Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Trinta
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Desafortunados
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Por toda sua vida você vai ouvir que no fim, tudo fica bem. Não importa quantas vezes você se machuque, quantas vezes você erre, tudo se encaixa perfeitamente e as coisas se tornam claras em algum momento. Quando você cresce, você começa a rezar para que isso tudo seja verdade.
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20 de Janeiro de 2006
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- Sua mãe me disse que você não está comendo direito. – Disse cauteloso.
- Comecei uma dieta vegetariana, e lá em casa todo mundo come muita carne. – falei. – Mesmo que seja peixe, peixe ainda é um ser vivo, e eu estou me negando a comer cadáveres.
Ele levantou a sobrancelha para mim como se não acreditasse na tolice que eu dizia. Na verdade, nem eu acreditava. Eu só estava divagando na inútil esperança de que aquela hora passasse rápido.
- Vegetariana, hum? – Rabiscou rapidamente na sua caderneta de anotações. – E por que resolveu parar de comer carne?
Eu estava mesmo embromando, mas eu tinha dito a verdade. Não havia nada como um bom pedaço de bife, ou um peixe grelhado para mim. No entanto, toda vez que eu via uma gota de sangue, sequer, no meu prato, eu começava a relembrar e ficava enojada. Todos estavam especulando sobre uma possível anorexia. Porque o mundo é tão simples. Se sua filha está estranha, mande-a para um psicólogo, afinal, por que perguntar para ela se algo está errado?
- Eu vi uma reportagem sobre os matadouros. Você sabia que eles ajudam a piorar o aquecimento global?
Sínica. Xinguei-me. Esse cara ganha por hora, não por resolver problemas. Diferente dos outros três psicólogos e um psiquiatra que eu consultei, ele não estava fazendo a mínima tentativa para me deixar irritada, para me fazer falar. Suponho que seu objetivo é deixar os pacientes assustados, com todos esses "aquários" com cobras dentro.
- Soube que sua tia faleceu. – Comentou. – Vocês eram muito próximas. Questiono-me se essa não é a causa da sua mudança de comportamento.
Continuei olhando para um ponto acima de seu ombro. Não mostre que você se importa Sakura! Você não pode. Você tem que guardar o segredo! Ninguém pode saber.
- Você está se vestindo diferente. – Puxei a saia mais para baixo. Seu olhar queimava minha pele, e não era de um jeito bom. – É normal para meninas do seu status renovarem o guarda-roupa, mas não de forma tão radical. Não falou com seus amigos desde que viajou para Europa. O que será que aconteceu, Haruno-san? Ninguém sabe, e você não abriu a boca em momento algum.
- Não quero ceder à tentação.
- Então isso tudo... – apontou o lápis e o girou no ar. – é para que você continue sóbria.
- Estou fazendo o melhor que posso Orochimaru-san, e se ficar longe dos meus amigos e da minha família se incluí nisso, então é exatamente o que farei.
Fechou o caderno de anotações e me olhou por baixo dos óculos. Psicólogos sabem quando você mente, eles fazem de tudo para descobrir o que você esconde, descobrir seus desejos e arrependimentos mais profundos. Porém, por alguma razão específica, este homem parecia saber de tudo, e não se importava. Ele não queria me ajudar. Ele só queria descobrir o que eu sabia.
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02 de Abril de 2009
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Acho que sempre fui muito ruim em processar informações. Lembro-me que quando eu tinha seis anos e meu gato morreu demorou duas semanas para que eu começasse a chorar e entendesse o que tinha acontecido. Foi a mesma coisa quando eu dormi com Sasuke pela primeira vez. Eu fugi, porque eu não tinha ideia do que deveria fazer.
Sasuke me disse um tempo atrás que nessas situações eu agia no automático. Que eu era boa nisso. Por exemplo, quando eu estava de muito mau humor e queria ignorar isso, ou esquecer que eu estava magoada com alguma coisa, eu simplesmente começava a estudar para uma prova, fazer dever de casa ou meramente caminhava sem rumo. Eu nunca fui boa em encarar os problemas de frente.
Vendo Uchiha Mikoto ali parada, com Hirome, o pai de Akane e Fugaku, do seu lado com uma mão segurando firmemente o pulso dela, o único movimento que eu fiz foi franzir o cenho e ajeitar Hiro no meu colo. Lá no fundo eu sabia que algo não estava se encaixando nesse cenário. Talvez isto se devesse ao fato de Sasuke ficar rígido e suas mãos se fecharem com força, ou o pequeno passo que ele deu, se colocando em minha frente.
Lembrei-me do meu pai ter me dito, minutos atrás, que Hirome tinha matado sua primeira esposa e que Mikoto sabia disso. A declaração fez com que eu desconfiasse ainda mais, fazendo-me pensar cada vez mais que ele era o assassino. Mas, novamente, o cenário não se encaixava. Se Mikoto estava ali, viva e com uma expressão sofrida, como inferno ele poderia ser o assassino dela?
- O que está acontecendo aqui? – Perguntei estupefata.
- O que acontece aqui é que esta mulher fingiu estar morta e tentou me matar essa noite. – Hirome gritou.
- Eu sinto muito. – Mikoto murmurou, mas eu não pude ver nenhuma dose de arrependimento no seu rosto.
Flashes surgiram em minha mente. Tiros, sangue, seu corpo caindo no chão e eu tentando estacar o sangue. Tinha muito choro e berros de agonia, terminando comigo correndo para fora da casa. Ela não podia estar viva, não depois de perder tanto sangue, não depois de Sasuke admitir para mim que achou o corpo dela, minutos depois. Os paramédicos saberiam se ela estivesse viva, o cara do necrotério saberia se ela estivesse morta.Não pode ser Uchiha Mikoto a mulher que eu estou fitando agora.
- Você esteve viva por todos esses anos! – Sasuke gritou. – Como isso é possível?!
Eu vi seu rosto ficar vermelho e seu corpo tremer. Jamais tinha sequer imaginado tanto furor vindo de uma pessoa só. Isso não poderia estar acontecendo, surreal demais para ser verdade.
- Eu a ajudei.
Olhei para a porta do banheiro, onde uma mulher loira estava escorada. Eu pisquei, minha visão de repente tinha se tornado embaçada. Meu coração palpitou mais forte e tudo fez sentido.
Foi Mai, naquele dia, quando Mikoto supostamente tinha morrido. Foi ela que sorriu e disse que se eu contasse qualquer coisa para qualquer um, Sasuke daria seu último suspiro de vida. Meu pai a amava tanto, mais tanto, que deveria ter feito parte disso. Era ele, o homem que tinha ficado em choque quando me viu naquela sala escura. Porque eu não podia estar naquele cômodo. Ele tinha achado que eu estaria com minha avó, ou Tsunade.
Sempre achei que eles tinham sido espertos, porque, além daquele enorme apagão, nem o gerador reserva ou as câmeras de segurança funcionaram. Nada. Talvez eu tenha sido aquela que comprometeu o plano deles. Se eu não estivesse lá às câmeras poderiam ter sido usadas como prova de assassinato, eles poderiam ter arrastado o corpo de Mikoto para fora ao invés de esperar os paramédicos chegarem. Mai, ela deve ter subornado todo mundo.
- Meu pai está, de alguma forma, envolvido nisso?
Eu não pude deixar de perguntar. Touya tinha feito muitas coisas estúpidas até onde eu posso constatar, mas, do fundo do meu coração, eu não queria que ele fizesse parte disso. Eu gostaria que, ao menos mais uma vez, ele tivesse sido o mesmo homem que me buscou naquele hotel e me disse que eu não precisava chorar por algo que não valesse a pena.
- Você nunca perde as esperanças. – Mai disse. Ela expressava desapontamento, como se não quisesse que eu continuasse a me iludir. – Nós dois que atiramos nela, mas seu pai desistiu de tudo quando viu você. Uma pena que era tarde demais.
- Foi por isso que você veio para Tóquio?
- Pense o que quiser. – Ela olhou para Hirome irritada. – Vamos logo, eu quero levar meu bebê para casa.
Sasuke e eu nos entreolhamos. Hiro. Mai queria Hiro. Lembrei-me do que Mikoto tinha me dito, Mai tinha bipolaridade. Ela poderia fazer coisas por impulso, e se tornar alguém totalmente diferente em questão de segundos. Eu não poderia deixá-la pegar meu irmão. Não, de jeito nenhum. Não me interessa meu rancor com os meus pais, que se dane tudo isso. O que conta é que eu prometi para Akane, minha mãe, que eu cuidaria de Hiro. E isso inclui não deixar a maldita Mai encostar nele.
- Mãe, o que vocês fizeram? – Sasuke perguntou em um tom frio, dando mais um passo para perto de mim. – Me dê uma explicação para tudo que está acontecendo agora.
Mikoto não tinha dito muita coisa até agora. Eu conseguia ver mudanças extremas no seu físico e provavelmente em sua personalidade também. Seu cabelo longo tinha sido cortado em um channel, mal tocando os ombros. Havia olheiras fundas nos seus olhos e um pálido nada saudável no seu rosto. E... Ela estava quieta. Nada de palavras absurdas sobre como seu humor mudava quando ficava nublado ou pedidos aos gnomos para achar suas chaves desaparecidas. Essa mulher era uma total desconhecida para mim.
O mais estranho de tudo foi o que Hirome tinha dito. Sobre ela ter tentado matá-lo. Ou então a parceria que ele e Mai tinham formado. Isso me assustava pra caramba. Esse homem tinha matado alguém, Mai é louca, sem dúvida seria capaz de tirar a vida de alguém sem pensar duas vezes. Porém, o que mais me deixava horrorizada, é que eles poderiam ter feito qualquer coisa com Mikoto, o que quisessem, em qualquer lugar, mas eles decidiram vir aqui. Em um hotel, no meio da cidade, onde os filhos das duas estariam. Talvez eu estivesse me deparando com um horrível plano de vingança.
- Ela não pode falar. – Mai constatou, olhando para Sasuke. – Eu vi que matá-la seria um desperdício, já que Mikoto-chan poderia me ensinar a cuidar de você, Sakura. Infelizmente ela não disse uma palavra sequer, por todos esses anos. Mesmo quando eu cuidei de todos os ferimentos dela, e lhe contava histórias todas as noites. Ela nunca me disse nada, Sakura-chan. Isso partiu meu coração, por isso eu a trouxe aqui. Ela só gosta de conversar com você. Quem sabe ela diga alguma coisa, finalmente.
Franzi meu cenho, e segurei o braço de Sasuke. Mikoto tinha dito "sinto muito" minutos atrás. Eu não tenho ideia de que forma os pensamentos de Mai funcionavam, mas suas sentenças não eram coerentes para mim. Ela queria o "seu bebê", pelo que entendi Mai tratou de Mikoto como se trataria uma criança pequena, e ela queria que "tudo acabasse logo". Se Mai esteve com Mikoto por todos esses anos, porque Hirome estava do lado de Mai, sendo que Mikoto tinha tentado matá-lo?
Minha cabeça começava a dar nós e eu ainda não tinha chegado a nenhuma conclusão palpável.
Hirome deu um passo para frente e empurrou Mikoto, para que ela ficasse de joelhos na frente dele. Eu não poderia dizer por quais traumas ela havia passado para se tornar alguém tão sem reação. Ela nunca tinha agido assim antes, sem brilho e alegria, nenhuma besteira sobre a lua, absolutamente nada. Estava mais para um robô, ou talvez um estado vegetativo. A única coisa que eu tenho certeza é que essa não é a mulher que me criou.
Sasuke deu um passo para trás, automaticamente me fazendo retroceder também. Mai e Hirome pareciam felizes, por uma razão inexplicável. Meu cérebro finalmente estava maquinando e eu só conseguia pensar em Mikoto levando uma série de tiros, mais uma vez. Eu já tinha entrado em becos sem saída, mas isso? Isso não parecia ter uma boa solução para ninguém.
- Abaixe a arma Sasuke. – Hirome o ameaçou. - Eu tenho mais de uma opção de alvo por aqui.
Tremi quando seus olhos estacaram em mim e logo depois em Hiro. Nada, nada bom. Eu devo ter uma quantidade enorme de carma acumulado, não entendo porque razão sempre me deparo com situações desse tipo. O que fazer agora Sakura? Você não é mais uma lutadora, não pularia nele sem pensar nas consequências. Ao menos não estando grávida ou sendo tão medrosa. Eu não queria que ninguém se ferisse, ninguém mesmo, e isso incluía Mai.
Com um estralo, eu entendi finalmente. Mai é minha chave de escapatória. Ela é bipolar, quem sabe ela recupere o bom senso e me ajude, lembre que somos unidas pelo mesmo DNA e RNA. Quem sabe, por amor ao meu pai, ela sinta pena e nos ajude. Essa era minha única esperança, porque eu não quero morrer agora, não quando arranjei algum sentido nas coisas.
- Mai, eu sou seu bebê, certo? – Eu esperava que minha voz não estivesse tremendo como eu imaginava. – Sou eu, não é, mãe?
Sasuke virou sua cabeça rapidamente para mim, eu não pude encará-lo, não agora. Mai deixou sua cabeça cair para o lado e os cachos bem delineados seguiam o movimento. Ela franziu o cenho e sorriu para mim. Colocou nervosamente o cabelo atrás da orelha e se sentou no braço do sofá. Pergunto-me, quantas são as personalidades que ela possui?
- Eu também quero você Sakura, quero vocês dois. – Ficou séria de repente. – Sasuke e você serão meus filhos, assim como foram os de Mikoto.
Eu assenti, sorrindo. Isso era mais absurdo do que eu tinha imaginado. Eu já não precisava de mais nenhum tipo de confirmação – Mai é absolutamente louca. O que meu pai viu nela, afinal?
- Mãe, - Eu ainda não tinha me acostumado a chamar Mai assim, mas parecia o mais plausível diante desta situação. – por que Mikoto tentou matar Hirome?
Hirome olhava para mim. Eu sabia que ele não iria cair no meu teatro barato, ele deveria ter disparado quando eu comecei meu blefe. Suponho que ele esteja se divertindo com isso tudo. Ele sabia que Sasuke e eu éramos os curiosos da família, os persistentes. Mikoto sabia o passado sujo dele e nós dois sabíamos o passado sujo de Mikoto. Com o meu enorme pessimismo, não duvido que ele tente matar todos nós, acabar com a insegurança de que alguém aqui abra a boca e acabe com todos os seus planos.
- Você é uma menina esperta, com toda certeza sabe o motivo. – Colocou a mão na frente do rosto e segurou um riso. – Hirome sempre quis Mikoto como amante, e ela estava cansada de fugir dele.
Eu não entendia como Sasuke conseguia ficar parado assistindo tudo isso. Ouvir que seu avô tentava passar a mão na mãe dele... Isso é nojento e totalmente antiético. Eu sei que Fugaku e Touya nunca deixaram de pular a cerca, mas até onde eu sabia nenhum deles tentava dormir com namoradas ou amigas dos seus filhos.
Como Hirome e Mikoto conseguiam ficar calados? Eles estavam pouco preocupados com o que ouvíamos, ou que Sasuke ainda não tenha abaixado o revolver. Eu estou desesperada aqui, e até onde vejo sou a única que está em pânico. Por que eu tinha que ficar grávida em uma hora dessas? Se Akane estivesse viva, eu estaria em um hospital cuidando dela neste momento, nada de loucos apontando armas uns para os outros.
- Hirome. – Sasuke começou. – Por que vieram atrás de nós? Estávamos indo embora do país, nunca mais ouviriam nossos nomes.
- A resposta é simples. Os mortos não falam. Sinto muito por isso Sasuke, não tenho nenhuma garantia de que ficariam quietos.
- O que estão esperando para atirar?
- A confirmação de que vocês dois foram vistos entrando em um carro e sofrendo um acidente de trânsito.
Eu começava a ficar sem ar. Era isso? Assim que eu morreria? Nada de uma carreira de sucesso, nada de mãe bem sucedida? Hiro não podia morrer, Sasuke não podia morrer, eu não queria morrer! E Naruto e Hinata, será que eles iam atrás deles depois de se livrarem dos nossos corpos? Como inferno Mai ainda estava caindo nessa brincadeira depois de Hirome dizer com todas as palavras que nos mataria? Por que Mikoto não fazia nada?!
- Faça alguma coisa! – Eu gritei, olhando diretamente para mulher ajoelhada no chão que só ficava ali parada encarando as próprias mãos. – Você pediu para que eu cuidasse dos dois! Eu fiz isso! Você me deve! Levante daí e aja como uma mãe! Tudo que está acontecendo aqui é sua culpa! Se você não tivesse fingido a sua morte...!
- Eu não fingi! – Ela gritou.
Calei-me. Seu cenho estava franzido e as mãos em punhos. Depois de anos eu a via com raiva. Não podia ser mais parecida com Sasuke.
- Seu pai disse que ia me ajudar a me livrar de Hirome! Eu não sabia que o plano dele era fingir minha morte! E para que? Eu passei três anos morando com uma louca! Nunca mais vi meus filhos e tudo que eu podia imaginar é que vocês três tinham se perdido novamente! Então não venha com discursos para cima de mim Haruno Sakura!
Fiquei sem ar e olhei para Sasuke. Hirome estava olhando para Mikoto, assim como Mai. O Uchiha me olhou por um mísero segundo, suficiente para ver meus lábios se mexendo. Ele puxou o gatilho e eu me abaixei com o som. Hiro começou a chorar e eu senti sua mão apertando o tecido da minha camiseta.
- O que você pensa que está fazendo?! – Hirome gritou.
O disparo errou a cabeça dele por poucos centímetros. Acho que eu ficaria feliz se essa fosse uma típica reação de um pai protegendo sua família. Mas não era. O que agia ali era a raiva de um homem. A fúria enjaulada por tanto tempo estava tentando fugir, se libertar. E se seu avô é o ponto de impacto dessa ira toda, nada o impediria de acertá-lo.
Escutei mais um disparo. Minhas pálpebras se fecharam e mordi meu lábio para não gritar. Espero que alguém escute todo esse barulho, mas não tenho muita esperança. Não consigo me lembrar de nenhum hóspede nesse andar, além de nós. É tão engraçado como as coincidências gostam de me atrapalhar.
Recebi um último olhar de Sasuke e acho que entendi o que ele quis dizer. Talvez não fossem realmente essas palavras, as emoções conflitando dentro de mim, provavelmente, são a causa disto, mas... Eu não me importava. Porque estávamos todos desesperados e eu não posso garantir que ficaria lúcida se visse mais alguém morrer. Não sou forte, jamais fui. Eu ainda me sinto uma criança, mesmo que o instinto de uma mãe borbulhe dentro de mim.
- Cuidado. – Eu murmurei.
Então, a única coisa que me restou para fazer foi... Correr.
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15 de Julho de 2008
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- Você tinha que ter visto, Sai! – Falei. – Agora ele resolveu me provocar, não trocamos sequer uma palavra desde, bem, desde o dia que eu voltei, e agora... E agora é como se ele estivesse me provocando, exatamente do mesmo jeito que fazia quando éramos crianças! Argh! Eu não aguento mais esse maldito Uchiha!
Eu estava deitada na cama de Sai. Minha cabeça para fora do colchão e meus cabelos encostando-se ao carpete. Eu tinha tirado os sapatos de qualquer jeito e me atirado sobre os lençóis, mas este é só outro hábito meu com o qual Sai já está acostumado.
- Quem sabe, depois de dois anos de rejeição ele finalmente tenha se tocado de que você não vai correr para os braços dele, gata. – Ele sorriu. Sai passeava de um lado para o outro de seu quarto, tentando arrumar toda a bagunça que eu fiz. - Hum... Uchiha Sasuke correndo atrás de Haruno Sakura, essa daria uma fofoca interessante.
Eu rolei os olhos e mostrei o dedo médio para ele. Sim, essa daria uma boa fofoca, interessante para pessoas que estudam a mais de cinco anos no Konoha High. Sempre achei engraçadas as mentiras e polêmicas absurdas que circundavam no colégio, mas, nunca gostei das que envolviam Uchiha Sasuke e eu. Essa é uma parte do meu passado que preciso manter enterrada.
- Por que ele sempre arranja um jeito de atrapalhar as coisas?
- Sakura. – Ergui os olhos, um pouco surpresa pelo seu tom de represália. - Você não beijou, namorou ou dormiu com alguém que gostasse desde Uchiha Sasuke. Não se apaixonou por ninguém. Então admita gata, não importa o que aconteça você sempre vai ser apaixonada por ele.
- Você não presta Sai.
- Só estou dizendo a dura verdade.
Eu olhei para ele e mordi meu lábio. Sai suspirou e passou a mão por seus cabelos, depois se jogou na cama, bem ao meu lado. Seus braços me circularam e recebi um forte abraço.
- Não se preocupe. – Ele disse. – Se ele partir seu coração novamente, desta vez eu estarei aqui para te ajudar a juntar os cacos.
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02 de Abril de 2009
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Foi uma pena que eu mal consegui chegar à porta. Hirome tinha mirado em mim, e uma bala raspou meu braço. Chorei de dor. Segurei Hiro com um só braço, usando o mesmo para estacar o sangue que vertia. Eu gostaria de entender qual a conspiração do universo para sempre me colocar em situações desastrosas como essa.
- Sakura, se abaixe! – Sasuke gritou.
Da melhor forma que pude, comecei a me arrastar até o banheiro de uma forma desajeitada sendo que eu fazia o meu melhor para não machucar Hiro ou gritar de dor. Isso tudo desconcentraria Sasuke e ele é o único que pode nos tirar vivos disso.
Respirei fundo, e encostei-me à porta, fechando-a com o pouco de força que me restava. Eu tinha que tomar uma atitude sobre isso, a pergunta era como. Coloquei Hiro na banheira, onde não haveria risco dele cair. Eu precisava do meu braço livre para dar um jeito na ferida. Não me lembro de ter que cuidar de mim mesma depois das coisas idiotas que eu fiz, essa provavelmente seria a primeira vez. Em todas as outras havia alguém para me acudir, engraçado que eu só tenha percebido isso agora.
Escutei mais uma série de tiros. Tremi. Certo, Haruno Sakura esta é a hora, você tem que ser rápida para poder ajudar Sasuke. Passei os olhos por todo o banheiro. Eu sabia que o kit de primeiros socorros não estava aqui. Eu tinha levado-o para o quarto, quando procurava pomadas para assadura para o Hiro. Encarei os roupões presos ao lado do chuveiro. Não havia outra opção.
Tirei um dos cordões da roupa de banho e passei duas vezes ao redor do meu braço. Mordi o lábio e dei um nó apertado, da melhor forma que eu pude. Ao menos eu não iria sangrar até a morte.
Os gritos só aumentavam no quarto. Algo me dizia, talvez uma esperança cruel, que Sasuke estava se saindo bem, levando em conta a situação em que estamos. Hirome já é decrépito, e ao que parecia Mikoto estava do lado do seu filho, ela podia muito bem abater o velho pelas costas. E Mai... Nunca se sabe de que lado ela está.
Gritos, seguidos de gritos e eu não sabia mais de quem poderiam ser. Em algum ponto, eu me encolhi atrás da porta e fiquei escutando meu próprio sangue gotejar. Tudo estava acontecendo de novo. Fechei meus olhos e comecei a murmurar palavras desconexas. Um novo cenário se abriu e eu não pude deixar de imaginar Mai entrando e levando Hiro com ela. Não deixo de acreditar que em sua cabeça Akane teve tudo que pertencia a ela, e agora, minha dita mãe biológica estava tentando nos capturar em seus jogos mentais.
Não haveria salvação, todos acabaríamos mortos.
Senti meu corpo sendo empurrado pra frente e fiz o melhor que pude para empurrar quem quer que fosse. Quando a porta se escancarou eu tremi de medo, até perceber que era somente Sasuke.
- Vamos. – Disse.
Passou os olhos por todos os lados e os fixou na banheira, onde eu havia deixado Hiro. Crispou os lábios e pegou o menino no colo, depois se agachou e passou o braço livre pela minha cintura. Antes de sair, ele murmurou:
- Feche os olhos.
E eu o fiz, porque eu sabia o número exato de corpos que iria encontrar se os abrisse.
Os minutos se passaram e eu só pude perceber que ele estava me colocando dentro do carro. Eu nem tinha notado o percurso até ali. Quando olhei pelo retrovisor, Hiro estava confortável na sua cadeira de bebê. Sasuke entrou no carro com um arrombo, e me olhou. Ao longo da viajem eu só consegui ouvir sussurros, eu não tinha ideia de com quem Sasuke estava falando.
Apenas uma pequena parte do meu cérebro registrava tudo que acontecia. O tempo era desconexo. Em um primeiro instante minutos pareceram horas, e depois, horas pareceram minutos. Era como se eu estivesse bêbada, nauseada. Meu rosto estava molhado e eu nem precisava refletir o porquê. Vi os prédios passando e depois nada mais que árvores, e por último o mar.
Antes de desmaiar por completo, eu finalmente entendi o que estava acontecendo.
Nós estamos fugindo. Indo para um lugar bem longe do Japão, e parece que jamais voltaríamos.
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12 de Fevereiro de 2005
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- Sabe, Sakura, uma semana atrás eu diria que você é uma pessoa extremamente correta. Ética. – Ele virou a cabeça e mostrou seu sorriso malandro para mim. – Acho que você está acostumada com essas reações, às pessoas devem ficar surpresas quando te conhecem de verdade.
Eu juro que mataria Ino. Faria picadinho de Ino e a daria de comida para os tubarões. Da próxima vez que combinássemos de sair juntas, ela passaria na minha casa, não o contrário. Porque, cara, o irmão mais velho dela é um tremendo tarado.
- O que você quer Deidara? – Perguntei revirando os olhos.
- Só estou refletindo. – Disse. – Eu levei minha irmã para o mau caminho, ela levou você. Só fico imaginando aonde essa corrente vai parar. Provavelmente com alguma explosão da mídia, quando uma série de fotos e vídeos de vocês nuas começarem a circular por ai.
- Como algum ser humano consegue passar um minuto perto de você?
- É o meu charme irresistível.
Eu revirei os olhos pela milésima vez naquele dia e peguei meu celular. Ino não estava atendendo. Eu não entendia como ela podia ter um irmão tão idiota. Itachi é amigo de Deidara, então, suponho que, lá no fundo, esse loiro estúpido deve ter algo que preste nos seus comentários.
A porta da casa se abriu e um cara mais velho entrou. Os seus cabelos eram bem penteados para trás e ele usava roupas comuns, mas algo me dizia que ele não era bom. Deidara fez sinal para que o rapaz viesse até nós. Não pude deixar de sentir nojo quando me encarou por um minuto inteiro.
- Achei que não vinha. – O loiro disse.
- Estava resolvendo umas coisas. Levante-se, precisamos ir.
- Kakuzu já está vindo?
- Sim, ele e Itachi vão nos encontrar no Masmorra. – Inclinou a cabeça e apontou para mim. – Quem é a garotinha?
- Haruno Sakura.
O rosto pálido pareceu ficar enrugado, quando ele sorriu e mostrou uma carreira de dentes perfeitos. Meu pai não me deixava aparecer muito nos eventos da empresa, ou lugares que gerariam fotos em revistas, então não tinha como ele saber quem eu sou por causa disso. No entanto, de alguma forma ele sabia, e isso era o que mais me assustava. Porque não havia mais ninguém na casa.
- Vamos Hidan. – Deidara disse.
- Foi um prazer conhecê-la, Haruno-san. – Deu um passo para perto de mim. – Você é a cara da sua mãe.
Franzi o cenho e ele se foi, deixando-me sem entender nada.
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03 de Abril de 2009
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Eu me sentia enjoada, como se tivesse comido algo estragado. Fazia me lembrar de pessoas relatando experiências fora do corpo. Como se você estivesse ali, mas não exatamente onde deveria estar. Vendo seu corpo se movendo sem sentir isso. Tão monótono que chegava a ser assustador.
Em algum ponto, eu fui deitada em uma cama e eu soube que algumas pessoas iam e vinham para perto de mim, mas tudo que eu podia fazer era piscar e continuar olhando para frente.
Eu estava perdida na minha própria mente.
Pisquei e o cenário mudou mais uma vez. Já era noite e eu vi alguém parado perto da janela. Talvez eu estivesse drogada, delirando como antigamente, e somente eu sei como sinto falta disso. Do êxtase que aquilo tudo me trazia. Novamente, aqui estou eu, no mesmo corredor, literalmente. Um corredor tão grande que parecia não ter fim. Quanto mais eu andava, mais comprido ele ficava. Havia portas dos dois lados e, como antes, cada uma delas me direcionava ao prazer que eu mais desejava.
Sequer pensei em voltar, porque, cara, isso definitivamente é o paraíso. Um paraíso cheio de consequências, no entanto, nesse momento valia a pena.
Senti alguém gritando próximo de mim, mas não dei importância, a emoção de voltar era muito forte para que eu me distraísse. Eu corri para a porta mais próxima e a abri com um solavanco, sentindo-a ser fechada rapidamente. Suspirei.
Era como se eu estivesse em um sonho, o tipo de sonho em que você viaja para um planeta diferente e se sente em casa. Uma grama muito verde fazia cócegas nos meus pés. O céu era de um rosa pôr-do-sol, e tinha várias luas e planetas gigantescos decorando-o, fora as centenas de estrelas. Sorri para uma árvore tão grande que chegava a ser mais alta que o maior prédio de Tóquio.
O problema é que algo não estava certo. Provavelmente era a figura escondida pelas sombras da árvore. Tão obscura que contrastava diretamente com a paisagem colorida. Aquilo me irritou. Se eu iria pagar de uma forma extremamente dolorosa por estar ali, então é totalmente injusto que um desconhecido estrague meu pedaço do céu.
Eu caminhei até lá, e o vestido branco – muito similar ao que usei no enterro de Mikoto – se enroscava nas minhas pernas com a força do vento. De vez em quando meu cabelo rebatia meu rosto e eu me senti mais irritada ainda por isso. Segurei o ombro do cidadão e o puxei bruscamente, isso tudo só para dar um passo para trás, toda surpresa.
Era uma garota, com os olhos borrados, o que provavelmente foi uma maquiagem esfumaçada horas atrás. Ela tinha um sorriso sarcástico, o cabelo bagunçado de tal forma que não se podia dizer se era liso ou cacheado. A blusa era dois números maiores que o corpo dela, mas era tudo de propósito. Só para que pudesse dar um nó e deixar parte da barriga plana a mostra, sem contar no fato da gola e das mangas terem sido cortadas tortas, não tinha como não ficar com os ombros expostos. A melhor parte? Aquela garota fui eu.
Quando se imagina as ditas experiências fora do corpo, você pensa que alguém que ama muito e que já morreu, vai dizer para você voltar, porque ainda existem muitas pessoas que te amam e precisam de você. No entanto, eu sabia que não seria assim. Porque as coisas não acontecem de forma previsível comigo.
Eu me olhei, no caso, ela me olhou, com aquele olhar penetrantemente embaraçado que todo mundo costumava falar sobre. O tipo de olhar que diz saber o que a outra pessoa estava pensando. Sasuke sempre teve esse jeito de olhar. É bem possível que essa seja só mais uma das manias que eu peguei dele.
- É bom te ver de novo. – Meu eu de catorze anos disse.
- É surpreendente estar de volta. – Falei.
- Pois é. – Deu de ombros. – Não importa quanto tempo você não está usando, sempre continuará um viciado. Fiquei impressionada conosco, ficamos limpas por um bom tempo.
Eu assenti. Não injetei nada, nesse momento meu cérebro está soltando químicos que a ciência ainda não conseguiu arranjar uma forma de explicar. Seria interessante descobrir até onde isso vai chegar.
- Você não vai me perguntar por que eu parei?
- Não. – Eu disse. – Eu sou você, eu sei por que eu parei.
- É claro. – Sorriu. – Você despertou o amor próprio. Descobriu que para deixar de se irritar tanto consigo mesma, em primeiríssimo lugar, necessitava controlar tudo. É por isso que tudo na sua vida se tornou perfeitamente organizado, mudando quando você achasse preciso. Se não se tem o controle, não se tem nada. É engraçado como você espera que tudo seja previsível, mas você mesma continua uma bagunça.
Novamente, eu concordei. Ela se sentou nas raízes da árvore e eu me juntei a ela. Existia uma grande diferença entre nós duas, desde o tamanho dos seios ao modo de falar. Aquela Sakura mostrava tudo, não escondia uma gota dos seus pensamentos. Já eu? A pergunta é o que não está escondido? Provavelmente, só Sasuke e Sai já presenciaram meus momentos de longos devaneios, o silêncio dos dois me faz não querer parar de falar.
- Como assim? – Perguntei.
- Achei que soubesse. - Esticou as pernas para frente, sem se importar por estar de saia. – É simples. Imagine que seu quarto seja você, ninguém pode ter certeza do que acontece lá dentro. Por isso a bagunça, pela preferência de deixar tudo indecifrável. Não é possível ter cem por centro de certeza das suas ações, não existe previsão quando as coisas não estão planejadas, organizadas.
- Você não está sendo clara.
- Você! O problema é que você, e unicamente você, não quer ser clara! – Ela gritou enfurecida. – Seu emocional é uma bagunça, por isso seu quarto é uma bagunça, e por isso você não consegue ficar junto de qualquer ser humano por muito tempo! Você não suporta desordem nos outros Sakura, tanto que não percebe a desordem em si mesma!
- Não grite!
Em algum ponto nós estávamos uma de frente para outra, e eu sentia meu corpo muito quente, eu estava irada! Ela segurou meus ombros com força, mesmo que fosse um palmo mais baixa.
- O que eu estou querendo dizer é que você precisa parar de bagunçar tudo! Você não pode guardar coisas sem utilidade! Precisa jogar tudo fora! SAKURA VOCÊ PRECISA ACORDAR!
Definitivamente nada do que eu dizia deveria fazer qualquer tipo de sentido para as pessoas antigamente. Mas, o que quer que eu tenha tentado dizer para mim mesma (?), serviu para alguma coisa. O sonho começou a se dissipar e, realmente, senti meus ombros sendo balançados e alguém gritando comigo.
Era Sasuke, e ele estava desesperado.
Alguém estava falando com ele.
- Ela está em choque! Não tem nada que você possa fazer agora!
Eu conhecia aquela voz, era de um amigo próximo, de um irmão. Como antigamente, eu era o tópico das discussões deles. Não que eu ache que Itachi esteve apaixonado por mim durante muito tempo. O caso é que, no nosso curto relacionamento, não havia nada mais de que um forte instinto de proteção dele por mim. Sasuke nunca entendeu isso, e eu também não entendia muito bem. Sai, Naruto e Kakashi, eles tinham essa mesma mania de tentar me proteger de tudo.
- Ela está grávida, Itachi! – Sasuke gritou e o outro Uchiha parou onde estava, franzindo o cenho.
OH, ele realmente estava desesperado. Gosto de pensar que a ideia de me perder o machuque, mas eu nunca consigo ter certeza de nada quando se trata dele. Desde garoto sempre fez coisas estúpidas com um objetivo escondido, não havia uma única coisa que fazia que não possuísse uma segunda intenção. Acredito que ele me ame, e também acredito que isso o deixa inseguro, porque fazia muito tempo que ele não amava alguém.
Nenhum de nós pensava em namorar antes dos vinte, ou deixar de beber tequila e dançar em cima de uma mesa. Sei lá, nunca foi do nosso feitio pensar em alguém antes de nós mesmos, de ficar imaginando como seria nosso futuro ao lado de alguém, como seria crescer ao lado de alguém. Mesmo quando eu era mais nova e corria atrás dele, mesmo naquela época eu não conseguia nos imaginar juntos, como um casal.
- Quem mais sabe disso? – Itachi perguntou.
- Ninguém. – Passou as mãos pelos cabelos. – Nós estávamos indo embora, e okaa-san apareceu.
- E vocês pretendiam ir embora sem avisar ninguém. – Concluiu.
- Sakura avisou Tsunade, e Touya veio falar conosco também.
- Touya... Tiveram alguma notícia dele?
- Não. – Sasuke disse.
Meu pai. É engraçado como isso soa. Por alguns momentos ele agiu como tal, e eu gostaria que estes momentos tivessem sido mais frequentes. Gostaria que meu pai estivesse aqui agora, porque, tecnicamente, ele é a única família que me resta. Mesmo estando com todas as pessoas que eu amo próximas de mim, eu precisava dele também. Sempre gostei de causas perdidas, e Touya sempre foi uma delas, gostaria de ter conseguido concertá-lo, de tê-lo feito alguém melhor. Gostaria que Akane tivesse conseguido e, acima de tudo, gostaria que ela também estivesse aqui.
Por mais que eu quisesse passar minha vida toda me lamentando, eu não podia fazer isso. Apesar de Mikoto ter mentido, se escondido por todos esses anos, eu havia prometido que cuidaria dos filhos dela, e essa é uma promessa que tenho uma vontade incondicional de cumprir.
Uma vez eu disse que achava engraçado o quanto às pessoas mudam com os anos, como eu mudei. E alguém havia me respondido que ninguém regride, sempre crescemos e evoluímos, o que acontece é que caminhos deixam de ser entrelaçados e esses fins se tornam começos em algum ponto. O que me resta é acreditar com toda a minha força que Akane, Touya, Mikoto, eles foram tirados da minha vida por alguma razão, e no momento eu deveria seguir e seguir adiante, só para descobrir em que caminho, de qual pessoa, eu irei me meter agora.
Sem fôlego, eu tateei a cama, com o meu braço bom, encontrei a mão de Sasuke. Escutei um suspiro aliviado, e em meio a isso, só uma palavra foi dita, praticamente inaudível. E tudo, fez sentido.
- Obrigado. – Ele disse.
...
N/a:
*Desafortunado: adj. Infeliz, desventurado, desgraçado.
Então... Acredito que este seja o último capítulo, é possível que eu ainda escreva mais um para explicar tudo e tirar as dúvidas de todos vocês, o que aconteceu com todo mundo e tudo mais... Sintam-se livres para mandar qualquer tipo de pergunta por review.
Muitos ciclos se fecharam para mim esse ano, e uma das coisas mais importantes nesse momento é terminar essa história. Vocês sabem como é, os personagens precisam descansar e vocês tem que imaginar o que acontece depois do "The End", ao menos é isso que eu espero, não só quando se trata das minhas histórias, mas também das histórias de outras pessoas, histórias que eu gosto bastante.
Fiquem a vontade para mandar reviews ou não mandar também, se quiserem xingar por eu ter demorado tanto tempo para postar o próximo capítulo ou para elogiar...
Boas festas para vocês e um maravilhoso 2013.
Beijos.
Sami
N/b:
Hey people! E então, alguém aí está tão sem fôlego quanto eu? Mai era mesmo uma louca... fala sério, que mulher insana! Aiiiiiii, que nojo do avô do Sasuke... parece que só o Sasuke e o Itachi salvam-se naquela família...
Ahhhh, mas vamos fazer uma campanha para a Sami fazer mais um ou dois capítulos mostrando o que aconteceu com o nosso casal mais problemático e amado? Mandem reviews de incentivo, pleeease!
Boas festas, pessoal! Feliz 2013
Beijos
Bela
