O vento soprava levemente nesta tarde no parque, o sol refletia de um jeito muito lindo na fonte da água. Mas nem que não tivesse nenhum vento eu poderia deixar de senti-lo, aquele doce perfume de cerejeira no ar que emanava.
—Então Sasuke, você já o terminou? -Pergunta a rosada sentando ao meu lado sorridente.
—Ainda não meu amor, mas falta pouco.
—Você poderia lê-lo para mim?-Ela me perguntacom aqueles olhos de cachorrinho.
—Claro, eu adoraria ler para você. -Marquei minha última página e voltei para onde tudo começou, como se misturas de lembranças tivessem impactado no meu coração novamente.- Me responda algo que eu não faria por você?!
—Fico feliz que leia para mim antes de, bom, não vou mais te atrapalhar, podecomeçar Sasuke. -Ela olhou para as nuvens esperando eu começar, mas por apenas um minuto eu me perdi na sua beleza inexplicável.
—Está bem, vamos lá…
S A K U R A
Eu estava sentada na cadeira batendo o pé no chão, ansiosa com o resultado do meu exame. Mesmo que eu tenha o feito a mais ou menos a pouco tempo, eu sei que o Dr. Hatake é rápido e é por isso, que eu gosto de me consultar com ele.
—Sakura Haruno! -chama sua voz dentro da sua sala, me levanto e entro nela fechando a porta, e me sentando na cadeira a frente da mesa o doutor, e dou um sorriso para ele.
—Entãodoutor, me diz! Eu estou bem não é, como sempre? -pergunto ansiosa, não gosto de hospitais, mas a cara dele mudou de expressão dramaticamente.
—Sakura, eu… Eu sinto muito. -Diz ele abaixando a cabeça triste.
—Comoassim Doutor?! O-Oque o senhor está dizendo?! -minhas palavras tentaram sair firmes, mas pelo visto não deu muito certo.
—Sakura, você tem um vírus no seu corpo. A DoutoraTsunade descobriu ele a esses dias mas...
—Mas vocês ainda não encontraram uma cura não é?! Nenhuma ainda. -deduzo-lheantes dele terminar.
—Não, eu sinto muito.
—Como funciona esse vírus?
—Ainda não sabemos ao certo, mas, ele vai matando cada célula do seu corpo, até não sobrar nenhuma. - Explica-me.
—Então eu vou morrer realmente. -tudo parecia estar ficando preto, me segurei na sua mesa e ele se levantou e pegou um copo de água para mim.
—Aqui, beba e tente se acalmar um pouco. -pede ele, tomo o copo da sua mão e bebo.
—Obrigada...quanto tempo e-eu t-tenho a-ainda? -pergunto nervosa.
—Você é a mais saudável de todos os pacientes que apareceram com isso, mas mesmo assim acho que uma, semanas a mais apenas.
—Quanto tempo Kakashi? -Pergunto novamente.
—Um mês é pouco, acho que uns cinquenta e um dias mais ou menos.
—Entendo.-Falo a ele.
—Eu sinto muito querida. - se desculpa me abraçando forte, e suas desculpas se misturaram com suas e minhaslágrimas.
Me sentei numa das cadeiras do tio do Lámen, e fiquei pensando em quanto tudo pode melhorar com apenas uma tigela da sua maravilhosa comida, que me faz lembrar do meu caro amigo… Sinto saudades do Naruto, por que você teve que ir tão cedo, pelo menos agora nós veremos mais cedo do que eu imaginei.
A mais ou menos um ano atrás, meu melhor amigo Naruto Uzumaki se suicidou por causa da garota que ele amava o deixou. Foi o pior dia da minha vida inteira, e só de pensar que eu não pude fazer nada para ajudar acabou comigo.
Eu era órfã, meus pais morreram uma semana depois que eu nasci num acidente de carro. Depois de algumas semanas, a melhor amiga da minha mãe, Kushina Uzumaki me adotou junto com seu marido Minato.
Mas eles também morreram, mas eles foram assassinados. Então Naruto que era dois anos a mais que eu já tinha 18 na época, ele cuidou de nós dois. Sua morte foi a pior coisa da minha vida, mas eu ainda estou aprendendo a superar.
Levantei a cabeça não pensando nas coisas ruins que aconteceram nela, e sim nas boas. Eu virei médica, e consegui juntar o meu dinheiro. Eu estava feliz finalmente, mas por um acidente eu fui afastada do hospital. E lá vai eu pensar nas coisas tristes de novo, não tem como eu negar, minha vida é só para sofrer.
—Mas eu sou Sakura Uzumaki, eu posso tudo. Eu não vou deixar que meus últimos dias de vida sejam tristes na minha casa, deitada na minha cama. Eu vou fazer tudo que eu não fiz, tudo que eu queria fazer e não pude antes. Eu vou fazer os meus últimos dias de vida serem o melhor de todos, eu vou completar minha vida.
Todos ao redor me olharam curiosos, fiquei com vergonha e olhei para minha tigela de lámen faminta. Seu cheiro emanou em minha mente, e por apenas um momento… Todos os meus problemas tinham sumido.
"Na manhã seguinte"
—Minhaspassagens estão prontas? -Pergunto à moça.
—Sim, Senhorita Uzumaki. É só você se apresentar com seu nome, que lhe entregaremos suas passagens e você poderá entrar no avião. -explica ela.
—Estábem, muito obrigada.- desligo o celular e ligo para o meu taxista, ele chegava em dez minutos.
Peguei minha mala e a coloquei na porta, mas como todo daí, todas as minhas lembranças vieram a minha mente…
Flashback on:
Naruto e eu entramos correndo para dentro de casa, Kushina nos esperava para o almoço. Lavamos nossas mãos e nos sentamos à mesa.
— Olá, crianças! Que bom que já chegaram! Estão com fome, não é? -pergunta carinhosa, nos olhamos e sorrimos.
—Sim!
—Que bom! Porque eu fiz bastante comida! -fala alegre erguendo as mãos e comisso nos fez rir, e ela também.
—Almoço oba!Cheguei bem na hora!
Minato dá um beijo na minha testa e na de Naruto também, e um beijo em Kushina.
Flashback on:
Existe uma saudade muito grande que emana dentro do meu peito. Subo as escadas e entro no quarto dos dois, sua cama estava arrumada como sempre, e o cheiro dos dois ainda estava pelo ar como me lembrava.
—Viu Sakura, é assim que se passa um batom. E sempre cuide para não borrar, entendeu? - pergunta se virando para me olhar, olhei no espelho e o batom estava todo borrado na minha boca, ela me olhou e começou a rir, pegou um lenço e começou a limpar minha boca.
—Desculpa, não queria ter errado. - ela segura meu rosto e me olha nos olhos.
—Tudo bem pequena, é normal errar, não se preocupe.
Flashback on:
— Sakura, você poderia me ajudar aqui? - pede Minato, me levanto e vou até ele que está arrumando a trança da porta.
—Sim?
—Você poderia me dar um pouco de água?
Pego a garrafa e ele abre a boca, sem querer a água escorre um pouco pelo canto de sua boca. Passo a mão e seco.
—Está bom assim?
— Sim, Rosadinha, muito obrigada.
Flashback off:
Sempre muitas lembranças boas a se recordar.
Por último entrei no quarto meu e de Naruto, que continuava o mesmo já que eu não tinha coragem mais de dormir aqui.
Às camas continuavam arrumadas como na última vez, todos os brinquedos guardados estavam arrumadinhos na estante. Os perfumes em cima das bancadinhas, com os mesmos aromas guardados, misturados com a poeira agora. A única coisa nova por ali, era aquela mancha no chão. Ela fazia minhas pernas tremerem, e meu coração se acelerar, aquela maldita mancha de sangue.
Flashback on:
"— Naruto cheguei! - grito o chamando, mas nenhum barulho surgiu. — Naruto! Você está em casa? Eu cheguei, e trouxe lámen!
Nada ainda, então subo as escadas e entro no nosso quarto animada.
—Ei seu idiota, você está de fones por acaso!? - digo fingindo estar brava, então olho para o chão...foi a pior coisa da minha vida, tudo começou a ficar preto e a girar.
Minhas pernas não suportaram, caí de joelhos ao lado de seu corpo e toquei o seu rosto devagar.
—Naruto, o que você fez...não.
Minhas lágrimas surgiram furiosas, e desceram tão intensamente que eu não pude suportar. A dor era tão grande dentro do meu peito, eu não conseguia respirar, mas, peguei meu celular e liguei para a emergência. Assim que eles desligaram eu desmaiei, me aprofundei na imensa escuridão que entrou no meu coração.
Uma semana depois, quando finalmente consegui ir para o tio Ichiraku, ele me entregou uma carta que Naruto escreveu para mim, horas antes de morrer. Nunca abri a carta, estava esperando o momento certo. E ele finalmente chegou, vai ser no meu último dia de vida.
—Sakura! - grita meu taxista, olho para trás e me despeço descendo. Peguei minha mala, e pela última vez olhei para minha casa.
—Adeus. - digo por fim.
O avião até que não me enjoava tanto assim, o que era bem-bom. O único problema era a pessoa que estava ao meu lado, ele não parava de roubar meus amendoins.
Uma aeromoça para ao meu lado e veja o Senhor roubando meus amendoins, então ela volta e traz mais amendoins para ele e coloca na sua poltrona.
—Aqui Senhor, não coma os amendoins da moça ao seu lado. Todos têm os seus, e se quiser mais é só me pedir que eu os darei ao Senhor.
—Sim, me desculpe, moça. -evolta a comer seus amendoins.
— Obrigadamoça... Ino.
—De nada Senhorita Uzumaki, qualquer coisa é só me chamar. - ela pisca para mim e vai ver se os outros estavam bem também enquanto caminha pelo avião calmamente.
—É sua primeira vez? -pergunta uma voz rouca e sensual ao meu lado
—Hmm? -olho em volta me perguntando o dono dessa maravilhosa voz.
—Aqui. -fala o moço do meu lado, ele era um moreno muito lindo, e seus olhos eram pretos igual uma ônix de tão belos.
—Sim, é a minha primeira vez viajando de avião, asua também?
—Não, eu viajo muito, então já estou acostumado. -explica ele.
—Hásim, entendi, eo que você faz para viajar tanto assim? -pergunto só por perguntar mesmo.
—Eusou escritor, um grande escritor, na verdade! -esse cara é meio doido, penso.
—E qual livro que você já escreveu?
—Até agora nenhum. Mas eu vou encontrar a minha inspiração, e escrever um dos melhores livros que o mundo possa ver! -todos olham para ele no avião, ele fica vermelho, mas continua falando comigo.
—Entendi, espero que você encontre a sua inspiração. -me viro para frente esperando ele não falar mais nada.
—Sim, masvocê? Por que está aqui? -pergunta, e pelo seu tom ele estava curioso.
—Eu vou morrer em 51 dias, então antes disso acontecer eu quero fazer tudo que eu não pude fazer antes. -termino de explicar e dou um sorriso para ele que estava com uma cara de chocado.
— Nossa, eu sinto muito. Isso é realmente muito triste, mas fico feliz que em vez de ficar triste trancada em casa você vá fazer tudo oque quer. -ele era muito gentil até.
—Obrigada.
