Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

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Capítulo Trinta e Quatro

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Meu Anjo Negro, Sexy e Drogado

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Tudo se resume ao fato de que algumas coisas, algumas pessoas, estão fortemente entrelaçadas a quem nós somos. Temos muitos anjos. Mas, os anjos negros são aqueles que caem por nós, que nos seduzem por tudo que eles são, como uma droga, um vício impossível de ser superado. Quando você encontrar seu anjo negro, sexy e drogado, agarre-o e nunca deixe-o partir.

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13 de Abril de 2009

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- Então, o que você achou? – Sasuke me perguntou. Ele estava muito gostoso escorado daquele jeito na parede, as mãos nos bolsos e vagamente me olhando pelo canto do olho.

Dou mais uma olhada em volta. Ele tinha escolhido um apartamento na parte residencial de Konoha – uma cidade de médio porte bem próxima a Tóquio. Já estava todo decorado e ele, mais ou menos, me disse que Tsunade e Hinata tinham-no ajudado. Era um lugar bonito e aconchegante. Eu realmente havia gostado.

Eu sorri, mostrando todos os meus dentes, e depois lhe beijei. – É perfeito. – Sussurrei em seus lábios.

Acho que nossa vida de gente grande começa agora. Sasuke vai começar a faculdade de medicina no próximo semestre e eu vou trabalhar com Kushina nas Empresas H&U. Ela vai me passar as principais atividades do meu pai e eu vou fazer o que posso até o bebê nascer. Depois vou trabalhar um pouco em casa e voltar para o escritório aos poucos.

Anko tinha me ligado ontem pela manhã. Ela me dissera que meu pai tinha sumido de vez. Uma de suas contas no banco foi totalmente esvaziada e todos os seus bens tinham sido misteriosamente passados para o meu nome. Eu não queria pensar nisso, mas onde quer que ele esteja, espero que seja um lugar maravilhoso, para que ele nunca mais tenha que aparecer de forma abrupta nas nossas vidas.

A ligação de Anko tinha me trazido mais uma série de coisas, como o laudo final de Akane. Ela morreu de uma complicação, nada de veneno, ou tentativa de assassinato. Foi algo inteiramente natural. Depois de tudo o que aconteceu eu não acreditei que fosse uma mera coincidência, mas Anko tinha me garantido. Todos os testes possíveis tinham sido feitos e o resultado tinha sido o mesmo: complicações no parto. Era raro, mas acontecia.

- Sakura!

Encarei Sasuke, seu cenho franzido.

- O que? – Perguntei.

- Está tudo bem? É a terceira vez que eu te chamo.

Assenti e o beijei rapidamente. Era até bonitinha a preocupação dobrada que ele estava tendo comigo. O empurrei contra a cama, minha língua se movendo em sincronia com a dele. Minha eu de catorze anos nunca acreditaria nisso, às vezes eu mesma penso que estou sonhando. Que depois de tudo, a pessoa em que eu iria me apoiar, aquele que eu me sentiria segura iria ser Uchiha Sasuke. O mundo realmente dá voltas.

- Que tal aproveitarmos que Hiro está com Tsunade para começar a inauguração dos quartos? – Disse no seu ouvido, minhas mãos deslizando para dentro da sua camiseta, os dedos traçando os gomos do seu abdômen.

Eu estava feliz, apesar de tudo. Eu amava Akane, mesmo que nós duas tivéssemos sido mãe e filha por menos de um ano. Acho que de alguma forma ela começou a recompensar o tempo perdido quando descobriu estar grávida de Hiro. Eu quero ser feliz por ela. Segurar cada partícula de felicidade e aproveitar cada momento por nós duas.

- E depois dizem que são os homens que só sabem pensar em sexo. – Sasuke falou seriamente.

- Você quer que eu pare? – Eu perguntei com um sorriso presunçoso no rosto. – Podemos entrar em celibato se você quiser, até o bebê nascer.

Ele franziu um pouco o cenho e eu esfreguei o ponto enrugado na sua testa. Um sorriso foi surgindo lentamente no seu rosto. Sua mão esquerda foi para o meu pescoço e tirou o cabelo do meu ombro. Puxou meu rosto para mais perto e me beijou mais uma vez. Eu estava realmente grata por tê-lo comigo novamente.

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21 de Fevereiro de 2006

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A garçonete ficou me olhando atentamente quando eu pedi minha terceira xícara de café. Sai estava com os cotovelos na mesa, o rosto apoiado em uma das mãos. Eu sentia uma imensa vontade de bagunçar seus cabelos.

- Café demais faz mal. – Ele comentou.

- Melhor viciada em café do que em heroína. – Eu falei, os lábios torcidos em um sorriso. Sai não tinha ideia sobre a verdade oculta nas minhas palavras.

Ficamos nos encarando por um tempo, e depois começamos a rir sem motivo. Aquilo era bom, digo, ter uma companhia da minha idade, alguém que também tinha segredos a guardar. E – dramaticamente – alguém que se encontrava tão sozinha quanto eu.

- Então, como fazemos isso? – Ele perguntou, para depois acrescentar. – Essa coisa de amigo e tudo mais?

- Faz algum tempo que eu não faço amigos novos, mas eu acho que sempre começa com um elogio. Não sei. Talvez dizendo o que gostamos um no outro. – Dei de ombros.

- Então... – Sai pareceu me analisar. – Eu gosto dos seus peitos.

Senti minhas bochechas corarem e comecei a rir novamente. Olhei para ele divertida, e depois olhei para baixo. Pelo menos eu sabia que ele era gay e não estava dizendo aquilo só para me levar para cama. De alguma forma ele fazia com que eu me sentisse melhor comigo mesma.

- Sério? Eu sempre os achei tão pequenos.

- Eles ainda vão crescer um pouco mais. Você é bem magrinha, talvez um pouco de exercício e proteína ajudem. Mas eu ainda os acho bonitos. São delicadinhos, combinam com você.

- Bom, já que você falou dos meus peitos, acredito que devo elogiar seus testículos. – Fui um pouco para frente. – A genética foi muito legal com você.

Uma senhora de cabelos brancos nos olhou apavorada. Meu rosto ficou cada vez mais quente ao ponto da vergonha me fazer escondê-lo com as mãos. Isso aí Sakura, mal voltou para cidade e já está falando sacanagem na frente de idosos. Mikoto estaria orgulhosa.

Um flash de sangue e o barulho de tiros me fizeram estremecer.

Contive-me para não balançar a cabeça, tentando apagar a memória. Não era a hora nem o lugar para isso.

Sai puxou sua cadeira pela mesa redonda, deixando de ficar a minha frente para ficar ao meu lado. Ele passou o braço pelos meus ombros e levantou meu queixo com o indicador. Eu sorri de canto, porque eu sabia do que esse garoto realmente gostava.

- Só porque eu elogiei suas genitálias você começou a cair de amor por mim? – Eu brinquei inteiramente agradecida pela distração.

Ele não disse nada. Fiquei um pouco surpresa quando beijou meus lábios, depois sua boca foi para o meu ouvido e sussurrou. – Não entre em pânico. Mas Uchiha Sasuke está aqui.

Eu nem percebi que estava assentindo com a cabeça. Minhas mãos foram para os seus ombros e minha cabeça descansou no seu peito. Fechei os olhos e me concentrei nos batimentos do seu coração. Os meus já estavam descontrolados só com a menção do nome dele.

Escutei sua voz e apertei meu nariz contra o tórax de Sai, os braços dele me segurando firme. Sasuke estava com raiva, eu acho que ouvi Gaara e Neji com ele. A porta da frente se fechou com força. Encontrei-me tremendo.

- Você realmente gosta dele. – Sai disse. Não havia piedade, pena, nem mesmo seu sarcasmo habitual. Ele só parecia estar constatando um fato supérfluo.

- Você não tem nem ideia. – Murmurei contra o tecido da sua roupa. – Eu tento pensar que daqui a dez anos isso vai soar como um estúpido amor de infância, mas por enquanto não está funcionando.

- Claro que não. – Ele fez um cafuné na minha cabeça. – Não sei o que aconteceu entre vocês, no entanto, para qualquer um é obvio que ele se abala coma sua presença da mesma forma que você com a dele.

Apertei o tecido da sua camiseta. No fundo, desejava que ele estivesse certo, desejava que os braços de Sai pertencessem a outro moreno de olhos negros.

- Infelizmente, depois do que ele fez, não consigo mais imaginar nós dois juntos.

É. Isso e o fato de que se eu chegasse muito perto eu provavelmente abriria minha boca grande... E a vida dele era muito mais importante para mim, mais do que, (pausa para o clichê), minha própria felicidade.

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18 de Abril de 2009

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Olhei atentamente para a televisão. Sasuke estava dormindo com a cabeça no meu colo e Hiro em seus braços. Eu realmente queria tirar uma foto dos dois, mas se eu me movesse um centímetro sequer, eles acordariam.

Era um sábado à tarde e como esperado estava passando um programa de fofocas sobre celebridades. O público foco, obviamente, era pré-adolescentes e donas de casa. Eu estava prestes a trocar de canal quando uma foto minha apareceu na tela.

Hum... A apresentadora era uma bonita morena na casa dos trinta, seu cabelo cortado em camadas, caindo suavemente por seus ombros. Ela tinha alguns papéis nas mãos, seu olhar passou por eles e depois se direcionou para a câmera. Ela parecia bem confortável sentada no sofá de couro branco.

- O que vocês sabem sobre Haruno Sakura? – Ela perguntou com a sobrancelha arqueada. – De pré-adolescente problemática para exemplo de perfeição? Bom, meus caros, a resposta é: nada. Vocês não sabem nada sobre Haruno Sakura. Ou devo dizer, Uchiha Sakura?

A plateia fez um alvoroço. Gritos histéricos femininos e o que soou como o início de uma discussão. A apresentadora levantou uma mão de unhas bem feitas e sorriu.

- Há pouco tempo atrás Haruno Akane faleceu. Em seguida o patriarca Uchiha – Hirome – cometeu um atentado contra seus "supostos netos". Isso mesmo, "supostos". Haruno Sakura deu um depoimento para a polícia, alegando que sua mãe biológica havia tido participação na tragédia. E, inclusive, era a culpada sobre a morte de Uchiha Mikoto. Outra pessoa que acabou de voltar dos mortos.

Suspirei. Uma foto minha apareceu no telão atrás dela. Sasuke estava me acompanhando, o braço nos meus ombros. A imagem tinha dois círculos, chamando atenção para as nossas mãos esquerdas, para o anel de ouro branco em nossos dedos anelares.

- Sakura sempre foi inconstante em sua vida amorosa. Por dois anos teve uma espécie de relacionamento com o filho de um ex-deputado, durante o mesmo período até mais ou menos um ano atrás, ela foi vista em festas, aos beijos com bad boys e supermodelos. Isso até que nosso UchihaBaby entrasse novamente em sua vida. – Ela continuou.

Aquilo tinha deixado de ser um relato inconclusivo para se tornar uma biografia minha. Eu sabia que esses comentários estavam acontecendo há algum tempo, mas eu tinha parado de assistir fofocas sobre mim. Meu pai sempre se importou com a opinião pública, por causa dele eu tinha feito à mesma coisa. No entanto, a situação havia se tornado tão extrema no último mês que eu parei de dar atenção aquilo.

- Nós costumávamos vê-los juntos desde crianças, aprontando em festas no começo da adolescência. Bem, isso até que a princesa de cabelo cor-de-rosa sumiu. E quando voltou o distanciamento entre os dois e a mudança de comportamento de Sakura eram claros. Então, aqui eu lhes pergunto: O que aconteceu para que esses dois se juntassem? O que aconteceu para a "responsável" – A apresentadora fez aspas com os dedos e eu me obriguei a revirar os olhos. – Haruno Sakura se casasse no auge dos seus recém-feitos dezoito anos?

Provavelmente uma garota tentando matar Naruto e a volta de Mai - pensei comigo mesma. Ou talvez eu estupidamente parar de mentir para mim mesma. Parando de acreditar que se eu agisse diferente as coisas se acalmariam e tudo daria certo.

- Temos a resposta para essa pergunta! – Se inclinou para frente, como se fosse contar um segredo. – Haruno Sakura está grávida!

Houve mais gritos histéricos, então ela continuou.

- Uma fonte anônima nos disse que Sasuke estava estudando genética, um curso extra na Konoha High e ele tirou o sangue da Haruno para uma análise em aula. O resultado da análise foi que o sangue pertencia a uma mulher grávida de cabelo rosa e olhos verdes!

A apresentadora anunciou o comercial e disse para o público dar sua opinião. Se nos casamos por amor ou só por causa da gravidez. Desliguei a televisão e me recostei na cama. Agora lembro-me exatamente o porquê de não assistir esse tipo de programação.

Espreguicei-me e passei as mãos pelos cabelos. Há dois dias tínhamos ido até o cartório e oficializado o compromisso. Depois dos eventos recentes decidimos que não havia ânimo para grandes comemorações. Naruto e Hinata tinham sido as testemunhas, junto com Sai e Itachi, e agora éramos legalmente casados. Era isso, e somente isso, que importava.

Sasuke se mexeu, sua cabeça foi para o lado e seu nariz roçou a minha barriga. Sorri levemente quando ele começou a abrir os olhos. Ele piscou algumas vezes e depois olhou para baixo – para Hiro dormindo no seu peito. Ele passou o polegar pela bochecha de Hiro e eu culpei os hormônios ao sentir uma necessidade absurda de chorar. Respirei calmamente, empurrando a sensação para longe.

- Nunca pensei que você seria esse tipo de grávida. – O Uchiha disse com um sorriso de canto.

- Ah, cala a boca. – Esmurrei seu ombro de brincadeira. – Espere só até as crises de desejo por tomate começarem. Isso é totalmente sua culpa.

Eu sorri para sua sobrancelha arqueada. Sasuke levantou devagar e caminhou até o berço do outro lado do quarto. Depois de deixar Hiro confortável, veio para o meu lado da cama. Suas mãos seguraram minha cintura e me puxaram para o seu colo. Comecei a brincar com seu cabelo e acabei aconchegando o rosto no seu pescoço. Ele me trouxe para mais perto quando esfreguei o nariz no seu pescoço.

- Eu espero que seja um menino. - Ele disse.

Afastei-me um pouco para poder encarar seus olhos. – Por quê? – Perguntei. – Deixe-me adivinhar. Você teria uma crise de ciúmes toda vez que um cara chegasse perto de sua garotinha?

- Algo do gênero. – Ele deu de ombros.

Sua mão segurou meu queixo e ele me beijou. Não era algo que você percebia logo, mas Uchiha Sasuke tinha uma facilidade surpreendente para ser ciumento e possessivo.

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20 de Abril de 2009

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Eu me sentei no banco ao lado dela. Seu cabelo estava tingido de vermelho e óculos de sol cobriam parcialmente seu rosto, mas mesmo assim eu a reconheci. O formato do seu rosto, suas bochechas altas, a grande testa de marquise... Os traços que eu havia herdado dela.

Não se moveu com a minha presença. Seus olhos azuis continuavam focados nas crianças e suas mães que aproveitavam o fim de tarde.

Eu achei que ela não viria. Acredito que fui bem estúpida ligando para ela. Mas lá estava eu, três horas atrás, encarando o cartão totalmente em branco, a não ser pela impressão de um número telefônico. O cartão tinha sido entregue como qualquer correspondência, em um envelope pardo com uma foto dela e um bebê de cabelos cor-de-rosa.

- Por quê? – Perguntei olhando para as minhas mãos.

Havia mais do que uma pergunta oculta naquelas palavras. Por que eu? Por que Mikoto estava tratando todo mundo daquele jeito insensível? Onde meu pai está? Por que você fez amizade com a mulher que substituiu Mikoto? Por que você atirou na sua suposta melhor amiga?

- Meu pai era um homem perigoso. Ele fez muitas coisas ruins, desonestas, para conseguir o que ele queria, para expandir os seus negócios. – Mai disse. – Eu mudei de nome muitas vezes, morei em muitos lugares. Quando você é filha de um manipulador você acaba aprendendo que há uma maneira diferente de se agir com cada pessoa.

Contive-me para não olhar sobre o ombro, para o carro do outro lado da rua, onde Sasuke estaria me observando. Ele tinha sido contra esse encontro. Ainda não tenho muita certeza do porquê eu tinha vindo. No fundo eu esperava colocar um ponto final e terminar esse capítulo da minha vida.

- Fui uma adolescente descuidada. Eu era curiosa também, tenho certeza que Mikoto lhe disse isso. Mesmo depois que eu fui embora de Tóquio, ainda assim mantive contato com ela e Touya. Um dia seu pai me ligou e disse que se casaria com Akane. Eu imediatamente fui vê-lo, e o resultado do nosso encontro foi você.

Ela suspirou e esfregou os olhos, fundas olheiras os enfeitavam. Cruzou os braços e continuou a falar.

- Eu tinha feito abortos quando mais nova, mas aquilo era diferente. Seu pai precisava se casar com Akane, eles eram amigos e ambos, Hirome e seu avô, achavam que isso fortaleceria os laços entre as famílias. Percebi que você era a única coisa verdadeiramente nossa, não importava o que fizessem, você sempre teria meu sangue e de Touya.

- Sempre ouvi que você queria me abortar e vovó não deixou. – Eu disse, não conseguindo acreditar nela.

Acho que ela estava tentando me manipular. Ok, não tentando, mas realmente fazendo isso. Mexendo com a minha ilusão de ter uma presença materna, alguém que sempre tinha olhado por mim. Segurei-me para não balançar a cabeça e afastar a ideia. Tsunade. Ela tinha cuidado de mim desde que eu nasci, e Mikoto também, não importava se ela fosse outra pessoa agora. E eu amava Akane, mesmo antes de termos uma real relação mãe e filha.

- Nunca acredite no que eles dizem quando se refere ao meu amor por você. Eu te amo desde o dia que você começou a existir. Tudo que eu fiz foi para o seu bem. – Mai finalmente me encarou, tirando os óculos e os colocando ao seu lado no banco de madeira.

Fechei minhas mãos em punhos. Serrei os olhos para ela.

- Tudo o que você me disse em Veneza foi para o meu "bem"? – Sarcasmo encharcava minhas palavras.

- Você parou de usar drogas, não parou?

- Eu tive uma overdose e um aborto espontâneo. – Sussurrei entre dentes. – Você atirou em Mikoto na minha frente e me ameaçou para ficar calada! Como inferno isso foi para o meu bem?

Mai se mexeu desconfortavelmente. Ela tirou o elástico do seu cabelo e o ajeitou ao redor dos ombros. Também alisou suas roupas e tudo que eu pude pensar era que aquilo era um fingimento para me impressionar. Eu jamais poderia me esquecer de que a mulher que me colocou no mundo é realmente má. Há um objetivo obscuro em todas as suas ações.

- Mikoto ameaçou Hirome. Disse que ia contar para a polícia que ele tinha matado sua primeira esposa. Ela foi ingênua. Eu sabia há mais tempo que ela, meu pai teve certo envolvimento com tudo. – Deu de ombros. – Hirome ia matá-la de qualquer jeito, pelo menos eu encontrei uma forma de mantê-la viva. Eu lhe ameacei Sakura, porque se você abrisse a sua boca para qualquer um, Hirome descobriria e, bem, eu prefiro ter uma filha traumatizada a uma filha morta.

Fitei-a com descrença. Eu esperava tudo, talvez um sequestro, uma ameaça de morte, mas não aquilo. Eu não confiava em Mai, no entanto, me senti compelida a escutá-la.

- Onde meu pai se encaixa nisso tudo? E aquela baskarah no testamento de Mikoto, você tem um dedo nisso, não tem?

- Seu pai me ama e o sentimento é mutuo. Fiz com que ele te deixasse em paz. Estamos juntos, e é só isso que você precisa saber. – Suspirou. – Aquela não é a carta original, seu pai pagou alguém para falsificar uma. Achamos que se colocássemos um enigma absurdo que não levava a nada, isso iria te distrair por um tempo.

Claro, porque eu sou tão burra. Eu não conseguia acreditar que alguém fosse capaz de tantas picuinhas para com sua única filha. Talvez no fundo eles soubessem que eu era tão boa em manipular pessoas quanto eles. Talvez eles pensassem que quando minha raiva eclodisse eu procuraria respostas e os entregaria para as autoridades. De certa forma eles estavam certos, porque eu realmente tinha os entregado.

Era curioso pensar que tudo começou por causa da ganância de Hirome. Ele queria unir as famílias, diminuir as chances da empresa se separar e de uma grande perda de capital. Hirome condenou sua filha a um casamento infeliz por nada. Olhe para nós agora, Sasuke, Naruto, Hinata e eu. Nós somos, de certa forma, inseparáveis, cuidando das costas um do outro. As coisas poderiam ter sido bem melhores se esses pais não tivessem tentado controlar a vida dos seus filhos. Naquele momento jurei que nunca seria como eles.

- Por que você colocou aquele vídeo na festa de aniversário de Sasuke?

- Enquanto eu bancasse a má você se manteria longe. Hirome não desconfiaria de mim e tudo ficaria parcialmente bem. – Não havia nenhum tipo de arrependimento no seu rosto, só um meio sorriso convencido. – Eu tinha me esquecido como adolescentes podem ser sentimentais, só tive que falar com seu ex-namorado e aquelas meninas ruivas, elas ficaram felizes em encontrar uma maneira de te humilhar.

Ela falava essas coisas e ainda queria que eu acreditasse na sua devoção por mim? Ridículo. Mai definitivamente tinha alguma doença mental. Tinha muitos erros de concordância nas coisas que ela dizia. Como ela poderia querer meu bem, se só sabia me fazer mal?

Mai se levantou e eu a imitei. Não me afastei quando ela tocou meu rosto, ou quando me abraçou, mas tampouco me movi para retribuir o gesto. Segurou meu rosto em suas mãos, me encarando atentamente. Fiquei preocupada quando vi carinho nos seus olhos.

- Eu amo você mais do que qualquer coisa. Não espero que você me perdoe pelas coisas que fiz, e não é como se eu me arrependesse. – Beijou minha bochecha e deu um passo para trás. – Adeus Sakura. Se não for pedir muito, tome conta de Mikoto por mim.

Com isso ela se afastou e aquela acabou sendo a última vez que eu vi minha mãe – Mai Smith, ou qualquer que seja seu verdadeiro nome. Fiquei ali, parada por um tempo. Senti uma mão no meu ombro e deixei que Sasuke me puxasse para os seus braços.

Eu não sabia como me sentia, ou como deveria me sentir. Dizem que as coisas fazem mais sentido quando você descobre porque elas aconteceram, mas isso não significa que tudo vai ficar mais fácil e você vai se sentir melhor. Hitler tinha a desculpa da raça ariana, o que não fez a Segunda Guerra Mundial ser menos cruel. Acho que Mai é uma daquelas pessoas que faz as coisas sem saber exatamente o porquê. O que me restava era lembrar muito bem disso, para que eu nunca fosse como ela.

- Vamos para casa. – Sasuke disse e, contente por sua presença, eu o segui.

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14 de Junho de 2013

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Esfreguei meus olhos e bocejei. Itachi e eu tínhamos concordado em uma parceria com as Empresas Inuzuka. Eu estava calculando quanto ganharíamos com a união temporária e tentando ter ideias criativas para o marketing. Foi aí que os pirralhos apareceram.

- Okaa-san! – Os dois gritaram.

Eu saí de trás da mesa e me abaixei para poder abraçar os dois. Baguncei seus cabelos e sorri quando tiravam suas mochilas das costas e as jogavam no meio do escritório. Havia um frigobar no outro extremo da sala, eles o abriram e pegaram caixinhas de suco.

Limpei os joelhos da minha calça preta e me sentei no sofá. Sasuke, que estava escorado no arco da porta, veio se juntar a mim. Passou o braço pelos meus ombros e deu um beijo na minha testa. Ele trabalhava meio turno na H&U e no resto do dia frequentava a faculdade de medicina. Eu estava começando a ter fantasias com ele vestido de médico.

- Meu pai nos convidou para jantar lá essa noite. – Ele disse. – Emiko está levando minha irmã para passar o fim de semana com ele.

- Sua mãe estará lá? – Perguntei. – Da última vez que as duas se viraram as coisas ficaram meio estranhas.

Na verdade, nossa família em si era muito estranha. Por exemplo, Sasuke tinha uma irmã mais nova que nossos filhos, além de que seus pais pareciam um casal adolescente. Eles tinham muitas crises de ciúme e o mel era tão grande entre os dois que não dava para ficar muito perto. Acho que três anos pensando que a mulher que você ama está morta e mais quase quatro anos tentando reconquistá-la faziam isso com você.

- Itachi vai distrair minha mãe enquanto Emiko deixa Aya para passar o fim de semana com meu pai.

Seus olhos negros me fitaram e ele puxou o prendedor do meu cabelo, que caiu desordenadamente até um pouco abaixo dos meus ombros. Ele passou as mãos por eles e me puxou para um beijo.

- Eca!

Eu ri e olhei para Hiro e Katsuo. Eles tinham as mãos na frente dos olhos e faziam caretas para nós. Sasuke esticou a mão e os dois vieram até nós, sentaram em nossos colos e começaram a contar o que aconteceu na creche. Eles estavam animados em ter mais crianças da idade deles por perto. Às vezes eu me perguntava se era tão tagarela quando tinha a idade deles.

- Você nem sabe, otou-san. – Hiro disse e se inclinou para frente, as mãos ao redor da boca, como se fosse contar um segredo. O que talvez fosse exatamente o que ele estava fazendo. – Tio Itachi está namorando.

- Ah é? – Perguntei, as sobrancelhas levantadas em curiosidade.

- Hai. – Katsuo tinha o rosto parecido com o meu, mas seus olhos e cor de cabelo eram idênticos ao de Sasuke. Eu podia me contentar com isso, porque, pelo menos, ele não tinha nascido com cabelo rosa. – Ela trabalha com a tia Hinata, é uma menina bem bonita.

Ri novamente. Eu sabia que Itachi estava vendo alguém há algum tempo, mas fingi surpresa pelo entusiasmo dos dois. Já fazia algum tempo que eles pediam uma tia para Itachi. Eu não entendia exatamente o porquê, desde que todos os meus amigos eram chamados de "tio" por eles.

Os dois nos deixaram e começaram a brincar e a correr na sala. Sasuke os mandou pegar suas mochilas e eu desliguei o computador e peguei minha bolsa e casaco. Tranquilamente, nós fomos para casa. Acho que nunca tinha me sentido tão feliz como agora, talvez, quem sabe, tudo tivesse valido a pena. Meu anjo negro, realmente tinha me salvado.

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Fim.

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N/a:

Demorou praticamente dois anos, mas finalmente a fic está terminada. Desculpa pela demora com esse último capítulo. Meu note está com o teclado estragado, e eu tive que pedir o do meu irmão emprestado.

Bem. Eu não sei exatamente o que dizer nessa última nota. Faz um tempo que eu não me apego tanto a uma história e não lembro muito bem como a gente diz "tchau". Então, essa realmente foi uma fic difícil de escrever, foi algo novo para mim, porque eu realmente não tenho muito a ver com a Sakura dessa fic, que no caso foi a narradora principal. Muito extrema às vezes controlada demais, às vezes impulsiva demais... Mentido muito para si mesma. Independente disso, eu realmente amei escrever Meu Anjo, porque eu tive sentimentos muito contraditórios sobre os personagens, e como eles mentiam muito, acho que ficava meio difícil de entender o que acontecia.

Quero dizer muito obrigada para você que leu até aqui, apesar da minha demora algumas vezes, e da possível vontade de matar cada um dos personagens dessa história. Bella, valeu por betar e muito obrigada mesmo por me ajudar com meus bloqueios de criatividade!

Tenho que dizer que fiquei meio envergonhada quando descobri que um amigo meu leu a fic, porque, cara, eu nunca tinha escrito tanto hentai na minha vida. Dirty Girl! OKASOKKOASKO

Enfim, realmente espero que vocês tenham gostado desse drama. Obrigada por todas as reviews gatas, e eu se eu ainda não as respondi, isso vai acontecer em breve.

Arigatou.

Beijões

Sami.

N/b:

Olá pessoal! Foi com um aperto no peito que eu betei esse último capítulo... Foi incrível acompanhar esse trabalho do começo ao fim. Adorei participar do projeto da Sami que trouxe uma fic diferente e autentica, onde os protagonistas erram e acertam, como qualquer ser humano.

Obrigada também a todos que acompanharam, deram sugestões e sofreram de ansiedade a cada capítulo!

Grande beijo!

Bella