N/a: Sugestão: Coldplay – Paradise. Boa Leitura. Para Nick.


Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

Capítulo Vinte e Dois

Melhores Amigos Maléficos

A vontade continuava lá, independente do tempo que tenha passado. Eu queria que aquelas coisas não tivessem acontecido, eu queria correr do mundo e almejava que ele fizesse isso junto de mim.

18 de Janeiro de 2006

Neji e Gaara estavam conversando baixo logo a minha frente. Eu não dei muita importância para eles, só fiquei na minha, fumando meu centésimo cigarro no dia. Olha que eram apenas oito da manhã. Havia dez exatos dias que eu estava parecendo uma chaminé, mas não havia nada em mim que me fizesse parar. A cada tragada, sentindo a nicotina invadindo meus pulmões, respirando aquela fumaça, gerava alívio. Era rápido, não durava mais que segundos. Eu precisava ficar calmo, e se só aquela merda fosse me trazer isso, eu continuaria nesse círculo vicioso.

Fazia alguns dias que as aulas haviam iniciado, houve uma pausa de duas semanas, para o semestre ser retomado em seguida. Aquela escola tinha turmas começando nos períodos mais estranhos do ano.

Eu fazia o que podia para prestar atenção no que os dois falavam, mas minha cabeça sempre acabava se perdendo. Eu começava a ver um corpo feminino no chão, sangue por toda a parte, e uma arma atirada em cima do tapete. Fechei os olhos com força, era isso que eu queria esquecer. Como eu encontrei o corpo sem vida de Mikoto. Eu ainda não conseguia acreditar.

O enterro tinha sido há oito dias. Não podia dizer se era uma coisa boa ou ruim, mas todos os moradores daquela maldita casa, inclusive eu, se mantiveram em silêncio. Não houve lágrimas, ou choro. Nada. E aquela mulher, Emiko, estava sempre por lá, seguindo Fugaku de um lado para o outro. A rosada vivia tendo ataques por Touya ter amantes, mas ele não era o único.

Não podia ser coincidência minha mãe acabar morta no mesmo dia que pedia divórcio. De jeito nenhum, se aquele desgraçado tinha algo com isso, eu arranjaria provas para incriminá-lo.

As viagens de okaa-san e Itachi nos últimos seis meses deveriam ter algo a ver também. Quando eu perguntava o que inferno eles estavam fazendo, os dois arranjavam desculpas esfarrapadas para isso. Minha mãe nunca foi do tipo que fazia compras, e ela ter usado isso foi o fim. Tinha algo a mais ali. Ela sempre ia na primeira semana do mês, e voltava na seguinte.

Ela não saiu da cidade, não cumpriu essa rotina vinda do nada. Depois ela acabava assassinada. Quando coisas desse tipo aconteciam com os Uchiha, não era por mera coincidência.

Bufei. Primeiro Sakura some, depois Itachi e Okaa-san piram, e a última morre. Até quando as coisas seriam assim?

Eu passei um bom tempo procurando notícias na internet, revistas, jornais e nada. Não importava se eu mandasse e-mail, sms, ou ligasse para ela. Nenhuma resposta. Foi como se a rosada tivesse desaparecido do mapa. Depois que Sakura pegou aquele vôo para lugar nenhum, nunca mais soube dela.

Touya e Akane não estavam em casa também, meu pai me veio com uma desculpa de segunda lua-de-mel. Ridículo. Todos sabiam que alguma coisa tinha acontecido, nem mesmo Kushina ou Minato puderam me contar. E eles sempre falavam a verdade. Kushina disse que tinha prometido para Sakura manter a boca fechada. Todos sabiam, mas ninguém era capaz de me dizer onde ela tinha se metido.

Deixei que meus olhos deslizassem pela extensão da escola, tentando achar algo que me mantivesse no mundo real por alguns minutos.

E realmente aconteceu.

O carro estava estacionado nos portões, Itachi saiu de dentro dele. O rosto mais sério que nunca, o corpo vestido pelo terno negro. Franzi o cenho. O idiota não tinha me avisado que viria. E o que inferno ele fazia ali? Tinha terminado o colegial no último semestre. Não havia motivo...

Sakura. Haruno Sakura estava ali.

Era imponente, rugia soberania. O uniforme da Konoha High perfeitamente justo no corpo. Cabelo liso caindo um pouco abaixo do ombro, nenhuma gota de maquiagem, com exceção do rímel nos olhos. A pele perfeitamente lisa e branca. Ela não era a garota que eu conhecia.

Levantou os olhos do chão, encarando atenta meu irmão mais velho. Ela sorriu de canto para ele, e o desgraçado se inclinou para beijar a testa dela. Sim, Itachi sempre soube onde ela tinha se metido e os motivos para isso, estava ali, estampado em seu rosto. Mais uma vez, ele estava tentando tirá-la de mim.

Franzi o cenho, finalmente vendo-a por completo. Ela estava usando salto? E que porcaria de bolsa era essa? Eu me sentia em uma dimensão alternativa, olhando para alguém que eu conhecia desde as fraudas e vendo uma pessoa diferente.

Ela começou a andar. Havia uma confiança cega dada a cada passo, uma Rainha do Gelo. Sakura não desviava o olhar como antes. E ela me encarou, sorrindo em escárnio e seguindo em frente.

Raiva começou a me consumir. Joguei o toco de cigarro no chão, e os dois caras ficaram surpresos. A segui para dentro da escola, os corredores cheios, até mesmo Sarutobi deveria saber disso.

Abrindo seu armário, as unhas pintadas de rosa. Ela odiava rosa! Eu estava ficando louco! Respirei fundo. Ela jogou o cabelo para o lado, e levantou a sobrancelha para mim.

- O que você quer, Uchiha? - Perguntou em deboche.

- Onde você esteve, rosada?

Essa última palavra, fez com que ela reagisse. Foi assim que eu chamei na vez que dormimos juntos, horas antes de ela desaparecer sem deixar nenhum sinal. Tenten e Ino tinham levado ela para casa, e eu escutei muito saindo da boca das duas. Mas nenhuma maldita resposta.

- Não lhe devo explicações. - Deu de ombros, me ignorando totalmente.

- Sim, você deve.

A rosada me encarou, haviam milhões de palavras nos seus olhos. Nojo, ela tinha nojo de mim. Ajeitou a bolsa no ombro e passou a mão pelos cabelos. Ao menos alguns hábitos não haviam se esvaí alguma coisa quebrada dentro dela, o verde grama das suas íris estava vazio, algo faltava.

- Pro inferno com isso. - Cruzou os braços. - Eu não devo satisfações para ninguém, muito menos para você, idiota.

- Ela morreu.

As palavras saíram da minha boca sem que eu sequer percebesse. Uma sombra se plantou no rosto dela. Esse pesar, talvez nem tudo estivesse perdido. Eu pensei isso segundos antes dela se recompor. O olhar neutro, não demonstrando nada. No fundo eu não deveria ser o único desnorteado.

- Eu sei. - Ela me deu as costas.

- É só isso que tem a dizer? - Falei.

Caso ela tenha ouvido, não fez questão de responder. Sakura tinha ido. Da forma que ela estava, acho que eu nunca a teria de volta.

Era tarde demais.

24 de Agosto de 2008

- Gata, se eu estivesse no seu lugar já tinha fugido de casa a bastante tempo. - Sai disse. - E não só por agora, mas sim, por todo o drama que eu escutei de você nos últimos três anos.

Como se eu não tivesse pensado nisso antes. Minha cabeça parecia estar girando. Eu fiquei algumas horas acordada ontem à noite esperando meus avós paternos, e nada deles. Hoje de manhã, quando eu passei pela cozinha para avisar que estava indo para escola, meu pai falou que eles viriam hoje à noite, porque, inferno, eles tinham algo importante a me dizer. Eu estava quase arrancando os cabelos fora.

Claro, eu tinha presenciado um assassinato e havia pessoas me ameaçando agora, e o melhor de tudo, eu estava pouco ligando para isso. A minha grande preocupação no momento era o que aconteceria na casa de campo.

Olhei para Hinata, sentada do meu lado. Ela encarava seu mocaccino praticamente sem chantilly, sua cabeça estava em outro mundo. Talvez, só ela entendesse a gravidade de manter as coisas em silêncio. A Hyuuga passou pouco tempo com Naruto nos últimos dias, ela ficava comigo e ele com Sasuke, mas eu sabia que ela temia que algo acontecesse com o loiro. Ainda mais com a lembrança dele tomando um tiro.

- Ok, meninas! - Sai falou torcendo os lábios em um biquinho. Era cômico, um homem forte como ele, vestindo o uniforme normal da escola com gloss nos lábios e uns acessórios fofos, como o lenço em seu pescoço. - Vamos mudar esses rostinhos! Isso tudo porque seus garotos não vieram à escola hoje?

- Não exatamente. - Eu disse. - Sasuke e eu brigamos, e você sabe, não é como se tivéssemos algo mesmo.

- E lá vai minha princesa querendo bancar a Rainha do Gelo. - Ele balançou as mãos na frente do meu rosto, isso foi muito gay. - Sério, você já admitiu, mais ou menos, que gosta dele. Por que não usa esses seus seios e pernas poderosas para conquistar aquela delícia?

Hinata e eu nos encaramos, e acabamos rindo. Se existia uma pessoa capaz de tirar Haruno Sakura do seu mundo de lamentações, bem, esse era Sai, meu ex-namorado e melhor amigo gay. Naruto conseguia fazer isso quando éramos crianças, mas ele não gostaria de ser comparado a Sai.

- Certo, vou pensar sobre isso.

- Você não vai pensar, você vai é agir!

Suspirei. Minha mala já estava pronta. O essencial para semana. Peguei a maioria das minhas roupas, em geral jeans, camiseta e alguns acessórios que mudavam as coisas de básico para estiloso. Era isso que eu precisava, intercalar o velho com o novo.

Olhei para o quarto, meio nostálgica. Certo, eu tinha mudado o ambiente uma centena de vezes ao longo dos anos, todavia, eu morei aqui desde pequena. Haviam muitas lembranças ali, e para minha surpresa, tanto boas quanto ruins. Eu passei horas na piscina olímpica do quintal, nadando cada vez mais rápido, e desejando que a ânsia por coisas ilícitas sumisse de mim. E as tardes que eu passava lendo deitada nos bancos de pedra do quintal. Quando Tsunade se sentava comigo e abria o próprio livro.

Eu sentiria saudades e, de qualquer forma, o lugar não ia desaparecer do mapa. Se algo que eu aprendi é que as memórias sempre estariam ali para quando se precisasse delas. Às pessoas mudavam para caramba, e a saudade do que era antes nunca iria embora.

Eu poderia ir para outro lugar, afinal, eu não ia morar com meus pais até a terceira idade. Seria bom viver com Kakashi. Ele era como eu em alguns sentidos, e a convivência seria mais fácil, agradável até.

Claro, comigo partindo, todos os sonhos infantis iriam comigo. Kakashi era meu tio, não meu pai. Por mais que eu amasse ele, não seria a mesma coisa. Não houve um dia que eu não quisesse ter uma relação estável com os dois, esse era o momento em que eu colocava um ponto final na ilusão de família feliz. Talvez, só talvez, com a distância estabelecida, nós acabássemos nos sentindo melhor.

Bufei, desliguei as luzes e puxando a bagagem comigo. Kakashi me esperava no primeiro andar e meus avós também estariam lá. De longe eu sabia que a conversa com eles seria realmente melhor do que a com os Uchihas, mas ainda assim, havia apreensão junto de mim.

Entrei no escritório do meu pai, vendo Akane sentada no braço do sofá onde ele estava. Um pequeno sorriso cresceu no meu rosto. Aquele era um dos primeiros gestos, de afeto, por assim dizer, que eu via surgindo deles. A questão era se isso era real, ou só mais uma parte do seu "casamento de fachada".

- Olhe para você. - Vovó disse, sorrindo de verdade para mim. - Eu me sinto mais velha que nunca.

- Você está exagerando vovó. - Sorri de volta, dando um beijo na sua bochecha e deixando que ela me abraçasse. - Eu só vou morar com Kakashi, e ainda falta um ano para eu entrar na faculdade.

Eu me sentei ao lado dela, esperando que eles me dissessem o que quer que fosse. O meu íntimo estava triste, eu sentiria falta de tudo, mas eu sabia que as coisas não poderiam continuar como estavam.

Escorei minha cabeça no ombro da matriarca Haruno, e ela apertou meu corpo, era meio que um alívio tê-la ali. Meu avô estava sentado em uma poltrona, e Kakashi, escorado na parede, mãos nos bolsos.

- Nós conversamos enquanto você estava na escola. - Vovô disse. - E achamos que você mais que qualquer um, deve ter direito a sua herança.

- Por quê?

- Você já é madura o suficiente. - Touya falou. - Tem a cabeça no lugar, e nós sabemos que não vai jogar seu dinheiro ao vento.

- E... - Akane prendeu a respiração, soltando a lentamente. - Nós esperamos que faça bom uso dele. Meu pai é uma pessoa sem escrúpulos, e eu não quero que ele mexa com você.

- E como isso pode me ajudar?

- Veja bem. - Vovô falou. - Você tem praticamente oito por cento das ações Uchiha, Hirome não gostou disso. Porque seu sangue é Haruno, a pessoa com mais ações comanda a empresa. Kushina pediu para que seu pai tomasse conta dos negócios enquanto ela estivesse grávida, e depois ela assumiria novamente.

- Ele quer que Fugaku seja o presidente das H&U, porque sabe que ambos têm o mesmo ponto de vista. - Kakashi disse.

- Exato. - Vovô assentiu. - Hoje pela manhã nós transferimos tudo para o seu nome, e agora só resta assinar os papéis.

...

25 de Agosto de 2008

Aquele sentimento estranho tinha voltado. Do tipo que luta contra o certo e o errado dentro de você, mas não tem como saber quem é quem. Era frustrante. Passei as mãos pelo cabelo e fechei meus olhos com força. Eu não sabia se ia conseguir.

Eu estava no banco do motorista, com o carro estacionado na frente da casa de campo. Sem me mover. Todas as luzes estavam acesas, o carro de Naruto e o de Sasuke próximos ao meu. Eles estavam dentro da casa, qualquer um podia ouvir o loiro gritando com a televisão, e Hinata rindo baixo dele. Eu não sabia onde Sasuke estava, ele era quieto e conseguia se manter distante sempre que quisesse.

Quatro anos atrás, eu queria entrar na cabeça dele. O conhecer como ninguém. Ele sempre se escondeu atrás do manto de suas asas negras e foi lá que eu sempre quis entrar. Naquele declive de emoções, que sempre escondeu do mundo, principalmente, de mim. O tempo passava, porém, o desejo não. Eu queria enxergá-lo de verdade. Saber por que ele sempre quis esconder o que sentia, e por que, assim como eu, não consegue expressar o que sente.

Ele era um mistério.

Desde que eu voltei, nossa rotina tinha mudado. Ele não estava sempre namorando, só tendo alguns casos, sexo e mais nada. Isso até onde eu sabia. E eu, a menina que achava namoro algo sem sentido, bem, eu namorei por dois anos com Sai e depois três meses com Sasori. Sem contar aquelas semanas que eu me envolvi com Itachi. Parecia, que Sasuke e eu havíamos trocado partes das nossas personalidades, e as adaptado a nossa própria vida.

Eu gostaria que Mikoto ainda estivesse aqui, ela era a única capaz de ajeitar as coisas entre nós. Ela sempre falava coisas sábias no seu modo engraçado e divertido, assim como Sasuke fazia quando pequeno. Era bom quando nós dois éramos inocentes e vivíamos brincando na casa dos pais de Mikoto. Antes dos hormônios começarem a fazer efeito no nosso corpo.

Exalando o ar, eu saí do carro. Eu não podia passar o fim de semana todo com a cabeça encostada no volante. Eu não podia falar nada, mas suposições sempre eram feitas. Quem sabe eles acabavam adivinhando o que aconteceu. Pouco provável, mas é como dizem, a esperança é a última que morre.

O céu estava negro, a lua crescente e os pontinhos brancos que eram as estrelas. Por algum motivo isso me fez sorrir. Eu quase vi a minha mãe de coração ali, com seu cabelo negro e o sorriso convidativo de sempre.

Eu acreditei que estava cumprindo a promessa que eu fiz a ela, mas não estava, não por completo. Ela tinha me implorado para cuidar dele, para ficar do lado de Sasuke, e não era isso que eu estava fazendo. Eu deixei que meu medo e rancor reinassem, meu maior erro. No momento eu devia ficar tranquila, relaxar um pouco e fazer o que eu podia para as coisas melhorarem.

Vamos lá, Haruno. É hora de provar que suas palavras não são só da boca para fora.

Com esse pensamento em mente, eu me virei para encarar a porta. E, bem, meu sangue começou a esquentar quando eu vi Sasuke ali, escorado na batente. Olhando fixamente para mim.

No fundo ele poderia estar curioso. Antes, meu cabelo era sempre cacheado, nas suas ondas naturais balançando com o vento, parecido com o que ele estava agora. Eu usava jeans skinny escuros, uma camiseta vermelha de mangas curtas, levemente decotada, minhas botas sem salto pretas e um casaco azul marinho por cima. Eu me sentia bonita e casual ao mesmo tempo. Essa era a combinação que eu estive procurando desde pequena.

O momento estava se tornando constrangedor. Os dois calados se encarando e sem saber o que dizer, ao menos esse era o meu caso. Eu odiava isso, ficar sem palavras. Se eu não tivesse prometido para mim mesma que deixaria as máscaras que eu criei de lado eu poderia estar dando uma de esperta e o ludibriando. Mas não, eu prometi ser verdadeira para mim mesma e simplesmente fiquei em choque na frente dele.

- Hei. - Essa foi a única palavra que conseguiu sair da minha boca, mordi o lábio, um sorriso pequeno aparecendo no meu rosto. Inferno! Eu estava corando!

- Hei.

Franzi o cenho para o seu sorriso de canto. O que ele tinha visto para ficar com aquela cara? Não poderia ser só por ter me visto. Havia algo mais.

Seu corpo foi para o lado, e ele fez sinal com a cabeça para que eu entrasse na casa. Eu passei por ele, e aquela sensação estranha tinha voltado para mim. Com isso, quero dizer, as coisas boas e ruins no meu estômago.

Naruto e Hinata estavam sentados na sala, ambos riam olhando algo na TV. O loiro estava deitado no sofá, com ela sobre ele, sorri. Só de vê-lo ela já estava naquela alegria toda. Sai estava certo desde o começo.

- Boa noite, casal. - Falei.

- Sakura-chan! - Naruto exclamou feliz, e Hinata me recebeu mostrando seus dentes brancos. - Pronta para um fim de semana fantástico?

- Espero que sim.

Hinata e Naruto se olharam, o tipo de olhar que dizia muitas coisas. Não exatamente apaixonado, apesar de paixão estar incluída ali. A morena ficou de pé e pegou minha mão, me puxando para fora da sala. Eu levantei a sobrancelha para ela.

- Onde você está me levando? - Perguntei.

- Você vai ver.

- Hina, vocês dois estão armando alguma coisa, e eu quero saber o que!

- E você vai, só me dê cinco minutos.

Ela continuou me puxando, a casa era grande, mas nada exagerado, nós não podíamos ir muito longe, a não ser que ela inventasse de entrar na floresta essa hora da noite. Não era perigoso porque desde que Mikoto comprou essa casa, Sasuke e eu fazíamos isso. Mas estava esfriando e era óbvio que em algumas horas ia começar a chover forte.

Nós entramos no quarto que era destinado a mim quando Mikoto era viva. Tudo ali estava intacto. Do jeito que eu deixei. A Hyuuga me sentou na cama, e mandou que eu esperasse ali, porque ela tinha uma surpresa para mim. Eu tinha uma maravilhosa ideia do que era. Suspirei, nós teríamos que conversar um momento ou outro, não tinha como fugir disso.

Eu vaguei pelo quarto, ficando surpresa por sentir falta do lugar. A cama continuava com o edredom preto cheio de bolinhas brancas, os travesseiros e lençóis deveriam seguir o mesmo padrão. Havia aquele abajur de lava, com cores multicoloridas subindo e descendo. Os móbiles de cata-vento que eu mesma fiz.

Na cômoda intercalada em preto e branco, tinha vários porta-retratos. Em um deles eu estava na garupa de Sasuke, nossas roupas de verão e eu mostrando a língua enquanto ele ria para mim. Era possível ver a cachoeira no fundo e o reflexo de Mikoto nela. Ela tirou aquela foto na primeira vez que viemos aqui.

E mais uma vez a lembrança dela me pairava.

Levantei a cabeça, vendo Naruto empurrar um Sasuke irritado para dentro do quarto. Ele fechou a porta, e passou a chave. O Uchiha tentou abri-la, mas em vão. Certo, eu imaginei que eles fariam algo do tipo, mas nada tão exagerado como aquilo.

- Naruto, abra a porta. - Falei. - Ou quando eu sair daqui eu vou te mostrar porque me chamavam de "Demoníaca" no primário.

- Você não precisa, Sakura-chan. Eu conheço bem a história, há cicatrizes no meu corpo que comprovam isso. - Ele riu.

- Dobe, destranque a porta.

- Não. - Para minha surpresa, foi Hinata que respondeu. - Vocês dois já passaram dos limites.

- Disse tudo Hina. - Eu ouvi risinhos, e eu tive certeza que ele beijou ela, ou algo pior. Aposto no "algo pior". - Tem comida no frigobar, e toalhas no banheiro. Camisinhas na gaveta da cômoda, se vocês precisarem.

- Uzumaki Naruto! - Eu soquei a porta, meu rosto ficando vermelho. - Eu vou derrubar essa porta e arrancar o seu brinquedo fora.

- Você não faria isso. - O loiro caçoou. - Ia deixar Hinata infeliz, e você não faria algo do tipo com sua melhor amiga.

- Naruto-kun! - A Hyuuga gritou envergonhada.

- Desgraçado. - Sasuke rosnou.

- Espero que aproveitem a estadia, 'tebbayo!

Eu não podia acreditar que eles fizeram isso. Ali, eu não teria para onde fugir e não era como se fosse possível pular a janela, entrar no meu carro e voltar para casa. Eles nos trancaram no único quarto com grades. Tinham pensado em tudo! Eu não queria ficar sozinha com Sasuke, de jeito nenhum!

De duas coisas uma. Eu poderia pedir desculpas ou ficar na minha. As duas alternativas fariam com que nós começássemos a falar do dia que Mikoto morreu, e eu queria evitar isso. Resignada, eu sentei na cama.

Eu tentei esquecer a mágoa e tudo o que aconteceu, mas esse era o tipo de coisa que sempre ficaria pairando na minha mente. Eu não tinha como mudar isso. Eu estava com medo de que algo acontecesse com ele, e também tinha a maldita dor no meu peito. Uma que sempre me lembrava que ele foi o primeiro cara com quem eu dormi, e o único que eu gostei. Aquele que sempre me defendeu e em um ponto me partiu em pedaços.

Kakashi, Akane e tempos atrás, Mikoto, tinham me dito que guardar rancor era errado, que isso nos corrompia e destruía lentamente. Eu via isso em Sasuke agora. Como ele se sentia na obrigação de encontrar e matar com as próprias mãos as pessoas que tiraram a vida de sua mãe. Eu temia por ele. Ele não viu como os dois eram, e como riram quando ela cuspiu sangue. Eram o tipo mais desprezível de pessoa, eles faziam tudo que podiam para serem os melhores naquilo. Eu não queria que Sasuke sequer se aproximasse deles. Os resultados nunca poderiam ser bons.

Deitei-me na cama, fechando os olhos. E... Minutos depois, ele se sentou ao meu lado. Hesitante, eu procurei sua mão, e a segurei na minha. Eu sabia que as próximas horas seriam complicadas, algo em mim dizia que todas as cartas seriam postas na mesa, e isso machucaria. Mas, com a minha mão na sua, eu esperava que ele soubesse que independente do passado, eu estaria ali por ele. E esperava que ele estivesse por mim.

17 de Julho de 2005

Minha cabeça doía, muito. E a sensação no meu estômago, nossa, aquilo era pior do que a minha pior bebedeira. E eu pensando que nada se comparava a acordar nua com uma garota de cabelo azul do meu lado. Todavia, aquilo não era culpa do álcool, mas sim da cocaína que tínhamos cheirado. Eu só tinha pequenos flash desse dia, e neles eu estava tirando a roupa dela e a beijando.

Sorri, mordendo o lábio. Aquele trio era divertido, e as piadas de Nagato e Yahiko tinham acabado com o meu drama por causa de Sasuke. Eu gostaria de sair com eles mais vezes. Eu não soube dizer exatamente de onde eles eram, porque, só conversamos em inglês e, como eu, não tinham um sotaque forte.

Suspirando, eu abri os olhos.

Aquilo não foi o que eu esperava. Luzes brancas ofuscaram minhas pupilas, e tudo era enjoativamente branco. Vi tubos saindo do meu nariz, e alguma coisa grudada no meu peito. Eu estava em um hospital. Meus pulsos estavam enfaixados, assim como parte do meu pescoço e cotovelos. Fiz uma careta para o gosto ruim na minha boca.

Irritada, eu lembrei do que eu tinha feito. Por que na única vez que eu desejei com todo meu ser uma coisa, ela não aconteceu? Mikoto sempre disse que pensamento positivo gerava tudo que nós desejássemos. Se eu desejei a morte, se eu quis que as coisas fossem diferentes, que eu vivesse em um mundo sem nenhuma das pessoas que me fez mal, por que apenas isso não pode ocorrer?

Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Eu não queria viver com isso, sabendo que a pessoa que eu mais confiava acabou comigo, e que minha mãe me via como um lixo, assim como todo o resto da minha família.

.

"Você é uma drogada de merda. Se eu tivesse algum filho, nenhum deles seria como você."

.

Aquelas palavras martelavam na minha cabeça. Limpei os riscos de lágrima do meu rosto. Como eu era estúpida! Se ela não estava na minha vida era por algum motivo, e não tinha nada a ver com metade das coisas lindas e felizes que eu tinha imaginado. Mai não prestava, ela era tão vadia quanto as outras mulheres que meu pai fazia questão de comer. Era tão idiota como Akane, que fingia não ver as incontáveis traições do seu marido. Eu não queria saber nada deles, de nenhum dos três.

A porta do quarto se abriu, e sem me importar com nada, eu olhei com raiva para a pessoa que estava parada ali. Otou-san estava sério, os braços cruzados. Revirei os olhos para ele.

- O que você quer?

- É isso que tem a me dizer depois de eu ter evitado todo esse seu escândalo. - Claro, esse era Haruno Touya, o cara que se importava com a imagem, não com a filha.

- Saia daqui.

- Veja como fala comigo, Sakura.

- Não me importa! Só saia daqui!

O aparelho do lado da minha cama começou a apitar, berrando quase tão alto quanto eu. Uma enfermeira entrou no quarto e ela nos olhou, vendo que não teria escolha, aplicou um sedativo em mim. Meus olhos começaram a ficar úmidos, minha cabeça pesar, eu peguei no sono, e a última coisa que vi antes de apagar foi a cara de deboche dele.

Só fui acordar horas depois, com um choro baixo e um aperto forte na minha mão. Tonta, eu encarei Mikoto, ela parecia destruída.

- Por favor, Sakura. Eu te imploro, se eles não te dão motivos suficientes para viver, eu vou te dar. - Ela sussurrou com os soluços presos na garganta. - Não faça mais isso comigo, criança. Não tem como eu viver sabendo que você tirou a própria vida. Só não faça mais isso.

Antes de tudo, eu deveria ter pensado nela. Eu chorei, de verdade, como eu queria ter feito desde sempre, só que não conseguia. Aquilo foi mais forte que as lágrimas silenciosas quando eu tentei me matar, ou quando eu vi Sasuke com Karin. Era diferente, porque ela, apenas ela, ligava.

Eu a abracei, apertando o tecido da sua roupa.

- Eu prometo, mama. - Murmurei. - Não vou fazer mais nada que possa te causar mal, ok?

Foi aí que eu tive a certeza, que por mais forte o desejo, ou a vontade de jogar tudo para o alto, eu não desistiria. Por ela, eu viveria e levaria as coisas de cabeça erguida. Foi assim desde aquela época.

(N/a: Sugestão: The PrettyReckless- Superhero)

25 de Agosto de 2008

- Por quê?

Continuei fitando o teto, sabendo que ele fazia o mesmo. Seu polegar fazia círculos sobre minha palma. Eu não queria soltá-lo. Que tudo fosse para o inferno, nem eu mesma podia parar a minha ânsia por ele.

- O quê? - Perguntei.

- Por que você não pode falar nada sobre o que aconteceu com a minha mãe?

Suspirei, piscando com pesar. Virei-me, escorando meu corpo no cotovelo. Vi seu rosto de perfil e deixei que minha mão livre escorregasse por seus cabelos.

- Eles disseram que se eu abrisse minha boca, - Pausei. - eles matariam você. E, Sasuke, eu nunca conseguiria viver com isso.

Dane-se. Sasuke já sabia que eu gostava dele, nada mudaria com mais algumas palavras sendo ditas. Eu ficaria presa com ele o fim de semana todo, acho. Eu me conhecia o suficiente para saber que não ia conseguir manter tudo guardado. Eu era perdidamente apaixonada por ele e, hoje, era o momento certo para admitir isso em voz alta.

Ele me olhou, seu corpo se levantou e se pôs sobre o meu. Enlacei seu pescoço, sem me preocupar com o depois. Eu só queria que o peso saísse das minhas costas, queria estar de bem com ele, independente de tudo.

Seus dedos traçaram o meu rosto, meus olhos não deixando os dele por um segundo sequer.

- Você deveria ter me falado.

- Eu não podia. - Sussurrei. - Você faria alguma idiotice, ficaria louco procurando alguém que eu mal pude ver. Ela implorou para que eu cuidasse de você. Não interessa o que você pensa sobre eu ter feito as coisas que eu fiz, vai continuar sendo o certo para mim. Ao menos eu impedi que cometesse o maior erro da sua vida.

Seus olhos caíram para minha boca, e eu quis que ele me beijasse, mas não sabia se era o momento certo para isso.

- Por que você dormiu com ela?

Franziu o cenho, desviando o olhar.

- Eu não sei, para ser sincero. - Disse. - Não entenda mal, rosada, eu gostei da noite que eu tive com você.

Fiquei em silêncio, esperando que ele continuasse a falar. Sasuke tinha me chamado de rosada, a palavra parecia certa saindo dos seus lábios. Eu gostei quando ele trocou meu nome por aquele apelido. Eu senti que ele tinha deixado algumas barreiras caírem para que eu pudesse entrar. Foi uma pena que o momento tenha durado tão pouco.

- A ruiva começou a me irritar.

Seu corpo caiu para o lado, voltando para a posição de antes. Ambos com as costas na cama, olhando o teto branco.

- Disse que você queria Itachi e me via como um substituto, que havia escutado você falar isso para Ino. Eu fiquei com raiva e fodi ela.

- Por que você não pôde simplesmente me perguntar? Nós sempre fazíamos isso caso tivéssemos escutado algo desse tipo.

- Eu não sei. - Jogou as mãos para o alto. - Eu não tinha nem quinze anos completos, você não pode me culpar por isso.

Bufei, torcendo os lábios. Meus olhos foram para a direção oposta a dele.

- Idade não quer dizer nada.

- Inferno! - Esbravejou. - Eu tinha acabado de tirar a virgindade da única garota que ligava, eu estava nervoso, e pensei que tudo fosse mentira.

Puxei minha mão da sua, virando de costas para ele.

- Mesmo assim você foi ao aeroporto aquele dia.

- E você sumiu do mesmo jeito.

O que eu devia dizer, de verdade? Como eu deveria me sentir sobre aquilo tudo? Eu pedi respostas, e elas estavam ali agora. Isso era motivo suficiente para tudo que aconteceu? E se fosse, o que nós dois íamos fazer agora? Minha vida está uma bagunça, e eu havia dito antes, resolver minha vida amorosa não acabava com meus problemas. Eu devia me jogar nos braços dele, por mais uma vez? Valeria a pena?

Eu não tinha a resposta para nenhuma dessas perguntas, mas eu sabia o que eu queria. Apertei minhas pálpebras com força, minhas mãos em punhos.

- Você se arrepende? Se pudesse voltar, o que você teria feito?

Sua mão enganchou minha cintura, e me puxou para ficar junto dele. Minhas costas escoradas no seu peito, o rosto nos meus cabelos, sua respiração no meu pescoço. Era assustadoramente reconfortante.

- Eu não sou bom com as palavras, e você, melhor que ninguém sabe disso. - Murmurou. - Eu me arrependo, inferno, você não sabe como.

- O que você mudaria?

- Eu teria continuado na cama até você acordar. - Beijou meu ouvido. - E eu teria dormido com você de novo. Não teria deixado que você fosse embora, porque nada ia ser como antes.

Ele apertou os braços ao meu redor, soltou um suspiro frustrado.

- Você não vai me dizer nada sobre o que aconteceu com a minha mãe. - Segurei suas mãos. - Mas eu quero que me diga tudo, por tudo que passou e não quis contar a ninguém antes.

Assenti, minha cabeça se aconchegando no seu ombro. Era familiar e acolhedor. Ele começou a me perguntar coisas e eu a respondê-las. Eu lhe disse porque eu me cortava antes, e como foi complicado parar. Porque eu tinha tanto ódio de mim que a única coisa que eu conseguia pensar era destruir a mim mesma.

Falei-lhe sobre os dias em Veneza e como eu conheci Pain. Sasuke continuava não gostando dele, e como eu pensava, ele era mais do que só um traficante de drogas. Quando ele me perguntou sobre Mai, eu estremeci nos seus braços, e isso só fez com que ele me apertasse mais contra seu corpo.

Mai era um assunto delicado. Muito delicado. Ela era minha mãe, que quase me abortou, e só não fez isso porque vovó Haruno disse que meu pai ficaria comigo. Mai tinha me dito uma vez que Touya pagava para ela se manter longe de mim. Pelo que parece, ela continuou se envolvendo com ele. E Akane sabia. Eu gostaria de saber qual foi a reação de Mai quando me viu entrando naquele hospital, com o corpo sangrando e as convulsões por misturar tantas drogas. Eu queria, bem lá no fundo, que ela se importasse, mas eu sabia que as coisas não seriam assim.

Eu estava contando tudo isso para Sasuke, coisas que eu imaginei serem incapazes de sair da minha boca. Com ele eu conseguia, só não queria pensar na razão por trás disso. No quanto ele sempre foi o mais importante em tudo. Era assustador o tamanho dos meus sentimentos por ele. Mesmo negando, eles ainda estavam ali, e só aumentaram. Eu não gostava de pensar assim, eu não podia saber o que eu faria se tudo desabasse como antes. Eu tinha medo do que isso podia fazer comigo.

Jamais pensei que isso ia acontecer. Que nós dois chegaríamos perto da forte amizade que tínhamos antes. Que ele me seguraria em seus braços e me perguntaria sobre tudo o que me destruiu, e que quando isso estivesse acontecendo, ele seria meu apoio para não cair na depressão de novo. Mas se o apoio sumisse, como eu ia me levantar sozinha novamente, sem Mikoto dessa vez?

Lembrando dela, eu lhe disse:

- Eu sei que ela era sua mãe, mas, o que aconteceu para você querer tanto saber os detalhes?

Ele suspirou, a força das suas mãos nas minhas ficando mais forte.

- Eu encontrei o corpo dela, rosada.

Virei-me para encarar seu rosto. Então havia sido isso, eu vi ela morrendo e ele que ligou para emergência depois. Eu não soube o que dizer, porque assim como ele, tinha um fardo nos meus ombros. Eu queria muito arranjar uma solução para tudo aquilo, mas não havia nenhuma. Esse era Sasuke e essa era eu, mudados, mas ainda sim os mesmos.

Sem motivo algum, com todas as lembranças misturadas, eu o beijei. Porque eu queria que ele esquecesse aquilo, eu queria esquecer. Eu conhecia o olhar no seu rosto, ele gritava por consolo, e por mais que eu não fosse admitir em voz alta, era isso que eu necessitava também. Mikoto era a mãe dos dois, ela que nos criou e nos ensinou sobre música e séries de TV antigas. Ela que nos animava e ela fazia com que tudo desse certo. Eu tinha que proteger ele, não só porque prometi isso, mas porque eu queria fazê-lo também.

Minhas mãos estavam em seus cabelos e algo naquilo tudo (provavelmente o quarto), me trouxe de volta para minha primeira vez. Sexo deveria ser feito para demonstrar o quanto você ama uma pessoa, e como seus corpos são perfeitos juntos. Nos últimos anos, eu fiz isso errado, não fui atrás da razão fundamental das coisas, tudo era uma distração e sexo era a maior delas, de qualquer forma, eu não queria que isso acontecesse agora.

Segurei seus ombros, afastando-o. Olho no olho, respirações ofegantes e roupas meio levantadas. Isso nunca deixaria de acontecer quando estávamos juntos. Eu só queria uma resposta, só disso que eu precisava para continuar, para ir embora, ou para ficar aqui.

- E depois? - Apertei o tecido da sua roupa, como eu sempre fazia quando o almejava. - Isso vai ser só sexo?

- Não. - Sussurrou, traçando meu rosto por mais uma vez. - Nunca é.

Eu sorri com os olhos, como ele dizia que eu fazia quando criança. Levantando meu rosto para beijá-lo novamente. Não havia descrição para aquilo, seus lábios macios e o toque doce e libidinoso da sua língua, suas mãos carinhosas que faziam meu corpo ferver. Era só ele que eu queria, nenhum outro antes ou depois. Apenas aquele maldito Uchiha.

Eu amava a sensação do toque dele, ao mesmo tempo que a odiava por ser tão dependente disso. Nunca faria sentido, ele nunca faria sentido. Seus lapsos de risos quando éramos menores, a mudança para o seu sorriso de canto, e depois tudo isso sendo substituído por vagos olhares.

Eu não conseguia olhar nos olhos de alguém por muito tempo, talvez essa foi a única coisa que nunca mudou em mim desde a infância. Eu aprendi a controlar as bochechas vermelhas, mas não os olhares. Sasuke, só Sasuke fazia com que isso desaparecesse. Suas íris negras, quase da mesma cor da pupila, se você encarasse por muito tempo era capaz de ver o circulo cinza, quase inexistente, entre elas. Havia tantas coisas ali.

Muitas pessoas diriam que ele era frio, mas eu não sou uma delas. Mikoto dizia que os olhos eram o espelho da alma, se alguém estivesse mentindo, você notaria pelos olhos. Você conhecia uma pessoa olhando dentro dela. Eu via tudo ali, a dor, o calor, a angústia, culpa, e... afeto. Hinata disse que ele gostava de mim, caso não chegasse a esse ponto, ao menos eu tinha certeza que ele não me via como as outras. Ele se importava.

Gemi contra seus lábios. Em todas às vezes que dormimos juntos, ele parecia me trazer de volta, e era o que eu faria com ele hoje. Empurrei seu corpo para o lado, sentando no seu colo. Ambos arfantes. Levantou a sobrancelha, a mão no meu quadril, sua ereção vibrando bem abaixo do meu sexo.

Deslizei meus dedos pelos gomos do seu abdômen, levando a camiseta comigo. Levantou o tronco me ajudando a despi-lo, e logo a peça estava no chão. Uchiha Sasuke que me aguardasse, eu o faria enlouquecer, por ele sempre fazer isso comigo. Tirei meu casaco e a blusa vermelha, o tecido do sutiã era fino, e suas mãos tentaram agarrar os mamilos rígidos. Eu o parei antes que pudesse me tocar.

- Não. - Murmurei sem fôlego. - Você vai surtar dessa vez.

Ele riu, rendendo-se, os braços caíram ao lado do corpo. Meus dentes se apertaram, eu estava realmente molhada e ele, descaradamente, roçou seu membro contra mim. Ah, ele pagaria. Aquilo não iria ser só sexo, eu iria provar o quanto eu era devota a ele, e experimentaria a teoria de que ele era devoto a mim.

Sai havia dito para eu conquistá-lo, e eu começaria agora. Sem me importar se sua necessidade por mim era física, ou pelas lembranças do passado. Ele se apaixonaria por mim, minha dedicação estava imposta ali. Abaixei-me, roçando os lábios na sua garganta e apertando meu quadril com o seu. A respiração saia rápida, e minhas mãos contornavam suas costas, minha boca procurando a sua.

Gostaria de saber por que sempre que uma discussão, ou desentendimento acontecia entre nós, o resultado era sempre o mesmo. Roupas no chão, e corpos em sincronia sobre uma cama.

Eu podia ver, ele se controlava para não se perder em gemidos, exatamente como eu fazia. Abri o fecho da sua calça, puxando-a para baixo. Veríamos se duraria muito tempo. Puxei os jeans até seus joelhos, por todo o seu tamanho, ficando maior ainda pelo desejo, fiquei surpresa pelo algodão não ter se partido em pedaços.

Fiquei de pé sobre o colchão, tirando as botas e a minha calça. O conjunto roxo tinha dado um contraste bom com a minha pele, e eu gostava como sua atenção estava completamente no meu corpo. Abri o sutiã, subindo no seu corpo, pele com pele, cada um com uma única peça de roupa.

Meus seios foram esmagados contra seu tórax, não pôde mais se segurar, estava lá, sobre mim, o mais puro desejo sendo exalado por seu corpo. O ar ficou preso na minha garganta, Sasuke começou a sugar meu seio direito, seus dedos se movendo em círculos sobre o mamilo esquerdo. Descendo, cada vez mais devagar até meu sexo. Eu queria que ele gritasse por mim, mas depois disso, era eu que estava gritando por ele.

Dois dedos entraram na minha cavidade, acariciando meus clitóris. Contive um grito. Eu morreria desse jeito. Agarrei seu membro, fazendo com que ele gemesse. Eu teria um orgasmo a qualquer minuto, e eu precisava dele, dentro de mim, agora.

- Sasuke-kun. - Sussurrei.

Encarou-me, e eu pude ver, ele estava se segurando. Minhas pernas se abriram em um pedido silencioso, ele suspirou, seu peito subindo e descendo tão intensamente quanto o meu. Não existiam mais peças de roupas nos impedindo, e eu vi pelo canto do olho ele tatear a gaveta ao lado da cama, os preservativos de Naruto.

Prendeu meus cabelos, os enrolando de forma suave e os jogando para trás, longe do meu rosto e pescoço. Ele queria ver atentamente as reações que ele causava no meu corpo, eu conhecia aquele gesto. Nossas mãos estavam juntas, de cada lado da minha cabeça, e quando ele começou a me beijar, eu senti-o invadindo meu corpo. Suprimi um soluço de felicidade. Meu íntimo esmagando o seu sexo, minhas coxas acariciando as suas, seu membro entrando e saindo do meu corpo. Aquilo tudo parecia perfeitamente certo. Acho que é o que chamam de fazer amor.

Convulsões de prazer enchendo meu corpo, mas eu não podia parar, jamais me daria por satisfeita quando se tratava dele. Eu sempre iria querer mais e mais, esse era o Uchiha que – por mais clichê que fosse – havia roubado meu coração.

Os trovões soavam do lado de fora, e a chuva caía forte. Exatamente como na primeira vez. Eu disse, o universo gostava de plantar coincidências na minha vida.

Quando eu não aguentava mais, tampouco ele, abri os olhos. Eu continuava sendo esmagada da melhor forma existente por ele, e não queria que isso mudasse.

Sentindo a urgência de falar, eu beijei seu queixo, sua boca, bochechas, tentando trazer sua atenção para mim. O frio começava a encher o quarto, mas não era o suficiente para acabar com o calor dos nossos corpos unidos.

- Ai..koishi-

- Eu sei. - Me beijou com avidez. - Ai koishiteru.

E algo me disse, que ele já tinha me dito isso antes.

To Be Continued...


N/a:

Yo, gatas. Eu queria ter começado a escrever esse capítulo antes, mas houve alguns problemas que me impediram. Como por exemplo, minhas amigas me pedindo para sair com elas, e outra amiga minha ter terminado com o namorado. Nessas horas eu tenho que deixar minha paixão por escrever de lado para cuidar delas. E também eu fiquei sem televisão e internet por três dias, quase. Surtei aqui. Gomem.

Aah, esse capitulo foi muito difícil de escrever. O passado e o presente deles se chocando e essas coisas, eu já vi isso acontecendo, sempre é complicado, e eu quis demonstrar o máximo disso. O amor da Sakura voltando com tudo, e essa coisa que eles tinham antes de ser confidentes um do outro.

Eu tive que colocar esse título no capítulo, porque se não fosse pela Hinata, Naruto, e até mesmo Sai, nada teria acontecido. Sempre que o melhor amigo gay da Sakura, e o Naruto aparecem há pitadas de comédia na fic.

Sobre a razão do Sasuke, porque dele ter, literalmente, fodido a vaca ruiva, ela foi baseada nos meus amigos. Eu costumava andar muito com caras, essa foi a desculpa mais plausível. Eu fiquei pensando no que um deles me disse uma vez, sobre como homens juntavam o útil ao agradável. Isso veio junto com "mas nem todos os homens são iguais, Sami, o problema é que as mulheres olham sempre para o mesmo tipo de cara". Quando isso aconteceu, se fosse outra pessoa que tivesse me dito, eu levaria como uma indireta. G_G kkk'

Então, como foi esse capitulo? Não sei, eu gostei dele, só que não fiquei inteiramente contente. E depois dessa parte eu realmente vi que as minhas amigas estão certas em me chamarem de safada. Jiraya-senpai se orgulharia de mim caso visse tudo o que eu penso. '

Bom, é isso. Eu queria ter postado antes, mas para me ajudar teve um super temporal aqui e a porcaria fez com que a minha internet só voltasse no outro dia. Aliás, é uma da manhã e eles disseram que voltaria a meia-noite, odeio quando isso acontece.

E eu aqui, baixando FairyTail, porque na última semana é só isso que eu faço, querendo assistir os últimos doze episódios que faltavam e essa desgraça me acontece.

Boa noite/dia/tarde para vocês.

Bgsbgs

Sami

ps: mudei meu user para samiiwz.

N/b:

Hey girls! Nossa, apesar de suspeita, estou amando mais a fic a cada capítulo... senti tanta intensidade na conversa entre o Sasuke e a Sakura, ao mesmo tempo em que lembravam do passado, que fiquei sem palavras...Aiii, esse final foi realmente maravilhoso, não concordam comigo?

Mandem reviews, pleaseeee!

Beijinhos

Bella


Reviews:

Liilly: Bom, você está perdoada. Kkk' Eu amo superhero, é minha música favorita da Taylor. Eu gosto de quase todo tipo de rock, mas rock leve é meu preferido, e ela cantando superhero e wonderwall do Oasis, uau, é fantástico. Kkk' Sério, uma das suas fics preferidas? Me sinto lisonjeada, ainda mais porque essa é a fic mais complicada que eu já escrevi. Para mim é um desafio a cada capitulo. Espero que tenha gostado desse capitulo também. o/

Nick: Não esquenta, eu adoro reviews enormes e que vocês leitoras me contém tudo que quiserem. Vou te contar uma coisa, eu estava aqui meio desanimada para escrever, daí eu vi essa review fantástica que você me mandou, nossa foi demais. Me senti super lisonjeada! Eu leio fics há mais ou menos três anos, não mais que isso e também me sinto mal quando uma fic que eu adoro fica parada, e autora não a termina. É triste quando isso acontece. Meu Anjo não vai ser o caso, talvez eu demore um pouco pra postar, porque agora eu estou aproveitando as férias, mas ela vai ter um fim, não vou deixar vocês na mão.

Eu sou uma sasusaku de carteirinha, e como você, só leio fics dos dois, só essa semana que eu comecei a ler de outros animes. Kkk' Eu te juro, eu não sei porque todos me dizem que eu, de certa forma, sou surpreendente. Acho que o que escrevo às vezes é obvio, mas com essa fic eu fiz o totalmente diferente. Eu fiquei com raiva olhando uma série policial que eu gosto – Castle – porque eu sabia exatamente o que ia acontecer nos próximos episódios, e quem ia acabar preso ou o culpado de tudo. O mesmo aconteceu com uma autora que eu adoro. Foi então que eu pensei. Chega! Agora eu vou fazer diferente, e saber que uma veterana em fanfics como você acha, isso, bem, eu fico totalmente sem palavras! Aoskaoskakosk

Acredite, eu não fiquei nem um pouquinho entediada com a sua review, só feliz, muito feliz! Acho que como a maior parte das ficwriters meu sonho é ser escritora, e esse seu review me deu uma grande empolgação para escrever meu livro. Eu estava escrevendo sobre anjos, mas o assunto se tornou enjoativo, porque com 2012 aí todo mundo pensa que o mundo vai acabar e uma coisa se relaciona a outra. Muito obrigado, graças a você eu coloquei meu ponto de vista do contra nessa nova ideia. Akoskoasko Realmente espero ter mais reviews suas ao longo da fic, elas são fantásticas. Amei mesmo Nick, por isso o capitulo é dedicado a você. Espero que tenha gostado.

Alice C. Uchiha: Sabe, eu quis muito que ela tivesse dado uma surra daquelas no pai da Akane, ele é um crápula, mais um que eu quero jogar em uma aeronave com passagem só de ida para o sol. Kkk' A Sakura é um anjo comparado a todo o resto, o Sasuke também, porque tecnicamente eles são da mesma família. Mas acho que esse capitulo servil para dar uma aliviada e deixar as coisas melhores. E aí, o que você achou? Ahh eu sempre fiquei curiosa se o C. abreviado no seu user quer dizer "Cullen". Não me pergunte porque, eu viajo às vezes. Kkk'


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