N/a: Boa Leitura!
Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado
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Capítulo Trinta e Dois
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Preenchendo Lacunas
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Conselho número trinta e dois: prepare-se, porque até mesmo dizer a verdade tem suas consequências. No fim das contas, ninguém confia totalmente em um ex-mentiroso.
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04 de Abril de 2009
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A viajem foi rápida e eu sequer vi o tempo passar. Chegamos a Tóquio, fomos para a casa desabitada do meu pai e depois para a delegacia. Nós tínhamos conversado sobre o que ele disse para a polícia e se contaríamos também o que aconteceu no dia da fajuta morte de Uchiha Mikoto. Agora aqui estou eu, olhando para a namorada do meu tio.
Eu não sei muita coisa sobre Anko. Uma vez que Kakashi tinha me dito que ela era do exército, aeronáutica ou da polícia, eu não prestei muita atenção. Agora aqui estou eu, sendo interrogada por ela.
- Pode me dizer seu nome completo? – Perguntou, rabiscando em um bloco de notas.
- Haruno Sakura.
- Sua idade.
- 18 anos.
- Pode assinar aqui para mim?
Ela me estende uma folha totalmente em branco. Eu olho para ela curiosa, e depois olho para Itachi sentado ao meu lado. Itachi encara Anko e ela balança a caneta, como se dissesse "só estou coletando evidências, esse é o meu trabalho". O Uchiha nega com a cabeça e então Anko suspira, junta às mãos sobre a mesa e olha para o teto. Talvez ela estivesse rezando para não entrar em uma situação complicada com a sobrinha do seu namorado. Mas, se fosse assim, já era tarde demais.
- Você pode confirmar para mim que essa é a sua assinatura, Srta. Haruno?
Estende-me uma pasta e eu noto que aquele é o check-in do hotel. Novamente olho para Itachi, ele assenti.
- Sim, essa é a minha assinatura.
- Você sabe por que, ao contrário do seu namorado, precisávamos conversar com você pessoalmente?
- Não. – Respondo simplesmente.
- Havia uma pequena poça de sangue no banheiro, e esse mesmo sangue estava em uma bala, encrustada na parede. É o seu sangue, e você tem um ferimento no seu braço. Eu realmente gostaria de saber o que aconteceu lá, Srta. Haruno.
- Sakura. – Franziu o cenho para mim. – Me chame de Sakura.
- O que você quer saber exatamente? – Itachi perguntou para ela. Automaticamente lembrei-me dele me dizendo para responder só o que ela me perguntar, mais nada.
- Quem estava no quarto?
Essa seria uma manhã longa.
- Uchiha Mikoto, Uchiha Hirome, Uchiha Sasuke, meu irmão, eu e...
- E...?
- Mai Smith.
- Quem atirou em você?
- Hirome.
Ela anotou tudo, mesmo tendo um gravador ligado bem ao seu lado e uma câmera às suas costas. Anko fez um gesto engraçado, passando o indicador embaixo do lábio, quase como se estivesse coçando uma barba invisível. Encarou-me por alguns segundos, refletindo sobre alguma coisa.
- Sua mãe morreu uma semana atrás, nem isso. – Ela diz e minhas mãos se fecham em punho automaticamente. – De uma causa desconhecida. Então, você é atacada. Só fico tentando imaginar o por quê.
- Isso é uma pergunta? – Rebato.
- Não. – Começou a falar mais alto. – O que eu quero saber é como metade do seu DNA estava em um cartucho de bala. Você sabe o que isso quer dizer, Sakura?
Eu já tinha visto bastante disso em filmes. Os investigadores irritam os suspeitos, para que em um ato irracional eles falem o que realmente aconteceu. Tentei me acostumar, eu já tinha vivido algo parecido antes com Mai.
A questão é que não existia uma boa maneira de terminar tudo isso. Era só olhar para o vidro esfumaçado as costas de Anko, as paredes de um bege desbotado e aquela porta de ferro que dobrava meu medo. Fico pensando no que teria acontecido se eu tivesse procurado uma delegacia quando tudo isso começou. É possível que tudo já estivesse solucionado, no entanto, ainda cogito a ideia de que meu pai subornaria todo mundo e me mandaria para um hospício.
- Quer dizer que quem encostou naquele cartucho é um dos meus pais.
- Certo. Só que o cromossomo é 'XX', ou seja, deveria pertencer a sua mãe.
- E pertence.
Itachi me olha com cuidado, esperando que eu extrapolasse.
- Eu ainda não sou advinha, então espero que me diga o que isso significa.
Eu não estou mais aguentando o sarcasmo dela. Minha vontade é tacar essa cadeira na sua cabeça, e que Kakashi me desculpasse depois. Ainda é difícil revelar coisas que estão escondidas há tanto tempo e ela, definitivamente, não está ajudando.
- Akane não é minha mãe biológica. O DNA que você encontrou é de Mai Smith.
- Sasuke falou dessa mulher também. É engraçado que ela não exista em nenhum banco de dados.
Arregalei os olhos e depois voltei ao normal. Era impossível. Eu tinha rastreado Mai quando eu tinha doze anos, até mesmo fui a casa dela em Veneza. Meus pais e padrinhos a conhecem e alguma câmera de vigilância deve tê-la filmado. Eu não consigo entender.
- Ok. Vamos deixar assim por enquanto. O que eu quero realmente saber é: como vocês chegaram nessa situação? O avô querendo matar os netos.
Eu não queria continuar. Então olhei para Itachi e ele pediu uma pausa de cinco minutos. Saímos da sala e nos sentamos no corredor, escorei meus cotovelos nos joelhos e o rosto nas mãos. Tentei me lembrar de que estou grávida, de que estresse faz mal para a criança. Que se eu quero, eu não sei, ser feliz (?), eu devo cuspir tudo o que Mai fez. Mesmo que meu pai esteja envolvido nisso, o que agora eu tenho quase certeza de que ele está. Se Touya se importasse ele estaria aqui me dando suporte.
- Você está bem? – Itachi perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Você a conhece? – Olho para ele. – Anko, quero dizer.
Escora-se na parede as suas costas e olha para o copo de água que segura. Depois se vira para mim e fala:
- A vi algumas vezes com Kakashi, mas eles não se misturam muito. São parecidos com você e Sasuke nesse sentido.
- Ela não deveria ser tirada do caso? Por namorar meu tio e tudo o mais.
- Eles não são casados, então não tem problema, desde que ela não se envolva demais.
- Você acha que Sasuke e eu vamos ser presos? – Falo e ele me olha surpreso.
- Por que acha isso, Sakura?
- Sei lá. – Dou de ombros.
Talvez porque eu sabia de um crime e não contatei as autoridades. Pensei comigo mesma. Só quero que tudo isso acabe logo. O último ano foi muito turbulento e eu não quero que as coisas continuem assim. Preciso de paz. Quero pensar no que vou fazer na faculdade e surtar por ser mãe aos dezoito anos. Chega de problemas familiares, pelo amor de Deus.
Ficamos sentados por mais alguns minutos antes de um policial nos chamar. Quando entrei na sala eu baixei meus olhos para os meus jeans e a camiseta branca. Deixei minhas mãos caírem no meu colo e olhei para Anko, que parecia tão cansada quanto eu.
- Eu queria saber por que Uchiha Mikoto foi assassinada na sua casa. Então eu comecei a investigar. – Respirei fundo, ignorando os meus olhos úmidos. – Eu a tinha visto levar uma série de tiros e depois fui ameaçada caso contasse alguma coisa.
- Você viu quem atirou nela?! – Gritou. Talvez a detetive tenha questionado Mikoto e recebido silêncio em troca.
- Sim. Mais tarde fui descobrir que Mikoto sabia que Hirome matou sua primeira esposa, avó de Sasuke e Itachi. Ele iria dar um sumiço nela, matá-la de verdade. Então seus amigos tomaram uma providência. Esses amigos eram meu pai e minha mãe, Touya e Mai. E então...
- Tem mais, além disso? – Pergunta estupefata.
Faço que sim com a cabeça.
- Hirome apareceu no hotel com Mikoto de joelhos, uma arma na cabeça dela. Disse que ela tinha tentado matá-lo. Ele ia fazer o mesmo comigo e Sasuke, tinha dito algo sobre forjar um acidente de carro. Então Sasuke fez com que eu me escondesse e o resto eu lembro vagamente.
Anko se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Itachi estava em silêncio, olhando para o nada. Eu estava quase escutando o barulho de uma bomba atômica. Parte de mim pensou que Anko pegaria a cadeira e a jogaria sobre o vidro espelhado. Mas não, ela agiu profissionalmente, ou quase isso.
- Você tem certeza do que está dizendo?
- Sim.
- Tem como provar isso?
- Mais ou menos. – Arqueou a sobrancelha.
- Você sabe que seus pais podem mofar na cadeia, certo?
- Certo.
- E ainda assim está disposta a testemunhar contra eles?
- Sim.
Acho que a escutei murmurar algo como "Olha onde eu fui me meter". Falou que estávamos dispensados, só não poderíamos sair da cidade. Senti um peso sair dos meus ombros, e uma pontada de culpa no meu estômago. Estava feito. Eu tinha contado a verdade, e... Arruinado minha família. Não há mais nada que eu possa fazer para mudar isso. Tentei me lembrar que meu pai tinha deixado de ser um pai já fazia muito tempo. Que agora Akane poderia descansar em paz, porque seus filhos não corriam mais risco de vida, ao menos por enquanto.
Só que, nada que eu dissesse para mim mesma poderia me consolar. Era tarde demais para isso.
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12 de Dezembro de 2006
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- Como você sabe, essa é nossa última sessão. – Orochimaru constatou. – Preciso dizer que estou tentado a sugerir mais consultas, mesmo que eu saiba que você continuará evasiva.
Eu assenti. Realmente não me importo com as suposições sobre o meu estado mental, ou o que causou isso. É irrelevante, o dano já está feito. Meu querido psicólogo tentou adquirir minha confiança de várias maneiras, mas ele não conseguiu. Eu não confiaria em ninguém o suficiente para contar o que aconteceu.
O importante é que Touya e Akane estão felizes com o resultado do trabalho de Orochimaru-san. Conseguiram o que queriam: a filha perfeita. "Sim Otou-san", "como quiser Okaa-san", "Não menos que o melhor para alegria de vocês". Chega a ser engraçado, as pessoas te deixam em paz se você simplesmente disser o que elas querem ouvir.
Esse mês eu tinha feito uma prova para ver se eu tinha recuperado os meses em atraso. Foi uma grande surpresa para todos, eu tinha os ultrapassado. Na próxima semana eu estaria na mesma turma de Sai, meu novo amigo gay. Meus pais pensam que estamos namorando, na verdade, todo mundo pensa isso. Não é o que acontece, no entanto é melhor que eles pensem dessa forma. Sai estava me mostrando um mundo completamente novo e divertido.
- Eu só tenho uma última pergunta para te fazer, Sakura. – Disse. – Você não precisa responder se não quiser.
Continuei olhando para ele, sem grande interesse. Esse cara é conhecido como o melhor no que faz, há uma dúzia de troféus na parede do escritório e centenas de cartas dos seus pacientes, todas cheias de palavras de agradecimento. De alguma forma, eu o frustrava. Justo eu, uma menina tagarela não tinha contado nada, não tinha esclarecido a razão de eu ter sido enviada até ele.
- Até que ponto você vai guardar segredos?
- Eu não tenho segredos.
Ele fechou o caderno com certa força e eu me levantei para ir embora. Esperando nunca mais revê-lo.
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05 de Abril de 2009
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Ainda estou me perguntando o que vim fazer aqui. Os óculos de sol cobrem meus olhos enquanto passo pela multidão de pessoas, eu não deveria, mas estou carregando Hiro comigo. Hospitais não são um bom lugar para crianças, entretanto, como Sasuke está se mantendo aqui desde que voltamos, eu não tive escolha. Hiro não podia ficar sozinho, afinal, a qualquer momento Mai poderia aparecer em mais um de seus surtos psicóticos.
Eu tinha falado com Tsunade e Kakashi hoje pela manhã. Nunca tinha os visto tão preocupados. Eles não me perguntaram como as coisas aconteceram, e eu fiquei realmente grata por isso. No entanto, não pude evitar perguntar se eles sabiam algo sobre o paradeiro do meu pai. Bufo. Haruno Touya tinha sumido do mapa, nem aí para os seus filhos, agindo como um adolescente imprudente em mais uma de suas crises de meia idade. Acho que por situações como essa eu acabei não aprendendo o que "limite" significa.
Continuei andando até o quarto de Mikoto e não fiquei nem um pouco surpresa por encontrar Fugaku sentado sozinho, olhando para o teto sem qualquer emoção no rosto. Sasuke faz exatamente a mesma coisa quando está em um confronto com seu "eu" interior. Olho para Hiro rapidamente e tomo a decisão de fazer companhia para o meu sogro. Sento ao lado dele e fico em silêncio, meus tênis não fizeram muito barulho então demorou certo tempo até que ele percebesse que não estava mais sozinho.
- Como você está Sakura?
Eu sorrio sem mostrar os dentes e dou de ombros. – Bem, na medida do possível. – Digo.
Ele da um aceno de cabeça e entrega seu polegar na mão de Hiro. Meu irmão tem poucos dias, e uma cara de joelho amassado, ainda assim, isso parece acalmar Fugaku. Crianças tem esse efeito na maioria das pessoas, por ser o nascimento de uma nova vida, algo puro em um mundo como o nosso entre outros clichês. Independente disso é a mais pura verdade. Talvez Fugaku pensasse sobre seus dois filhos e o outro que estava por vir, talvez ele pensasse que tipo de pai ele foi e como poderia melhorar suas características. Ou talvez ele não pensasse em nada, e olhar para Hiro só o deixava mais calmo e afastava os problemas que ele queria esquecer.
- Você parece muito calma para alguém que sofreu uma tentativa de assassinato. – Ele constatou.
- Surtar não vai me ajudar em nada agora. – Olho pelo canto do olho para ele, que esticou as mãos em um pedido silencioso. – Ela ainda não quer falar com você?
- Não. – Ele responde, balançando Hiro em seus braços. – Você já falou com ela?
- Não.
Nessa hora Sasuke sai do quarto e arqueia a sobrancelha para mim, olhando surpreso para o seu pai. Eu dou de ombros e deixo que ele caminhe para se sentar ao meu lado. Escoro-me no seu peito sem dizer nada.
- Como sua mãe está? – Fugaku pergunta.
Sasuke passa os braços pela minha cintura e pousa suas mãos no meu colo. Olha para o pai calculando suas palavras. Os dois nunca tiveram o melhor dos relacionamentos, porém, se sentiam igualmente traídos por Mikoto. Não posso dizer se Mai a sequestrou ou se as duas armaram um plano para fugir do país, e o silêncio dela sobre isso também não ajuda muito na formação de opinião.
- Está fisicamente bem. Só que não parece em nada com a minha mãe.
- Ela falou alguma coisa sobre o seu avô?
- Não. Ela não disse nada, só pediu para que eu deitasse com ela. Nesse meio tempo a única coisa que fez foi trocar a programação da TV.
- Exatamente a mesma coisa que fez quando Itachi foi visitá-la. – O Uchiha mais velho constata.
Mikoto não tinha contado para ninguém o que aconteceu nesses últimos anos. Ela não estava em um estado catatônico ou a beira da loucura, ela simplesmente não tocava no assunto, se esquivava a todo o momento quando fazíamos uma pergunta referente à Mai, a Hirome e o que eles andaram fazendo. Eu não reconhecia mais a mulher que eu sempre considerei como uma mãe. Mikoto tinha se tornado outra pessoa.
- Você não vai vê-la, Sakura? – Fugaku perguntou.
- Agora não, ela deve estar cansada. – Menti. – Eu estou ficando com fome, você não quer vir almoçar com a gente?
- Não, obrigado.
Sasuke pegou Hiro no colo e nós fomos caminhando até o carro. Quando já estávamos sentados e Sasuke estava prestes a ligar a ignição, ele para. Passa a mão pelo rosto e se escora no banco, soltando um longo suspiro. Viro-me para encará-lo melhor e vejo uma lágrima no canto do seu olho. Arregalo os olhos. Que eu lembre, essa é a primeira vez que o vejo chorar. Não posso dizer o quanto isso me apavora.
- O que aconteceu? – Perguntei.
Ele não estava chorando como uma criança, ou como eu choro. Só havia meia dúzia de lágrimas escorrendo pelo seu rosto, e seu nariz estava vermelho. Se fosse qualquer outra pessoa, eu teria a abraçado e ela choraria no meu ombro por horas. Porém, esse é Uchiha Sasuke, a pessoa mais forte e, às vezes, insensível que eu conheço. Eu não reajo muito bem a caras chorando, isso só acontece quando a situação é muito grave (a não ser que o cara seja Naruto).
- Sasuke. – Chamei.
Ele toma uma grande lufada de ar, e passa a mão pelo cabelo. Estendeu suas mãos pelo volante e ficou olhando para elas por um tempo. Passou-se pelo menos um minuto, quando ele finalmente disse algo.
- Aquela não é a minha mãe.
Eu poderia ter falado uma série de coisas. "Não se preocupe, tudo vai ficar bem". Ou então, "Pelo menos você ainda tem uma mãe". Não fiz nada disso. Pousei minha mão na sua perna e suspirei também.
- Eu sei. – Falei.
Ele ligou o carro e nós fomos para casa, para o assombrado lar dos Haruno.
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Deveria ser umas quatro da tarde quando escutei a campainha tocar. Sasuke estava tomando banho e a casa estava sem nenhum empregado. Coloquei o pote de sorvete na mesa de centro e peguei Hiro no colo. Quando olhei no olho mágico, sorri.
- Saudades de mim? – Kakashi perguntou.
- É... Mais ou menos. – Eu ri e ele revirou os olhos.
Acompanhou-me até a sala e sentou-se ao meu lado. Estendi-lhe o pote de sorvete e ele aceitou na hora. Eu estava vestindo roupas confortáveis, uma bermuda de algodão e uma camiseta do Queen, atirada no sofá assistindo TV.
- Conheci melhor sua namorada ontem. – Comentei. – Ela é durona.
- Você não tem ideia. – Ele engole outra colherada. – Acho que estou apaixonado.
Eu ri, porque sei que ele está falando sério. Olho para TV e vejo que o meu comercial está passando. Tínhamos sorteado alguns produtos da H&U para quem fizesse o melhor designer de capa, então tínhamos usado vídeos que as pessoas tinham gravado com os celulares. Tinha ficado legal, eu já tinha visto algo assim antes, uma montagem com cenas em família e amigos com todo mundo sorrindo.
- Você sabe o que vai fazer agora? – Kakashi pergunta distraidamente.
- Como assim?
- O que você vai fazer daqui para frente? Seu tempo na Konoha High acabou e você não me falou nada sobre qual faculdade quer fazer.
Olhei para ele sem dizer nada. Sinceramente, eu não pensava sobre esse assunto já havia um tempo. Sasuke tinha comentado comigo que ele iria tentar medicina, e eu ainda não tinha certeza do que queria. Algumas vezes me imaginei dando aulas, como Kakashi, mas depois desisti rapidamente da ideia. Eu não queria ser madame como Mikoto e Akane foram por muitos anos. Então, eu provavelmente já deveria ter pensado em alguma coisa. Se fosse para estudar eu escolheria biologia ou história, para saber como as coisas aconteceram, todavia, não consigo me ver trabalhando com isso.
- Você ficaria chateado se eu dissesse que não sei?
Meu tio me encara surpreso. Certo, eu entendo. Eu sempre soube o que eu queria, tive instinto de liderança minha vida inteira e nunca deixei de me dedicar às coisas que faço. Então, deve ser um pouco estranho me ouvir falar que não sei o que eu quero para o meu futuro. Akane pensaria a mesma coisa e diria que eu tenho o gene dos negócios dentro de mim, no entanto, eu não quero ser mais um membro da empresa da família.
- Não se preocupe você ainda tem tempo. – Sorriu de canto e deu um tapinha amigável no meu ombro.
Logo Sasuke desceu as escadas e se juntou a nós. Então passamos o resto da tarde conversando no sofá. Era um dos poucos momentos normais em família, e eu apreciei isso.
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- Eu estou com medo. – Falei.
Eu nunca gostei de falar como me sentia para as pessoas. Eu me senti mal. Minha pequena vida de "testemunha ocular" tinha me feito insegura, principalmente quando se tratava de dizer o que eu sentia para alguém. Era mais fácil falar para Sasuke, porque ele sabe quando estou sendo sincera.
Estávamos no meu quarto, Sasuke estava sentado lendo e eu tinha acabado de colocar Hiro no berço. Ele fechou o livro e olho para mim, sem dizer nada. Caminhei até ele e me sentei no braço da poltrona, Sasuke puxou minhas pernas e logo eu estava em seu colo. Como usual, ele não disse nada, só ficou esperando que eu dissesse alguma coisa. Acredito que ele entenda essas questões de orgulho que me afligem com frequência.
- Você acha que Mai vai tentar algo contra nós?
- Não. Ela deixou claro que sua segurança é a única coisa que importa para ela.
- Então, você não está com nem um pouco de medo?
- Estou com medo do que vai acontecer quando seu pai descobrir que você está gravida. – Ele sorriu de canto, e eu abracei seu pescoço. Seu senso de humor sempre aparecia na melhor hora.
Ainda não estou cem por cento. Continuo pensando sobre Akane, e que, Hiro nunca poderá conhecê-la. É nesses momentos de morbidez que eu me xingo internamente, pensamentos depressivos não podem me ajudar em nada. Respirei fundo, endireitei-me em seu colo de uma maneira que eu pudesse encarar seus olhos.
- Sabe aqueles livros de autoajuda, onde eles te falam para não ser pessimista, que a sua vida sempre pode melhorar e blábláblá? E se eles estiverem errados e a tendência seja piorar?
Suas mãos estavam pousadas nas minhas coxas e ele retribuía meu olhar vidrado. Sempre parecia pensar profundamente em uma boa resposta para as minhas perguntas, algumas vezes ele acabava refletindo demais e esquecia-se de mim. Eu normalmente ria, e repetia o que tinha dito e recebia algo esclarecedor em troca. Porém, essa não foi uma daquelas vezes.
Passou os braços por debaixo das minhas pernas e me puxou para frente, de um modo que poucos centímetros separavam os nossos rostos. Segurou a minha mão que estava espalmada no seu peito. Depois me beijou.
- Você quer que as coisas melhorem?
- Sim.
- Então isso é o suficiente.
Oh, quando Uchiha Sasuke deixaria de ser tão maduro? Pensei.
Ri e segurei seu rosto em minhas mãos. Devo ter sussurrado algo como "Você é impossível", mas não acho que ele tenha ouvido. Estava ocupado demais tirando minha blusa e beijando o colo dos meus seios. Levantou levemente as sobrancelhas quando tocou meu estômago, sem tirar a boca da minha pele. Minha barriga não tinha começado a apontar que uma criança estava ali dentro, só estava mais dura que o normal.
Começou a mordiscar meus seios e eu fiquei consciente da pulsação de seu membro, e do quanto eu o queria. Os últimos dias foram corridos, estressantes e cansativos, não tínhamos tempo para nada. O beijei e fui puxando sua camiseta para cima, sentindo seus batimentos acelerarem, seus pelos se arrepiando e suas mãos me apertando e me trazendo para perto. É eu estava ferrada. Tinha me condenado a passar o resto da minha vida ao seu lado. Não que eu me importasse com isso, porque realmente o amo. O que acaba me deixando assustada e radiante ao mesmo tempo.
Fiquei de joelhos e ele chutou as últimas peças de roupa no chão. Segurou minha cintura e me guiou até seu membro. Suspirei em alívio. Depois do que parecia ser muito tempo (sete dias são uma eternidade) estávamos novamente juntos, como um só.
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06 de Abril de 2009
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Eu tinha passado pela recepção e ido direto para o quarto de Okaa-san. Meu pai continuava deprimido, sentado em um lugar desconfortável no corredor. Fugaku não dava atenção quando alguém tentava falar com ele, só deixava o olhar fixo na porta do quarto da minha mãe. Ele se sentiu culpado pela morte dela, e agora estava furioso. Minha mãe não queria vê-lo, da última vez que ele tentou falar com ela, Mikoto começou a gritar e tocar tudo que via pela frente em cima dele.
Itachi e eu estávamos tentando ser pacientes, mamãe tinha passado por muitas coisas. Tínhamos trazido seus livros preferidos, filmes, e até mesmo burlamos as regras do hospital, em uma tentativa inútil de agradá-la com um bolo de nozes, que antes ela comia ao menos uma vez por mês. Nada estava adiantando. Ela só permitiu a visita de seus filhos, e até mesmo se negou a falar com Kushina.
A situação chegava a um ponto em que nada a agradava. Minha mãe está rabugenta e deprimida, quase me lembrou à rosada. As duas usavam a mesma tática, transformavam tristeza e orgulho ferido em raiva. Sakura sempre foi assim, o que me faz pensar que isso foi herdado de Mai, e que talvez minha mãe tenha pegado esse mau hábito com a convivência. Uchiha Mikoto não está agindo como a mãe que eu conhecia, e eu não tinha ideia do que poderia fazer para que ela voltasse ao normal.
Meu celular vibrou. "Como ela está?". Madara tinha mandado uma mensagem. Ele deveria estar louco, depois de tanto tempo tentando descobrir o que aconteceu com a minha mãe, quando ela aparece viva, sequer tem a decência de recebê-lo. Rapidamente o respondi. "Na mesma".
- Como está o bebê? – Okaa-san perguntou.
- Hiro está bem. – Estendi o celular para ela. – Sakura não cansa de tirar fotos dele.
- Sei que ela está grávida Sasuke. – Disse calmamente.
A fitei sem dizer nada. Até o momento não havíamos contado para ninguém. Sakura não queria, porque tinha medo que caísse nos ouvidos de Mai, e eu também não fazia questão. Eu até disse para Itachi o que estava acontecendo, mas ele não diria nada. Minha mãe riu em deboche, o que foi estranho, porque eu nunca a tinha visto fazer isso antes. Ajeitou sua postura e voltou a trocar os canais, sem sequer prestar a atenção.
- Você procura desculpas para encostar nela. O que não é estranho para um casal da idade de vocês, no entanto Sasuke, você nunca fez questão de estar perto de alguém.
- Mãe, você só nos viu juntos no hotel. Sakura ainda não veio lhe ver.
- Eu sei.
Revirei os olhos. Ela deveria estar informada há muito tempo sobre o que acontecia, mesmo, teoricamente, estando longe. Não posso descartar a ideia de uma colaboração entre Mai e okaa-san. Quando se é menor geralmente vemos nossos pais como quase Deuses, figuras de perfeição, com os anos se percebe que eles são somente pessoas. É possível que Mikoto sempre tenha sido alguém diferente, que ela tenha sido uma boa mãe, e apenas isso. Não importava realmente, no momento eu não seria capaz de mudá-la ou fazer com que ela confessasse algo importante.
- Não acho que vocês dois são bons juntos, Sasuke.
Eu sabia o que ela estava fazendo. Mikoto achava que Sakura tinha se tornado desequilibrada. Ela nunca soube, ao menos nunca tinha dito nada sobre o que fazíamos quando saíamos na sexta-feira e voltávamos no domingo à noite. Minha mãe esteve muito tempo longe das nossas vidas, e ela não viu a mudança de ambos ao longo desses três anos. Concordo com ela, quem éramos da última vez que ela nos viu, aquelas duas crianças rebeldes jamais resultariam em algo bom, algo saudável.
Quando menor, eu tinha o desejo de ter uma família. Assim como Sakura, meus pais eram ausentes, alguns finais de semana minha mãe nos levava para a casa de campo e passávamos algum tempo juntos, entretanto, não posso dizer que eles agiam como pais em tempo integral.
Apesar de sermos muito novos, essa responsabilidade sobre a vida de duas criaturas tinha recaído sobre nós. E, silenciosamente, eu havia prometido a mim mesmo estar presente, e evitar que essas duas crianças se percam como eu me perdi, ou pior, como a rosada tinha o feito.
Suspirei, cansado das respostas da minha mãe. Uma hora se passou sem uma palavra ser dita, o que não é estranho quando os indivíduos em questão são Uchihas. Meu celular tocou, era Itachi.
- É melhor você vir para casa. – Ele disse.
- O que está acontecendo? – Minha mãe perguntou e eu a ignorei.
Itachi continuou falando e eu não o interrompi em momento algum.
- Você estava certo em me pedir para passar à tarde com Sakura. Touya está aqui, Sasuke.
- Estou indo.
Desliguei e sai do quarto, sem dar satisfações. No momento, okaa-san não às merecia. Meu pai me viu e se levantou, minha mãe vinha atrás de mim e os dois se encararam sem dizer nada. Estavam em choque, os conhecendo da forma que os conheço, posso garantir que havia um amontoado de palavras não ditas entre os dois, algo exatamente no meio de paixão e rancor. Eu não podia fazer nada por eles, minha cabeça estava em um lugar só.
Liguei o carro e ignorei as sinaleiras e sinais de trânsito. O caminho do hospital até a casa dos Haruno levava cerca de dezoito minutos em uma velocidade constante. Com o dobro da velocidade permitida, cheguei aos portões com oito minutos de trajeto. Abri a porta da cozinha e escutei gritos.
- Não pense nisso! Alguns dias atrás você ignorava a existência dele, não vou deixar que tire Hiro de perto de mim! – A rosada gritava em desespero.
- É meu filho!
- O caralho a quatro que é! – Em qualquer outra situação eu riria. Porque não há como imaginar um ser de cabelo cor-de-rosa com um rosto infantil usar um vocabulário daqueles. – Akane me pediu para cuidar do meu irmão quando estava à beira da morte! E fora que eu ganhei guarda provisória, já que o senhor tinha sumido! É pai, ótima maneira de criar seus filhos!
Entrei na cozinha e vi cada um dos Haruno de um lado do balcão. Eu não entendia como qualquer discussão acabava acontecendo naquele cômodo. Itachi estava entre os dois, e eu me senti um pouco aliviado. Touya vinha para frente, ele não estava tentando bater em Sakura ou algo do tipo, mas eu fiquei em frente a ele e o empurrei um pouco para trás.
- Eu sei o que você fez com Mikoto! Como tem coragem de aparecer aqui? Mai te mandou?!
Segurei os ombros da rosada, e encarei Itachi. Não existia uma única forma daquela discussão terminar bem. Eu comecei a puxar Sakura para trás, até que estivéssemos fora da cozinha. Tirei Hiro do colo dela. A segurei pela cintura e a arrastei para o andar de cima. Quando entramos no seu quarto, fechei a porta atrás de mim.
Empurrei-a até a cama e deixei que ela se acalmasse um pouco. Segurei o garoto com cuidado e tentei fazê-lo parar de chorar. A rosada é melhor que eu nisso, mas eu estava mais calmo, e ela mesma havia me dito que crianças sentem o que você está sentindo. Soava estúpido, mas estava dando resultado.
Dez minutos depois, Hiro estava no berço e eu parei na frente dela. Sakura se jogou em cima de mim e foi sua vez de desabar em lágrimas.
- Eu não posso perder mais ninguém. – Murmurou no meu pescoço. – Você não pode deixar que ele tire Hiro de mim.
- Eu não vou.
To Be Continued...
Nota:
Lacunas: Espaço vago no interior de um corpo; Omissão, falha.
A fic está no fim, mimi! Espero que tenham gostado do capítulo! Ah, respondi as reviews como prometido!
Beijos
Sami
Nota b/:
Noooossa, a Anko é mesmo durona, até eu fiquei receosa com a moça! Parece que a Mikoto não está facilitando as coisas para ninguém... nem para os filhos. Muito entranha a reação dela ao falar sobre a gravidez da Sakura, vocês não acham?
Comentem, pleeeease!
Beijos
Bela
