Oi, pessoas! Comecei essa fanfic em 2019 lá no Nyah e finalmente voltei a escrever. Queria dizer que nesse meio tempo decidi incluir algo no enredo da fic, então teremos o tema traição sendo abordado também... É a primeira vez que vou falar dele pra valer, sendo assim não me apedrejem. No geral, Fonte dos Desejos continua sendo uma história bem clichê sessão da tarde. Espero que vocês gostem, boa leitura!
— Capítulo Um —
— Véspera —
Era véspera do meu aniversário de trinta anos, uma quinta-feira de setembro. E eu estava voando de Phoenix para New York, sentada entre uma mulher que usava um perfume muito forte e um homem que roncava tão alto que fazia tudo tremer.
Para completar, tinha deixado creme de chocolate cair na minha blusa branca e por ser um voo noturno não queria levantar para pegar minha mala no bagageiro e acabar acordando várias pessoas. Eu era uma pessoa muito azarada, um azar que começou no meu aniversário de dezesseis anos, quando durante o jantar de comemoração papai anunciou:
— Nós vamos mudar para a Filadélfia!
Ele tinha recebido uma proposta de emprego na polícia de lá, pagaria mais, conseguiríamos morar em uma casa maior e vários outros benefícios que listou. No entanto, para mim era uma grande merda, já que mudar para Filadélfia significava morar muito longe de Edward, o meu namorado da época.
— Não precisamos terminar — Edward tinha dito para mim mais tarde naquele dia, depois do jantar desastroso. — Tô nem aí para a distância, Isabella. — Segurou em meu rosto molhado por lágrimas. — Vamos fazer dar certo mesmo que eu more aqui em Seattle e você na China.
Sendo assim, não terminamos o namoro, semanas depois mudei de cidade e de estado com meus pais. Foi uma droga ir para longe de Edward, da minha sogra que era como minha segunda mãe e dos meus amigos de Seattle.
Era tão estranho namorar a distância, por um mês inteiro eu chorava todas as noites, temendo que a qualquer momento Edward cansasse de manter aquele namoro onde até o fuso horário era um empecilho. Então, no primeiro dia de novembro, recebi uma ligação de Angela Weber, que era minha melhor amiga, a primeira pessoa de quem me aproximei quando mudei para Seattle anos antes.
Naquela fatídica ligação Angela contou que Edward tinha beijado uma líder de torcida — Victoria Gilbert —, na festa de Halloween que James Smith deu na noite anterior. Ela também falou que meu namorado tinha dado uma carona para Victoria, e com isso não saberia dizer o que mais tinha rolado entre os dois quando saíram sozinhos.
— Sinto muito — Angela falou depois de dizer tudo aquilo. — Mas eu precisava te contar, você não pode continuar namorando um traidor, Bella — disse gentilmente, usando meu apelido e tudo.
Eu, como uma perfeita burra, acreditei em cada palavra que ela me disse. Edward deveria ter se cansado da distância, e Victoria era linda, milhões de vezes mais bonita do que eu, com certeza também mais legal e interessante.
— Obrigada, Angela — murmurei, naquele momento não chorava, apenas e a mão que não segurava o telefone estava agarrada ao colar que Edward me deu em meu aniversário.
Era um colar prata, com um pingente em formato de moeda que ele tinha mandado fazer especialmente para mim. De um lado tinha o símbolo do teatro, o que tinha nos unido, do outro nossas iniciais um I e um E entrelaçados.
Nada daquilo valia nada, nenhum presente dele, nem suas inúmeras juras de amor, ele tinha me traído. Eu dei tchau para Angela e na mesma hora liguei para a casa de Edward, nós não tínhamos celulares, apesar dos pais dele terem grana não queriam mimar o filho com um e minha família não tinha dinheiro para me dar um.
— Alô! — Edward atendeu a ligaço, eu respirei fundo uma vez antes de perguntar:
— Como foi a festa do James ontem? — questionei sem nem dar um oi.
— Princesa, oi — falou animado, as primeiras lágrimas rolaram por meu rosto. Ele era um traidor e ainda tinha a cara de pau de tentar ser fofo comigo. — Acabei de chegar da escola, já ia te ligar.
— E a festa? — teimei.
— Foi tudo bem — respondeu tranquilamente, ouvi ao fundo o Amendoim, cachorro da família Cullen, latir. — Não fiquei muito tempo, já que hoje tinha aula. Ainda tive que dar carona pra Chelsea Hayes e aquela amiga dela, a Victoria, minha mãe combinou com a mãe dela que iríamos voltar juntos de lá e antes das nove.
Eu conhecia os Hayes, eram os vizinhos da casa ao lado da dos Cullen. E Chelsea era outra líder de torcida bonitona, Edward estava sozinho por aí em um carro com duas líderes de torcida extremamente mais interessantes do que eu, a sua namorada idiota que tinha sido exilada para a Filadélfia.
— Fiquei sabendo que você beijou a Victoria — falei e comecei a chorar pra valer.
— O quê? — Edward gritou, Amendoim latiu mais e ele mandou o cachorro parar. — Tá doida? Quem te disse essa merda? Eu não fiquei com ninguém.
— Minha fonte é bem confiável. — Afinal, por que eu duvidaria de Angela, minha melhor amiga? — Você é um cretino — acusei.
— Bella, espera, isso não pode tá acontecendo — falou ainda alto e bem nervoso. — Eu só dei carona para as meninas, não sei o que te falaram, mas foi apenas isso. Elas ainda sentaram juntas no banco de trás e mal falaram comigo, estavam choramingando porque James estava aos beijos com Martha Stuart e as duas gostam dele.
— Para de mentir para mim, porra! — gritei, agradecendo que estava só em casa, já que meus pais ainda estavam na rua trabalhando. — Eu sei de tudo.
— Você não sabe de nada, Isabella. Alguém te contou uma mentira, quem foi?
— Angela.
— Angela? Ela tá louca!
— Para de chamar ela de louca, não me chama de doida também.
— Eu não te traí, por favor, acredita em mim — implorou.
— Traiu sim.
— Eu vou agora mesmo atrás da Angela e vou fazer ela desmentir isso.
— Vai forçar minha amiga a mentir para mim?
— Ela já está mentindo!
— Você é o mentiroso aqui.
— Não é possível que não esteja mesmo acreditando em mim.
— Eu não estou, você quebrou toda a confiança que tinha em você.
— Eu não te traí!
Soltei o colar e apoiei a testa na parede onde ficava o telefone, estava chorando tanto que meu corpo tremia.
— Amo você, Isabella. E estou muito chateado que esteja acreditando numa mentira dessas, mas vamos nos acalmar e acertar as coisas, ok?
— Não tenho nada para acertar com você, não tem mais como confiar em alguém assim, um traidor — sussurrei. — Não sou mais sua namorada, agora você está livre para beijar Victoria, Chelsea e quem mais quiser. Adeus, Edward! — Desliguei o telefone sem esperar que ele continuasse mentindo para mim.
Também andei até a lata de lixo da cozinha, tirei o colar que Edward tinha me dado e o atirei ali.
No avião, quase catorze anos depois, senti um aperto no peito gigante ao lembrar de tudo aquilo. Eu tinha sido a maior burra de todas, Angela tinha sim mentido para mim, como outra amiga minha de Seattle, Lauren, confirmou ao me ligar no dia seguinte aquele caótico primeiro de novembro.
— Bella, acredita em mim — ela pediu mais uma vez. — O Edward não beijou a Victoria, nem outra garota na festa, nem mesmo depois. Ele veio falar comigo e com a Angela na escola hoje, ela começou a gaguejar, disse que talvez viu coisas por conta de uma cerveja que bebeu na festa. Depois que o Edward saiu de perto, muito puto, eu fiz ela contar toda a verdade e aquela babaca confessou que sempre foi apaixonada por ele, desde que os dois começaram a estudar juntos quando tinham uns seis anos de idade, e que esperava que com você longe pudesse enfim ficar com o Cullen. Também falei com Victoria, ela nem lembrava quem era Edward. Ele não te traiu, Angela inventou tudo por ser uma grande invejosa.
Por dias, eu também não acreditei em Lauren, ela estava namorando um dos amigos de Edward, temi que estivesse contando tudo aquilo a pedido do meu ex e do seu namorado. Porém, todos os dias eu ligava para a casa de Angela, querendo conversar sobre aquilo, a mãe dela sempre atendia e inventava uma desculpa diferente para a filha dela não falar comigo.
Depois do décimo dia com Angela supostamente doente e tão rouca que não conseguia falar, parei de ligar para a casa dela e liguei para a dos Cullen. Esme, a mãe de Edward, atendeu e eu travei, não consegui falar nada.
Me senti uma idiota, tinha desconfiado de Edward, tinha terminado nosso namoro e acreditado em uma invejosa. Ele não me merecia, eu era só uma garotinha burra e insegura, estava tão envergonhada.
Desliguei o telefone e não liguei mais por anos, quando finalmente liguei, ele não queria mais ouvir minha voz.
Uma lágrima deslizou por meu rosto, eu funguei e a limpei com um lencinho de baixa qualidade que tinha na minha bolsa. Ainda doía muito ter perdido Edward, tudo por ter sido uma grande estúpida, também ainda sentia vontade de voar até Seattle onde Angela continuava morando e esganá-la.
No final das contas, ela também não tinha ficado com ele. Edward se tornou um grande ator, vencedor de Oscar, com uma carreira incrível, casou — e mesmo que já tivesse divorciado continuava amigo de sua ex — e ainda teve um filho que era todo seu mundo pelo que se podia ver em suas redes sociais e entrevistas, nós duas deveríamos ser uma memória completamente distante da mente dele.
— Vida de merda — praguejei. O homem ao meu lado parou de roncar por cinco segundos, me dando esperanças de paz, mas logo voltou e ainda mais alto. — Legal!
X
A passagem de ida para New York e a de volta para Phoenix, foram presentes da minha mãe, ela queria que eu me divertisse em meu aniversário e fosse passar alguns dias com minha melhor amiga que morava lá. Eu tinha conhecido Alice Brandon em setembro de 2011, em alguns dias iríamos comemorar aniversário de amizade, quando nós duas acabamos trabalhando como garçonetes no mesmo café de New York.
Na época eu estava na cidade fazendo um curso de atuação, mas precisei trabalhar para pagar minhas contas. Foi quando comecei no café onde ela já trabalhava, logo de cara Alice quis ser minha amiga, mas fui resistente, desde Angela tinha medo de virar amiga de alguém e depois levar uma rasteira.
No entanto, foi impossível não acabar virando amiga de Alice. Ela era divertida e eu com certeza precisava de diversão em minha vida, mas a Brandon também era extremamente leal e sabia que nunca iria fazer nada parecido com o que Angela tinha feito.
— O que aconteceu com você? — Alice indagou quando nos encontramos no aeroporto. — Derramou creme de chocolate na sua blusa, Bella? — Apertou minha bochecha, eu resmunguei e afastei meu rosto.
— Sim, comprei um cannoli no aeroporto de Phoenix pra comer no avião e me sujei toda. Eu deveria ter trocado de roupa, mas decidi ligar o foda-se.
— Não, sem baixo astral! — exigiu notando meu humor de merda. — Você está em New York e faz séculos que não nos vemos, é hora de comemorar, só não te abraço porque não quero sujar minha roupa. — Deu um tapinha no meu ombro. — Vou te deixar no meu apartamento e ir direto para o trabalho, mais tarde podemos começar a comemorar seu aniversário.
— Ok — murmurei.
Alice estava certa, tinha um ano que não nos víamos pessoalmente, desde meu aniversário do ano anterior quando ela foi me visitar em Phoenix, onde eu estava morando desde agosto de 2018. Phoenix também tinha sido a cidade para onde me mudei com minha mãe em 2006, menos de um ano depois da mudança de Seattle para Filadélfia, após meu pai falecer em um tiroteio na cidade que alterou o rumo da minha vida, especialmente do meu namoro com Edward.
Eu terminei o colégio em Phoenix, de lá mudei para Los Angeles para tentar a carreira de atriz, mas não fui nada bem nisso. Durante todos aqueles anos eu tinha perseguido o sonho de ser atriz, vivido em Los Angeles, Miami, New York, Toronto no Canadá, Phoenix tinha se tornado o lugar para onde sempre voltava quando a situação de dinheiro estava pior, já que lá podia viver na casa da minha mãe e ela sempre arranjava um emprego para mim, geralmente como recepcionista no salão de beleza que ela trabalhava.
A vida de Renée, depois da morte do meu pai, tinha ficado bem caótica. Fomos para Phoenix e vivemos com minha avó, que logo descobriu um câncer, isso fez minha mãe gastar muita grana — a parte dela na herança que meu pai deixou — nos tratamentos da vovó Marie, que acabou falecendo um mês depois de eu me formar no colegial.
Minha mãe também tinha gastado boa quantia do dinheiro que herdou do meu pai em um salão de beleza pequeno, que montou logo ao mudarmos para Phoenix, mas teve de abrir mão dele quando se afundou em dívidas na época que vovó adoeceu. Alguns meses depois de Marie falecer, quando eu já estava em Los Angeles, mamãe conheceu meu padrasto, Phill Dwyer e engravidou pouco depois, dessa relação nasceu Bree, minha irmã caçula e Renée acabou se casando de novo.
No começo isso me irritou, eu não achava justo ela seguir sua vida, arranjar outro cara e ainda ter uma filha depois da morte do papai. Porém, mamãe parecia gostar muito de Phill e com o tempo fui percebendo isso, eu também fiquei encantada por Bree, aquela garota era uma das poucas coisas boas em minha vida.
— Como está tudo em Phoenix? — Alice perguntou quando já estávamos no Uber seguindo para a casa dela.
Alice não era rica, mas tinha uma vida melhor do que a minha. Trabalhava como confeiteira em um restaurante no Brooklyn, dividia um apartamento com seu namorado, Benjamin, e tinha grana para gastar com um Uber para cruzar a cidade.
— Tudo ótimo — debochei. — Era o sonho da minha vida dividir quarto com minha irmã de dez anos, trabalhar de segunda à sábado atendendo telefone, sentindo cheiro de tintura e sendo a funcionária do mês como recepcionista.
— Pelo menos você é uma boa recepcionista e foi reconhecida — Alice falou, eu bufei.
— Não ganhei nada a mais com isso.
— Você está conseguindo juntar grana?
— Ainda estou pagando as dívidas que consegui graças à peça — resmunguei.
No ano anterior, depois da série que eu fazia no Canada ter sido cancelada, peguei um empréstimo com o banco e decidi montar uma peça em Los Angeles. O roteiro era meu, direção minha, a atriz principal seria eu, mas também acabou saindo como uma peça cara, alugando teatro, contratando produção, outros atores, um diretor assistente e equipe de marketing, realmente acreditei que a peça daria certo, mas foi um fracasso.
Ela durou só duas semanas, quase ninguém ia assistir e a crítica ainda falou bem mal dela. Eu acabei indo para Phoenix e cheia de dívidas para pagar referente a uma peça de lixo.
— O que você pensa em fazer depois de acabar de pagar essas coisas? — Alice quis saber. — Você pode vir morar com Benji e eu por um tempo.
— Não mudo mais de Phoenix. — Olhei pela janela do carro. — Minha vida e minha carreira... Tudo foi um fracasso. — Suspirei. — Tá na hora de aceitar que eu nunca serei uma atriz de sucesso, vou continuar sendo uma recepcionista e dividindo quarto com a Bree.
Alice ficou em silêncio por um tempo, até perguntar outra coisa.
— Você não tem falado sobre caras, alguém em vista?
Eu ri, não me dei ao trabalho de responder. Fechei os olhos e tentei não pensar em Edward, tentei não fantasiar de como seria a vida perfeita ao lado dele.
X
Benjamin e Alice deveriam mesmo estar ganhando bem, eles tinham alugado um novo apartamento em julho e o lugar era bem grande para os padrões de New York. Cozinha e sala separadas, uma suíte, com closet que estava abarrotado pelas roupas da minha amiga, o segundo quarto tinha um computador gamer ocupando a mesa e ali até cabia uma cama de casal.
Aquele era o quarto onde eu iria dormir, precisaria usar o banheiro do corredor, mas Alice disse que ele seria só meu pelos dias que ficaria em New York. Ela me deixou no apartamento e foi trabalhar, mas não sem antes me dar uma cesta de café da manhã e flores de boas-vindas.
Fiquei sozinha no apartamento o resto do dia, Benjamin também estava no trabalho, ele era personal trainer. Eu me enchi das comidas que Alice comprou para mim e fiquei na sala de estar deles assistindo programas de sobrevivência na TV, pessoas indo para o meio de florestas desafiarem seus limites.
No entanto, eu também estava mexendo no celular. Principalmente no Twitter quando recebi notificação de que Edward tinha atualizado sua conta lá, seguia meu ex com uma conta anônima, não a que tinha meu nome, também tinha suas notificações ativadas para não perder nada.
Era algo ridículo de se fazer, eu sabia, mas quem poderia me julgar por querer saber as notícias dele em primeira mão? Ainda o amava!
Já tinha tido outros namorados depois de Edward, incluindo um bem filho da puta que me faliu. Ele era Felix Jones, um músico que conheci em Miami quando estava fazendo uma peça lá.
Na época eu tinha acabado de sacar minha parte da herança de papai, algo que só pude fazer aos 21 anos por conta de questões legais. Pensei que com aquela grana minha vida melhoraria, poderia pagar um bom agente para minha carreira e investir em cursos de atuações que realmente valeriam a pena.
Só que Felix, sendo cheio de charme e jeitinho trapaceiro, pediu a grana emprestada. Disse que me pagaria o dobro, que eu seria a investidora de sua banda, contou que eles gravariam um EP e assim que lançassem iriam receber propostas altas com gravadoras de reconhecimento, como uma boba apaixonada, emprestei o dinheiro. E Felix gastou toda a grana em um final de semana em Las Vegas com os amigos, nunca consegui o dinheiro de volta e não tive como processá-lo por nada, já que não tinha provas de ter emprestado nada.
Resmunguei, odiando lembrar daquilo. E foquei no tweet de Edward, não importava quantos caras já tivessem cruzado meu caminho, eu continuava perdidamente apaixonada pelo meu primeiro namorado.
"Um pouco do novo photoshoot para a E Magazine que saí semana que vem."
Ele tinha escrito, ou alguém de sua equipe, e logo abaixo uma foto sua para a tal revista. Edward era um homem alto, cabelos cor de bronze, olhos verdes e porte atlético.
Bem diferente da minha, a carreira dele como ator foi um sucesso. Foi estudar em Juilliard, ali em New York, depois de se formar no colegial. Atuava em séries e filmes de prestígio, ganhou prêmios, incluindo um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
Comecei a chorar, me amaldiçoando por ter acreditado na mentira de Angela. Edward e eu poderíamos ter ficado juntos, nunca nos afastado, tudo deveria ter sido diferente.
Ainda estava no meio daquela crise de choro quando Alice ligou. Parei de chorar, dando o máximo de mim para isso, e atendi.
— Oi, Alice.
— Bella, desculpa! — exclamou. — Eu acabei de falar com o Benji, tinha esquecido que tínhamos um jantar marcado com os pais dele hoje. Você quer ir com a gente? Ou prefere deixar o início da comemoração do seu aniversário para amanhã mesmo? Tirei a sexta e o sábado de folga, vamos poder aproveitar bastante antes de você voar de volta para Phoenix no domingo.
Revirei os olhos, claro que ela tinha planos melhores do que ficar comigo.
— Pode ir para seu jantar, amanhã a gente comemora.
— Oba, obrigada por entender, te amo!
— Ok, ok. Até depois! — Desliguei, sentindo o gosto amargor em minha língua.
Iria passar meu primeiro dia em New York sozinha, que legal!
X
Alice me enviou uma pizza na hora do jantar, que eu não comi, estava sem fome. Porém, estava com sede, assaltei os armários do casal e roubei uma garrafa de uísque, voltei para o sofá onde fiquei a maior parte do dia e fiquei lá bebendo e assistindo vídeos de cachorros no Youtube.
Sonhava em ter um cachorro, mas eles exigiam muito tempo e dinheiro, coisas que eu não tinha. Além do mais, Bree era alérgica, enquanto morasse com ela não poderia mesmo ter um.
Recebi outra notificação de Edward, aquela era do Instagram. Era uma foto dele com o filho, Nicholas, que tinha uns 5 anos de idade. Os dois estavam em um restaurante, um ali de New York, a legenda dizia:
"Com meu melhor amigo em uma das melhores cidades do mundo."
O meu coração apertou, Edward estava em New York, tão perto de mim. Com o filho perfeito dele, um filho que talvez em outra realidade fosse ser meu também.
Conseguia me imaginar naquele restaurante com ele e o garotinho de cabelos loiros, uma viagem para New York com o intuito de comemorar meu aniversário no dia seguinte. A legenda de Edward seria.
"Com minha esposa linda e nosso filho perfeito."
Chorando e meio bêbada, mandei uma mensagem para Alice. O contato dela em meu celular era Alice Salvadora, porque logo que nos conhecemos sempre achei que ela tivesse surgido em minha vida como uma salvadora mesmo, minha primeira amiga de verdade em muito tempo.
Bella: Adivinha quem está em New York.
Alice Salvadora: Espero que seja minha força de vontade, porque aqui comigo ela não está, os pais do Benjamin são tão chatos.
Eu bufei, não queria saber dos sogros dela.
Bella: Não, é o Edward...
Alice Salvadora: Para de ficar seguindo seu ex na internet!
Bella: Eu não estava.
Alice Salvadora: Mentirosa!
Alice Salvadora: Enfim, o jantar acaba, chego aí em breve.
Não respondi mais, até porque naquele momento recebi uma ligação de casa.
— O quê? — Atendi.
— Bella! — Era Bree. — Você viu minha blusa rosa que está escrito Hope na frente? — perguntou preocupada.
— Não — resmunguei e bebi mais um longo gole de uísque.
— Eu não sei cadê, queria tanto usar ela para a escola amanhã. — Bree suspirou. — Como está aí em New York?
— Chato pra caralho.
— Você não deveria estar falando palavrão.
— É? Que se dane. — Foi minha vez de suspirar.
— Tudo bem?
— Tudo ótimo, tchau!
Desliguei em seguida, sabia que não deveria responder minha irmã daquele jeito, mas estava tão cansada de tudo. Minha vida era pra ser mais emocionante do que ficar conversando sobre blusas perdidas, muito mais legal do que ficar assistindo vídeos de cachorros bebendo uísque na casa dos outros.
Eu levantei, desliguei a TV e fui até o quarto de Alice. Iria buscar meu presente, sabia que ela deveria estar mantendo ele em seu closet, iria descobrir o que era e talvez me animar com isso.
Achei uma caixa sem nomes de lojas no alto do closet dela e a peguei, abri e naquele momento me deparei com roupas de bebê. Paralisei a ver aquilo, Alice estava grávida? Revirei a caixa e no fundo encontrei um álbum de fotos, na maioria delas Alice e Benjamin estavam segurando em mãos um teste de gravidez.
Ela estava grávida!? Ela tinha um namorado, um apartamento lindo, um bom trabalho na área que amava e ainda seria mãe!
Meu celular tocou, eu atendi cega por lágrimas que começaram a encher meus olhos no momento que vi aquelas fotos.
— Não sei cadê sua blusa, Bree! — gritei.
— Bella, sou eu. — Ouvi a voz da minha mãe. — Você parece muito nervosa, Bree disse que ligou e mal deu atenção para ela. O que está acontecendo?
O que estava acontecendo? Como explicar aquilo? Tudo tinha começado a desandar quando ela e meu pai me tiraram de Seattle.
— É tudo sua culpa! — eu berrei para Renée. — Você não deveria ter aceitado se mudar para Filadélfia, se tivéssemos ficado em Seattle eu estaria com Edward até hoje e meu pai não estaria morto, poderia ter o impedido de aceitar o emprego lá, Renée!
— Pelo amor de Deus, você está me culpando por seu pai ter morrido? — questionou surpresa. — Me culpando porque você acreditou naquela história de Edward ter te traído? Bella, você estava bebendo? Preciso que se acalme e pare...
— Eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio! — a interrompi.
— Isabella, você... — Não quis escutar o resto e desliguei meu celular, larguei de lado a caixa de Alice e voltei a mexer no closet dela.
A nova mamãe do ano era mais baixa, mas tínhamos corpos parecidos e peguei um vestido bonito dela. Eu iria sair sozinha e aproveitar New York, não precisava de ninguém, penteei meus cabelos em um coque baixo, peguei saltos meus no quarto onde minhas coisas estavam e estava quase saindo do apartamento quando Alice apareceu.
— Oi, esse vestido é meu? — perguntou. — Benji foi deixar os pais na casa deles, depois ele vem e podemos beber algo.
— Você vai ter um filho! — Alice paralisou ao me escutar gritar aquilo. — E não me contou nada.
— Não, espera, eu...
— Parabéns, você tem uma vida perfeita. — Solucei. — E não sabe como te invejo por isso.
Passei por ela e sem esperar para ouvir mais, deixei o apartamento. Fui parar no Central Park, já estava escuro e poucas pessoas circulavam por lá, mas eu não podia me importar menos.
No Central Park, acabei parando perto da Fonte Bethesda, eu estava lá, encarando a escultura no topo, quando ouvi chamarem meu nome.
— Isabella?
Olhei para trás e vi alguém que nunca esperei rever. Era ela... A mulher que Edward e eu encontramos na frente da minha casa, na véspera do meu aniversário de dezesseis anos, antes de tudo mudar.
— Olá! — Sorriu para mim, eu me arrepiei.
Ela parecia a mesma, nem um dia mais velha e ainda usava as mesmas roupas daquela noite. Como era mesmo seu nome?
— Lembra-se de mim, não é? Sou Madame Corinne.
Eu me vi concordando com um aceno de cabeça, ela caminhou até minha direção e falou:
— Avisei que iríamos nos reencontrar.
— Quem é você? Como sabe de mim? Como sabe que me encontraria aqui? — questionei aflita, olhei ao redor buscando ajuda, mas todos que estavam por ali antes tinham sumido.
— Como foi seu futuro, Isabella? — Madame Corinne perguntou, sem se importar em responder minhas questões.
— O quê?
— Eu lembro do que você queria para seu futuro. Casar com Edward Cullen, ter dois filhos, virar uma atriz de sucesso, escrever um livro e conhecer Paris. Nada disso se realizou, não foi?
— Co-Como — gaguejei, lembrei do panfleto dela onde tinha escrito tudo aquilo, mas ele tinha ido parar no lixo dias depois, tinha certeza disso.
Madame Corinne mexeu entre suas vestes cheias de camada e tirou de lá o panfleto, era idêntico ao que me deu todos aqueles anos atrás. Virou ele e me deixou ver o verso, onde a lista com os itens que imaginava que teria cumprido até aquela altura da minha vida estavam escritos, na minha caligrafia, eu não tinha dúvida disso.
— Você revirou o lixo da minha casa e guardou isso por todo esse tempo? — perguntei aflita dela ser uma psicopata ou qualquer coisa assim.
Porém, o papel parecia novo, nada desgastado pelo tempo.
— Eu posso te ajudar, Isabella — a mulher falou. — Posso te ajudar a realizar todos seus sonhos.
Eu ri.
— Até parece.
Ela remexeu novamente em suas roupas e tirou outra coisa de lá , segurou minha mão e colocou na palma o objeto. Eu gelei, era uma moeda, e reconheceria aquela em qualquer lugar, sempre reconheceria.
Era o presente que Edward tinha me dado quando fiz dezesseis anos, o mesmo presente que eu joguei no lixo quando terminamos.
— Como você tem isso? — questionei Madame Corinne.
— Você só precisa jogar a moeda na fonte e fazer seus desejos, Isabella. — Ela me entregou o panfleto também. — Irá acordar com todos eles realizados, e no último dia do ano deverá voltar para este mesmo lugar e novamente atirar a moeda na fonte, antes do ano virar. E aí irá escolher se mantêm os seus desejos na outra realidade, ou se vai querer voltar para esta.
— O quê? — Eu não estava entendendo porra nenhuma.
— Jogue a moeda na fonte, Isabella — falou e se afastou, eu não quis a seguir temendo que ela fosse uma assassina.
Olhei para a fonte atrás de mim, muitas pessoas atiravam moedas nela, mas eu nunca tinha feito isso. Apertei a moeda em minha mão, senti falta dela, mas e se eu realmente a jogasse na fonte?
Que mal faria? Fonte dos desejos não me dariam nada do que queria, mas eu poderia sonhar.
Fiquei de costas para a fonte, fechei os olhos e joguei a moeda, no mesmo momento que soltei o panfleto no ar e desejei que os itens ali se cumprissem.
Eu queria casar com Edward Cullen, queria ter dois filhos, virar uma atriz de sucesso, escrever um livro e ainda conhecer Paris. Pensei em como minha vida seria perfeita tendo tudo aquilo, desejei com todas minhas forças, até que elas deixaram de existir.
Senti tudo rodar e acabei caindo ao chão, tinha desmaiado.
X
Despertei com o som de uma porta batendo, me remexi na cama e senti uma forte dor de cabeça. Abri os olhos e dei de cara com um teto muito bonito, tinham desenhos de flores no gesso e um lustre imenso dourado.
Aquele não era o teto do quarto de hóspedes do apartamento da Alice. Na hora me sentei na cama, eu também senti naquele momento que estava nua debaixo dos pesados e bonitos lençóis brancos.
Olhei ao redor e vi como o quarto era tão bonito, todo bem decorado com pinturas nas paredes. De quem era aquele quarto?
Continuei olhando ao redor procurando por meu celular, mas tudo que vi foi o abajur na mesinha de cabeceira, um relógio digital que estava marcando oito da manhã e uma embalagem vazia de camisinha.
— Puta merda — sussurrei. — Com quem transei?
Minha última lembrança era estar no Central Park, fazendo desejos para uma fonte depois de topar com aquela tal Madame Corinne. Eu tinha ido para alguma boate, bebido ainda mais e ido pra cama de algum desconhecido rico?
Afastei os lençóis de cima de mim e foi naquele momento que vi, um anel com um diamante gigante na minha mão esquerda e junto a ele uma aliança de ouro.
— O quê? — Me faltou ar.
Ouvi um porta se abrindo, seguida por uma voz que eu conhecia muito bem falar:
— Você acordou cedo.
Ergui meu olhar, na frente do que parecia a porta que dava acesso para um banheiro estava Edward Cullen.
— Edward — sussurrei.
Eu tinha o encontrado noite passada? Nós estávamos no apartamento dele na cidade? A gente tinha transado? Por que eu estava usando um anel e uma aliança?
— Ressaca? Não deveríamos ter bebido tanto vinho. — Ele riu e se aproximou, estava vestindo um roupão. Sentou ao meu lado, tocou em meu rosto e disse. — Feliz aniversário, esposa!
Beijos!
Lola Royal.
17.06.22
