Boa leitura.
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Vinte e Quatro
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Velhos Conhecidos
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Não era como se eu tivesse esquecido toda perturbação. Talvez eu só tenha me adaptado a ela e notado que minha vida ia mais além de assassinatos e problemas de maternidade.
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28 de Agosto de 2008
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Era o intervalo e eu estava sentada com Sasuke, Naruto e Hinata. Quando eu encontrei Sai essa manhã ele me disse algo que fez com que eu começasse a refletir. Foi sobre como os herdeiros estavam mais unidos do que nunca, e como isso poderia ser uma boa coisa, que não precisaríamos encarar as empresas H&U sozinhos. Pareceu-me algo que vovó Haruno diria.
- O que você tem? – Sasuke perguntou-me.
Eu tinha as pernas sobre as dele, e olhava para algo que não estava realmente ali. Talvez isso tenha o preocupado. Nós tínhamos tido um domingo bem agradável, com Naruto se mostrando orgulhoso, ele havia afirmado que estava fazendo com que Sasuke e eu nos tornássemos adultos. Eu ri audivelmente. Ele era todo bobo e cheio de suas teorias otimistas, e lhe ouvir falando isso era engraçado.
- Nada, eu só estou imaginando como vão ser as coisas essa noite. – O respondi. – Você sabe, na festa, particular, de aniversário do meu pai.
Akane tinha ficado extremamente contente quando eu falei que agora, de uma vez por todas, nós dois estávamos namorando. Foi então que ela me "lembrou" - porque ela não tinha me dito nada sobre isso – que hoje teríamos uma celebração em família. De uma forma ou de outra, os Uzumaki, Uchiha, Hyuuga e Haruno se consideravam parentes, ou então muito próximos, o que me fez ter certeza que todos estariam lá.
- Acho que não vai ter nada demais, Sakura-chan. – Hinata disse. – Isso é uma coisa normal entre todos nós.
- Eu pensei a mesma coisa, até meu pai me falar que, como a maioria das ações foram passadas para o meu nome, hoje eu seria obrigada a participar de uma reunião de marketing.
- Wow, reuniões de marketing, e o que você faria de especial lá? – Naruto fez uma carranca enquanto falava.
- Por acaso, Fugaku encontrou meu caderno de desenhos, no seu quarto. – Olhei sugestiva para Sasuke. – E houve toda uma conversa de como seria interessante minha opinião, e que, nós quatro, poderíamos tirar fotos para a nova campanha.
Os três me encararam. Nos últimos anos eu fui o rosto das H&U, nenhum dos outros três gostava disso, eu achava divertido e era uma forma de me sentir melhor sobre Akane e sua antiga vida de modelo. Ela também já foi o rosto da empresa. Sasuke e eu estávamos começando a frequentar o empreendimento, diferente de Naruto e Hinata. Porque os Hyuuga tinham Neji e Kushina deixou claro que esperaria Naruto atingir a maioridade antes de envolvê-lo nos negócios.
- O que tinha naquele caderno? – Naruto perguntou.
- Em dois mil e quatro, no Natal, nós tínhamos nos reunido e eu desenhei vocês três conversando no quintal da casa dos Hyuuga, foi mais um rabisco, mas eles parecem ter gostado. – Dei de ombros.
Para ser sincera, eu via isso como mais uma artimanha para me manter ocupada, e não me meter em coisas relacionadas à Mai, ou a morte de Mikoto e com meu novo defensor, Hidan. Para mim, era óbvio que quem estivesse por trás do assassinato e das ameaças, estava também envolvido com a empresa. Ao menos, é o que eu imagino que seja. Talvez eu fosse lunática demais, mas com uma família como a minha, não é possível não o ser.
- Nós tínhamos treze anos. – Sasuke constatou.
Eu assenti, escorando a cabeça no seu ombro. Estava sentada mais no colo dele do que na cadeira. Tínhamos tido uma conversa longa sobre minha emancipação e nas coisas que estávamos envolvidos agora. Sasuke sabia da reunião de marketing, mas eles não esperavam que nenhum dos outros fossem, só eu. Estavam tentando conter os problemas, e eu era um deles.
- Nós duas usávamos aparelho. – Hinata disse, sorrindo com a lembrança.
- Nem me lembre. – Balancei a cabeça para os lados. – Meu primeiro beijo foi desastroso por causa disso.
- Não, Sakura-chan. – Naruto interviu. – Seu primeiro beijo foi desastroso por ter sido com o teme.
Eu ri com o seu comentário enquanto o moreno revirava os olhos. Tinha sido desastroso, mas foi fofo, ou o mais perto que podíamos chegar disso. O casal se levantou e juntou suas coisas. O loiro segurou a mão da morena junto da sua, e os dois sorriram abertamente para nós.
- Nós vamos para aula agora, vejo vocês depois.
Assenti para Naruto, vendo os dois partindo.
Talvez fosse TPM, ou qualquer uma dessas coisas estranhas e femininas, mas eu senti uma inquietude dentro de mim. Aproveitei que Sasuke estava ali, tão pensativo quanto eu, e o abracei mais forte, fechando os olhos.
Se minha vida fosse um livro, um romance, eu não saberia o que aconteceria depois que o casal principal ficasse junto. Talvez ocorresse de a donzela indefesa se colocar em uma situação inusitada e seu príncipe ir socorrê-la. Era uma sensação estranha a que tinha no meu estômago agora. Eu não era capaz de prever o que seria Sasuke e Sakura. Se iríamos ficar juntos por semanas, meses ou, quem sabe, anos. É como chegar a um objetivo e ficar realizada por causa dele, da sua jornada para conquistá-lo. Após conseguir o que mais queria e não saber o que fará depois. Era isso que se sobrepujava em mim.
Além disso, sempre haveria meu psicótico senso de desconfiança. Nesse caso, não se relacionava a Sasuke, porque eu acreditava que se ele não se importasse comigo, não teria feito o que fez, não somente nos últimos meses, mas também quando não éramos nada mais que amigos. Era só a minha família em si, e todo o pessoal das H&U. Eu sabia que dinheiro era um dos principais motivos pelas loucuras que as pessoas cometiam, mas ainda parecia demais.
- O que você tem afinal, rosada?
Crispei os lábios, passando as mãos pelos cabelos.
- Eu só estou preocupada, você sabe, com todas essas coisas.
- Sakura. – Sua entonação se tornou séria, ele sabia que eu escondia algo.
Ajeitei-me no seu colo, olhando fixamente em seus olhos, minhas mãos seguraram seu rosto, deixei toda a minha frustração sair.
- Já imaginou na possibilidade de alguém controlar o resto da nossa vida? – Franzi o cenho. – Merda! Eu estou com medo. Porque agora eu sou a porcaria da sócia majoritária, eles vão me controlar. E com eles, eu não sei dizer quem são.
Ele segurou minhas mãos e retribuiu meu olhar. Nós tínhamos essa coisa idiota agora, de você olhar para uma pessoa e saber o que ela está pensando. Se não fosse algo romântico, poderia ser bem útil. O jeito que seu rosto ficava, calmo e distante, meio que me relaxava, mas não inibia o fato de que ele poderia ser um alvo para me atingir. Caso eu fizesse uma burrada, eles sequestrariam Sasuke e arrancariam suas unhas como forma de vingança? Eu não gostava de imaginar essas coisas, mas elas continuavam lá, pairando.
Eu odiava meu senso dramático sendo acrescentado em tudo. Minha vida tinha se tornado um thriller e isso era terrível. Mordisquei meu lábio, por força do hábito, e olhei para a boca se mexendo bem na minha frente. Eu estava com vontade de beijá-la.
- Lembra-se do que prometemos fazer quando tínhamos doze anos?
- Se fosse preciso, nós fugiríamos para qualquer lugar do mundo e nos tornaríamos donos de uma loja de discos. – Ele soltou minhas mãos, alongando as suas costas.
– Se for preciso, Sakura, eu vou te tirar do Japão.
Aquele brilho nos seus olhos exalava tanta sinceridade que me chocou. Sasuke falava sério, eu não fui capaz de duvidar disso. Aí estava, aquela determinação e prática do impossível que tínhamos quando crianças, ou pré-adolescentes. Parecia viva e forte, bombeando por seu sangue. Eu gostava disso, a confiança que ele passava. Por mais que parecesse desinteressado, sempre estava atento. Não me surpreenderia se o Uchiha soubesse de metade das coisas que eu me metia.
- Obrigada.
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31 de Outubro de 2005
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Durou alguns meses, mas eu finalmente notei que meu tempo longe de casa não estava sendo ruim. Por exemplo, ontem Tsunade e Mikoto me levaram para conhecer um budista. Nós conversamos, e acho que aquele homem velho e sorridente, agiu melhor que qualquer um dos psicólogos que eu frequentei desde junho.
Halloween sempre foi meu feriado favorito, apesar de ser uma coisa pouco japonesa e bem mais americana. Mas aqui em Paris haviam algumas festas, e eu realmente estava evitando ir em parte delas. Eu estava com medo de que lá tivessem coisas que eu queria me manter longe.
Eu melhorei bastante nos últimos meses, em questão dos meus vícios e os problemas com insegurança. Não vou dizer que tinha esquecido Mai ou Sasuke, porque jamais houve um dia que eu não pensasse neles dois, eu só tinha me tornado um pouco mais forte quando se tratava de pensar neles.
Meu cabelo estava preso em um coque francês e eu vestia uma saia florida e rodada com a minha camiseta branca dos Beatles, um dos muitos itens comprados na cidade. Paris estava se mostrando fantástica. Nosso apartamento era um pouco distante do centro da cidade, mas eu conseguia ver a torre Eiffel da sala de estar. Todas as manhãs uma mulher sorridente chamada Angeliquê vinha me dar aulas e ficava até o meio da tarde comigo.
Haviam coisas engraçadas que eu comecei a fazer toda a vez que eu sentia vontade de usar cocaína ou heroína, eu pegava um utensílio de limpeza e tirava qualquer bactéria que poderia existir na casa. Mulheres pensam em várias coisas ao mesmo tempo, mas apesar do meu cérebro de geek, eu ainda conseguia me distrair.
Hoje Mikoto e Tsunade me obrigaram a sair de casa. Elas queriam fazer uma festa de Halloween, e acabamos comprando doces e fantasias. Mikoto havia mandado convites para todos os pais e crianças do prédio e eu não reclamei sobre isso, porque eu sabia que ela só estava tentando me animar. Eu tinha certeza que mama Tsunade tinha lhe dito que eu passava a maior parte do tempo navegando na internet ou lendo um livro qualquer. As duas achavam importante que eu fizesse amigos aqui, já que negava voltar para Tóquio antes de me sentir confiante sobre mim mesma.
Eu ainda me sinto um pouco chateada sobre isso. Tóquio é minha casa e não tem nada que eu mais ame do que meu país, mas eu tinha tanto medo de voltar para lá. De enfrentar todas aquelas pessoas, porque eu tinha visto em constantes revistas o quanto todos se perguntavam para onde eu tinha ido. Meus pais foram bem claros sobre isso, eles não deixaram que ninguém publicasse qualquer coisa sobre onde eu estava ou o que tinha acontecido para eu sumir.
Era ruim pensar nisso. Eu morro de saudades de Ino e Tenten, raras vezes eu troquei e-mails com elas, deixando claro em todos eles que ninguém deveria saber que eu estava falando com elas. Eu me sinto distante dessa realidade, da minha antiga vida, parece tão longínquo e errado do que é agora. Por exemplo, eu lembro quando Kabuto ofereceu cocaína para mim no final do ano passado. Aquela foi a primeira vez que eu tinha usado, e Ino brigou comigo quando descobriu. E eu continuei usando, entrando em coisas piores cada vez mais.
Por muitas vezes eu queria Akane e Touya aqui comigo, até havia pedido algumas vezes, contudo eles não vieram. Eu desejava ter meus pais me apoiando ou inventando qualquer porcaria para me animar como a loira e a morena ao meu lado estavam tentando fazer agora. Depois de ter falado com Mai, eu senti uma enorme necessidade de ter os dois por perto. Assim como o previsto, não houve sinais deles.
Chegando ao prédio eu tomei meu banho e coloquei a fantasia cômica de abelha que Tsunade fez questão de escolher para mim. Não era exatamente infantil, até deixava meus, quase inexistentes, seios um pouco maiores, mas não era o que eu escolheria, afinal, por mim essa festa nem aconteceria.
Meu cabelo estava nas suas ondas naturais, algo entre o liso e o ondulado. Eu ajeitei as asas e o vestido listrado em amarelo e preto, balançando a cabeça para a imagem infantil que eu espelhava. Coloquei as sapatilhas e os brincos em formato de potes de mel, indo para a sala de estar. Mikoto me olhou e acenou em aprovação, ela ainda não tinha trocado de roupa, mas eu desconfiava que a fantasia dela fosse absolutamente menos chamativa que a minha.
- Alguém vai correr atrás de doces hoje. – A morena disse.
- Sim, vou roubar doces de crianças inocentes. – Sorri de leve, finalmente notando o homem escorado na parede. – Tio Mad.
- Sakura-chan. – Ele me mostrou os dentes brancos. – A caça de mel?
- Você já teve piadas melhores. – Comentei sarcasticamente, fazendo a irmã mais nova dele gargalhar.
- Eu estava enferrujado, mas não se preocupe, vim passar alguns dias aqui com você.
Eu acenei rindo quando ele começou a fazer cócegas em mim.
- Você me trouxe presentes? – Perguntei.
- Claro.
Madara me estendeu um pacote e eu me senti muito mais alegre com a sua presença. Ao menos essa semana passaria mais rápido. Os dias eram lentos aqui, e eu tinha certeza que Mikoto tinha trago seu irmão para me distrair. Eu gostava do jeito que ela se animava quando o via, um conforto familiar. Era isso que eu estava pedindo para os meus pais. Conforto. Uma parte de mim disse para eu ficar contente com as pessoas que estavam aqui para cuidar de mim. Tentando ao máximo, foi isso que eu fiz.
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28 de Agosto de 2008
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Eu entrei no apartamento vazio, Kakashi estava preso em uma reunião de professores. Coloquei às chaves na tigela azul ao lado da porta, tirando as botas e caminhando até meu quarto. Sentia-me relativamente cansada. Eu me despi e coloquei as roupas no cesto entrando debaixo da água quente em seguida.
Certo. Eu tinha que tomar um banho rápido porque ainda precisava me arrumar para reunião de marketing, eu já tinha uma roupa separada na minha cabeça, algo mais social para ir à empresa e outra para quando eu voltasse. Akane tinha planejado um jantar para comemorar o aniversário do meu pai.
Bocejei erguendo o rosto. Era uma coisa boa essa pequena reunião em família. Ultimamente parecia que nós todos andávamos em um campo minado, uma trégua era satisfatória. E como eu sentia falta da comida de Tsunade! Meu estômago revirava em prazer só de lembrar. Nesses dias em que eu estive morando com meu tio a coisa era bem corrida e, normalmente, eu esquentava algo no microondas ou comia fora. Kakashi está ocupado com a escola, às provas começaram a pouco, e eu desconfio que ele esteja saindo com alguém também. Ele acabou ficando sem tempo.
Enrolei meus cabelos na toalha e vesti meu roupão de banho. Eu estava pensando onde tinha colocado a minha camisa social azul clara quando notei que Sasuke estava sentado na minha cama. Arqueei as sobrancelhas para ele, deixando que minha cabeça ficasse inclinada em um grande ponto de interrogação.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei curiosa.
Ele deu de ombros, e eu abri o guarda-roupa tirando as peças que eu queria e colocando-as no sofá perto da escrivaninha. Calça, scarpins simples, blusa azul, e paletó do mesmo tom de preto da calça. Eu só precisava secar meus cabelos e fazer uma maquiagem rápida. Passei hidratante na maior velocidade que pude, sentido olhos queimando minha pele. Essa não era uma boa hora para tensão sexual, sério.
- Sasuke. – Falei em advertência. – Como entrou no apartamento?
- Kakashi me deixou entrar.
- Ele está aqui?
- Nope. Eu pedi às chaves.
- Não me faça perguntar por quê. Você costumava ser direto.
Vesti-me em uma velocidade surpreendente, ligando o secador de cabelos. Encaixei os sapatos nos meus pés da melhor forma que pude, ignorando a bagunça que eu tinha feito no quarto. Eu teria que arrumar isso tudo amanhã. Deixei meus cabelos meio úmidos, o importante é que eles estavam descentes e eu sabia que agora eles não iriam armar. Pus um par de brincos pequenos e simples, com a corrente que Akane tinha me dado no meu último aniversário. Passei rímel e um batom cor de boca, deixando um leve rosado nas minhas bochechas.
Eu estava com tanta pressa que mal notei Sasuke segurando minha bolsa até que ele tivesse estendido-a para mim. Dei-lhe um beijo rápido nos lábios, e corri para fora do quarto. Bom, o ruim da reunião de hoje é que teriam vários outros sócios da empresa, aqueles que tinham alguma coisa relacionada com outros departamentos. Agora eu queria dar exemplo e fazer com que aqueles velhos me levassem a sério.
- Sakura. – Sasuke chamou-me quando eu estava passando como uma flecha pela sala de estar. – A reunião atrasou em quarenta minutos, cheque seu celular.
Eu fiz o que ele disse, e o moreno estava completamente certo. Suspirei, sentando no sofá. Não posso dizer que recuperei muito do meu sono no final de semana, pois passei um bom tempo conversando com os três outros herdeiros sobre as coisas que eu tinha planejado fazer sobre meus pais, a empresa e assuntos gerais. Foi divertido, e eu realmente recuperei minha carga de humor. Quando acordei essa manhã eu senti uma enorme necessidade de ser útil. Foi por essa minha alegria que eu fui parabenizar o meu pai e acabei passando tempo demais na escola copiando a matéria que eu tinha perdido das últimas aulas.
Não tinha visto o Uchiha desde o horário do almoço, quando o avisei que estava na biblioteca pegando os livros que seriam a base para prova de literatura estrangeira. Eu sempre tinha sido uma boa aluna, apesar de que melhorei depois de ter voltado da Europa algum tempo atrás. Então tinha me obrigado há passar um tempo me dedicando aos testes. A última coisa que eu queria era ter que entrar na faculdade porque eu subornei o reitor. Meu senso autocrítico me obrigava a entrar por mérito, e isso acabou fazendo com que eu deixasse Sasuke um pouco de lado.
Ainda era estranho pensar que, nas entrelinhas, tínhamos nos rotulado como namorados. Não consigo me lembrar de ter tido um relacionamento de verdade e sério em toda minha vida. Itachi mal durou um mês, talvez dois. Sai era uma mentira, porque ambos ficávamos com outros homens quando estávamos juntos. E Sasori... Bem, esse é um assunto que eu prefiro não tocar. É algo relacionado com carência e hormônios. Além do mais, depois de tantos anos, eu nem tinha parado para imaginar que ficaríamos juntos mesmo.
Eu me levantei, vendo Sasuke escorado no arco da porta. O abracei, beijando seus lábios. Aí estava outra coisa estranha, uma parte bem bizarra sobre mim e relacionamentos em uma mesma frase. É como se um quê de ternura tivesse sido derramado em mim.
- Desculpe, eu ando apressada demais hoje. – Falei, fechando os olhos com cansaço e deitando a cabeça em seu ombro. – Ainda não me disse por que veio aqui.
- Meu pai me ligou. – Ele disse, e eu levantei a cabeça para escutá-lo. – Mai andou visitando Emiko.
Eu estaquei insanamente chocada. Puta. Que. Pariu. Mai + Emiko = Problemas. A coisa boa nessa maldita notícia foi à adrenalina que ela enviou para o meu cérebro, fazendo com que o meu sono fosse embora.
- O que inferno elas estavam fazendo juntas, na casa da sua mãe?
- Segundo Fugaku, Emiko quer engravidar e como Mai é uma antiga conhecida e médica, ela resolveu contratá-la e lembrar os velhos tempos.
Se globlins começassem a dançar Macarena vestidos de cigana eu teria me surpreendido menos. Certo, nossos pais e até mesmo Emiko se conheciam há algum tempo. Eu sabia que Mai foi amiga de Kushina e de Mikoto e que foram elas que a apresentaram para o meu pai. E que na verdade aquilo tinha sido mais um reencontro do que uma apresentação. Akane e Kakashi ficavam um pouco deslocados sobre isso pela grande diferença de idade, porque ela tinha dez anos a menos que eles e Kakashi deveria ter uns quinze, mais ou menos isso. Mas justo agora ter minha mãe, que parece mais minha madrasta, se tornando melhor amiga da madrasta de Sasuke... Eu realmente não tinha nada melhor do que descrença para dizer sobre isso.
- Por Kami, às vezes eu queria ter nascido em uma família um pouco mais normal. – Enlacei seu pescoço. – Acha que elas estão tramando alguma coisa?
- Não acredito em coincidências.
- Tampouco eu.
Crispei os lábios, segurando a sua mão. Aquela ideia deixou meu lado conspiratório extremamente ativo, e ao menos pelo resto do dia eu deveria esquecê-lo. Peguei minha bolsa, ainda meio exaltada sobre o que o Uchiha tinha me dito.
- Venha, acho que comer algo vai nos fazer bem antes de irmos para H&U.
Eu não sei dizer para qual de nós dois a situação era mais desgastante. Quer dizer, a minha mãe biológica sem senso de ética se juntou a madrasta dele. Algo como duas grandes catástrofes acontecendo em sintonia.
Particularmente eu não me intrometeria nisso. Apenas nos manteria afastados do que quer que seja que as duas víboras estivesse planejando. Vovó Haruno iria me ajudar nisso, ou ao menos eu deixaria que ela tomasse uma decisão mais sólida, porque minha última tentativa de deter Mai foi realmente estúpida. Só esperava que as coisas se solucionassem, ou ao menos os motivos de Mai fossem esclarecidos. Eu já não aguentava mais. Nunca houve um dia que eu desejasse tanta paz quanto hoje.
As coisas simplesmente não poderiam continuar assim.
Eu não iria deixar.
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Quando chegamos à empresa, depois de dar uma rápida parada na Starbucks, percebi que ainda estávamos um pouco adiantados. Meu pai, Fugaku e Hiashi estavam na sala de reuniões, cada um deles com um olhar especulativo no rosto. Sasuke e eu nos encaramos, um tanto confusos, entrando calmamente e sentando ao lado de nossos respectivos pais.
- Boa tarde. – Falei, recebendo diversos cumprimentos. – Aconteceu alguma coisa?
- Não. – Touya disse calmo. E eu só esperei que eles também estivessem especulando o que Mai e Emiko faziam juntas. – Tem algo que vocês dois precisam saber.
Por tudo que era mais sagrado, lá viria o apocalipse. Eu odiei o olhar do meu pai, porque ele só o usava quando tínhamos sérios problemas. Foi esse tom de voz com a melancolia no olhar que ele me contou que Mikoto tinha falecido, apesar de eu já saber do fato, ainda sim foi um pouco perturbador. Então eu deixei minhas mãos no meu colo, escondidas de baixo da mesa, caso elas começassem a tremer, ele não as veria.
- Madara está de volta. – Otou-san manteve contato visual comigo, vez ou outra encarando Sasuke. – Ele decidiu voltar a fazer parte da empresa.
- E onde está a parte ruim nisso? – Sasuke perguntou.
Uma pequena explicação sobre a família Uchiha. Eles são muitos, mas nas duas últimas gerações os donos eram a família de Mikoto e a de Fugaku, isso quando ambos ainda eram solteiros. Não posso dizer se eles se casaram por causa dos negócios ou por amor, mas Mikoto amava muito seu marido. Enfim, quando ela morreu, Madara, seu irmão mais velho decidiu deixar Fugaku cuidando do que era da família dele. E com sua volta ficaria mais explícito a divisão desigual nas famílias. Com ou sem a parte de Mikoto, eu ainda continuaria sendo a sócia majoritária, talvez só empatando com Naruto.
- Qual o problema? – Fugaku disse friamente ao seu filho. – Ele vai tirar o que é nosso.
- Não vai. – Sasuke rebateu, e eu agradeci aos céus por aquilo estar parecendo mais uma conversa casual do que uma discussão. – Ele deixou o que era dele para você gerenciar, isso não quer dizer que agora é seu.
Sasuke estava certo. Além disso, Madara sempre foi muito apegado a Mikoto, Sasuke e Itachi. Os três davam-se muito bem com ele. Quando eu estava na Europa Mikoto havia o levado uma vez para me visitar. Havia sido divertido. Todavia, qualquer coisa relacionada a dinheiro nessa família gerava problemas.
- Otou-san. – Chamei. – Tio Madara vai vir para a reunião de hoje?
- Hai. – Ele massageou o pescoço. – É isso que nos preocupa. Vocês dois tem que entender que quando qualquer pessoa entra na diretoria ou sai dela, acaba mudando muito a empresa. Pode haver corte de empregados, ou mudança nas filiais e afins.
- Vocês estão olhando isso por um lado negativo demais. – Falei.
- Concordo. – Sasuke acenou. – Antes da mamãe morrer nós tínhamos mais lucro e as ideias do tio Madara sempre foram incomuns.
Nisso eles não puderam contestar, Sasuke e eu andávamos pesquisando. Não apenas nós dois, mas Naruto e Hinata também. Nenhum de nós queria ser chamado de criança metendo o dedo em coisa de adultos. E aquilo tudo seria nosso um dia, nada mais justo do que nos inteirarmos no assunto.
Não houve mais tempo para conversas, logo os outros investidores estavam batendo na porta. Itachi entrou na sala e se sentou ao lado do irmão, me dando um sorriso amigável. Eu fiquei surpresa em ver que os outros herdeiros estavam ali, incluindo Neji. E era só uma reunião de marketing, nada como uma nova filial ou qualquer coisa do tipo. Madara foi o último a entrar na sala.
Não sei dizer como ou o porquê dessa abrupta mudança, normalmente era só eu que vinha a empresa. Sasuke casualmente aparecia, assim como Itachi, Naruto e Hinata só se preocupavam com a escola, e Neji, bem, depois que o pai dele morreu ele andava por aqui com frequência. Entretanto, nas reuniões apenas eu aparecia.
Uma mulher com o cabelo bem preso e olhos delineados foi para frente da sala, colocando o novo comercial das H&U para assistirmos. Era uma garota sorrindo deitada na cama, balançando as pernas e mexendo no seu ipad cor de rosa, tinha uma estampa de oncinha ridícula atrás dele. Então seu celular chama e aparece um número, que supostamente seria do cara que ela gostava. Cujo qual estava ligando de um celular com a capa listrada em vermelho e preto. Logo mudou para os dois em um shopping se abraçando e se beijando, estenderam o celular para câmera sorrindo.
Certo. Isso havia sido simplesmente R-I-D-Í-C-U-L-O. Quem diabos planeja essa coisas? Eu já havia visto uma centena de comerciais idiotas, mas esse acabou de entrar no Top 10. Parecia algum filme infantil que mostrava adolescentes inocentes e um casal, dos mais sem noção. E cá entre nós, quando você entra em uma escola qualquer, você vê que é totalmente diferente. Céus, mesmo Hinata (ela é a melhor pessoa que eu conheço) sabia ser safada, e eu tinha certeza que para ela namorar Naruto deveria ter a mente bem poluída. Isso tudo era ficção, nem um pouco real.
Então, aí estava o tópico da nossa recente conversa. Quando Madara trabalhava aqui as coisas rendiam bem melhor, eram mais criativas e menos comuns. Hiashi, Touya e Fugaku nos olhavam em expectativa, e tudo que eu pude fazer foi deixar a descrença transparecer no meu rosto.
- Por favor, me diga que isso foi uma paródia, não algo para gerar lucros. – Falei.
- Por que diz isso Sakura? – Fugaku estava seriamente irritado, talvez porque sua propaganda não foi tão boa quanto as que o seu ex-cunhado fazia.
Eu quase senti as cabeças girarem e os olhos me encararem. Se levássemos em conta meu histórico de estupidez podemos ver que a reação era esperada. Quer dizer, o que você imaginaria que sairia da boca de uma garota mimada que nunca trabalhou realmente e sempre está menosprezando os outros? Eu sabia o quão vaca eu tinha sido, então não deixei me intimidar e mostrei o lado inteligente de Haruno Sakura.
- Em primeiro lugar isso se parece com algum filme da Disney. – Expliquei. – Segundo, vocês querem atingir o público jovem, e isso parece mais para crianças do que para alguém entre quinze e vinte e um anos. Terceiro, não é nada original, e é a originalidade que faz você prestar atenção em algo.
Silêncio.
- Com o que aprendemos de publicidade nas aulas artes na escola, produzimos algo melhor que isso.
- E o que sugere? – Hiashi perguntou interessado.
- O que gostava quando tinha dezessete anos? O que achava legal? Por mais que digam o contrário, qualquer ser humano gosta da rebeldia. Lembre-se do último século, as pessoas colocavam em novelas, músicas, poemas e histórias o que as rebelava. Seja a guerra ou a fome. Sempre está lá a vontade de se expressar, e isso é bem mais voraz quando se tem os hormônios a flor da pele.
- Continue.
Levantei os olhos para Madara, sorrindo para o seu incentivo.
- Se você colocar fotos de protestos do século XX como capa do celular vai fazer muito mais sucesso do que menininhas com seus telefones de oncinhas. Ponha astros do rock, do pop, algo relacionado à música sempre funciona. Coisas que todos nós imaginávamos e parecia impossível. Para os modelos masculinos poderia haver lobos selvagens, uma floresta sombria, guerra, chacina. Todos nós somos violentos, mas homens demonstram mais que mulheres. Zombies sorrindo malignamente é bem melhor que um tema listrado.
Meu pai bagunçou os cabelos e revirou os olhos, dando uma leve risada. Aquele era seu jeito de dizer que aprovava a minha ideia. Touya começou a juntar suas coisas, ficou de pé encarando a todos nós.
- Acho que temos uma nova diretora de marketing.
- Você não pode colocar Sakura no posto sem um teste, ela ainda é um pouco inexperiente. – O avô de Itachi, o "filho da puta" Uchiha, disse.
- Sem problemas. – Touya colocou a mão no meu ombro. – Sakura vai produzir o novo comercial e o novo designer, depois avaliamos e a colocamos nesse posto.
Encarei-lhe surpresa, não percebendo o sorriso que se formou no meu rosto.
- Acho que encerramos por aqui, tenham um bom dia.
Então meu pai saiu e eu nunca me senti tão grata por ele antes. Todos começaram a se levantar e ir embora, junto com a multidão eu peguei as minhas coisas e fiz um Hi-Five com Naruto. Estávamos lá, só os quatro herdeiros comemorando em silêncio.
- Mandou bem, Sakura-chan!
- Obrigada. – Abracei o loiro. – Cara, ser nerd serviu para alguma coisa.
Hinata riu, e olhou Sasuke de canto. Os dois eram um tanto mais calados, e normalmente deixavam para a Haruno e o Uzumaki fazerem estardalhaços, mas eu os agradecia por estarem ali.
- Então, o que vamos fazer para comemorar a sua promoção? – Naruto perguntou sorridente, apertando minha bochecha, com seu sempre bom humor.
- Não sei, acho que comemoramos o suficiente no fim de semana. – O respondi, ajeitando a bolsa no ombro e pegando a mão de Sasuke. – Mas podemos tomar alguma coisa agora, otou-san disse que eu só precisava ficar para a reunião.
Nós saímos da sala e nos surpreendemos com minha avó paterna conversando com Madara. Bem, era como eu havia dito, aquele homem tinha feito à empresa se expandir e ser uma das maiores do mundo. E vovó sempre gostou dele, meus avós sempre gostaram dele. Totalmente ao contrário da sua própria família, os Uchiha nunca engoliram Madara muito bem. Pelo que eu tinha ouvido nos últimos anos, a morte da irmã caçula tinha mexido muito com ele.
- Sakura, venha cá. – Vovó disse sorridente.
Sasuke me encarou e eu dei de ombros. Ele foi comigo, assim como Naruto e Hinata, que adoravam Haruno Aika. Quando você a conhecia, percebia o que significava aquele ditado: "sempre tem uma grande mulher atrás de um grande homem". Ou algo assim. Por mais que geralmente ficasse em silêncio nas reuniões, vovó sempre dizia o que ela achava para meu avô Norio.
- Sakura-chan e Sasuke-kun juntos? – Madara riu, abraçando-me. – Eu sempre disse isso para Akane, mas ela nunca colocou fé em mim.
Deus, esse era um daqueles momentos constrangedores em família, e eu me senti corando. Quer dizer, eu não ficaria surpresa se eles começassem a falar coisas como "não acredito que um dia eu troquei as suas fraudas" ou então "como o tempo passa".
- Por favor, não comecem! – Eu gargalhei enquanto ele me levantava do chão.
- Como não? Eu amo quando vocês dois ficam vermelhos e irritados. – Ele bagunçou os cabelos de Sasuke, recebendo um sorriso de canto e um olhar maligno. – E eu pude ver o quanto vocês cresceram. O que você falou lá dentro foi fantástico.
- Obrigado. – Naruto respondeu por mim, passando os braços nos meus ombros. – Ela aprendeu tudo isso comigo.
- Tsc. – Empurrei-o. – Meio difícil, Uzumaki.
- E todos continuam os mesmos. – Vovó disse, sorrindo agarrada ao braço de Sasuke. – Bem, Mad e eu temos que ir. Juízo vocês quatro.
Eu arqueei a sobrancelha, vendo os dois partindo. Isso era muito estranho, deveria ser uma alta confusão do destino. Apenas analise. Hoje é o aniversário de quarenta e sete anos do meu pai, é a primeira vez em um bom tempo que temos um dia de sol, e tio Madara volta depois de quase três anos sem dar notícias. E ele ainda está grudado na minha avó. Bem, eu sei que a velha senhora não é do tipo que fica quieta quando insultam sua família, e Tsunade ou Sasuke, provavelmente falaram para ela sobre minha briga com o pai de Akane. Eu só não tinha imaginado que a forma dela de ficar por cima fosse chamar Uchiha Madara.
Sim, ela o tratava como um filho, otou-san e Madara eram muito amigos quando pequenos, pelo que eu soube. Então seria algo parecido com a minha relação com Mikoto. E mais uma vez entrava essa coisa de negócios e empresa e seus afins. Talvez vovó quisesse que alguém que usa o cérebro, ao contrário dos testículos, me ensinasse como comandar uma multinacional. Quem sabe, não existia mulher mais incógnita que a Sra. Haruno.
- Cara, isso foi estranho. – Naruto disse. – Olhar para Madara é como ver você uns trinta anos mais velho teme.
- Ele está certo. – Concordei deixando minha cabeça prender para o lado. – Sabe o que eu queria agora?
- O que? – Hinata perguntou.
- Um bolo de chocolate feito pela Tsunade.
- Seria uma boa. – Sasuke assentiu.
Enfim, tínhamos decidido para onde ir.
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25 de Dezembro de 2004
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Uma coisa que eu odiava sobre festas de família? Ao menos quando os nossos familiares se reuniam, os homens iam para um lado, e as mulheres para o outro. Poderíamos viver no século XXI, mas nesses momentos parecíamos jamais ter largado os hábitos medievais.
Como se Sakura, Hinata, dobe e eu fossemos considerados crianças, estávamos livres para permanecer distante deles. Eu me sentia grato por isso, Itachi estava se ferrando ouvindo sobre economia e todo tipo estúpido de coisa, enquanto tudo que eu precisava fazer era ficar distante.
Com as mãos no bolso, fui até os fundos da casa dos Hyuuga, onde encontrei Sakura com um caderno de desenhos no colo e Hinata sentada ao lado dela. A diferença entre as duas era palpável. Minha prima tinha as pernas largadas sobre o banco de madeira, enquanto Hinata tinha postura e as mãos no colo. Viver em um internato só para garotas deveria ser duro. Perguntei-me se Sakura se tornaria tão certa quanto Hinata, se isso um dia acontecesse com ela.
Nós nos encaramos e ela levantou uma sobrancelha para mim. A Haruno puxou suas meias 7/8 pretas, cheias de caveiras brancas para cima. Ela usava uma das minhas camisetas, dessa vez do Pink Floyd, com um short jeans. Seu cabelo estava uma confusão encaracolada, com uma pequena presilha afastando os cabelos dos olhos delineados.
- Deixe-me adivinhar. – Ela caçoou. – Sua mãe trouxe aquela amiga dela, como se chama mesmo, Emiko, acho. E a sobrinha irritante dela veio junto.
- Correto. – Sentei-me no pequeno muro que circulava uma das árvores do jardim.
- Coitado do meu primo querido. – Juntou as mãos perto do peito, piscando para mim. – Isso sempre acontece não é, Sasuke-kun? Ex-namoradas caindo aos seus pés.
- Não comece Sakura.
Ela iria falar, ela sempre falava aquilo. Sorrindo feliz consigo mesma, cruzou os braços, as sobrancelhas levantando-se em forma de arcos.
- Eu te disse. – E lá estava, as três palavras mágicas. – Se for comer a vadia, nunca dê seu número ou diga seu verdadeiro nome.
- Sakura-chan está certa. – O dobe falou. – De todos as que você poderia ter comido, foi justo a Karin.
E os dois começaram a rir, piadas habituais. Quando Naruto e Sakura se viam era como se eles fizessem um pacto para tirar com a minha cara. Eu suspirei e sorri, vendo Hinata tentar segurar um sorriso enquanto prestava atenção nos dois.
Ao menos dessa vez não seria um natal tão ruim.
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28 de Agosto de 2008
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- Como está sendo morar com Kakashi? – Akane perguntou.
- Legal. – Dei de ombros. – É como ter um colega de quarto, nos damos bem.
Sasuke dividia o sofá comigo, e meu corpo estava semi-escorado no dele, eu tinha um maravilhoso pedaço de bolo em minhas mãos. Naruto e Hinata preferiram ficar sobre o carpete, com as pernas cruzadas e os pratos sobre a mesa de centro. Okaa-san e mama estavam nos olhando felizes. É como dizem, criança feliz é criança bem alimentada. Elas sempre sentiram prazer em nos ver mastigando algo feito em casa.
Sobre Kakashi... Bem, eu preferi esconder alguns detalhes delas. Como a nossa conversa de ontem. Foi algo sobre eu poder levar Sasuke para dormir comigo, mas não fazer muito barulho à noite. Ou como ele pediu para eu não comentar sobre sua namorada. Espere, ele disse que ela não é exatamente sua namorada, mas um caso. Esse tipo de coisa minha mãe não precisava ficar sabendo. Imagine a cara que ela iria ficar se eu dissesse sobre como fui guardar algumas roupas no quarto dele e encontrei uma gaveta cheia de peças intimas femininas, todas, aparentemente, sem donas.
- Mãe, você não vai acreditar em quem eu vi hoje.
- Quem? - Akane parecia feliz comigo a chamando assim.
- Madara.
- Eu pensei que ele estivesse no México, bem, depois que... – Ela olhou hesitante para Sasuke.
- Tudo bem. – O moreno disse.
- Eu não tive notícias dele desde que Mikoto morreu. – Okaa-san sorriu em um pedido silencioso de desculpas. Acho que ela sabia que a morte de Mikoto ainda nos atingia. – Seu pai deve ter continuado falando com ele.
- Talvez. – Eu torci os lábios, bocejando.
Uma coisa estava pairando na minha cabeça, como eu havia mencionado antes, Haruno Sakura havia se tornado desconfiada. Algumas semanas atrás meus avós vieram para Tóquio alegando que o aniversário do meu pai estava próximo, mas até então, eles não tinham planejado nada para a data. Isso era meio controverso com o que eles disseram. Hoje haveria um pequeno jantar, mas até onde eu sabia só seriam meus pais, avós, Tsunade, Sasuke e eu. Com a possibilidade de que os outros donos da empresa e seus respectivos filhos viessem para uma fatia de bolo.
Todavia, era uma coisa um pouco normal. Todo mundo da minha família, inclusive eu, tinha seus próprios segredos e obsessões. Akane era um exemplo disso. Até o começo desse ano nossa relação não era algo que se pudesse nomear como amor mãe e filha, mas tínhamos nos tornado próximas de alguma maneira. O estranho é que a mesma coisa havia ocorrido com meu pai. Se eu fosse tirar essa experiência depois da morte de Mikoto, as únicas pessoas que eu me importei foram Kakashi, Tsunade, Sai e Hinata, e um pouco Sarutobi-sama, mas não chegamos a nos tornar íntimos realmente.
Foi interessante os números terem aumentado em tão pouco tempo, como se eu tivesse resgatado meu dom de ser sociável de novo.
- Naruto-kun, sua mãe me disse que você e Hina foram junto com ela fazer o último ultrassom. – Akane falou juntando as mãos no colo, sorridente.
- Sim, okaa-san não quis descobrir se era um menino ou menina. – O loiro passou os braços pela cintura da morena, trazendo o corpo dela para mais perto do seu. – Mas a médica me contou depois.
- É uma menina! – Hinata disse animada.
Ignorando meu adorável método de criar problemas, eu me deitei no colo do Uchiha, apreciando o momento em família que estávamos tendo. Isso era bom e relaxante. Pensando nisso, preferi deixar minhas dúvidas de lado e só apreciar o momento com eles. Suspirando, eu sorri, começando a prestar atenção no que Akane e Hinata diziam.
É, esta estava sendo uma tarde relativamente agradável.
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20 de Janeiro de 2006
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Admito que esteja sendo estranho voltar para Konoha High. Quer dizer, eu passei metade de um ano estudando em casa e viajando por toda Europa. Ficar em um lugar por muito tempo tinha se tornado inabitual. Ainda mais andando por esses corredores, em sua maioria, sozinha. De forma brusca, eu mostrei para todas as minhas antigas companhias que eu não os queria por perto. Com Ino foi mais difícil de todos. Era a minha melhor amiga e ela me conhecia o suficiente para saber o que tinha me feito mudar de atitude.
Então no intervalo eu preferia pegar algo para comer no refeitório e me dirigir para biblioteca, ler um livro qualquer ou fazer dever de casa. Eu ainda sentia que deveria preencher meu tempo com algo. De preferência nada que estivesse relacionado com atividades em grupo. E existia o fato de que eu estava realmente perturbada, porque, inferno, eu tinha acabado de sair da reabilitação (seis meses inteiros sem toxinas no corpo) e logo que pus os pés aqui, Mikoto é assassinada.
Eu estava morrendo de medo e as palavras daquela mulher continuavam na minha cabeça. "Preste atenção, caso alguém saiba disso pela sua boca, Uchiha Sasuke poderá ser considerado morto.". Certo, o garoto foi um completo idiota comigo, mas isso não eliminava os catorze anos de convivência. Apesar de não o sermos, fomos criados como primos, convivemos em família e passaríamos grande parte dos feriados juntos. E não era só a família que nos ligava, era a empresa, os amigos e a escola. Eu decidi ignorá-lo, mesmo sabendo do pouco uso que isso teria.
Bufei entrando no banheiro feminino. Deixei que minhas sobrancelhas se arqueassem e meu olhar parasse na dupla se agarrando na minha frente. OH MEU DEUS! Aquele era Sai, o filho do governador! E... E Tsutomo! Dois caras! Limpei a minha garganta deixando que meu rosto se tornasse sem emoção. Os dois coraram e o último saiu correndo. Deixando-me sozinha com Sai.
- Se você contar para alguém sobre isso... – Ele começou.
- Não se preocupe, eu não vou contar. – Dei de ombros, me virei para o espelho começando a ajeitar meus cabelos.
- Por quê?
O cara cruzou os braços e me olhou especulativo. Eu também não o culparia pela desconfiança, todos estavam se perguntando o que havia acontecido comigo nesses meses, o que fez eu me tornar uma vaca a cada palavra que saia da minha boca. E eu gostaria de saber quem foi o idiota que começou a me chamar de Rainha de Gelo. É difícil fingir ser séria e sombria na maior parte do tempo, e continuava sendo estranho colocar saltos nos pés, mas isso me ajudava a me manter distante de todo o caos que passei.
- Por nada, só veja como um favor. – Juntei os lábios, não gostei da ideia de admitir isso, mas eu não tinha ficado horrorosa o quanto pensei que iria ficar com essa maquiagem no rosto.
- E o que você vai querer em troca? – Sai perguntou.
- Vejamos da seguinte maneira. – Virei para encará-lo. – Eu não tenho mais amigos aqui, tampouco você. Minha proposta é que enfrentemos o resto juntos. Você tem estilo suficiente para andar comigo.
E ele sorriu, porque era tudo verdade. Sai era novo aqui e eu, de certa forma, também o era. Depois da nossa conversa no banheiro, não houve sequer um dia que não estivéssemos juntos. Eu acabei descobrindo que ele tinha tantos problemas quanto eu. Nessas horas você vê que não é o único no fundo do poço. E é realmente mais fácil sair dele se você não está sozinho.
To Be Continued
N/a:
Olá, como estão gatas?
Pois é, essa atualização foi um pouco mais demorada, mas como eu havia dito para Bella, eu ando pensando muito em como eu vou colocar o que eu planejei nos próximos capítulos, e havia uma grande dúvida sobre uma passagem de tempo. Por exemplo, para o próximo capítulo vamos estar alguns meses na frente. Espero que não tenham problema com isso, mas fiquem a vontade de dar sua opinião sobre essa mudança.
Acho que esse capítulo foi um dos mais leves da fic. Eu quis mostrar que a Sakura tem os motivos dela e que tentou ficar sorrindo quando queria chorar. Como o Sai foi importante para ela, e como eles se tornaram amigos. Façam suas apostas, mas não foi o Madara que matou a Mikoto. Eu não quis fazer ele mal na minha fic porque como eu ando acompanhando o mangá me deu a impressão de que ele é bem parecido com o Sasuke em alguns sentidos.
Se vocês puderem dar uma olhada rápida no perfil, tem alguns avisos lá.
Por hoje, acredito que seja só isso. Foi um capítulo que eu tentei escrever quatro vezes e esse resultado foi à junção de todas as outras tentativas. Foram quinze páginas e em torno de sete mil e quinhentas palavras.
Pois é, sobre as reviews, elas serão respondidas no próximo capitulo, ok?
Bgsbsg
Sami
N/b:
Hey people! E então o que acharam do capítulo de hoje? Pelo visto a rosada está mesmo chamando a atenção na empresa...humm, mas será que isso é realmente bom para ela? O que os assassinos da Mikoto acharão?
Mandem suas opiniões, pleaseee! Reviews são ótimos para aumentar a criatividade!
Beijos
Bella
