N/a: Sugestão: Taking Back Sunday – You Got Me. Cuidem as datas, ok? Para luh-chan, espero que goste gata.
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Vinte
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Diabólica a Angelical
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Eu estive lá quando você esteve sozinho, quando você se sentia pior que o inferno. Quando queria se esconder do mundo, mas você nunca esteve lá para mim.
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23 de Agosto de 2008
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O pátio da escola estava vazio, claro, todos estavam dentro de suas salas assistindo professores entediantes. Pela primeira vez em três anos eu tinha matado aula. Eu estava atrás da escola, sentada no encosto do banco, com os pés sobre esse. Havia muitas árvores que escondiam minha presença. Eu estava fumando, era como se um peso tivesse saído dos meus ombros. Eu não fumava desde Veneza, quase quatro anos atrás. Minhas mãos tremiam, mas não dei importância. Eu estava frustrada demais para me preocupar com tão pouco.
Eles sabiam. Eles sabiam que eu não era a única que guardava o segredo. Claro, eles deveriam saber que Mai também descobriu as coisas. Por que não mandaram um bilhete daqueles para ela? Eu jamais abri minha boca sobre o assunto, já Mai...
A pior parte é que eu não conseguia pensar no que fazer. Eu estava com tanto medo. Se eu abrisse a boca para mais uma pessoa, o caos se instalaria. Não havia o que fazer. Eu não podia envolver mais ninguém nisso. Já era ruim ter o peso da morte de alguém na consciência, eu não aguentaria viver com a morte de mais um. Mas eu também não queria fugir de novo.
Admito, eu pensei em mudar-me, ir para qualquer lugar do mundo, ficar longe de toda a minha família. Todavia, do que adiantaria? Essa coisa iria me perseguir em qualquer lugar, com qualquer tipo de gente a minha volta. Caralho! Por que eu sempre me meto nesse tipo de coisa? Como se não bastasse o que aconteceu antes de Mikoto morrer, agora tem toda essa bola de neve vindo à tona.
Nervosa, eu comecei a apalpar meus bolsos, procurando a carteira de cigarros. Vazia. Merda! Tudo que eu queria era que essas coisas parassem e que eu pudesse seguir com a minha vida de um jeito normal. Sem pessoas me ameaçando. Joguei a carteira na direção do lixo, errando. Mordi meu lábio, fechando meus olhos com força. Impressionante como as coisas só tendem a piorar. Meu cabelo deveria estar uma bagunça, de tantas vezes que eu passei minhas mãos por ele, mas eu não conseguia parar. Eu estava com medo, temia o que essas pessoas fariam com quem eu amo. Tudo porque eu estava no lugar errado, na hora errada.
Quando eu estive lá, depois da ameaça e ouvindo Mikoto gritar para eu ir embora... Eu acreditei que seria o fim. Mantive-me relativamente calada, me sentava e almoçava sozinha, fora Sai, eu não falava com ninguém na escola, foram meses até eu e Hinata virarmos amigas. Porque, cara, eu estava com medo de que qualquer coisa que eu dissesse fosse uma desculpa para matar mais alguém. Porém, minha vida continuou e eu quase me esqueci daqueles acontecimentos. As coisas poderiam ser assim de novo, eu só deveria ignorar o que aconteceu e fazer Naruto, Hinata e Sasuke esquecerem também. Não seria fácil, mas ainda sim não era impossível.
Eu estava com medo, mas não poderia ficar estacada no lugar para sempre. Suspirei, ficando de pé. As minhas botas fizeram um leve som quando se chocaram com o chão úmido. Eu caminhei para fora da copa das árvores, andando devagar até o prédio principal. Assim que fiz a pequena curva, deparei-me com um garoto, talvez uns dois ou três anos mais velho que eu, ele estava me encarando.
- Você é Haruno Sakura. - Ele afirmou.
- Hn. - Eu devolvi seu olhar especulador. - E você é?
- Hidan.
- É velho demais para ser um aluno, e novo demais para ser um professor. E então, o que você quer?
- Você fuma. - O seu cabelo branco, simetricamente penteado para trás se soltou do penteado quando ele apontou para mim com a cabeça.
Revirei os olhos, aquilo seria perda de tempo e eu estava sem a menor paciência para esse tipo de coisa. Aos poucos, eu estaria surtando. Será que eu não poderia ficar em paz por um mísero segundo?
- Grande coisa. - Cruzei os braços, ele havia se desencostado da parede. - Eu preciso ir.
- O bilhete, que você recebeu hoje. - Hidan disse, extremamente calmo. - Eu sei quem o enviou.
- Não tenho ideia do que está falando.
Ele riu escandalosamente. Acho que minha mente ainda estava assimilando o fato de que eu estava perdida. Eu não consegui acreditar nas suas palavras e, mesmo que acreditasse, não faria sentido. Todas aquelas pessoas tinham influência demais, capazes de te matar em qualquer esquina. Eu não queria me envolver mais nisso.
- Sei. - Hidan ficou exatamente na minha frente, me fazendo olhar fixamente para os seus olhos. - Eu trabalho para uma organização e nós não gostamos quando pessoas se envolvem com o que não deveriam. Nós queremos o mandante morto. E você também o quer. Mikoto era sua sogra. Você se importava com ela.
Ele estava tentando me manipular. Eu não era mais ingênua ou estúpida. Esse homem poderia fazer parte de algo maior, assim como as pessoas que mataram Mikoto, mas eu não queria saber de mais nada. Depois de uma tentativa de suicídio você descobre o quanto sua vida é importante e eu não quero desperdiçar mais a minha.
- Escute. Você pode saber das coisas que aconteceram naquele dia, mas eu não quero entrar nisso novamente.
- Não é isso que queremos Haruno. - Ele sorriu, me mostrando uma bela carreira de dentes brancos. - Eu só vim lhe avisar que nada pode acontecer com você agora, ou com seus amigos. Desde que se mantenha calada, nós vamos resolver as coisas.
Nada disso fazia sentido. Quem era idiota ao ponto de me falar tudo aquilo, para que eu me mantivesse calada. Esse cara sabia muito mais do que dizia, mas não era tão bom mentiroso quanto eu. Ele poderia querer algo, como sinal da minha gratidão, depois. Eu permaneci em silêncio por alguns minutos, sentindo seus olhos percorrendo meu corpo. Bufei internamente. Pervertido.
- Faça o que quiser. - Falei. - Minha boca está lacrada e eu não quero saber quem ou o que você deve fazer. Se você nos quer vivos, eu agradeço, mas não espere que eu confie em você por causa disso.
Ele assentiu, colocando as mãos no bolso.
- Como quiser, Haruno. - Abriu espaço para que eu passasse. - Nos vemos por aí.
Eu passei por ele, praticamente bufando escola adentro. Como minha vida tinha se transformado nessa série criminal? Porque nela acontece cada reviravolta digna de um filme policial... Enquanto andava, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, minha próxima e última aula seria educação física, com Gai. Ele era chato e meio insistente, não deixava ninguém ficar sentado no banco, acho que agora seria útil colocar a raiva para fora e tudo mais.
O sinal tocou, fazia dois minutos, e eu entrei no vestiário feminino, abrindo meu armário e tirando a calça de moletom e a camiseta de algodão, ambas as peças na cor cinza. Tinham algumas garotas no banheiro, comentando algo baixo quando olhavam para mim. Provavelmente deveria ser sobre eu ter matado aula, beijado Konan ou talvez por Sasuke e eu estarmos nos evitando. Sempre era por causa dessas coisas. Suspirei, passando as mãos de leve pelo colar no meu pescoço. Eu não era exatamente religiosa, mas Mikoto tinha me dado aquele crucifixo, algo em mim disse-me que eu precisaria dele hoje.
Educação física também era a única aula do dia que eu tinha com Hinata, Naruto e Sasuke. Infelizmente, Sai não estaria aqui. Mordendo o lábio, eu tirei meus brincos e a delicada pulseira de prata que eu usava. Acessórios e esportes não se davam muito bem. A quadra estava enchendo e, pelo que eu fui informada, praticaríamos vôlei. Não era meu esporte preferido, mas eu também não era tão ruim assim nele.
Pelo canto do olho, eu vi Naruto e Hinata conversando. Sasuke não estava lá. Gai começou a falar, separando a turma em dois times. Ele me olhou com suas sobrancelhas grossas com uma complexa curiosidade, e logo que o jogo começou, eu direcionei minha frustração para a bola e o time adversário.
Eu não via muito bem o que estava fazendo, era um daqueles momentos em que seu corpo faz algo e seu cérebro pensa em uma coisa totalmente diferente. Eu estava pensando em Hidan, no quanto ele sabia do ocorrido e em como tanta gente acabou descobrindo uma coisa que eu escondi por três anos. A bola veio em minha direção, eu pulei e dei um corte, marcando um ponto. Se ele sabia quem tinha mandado matá-la, porque inferno veio me falar? Só para eu ficar mais amedrontada? Desgraçado!
- Haruno!
Como se minha cabeça voltasse para realidade, eu me virei para Gai, fazendo com que uma bola passasse de raspão pelo meu rosto. Revirei os olhos, indo até ele.
- Sim?
- Kakashi quer falar com você. - Ele apontou para a porta do salão. – Acalme-se por alguns minutos, ou você vai acabar com o estoque de bolas da escola.
Eu o ignorei. Vendo meu tio com as costas escoradas na parede e seu livro pervertido nas mãos. Não entendia como Sarutobi-sama o deixava ler aquilo aqui dentro. Seu cabelo acinzentado estava tão bagunçado quanto seu normal. Ele não se moveu até que eu parasse na sua frente, erguendo os olhos do livro, olhou-me ansioso.
- Hei, Kakashi. - Lhe dei um leve sorriso.
- Yo.
- Então, tio, o que você queria comigo?
- Preciso dizer, Sakura? - Naquele momento ele pareceu mais meu professor do que meu parente. - Você falta à escola dois dias e quando vem mata aula. Eu não ia querer ser uma das suas colegas, você acerta aquela bola como se tentasse matar alguém. Isso é tudo por causa de Sasuke?
- Sério, Kakashi. - Coloquei as mãos na cintura. - Eu não sou do tipo que fica atirando facas por causa de um garoto.
Bem... Só às vezes, não com frequência. Preferi guardar essa última parte para mim.
- Certo, certo. Por favor, não agrida seu tio preferido. - Kakashi levantou as mãos ao alto, em sinal de rendição, obrigando-me a rir.
- Desculpe. - Meus ombros caíram. - Eu só estou ficando louca com todos que moram debaixo do mesmo teto que eu.
Ele sorriu, pôs a mão no meu ombro e olhou em meus olhos. Eu queria saber por que as pessoas estavam me olhando dessa forma nos últimos dias. Eu via como se eles quisessem descobrir a minha verdadeira essência, ou algo grande por trás de mim. Não pude dizer se ele encontrou alguma coisa, mas não pareceu muito contente com o que viu.
- Seu pai pediu para eu ir à sua casa hoje, reunião de família ou algo assim.
- Isso está ficando estranho, sério. - Olhei rapidamente para o lado. - Ele também pediu para Tsunade falar comigo hoje de manhã. Eu estou sendo muito diabólica?
- Hum... Deixe-me ver. - Sua cabeça prendeu para o lado. - Não, você não está. Talvez eles estejam exagerando um pouco, mas cuidado nunca é demais.
Assenti. Não entendendo o porquê de tudo aquilo. Eu deveria estar perdendo o bom jeito para mentira, isso ou Touya se espantou quando me viu chorando na madrugada de sábado. Quem sabe ele tenha criado um coração e ficado aflito com a explosão da sua filha. Não, pouco provável.
- Bem, eu tenho que voltar para minha classe. Eles não vão acreditar que eu me perdi nos rumos da vida por muito tempo. - Refletiu. – Cuide-se, Sakura. Nos vemos à noite.
Ele me deu as costas e foi andando enquanto lia Icha Icha Paradise. Às vezes eu me perguntava se Kakashi era tão mulherengo quanto meu pai, ou se ele lia aqueles livros por estar na seca, ou algo assim. Os Haruno sempre tiveram uma tendência para ser cafajestes. Meu pai e meu avô eram assim. Acho que no fim Kakashi puxou mesmo a família da vovó. Há algum tempo eu tinha ouvido Akane comentar que ele estava saindo com alguém. Kakashi sempre foi o mais discreto da família, talvez eu só conhecesse uma namorada sua quando ele estivesse quase casando.
Com a consciência um pouco mais leve, eu fui me sentar no banco, ao lado de Hinata. A morena parecia cansada, acho que no fim, com tudo isso, todos nós estávamos. Ela me olhou curiosa, e eu lhe entreguei um pequeno sorriso. Hinata se mostrou contente, escorando a cabeça no meu ombro. Fazia um bom tempo que não tínhamos um momento juntas. Ela sempre estava com Naruto e eu com Sasuke, meio que ficamos sem tempo, ou, estávamos relativamente distraídas. Sexo faz isso com as pessoas.
- Você está bem? - Ela perguntou.
- Depende do ponto de vista. - Hinata fez um careta, do tipo que não acreditava nem um pouco no que eu dizia. - Não, não estou bem. Feliz?
- Não. - A Hyuuga segurou minhas mãos, começando a brincar com meus dedos. - Nós três estamos preocupados com você Sakura.
Mordi meu lábio, encostando minha cabeça na dela. Todo mundo ficou preocupado e eu tinha medo disso. Não me fazia sentido toda essa preocupação. Era confuso, nunca vi ninguém se preocupando até tempos atrás. Mas essa era Hinata e, de uma forma ou de outra, ela nunca deixava de falar a verdade. Completamente o contrário de mim.
- Hina, relaxe, desde que vocês fiquem quietos sobre o que aconteceu, as coisas continuarão normais.
- Você deveria ter chamado a polícia. - Ela murmurou com a voz sonolenta.
- Essas coisas são grandes demais para polícia ser capaz de lidar. - Sussurrei de volta.
Ela acenou. Seu cabelo estava preso da mesma forma que o meu, em um rabo de cavalo alto, a diferença era sua perfeita franja quase caindo nos olhos. Passei o braço por seus ombros, vendo-a se aconchegar melhor. Hinata não deveria estar dormindo há, no mínimo, uma semana. As olheiras estavam marcando seu rosto delicado. Eu as tracei, não gostando da forma que ela estava. Foi minha vez de ficar preocupada.
- Onde está Naruto?
- Com Sasuke. - Hinata abriu os olhos, olhando-me atenta. - Sasuke viu você conversando com aquele garoto com cabelos brancos. Ele ficou furioso, porque você só está se metendo com o pior tipo de gente.
Arqueei a sobrancelha. Sim, eu especulava que Sasuke gostasse um pouco de mim, mas isso já era demais. Ele estava praticamente surtando agora. Primeiro Pain, depois Konan e Hidan. Qual era a de todo mundo agora? A vida de Haruno Sakura era um reality show ou algo do tipo? Ele esteve me seguindo? Porque eu estava fumando em um lugar bem escondido, um lugar que nós não íamos quando eu não controlava meus vícios. Eu iria ficar louca!
- Depois de sábado eu imaginei que ele não ia querer olhar para minha cara.
- Sério, Sakura-chan? - Quase bufou, sua voz baixa. - É obvio, até para mim, que ele gosta de você.
Eu não acreditava nisso, mas preferi não comentar. O Uchiha e eu se mostrava ser um assunto mil vezes mais complicado do que eles sabendo de um assassinato. Acho que Hinata estava dormindo no meu ombro. Gai não falou nada sobre aquilo, acredito que ele me preferia no banco a descontando meus sentimentos sem sentido nos meus colegas.
Eu tinha certeza de que não seria nada agradável a conversa em família que eu teria hoje à noite. Eu escutaria uma conversa séria sobre imprudência, e rebeldia adolescente. No final das contas eles acreditavam que era só isso. Nada demais, só uma garota rica e frustrada, com falta de atenção e toda a carga que vinha junto. Sinceramente? Isso era um dos motivos de eu ser assim. Era idiota, mas continuava sendo o que eu era. No fundo eu imaginava que se eu tivesse uma relação no mínimo estável com Touya e Akane, as coisas poderiam ser diferentes agora.
A partir do momento em que eu conversei com Itachi, eu soube que os dois iam ficar magoados comigo, mas era uma atitude necessária a se tomar. Eu gostava dos meus pais, mas já havia mentiras demais na minha vida. Eu queria colocar um ponto nisso. Era a coisa certa a se fazer, e não era como se fosse o fim do mundo.
Com esse pensamento, eu acordei Hinata e nós duas fomos para o vestiário, tomando um banho rápido. Eu me sentia um pouquinho mais relaxada, claro, a conversa com o tal de Hidan e o bilhete ameaçador ainda rondavam meus pensamentos, só que agora estavam um pouco mais no fundo.
Hinata foi comigo até o estacionamento, os cabelos molhados sendo bagunçados ainda mais pelo vento. Conversávamos baixo, e ela me contou como Naruto e Sasuke andavam grudados desde o "incidente" com Mai. Era cômico isso, eu sempre estive o evitando, e agora tudo em mim queria saber dele. Meu orgulho, ainda sim, não me deixava correr para seus braços e gritar juras de amor. Eu nunca fui do tipo que se declarava, antes ou depois das drogas.
Sasuke estava escorado ao lado do seu carro, fumando. Naruto estava com ele, as mãos no bolso e um olhar distante. Para minha surpresa, Itachi também estava lá. O primogênito Uchiha sorriu quando me viu, fazendo com que Sasuke olhasse na minha direção. Droga! Que inferno, porque minha pulsação tinha que aumentar? Respirei fundo, vendo Hinata sorrir do meu lado. Ela esperava uma reconciliação, ou o que quer que fosse entre nós dois. Algo em mim disse-me que isso não aconteceria hoje.
- Hei, Itachi. - Sorri para ele. - O que você está fazendo aqui?
- Não posso visitar minha prima favorita? - Perguntou.
- Hum, deixe-me ver. Até pode, mas até onde eu sei, eu sou sua única prima.
- Correto. - Assentiu. - Vim trazer os documentos para você, imaginei que não iria quer fazer disso algo grande.
- Você está certo. - Mordi o lábio, passando as mãos pelos cabelos. - Está tudo em ordem?
- Sim. - Ele me estendeu um envelope amarelo. - Só faltam as assinaturas.
- Você estará lá hoje à noite?
Desviei o olhar para o lado, eu não estava aguentando a forma que Sasuke me encarava, bem ao lado, sem dizer uma única palavra, nem mesmo quando eu o cumprimentei.
- Vou, é meu dever como seu advogado.
Itachi estava longe. Eu não sabia como ele via tudo o que eu o pedi, ele estava se formando em tempo recorde, Itachi não me contestou quando eu lhe disse o que queria. Só agora vi como isso era algo extremo e não antes feito por alguém da nossa família. Meu pai não ia gostar da ideia, tampouco qualquer associado da empresa. Isso seria um escândalo tão grande quanto eu e Konan dançando naquele bar.
- Escute. - Itachi me disse. Os outros três estavam nos observando atentos, porque aqui estava eu, com mais um dos meus segredos. - A conheço o suficiente para saber que não há nada que a faça mudar de ideia. Mas... Tome cuidado com tudo isso, Sakura.
- Certo. - Falei relutante. - É para um bem maior, acredite em mim.
Ele torceu os lábios e se despediu de nós. Como Naruto e Hinata estavam entretidos em uma conversa romântica, isso fez com que Sasuke e eu ficássemos, tecnicamente, sozinhos. Eu não conseguia fitá-lo, eu sentia que isto iria me atingir mais do que eu poderia aguentar. Desculpas nunca seriam suficientes, vindas de ambas as partes, mas seria um progresso. Eu não consegui parar de mexer nos cabelos, meu lábio deveria estar ao ponto de sangrar, de tantas vezes que eu estava mastigando-o.
Aja Sakura! Ao menos o olhe nos olhos! Você consegue, destrua esse silêncio constrangedor entre vocês. Fale! Imagine que vocês são amigos como antigamente, ou então estão ao menos conversando, como há dias atrás. Por tudo que é mais sagrado garota estúpida, diga algo!
- Eu acho que vou indo. - Murmurei olhando para frente.
- Rosada.
Estaquei com a sua voz. Isto era mais difícil do que imaginei. Eu não iria conseguir fingir confiança agora, não com ele me chamando dessa forma, com esse tom de voz. Piscando algumas vezes, eu virei a cabeça, não o olhando diretamente, minha vista estava um pouco acima do seu ombro.
- O que foi, Sasuke? - Perguntei.
- Pare com isso. - Ele disse, as mãos levantando meu queixo. - Ao menos olhe para mim quando eu falo.
- Não, obrigada. - Desviei o olhar, minhas mãos segurando as suas sobre o meu rosto. O contato era bom, mas ia me fazer mal naquele momento. - Eu... eu acho, que precisamos conversar, mais tarde.
- Hn. - Sasuke riu baixo, provavelmente revirando os olhos. - Com você fugindo, e escondendo coisas a cada minuto? Acredito que não.
- Uchiha. - Eu falei séria, minhas mãos tirando as suas do meu rosto. - Eu já lhe disse que não irei contar o que aconteceu lá. Mas hoje, eu já escutei duas vezes o quanto é importante que eu fique calada. Não só eu, mas vocês também.
Ele se escorou novamente no carro, tateando os bolsos e tirando uma carteira de cigarros. Acendeu um, colocando-o na boca e deixando que a fumaça cheia de nicotina enchesse seus pulmões. Seus dedos bagunçaram os cabelos negros e ele olhou na minha direção, esperando algo.
- Escute, Sakura. - Era tão estranho ouvi-lo me chamar por meu primeiro nome - Eu sei como as coisas são grandes e eu quero saber a verdade por trás disso tudo. Tudo o que vem acontecendo, desde antes de você sumir do mapa e voltar outra pessoa. Mas eu não vou conseguir olhar para você se continuar mentindo.
- Ótimo. - Falei com semblante duro. - Sem mentiras. Aonde quer ir?
- Casa de campo. - Eu quase sentia raios saindo dos nossos olhos e se chocando um contra o outro. Havia algo forte no jeito que estávamos nos encarando.
- Claro. - Dei as costas. - Te vejo por aí, Uchiha.
(N/a: Sugestão: You Got Me – Taking Back Sunday)
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5 de Junho de 2005
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Eu não soube dizer quando chegamos aquilo. Em um momento conversávamos, ambos sóbrios, o que era raro vindo de nós, e depois estávamos nos beijando e tirando as roupas um do outro. Eu só me vi pegando Sakura no colo enquanto trancava a porta e escorava o corpo magro dela neste. E ela não parecia nem um pouco relutante.
Seu corpo arqueava e eu sorria escutando-a gemer quando meus lábios beijavam inúmeras vezes seus seios. Suas mãos agarravam com força meus cabelos enquanto eu mordia seu pescoço e afagava seu corpo magro. Eu jamais a tinha visto nua, mesmo com aquela lingerie vermelha cobrindo seus seios, eles pareciam perfeitos para mim. Aquela cor ficava bem nela, combinava com a pele pálida, levantando os peitos como uma oferenda aos deuses.
Horas antes, ela tinha me ligado. Touya e ela tiveram mais uma discussão e, do jeito que ela estava, nenhuma droga poderia fazê-la bem. De tão irritada que estava era capaz de cheirar e fumar tudo que visse pela frente. Naquele dia ela estava usando a camiseta do The Cure que eu havia lhe dado, rasgada na gola, com mangas largas quase indo até os cotovelos, e uma parte cortada distraidamente para que sua barriga lisa ficasse a mostra. Também havia o short curto e desfiado, com a meia calça rasgada, só deixando-a mais quente e atrativa. Mas algo em mim me disse que não era por ela estar gostosa que eu fazia isso.
Ela arfou, quando a deitei na cama. O cabelo curto e cacheado se espalhando pelo lençol branco. Eu me abaixei, os braços um de cada lado da sua cabeça, a beijando nos lábios, de novo e de novo. Seguindo a trilha pelo vale dos seios, vendo a arquear as costas e gemer quando eu beijava sua barriga. Minhas mãos abriram o botão do seu jeans, e os puxei para baixo, junto com as meias, não teria importância se elas se rasgassem mais.
Franzi o cenho, dando um sorriso de canto para ela. Eu sempre desconfiei, mas agora via com certeza. Ela sempre gostou de cueca feminina e usava uma hoje, vermelha. Do mesmo tom dos seus lábios e sutiã. Não havia nada nela que não me deixasse excitado. Sakura sorriu para mim, quando eu mordi suas coxas grossas e passei a mão sobre o tecido da sua roupa íntima. Ela estava completamente úmida.
Abruptamente se sentou, me olhando com fome. Suas mãos tiraram minha camiseta preta e desabotoaram os jeans, puxando-o para baixo. Quando eu fiquei só com a box azul, ela me jogou de costas na cama, sentando em cima de mim. Eu estava completamente duro. Seu peito levantava, e minhas mãos se moveram automaticamente para suas costas, abrindo o fecho. Eu retirei a peça, os tocando, e sentindo-os rijos, sentindo-a quente sobre mim. Eu a queria como nunca antes.
- Você quer isso, rosada? - O apelido saiu da minha boca naturalmente. Foi a primeira vez que eu a chamei assim.
- Quero.
Abaixou-se me beijando, suas unhas descendo por meu peito, lentamente. Na manhã seguinte eu sabia que ia ter marcas deixadas por ela, por todo meu corpo. Em uma atitude ousada para Haruno Sakura, sua mão encontrou meu membro, o estimulando por debaixo da peça de roupa. Passei as mãos por seus cabelos, trazendo-a para mim. Prendi seu lábio entre meus dentes, ambos arfantes. Minha outra mão percorreu a lateral do seu corpo, segurando seu quadril e a parte lombar do seu corpo. Eu não ia aguentar por muito tempo.
A abracei, ficando mais uma vez sobre ela. Tirei as últimas peças que faltavam, vendo-a levantar a cabeça para ver porque eu tinha parado com as carícias. Olhei para seus olhos verdes, eles estavam líquidos agora. Direcionei meu olhar para sua cavidade, sugestivo. Vi surpresa nos seus olhos, e sorri com isso. Afastei suas pernas, as mãos dela agarraram os lençóis quando minhas mãos deslizaram pela parte interna da cocha e ela gritou quando beijei seu sexo. Primeiro com os lábios e depois com a língua, as mãos praticamente arrancando meus cabelos, mas eu não me importei.
- Sasuke... Pare, eu vou morrer assim. - Ela disse engasgada com seu próprio prazer.
Vendo que ela não moveria as pernas, continuei deslizando minha boca sobre ela, sentindo seu gosto salgado. Minhas mãos voltaram para sua barriga, tocando seus seios, e tudo o que eu podia. Eu era enorme sobre ela, a rosada parecia pequena e frágil comparada a mim.
Foi aí que o primeiro orgasmo veio. Sorri, bebendo-a por completo, escutando-a gritar meu nome e seu corpo ter convulsões sobre o colchão. Olhei para seus olhos fechados, os dentes mordendo o lábio carnudo. Dei um beijo em sua testa, bochecha e lábios, fazendo-a sentir seu próprio gosto. Afastei o cabelo do seu rosto, as mãos pequenas circulando meu pescoço e me trazendo para mais perto. Seus seios sendo esmagados pelo meu peito. A sensação era indescritível.
Peguei uma de suas pernas e a coloquei ao redor do meu quadril, eu queria que ela me sentisse. Seu corpo arqueou mais uma vez e eu fechei os olhos quando Sakura segurou meu rosto, traçando-o com os lábios, massageando meus ombros. Só agora eu via, aquilo era mais que sexo, para os dois.
Ela me agarrou com força quando comecei a deslizar para dentro dela. Quando a rosada se acostumou comigo dentro dela, eu comecei a me mover, entrando e saindo do seu corpo, e a cada movimento ela arfava, beijando-me com força, abraçando-me com força. Os músculos se retraindo contra meu membro, os arranhões queimando nas minhas costas e o gosto doce que tinha na pele dela. Algo como óleo de maçãs e flores silvestres. Era maravilhoso.
E ela aguentou o calor e o prazer por todo o tempo. Com orgasmos vindo um após outro, não me soltando por um segundo sequer. Quando não tínhamos mais forças para nos mover, totalmente saciados, eu me deitei ao seu lado, trazendo seu corpo para mais perto do meu. Não fui capaz de sair de dentro dela.
- Sasuke-kun... - Murmurou sonolenta, seus braços relaxando ao meu redor. - Aishiteru.
A claridade da manhã começou a invadir o quarto, o tempo continuava chuvoso, trovejante, mas a luz do sol estava ali. Deixando que eu visse o sangue. Minha cabeça estava escondida em seus ombros, então ela não viu quando eu arregalei os olhos. Sakura... Sakura era virgem. Nada aconteceu quando ela namorou Itachi, e ela estava me deixando fazer isso, ser o primeiro na vida dela. Eu não soube o que sentir em relação a isso, como se uma emoção boa e uma ruim se chocassem ao mesmo tempo
Uma felicidade borbulhou dentro de mim e eu sorri levemente, puxando as cobertas para esconder nossos corpos. Relaxei, aproveitando o calor do seu corpo quando o sono começou a me tomar.
- Koishiteru. - Sussurrei, beijando sua testa.
…
23 de Agosto de 2008
…
Eu entrei em casa, sentindo-me inumanamente cansada. Meu cabelo estava desgrenhado e, assim que eu joguei a bolsa no sofá, fui direto para cozinha, eu estava morta de fome. Tsunade estava lá, junto com meus pais. Eu abri a geladeira os ignorando. Peguei uma torta de limão com chocolate, não era algo que eu comia normalmente, mas é como dizem, a fome é o melhor tempero. Servi-me de um pedaço generoso, pegando uma garrafa de suco de laranja e a carregando comigo, me sentei à mesa, de frente para Akane e Touya.
- Não almoçou, Sakura? - Tsunade perguntou rindo.
- Não, eu estava sem fome. - Dei de ombros, engolindo. - E depois tive aula de educação física.
Akane riu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Eu continuei comendo, achando bizarro o enredo da situação. Touya tomava seu café expresso e amargo, parecendo tão distraído quanto minha mãe quando me olhavam. Eu comi a torta em silêncio, ignorando meu rabo de cavalo bagunçado e os olhares curiosos de todos naquele cômodo.
Quando acabei de comer, coloquei o prato na pia, lavando-o. Eu sentia minhas costas queimando. Depois de enxaguá-lo, sequei minhas mãos no guardanapo e me virei para os meus pais. Tsunade não estava mais lá e a porta da cozinha estava fechada. Eu os encarei em expectativa. Sentando-me mais uma vez a sua frente, com os braços cruzados sobre o tampo de granito da bancada.
- Então...
- Então queremos saber o que Mai te disse, e o que você sabe sobre a família, em geral. - Akane disse.
To Be Continued...
N/a:
Oie gatas o/ Eu fui uma boa pessoa, não? Respondi às reviews dos três últimos capítulos (para quem não é cadastrado no site, é só ver as respostas aqui embaixo), postei super-rápido, apesar de poucas reviews.
Só um aviso, se vocês não colaborarem, eu vou demorar bastante, mas se contribuírem, eu posso fazer meus neurônios funcionarem e fazer um capítulo tão rápido quanto esse.
Esse foi um dos que eu mais gostei de escrever, acho que só perde para o capitulo nove "Desconhecidos". Eu amei escrever o POV Sasuke de hoje. Para vocês terem ideia, o capítulo inteiro veio a mente no domingo, sendo que só esse comecinho, quando ela tava fumando eu escrevi antes. O resto do domingo e essa segunda foi a Bella me ajudando com um monte de perguntas que eu fiz para ela. Kkk'
Sabia que no japão existem três maneiras de dizer "Eu te amo"? Você diz Daisuki para seus amigos e ficantes, diz Aishiteru para um namoro mais sério e Koishiteru para a pessoa com que você quer passar o resto da sua vida. E eles seguem isso à risca. Isso é uma das coisas que eu admiro neles. Eles não banalizaram o "Eu te amo" como nós fizemos. "
Isso aí em cima eu vi no tumblr, e eu achei super perfeito. Ah só para saber, vocês que tem tumblr, já apareceu "você excedeu o limite de post's diário?" Porque é o segundo dia que isso acontece comigo e eu fiquei muito indignada. Kkk'
Voltando para fic. Eu gostei particularmente desse capítulo pela conversa com o Itachi e a Hinata, e esse meio diálogo com o Sasuke. Eu quis que vocês vissem como ela era antes, mais ou menos, eu tenho na minha cabeça mais Sasuke's POV mostrando como a Sakura era antes. Mas é só isso que eu digo também. Koasokakos
Fazia séculos que eu não escrevia uma n/a tão grande. Espero a colaboração de vocês gatas! Adicionem nos Alerts, Favoritos e mandem muitas, muitas reviews, porque quantas mais vierem, quanto mais vocês derem criticas e mostrarem que estão gostando, maior e mais rápido será o capitulo.
O próximo capitulo, aliás, já está em andamento, tem sete páginas, se vocês forem legais, e agente tiver, tipo 20 reviews, o que eu duvido que aconteça, eu ainda o posto essa semana.
Mil beijos
N/b:
Hey people! Então, o que acharam desse capítulo? Sou suspeita para dizer, mas confesso que adorei o Sasuke narrando a primeira vez dele e da Sakura...superou todas as minhas expectativas!
Digam o que acharam...mandem reviews nem que seja com um simples "Continua, está legal." Isso ajuda a ter capítulos mais rápidos!
Beijos
Bella
reviews anonimas dos últimos capítulos:
Alice C. Uchiha: Nossa muito obrigada gata, é sempre bom achar uma review sua por aqui. O/ No fundo eu acho que tomo mundo odeia a Mai e quer jogar ela em um precipício, não é só você, eu também morro de pena da Sakura. Ser responsável é um saco, às vezes eu faço coisas meio imprudentes, só que nada tão louco quanto a Sakura. Kk' Olha eu queria poder pegar o Sasuke, abraçar ele e fazer ele ficar bem, sério, podre dele. A Hinata é meio sapeca também, mas só com o Naruto. Kkk' Acho que no futuro ele vai aparecer, por enquanto o assassino da Mikoto é segredo de estado. ' A muito obrigada, esse capitulo foi bem louco de escrever. Mas me diz, o que achou desse?
Carol Cisnero: Acho que depois de tanto tempo, eu estou conseguindo guardar os mistérios das minhas fics, kkk', eu adoro deixar vocês curiosas. Kk'k Espero que continue gostando gata, mas me diz, o que achou desse capitulo?
Wely: Muito obrigada, mesmo! Ler que você achou tudo isso me deixa superfeliz, eu tento colocar o máximo de mim nas fic, ainda bem que você gostou. Mas me diz, o que achou desse capitulo?
