Capítulo Único

Hades fora derrotado, a paz na Terra restaurada. Poseidon e Atena concordaram em assinar um tratado de paz, cessando assim toda e qualquer Guerra Santa entre eles naquele século; e como demonstração de confiança que as partes honrarão o acordado, Zeus concede nova vidas aos guerreiros caídos em combate de ambas as divindades, o que os deixa contentes e satisfeitos.

Tanto Poseidon quanto Atena reconstruíram seus respectivos santuários, decididos a também promoverem uma convivência pacífica entre seus guerreiros — no começo nenhum dos lados quis dar o braço a torcer — então o Imperador dos Mares decide fazer uma confraternização, convidando a Deusa da Guerra Estratégica e Sabedoria, além de seus cavaleiros, Atena feliz com o convite e aceita de bom grado.

Dias depois, festa no Templo Submarino

A deusa protetora da Terra e seus guerreiros foram recepcionados por Poseidon em pessoa ao chegarem ao Templo Submarino, no começo o clima foi tenso. Cavaleiros para um lado e marinas para o outro. Porém quando perceberam as divindades relaxadas, rindo, conversando em clima íntimo, relaxaram, as conversas entre eles foram se tornando mais animadas, começaram a se enturmar. Logo alguns soltavam piadas uns dos outros, o som das risadas foi preenchendo o lugar.

Thétis ria de algo engraçado que Isaak havia falado – sim, o general de Kraken era muito bem-humorado quando queria – quando cessou o ato passou os olhos pelos convidados pousando em Kanon, relembrou da época em que nutria sentimentos mais profundos pelo então general de dragão marinho, no entanto, quando entendeu que não seriam correspondidos, decidiu esquecê-lo e acertou em ser assim, pôde notar a troca de olhares ele e o cavaleiros de escorpião, se não se enganava, o nome era Milo.

A comandante depois de tanto conversar e rir, sentiu a garganta seca, se afastando dos demais para buscar uma bebida no pequeno, porém muito bem abastecido, bar; lá deparou-se com Shina, a amazona de Atena que foi sua rival na batalha que ocorreu naquele local. Em um primeiro momento seu instinto gritou inimigo, só que aquela realidade ficou no passado, já não eram mais lados adversos.

— Thétis. — A amazona a cumprimentou em tom cordial.

— Shina. — Retribuiu a saudação.

A loira preparava um drink quando percebeu que uma das bebidas que precisava para terminar estava na mão da amazona, queria pedir pela garrafa, mas por uma razão desconhecida as palavras não saíram de sua boca. O que a deixou intrigada, não era de sentir-se inibida por nada ou qualquer pessoa. Shina percebeu o acanhamento da outra, situações assim não eram anormais para ela, afinal ela era uma pessoa intimidadora.

— Algo errado? — indagou.

— Não, nada — a resposta veio em um tom baixo.

A amazona deu de ombros, colocou a garrafa da bebida de volta no lugar e saiu dali.

Thétis estava em um dilema interno, ainda processando o fato de que não conseguiu externar a frase formulada em sua mente.

— Tudo bem, Thétis? — A voz grossa de Sorento a tirou de sua batalha mental.

— Hã? O que? — perguntou confusa.

— Perguntei se está tudo bem — ele pediu. — Estava com uma cara.

— Não foi nada. — Recompôs-se.

Entendendo que nada conseguiria da moça, ele não insistiu, apenas pegou uma bebida e depois retornou para o grupo em que estava deixando a loira no bar. Thétis afastou ou ao menos tentou, aqueles pensamentos, terminou o que foi fazer no bar e voltou para perto de seus companheiros.

(...)

A festa ganhou um pouco mais de fôlego quando aos poucos alguns arriscaram passos de dança; Milo estava um pouco alegre, rindo à toa, puxou Shina para dançar com ele. Há muito os dois resolveram qualquer rixa ou intriga que existisse entre eles.

— Está animado — ela disse igualmente risonha.

— Claro! — exclamou. — Temos que aproveitar a vida!

Ela riu, o escorpiano estava certo. Uma nova vida, uma nova chance, por que não fazer o melhor disso? Acompanhou os passos do cavaleiro.

Isaak puxou Thétis para dançar, a moça se deixou guiar e pensar que no início os dois não eram amigos, como as coisas mudavam. E que bom que mudavam.

— DÁ UNS PEGAS LOGO! — Kanon totalmente alegre gritou um pouco mais ao longe, causando risos nos demais. — ISSO DE VOCÊS É TESÃO REPRIMIDO!

— VAI VOCÊ DAR LOGO UNS PEGA NO MILO E NÃO TORRA! — Isaak gritou de volta.

— Estão mesmo juntos? — Thétis perguntou em curiosidade genuína.

— Os dois mudos dão pinta que estão juntos! — ele respondeu rindo. — Só cego não vê!

Milo não falou nada, apenas riu, procurou Kanon com os olhos e gritou:

— AMOR!

— DELÍCIA! — Gritou de volta. — HOJE A NOITE PROMETE!

— VOU COBRAR!

Era nítido o nível de embriaguez de ambos, mas ninguém ligava, pois não estavam em condições diferentes. Até riam com eles. Alguns até já haviam deixado o recinto discretamente como Shura e Afrodite, outros ainda desenrolavam, ou tentavam. O que surpreendeu a muitos foi o beijo cinematográfico entre Shun de Andrômeda e June de Camaleão, chegando a serem aplaudidos.

— Shun aprendeu rápido a não perder tempo! — Alguém comentou.

— Faz Shun muito bem! — Dokho falou.

Shina que ainda dançava, observou a cena, feliz pelo companheiro de armas; muitos tiraram sarro dele por ser contra a violência, sendo que ele partilhava do mesmo pensamento de Atena, se puder evitar o conflito e resolver por outros meios, o faria.

— É, ele cresceu! Dá até orgulho! — Milo fingiu limpar uma lágrima.

— Pela Deusa, Milo! — Ela gargalhou com vontade.

Ele apenas a apertou em um abraço de urso. Naquele instante Thétis olhava para eles, incomodada. Não entendeu exatamente o porquê, a loira voltou a prestar atenção em Isaak.

— Se tá afim, vai com tudo — ele disse em seu ouvido.

— A fim de que? — indagou.

— Dançar com um dos dois lá — respondeu olhando na direção de Milo e Shina.

— Não sei do que está falando.

— Como queria, loira. — A girou nos braços.

Continuou dançando com o aquariano por mais algum tempo até sentir alguém a puxando; era Shina. Ficou parada por alguns instantes sem saber o que fazer.

— Cansou do outro? — perguntou.

— Não, fui trocada mesmo, foi atrás do namorado — Shina respondeu.

— É, quem pode, pode.

O ritmo que começou a tocar era mais lento, uma balada romântica, sentiu a amazona de Atena a trazer mais para perto, levando seus braços para o pescoço dela, estranhou no começo, mas deixou-se levar. Que sensação diferente, não sabia o que era, mas estava gostando. Por um momento, parecia que só existiam as duas ali, o mundo desapareceu, olhando nos olhos uma da outra, um silêncio confortável, apenas o ritmo da música as guiando. Sorriram sem perceber.

Enquanto dançava, Thétis sentiu uma vontade muito grande de beijar a amazona e o fez. Shina a puxou o suficiente perto para eliminar qualquer espaço entre os corpos. Correspondeu ao beijo com a mesma intensidade. Sentiu as mãos da amazona de Atena percorrendo seu corpo, sentia o calor aumentando. Alternaram entre beijos de tirar o fôlego e selinhos, entretanto a mulher de madeixas verdes foi além, distribuía leves beijos no pescoço de Thétis que sentiu um arrepio gostoso percorrer todo seu corpo.

Um gemido deixou os lábios da loira. Queria mais, só que aquele não era o lugar apropriado para isso, também queria aproveitar um pouco mais daquela festa antes de começar uma mais íntima com a amazona.

Infelizmente aquele pequeno momento foi quebrado quando o som mudou de algo lento para mais agitado. Thétis sentiu uma pontada de frustração, mas logo passou.

(...)

A festa não dava sinais de que iria acabar tão cedo, porém a comandante de Poseidon já sentia-se satisfeita, se divertiu, bebeu, dançou, quase tudo que tinha direito. Procurou Shina pelo local, mas não a encontrou, ou já tinha ido embora, ou estava com alguém por algum canto do templo submarino, fazia ela muito bem.

Bom, já que daria a noite por encerrado, encostou-se em uma das pilastras e tirou os calçados, eram lindos, porém a dor em seus pés estava insuportável, então preferiu ficar sem eles.

— Que alívio! — falou sozinha. — Um bom banho e cama!

Continuou a andar, olhando pelo caminho que estava iluminado com tochas espalhadas pelo trajeto, viu uma figura deitada em uma rocha mais a frente, ou a pessoa dormiu de tão embriagada ou se perdeu e simplesmente desistiu. A curiosidade bateu à sua porta e decidiu atender, aproximou e percebeu que a silhueta era feminina. Por conta da parca iluminação não pôde ver muito bem quem era. Bom, havia poucas mulheres no exército de Atena, logo as opções eram limitadas. June deveria estar com aquele menino, o Shun, a ruiva, qual era o nome dela? Mari? Maria? Marin? Enfim, estava com o tal cavaleiro de Leão, então só poderia ser Shina.

— O que faz aqui? — Thétis perguntou ao se aproximar mais.

— Me perdi. — Riu, pela voz percebia que bebeu um pouco além da conta. — Fiquei com preguiça de voltar e deitei!

Thétis riu.

— Estou indo pra minha casa, se quiser... — Deixou o convite no ar.

— Hum está me convidando para um pós-festa?

— Se quiser.

Shina se levantou devagar, tirou os sapatos de qualquer jeito, o que não daria pela massagem que só Aldebaran sabia fazer? E também pelo gel que ele usava para aliviar a dor nas pernas, a tal da arnica.

— Como eu queria uma massagem agora... — Resmungou. — Uma massagem e quem sabe um p.a ou uma b.a.

— P.a.? B.a.? — Thétis perguntou, pois não havia entendido.

— Pau amigo, boceta amiga, sabe? — Shina respondeu. — Aquele amigo ou amiga com quem você transa, mas não se apega.

A loira apenas fez uma cara de quem tenha entendido, mas de fato não queria saber daquela história de pau amigo, queria saber da amazona. A ajudou a se levantar e foram caminhando em silêncio.

Shina esbarrou diversas vezes na mulher ao seu lado, tudo propositalmente. Apesar do que havia dito há pouco, o beijou que elas deram também foi muito bom, do tipo que um apenas não bastava.

— Chegamos. — Thétis anunciou, abriu a porta e deu passagem para Shina, entrando em seguida. — Se quiser comer algo, a cozinha está a disposição, o mesmo se quiser um banho.

— Gostei dessa do banho, mas só se você tomar comigo. — Riu.

Thétis a prensou contra a parede, encostou os lábios no ouvido dela.

— Eu aceito, amazona. Com muito gosto.

Shina não se fez de rogada e beijou a comandante marina, invertendo as posições e prensando Thétis contra a parede.

Era a vez da loira passar as mãos pelo corpo da amazona de Ofiúco, chegando a bumbum dela que apertou com vontade.

Shina abandonou os lábios da sereia e passou a dar atenção ao pescoço alvo, desde leves beijos à chupões, se deleitando com os gemidos nada tímidos dela. Passou as mãos de forma demorada pela figura prensada contra a parede, abaixou as alças finas do vestido. Thétis a afastou um pouco e tirou o vestido, revelando estar apenas com uma calcinha estilo fio dental vermelha.

— Que delícia hein! — Shina apertou os seios dela com vontade, eram um pouco maiores que suas mãos, mas macios, lambeu os lábios antes de cair de boca neles.

A sereia gemia mais alto, jamais imaginou que a boca de Shina fosse realmente tão gostosa, isso se refletiu em sua calcinha que ficou mais molhada.

— Shi... — Chamou pela amazona.

A amazona parou o que fazia e olhou para a amante.

— Não é justo só eu ficar sem roupa — Thétis disse enquanto tirava a calcinha.

— É verdade. — Começou a tirar a própria roupa de forma provocante, virou de costas para a loira, baixou a calcinha bem devagar até sentir seu corpo ser puxado por ela.

— Gostosa. — Sussurrou no ouvido dela, tirou o cabelo verde do pescoço dela e distribuiu beijos pela região, pelos ombros, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo dela, apertou os seios com o mesmo gosto com que os seus foram, deslizou a mão pela barriga lisa até chegar lá. Shina estava tão molhada quanto sua pessoa.

Acariciou a região, a explorou com calma, brincou com o clitóris da amante, seus gemidos nada tímidos eram música para seus ouvidos, a deixou no limite, mas não permitiu que atingisse o clímax naquele momento. Ouviu seu resmungo, sorriu, a penetrou com os dedos, Shina arfou antes de voltar a gemer deliciosamente. A estocava devagar, atenta às reações dela.

— Thétis... Não seja má... — Shina implorou, precisava daquele alívio, estava tão perto e ao mesmo tempo parecia tão longe, queria gozar na mão dela, queria Thétis com urgência.

— Implora, Shi, implora. — Brincou com ela e ouviu de novo dos lábios da amazona que queria gozar.

Aumentou a velocidade e força com que a estocava até sentir o corpo colado ao seu se contorcer em um delicioso orgasmo, além de senti-la escorrer em sua mão. Levou os dois dedos com que a estocou aos lábios.

— Que amazona gostosa.

Shina sentia seu coração descompassado, a respiração pesada e o corpo extasiado.

— Uou.

Thétis sorriu, a puxou para um beijo mais calmo, doce. A levou para um banho quente, relaxante, trocaram várias carícias, carinhos e beijos escandalosos.

Depois do longo banho, continuaram na cama, mas foi a vez de Shina brincar com o corpo da amante. A beijou com carinho, distribuiu por toda a face da loira, descendo para pescoço onde se demorou, saboreando a pele macia, o perfume do sabonete do banho recém-tomado. Desceu mais os beijos, chegando aos seios, brincou com cada um, passou a língua, puxou devagar, antes de voltar a brincar com eles. Thétis gemia, passou as mãos pelo cabelo da amazona.

— Shi...

A amazona continuou a exploração, beijando a barriga lisa até alcançar a intimidade da sereia, passou a língua por todo local, causando um gemido mais agudo nela. Chupava com vontade, a penetrou com um dedo, estocando devagar, sentindo-a se contorcer de prazer. Introduziu mais um dedo e aumentou o ritmo das estocadas.

Thétis sentia que iria atingir o ápice a qualquer momento, Shina de fato sabia o que estava fazendo e era delicioso. Se contorceu mais e mais até gozar por fim. A respiração descompassada, o coração batendo como louco e uma sensação deliciosa correndo por suas veias.

Sentiu a outra voltar a beijar seu corpo, refazendo a trilha até seus lábios, sentindo seu próprio gosto na boca dela. Apartaram o beijo pela falta de ar.

— A noite é uma criança. — Thétis brincou enquanto acarinhava o rosto da amazona. — E estamos só começando.

— Com certeza. — Shina se deitou ao lado dela.

Thétis aproveitou e ficou por cima da outra, sorriu sacana, beijou Shina depois fez exatamente o que a amante fez em si, proporcionando o mesmo prazer, ouvindo os gemidos dela.

(...)

Acordou no dia seguinte com um sorriso bobo no rosto. Thétis nunca pensou que fosse gostar tanto de passar a noite com alguém como passou com Shina. Não era só o sexo, se sentiu bem com ela, aquele momento em que dançaram juntas e o mundo sumiu ao redor delas. Queria aquele sentimento, aquela sensação gostosa.

Levantou devagar, para não acordá-la, rumou para o banheiro, tomou uma ducha bem rápida, escovou os dentes, penteou o cabelo e foi para cozinha. Improvisou um café da manhã para a amante.

Arrumava tudo para levar para mesa quando sentiu os braços da amazona em volta de sua cintura.

— Bom dia. — A voz de quem acabou de acordar de Shina era uma graça.

— Bom dia. — Thétis sorriu. — O café está quase pronto.

— Foi esse cheirinho bom que me acordou, fora que seu lado da cama esfriou... — Resmungou.

— Boba.

Colocou tudo na mesa e elas tomaram café, jogando conversa fora, aproveitando a companhia uma da outra.

— Já vai voltar pro santuário?

— Eu tenho, dever chama... Fora que preciso trocar de roupa também.

— Pode usar as minhas se quiser ou pode ficar nua também. — Thétis piscou para ela.

— Tentadora a ideia.

Infelizmente, a amazona teve de fato que partir, mas com a promessa que se veriam muito em breve, trocaram um último beijo antes de ir deixando Thétis com um sorriso de orelha a orelha.

Santuário, dia seguinte

Shina regressou ao santuário, mas sentia que estava nas nuvens, a festa foi boa, mas o que aconteceu depois foi ainda melhor. A vida de santo, santa de Atena era puxada, pesada e com pouco espaço para os pequenos prazeres da vida, como um relacionamento, mas agora que não tinha mais uma guerra santa a ser enfrentada, poderia se dar aquele pequeno luxo. Se relacionar com alguém.

Sorriu como uma criança feliz, o treino até seria mais agradável. Distraída com suas recordações da noite anterior, não percebeu que alguém a observava.

— Quem deixou você sorrindo assim? — Milo perguntou.

— Que susto, Milo! — Exclamou. — Voltando agora também?

— Todo mundo praticamente, bom, quase todo mundo... — comentou.

— Epa, não vai contar isso pela metade!

— Atena foi para a mansão descansar um pouco.

— Ah, certa ela! — Shina riu.

— Estamos rindo, isso é bom, e aí passou a noite com quem?

— Curioso você...

— Somos amigos, vai contar, foi com a Thétis? — Milo viu o beijo das duas.

— Tá bem, foi! — Admitiu e suas bochechas ficaram coradas.

— Que bom que se divertiu, a gente merece! — Milo passou o braço pelos ombros da amazona de Ofiúco. — Vamos lá pra sua casa e me conta tudo!

— Milo, já te falaram que você é fofoqueiro?

— Kanon, todo dia, mas ele também é, falam de Escorpião, não conhecem geminianos a fundo. — Fez um muxoxo.

— Verdade. — Concordou.

O escorpiano a escoltou até a sua casa na vila das amazonas, graças a Atena que aboliu aquela lei que proibia a entrada de homens, ele estaria encrencado se fosse pego ali. Conversaram sobre a noite passada, Milo pode ver um brilho diferente nos olhos da amiga, sorriu. Shina não estava apenas leve e feliz pela noite de um sexo que deve ter sido muito bom, mas pelos detalhes, ela se conectou com a sereia de alguma maneira positiva.

— Olha, se der em namoro, eu apoio, hein! — comentou.

Shina sentiu as bochechas quentes. Havia combinado de encontrar com a sereia, quem sabe de fato daria em namoro? Aquele pensamento a deixou ainda mais feliz.

— E se você casar com o Kanon, quero ser a madrinha de casamento! — Brincou com ele.

— Feito!

Conversaram mais um pouco antes de irem descansar de fato.

Alguns dias depois

Era fim da tarde sábado, chegou do treino correndo, precisava tomar um banho para tirar o suor e espantar o cansaço do treino e principalmente se arrumar.

Desde a festa, manteve contato com Thétis, graças ao celular que ganharam de suas divindades. Passaram várias horas trocando mensagens, em ligações ou então em ligações por vídeo. As horas voavam quando estavam juntas de alguma forma. Sempre que pensava nela um sorriso bobo se formava em seu rosto, o coração acelerava, se sentia feliz. Chegou a sonhar com a loira.

E naquela noite seria a primeira vez que sairiam juntas, estava ansiosa, nervosa, sentia uma mistura de sentimentos. Queria que fosse o primeiro de muitos encontros entre as duas.

— Shina! — A voz de Marin se fez presente do lado de fora da casa da amazona. — Está aí?

— Entra Marin! Estou no quarto! — Gritou, avisando a amiga.

A amazona de águia entrou e foi direto ao quarto da amiga, a encontrou quase despida e no meio de várias roupas. Ficou surpresa, a amiga não era de fazer aquilo.

— Achei o sapato que me pediu — comentou. — Precisa de ajuda?

— Sim… — Fez um muxoxo. — Eu vou sair daqui a pouco, mas não sei o que usar.

— Onde vai? — Marin perguntou. — E o mais importante, com quem?

Shina sorriu de lado, diferenças à parte, se tornou amiga da ruiva a sua frente, alguém em quem poderia confiar e contava muita coisa. Não era apenas com Milo que gostava de fofocar.

— Vou sair com Thétis — respondeu.

— Uou! A comandante de Poseidon? — indagou.

— Ela mesma!

— Tudo bem e onde vão?

— Ao cinema e depois, talvez, jantar.

— Um encontro! — Marin falou animada.

— Pensando bem, é, é um encontro.

— Tá, vai tomar banho e eu tento encontrar algo apresentável nesse caos de roupas.

A amazona correu para o banheiro, tomou um banho bem caprichado, se perfumou, fez uma maquiagem bem leve, a deixando com aspecto bem natural.

— Aqui, como a noite está quente, um vestido é a melhor coisa. — Marin mostrou o vestido azul de alças finas que ia um pouco abaixo da metade das coxas.

— Perfeito! — Shina se vestiu, calçou os sapatos que pediu a amiga. — Como estou?

O som de um assovio chamou a atenção das duas. Milo estava parado na batente da porta do quarto, olhando a amazona, sorriu de lado.

— Thétis não vai resistir com você vestida assim. — Brincou com ela.

— Ótimo, gostei dessa reação — Shina sorriu. — Que faz aqui? Além de se inteirar da fofoca.

Milo gargalhou com gosto, pelo jeito a outra se esqueceu.

— Carona? Eu e Kanon também vamos sair, aí te deixo no caminho, só não posso prometer…

— Eu me viro na volta, garanhão, vai aproveitar seu namorado.

— Vamos então?

(...)

Chegou um pouco antes do horário previsto, caminhou um pouco, aproveitando aquele pequeno passeio. Vendo pessoas, civis comuns, nada relacionado ao Santuário. Naquele momento ela era apenas Shina, a mulher, gostou disso. Reaver aquela parte de sua vida que lhe foi negada por tanto tempo.

— Uau, tudo isso para mim? — A voz de Thetis reverberou por todo seu ser, se virou para ela e sorriu.

A comandante de Poseidon estava deslumbrante, usava uma saia jeans de lavagem clara, uma blusa em tom de terracota, o cabelo preso em um messy coque, uma sapatilha nude, uma maquiagem leve. Perfeita.

— Posso dizer o mesmo — Shina brincou com ela.

Thétis deu uma voltinha para ela, se exibindo.

— Vamos?

— Sim!

O filme acabou sendo apenas um pequeno intervalo entre os beijos e as carícias trocadas no escuro da sala de cinema. Já o jantar foi em um pequeno restaurante à beira-mar.

— Aqui é gostoso — Thétis comentou. — Acertamos na escolha.

— Sim. — Shina sorriu, a noite estava agradável, a companhia ainda melhor.

A loira sorriu de volta para ela, nunca pensou que se sentiria tão bem assim ao lado de alguém como se sentia ao lado de Shina. E não queria que aquele momento acabasse.

— Thétis…

— Oi.

— Eu… — Shina mordeu o lábio, nervosa. — Quero te perguntar uma coisa.

— O que é?

— Quer ser minha namorada? — perguntou, ansiosa pela resposta.

Thétis abriu o mais lindo dos sorrisos.

— Claro que quero! — disse.

Sentiu uma felicidade indescritível, chegou mais perto da loira e lhe deu um beijo suave nos lábios. O restante do jantar transcorreu tranquilo, entre conversa, vinho e alguns beijos.

Levou a sua agora namorada para sua casa na Vila das Amazonas onde deram continuidade ao que começaram no cinema.

Um ano depois

O tempo não passou, voou. Já estavam juntas há um ano, mas Shina não queria ficar apenas no namoro, queria levar o relacionamento a outro patamar, mais sério e sentia que a companheira também, por isso no aniversário de namoro delas, a pediu em casamento.

Foi um momento lindo, com direito a tudo que tinham, até mesmo o bom e velho clichê, um jantar romântico a luz de velas, uma noite em um hotel de luxo em Atenas — cortesia de Saori que quando soube da notícia, quis dar um pequeno presente ao casal — com champanhe, cama decorada com pétalas de rosas.

Agora estava reunida com Thétis e Atena decidindo sobre a cerimônia — que a divindade alegou que iria oficiar — onde seria, no décimo terceiro templo ou em outro local do Santuário. Obviamente, cavaleiros e marinas compareceram à festa.

— Você disse que no último templo a vista é de tirar o fôlego — Thétis comentou com a deusa.

— Sim. — Atena sorriu.

— Será lá! — Exclamou. — Tudo bem para você amor?

— Adorei.

E continuaram pelo resto do dia, decidindo cada detalhe. O casamento seria em algumas semanas.

Dia da cerimônia

O pátio do Décimo Terceiro templo estava todo decorado com flores nas colunas, mesas para os convidados, mesas com docinhos e bolo. O local que seria o altar e o caminho até ele, decorado com flores das mais variadas flores, cortesia de Afrodite. As cadeiras estavam arrumadas. Tudo pronto para receber Shina e Thétis.

Os convidados foram chegando aos poucos, marinas e cavaleiros. Enquanto as noivas terminavam de se arrumar dentro do templo.

— Tudo está um capricho — Aiolia comentou.

— Já viu Saori brincar em serviço? — Seiya perguntou retoricamente. Conhecendo a moça como ele conhecia, jamais permitiria que fosse algo tão simplório, ainda mais para um casamento.

— É verdade. — O leonino concordou.

— Quem sabe com elas casando o pessoal toma coragem também. — Milo falou ao se aproximar dos dois.

Enquanto isso, dentro do templo, as noivas terminavam de se arrumar, mas em quartos separados, apesar de não acreditarem no: dá azar ver a noiva com o vestido antes da cerimônia. Queriam fazer uma surpresa uma à outra.

(...)

Todos já estavam em seus lugares, a música suave tocava, anunciando o início da cerimônia, Atena estava no altar, em seu lugar, Milo e Marin — os padrinhos do casamento — também já estavam posicionados, quando por fim a marcha nupcial começou.

Os convidados se levantaram para a entrada das noivas. Shina e Thétis sorriam uma para a outra, a felicidade transbordando não apenas de seus rostos, mas em seus cosmos. Ambas usavam túnicas gregas clássicas, mas não da mesma cor. Shina usava uma cor creme, o cabelo em um típico penteado grego, enquanto Thétis usava uma de um rosa bem claro.

Atena sorriu para as duas, não havia nada belo que o amor, fosse na forma que fosse. Não havia barreiras quando se tratava do verdadeiro amor e foi assim que ela começou a é chegarem ao votos, emocionando a todos.

— Já podem se beijar. — Atena declarou por fim.

Elas trocaram um beijo apaixonado.

A vida tinha seus próprios caminhos, houve um tempo que jamais imaginaram que da guerra poderia nascer um amor tão puro e sublime, do ódio ao amor, essa era apenas uma das voltas que a vida dá.