N/a: Sugestão: The Cure – Boys Don't Cry.
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Dezenove
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Unreal Girl
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Eu estava inerte, sem saber o que fazer, querendo algo, sabendo que isso é errado e impossível, mas não conseguindo deixar de desejar. Eu estava entre o orgulho e a amargura, perdida entre Haruno Sakura e Uchiha Sasuke.
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20 de Agosto de 2008
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Assim como em todas as manhãs, eu acordei com uma leve tontura. Por um mísero segundo meu cérebro se perguntou por que doía tanto, geralmente não era assim. Bem, mas isso foi só até eu me sentar e ver a garrafa de vinho do lado da cama. Ótimo começo de sábado, eu rolei os olhos.
O motivo de eu ter acordado parecia ter sido uma batida insistente na porta. Rabugenta e com o cabelo longo e bagunçado eu passei a mão pelos olhos, tentando ignorar quem quer que fosse. Fiquei de pé, rastejando pelo carpete. Meu quarto parecia um lugar tão seguro ontem à noite, o calor da colcha grossa, os travesseiros macios e a luz da lua saindo por uma pequena fresta na janela. Agora, alguém tinha inventado de interromper meu momento de paz.
Eu parei encostada na parede, tentando respirar com calma, era como se eu tivesse algo pesado dentro do meu peito, algo que não deixava o ar entrar e circular pelo meu sangue. Relutante, e ainda usando a parede como apoio, eu abri a porta. Fechei os olhos logo que uma luz forte tocou meu rosto, empurrando-a com força depois que quem-quer-que-seja entrou. Coloquei a mão na cabeça, sentindo tudo girar, a questão era se isso era culpa das lágrimas ou do álcool, no fim deveria ser de ambos.
Nola, a empregada norueguesa, estava me olhando com as mãos na cintura e com uma carranca no rosto. Sério, era tão bom isso, acordar depois de uma noite bebendo o elixir dos deuses, com uma estrangeira gritando palavras desconexas nos seus ouvidos. Eu não sabia muito da língua norueguesa, mas como qualquer pessoa no mundo, a primeira coisa que eu aprendi do idioma eram palavrões. Eu tinha quase certeza que ela mandou eu "me fuder" e "queimar no inferno" por ser uma "garota mimada e insolente".
- O que diabos você quer? - Eu gritei irritada. - E pare de grunhir, minha cabeça está latejando!
- Madame Tsunade está te chamando na cozinha, menina. - Ela disse enrolando a língua com seu péssimo sotaque.
- Diga para ela que eu estou descendo. - Eu abri a porta da melhor forma que eu pude. - E, por favor, não entre mais no meu quarto desse jeito.
Ela não deu bola para minha voz imperativa, afinal, ninguém dava bola para as palavras de alguém que passou a noite se alcoolizando. Balancei a cabeça, indo até o banheiro. Minha cara estava terrível. Havia restos da maquiagem de ontem, meu cabelo era virado em nós e a pele parecia amassada, com pequenos riscos, de lágrimas, espalhados pela minha bochecha. Irritada, eu passei demaquilante no rosto, entrando no chuveiro logo depois. Não me dei ao trabalho de lavar os cabelos, apenas passei a escova e um pouco de creme para pentear, esperando que eles desistissem de apontar as mechas para todos os lados.
Logo depois eu abri meu armário, passando roupa por roupa, calças, saias, camisetas, vestidos, tudo em cabides. Eu optei por um jeans justo e uma camiseta de mangas longas vermelha, decotada e com um cardigã preto por cima. Abaixei-me pegando minhas botas de couro preto que iam até meus joelhos, elas tinham um salto alto, fino e poderoso. Dei uma mexida nos meus cabelos, passei delineador nos olhos e batom vermelho nos lábios. Não era o meu tipo básico e fofo do dia a dia, algo em mim desejou ser diferente.
Eu fui para a cozinha, uma jaqueta de couro na minha mão, nos bolsos internos dessa estavam meu celular, identidade e um cartão de crédito ilimitado. Tudo que eu precisava para esfriar a cabeça hoje.
Tsunade estava sentada com uma xícara de café fumegante nas mãos. Logo que me viu arqueou uma sobrancelha, negando com a cabeça depois. Ela fez sinal para que eu sentasse na sua frente e assim eu fiz. Servi-me e comecei a tomar pequenos goles do maravilhoso café que ela fazia.
- Então, porque me acordou tão cedo?
- São seis da tarde, Sakura. - Ela apontou para o relógio eletrônico perto da bancada.
- Oh! Tudo bem, você está perdoada. – Dei-lhe um pequeno sorriso.
- O que aconteceu?
- Por que pergunta isso?
- Primeiro pela maneira que você se vestiu. Segundo pelo horário que acordou. Terceiro e mais importante, seu pai me pediu para falar com você.
Foi a minha vez de arquear a sobrancelha. Ele a pediu para falar comigo, sério? Acho que a última vez que isso aconteceu foi quando ela me explicou sobre "sexo seguro". Eu só tinha dez anos, não que eu fosse fazer muita utilidade disso na época. Mas agora? Eu não queria falar sobre as coisas que aconteceram ontem, era muito para absorver e pensar, ou qualquer coisa relacionada a isso. Doía demais.
- Não vai me obrigar a falar, não é? - Perguntei olhando para xícara, meus dedos passando suavemente pelas bordas.
- Não. - Ela suspirou. - Você já tem idade suficiente para tomar suas decisões. Além disso, desde que não voltemos para Europa para uma viajem de reabilitação, eu fico bem sem saber.
- Obrigada, mama. - Fiquei de pé, dando-lhe um beijo na bochecha. - Vou sair e só vou atender o celular se for para falar com você, pode avisar aos dois.
- Akane também está envolvida?
- Sim, ela era a última pessoa que eu esperava.
Eu coloquei a jaqueta, enrolando meus cabelos para trás para colocar o capacete. O tempo ainda estava chuvoso, então mantive meus olhos cautelosos não estrada. Eu estava odiando tudo isso. Não parava de pensar nas três pessoas que me ajudaram ontem. Certo, eu lhe infligi dor, o magoei, mas ele tinha feito o mesmo comigo. A pior parte, a parte que eu mais queria esquecer, era que eu o amava. Eu odiava lembrar o quanto estávamos nos divertindo de novo juntos, como as coisas estavam indo bem, da mesma forma que eram quando Mikoto estava viva.
Deus! Como eu os amo. Machuca não ser capaz de contar para ninguém o que aconteceu lá, é pior ainda, que eles tenham descoberto através de Mai. Eu respirei fundo, desviando dos carros. Eu rezava, para que mais ninguém ficasse sabendo. Porque, se isso acontecesse, aquele ser desprezível poderia surgir do inferno e acabar com a vida dele. E não só a de Sasuke, Naruto e Hinata agora também estavam em perigo. Eu jamais deveria tê-los envolvido nisso!
Quando Sasame atirou em Naruto, poucos meses atrás, eu me lembrei exatamente de como Mikoto estava sangrando no chão. Ela tinha levado um tiro no estômago, aquilo doía e a fazia sofrer até seus últimos segundos de vida. Eles tinham sido espertos, sabe. Fizeram com que metade da cidade sofresse um apagão, a metade rica da cidade e, além disso, tinham mexido com os geradores de energia da casa. Para que assim as câmeras, os portões, telefones, nada, absolutamente nada funcionasse.
Claro, eles não contavam que eu estivesse lá, e logo que ela ouviu passos me sussurrou para entrar no escritório de Fugaku. Eu fiquei agachada, a casa vazia, sem empregados presentes, ela ficou lá parada, como se soubesse especificamente o que estava acontecendo. Minhas mãos tremiam e lágrimas escorriam dos meus olhos. Eles discutiam, e eu ouvi os três tendo uma conversa estranha, como se relembrassem dos velhos tempos.
O homem e a mulher que estavam com ela estavam aborrecidos por algo que Mikoto tinha feito. Eu os vi rosnar e meu nome saiu da boca do homem. Eu já tinha problemas psicológicos suficientes, e aquele só foi mais um acrescentado na lista. Eu me rastejei da melhor forma que pude até a mesa do escritório, eu sabia da chave colada em baixo do tampo, eu sabia que ela abria uma gaveta, que nessa gaveta tinha uma arma. Eu sabia o que fazer com ela quando os dois apontaram uma arma, igual a de Fugaku, para Mikoto.
Um dos motivos da polícia não descobrir que eu estava lá foi porque peguei a arma com luvas, eu as usava bastante na época, elas iam até meus cotovelos, escondidas pelas mangas compridas da blusa que eu usava, uma forma meio elaborada para que as pessoas não notassem os cortes cicatrizando ali. Quando eu ouvi o disparo, eu agi por instinto.
- HEI! - Um cara gritou dentro do seu carro.
Pisquei, notando que eu estava em alta velocidade em umas das pistas mais movimentadas de Tóquio. Soltei o ar que nem sabia estar segurando. Desacelerei, apesar de tudo, eu não queria morrer ainda. E meu dia seria, realmente, longo. Eu tinha que falar com Itachi, especificamente. Tinha que olhar alguns lugares com Sai, comprar algumas roupas, todas diferentes do usual.
Eu estacionei perto do Starbucks decidindo que um mocha seria bom no momento. Eu agradeci a atendente, sentando-me em uma mesa no fundo com o café quente. Eu o deixei na minha frente, fechando os olhos. Eu precisava fazer alguma coisa. Qualquer coisa! Eu queria que ele ficasse bem, eu queria ficar bem, tirar todo esse peso da minha consciência. A questão era: o que fazer quando você machucou quem você ama e, ainda assim, se você falar para essa pessoa seus motivos, ela pode acabar morta?
Sempre tem aquela coisa nos filmes, onde alguém é ameaçado e você se questiona "porque esse idiota não foi até a polícia". Bem, no meu caso é porque a polícia não é nada em comparação a esses caras. Seria como esperar que uma gota d'água apagasse um incêndio. Eles eram muitos, e estavam em todos os lugares. Eu também me perguntava porque não me mataram naquele dia, eu era só uma garota assustada segurando uma arma que eu não sabia usar. Poderiam ter colocado um fim rápido em mim. Mas não, eles não fizeram nada, foram embora, mesmo comigo conhecendo seus rostos.
Eu me sentia horrível com tudo isso vindo à tona. E o que ficava passeando pela minha cabeça é Mai. Como inferno ela sabia disso? De todas as coisas, ela sabia que eu presenciei a morte de Mikoto, e esse era um fato que eu tinha guardado só para mim, ninguém sabia até ontem à noite. Tudo em mim desejava que ela não estivesse envolvida nisso também, porque Deus, se minha própria mãe teve algo haver com a morte de alguém que eu amo, eu não saberia dizer o que seria de mim.
- Sakura?
Levantei a cabeça dando de cara com Ino e Tenten, que me olhavam extremamente curiosas. Elas sorriam para mim, puxando uma cadeira e ficando na minha frente. Ino estava vestida com um espartilho preto sobre uma blusa de algodão azul, com calças e coturno. Ok, por isso eu não esperava. Eu só a via na escola e ela se vestia bem normal lá. Tenten estava mais básica, jeans, all star e um moletom cinza com NBA bordado em branco. O cabelo dela estava solto, e eu sorri um pouco sentindo saudade daquilo.
- O que há de errado com você? - Ino me perguntou com seus olhos azuis bem delineados.
- Por que teria algo de errado comigo?
- Simples. Você está se vestindo diferente, nada de saias e camisetas, mais feminina, sexy. - Tenten piscou para mim.
- Você não é a primeira pessoa que me diz isso hoje. - Dei de ombros. - Como vocês estão?
- Bem. - Responderam em uníssono.
- Hn. - Lhes lancei um sorriso de canto. - Agora vão me dizer por que me olham assim?
- Você e Sasuke brigaram. - Tenten afirmou. - E não pergunte como eu sei disso, está na sua cara. Você está fazendo essa coisa de sair sozinha e tentar aumentar sua auto-estima. Ah claro, você está de moto!
Uau! Elas me conheciam bem. Mas agora eu não queria começar a falar como nós dois só sabíamos machucar um ao outro e como o sexo com ele era perfeito. Nada disso. Eu senti tanta falta delas nos últimos anos. Sempre me mantive distante com medo de decair. Agora, aqui estavam as duas de novo, olhando-me e sabendo que o motivo de eu estar desse jeito se chama Uchiha Sasuke.
- O que ele fez? - Ino perguntou, o cenho franzido em preocupação.
- Na verdade foi o que eu fiz. - Disse. - Nós discutimos sobre várias coisas, incluindo o último dia que vocês me viram antes de eu sumir, e porque eu estive fora. Não foi realmente agradável.
- Você quer dizer quando você perdeu...
- Yupe. - Interrompi Tenten.
Eu não queria envolver mais duas pessoas nessa merda de situação, achei melhor só contar as coisas por cima. Elas não precisavam mais que isso para querer quebrar a cara dele.
- Ele sabia porque você foi. - Tenten me olhou nos olhos, esticou a mão na mesa para segurar a minha. - Sakura, eu não gosto de me meter no relacionamento indescritível de vocês, mas Sasuke mudou muito desde aquele tempo.
- Tenten está certa. - Ino segurou minha outra mão. - Se você me perguntar, eu admito que ele ainda anda fudendo sem compromisso, entretanto ele não é mais o nosso amigo tagarela todo cheio de piadas sarcásticas. Ele mudou e eu tenho certeza que você tem grande parte nisso.
- E o que me sugerem?
- Você deveria ir conversar com ele, independente do que aconteceu entre vocês, ele não é o mesmo. - Tenten sorriu para mim. – Lembra-se quando nós nos encontramos no Masmorra?
Assenti, pensando em como eu o agarrei no estacionamento e o implorei para me levar para qualquer lugar, menos para casa. Claro, depois disso eu desmaiei de bêbada e tivemos uns "amassos" na casa de campo. Isso parecia ter sido há séculos atrás.
- O que tem isso?
- Ele ficou louco quando você começou a falar com Pain. - Ino disse sorrindo. - Gaara e Neji nos disseram que ele estava mais quieto e irritado do que nunca. E meu Deus! Quando ele soube que você dormiu com Konan, cara, ele deve ter surtado.
Foi minha vez de sorrir. Perguntei-me se ele tinha surtado da mesma forma que ontem, porque ele praticamente me carregou para fora logo depois. Ouvir as duas falando aquelas coisas meio que apaziguava o que eu estava sentindo e pensando sobre ontem à noite. Fiquei grata de certo modo, mas uma coisa começou a borbulhar no meu estômago e uma pequena dor surgiu no meu peito. Eu não me arrependia do que eu tinha feito, sobre esconder as coisas, todavia me incomodava tê-lo machucado, por mais que ele se fingisse de forte, ninguém conseguia não ter sentimentos.
- Cá entre nós, Konan é bem gostosa, eu meio que me orgulho por você ter dormido com ela. Mas também sei que isso aconteceu depois de Sasuke. - A loira piscou para mim.
- Talvez vocês não sejam exatamente almas gêmeas. - Tenten começou divagando. - Porque nenhuma de nós três acredita nisso, eu só sei que o que vocês sentem um pelo outro é forte.
Eu não acreditava que estava tendo essa conversa com elas, parecia tão clichê e estranhamente cômico. Eu não gostava de conversas românticas e sensíveis, ainda mais quando a pessoa em questão era eu. As deixei sonhando acordadas. Rindo do seu amor por fantasias, principalmente uma comigo e Sasuke, era tipo, impossível. Apesar disso, eu gostei da leveza da situação.
A cada palavra que elas diziam, eu me lembrava mais dos dias que nós dois passamos juntos nesses últimos meses. Uma parte de mim ainda queria saber se ele tinha me chamado para ir para casa de campo com ele, pouco antes de Naruto ser baleado, por que queria voltar a falar comigo ou só para poder fugir um pouco da realidade.
Nunca gostei de expor meus sentimentos, mas naquele dia, quando dormimos juntos pela primeira vez, lembro de tê-lo abraçado, o sentido beijar meus cabelos, e logo antes de cair no sono, eu murmurei "aishiteru¹". E se as duas garotas, que foram minhas melhores amigas no passado, confidentes de nós dois, estivessem realmente certas?
Isso não resolveria meus problemas. Eu continuaria me sentindo traída por meus pais – Touya e Akane – e odiando Mai por sempre interferir e destruir as coisas. Ainda haveria os assassinos de Mikoto a solta. Por algum motivo qualquer adolescente pensava que quando se encontrava uma alma gêmea tudo se resolvia. Admito, já pensei nisso antes, mas agora parecia surreal demais para mim.
Eu o queria, queria Uchiha Sasuke como jamais desejei ninguém. De qualquer forma, nós não estávamos dentro de um relacionamento, eu tinha escondido coisas dele e ele tinha feito o mesmo comigo. Eu não queria me permitir a entrar em algo que só me destruiria mais. Eu precisava conversar com ele, mesmo que esclarecer as coisas não fosse adiantar, eu só queria saber se ele estava bem. Muitas pessoas tinham ido e eu não gostaria que ele fosse uma delas.
Perguntei-me se acorreria a mesma coisa de três anos atrás. Ele se afastaria de mim como eu fiz dele. Mentira era a coisa que eu mais odiava, e não era só isso, eu tinha mentido para ele também. Qual era o real fundamento nisso tudo? Eu me sentir um monstro por tudo que eu fiz para ele e para os meus amigos? Olhando para Tenten e Ino agora, eu via que elas tinham me perdoado pelo afastamento, elas me queriam de volta agora, mas Sasuke também ia me querer?
- Eu tenho que ir. - Falei interrompendo Ino.
- Tudo bem. - Tenten sorriu. - Só tome cuidado para não fazer nada de errado.
- E Sakura? - Ino me olhava de forma penetrante. - Não deixe que ele caia nos braços da vadia ruiva de novo.
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22 de Agosto de 2008
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Todas as janelas do quarto estavam fechadas e eu estava encolhida no aconchego do edredom grosso. Deveria ser por volta das cinco da manhã. Eu estava em um estado estranho, de sono e não sono ao mesmo tempo. Eu tinha a mínima consciência que era segunda-feira, ao menos era isso que dizia o relógio ao lado da minha cama. Não me importei por faltar aula, minhas notas eram incríveis, dane-se Konoha High. Eu só queria continuar ali, debaixo das cobertas, com meu cabelo desgrenhado, aproveitando que ninguém tinha me perturbado - a não ser por algumas vezes que alguém abria a porta – em um lindo dia nublado em Tóquio. A semana toda deveria ser assim.
Eu me sentia um lixo. Eu tomei banho umas mil vezes, mas a sensação continuou lá, era mais psicológica do que fisiológica. Certo, eu tinha escondido as coisas dele, mas cara, eu estava destruída, eu o amava e ele foi um estúpido comigo. Eu não me senti na coragem de olhar nos olhos dele, olhos que eu era apaixonada, e dizer "Sasuke-kun, se lembra quando você tirou minha virgindade? Sim, sim, um pouco antes de você comer a Karin. Pois é, eu engravidei e quando estava em Veneza, depois de minha mãe biológica ter destruído a pouca auto-estima que eu tinha, bem, eu caí de uma escada de incêndio enorme, e sem querer, abortei um filho seu, que eu por acaso não sabia estar carregando. Ah, e claro, tive uma overdose, cortei meus pulsos e quase morri depois, só caso você queira saber.".
Eu deveria ter lhe dito alguma coisa. Só que... Droga! Eu não consegui, aquela reabilitação foi uma grande merda, eu passei mal praticamente todos os dias, e tinha que fingir que as coisas estavam ótimas quando todo mundo ia lá me visitar. Sempre esperando que eu tivesse outro ataque e me matasse, cortasse a garganta dessa vez ou me entupisse de uma droga bem mais forte que cocaína. Como eu odiava todo mundo me lançando aquele olhar, "pobre menina", quantas vezes eu tinha escutado isso? Milhões! E ele era a última pessoa que eu queria ouvir falando isso.
Se Sasuke tivesse me olhado com pena, seria o fim. Preferia que ele me olhasse com ódio, nojo, qualquer coisa, menos pena. Sempre dizem que quando você está prestes a morrer sua vida passa diante dos seus olhos, comigo não foi exatamente assim. Eu só pensei nele, em como ele tinha me magoado e como minha primeira vez tinha sido perfeita, com exceção das horas que se seguiram desta. Eu pensei "Ele vai ficar bem sem mim, ele tem Mikoto e... Karin.". A ruiva era irritante, mas ao menos ela não fez metade das coisas que eu fiz para ele.
Até pouco tempo eu me perguntava por que ela sempre enchia o meu saco, falando comigo sorridente por toda a escola, a procura de uma falsa amizade ou sei lá o que. Notando agora, ela sempre esteve perto quando eu me queixava de Sasuke para Sai. Como eu não aguentava esse joguinho idiota de ficar fazendo piadas, ou me chamando de "rosada". Ele não me chamava assim antes de eu ir para Europa. Quem sabe, ele a mandou me vigiar para saber porque eu não o olhava mais nos olhos. Era uma possibilidade, ou eu esperava que fosse.
Na real, eu estava me iludindo, de novo. Eu deveria ser como Karin para ele, uma vadia descartável. Meu coração batia forte quando eu pensava nisso, eu abracei o travesseiro enterrando minha cabeça ali. Havia também as coisas boas que ele tinha me dito. "Eu quero você". "Você me excita". A que mais me afetava era "Agora você não foge mais, e esquecemos o passado." Como nós poderíamos esquecer tudo que fizemos um para o outro? Ainda mais agora, quando Mai tinha jogado as merdas que eu tinha feito sobre todos nós.
Na verdade, não era exatamente isso que me afetava. Era o fato de que Akane mentiu para mim. Ela que veio com pedidos de desculpa por ser uma péssima mãe por toda a minha vida. Eu ficava indignada com o fato de que eles mentiram e esconderam coisas de mim, e eu fiz exatamente a mesma coisa com Sasuke, Naruto e Hinata. Não que eles necessitassem saber os detalhes, mas só de lembrar sobre todas essas coisas, eu me sentia mal. Ignorá-las sempre se mostrou algo melhor para mim.
Frustrada, eu tentei dormir.
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23 de Agosto de 2008
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Eu encarei o espelho do meu banheiro, a porta estava aberta me dando uma bela vista do meu reflexo, e isso era deprimente. Irritada com o mundo eu me levantei da cama. Há que ponto essa coisa chegou? Despi-me e entrei debaixo da água quente. Eu iria tomar banho e encarar as consequências, eu não podia passar minha vida toda nesse quarto me banhando em lágrimas. Por Deus, eu só saía de madrugada para comer alguma coisa e passava o resto do dia chorando ou dormindo. Isso era ridículo!
Não fui eu que disse que corri dos problemas a minha vida toda? Pois bem, agora era o momento de amadurecer e seguir em frente. Certo, eu não seria a mamãe e o papai da casa, os dois que crescessem também. Eu me focaria em conversar com Sasuke e o meu casal favorito, depois conversaria com Akane. Eu não sei por que foi tão fácil acreditar em Mai, a loira sempre foi a mentirosa da história. Ok, todos éramos mentirosos, ela só é um pouco mais.
Com a toalha sobre os cabelos, eu comecei a vasculhar meu guarda-roupa, peguei o uniforme e o estendi na cama, escolhi uma meia calça preta com riscos em xadrez na cor azul. Sequei os cabelos, alisando-os, como não fazia há muito tempo e fiz pequenos cachinhos nas pontas. Vesti minhas botas de salto alto pretas que Sai me deu no último natal. Pronto, maquiagem básica (lápis e rímel), bolsa ok. Era melhor passar por isso bonita, do que ficar me lamuriando por mais um dia.
A parte difícil vinha agora. Eram quase oito horas da manhã, e minha aula começava às oito e meia. Dava tempo de tomar café em casa, mas aí eu teria que dar de cara com meus pais, e eu preferia ter uma conversa com eles pelo final do dia. Mas... Se eu fosse tomar café na escola eu logo veria Sasuke, e eu também queria adiar nossa conversa até o final da aula. Ah pelo Valentino Garavani! Eu só estava me contradizendo. Eu queria tomar uma atitude e ajeitar as coisas, mas eu também passei os últimos dezessete anos fugindo delas, isso é meio difícil.
Ok! Respirei fundo, descendo os degraus da escada. Eu estava cansada de todos esses segredos, porque se tinha algo que eu odiava era intrigas adolescentes. Caminhei até a cozinha da melhor forma que pude. Tsunade estava lá, escorada no balcão. Ela tinha uma xícara de café quente na mão, quando me viu, nada disse, só se pôs a observar. O que eu diria a ela? A única que se importava. Eu mordi o lábio, entrei no cômodo, misturando café, achocolatado e leite, meu cappuccino caseiro.
- Você está bem Sakura?
- Eu não tenho ideia. - Meus olhos estavam fixos no que eu estava fazendo, mal a notei se aproximando. - Mas se você me perguntar se eu vou fingir que estou bem, posso te garantir que sim.
- Seus pais estão preocupados. - Seus olhos castanhos me olharam questionadores. - O que inferno aconteceu?
- Nada demais, coisa normal aqui em casa. Eu menti, ouvi o que não queria, e tive o coração quebrado. O de sempre.
- Pare com isso. - Tsunade segurou meus ombros. - Sakura, eu já disse que eles se importam com você, pare com isso. Você passou o fim de semana inteiro naquele quarto, não respondeu quando alguém falou com você, tem noção do quanto ficamos preocupados?
- Se você tivesse me perguntado, eu teria te respondido. Mas, mama... - A encarei. - eu estou cheia disso tudo. De ficar imaginando se cada palavra que eles dizem é mentira, ou faz parte de uma conspiração maior. Chega para mim.
- Você tem que falar com Akane antes de fazer qualquer coisa.
- Por que diz isso?
- Porque ela está se culpando pelo que está acontecendo com você, e por mais que você pense conhecer ela, você não conhece criança. - Eu nunca tinha visto Tsunade tão séria. - Eu praticamente a criei, assim como faço com você, e acredite em mim, ela teve boas razões. Para tudo.
- Ok, irei falar com ela, mais tarde. - Suspirei. - Eu só estou um pouco magoada, mama. Eu não sou a mesma, eu sei agir como adulta agora, tomar minhas próprias decisões. Eu só quero que eles parem de esconder todas essas coisas de mim.
- Então fale isso para Akane. Independente do que Mai ou seu pai disseram, Akane ama você.
…
Ela saiu do carro, com seu cabelo longo e mais bem arrumado que o normal. Bufei, dando mais uma tragada no cigarro. Era impressionante como ela conseguia ser dissimulada. Escorado no meu carro, eu tive um belo dèjá vú. O jeito que ela andava, a postura e o andar calmo. Era exatamente a mesma coisa de três anos atrás. Só faltava Itachi para a cena estar completa. Sakura tinha um olhar frio, o corpo dela estava relaxado, mas no momento em que ela me olhou, pelos breves segundos que meus olhos se encontraram com os dela, eu soube, o quão prestes a desabar ela estava. Eu odiava isso. Não havia um dia que ela não fingia estar bem. Vestia suas melhores roupas e mentiras, continuava andando, não era nada demais para ela, apenas mais um dia da sua vida.
A rosada sempre odiou mentiras, quando éramos pirralhos ela sempre me dizia isso. Que queria que tia Akane e Touya não escondessem as coisas dela. No fim, mal tínhamos saído das fraudas, não havia muita ideia de como a coisa era grande. Ela guardava segredos, como de ter abortado e quase ter se matado. Eu me odiava por saber que parte da culpa era minha. Ela desapareceu sem dar explicação, e todos, todos que tinham um mísero centavo investido naquela maldita empresa acobertaram as coisas que aconteciam com ela. Ninguém precisava saber.
Os caras eram tão bons que conseguiram apagar todas as merdas que nós dois fazíamos. Isso foi até o maldito vídeo aparecer. Mas ainda assim, eles conseguiram calar a boca de parte da mídia mundial. Sakura sempre foi assunto das revistas de fofocas. Desde nossos porres e os strip-teases que ela fazia nos bares à grande mudança para Virgem Maria. Meu pai amava Sakura, mas até ele grunhiu quando abriu o jornal e viu a foto dela beijando a vadia da Konan. Emiko, como sempre, ficou acrescentando lenha à fogueira. Eu a mandei para o inferno quando disse que aquilo era esperado. Minhas juntas ficaram brancas quando a mulher do meu pai falou que a rosada logo voltaria para drogas. O que eles não sabiam, é que ela não era mais a mesma pessoa.
A Sakura que eu conheci tinha morrido dentro dessa garota gostosa e falsa. Os olhos dela não brilhavam com coisas simples, ela não sorria só de ver a luz do sol ou da lua. Não matava mais aulas só para sentar debaixo de uma árvore e sentir o vento no rosto. Ela tinha se fechado. Era como Mai havia dito. Ela preferia ser a que fazia as pessoas sofrer, a ser aquela que sofre. Tudo em mim dizia que eu era o culpado. Lamentar não adiantava, e vendo-a entrar firme e forte quando todos a encaravam, me fez pensar que eu jamais teria a garota que eu conheci de volta.
A Rosada não sabia, mas as pessoas estavam curiosas por ela não aparecer por dois dias, e pelas notícias no twitter. Talvez soubesse, mas não se importava. Ela ignorava as pessoas, voltando a ficar presa no mundo perfeito que criou. Eu sempre me perguntaria o que aconteceu em Veneza, o que a vaca da mãe dela disse para ela mudar daquele jeito. Para virar uma Barbie e esquecer as músicas do The Cure que ela chamava de perfeitas e espiritualistas. Eu a queria, mas não assim.
O jeito que ela fazia sexo também tinha mudado. Ela acariciava, e brincava, não havia vergonha no toque, só malicia. Exceto, talvez por uma das últimas vezes que havíamos dormido juntos. Quando eu passei a tarde a vigiando, ela havia chorado algumas vezes olhando para minha casa, e segurava com força o colar que a minha mãe havia lhe dado. Naquele dia ela estava exposta, faminta até, e os seus olhos verdes não puderam me esconder nada. Foi ai que eu soube, havia uma pequena chance dela voltar a ser quem era.
E também havia isso: Sakura sabia o motivo e a razão da minha mãe estar morta. Ela só não disse por que escondeu isso de todos. Eu ainda a conhecia o suficiente, tinha muito mais que me fazer sofrer atrás disso. Eu descobriria, de uma forma ou de outra ela iria me falar.
…
- Ok. Respire fundo, pense em unicórnios com tatuagem de arco-íris na bunda. - Sai abanava as mãos na minha frente, somente nós dois estávamos no banheiro feminino.
- Eu não sei se eu vou aguentar. - Passei a mão pelos cabelos, totalmente nervosa. - Você não viu a forma que ele me olhou, Sai.
Eu me escorei na pia, lutando contras as lágrimas. Sai me abraçou e começou a passar as mãos pelas minhas costas. Deus! Eu me sentia um monstro, mil vezes pior do que da última vez que eu o vi.
Como eu deveria agir? Ainda mais agora que a negação passou e eu sabia o que eu sentia por ele! Eu não conseguiria pedir desculpas. Não agora. Eu sabia que passar esses últimos meses o usando como apoio ia dar errado. Agora eu estou aqui, como uma garota estúpida, nervosa e sem atitude.
Com Sasori, e até mesmo Itachi, eu soube como colocar um ponto final na relação, seguir em frente. Diabos, esse era Sasuke! Toda merda que envolvia ele eu acabava perdendo o controle de mim mesma e fazendo uma coisa idiota. Eu falei sério sobre parar de fingir ser adulta, entretanto eu não esperava que essas atitudes infantis voltassem para mim.
- Distraia-me. - Eu pedi a Sai.
- Sasuke deu o maior fora na Karin ontem. - Ele começou a balançar as mãos em expectativa. - Ela falou algo sobre como você era desprezível e que logo voltaria a ser a vadia que sempre foi, que se entupiria de cocaína e heroína. Sasuke a mandou a merda, dizendo que ela era um cachorrinho seu, uma nada que estava querendo ser algo grande demais.
Eu arregalei os olhos. Ele havia dito isso? Então, talvez, bem lá no fundo, ele não me odiasse realmente. Merda! Por que eu tinha inventado de falar com Mai? Se eu tivesse ficado quieta nós dois poderíamos ter continuado com nosso caso, eu não precisaria admitir que gostava dele e tudo estaria em paz. A porcaria do destino amava jogar sua ironia na minha cara. Da mesma forma que eu me senti quando o vi depois da reabilitação, desse mesmo jeito, eu me sentia agora.
Mordi o lábio, virando-me para o espelho. Sai estava preocupado comigo, ele sempre estava, ali me vigiando, cuidando de mim. Eu só conseguia pensar na forma abrupta que eu saí daquele quarto na madrugada de sábado. Ele não fez nada para me impedir, ele queria explicações, mas essas não existiam. Tudo o que eu fiz foi uma mistura de medo, amargura e imprudência. Eu podia fazer uma lista de coisas, dar-lhe várias razões, mas no fundo sempre seria uma coisa que pesava. Nós éramos amigos, eu o amava, e ele nos colocou na pior situação possível, nos fazendo entrar em uma, milhares de vezes pior.
"- Olhe no que você se tornou, todos esses anos vivendo junto de Akane e Touya. Uma menina chorona e mimada. Não que isso me impressione, parece que meus genes não foram para você."
Apertei os olhos. Mai era uma corrupta em demasiado, mas nisso ela estava certa. Eu parei de me lamuriar com essas palavras, era hora de usar tudo o que me destruiu uma vez para algo melhor. Encarei as íris verdes através do espelho. Eu não ficaria me martirizando todo tempo por culpa disso. É passado. Mudar o que aconteceu estava fora do meu alcance. Eu falaria sim com Sasuke, e com Akane e Touya, de qualquer forma isso iria acontecer. Mas era um pouco tarde para esperar que as coisas fossem mudar. Eu já tinha falado com Itachi no sábado, ele me garantiu que eu era capaz de fazer o que eu queria. Ótimo, porque esse era o momento de agir.
Eu gostava de Sasuke, assim como de Naruto e Hinata. Eu iria lhes avisar para ficar longe de tudo que ouviram. Eles não tinham ideia de que quem matou Mikoto era poderoso, e que nem mesmo todo o dinheiro das nossas famílias juntas seria capaz de pará-lo. Nunca descobri os motivos de Mikoto estar morta, mas o que eu sabia era que nós quatro estávamos envolvidos. Quem fez isso esperava que a morte dela nos influenciasse a seguir uma direção. Qual? Não tenho ideia.
Sai ficou um pouco aliviado quando saímos do banheiro, eu enganchei meu braço no seu e dei meu máximo para sorrir, tentando prestar atenção no que ele falava. Sai estava animado com seu novo namorado, e eu ficava feliz em saber que ao menos ele conseguia distrair sua mente. Fomos até meu armário e eu estaquei, vendo aquela mesma garota do auditório parada ao lado dele. Sai me encarou e eu continuei andando até ela.
- Haruno Sakura. - A morena sorriu para mim. Ela se vestia quase como da última vez que eu a vi, calças militares e blusa preta. - Tenho um recado para você. Espero que goste.
Ela me entregou uma folha dura, dobrada ao meio como um cartão de aniversário. Pelo canto do olho pude ver os outros herdeiros da H&U me encarando curiosos. Sai comentava o quanto a garota se vestia mal, mas eu não me importei. Abri o cartão e arregalei os olhos com o que vi escrito. Meu coração começou a bater mais forte e minha respiração ficou acelerada.
"Sakura, Sakura... Fiquei sabendo que você espalhou nosso segredo. Então as crianças Hyuuga, Uzumaki e Uchiha também sabem da nossa pequena conversa. Espero que comece a ter cuidado com as suas palavras. Coisas ruins acontecem às vezes. Já se perguntou como seus três amigos vão ficar ao saber que mais uma coisa ruim irá acontecer, por sua causa. Acredito que tenha refrescado sua memória."
- Você está bem, Sakura? - Sai perguntou ao meu lado.
Eu fechei os olhos, relaxando meu rosto. O encarei, sorrindo.
- Tudo bem, só mais uma garota me ameaçando de morte se eu não sair de perto do Uchiha. - Ri baixo.
Oh Deus, como eu estava fudida!
To Be Continued...
N/a:
Pois é, que coisa não. Eu não tenho nada a dizer sobre esse capítulo. Ele foi meio "U-A-U". Quem mandou a carta? O que poderá acontecer? Palpites? Sasuke vai ser um herói? O que vai acontecer? É eu também estou curiosa. Vocês gostaram do pequeno Sasuke POV? O capitulo até que veio rápido, que tal review para contribuir?
Beijos
Sami
N/b:
Hey galera! E então o que acharam do capítulo? Mais mistérios surgiram e tivemos um pequeno POV do Sasuke... gostaram? Digam a opinião de vocês... são sempre muito bem recebidas! Reviews ajudam na criatividade...rsrsrs
Beijos
Bella
