Boa Leitura! :D
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Vinte e Seis
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Contrações
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Um... Dois... Três... Respire fundo, sorria, a nova razão está vindo e o mundo começa a girar ao seu redor. Existem energias por toda a parte e você conseguiu ver o colorido incandescente. A sua nova vida está chegando, resplandecendo o mundo a sua volta.
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29 de Março de 2009
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- Alguma coisa aconteceu. – Akane disse.
Eu olhei sobre meus ombros, analisando sua postura relaxada e as mãos no ventre gigantesco. Ela parecia gostar de ver aquelas pessoas me vestindo e maquiando. Eu não soube dizer se isso se devia à sua antiga carreira ou se era só o prazer de me ver bonita.
- Nós falamos sobre o aborto. – Eu crispei os lábios.
Okaa-san frisou o cenho, olhando-me em um pedido de desculpas. Não era como se fosse culpa dela. Deveria se sentir totalmente frustrada com uma enteada revoltada com a vida, um alguém que fazia de tudo para chamar atenção. Sendo originalmente minha madrasta provavelmente estava encabulada, achando que não era seu dever fazer implicações sobre mim. Nossa relação era assim antes. Ela não me incomodava e eu não a incomodava. Meu alvo era Touya desde meus doze anos. Akane nunca teve nada a ver com isso. Só nos víamos como vizinhas em um mesmo prédio. Dormíamos e fazíamos refeições no mesmo lugar, mas não tínhamos intimidade.
Minha mãe encarou o maquiador e o cabeleireiro, agradecendo por mim e esperando que eles saíssem do meu antigo quarto. Admito que gostei do resultado. Meu cabelo estava meio-preso/meio-solto, com mechas cruzadas caindo sobre meus ombros. E a maquiagem também estava ok. Os olhos chamavam atenção como eu sempre preferi, e combinavam perfeitamente com o vestido intercalado em roxo, rosa e azul. Ficou bem melhor do que se eu mesma tivesse escolhido.
- Como chegaram a esse assunto?
- Nós estávamos conversando e eu passei mal. – Eu não gostaria que ela soubesse o que "conversando" significava nesse contexto. – A primeira coisa que ele pensou foi que eu estava grávida. Por isso lhe contei o diagnóstico que recebi na Itália.
- E como ele reagiu?
- É difícil de explicar. – Cruzei as pernas, alisando o vestido. – Acredito que em sua natural calma ele tentou esconder que também se sentia mal sobre isso. Não é como se eu tivesse engravidado sozinha.
- Vocês são complicados, mas são bons juntos. – Ela se levantou, segurando as suas costas. – Tudo vai ficar bem.
Eu assenti, lhe presenteando com um pequeno sorriso. Segurei seu braço esquerdo deixando que ela se apoiasse em mim. Akane estava com as bochechas mais cheias e admito que fosse estranho vê-la usando sapatilhas. Por todo tempo que a conheço sempre havia saltos em seus pés. Desde que ficou grávida era como olhar para outra pessoa. Uma menos parecida com o pai, ou a mãe dela. Toda aquela coisa de ser pressionada por eles tinha ido embora.
Nós descemos as escadas devagar e ela deu um longo suspiro quando sentou no sofá. Seus seios estavam gigantescos e eu tinha certeza que eles deveriam doer bastante. Okaa-san passou a mão pela testa secando o suor. Apesar do ar-condicionado estar ligado o esforço foi muito.
- Você está bem? – Perguntei.
- Sim. – Encarou-me tranquila. – Chame Sasuke, nós temos que ir lá trás. Seus convidados já devem estar chegando.
Eu assenti e saí da sala, caminhando tranquilamente até o escritório do meu pai. Touya tinha arranjado um compromisso para essa tarde, e avisou que chegaria a tempo para a festa. Eu realmente queria saber até onde essas suas mentiras iriam.
Sasuke estava sentado no sofá de dois lugares, perto da janela, ele tinha uma revista de esportes nas mãos, mas era óbvio que não dava a menor atenção a isso. Seus olhos estavam fixos no teto. Eu fiquei ao seu lado, e ele olhou rapidamente para mim. Passou o indicador pela lateral do meu rosto, continuando com a mesma expressão séria.
- Você está bonita. – Ele disse.
- Obrigada. – Sorri de leve. – O que foi dessa vez?
- Itachi falou com o advogado da minha mãe e me entregou isso.
Arqueei as sobrancelhas. Havia uma caixa de joias e uma carta do seu lado. Com uma caligrafia bagunçada e não muito delicada. Estava escrito Para Sakura no envelope. Quando percebi o que era aquilo meu coração começou a bater forte.
- Por que eles não entregaram diretamente para mim?
- Ela pediu que eu estivesse junto quando você recebesse.
Concordei sem me mover. Sasuke deixou a revista de lado passando o braço sobre meus ombros, ele me estendeu o pedaço de papel. E pensar que eu quase tinha esquecido o testamento de Mikoto. Quando ela disse que Sasuke, Itachi e eu receberíamos nossas heranças quando fizéssemos dezoito anos respectivamente. Havia outras coisas, eu sabia que sim, no entanto, aquela carta era o que me fazia tremer. Por que eu não sabia o que esperar dela.
Alisei o papel, não querendo desdobrá-lo. O que quer estivesse marcado nele faria com que eu chorasse e tudo que eu mais queria era me concentrar no dia de hoje e deixar Akane feliz.
- Você pode guardar para mim?
- Hai. – Ele colocou a carta dentro do seu paletó e me entregou a caixa azul. – Acho que você vai querer usar isso hoje.
Olhei ansiosa para suas mãos, e quando o click soou e a tampa da caixa abriu, eu soltei um pequeno 'oh' em exaltação. Tinha um lindo colar de outro branco bem aconchegado na almofada azul. Era delicado e discreto. O pingente era uma pedra lápis-lazúli do tamanho de uma unha, envolta de delicados fios de ouro. Eu sorri em agradecimento lhe dando um demorado beijo e deixando que ele continuasse pensativo. Eu sabia que algo importante rondava seus pensamentos e que se ele precisasse falaria comigo sobre isso.
Não demorou muito tempo para que a minha curiosidade se fosse.
- O que você vai fazer se houver algo sobre o assassinato dela na carta?
- Você quer dizer se tiver algo incriminando Mai, não é? – Eu perguntei, e ele assentiu. - Eu sinceramente não sei.
Lá estava eu de novo. Minha bipolaridade constante sobre Mai Smith. Isso se esse realmente fosse o nome dela. Eu quase podia enxergar um anjo e um diabo um em cada ombro. As palavras que normalmente circulavam na minha cabeça eram "ela é minha mãe" e "ela é a vadia que me abandonou e fudeu com a minha vida". Eu nunca fui boa em lidar com coisas que envolvessem sentimentos, eu sempre fujo delas, mas essa situação era complicada demais para se fugir.
Com o conforto dos braços masculinos e a nova pedra que adornava meu pescoço, me deixei suspirar. Esse era o efeito em tudo, o brilho magnífico das coisas, o que pessoas normalmente procuram quando vão ver um filme ou ler um livro. A ação e os problemas, porque ninguém se sente contente apenas com conquistas, você tem que ser pisado antes para ver como cada coisinha que você adquire pode ser magnânima. Era exatamente isso que eu tinha em minha cabeça agora. Caso Mai fosse culpada e eu a acusasse, seu cúmplice, quem quer que seja, pode facilmente descontar sua ira em mim, na minha família.
Eu pensei seriamente na possibilidade de estar grávida. O quê não foi fácil levando em conta o meu medo de realmente estar. Mas se as forças que moviam o universo tivessem colocado um feto no meu ventre, eu sabia a primeira coisa que eu iria fazer. Eu não continuaria em Tóquio, me mudaria e sumiria do mapa. A última coisa que eu desejo é que um novo alguém seja afetado pelos Haruno e Uchiha.
Uma criança carregando esses dois sobrenomes seria posta em uma enorme pressão. Eu sei que sim. Diferente de mim, ela ou ele, teria o sangue das duas famílias, não só uma fachada como aconteceu comigo. Caso eu esteja grávida, vou pedir para Sasuke sumir no mundo comigo, para sermos nós três. Eu não podia sequer imaginar uma criança com meu pai e avô conturbando-a.
Bufei. Não acredito que entrei a fundo naquilo. Era mínima a possibilidade de acontecer, porém trabalhar com possibilidades é uma coisa que eu sou boa. Pensar em cada pequeno detalhe diante de determinada situação. Se Touya cogitasse que eu esteja grávida - porque eu prefiro pensar que não estou - o patriarca Haruno acabaria por me ajudar a retroceder ainda mais nossa relação. Ficaria cada vez mais distante de um pai e uma filha.
Abri os olhos, notando que meus cabelos deveriam estar um pouco bagunçados, Akane não ficaria contente com isso. Mas eu me senti melhor assim, com os lábios no meu pescoço e toque sedutor de dedos calejados nas minhas pernas. Impressionante como o mundo dava voltas. Girava e girava e meu subconsciente sempre pedia a mesma coisa, o mesmo alguém. Ainda não acredito que somos destinados um para o outro, só duas crianças com qualidades parecidas e opostas, forças em equilíbrio. Duas coisas que precisavam ser uma, para que tudo seguisse em frente.
- Vamos ler essa carta hoje à noite. – Prometi. – Podemos ir para o seu apartamento e matar aula amanhã.
Ele traçou o meu rosto, não concordando em palavras, eu sabia que um tempo isolados e afastados da cidade seria bom para nós. Olhar televisão e fazer amor escutando os Beatles. Algo não muito grande, mas prazeroso de mesma forma.
- Eu odeio interromper, mas os convidados já estão chegando.
Levantamos e sorrimos para minha mãe que nos observava docemente parada na porta. Akane também precisava de um apoio para descer os degraus da varanda e chegar ao quintal de casa. Eu tinha essa urgência de passar um momento calmo, apenas Sasuke e eu, mas eu deixaria isso de lado por alguns minutos. Okaa-san também precisava de mim agora.
Fico imaginando como ela deve se sentir. Com Touya tendo encontros frequentes com Mai e Akane ali, carregando um filho dele. Eu até pensei que meu pai ia tomar jeito com a gravidez de Akane, mas se nem isso o tornou em uma pessoa melhor, nada o faria.
Normalmente as pessoas dizem que se muda quando se ama algo. Ele não mudou por Mai, e ela parece ser a coisa mais importante na vida dele. Ou por mim, que sou o infeliz fruto desse falso amor. Não deixaria de ter um comportamento sujo por Akane, uma mulher que dedicou quase toda vida por ele e estava lhe dando um novo herdeiro.
Em momentos como esse eu não sei o que dizer.
Touya estava traindo Akane, com a minha mãe, e esquecendo totalmente uma data que deveria ser importante para mim. Ele sempre ia antes mesmo de chegar. Quando eu dou um passo em sua direção, otou-san está a cem passos na direção contrária.
Akane se agarrava firmemente aos meus braços e aos de Sasuke, olhando para os degraus com a respiração acelerada. Ela não era mais uma mocinha, a gravidez estava a cansando mais do que eu imaginava ser possível. Eu não podia fazer nada sobre isso, era uma tortura para ela, nesse calor, estar carregando um peso a mais consigo. Okaa-san pareceu agradecida ao sentar-se.
- Espero que esteja pronto para dividir Sakura com todos os homens dessa festa, Sasuke-kun. – Okaa-san disse.
- Nem tente, ele não vai ficar com ciúmes. – Falei, passando a mão pelo enorme volume no ventre dela.
Sasuke não retrucou, ele estava concentrado demais em outra coisa. Segui o seu olhar, franzindo o cenho. Uma mancha vermelha no chão. Encontrei os olhos dele, meu coração acelerando.
Akane respirava rapidamente, suor no seu rosto. Mostrou-se confusa, mesmo com o sangue vertendo e sua coloração pálida ela ainda não tinha percebido. Algo estava acontecendo, e não era apenas sua bolsa estourando.
- Sakura, vá chamar um médico.
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29 de Março de 2009
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O sangue pingava de forma tênue, e Akane não parecia possuir consciência disso. Os olhos fixos em um ponto qualquer, com as mãos segurando o abdômen com força. Ela não estava dizendo nada, sua concentração se instalou na própria respiração. A irmã do meu pai tentava bravamente controlar o ar que entrava e saía de seus pulmões.
Eu vi Sakura correndo casa à dentro e começando a gritar para Tsunade. Chequei o pulso, colocando os dedos no seu pescoço. Senti sua mão segurar a minha com vontade para que eu me sentasse do seu lado.
- Sasuke, se algo acontecer, mande Sakura ligar para Lucca.
Assenti. Não eram necessárias palavras. O importante era socorrê-la e ao menino no seu ventre. Minha tia queria muito aquela criança e, tanto a rosada quanto eu, sabíamos o que aquele pedido singelo significava.
A mulher se agarrava ao meu braço, a mandíbula trincada e os olhos cerrados, mesmo com as lágrimas de dor lhe escorrendo o rosto. Naquele momento não pude dizer se ela parecia mais com Sakura ou com uma Uchiha, como primeiramente era. Eu quase podia ver minha mãe, pairando ao lado de Akane como uma sombra em seu olhar. Só era capaz de sentir o que a rosada tinha sentido quando Mikoto estava morrendo.
Pestanejei.
Akane não iria morrer, todo aquele sangue era só uma complicação no parto.
- A ambulância já está vindo. – Sakura falou, segurando a mão da sua mãe. – Eles mandaram você se deitar.
Comecei a pensar nas possibilidades. Pedi para que Sakura fosse para o lado, pegando a morena nos meus braços. Cuidei ao máximo para não fazer movimentos rápidos ou bruscos. Eu não podia dizer o quanto ela iria aguentar.
- Vá abrindo todas as portas e mande as pessoas saírem do caminho.
- Hai.
A Haruno tinha adquirido o seu jeito para negócios. Deixando suas emoções de lado e colocando o mais importante em primeiro lugar. Demoraria um longo tempo para que a rosada voltasse ao normal. Eram muitos eventos traumáticos que ela havia passado e, todos eles tinham sangue por seu trajeto. Apenas desejo que ela não passe um período muito longo imersa neste seu modo de ser. Sakura sempre arranjava problemas consigo mesma quando isso acontecia.
As ordens saíam claras por seus lábios. Eu podia ouvir minha tia gemer cada vez mais, agarrando-se ao próprio corpo. Os trajes que vestia se tornavam mais e mais vermelhos. Era nesse maldito momento que os convidados chegavam. Seria mais uma adição para incidentes na casa dos Haruno.
- Rosada mande esses filhos da puta saírem do meu caminho. – Rosnei.
As pessoas começavam a surgir no corredor e a vontade que eu tinha era de socar todas elas. Era isso que eu sempre odiei nesse tipo de gente. Toda aglomeração que houvesse era motivo para falatório. Nenhum deles se prestava a tirar seus malditos corpos do caminho. Quanto mais estardalhaço melhor. Não deveriam ter algo bom para se fazer, fofoca era o que movia nossos conhecidos e sócios.
O sofá estava a alguns metros de mim. Para não derrubar Akane ou desmontar os seres humanos que queriam nos circular, eu fixei minha atenção nos passos de Sakura.
Os passos dela não eram nem rigorosos nem bruscos, mas também não era algo que se poderia chamar de suave. Andava com elegância e rapidez, quando os pés se moviam o salto impactava com o chão. Seus músculos da perna ficavam rígidos, detalhando cada curva e o balanço natural do seu quadril. A pele creme ficava leitosa com as luzes do sol se pondo. Sakura sentou-se no sofá ajeitando uma das almofadas. Com calma, ela me ajudou a depositar sua mãe.
Tsunade veio correndo da cozinha, tinha uma compressa em mãos. Ela estava espumando raiva. Parou duas ou três vezes para gritar com os imbecis no seu caminho. Pergunto-me de onde todos eles tinham surgido. Minutos atrás só haviam empregados habitando a casa. A loira grunhiu para um dos seguranças se plantarem na porta de acesso a sala e não deixassem ninguém além dos paramédicos entrarem.
- Me distraía Sakura. – Akane disse através dos dentes serrados.
- Apesar das controvérsias a Segunda Guerra Mundial trouxe um grande avanço para mundo. Baseados nos experimentos de Hitler com cobaias humanas, conseguimos desenvolver nossa medicina para algo extremamente mais seguro e eficaz. No entanto, isso não anula os danos que ele causou para grande parte da população mundial.
Isso não estava ajudando. Por mais que ela fosse um crânio, Sakura não teve uma ideia ágil e favorável para a situação de Akane. A Sra. Haruno apertava cada vez mais minha mão, tentando, inutilmente, segurar o feto dentro de si. Enquanto isso, Tsunade colocava compressas d'água em sua testa, a loira limpava o sangue e colocou um pano entre as pernas da mulher que convulsionava. Nós três estávamos perdidos, não possuindo nenhuma utilidade.
Com alívio, vi os médicos chegando.
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Olhei de esguelha para o meu relógio. Eram duas horas da manhã, nós estávamos ali desde as sete da noite. Sakura continuava andando de um lado para o outro, seus cabelos foram soltos e ela não conseguia evitar passar a mão por eles. Tsunade estava fingindo ler alguma das revistas direcionadas aos familiares dos pacientes. Eu permaneci sentado, com os cotovelos nos joelhos e as mãos no rosto.
Nesse intervalo de tempo, meia dúzia de enfermeiras foram parada pela rosada, e todas tinham a mesma resposta: Akane estava em cirurgia e não tinha um tempo determinado para que terminasse.
- Sente-se, Haruno. – Tsunade falou, sem sinal de irritação.
Sakura o fez. Cruzou as pernas e os braços, encarava o chão, eu podia ver os seus dedos tremendo. Não era só Akane em estado grave que a perturbava. Os Uzumaki e os Hyuuga tinham passado por aqui. Kushina só não ficou por causa do bebê. Naruto e Hinata prometeram voltar em algumas horas. Até mesmo meu pai e Itachi haviam aparecido.
Não houve nenhum sinal de Touya.
A rosada se martirizava por isso. Como se fosse sua culpa ter um pai desgraçado. Ela tinha ligado diversas vezes para ele, em todas, chamava e depois caía na caixa postal. Touya estava evitando-a. Akane tinha dito que ele chegaria para a festa de aniversário de Sakura. Nada de ruim tinha acontecido com ele, de alguma forma todos nós sabemos isso. Ele está com Mai, e isso só deixava Sakura mais raivosa.
Ela me olhou de canto, estendi meus braços. Com um suspiro e um choro contido, Sakura me abraçou, e fechou os olhos. Dizer que tudo ficaria bem não adiantaria nesse momento. A Haruno não gostava de ser iludida e eu não iria fazê-lo. Não tínhamos como saber se Akane sairia ilesa, ou se a criança nasceria sem problema algum.
O que ela queria é saber que não estava sozinha, e circular o seu corpo com meus braços era a forma que eu conseguiria mostrar isso. Seus dedos soltaram minha camiseta aos poucos, só pude relaxar quando notei que ela estava dormindo.
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28 de Março de 2005
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Hum... Eu gemi de dor. Minha cabeça doía pra caralho. Unicórnios deveriam ter fincado seus chifres no meu cérebro. Meu corpo formigava, e eu tenho certeza que dormi sobre meus braços. Com relutância, me sentei, segurando a cabeça entre meus joelhos. Esse era o lado ruim de uma noite de diversão, você sempre acorda moído com vontade de vomitar.
Algum engraçadinho tinha aberto as cortinas deixando uma maldita claridade cair sobre meus olhos. Que infâmia! Respirei fundo, meu estômago pedia por comida. Puxei as meias 7/8 para cima, apreciando sua estampa colorida e abstrata. Minha saia de bolinhas precisou ser puxada para baixo, estava quase me engolindo e a camiseta listrada mostrava metade do meu ombro desnudo. Fora os detalhes de estética, eu não tinha a menor ideia de como vim parar no quarto de Ino.
A loira estava dormindo desleixada do outro lado da cama, e Tenten se enrolava nas cobertas, com a metade do corpo caindo para fora do sofá. Enquanto eu caminhava pelo corredor, escorada na parede, eu pude ver algumas garrafas de bebida e cigarros espalhados pelo chão, fora uma e outra pessoa inconsciente.
Eu peguei um copo de suco de laranja na cozinha, havia alguns morangos em uma tigela e eu fiz o favor de comê-los. Todo o lugar parecia um caos. Eu tinha que achar Sasuke para que pudéssemos ir para casa, Mikoto deveria estar preocupada. Era segunda-feira e eu tinha certeza que a escola ligaria para ela. Eles sabiam que ligar para os meus pais ou para Fugaku não adiantaria mais. Eles nos viam como delinquentes e só a Senhora Uchiha tinha a capacidade de nos controlar.
Arrastei os pés até a sala, arqueando a sobrancelha. Balancei a cabeça, bufando. Aquele desgraçado. Eu deveria jogar água no seu rosto, mesmo que isso fosse acordar também as três garotas nuas ao seu lado. Às vezes Sasuke poderia ser mais infantil do que eu podia imaginar. Lá estava ele, completamente "desvestido" com uma garota deitada em seu peito e outras duas em seus braços. Depois que ele descobriu o que sexo significa se viciou nisso.
Sorri de canto, ignorando a pontada de dor no meu peito. Ajoelhei-me ao seu lado, colocando minhas mãos frias na sua virilha e arranhando-o até o pescoço. Ele franziu o cenho e crispou os olhos para mim.
Eu nunca deixaria de me perguntar como depois de me chapar tanto, nunca acabei sem roupas com um desconhecido ao meu lado. Enquanto Sasuke bebia só o suficiente para ficar tonto e sempre se deparava com meninas desnudas o rodeando.
- O que você quer Pinku? – Sua voz estava rouca de sono, ele tinha puxado um de seus braços e coberto o rosto com este.
- Era minha festa de aniversário e quem se deu bem foi você. – Falei, me sentando no sofá. – Vamos, Uchiha baby, sua mãe vai surtar se não chegarmos em casa logo.
- Não fique com ciúmes, Pinku. Depois eu dou um trato em você. – Disse sarcástico.
- Você é novo de mais para me satisfazer. – Eu ri.
- Claro, você prefere Itachi.
Suspirei, olhando para direção oposta a ele. Estava de pé procurando suas roupas jogadas pela sala. Eu não acreditava que iríamos entrar nessa discussão novamente. Passei as mãos pelos meus cabelos, sentindo as pontas direcionadas para todos os lugares.
- Por que você está tão bravo com isso? – Perguntei com um resmungo. – Qual o problema de eu namorar o seu irmão? Você nunca pareceu se importar com os caras que eu ficava antes.
Ele não respondeu e eu sabia que seu ego estava ferido. Sasuke sempre foi muito competitivo quando comparado a Itachi. No fundo ele talvez desejasse que eu caísse aos seus pés só para ter mais glória que o irmão.
- Itachi só quer comer você.
- Assim como você. – O encarei especulativa.
O moreno riu em escárnio, estava vestido da cintura para baixo. Ele parou na minha frente, se aproximando lentamente. Suas mãos seguraram meus pulsos e me deitou no sofá. Não tive culpa quando meus batimentos começaram a acelerar e meu corpo a ficar quente. O Uchiha estava sobre mim e os olhos fixos no meu. Havia uma pitada de arrogância e uma ira silenciosa pairando sobre seu rosto.
Ele se abaixou e roçou os lábios nos meus. Não fiz nada que não fosse fechar os olhos, me odiando por gostar da forma que sua boca começou a se mover sobre a minha. Ele traçou as minhas bochechas, orelha e pescoço, beijando suavemente o vale entre meus seios. Mesmo com as minhas mãos livres, eu não tinha a mínima vontade de pará-lo.
Com a respiração acelerada, ele passou os braços pela minha cintura, e me trouxe de encontro com seu corpo. Apertando-me em um quase abraço, ele disse:
- A grande diferença é que eu nunca tentei Sakura. – Murmurou. – Porque eu sei o que se passa aqui.
Seu indicador cutucou meu seio esquerdo. Deu um último beijo na minha testa, se levantou e pegou sua camiseta, caminhando para fora da casa.
Eu sabia o que ele quis dizer.
"Eu sei que você gosta de mim."
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30 de Março de 2009
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Encarei meu reflexo no espelho. Estava amanhecendo lá fora e nenhuma notícia sobre Akane nos foi dada. Só sabíamos que os médicos estavam tomando conta dela e do meu irmão. Se eles estavam bem ou se a situação era complicada não nos foi dito.
Eu não aguentava mais de tanta ansiedade. Se não houvesse uma porção satisfatória de maquiagem no meu rosto, as olheiras estariam bem mais destacadas. Meus ombros estavam caídos e meus olhos vez ou outra se fechavam. Deslizei os dedos pelos meus cabelos caminhando lentamente para fora do banheiro.
Quando eu cheguei à ala de espera, pude ver Sasuke de braços cruzados encarando meu pai e... Mai. Com uma frieza que eu não sabia possuir, me pus ao lado de Sasuke, segurando seu braço. Chamas flamejavam em meus olhos. Finalmente ele tinha aparecido, e eu não estava surpresa por Mai estar com ele.
- Como ela está Sakura? – Touya perguntou.
Os olhos dele se arregalaram, e o estalo da minha mãe se chocando com o seu rosto não foi o suficiente para conter minha fúria. Minhas mãos tremiam, o sangue borbulhava e os ouvidos zunindo. A gola de sua camiseta estava borrada de batom, e eu podia ver sinais de chupões no seu pescoço.
Não consigo entendê-lo. Eu pensei que tentar me aproximar fosse o certo. Fiz-me tolerante e tentei compreender todas as coisas que otou-san fazia. Ele é teimoso, e não era como se eu também não tivesse pavio curto e fosse cabeça dura, mas eu tentei mudar. Eu queria um pai, merda! E como sempre eu estava me sentindo mais velha que ele.
- Vá para o inferno. – Falei entre dentes.
Touya continuava sem reação. Quando isso tudo acabar, quando Akane e Hiro voltarem são e salvos para casa, eu imploraria para que ela pedisse o divórcio e fosse morar comigo. Ele não iria humilhá-la novamente.
- Sakura!
Os olhos de Mai estavam bem delineados, os cabelos caindo em bonitos cachinhos até o meio das costas. O corpo coberto por jeans e camiseta, mesmo isso a deixava linda com os saltos. Como alguém que parecia um anjo era capaz de cometer tamanha atrocidade.
- O que? Você veio aqui para me abraçar e dizer que tudo vai ficar bem? – Perguntei sarcástica.
- Claro que sim! – Disse com valentia. – Eu sou sua mãe, esse é meu dever!
E tudo ficou vermelho. Minhas mãos ficaram em punho para que eu não pulasse em cima dela. Certo, eu sou uma maldita criança que a pouco atingiu a maioridade, mas ela não tinha o direito de continuar brincando comigo. Eu não sou um fantoche, e Mai não iria mais me manipular. Ela tinha conseguido o que queria. Colocou três pessoas que eu amo em perigo dizendo às coisas que eu sabia, porém, neste momento, ela havia passado dos limites.
- Você não é minha mãe. Minha mãe foi enterrada anos atrás, e você sabe até demais sobre isso. Minha madrasta está em estado grave junto com o meu irmão. Então não, não diga besteiras. A única coisa que você é para mim é um inço.
Sasuke passou os braços pelos meus ombros, me puxando um pouco para trás. Touya ainda parecia chocado. Como um menino levando puxões de orelha da mãe. Eu não podia acreditar nele. Virei meu rosto, escondendo-o no terno do Uchiha, minhas mãos segurando fortemente o tecido de sua roupa. Eu sabia que essa era a única forma de me manter inteira. Só assim eu evitaria que pedaços de Sakura caíssem no chão.
É que... Você chega a um ponto em que não dá mais. Tentou e tentou, de qualquer forma, quando não é para as coisas acontecerem elas não acontecem. Veja só, eu voltei a ter contato com os meus antigos amigos, por Deus, eu tenho todos os motivos para arrebentar a cara de Sasuke e ele conseguiu se redimir pelo nosso passado. Akane estava tentando ser uma grande mãe para mim. De todas essas pessoas, a única que não deixou que eu me aproximasse foi meu pai. Agora não existe mais nada que eu possa fazer.
- Haruno Sakura.
Levantei a cabeça, encarando uma moça vestida em seu jaleco branco. Ela tinha os cabelos vermelhos presos em um rabo de cavalo e uma prancheta nas mãos. Parecia hesitante com a tensão familiar. Dei um passo para frente dando abertura para que ela falasse.
- Minha mãe está bem?
- Ela quer falar com você.
Alguma má noticia viria. Respirei fundo recebendo um suave beijo do moreno e seguindo a médica até o encontro de Akane.
Eu não sabia o que iria acontecer.
To Be Continue...
Nota: Esse capítulo foi rápido, não? Eu tive uma conversa com a Bella sobre como minha inspiração não andava fluindo, mas agora acabo de me impressionar com a facilidade que tive para escrever esse capítulo. Não tenho muito que falar, vou deixar isso para vocês. No próximo capítulo teremos a carta de Mikoto. O que acham que está escrito lá?
Bgbgs
Sami
N/b:
Hey people! Noooossa, eu preciso confessar que senti muito ódio do Touya nesse capítulo! Ele nunca está com a família quando precisam dele, e teria perdido o aniversário da Sakura só para poder ficar com a víbora da Mai... ah, fala sério, ele e a Mai se merecem... assim como merecem a pobreza! É sou má...rsrsrs... e o que vocês acharam?
Mandem reviews, ajudam muito na criatividade da Sami!
Beijos
Bela
