar novamente. Foi um sinal para que eu colocasse minha vida no eixo, e fosse alguém melhor. Você pode ver os resultados agora.
- Claro que posso. - Assenti como uma estudante amando as palavras de seu professor. - Eu tive um aborto espontâneo, você pagou para se ver livre. Acho que forças superiores quiseram te mostrar o quão filha da puta você pode ser.
- Ótimas palavras. - Ela bateu palmas para mim. - Agora vamos falar do seu namoradinho, Sasuke, não? Eu lembro de tudo que você me disse em Veneza. Se eu fosse você, depois de ter dormido com aquela garota, depois de tirar sua virgindade, bem, eu teria feito pior do que ignorá-lo e não lhe contar sobre o filho que vocês nunca tiveram. Mas admito, esconder dele o que Mikoto e você vivenciaram, esse foi um bom golpe.
Lembrei parcialmente do dia em que eu fui ver Mai, e como eu caí daquela escada e tive o aborto, não que eu tivesse dado muita importância, na hora eu nem percebi o que estava acontecendo. Depois que eu acordei no hospital Akane me contou o que tinha acontecido. Esse foi um dos motivos para eu nunca ter olhado para ele e as brigas que tivemos durante anos. Algo dentro de mim o culpava por tudo o que me aconteceu, como se o amor que eu antes sentia por ele se transformasse em uma máquina de autodestruição.
Eu estava abalada por dentro, como ótima mentirosa isso não estava estampado na minha cara. Você nunca vai se sentir bem quando as coisas mais sujas que você vivenciou forem expostas para pessoas que você, no mínimo, gosta. Ninguém é o mesmo de um ano após outro, às vezes coisas acontecem, e quando acaba o dia você para e se pergunta no que diabos se tornou. Eu não tinha uma resposta completa para isso ainda.
Bem lá no fundo, uma coisa ficava me cutucando e eu só conseguia pensar "Essa é a minha mãe.". E eu tinha descido a um nível tão baixo, a ponto de sequestrá-la e querer mandá-la para qualquer parte do mundo, desde que fosse distante da minha casa. Todo mundo tem sonhos, e por mais que eu não admita, também os tenho. Eu queria ter uma família, uma família como Naruto e Hinata tem, e que Sasuke teve. Eu não queria mais um peso na consciência por mais raiva que eu sentisse por Mai.
De repente meu plano parecia estúpido. Principalmente porque no começo disso tudo eu tinha pensado em contar tudo para Akane e deixar que ela resolvesse, eu não tinha que opinar sobre a vida dos meus pais e do meu irmão. A única coisa que eu deveria ter feito desde o início era tentar manter Akane firme e apoiá-la. Quem sabe até procurar o tal cara russo de quem ela gostava – Lucca.
Todavia, a merda já estava feita. Enquanto Mai andava de um lado para o outro no quarto, eu me sentia em uma encruzilhada. Com vários caminhos diferentes a seguir, e nenhum deles fazendo real sentido para mim. Nós já estávamos aqui e não existe forma de mudar o passado. O que seria o certo a fazer? O correto a fazer? Quem eu era para fazer isso? Para quem um dia foi a boa moça eu tinha me tornado em uma bela vaca manipuladora.
- Por que?
Ela se virou diante da minha pergunta. O que ela disse sobre Mikoto ainda estava na minha cabeça. A mulher de cabelos longos e negros, olhos iguais aos dos dois filhos, um sorriso maravilhoso que Sasuke herdou, mas não usava com frequência. Sua paciência quando eu lhe contei, detalhadamente, tudo, tudo o que aconteceu comigo, o que acontecia com todos nós antigamente. Como eu me sentia em paz com ela e todas as coisas que ela me disse. Como ficou decepcionada com nós dois e como me abraçou quando eu lhe disse sobre o aborto.
Eu me sentia suja depois daqueles dias. Depois dos acidentes. Na minha reabilitação ela foi me visitar por muitas vezes, mas nunca falamos realmente sobre meus motivos. Isso só aconteceu no dia que ela foi morta, diante dos meus olhos. Havia um motivo para o caso não ter sido concluído até os dias de hoje, e eu sabia disso. Esse também era o motivo de toda a coisa do testamento. Itachi recebeu sua parte com dezoito anos, Sasuke também e eu só imaginava o que eu encontraria na carta que ela deixou para mim.
Olhando para Mai agora, eu queria saber com todo o meu ser, o porquê dela estar aqui agora. O motivo de jamais ter me procurado e nunca ter sido uma mãe. Eu tenho certeza que se não fosse pela questão do aborto, talvez ela e meu pai pudessem ter se casado. Algo em mim me disse que eu seria uma pessoa bem pior do que eu era agora se isso tivesse acontecido. Se eu nunca tivesse Tsunade e Mikoto comigo. Suspirando e desistindo de questionar coisas impossíveis, eu me levantei.
- O que quer saber? O que eu acho sobre você esconder as coisas de Sasuke, ou a sua estupidez ao longo dos anos?
- Por que voltou? O real motivo. - Eu estava mentalmente cansada, não controlando muito bem as minhas palavras. - Para quebrar com o coração do seu cachorrinho mais uma vez? Ou para destruir a minha construção de moral e autocontrole? Para me mostrar que eu continuo sendo uma criança com os mesmos desejos de antes?
Pela primeira vez eu a vi deslizar. Ela não tinha palavras para mim. Tínhamos raiva uma da outra, amargura e todas essas coisas. Era a mesma coisa que eu sentia pelo meu pai, eu o odiava por todas as coisas inescrupulosas que ele fez, inclusive comigo. Contudo, no fim, eu ainda sentia alguma coisa por ele. Eu havia a visto poucas vezes, uma em Veneza e outras mais frequentes aqui em Tóquio. Até então, ela não tinha me dado um único motivo para ter voltado.
- Eu não sei. - Deu de ombros, olhando-me com amargura. - Eu estou quase nos quarenta, sozinha em uma casa linda cheia de empregados, uma médica exemplar, uma das mais bem pagas no meu país. Mas, algo me fez querer ver no que você se tornou. Fiquei impressionada. Você poderia continuar com seus vícios, mas não. Acabou por se tornar uma mulher. Por mais coisas que eu tenha feito para você, você se reergueu. De certo modo se tornou em uma versão da sua avó, e um pouco minha também.
Eu não lhe disse nada, apenas ouvi suas palavras. Em resposta ela se manteve falando.
- Você sabe quando deve interferir quando se refere a sua família, e sabe ser inexpressível como eu. No passado, seu pai fez coisas horríveis para mim, assim como o garoto Uchiha fez para você. Da mesma forma que você olha para ele, eu olhava para Touya. Eu negava qualquer coisa que sentia sobre ele, e eu me mantive firme, até engravidar de você. Eu não queria me deixar cair, apaixonar-me de novo por ele, mas o fiz.
- Você está errada. - Declarei. - Não nego que sou parecida com você, que cometemos erros similares. Mas se eu soubesse que estava grávida, por mais criança que eu fosse na época, eu não abortaria. Talvez eu ainda fosse quem sou agora. Só que eu não interferiria na vida de alguém, como você está fazendo com a minha. Se você disse que nunca me quis por perto, deveria ter se mantido assim. Ao invés de acabar com a estabilidade que eu tinha criado.
- Você está certa, Sakura. - Mai olhou dentro dos meus olhos. - Quando você crescer vai aprender que as pessoas falam coisas da boca para fora e que, o que mais queremos, nunca podemos ter.
- Não. Quando você quer algo, se realmente quiser isso, você consegue. - Eu me tornei mais séria, a cada palavra que dizia. - Se você quisesse a mim e ao meu pai de volta, como está alegando entre linhas, teria vindo conversar com nós dois. Não teria me alfinetado ou mexido comigo do jeito que fez. Não acredito em você.
Eu não acreditava em mais ninguém. Parecia tudo uma ilusão criada para os outros verem e sorrirem. Talvez, bem lá no fundo, eu ainda creio em amar uma pessoa, mas isso é diferente. Eu achava amor na puberdade uma coisa fútil, todo mundo diz que ama todo mundo e depois estão falando como se odeiam pelas costas. Casais alegando se amar em um dia e traindo no outro. Mulheres que dizem amar seus filhos e os destroem logo depois.
Eu não acreditava que Sasuke se importava comigo pelo que ele me fez no passado, e o mesmo se incumbia a Mai. Existem segundas chances, mas não quando você destrói uma pessoa, não tem como recompensar os estragos feitos. Tudo em mim estava em contradição agora. Eu tinha raiva e... E algo quente borbulhando no meu estômago. Sentia-me perdida e sem rumo. Com medo de mim mesma pelo que fiz hoje, e ainda mais por desejar uma pessoa em especial para me consolar.
- Eu não o amo. - Murmurei para mim mesma, mas Mai ouviu. - Não tem como se amar quem machuca você.
Eu caí sentada na cama, colocando as mãos entre os fios soltos de cabelo. Mai, para minha surpresa, se agachou na minha frente, colocando as mãos nos meus joelhos.
- Agora você está errada. - Ela me pareceu piedosa. Minha mente gritava. "É MENTIRA! É MENTIRA! É MENTIRA!". - Nós sempre amamos quem nos machuca.
Mordi meus lábios, aflita. Eu realmente deveria ser bipolar, não havia como alguém mudar tanto em cerca de minutos. Tentando me recompor eu a encarei.
- Eu tenho duas propostas para você, mãe. - Meus olhos pareciam queimar, eu só não sabia se era por raiva ou tristeza. - Você pode deixar Tóquio, com a grana que você quiser. Ou, como sua única parente viva, posso te mandar para um hospício, onde você vai ser sedada todos os dias e onde ninguém vai acreditar no que você diz.
- Hn. - Mai bufou, revirando os olhos. Ela voltou a andar pelo quarto, sem me encarar. - Você colocou os outros herdeiros no meio disso. Talvez os outros não acreditem em mim, mas seu pai vai. Sabe o que sequestro significa Sakura? Você pode ser presa, independente de quantos advogados e pessoas do seu lado.
- Se você já fez coisas piores que eu, já mudou de identidade tantas vezes, e continuou vivendo sua vida. Por que acha que vai ser diferente comigo?
- Porque você é diferente de mim em um único aspecto. - Ela falou com convicção. - Você é uma pessoa boa, por mais que negue e tente não ser. Se você não tivesse naquelas duas situações, jamais teria sujado suas mãos de sangue. Eu me tornei médica para tentar me sentir um pouco melhor por tudo que fiz a você. Seu pai nunca esteve entre isso, sempre foi você e eu Sakura. Mas isso não apagou as coisas que eu fiz. Você é exatamente desse jeito. Vai se culpar por não ter dito a ninguém sobre a morte de quem você mais amava, vai se sentir cruel por fazer seu pai se enfiar no álcool por eu ter me afastado dele mais uma vez. E acima de tudo, você vai se odiar com todos os fios da sua alma quando pensar em como colocou esse peso nas costas dos herdeiros. Por Sasuke ser um deles.
- Eu não ligo para minha consciência. Ela já é suja o bastante, o que são algumas porcarias a mais? - Lhe sorri com nojo de mim mesma. - Qual é a sua decisão?
- Você não pode me mandar para um hospício, não sem o meu pai concordar com isso. Não vai conseguir me matar também. Eu vou continuar em Tóquio, não vou me meter na sua vida de novo Sakura. Mas não vou ficar longe do seu pai.
- Você está disposta a estragar a vida de mais uma criança? - Cuspi. - De fazer mais alguém se autodestruir e odiar a família por saber que o pai trai a mãe todo santo dia? De me humilhar mais uma vez, quando o mundo souber que eu não sou filha de Akane e que meu pai está a traindo com a minha mãe biológica?
- Não Sakura, por mais que não acredite, eu jamais quis o seu mal. Não vou ficar no seu caminho, e Akane não ama seu pai Sakura. Esse filho não é dele, o divórcio está próximo, é inevitável. Os dois não dormem juntos há anos. Nunca se amaram, porque seu pai me ama e ela sempre amou Lucca.
Fiquei de pé, peguei meu casaco e deixei a porta aberta para ela. Eu estava em choque, mas o que ela disse fazia total sentido. Mas eu não queria pensar nisso agora.
- Você está livre para ir, ma chérie. Desde que não apareça no meu caminho nunca mais.
- O que vai fazer? - Ela perguntou.
- Nem queira saber.
Eu apalpei os bolsos do meu vestido. Achei a chave da minha moto que estava estacionada nesse mesmo galpão. Os resultados foram sempre óbvios para mim, era sempre bom ter uma segunda opção de escape. Eu não estava nem fodendo para o que eu iria fazer. Eu tinha dezessete anos, acabou toda essa farsa de ser madura. Eu cansei de todos eles, de mim mesma. Se fosse para fazer algo estúpido, que seja no estilo Haruno Sakura.
Eu ouvi passos vindo na minha direção. Três rostos esperados e o último inesperado. Eu não acreditava que ele continuou ali. Subi na minha Harley-Davidson e Buellpreta, colocando o capacete e ignorando o ofego as minhas costas. Eu a liguei, pisando no acelerador, passando pela fresta do portão de ferro. Nesse momento, só por essa noite eu me deixaria ser imprudente.
Quando as ruas vazias do subúrbio, as árvores em maioria sem folhas, as poucas pessoas surpresas passavam em borrões por mim. Eu não conseguia acreditar, assimilar tudo o que aconteceu hoje. Eu fugi dos problemas por uns bons anos, mas isso não estava acontecendo mais agora. Era só isso que eu queria fazer: fugir. Europa estava descartada, mas América podia ser algo interessante, Nova York, Miami, até mesmo o Caribe. Só eu, festas e uma boa garrafa de conhaque. Sem Mai, sem Touya, sem Akane e, principalmente, sem Sasuke.
Eu não sabia para onde estava indo, só deixei meu instinto me guiar. Estava frio, e com o pequeno vestido e o casaco, apesar de ser grosso, não evitavam que minha pele se arrepiasse e meus lábios ficassem roxos. A estrada estava deslizando, mas eu não me importei. Por que não agir como uma criança mimada? Porque era isso que todos sempre esperavam de mim.
Eu vi uma boate que eu não frequentava com muita frequência, mas era agradável, tinha músicas sensuais e raivosas, tudo o que eu precisava agora. Eu estacionei a moto, e passei pela enorme fila. O segurança logo me reconheceu, e sem perguntar, me deixou entrar. Eu deixei meu casaco na chapelaria e entrei para a fumaça de cigarros e o cheiro de sexo e álcool. As luzes negras enchiam o lugar, eu fui ao banheiro, me olhei no espelho, soltando a trança e deixando meus cabelos caírem em ondas pelas costas.
Uma garota, com mais ou menos o mesmo físico que eu saiu de uma das cabines. Ela usava um vestido vermelho, justo e bem decotado, mal indo até a metade da coxa. Eu me aproximei dela.
- Eu te dou duzentos se você trocar de roupa comigo. - Falei
Ela me olhou de olhos arregalados, me analisando da cabeça aos pés.
- Você está usando um Channel. - Ela balançou as mãos na frente do corpo. - Isso vale, tipo, uns dois mil.
- Eu sei. - Dei de ombros. - O que me diz?
- Feito.
Eu saí do banheiro me sentindo melhor. Adeus boa menina, a vadia está de volta. Sorri, sentindo olhares libidinosos, isso era tudo o que eu precisava. Fui até o balcão, pegando uma doze de dry martini.Eu gostei da forma que o tecido se ajustou ao meu corpo, justo e deixando meus seios maiores do que já eram. Eu queria me sentir sexy e havia conseguido isso.
Um remix, de Monster do Skillet tocava alto. Eu ri, essa música combinava bem comigo hoje. Eu cruzei as pernas, deixando que o tecido subisse. Tomei mais um gole do martini. Existia uma mesa/palco no centro disso tudo, para quem quisesse dançar ou fazer qualquer coisa ali, afinal, isso era quase um clube de orgias. Eu vi alguém especial na multidão, alguém que eu não via há muito tempo. Ignorando os olhares, eu fui até ela.
- Não acredito que você está aqui! - Konan gritou ao me ver. - Gostosa como sempre, em Saky.
- Como pode ver. - Eu sorri para ela, acenando de leve para Nagato e "Pain" que estavam logo atrás. - Hei, quer relembrar os velhos tempos?
- Com você, em uma cama de hotel, novamente? - Ela falou brincando, mas seus olhos estavam cheios de malicia. - Será um prazer.
- Ótimo, mas deixaremos isso para mais tarde. - Eu peguei sua mão, puxando-a comigo. - Primeiro nós vamos dançar, como se estivéssemos em Veneza novamente.
Konan gargalhou me seguindo.Love Is Paranoid do The Distillers começou a tocar. Nós subimos naquele palco improvisado e ouvi exclamações masculinas. Konan sorriu e começou a dançar comigo. Ela se aproximou, trazendo seu corpo próximo do meu, dançando sensualmente. Eu amava aquela música, era energizante, enfurecida e dizia uma das muitas coisas que eu sentia naquele momento.
Nossas pernas se enroscaram enquanto dançávamos e ela se aproximando mais de mim, ambas continuamos rebolando e cantando com a música. Seu cabelo azul estava todo solto, longo e em um liso brilhoso. Os olhos bem delineados de preto. Seu vestido era da mesma cor do cabelo. Pareceu-me sacana, nós duas com vestidos com cores combinando com as dos nossos cabelos, no mínimo, exóticos. Ela estava gostosa, então eu pensei, porque não?
Ouvi gritou e aplausos quando nos beijamos. Essa era a coisa legal em beijar uma garota, era doce, suave e excitante. Nós nos movíamos na batida, sua mão indo para os meus quadris e a minha passando pela lateral dos seus seios. Não era ela que eu queria agora. Eu queria outra pessoa, uma com olhos negros e com o melhor domínio na cama que eu conhecia. Mas eu não podia tê-lo, não agora, depois de ele ter escutado tudo, tudo aquilo sobre mim. Konan não tinha nada haver com ele. Ela era mais velha, graciosa, e não tinha um pênis.
A música mudou, mas nós continuamos ali, balançando o corpo com a música e nos beijando de vez enquanto. Sua mão estava nos meus cabelos, e seus lábios nos meus quando do nada o som sumiu. A multidão estava raivosa, ainda mais porque parecia que éramos a atração principal ali. Eu a encarei e nós duas demos de ombros ao mesmo tempo, voltando a juntar nossos corpos. Rimos insolentemente e começamos a cantar a música interrompida.
Eu a beijei por mais uma vez, ignorando o peso a mais na mesa. Era quente, e cara, eu tive alguns casos com garotas ao longo dos anos, mas nenhuma jamais se comparou com Konan. A forma como ela invadiu minha boca, foi devastadora. Mas não era ela que eu via quando fechava os olhos.
- Sempre arrasando Saky. - Ela riu, mordendo o meu lábio. Nós nos viramos para ver quem tinha invadido nosso espaço e surpresa atingiu meu rosto. - Hei gostosão, sinto muito, mas essa garota é minha por hoje.
- É mesmo? - Sasuke perguntou cruzando os braços. - Eu não acho isso.
Ele me pegou pelas pernas, jogando-me sobre seus ombros no gesto mais bruto que existia. Eu arregalei os olhos e comecei a bater nas suas costas para que ele me soltasse. Konan correu em nossa direção, Nagato e Pain vindo logo atrás. Bem, pelo que eu sabia, eles não gostavam de Sasuke, talvez eles me ajudassem a sair dessa.
- ME SOLTA! - Eu gritei. - Você não é ninguém para fazer isso Sasuke! Deixe-me ir!
- Não! - Ele gritou com raiva. - Se você está sendo estúpida e infantil, alguém precisa te colocar no lugar.
Eu comecei a debater as pernas. Ele as segurou com firmeza, como se não fosse nada demais. Eu não queria vê-lo agora! Não queria que ele me tocasse! Eu queria me sentir leve, dançar era uma coisa que causava isso. E Konan era alguém que me divertia, eu almejava ficar me amassando com ela naquele palco cheio de luzes piscantes. Ele não podia fazer isso comigo! Não podia!
Ele olhou para o segurança, e sobre o ombro, eu o vi abrir uma porta de uma das cabines V.I.P.'s nos deixando entrar. Sasuke a trancou em seguida, deixando os outros três encarando atônicos. Havia uma cama grande ali, e ele me jogou sem a menor delicadeza sobre ela. Começou a andar de um lado para o outro, passando as mãos com fúria pelas madeixas negras.
(N/a: Sugestão: Taylor Swift – Last Kiss)
- O que diabos você está pensando, Sakura? - Ele me olhou, jogando os braços para cima. - Você tem merda na cabeça?
- Eu já disse para me deixar em paz! - Rugi. - Eu não te devo satisfações!
- Sim, você deve. - Sasuke veio até mim, me prendendo na cama com seu corpo. - Principalmente quando escondeu todas essas coisas de mim!
- Claro, porque eu ia chegar da reabilitação e me jogar nos seus braços, mesmo com você sendo o detonador disso tudo!
Pelo amor de Deus! Eu sempre fui a controlada, eu não explodia como estava fazendo agora. Eu guardava as coisas para mim, e depois transformava a tristeza em raiva. Ao menos foi assim que Sai me descreveu séculos atrás. Eu não queria falar sobre nada disso, eu só queria esquecer a morte nas minhas mãos, a culpa que eu sentia. E quando eu olhava nos olhos negros dele, eu via mágoa. Eu não conseguiria lidar com isso agora. Doía demais.
- Por três anos, eu me odiei pelo que aconteceu com você, pelo que aconteceu com a minha mãe. - Sasuke travou os dentes, segurando meus pulsos. - Você sabia, tinha as respostas para tudo. Diga-me Sakura, quem a matou? Você me deve isso!
- Não! Você pode me espancar, fazer o que quiser comigo, mas isso é algo que eu nunca vou falar Sasuke, para ninguém, muito menos para você!
- Você me escondeu que perdeu um filho, rosada, um filho meu! Você simplesmente partiu, e se não fosse Itachi me falar, eu jamais iria chegar a tempo naquela merda de aeroporto. A única coisa que você fez, foi chorar, dizendo que eu sabia o que tinha acontecido. E do nada, surge, meses depois, quando minha mãe é assassinada. Isso não pode ser coincidência.
Eu parei de me debater. Olhando com todo o rancor que eu guardei por todos esses anos. Suas pernas estavam entre as minhas, eu puxei meu joelho para acertá-lo onde mais doeria, mas ele me impediu. Seu peso me esmagando. Eu fechei os olhos com força, respirando fundo, ignorando totalmente o aperto no meu peito.
- Não interessa, essa criança nunca foi seu filho. É tarde demais para pensar nisso. - Falei de olhos fechados.
- Se você tivesse ao menos me falado...
- Me diga, para quê? Você ia continuar sendo um cafajeste, enfiando o caralho em qualquer buraco que aparecesse! Eu continuaria amargurada, me culpando, e não conseguindo olhar na sua cara por ter estragado algo que deveria ser a coisa mais perfeita na vida de uma garota. Vá para o inferno tentando me criticar, eu passei por situações piores que as suas, não venha querer me dizer sobre o que eu deveria ter feito!
Ele ficou sem palavras. Assim que seu aperto afroxou, no gesto mais estúpido e deprimente do mundo, eu comecei a bater no seu peito, chorando de raiva. Na minha cabeça imagens de nós dois dormindo juntos vieram à tona. Como o calor do seu corpo sempre me foi confortante, o jeito doce que ele beijava meus lábios. As carícias suaves e voluptuosas no meu corpo. Como eu me sentia mais humana quando ele estava se movendo dentro de mim. Como... Como eu o amava.
Não, não podia ser assim. Ele nunca me pediu perdão pelas coisas que fez. Ele esfregou na minha cara como eu fui uma idiota correndo atrás dele, quando eu tentava o ajudar depois da discussão com seu pai. Como ele fudeu com Karin na minha frente, e como eu sai chorando depois de ter visto isso. Das vezes que Itachi me consolou depois que Sasuke fazia algo idiota e acabava comigo.
Amor não era assim. Não! Eu não podia amá-lo! Amor não existe e, se existisse, ele não machucaria dessa forma. Seria algo doce e sincero, sem dor. Eu não teria passado todas aquelas noites - não importava onde eu estivesse – pensando nele e nas coisas divertidas que fazíamos juntos. Aquilo havia passado, eu era alguém forte agora. De jeito nenhum eu era aquela Sakura. Eu não podia deixar ele brincar comigo de novo.
- Sakura, para! - Ele segurou minhas mãos novamente. Só que não adiantou, eu continuei chorando. Chorando porque eu o queria com todo o meu ser, e ele jamais seria completamente meu.
Eu agarrei o tecido da sua camiseta, não me importando com a pressão que suas mãos faziam nos meus ombros. Todos os outros não fizeram sentido. Os relacionamentos em sua maioria curtos e sem sentimento algum além de amizade. Nenhum dos caras na minha vida era como Sasuke. Nenhum deles me fazia passar a madrugada acordada cheia de preocupação, e nenhum deles me faria rir com um mero sorriso de canto. Nenhum deles poderia me destruir e me erguer como Sasuke fazia. Ninguém me mantinha estável e alegre como ele.
Refletindo por alguns minutos, eu o puxei para mim, abraçando seu corpo com toda a força que eu tinha. Eu estava sendo egoísta, eu também havia o machucado. Eu tinha escondido a morte da sua mãe, e como aquela coisa que chamam de gente tinha me dito que se eu falasse qualquer coisa sobre aquilo, ele acabaria morto, e seria tudo minha culpa. Eu não o contei porque estive longe, e porque me apoiava tanto em Itachi. Porque Itachi parecia muito com ele, mas eram totalmente diferentes em personalidade.
Minhas mãos estavam apertando o algodão da sua roupa, como se isso me segurasse no mundo real. Eu me odiava por todas aquelas coisas, se eu pudesse, eu as apagaria da minha mente. Mas isso não era uma solução palpável. Pela primeira vez, depois de um longo tempo eu me senti com a idade que realmente tinha. Eu não pensei em mim como uma adulta, uma grande empresária no auge dos seus vinte e sete anos. Eu tinha só dezessete, eu estava confusa, e com medo de tudo que eu sentia, ainda mais porque isso era tudo dirigido a Sasuke. Uma pessoa que me marcou de todas as formas possíveis.
Ele suspirou quando eu me acalmei, quando o soltei. Ambos nos magoamos. Isso pareceu algo grande demais para mim agora. Sasuke levantou a cabeça para me olhar. Não consegui identificar o que aqueles olhos cor de ônix queriam me dizer. Eu o afastei, e ele me deixou ir.
Fiquei de pé, ajeitei o vestido e ele copiou meu gesto, não deixando de me fitar.
- Onde você está indo rosada? - Perguntou em um sussurro, sua voz estava quebrada, abatida.
- Vou para casa, e não quero que você me siga. - Murmurei de volta.
- Como vou ter certeza disso?
- Você não vai.
Ele não me seguiu, e eu o agradeci mentalmente por isso. Abri a porta, vendo que nenhum dos meus três acompanhantes estava mais ali. Peguei meu casaco e subi na moto. Eu não me sentia bem. Então quando abri a porta da mansão, eu fui direto para o escritório do meu pai. Não era surpresa ele estar lá. Seu olhar caiu em mim e ele ficou meio espantado. Qual é? Eu estava com todo o delineador borrado, marcado em lágrimas na minha cara, e as bochechas estavam vermelhas demais. Tudo ali denunciava sinal de choro.
Fui até o armário atrás da escrivaninha dele. Peguei uma garrafa de vinho suave, meu preferido, aquele era de uma safra realmente boa, e iria me aquecer pelo resto da noite. Touya me encarou, acho que ele nunca me viu chorar, realmente. Depois da nossa discussão no hospital nosso nível de amor-pai-e-filha tinha caído bastante.
Ele nunca falou nada sobre eu beber, desde que eu não aparecesse bêbada ou grávida em casa ele não iria dar importância. Não sei o que o motivou, mas ele ficou bem na minha frente, e quando eu tentei desviar dele para ir ao meu quarto, ele não deixou.
- O que aconteceu Sakura? - As mãos estavam nos meus ombros.
- Eu só estou cansada de ser filha de vocês, de todos os três.
Desviei-me e ele não me impediu dessa vez. Quem sabe algo dentro dele se sentisse mal por ver sua única filha até então, abalada por qualquer porcaria adolescente. Eu parei no arco da porta, segurando a garrafa em uma das mãos, eu olhei sobre o ombro. Ele ainda me encarava.
- Você não pode esconder nada de mim, Otou-san. - Falei. - Pode perguntar para suas duas esposas, porque eu estou assim, quem sabe pro seu sobrinho favorito, e até para si mesmo.
- Você não é assim. - Seus olhos verdes tinham um brilho que eu não conhecia. - Minha filha não age assim.
- Talvez, talvez sua filha só esteja cansada de fingir viver em um monte bonito e cor-de-rosa. - Meus lábios se abriram em um sorriso seco. - Talvez, sua filha só esteja cansada de fingir ser a adulta em casa, enquanto os verdadeiros adultos brincam de puberdade.
Sem mais uma palavra, eu subi as escadas e me tranquei no quarto. Coloquei a garrafa ao lado da cama, na cômoda perto do abajur. Tirei as roupas e as joguei em qualquer canto do banheiro. Deixei que a água tirasse todas as coisas ruins que eu sentia, mesmo sabendo que nada disso iria funcionar. Quando saí do banheiro, eu vesti meu pijama mais confortável e me deitei na cama. Tomando alguns goles do vinho enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Eu só tinha cansado de guardar as coisas, de amar quem eu não deveria, de mentir para mim mesma. A partir de agora, eu deixaria as coisas nas mãos deles. Eu esperava que isso fosse melhor do que os resultados que eu tive. Mordendo o lábio, eu me ajeitei na cama. E com alguma satisfação, o destino me entregou o que eu mais desejava no momento – uma noite sem sonhos.
To Be Continued...
N/a:
Tipo, esse capitulo foi meio estranho de escrever. :x Sei lá, eu tinha pensado em toda essa coisa da discussão com a Mai no quarto, mas quando eu escrevi, praticamente duas semanas depois, a coisa ficou totalmente diferente. A maior parte desse capitulo foi escrito no domingo. E eu meio que tava escrevendo e lendo Succubus Dreams da minha diva Richelle Mead. Se você gosta de amor proibido, hentais fodásticos e tudo mais, ai está minha sugestão.
Essa semana também foi minha bizarra para mim, sei lá, também vai entender. Mas sobre o capitulo. Admito que eu tinha imaginado o Sasuke sabendo dessa coisa em uma espécie de sequestro ou coisa assim, que ela pensando que fosse morrer fosse contar tudo para ele. Só que a ideia me pareceu clichê, e eu gostei da forma que ficou. Acho que vocês captaram porque a Sakura é desse jeito. Eu meio que tenho pena, mas gosto do jeito que ela ficou sobre o salto, e como ela tenta negar a idade que tem.
Quem acha que a Mai é uma vadia levanta a mão! \ooooooooooooooooooooooooo/ kkk' sério eu não suporto essa mulher. Tem uma garota idiota que sempre anda no shopping da cidade, a mina me odeia, e eu sempre imagino ela caindo da escada rolante, imagina que coisa linda? É assim que eu imagino a Mai se ferrando também, de um jeito meio peculiar, por assim dizer. Kkk'
Bom, o que vocês acharam do capitulo? Ele não demorou muito e saiu com treze paginas, mais ou menos. Quem sabe um dia eu me inspire e escreva umas trinta.
Outra coisa, as review não foram realmente muitas, mas foram fofas, realmente fodas. Obrigada por isso gatas.
Espero que tenham gostado, até o próximo capitulo.
Bgsbgs
Sami
N/b:
Hey people! Saudades de vocês... e então, o que acharam do capítulo? Alguém aí está com muita vontade de bater na Mai, assim como eu? Fala sério, a mulher é um monstro que só atrapalhou a vida da filha e de quem está perto... Nossa, muito tenso tudo o que elas falaram, acho que no lugar da Sakura eu teria surtado...
Comentem, mandem sugestões e críticas construtivas também são legais... até um simples "continua" motiva a autora!
Beijos
Bella
