Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Vinte e Sete
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Home Sweet Home
Parte I
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A melhor forma de conhecer uma pessoa é descobrindo onde ela guarda seus segredos.
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30 de Março de 2009
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Talvez eu não devesse estar tremendo dessa forma. Foram muitas às vezes em que eu estive em hospitais, desde pequena tive muita facilidade de cair e me arrebentar no chão e, quando precisava fazer pontos, Tsunade sempre preferiu me trazer para cá. Nas nossas idas e vindas, sempre parávamos no berçário, e ela me dizia que eu já tinha sido tão pequenina quanto às outras crianças do outro lado do vidro.
O berçário sempre foi à única ala que eu gostava de estar no hospital. Você não consegue ver aqueles bebês gorduchos que sorriam para qualquer um, como o filho de um milionário. Não, você só os vê como crianças fofas, e ponto.
Mas, infelizmente, não era para o berçário que eu estava me dirigindo. Meus pés doíam, por mais acostumada que eu estivesse com saltos, e meu vestido já tinha passado do estágio de amassado, os cabelos desgrenhados e uma maquiagem, provavelmente, borrada. Por esses detalhes, eu podia me ver com catorze anos voltando para casa de madrugada. Algumas vezes eu chego a pensar que aquela foi a melhor fase da minha vida – as mortes não tinham chegado ainda.
A médica abriu a porta, séria. Em todo nosso caminho não vi uma gota de sentimento no seu rosto, ela agiu de uma forma completamente profissional. Soltei um suspiro e, nervosamente, passei as mãos por meus cabelos. Finalmente dei meu primeiro passo para dentro do cômodo.
Não chore. Ordenei-me. Quando você está em estado grave à última coisa que deseja é um turbilhão de lágrimas. Dei meu máximo para parecer calma, porque Akane ficaria bem. Com a maior suavidade, sentei-me ao seu lado, na pontinha da cama, alisei seus cabelos e tirei as poucas madeixas que estavam atrapalhando sua visão.
- Sakura. – Murmurou.
- Estou aqui, Okaa-san.
Sua voz estava quebrada. Eu não conseguia assimilar que essa mesma mulher estava saudável e sorridente um dia atrás.
- Eu vou morrer. – Ela falou com calma, e eu não consegui mentir para ela.
- Vai.
- Ok. – Akane riu. Eu engoli em seco, tentando manter uma tranquilidade que eu não tinha. – Tem um papel?
Franzi o cenho, no entanto procurei o que ela queria. Abri a primeira gaveta do bidê e achei um bloco de notas, com uma caneta com o nome do hospital. Coloquei da melhor forma que pude na sua mão esquerda. As agulhas enfiadas nas suas veias me assustavam. Isso só salientava o fato de eu odiar hospitais.
Minha mãe fez um rápido rabisco, e dobrou o papel quatro vezes. Ela tinha o tipo de olhar que você associaria a um advogado, ou um bom empresário fechando negócio. Foi aí que eu me lembrei, ela é uma Uchiha e, por mais que tenha preferido ser a estrela na capa de uma revista, Akane continuava tendo o gene do empreendimento, o instinto de liderança fluía junto do seu sangue. Talvez fosse verdade afinal, você só conhece uma pessoa quando ela está à beira da morte.
- Como está o seu irmão? - Perguntou de forma pacata. Ela levantou seus braços molengas e colocou o papel dentro do meu decote, escondendo-o com meu sutiã.
- Ele está bem. – Olhei sem entender, sua única resposta foi colocar o dedo indicador nos lábios, e piscar para mim. – Os médicos tiveram que fazer uma cesariana, o cordão umbilical estava ao redor do pescoço dele. Foi por isso que eles demoraram tanto, não sabiam qual dos dois iam salvar.
- Fico grata que o tenham escolhido. – Suspirou. – Tome conta dele.
Akane fez um gesto para que eu me aproximasse. Ela passou os braços pelo meu torço e escondeu o rosto no meu pescoço, o meu cabelo escondia toda a sua face.
- Saia do país Sakura, leve Sasuke e Hiro com você.
Fingi estar engolindo o choro, o que não foi muito difícil levando em conta meu estado emocional. Tudo parecia estar acontecendo de novo. Quase pude ver o fantasma de Mikoto me assombrando.
- Eu também te amo, mãe. – Eu disse.
Akane viu que eu havia entendido e, como se isso fosse à única coisa que a segurava, ela fechou os olhos e o aparelho ao lado da cama começou a apitar. Seu coração havia parado. Meio desnorteada, fiquei de pé. As enfermeiras invadiram o quarto e eu fui atrás da pessoa que faria com que eu me segurasse.
Não demorou muito para que eu chegasse até ele. Escorei minha cabeça no vidro e deixei meus olhos caírem sobre o pequeno bebê de cabelos negros e pele rosada. Ok. Acho que depois de anos eu entendi a quão imatura eu sou. Eu tenho que deixar minha infantilidade de lado e pensar nessa criança. Haruno Sakura, você está tão, mas tão fodida.
Eu sempre pensei que Akane soubesse alguma coisa. Não dá para viver no escuro ininterruptamente. Em algum momento da vida dela, provavelmente em sua juventude, ela se revoltou contra o sistema da nossa família. Assim como eu tinha feito. Minha madrasta descobriu algo pequeno, porém até às miseras coisas eram bombásticas dentro das H&U. Talvez o motivo de sua morte tenha sido o mesmo de Mikoto, e futuramente o meu. Elas sabiam demais.
Eu não acredito que Mai seja a única peça nesse jogo. No fundo ela deve ser só um mero soldado. Eu só preciso descobrir o que desencaminhou as coisas. Certo, o motivo não poderia ser Sasuke e eu, ou sequer Naruto e Hinata. Havia uma pressão na família, todos queriam que fôssemos unidos. Os próximos governadores do império. Itachi nunca se encaixou nesse contexto. Ele é o mais velho e brincar com crianças nunca foi algo que ele gostou. O Uchiha mais velho nunca desrespeitou as regras, então, suponho, que ele não seja um alvo de quem quer que seja.
O que me deixava cada vez mais lunática é o fato de que Akane começou a passar mal do nada. Não a vi fazendo esforço desnecessário ou caindo, para que gerasse em uma situação de morte como aquela. Os médicos não se importaram de me contar as causas do seu falecimento. Todos devem estar sendo chantageados, seja com dinheiro ou medo, mas no fim é óbvio que algo está os controlando. Só não deixam claro quem.
Eu estava tentando fazer uma lista dos fatos que me colocaram em risco. Poderia ser sobre a morte de Mikoto, eles podiam ter me matado lá, mas nada aconteceu. Por esse mesmo motivo, me ameaçaram com aquela carta. O problema dentro disso é Mai. Se ela não tivesse aparecido repentinamente à bomba jamais teria explodido. Eu teria morrido com o segredo, ao invés de espalhá-lo para mais três pessoas.
É possível que eu não seja a única? Que Naruto, Hinata e Sasuke também tenham visto algo que não deveriam. Naruto levou um tiro afinal de contas, e jamais ficou claro para mim como a garota sabia onde ele e Hinata estavam. Não havia sido na casa dela, ou dele, e o quarto onde estavam não me era nada familiar. E Sasuke... Esse é um caso tão perdido quanto eu.
Havia o vídeo do aniversário dele. Onde nós fomos mostrados da pior forma. Madara descobriu que Mai plantou o vídeo, mas não como ela conseguiu as imagens ou quem eram aquelas pessoas mascaradas que o colocaram na festa. E nossos pais. Por favor, eles nos mandando aproveitar o fim de semana ao invés de nos castigar. Foi insano de sua parte.
A cada linha de raciocínio, a situação só piorava. Quem desencadeou tudo isso? E por quê? O que Akane, Mikoto, e todos os herdeiros fizeram para que as coisas chegassem a esse ponto? E por que pessoas da nossa própria família, creio eu, estavam querendo cortar nossas gargantas?
- Sakura.
Eu dei um pulo. Meu coração quase saindo pela boca. Minha respiração acelerou e eu me escorei contra a parede. Sasuke havia me assustado. Estou tão nervosa que sinto meus dedos tremerem e minha cabeça girar. Ele deu um passo para frente, e uma luz surgiu no fundo do túnel. Ele precisava saber de tudo o que eu sabia. E nós tínhamos que sair daqui correndo. Com as pernas bambas, eu o empurrei para dentro do primeiro quarto que vi, trancando a porta logo depois.
O beijei, colocando seu corpo contra a porta. No fundo ele sabia que essa é minha reação natural para desastres – sexo. Ele também podia ter percebido que não era só isso. Eu pulei em seu colo e escondi meu rosto no seu pescoço, usando meu próprio cabelo para esconder meus lábios.
- Temos problemas. – Murmurei arfante. – Precisamos fugir.
Suas mãos deslizaram pelas minhas pernas, e ele assentiu levemente. Acredito que Sasuke tenha a mesma sensação que eu, que estamos sempre sendo observados. Ele mordiscou meu pescoço e abaixou a alça do vestido. Quando me lembrei do bilhete de Akane, eu fiz com que seus dedos roçassem o papel. Em um gesto natural, seu dedo circulou meu mamilo. O negócio era que eu realmente estava pensando em nossos corpos fundidos, e mesmo que um plano mirabolante corresse solto, eu precisava disso.
Bom, eu não podia ficar nua da cintura para cima, mas eu não tinha nada que precisava ser escondido da cintura para baixo. Meus dedos tiraram agilmente seu terno, o blazer caiu no chão e a gravata foi logo depois, o mais difícil foi abrir os botões da camisa, mas eu tive ajuda em um último momento. Minhas pernas estavam descobertas, e seus dedos puxaram a lingerie para baixo. O cinto foi aberto e as calças chutadas. Sua boca tomou a minha quando seu membro me invadiu.
Suspirei. O apertando e trazendo seu torço para mais perto. Oh, isso com toda certeza era a única coisa em que eu me encontro viciada. Ele me espremeu e suas mãos seguraram com força a parte lombar do meu corpo. Com pouco cuidado, caímos na cama de solteiro escutando o metal ranger.
Seus dentes morderam o lóbulo da minha orelha e sua respiração quente tomou meu pescoço. Meus dedos brincavam com seu cabelo enquanto ele entrava e saia de dentro de mim.
- Você está grávida? – Ele sussurrou.
- Se não estava provavelmente devo estar agora. – Sussurrei de volta.
Ele suspirou e caiu ao meu lado. Nossas respirações estavam descompassadas e nossos olhos no teto.
- Como se sente?
- Depende do que você está perguntando. - Virei de lado, deitando a cabeça no seu ombro.
- Rosada.
Ele queria saber sobre Akane, e eu estou sentindo tantas coisas agora, parece complicado demais para colocar em palavras. Há o medo de todos acabarmos mortos e, ao mesmo tempo, um instinto de sobrevivência tão grande borbulhando no meu peito. Meu coração estava partido por Akane ter falecido e eu me sentia fraca por não ter sido capaz de impedir. E... Eu estava me sentindo tão contente por Sasuke não ter me contestado, por ter acreditado em mim.
Foi aí que eu desabei a chorar.
Certo, eu juro para mim mesma que Akane foi à última pessoa. Que ninguém mais que cuidava de mim iria morrer por minha causa. Eu vou começar a fazer aulas de autodefesa e todo tipo de artes marciais, e nunca vou deixar que encostem no meu irmão, ou em Sasuke e... Na criança que eu possivelmente estava esperando.
As pessoas dizem que tudo na vida tem um motivo, e eu espero descobrir a razão da minha antes que mais alguém se machuque. Eu não quero mais ser protegida, eu preciso proteger a partir de hoje.
Sasuke não disse nada enquanto eu chorava. Eu odeio quando as pessoas mentem para mim, e agradeço-o por não ter dito que tudo ficaria bem. Acreditem em mim, as coisas dificilmente ficariam bem. Respirei fundo, secando as lágrimas. Sentei-me na cama e dei um suave e profundo beijo nos seus lábios.
- Eu amo você. – Falei olhando diretamente nos seus olhos.
Eu era infantil, ou melhor, eu sou infantil, mas também sei ser madura quando preciso. Dizer a verdade é realmente importante agora, porque eu não tenho ideia se vamos ser capazes de viver por muito tempo. Pela primeira vez eu sei que isso não é só meu pessimismo, nossas vidas realmente estão em perigo.
- Eu amo você. – Disse, e me beijou de volta.
Fomos rápidos em nos vestir. Eu escondi o bilhete de Akane novamente, e me toquei de que Mikoto também havia me deixado um recado. As duas queriam me dizer algo importante, e eu só gostaria de saber o que.
Sasuke e eu paramos ao lado do berçário e eu vi meu irmão abrir seus olhos. Eles são verdes, como os meus. Hiro pode facilmente ser chamado de meu filho, o que me deu uma grande ideia.
- Precisamos falar com Naruto e Hinata. – Eu o abracei.
- Por quanto tempo ele vai ter que ficar na incubadora? – Sasuke perguntou.
- Apenas alguns dias. Nada de grave aconteceu com ele. – Respondi. – Você sabe onde Touya está?
- Não. – Apertou-me contra ele, sua bochecha encostada no topo da minha cabeça. – Tsunade se demitiu quando soube que Akane morreu e meus avós e meu pai vieram para cá. Touya e Mai tinham sumido um pouco antes disso.
Assenti, eu só queria ir para casa agora. Para o meu quarto no apartamento de Kakashi onde eu sei que meu tio estaria escondido no próprio quarto. Akane muitas vezes cuidou dele quando era criança, ela era muito mais sua irmã do que meu pai jamais seria. O mundo todo pareceu desandar depois de hoje.
Não foi surpresa encontrar uma dezena de repórteres na porta do hospital e mais outra no apartamento. A única coisa que eu disse foi "nada a declarar". Se eu fosse fugir eu tinha que tirar os olhos das pessoas de cima de mim. Eu preciso de uma distração. Algo grande o suficiente para que eles me esquecessem. Eu pediria a ajuda de Madara para isso.
Como previ, Kakashi estava enclausurado em sua própria dor. Então Sasuke e eu fomos para o meu quarto e tomamos banho juntos, nos beijando com pequenos intervalos. Depois que coloquei meu pijama, e ele já estava deitado em minha cama, eu abri as portas do meu roupeiro, tirando o fundo falso de uma das minhas gavetas. Eu conseguia sentir seus olhos nas minhas costas, mas isso não me impediu de tirar os diversos cadernos que estavam cuidadosamente guardados ali.
Os depositei sobre a cama, todos os meus desenhos e diários. Sasuke precisava saber de tudo. Ele tinha que me conhecer de uma forma que eu nunca deixei ninguém o fazer. Era uma necessidade dentro de mim, que ele soubesse como eu sou mesquinha e tenho medo de ser frágil novamente. Com base em tudo que eu escrevi e desenhei, ele deveria estar consciente da decisão que iria tomar. Se ficaria aqui, ou fugiria mundo a fora comigo.
- O que é isso?
- Digamos que nenhum segredo pode ser escondido para sempre. – Enrolei meus cabelos e os joguei para trás. – Por favor, leia.
- Tem certeza disso?
- Absoluta.
Ele pegou o primeiro deles. Todos estavam marcados com dia, ano e mês. Pelo resto da tarde eu dormi, mas eu sabia que ele estava lendo cada um deles com toda a atenção do mundo. Eu sempre escondi coisas das pessoas, e ali ele estava descobrindo tudo sobre todos. Os pensamentos mais felizes e os mais obscuros. Por mais medo que eu tenha, eu realmente queria que ele me conhecesse de verdade e que, acima de tudo, continuasse me amando depois disso.
Os meus sonhos não puderam ser chamados de pacíficos. Foram todos aterrorizantes. Em um deles, eu me vi novamente no enterro de Mikoto, olhando todas as pessoas vestidas de preto, enquanto eu fiquei distante, com o vestido mais branco que eu tinha. Só que neste foi diferente, em um momento eu cheguei perto do túmulo, e era meu nome que estava escrito lá. Foi então que eu comecei a ver os fantasmas de Akane e Mikoto, ambas estendendo as mãos para mim. O mais assustador foi atrás delas. Tinha uma criança. O bebê que eu tinha abortado. Não fiquei surpresa quando Sasuke me acordou assustado com meus gritos.
Foram poucas horas de sono, todas elas com pesadelos intercalados. Eu finalmente desisti de dormir, vendo o pôr-do-sol banhar meu quarto. Sasuke estava sentado na poltrona perto da janela, com duas pilhas de diários ao seu lado. Ele já tinha lido ao menos dois deles. Quando ele me viu levantando, colocou sua leitura de lado e me puxou para os seus braços. Talvez ele não estivesse demostrando, mas estava tão destruído quanto eu.
- Você leu o bilhete de Akane? – Ele perguntou.
- Ainda não.
Sasuke me entregou, junto com a carta de Mikoto. Respirando profundamente, eu me pus a ler.
A caligrafia de Akane era bagunçada, e só havia três números e três letras escritos no papel branco.
18a 14b 46c
- Isso significa algo para você?
- Nada. – Falei.
Minhas mãos tremeram quando eu comecei a abrir o envelope da carta de Mikoto. Eu estava realmente temerosa, sempre há esse medo quando algo pode me surpreender. Surpresas são desagradáveis para pessoas como eu, que gostam de ter seu futuro planejado.
...
5 de Janeiro de 2005
Faz um tempo, não é criança? Imagino como você deve estar se sentindo agora. Provavelmente meio melancólica, porque as coisas são sempre assim, não é? Isso nem sequer é uma carta de despedida por que eu já estou morta, a não ser que você roubou isso do meu cofre, então Sakura, se eu descobrir você está ferrada!
Enfim... Eu nunca gostei de ter um pedaço de papel marcando o que uma pessoa significou para outra durante toda a sua vida. Não preciso escrever aqui que amo você, porque eu espero que você saiba disso.
Seus dias na Europa foram fodidos, e é bem feio uma senhora como eu usar um palavreado desses, mas é a pura verdade. Sei que Sasuke foi um desgraçado com você, ele é muito novo e não compreende os próprios sentimentos. Você também é nova demais para conhecer sua alma gêmea e ir para o plano cósmico do amor com ela. Mas ele se importa com você, e a ama.
Garota, esses dias sem você foram torturantes para o meu menino. Os dois sempre andavam juntos e você encobria as coisas que ele fazia, assim como ele sempre encobriu as suas. Ele não a vê desde junho, e já estamos em janeiro.
Não vou fingir que não sei sobre o que vocês aprontam, que Sasuke também usava as porcarias que eu sempre os avisei para não usarem. Mas ele parou... Porque nós tivemos uma profunda conversa sobre você sumir, ele ficou magoado por eu não poder lhe contar onde você estava. No entanto, acredito que ele compreendeu que você precisava ficar sozinha por um tempo.
Você deve se sentir muito mal sobre Mai. Por ela ter sido um monstro e nunca ter lhe tratado como deveria. Sua mãe tem síndrome de bipolaridade Sakura. Depois que o pai dela morreu ela adquiriu uma nova personalidade. E não culpe Touya por amar essa horrenda mulher. Existem coisas que nós simplesmente não podemos controlar.
A meu ver todos nós fizemos coisas erradas, pensando que não importasse o quão ruim fossem os métodos, desde que isso nos trouxesse resultados positivos. Eu amei toda a minha família, e eu sei como você acredita ter sido posta no inferno. Mas jamais se esqueça de que toda família tem problemas, e quando você se casar e tiver filhos vai perceber isso.
Fugaku, meu sogro, seu pai, Akane, Mai... Nós nascemos em uma época de ditadura criança, e poucos de nós saímos desses conceitos. Eu quero que tanto Sasuke, Itachi e você tenham uma vida cheia de felicidades e sonhos realizados, porém para que você alcance isso tem que continuar com o seu controle. Fique longe de todas as coisas que lhe fazem mal. Você não precisa de vícios para ter momentos felizes.
Jamais se esqueça dos dias em que passamos juntos na casa de campo. E lembre-se que não é possível voltar atrás. Construa novos momentos hoje, assim amanhã você vai sorrir com isso.
Eu te amo, e amo Sasuke e Itachi e diga para o seu pai que um dia eu irei puxar os pés dele!
E por último minha criança, eu tenho uma fórmula de bhaskara para você resolver.
18a 14b 46c
Amo você.
Uchiha Mikoto.
...
Fechei meus olhos e abracei o pescoço de Sasuke. Acho que isso foi tão importante para mim quanto para ele. A carta era inteiramente Mikoto, desde o vocabulário e a caligrafia bagunçada até a decoração da folha.
O que realmente me assustou foi à dita formula de bhaskara. Eu sou boa em matemática, mas isso não quer dizer que eu goste da disciplina, e Mikoto sabia muito bem disso. O mais aterrorizante era que essa fórmula é a mesma que Akane anotou para mim. Eu estou tão, mas tão perdida com isso tudo que só queria alguém para me guiar.
Sasuke estava sem reação, da mesma forma que eu. Sua mãe falou mais de nós dois do que de qualquer coisa, e eu sei que ela sempre nos viu com bons olhos. Ela estava certa sobre sentirmos a falta um do outro, eu vi isso na primeira vez que nos beijamos novamente. Claro, sem dúvida alguma, existia uma boa dose de rancor, mas eu o perdoei, assim como acredito que ele tenha feito comigo. As pessoas mudam dia após dia, e para mim estamos melhores agora do que já fomos em algum momento.
- O que nós vamos fazer? – Perguntei.
- Ainda está pensando em fugir?
- Sim. – Beijei suas pálpebras úmidas. – Temos que fazer algo sobre as nossas ações na empresa, e dar um jeito de sair do país com o meu irmão. Eu não quero que ele viva ao redor disso, Sasuke-kun.
- Case-se comigo.
- O quê?
As emoções desse dia não acabariam tão cedo.
- Nós vamos sair do país rosada. – Minhas pernas estavam de cada lado do seu corpo, e suas mãos seguravam firmemente a minha cintura. – Vamos acabar criando o seu irmão e você está gravida.
- Você não sabe disso.
- Eu sei. – Disse com convicção, sua mão se esticou e ele me entregou um envelope. Era um teste de laboratório.
- Você tirou meu sangue enquanto eu dormia? – Perguntei surpresa.
Ele meramente assentiu. Comecei a ficar sem ar. Eu estou grávida. Eu estou grávida! Eu estou grávida! Certo, agora eu senti uma vontade bem maior de chorar. Não podia ser. Minha mãe está morta, eu tenho uma bhaskara misteriosa para resolver, há pessoas querendo me matar, eu tenho que cuidar do meu irmão e... Eu estou grávida.
- Eu... eu... – Engoli em seco. – Eu estou com medo.
- Eu sei.
- Tsunade vai me matar!
- Ela não vai. – Sua cabeça se escorou na poltrona e ele olhou diretamente para mim. – Nós temos que ter cuidado agora, a coisa é bem maior do que pensamos.
Foi aí que uma série de coisas surgiu na minha cabeça. Dizem que você conhece alguém até essa pessoa fazer algo abrupto e mudar completamente o que você acredita saber sobre ela. São essas exatas palavras que dão sentido a toda a minha vida agora.
As palavras, ou coordenadas, como preferir, que Akane me disse em seu último suspiro de vida, se mostraram as peças finais sobre tudo o que eu conheci em vida.
18a 14b 46c.
- Eu sei o que significa!
Ele me olhou desnorteado.
- Os números! Que Akane e Mikoto deixaram para mim! – Falei nervosa. - Eu sei o que é!
Para alguém que não fosse eu, estes são apenas números, ou até mesmo uma forma matemática, mas depois do que eu vivi, esses seis números e essas três letras só dizem uma coisa, uma determinada localização: A mansão Uchiha.
To Be Continued...
N/b:
Hey people! Capítulo bombástico, hein? Agora a Sakura tem que cuidar do irmão, do filho que está esperando e ser muito cautelosa até descobrir quem é o grande mandante de tudo. Alguém tem algum palpite? Façam suas apostas!
Comentem, pleaseeee!
Beijos
Bella
