Bucky e Sam estavam sentados de frente para a televisão assistindo ao que acontecia naquele dia, algo importante e decisivo se desenrolava em Nova York e não somente lá. Muitos quilômetros de onde o multiverso se abria, os dois amigos estavam tomando uma decisão crucial e não entravam em acordo, cada um deles tinha um ponto de vista sobre o evento que ocorria. Alguém teria que conceder, a questão era quem.
"Eu acho que deveríamos seguir meu plano," Bucky olhava para a televisão focado, estava decidido no que havia pensado sobre o assunto "eu realmente pensei em cada detalhe sobre isso."
"Você acha que eu não pensei em tudo?" Sam exaltava confiança, com uma cerveja long neck na mão direita também não tirava os olhos do que acontecia.
"Não foi isso que eu quis dizer, apenas acho minha ideia melhor."
Em Nova York haviam vilões soltos e caçando Peter Parker, a Estátua da Liberdade havia virado palco de uma luta entre os vilões e três Homens-Aranha. Na Louisiana os dois amigos não chegavam a um acordo, o impasse entre eles parecia inquebrável. Precisavam decidir em conjunto para então agir, não podiam ficar cada um querendo fazer uma coisa e não entrar em acordo enquanto se atrapalhavam.
"Eu pensei em mais detalhes, acho que cobri mais pontos e vamos conseguir agir com maior segurança."
Bucky deu um gole na sua cerveja, ele também bebia. Sam poderia ter razão, ele pensou em cada situação possível e talvez fosse mais seguro seguir suas ideias. Começou a repensar o que havia imaginado e também não tinha um plano ruim, somente começava a pensar que Sam tinha o melhor plano. Bucky tinha uma decisão própria para fazer, uma que poderia definir destinos inteiros.
Começava a vislumbrar os resultados do plano de Sam e eles pareciam melhores. Bucky não via como discordar mais dele, iria comprometer-se desta vez. Ele abaixou a garrafa e pensou em como falar para não parecer que estava sendo subserviente a Sam.
"Eu vou ceder desta vez."
"Obrigado, Bucky." Sam sorriu satisfeito, ele pegou seu telefone celular no bolso e desbloqueou a tela. Abriu o aplicativo de pedidos e escolheu o restaurante com o melhor frango frito na região. "Molho blue cheese?"
"Sim, e mais cervejas."
"Boa ideia."
Na televisão confusões aconteciam, ali na Louisiana estava tudo resolvido.
"E o Peter?"
"Ele que se vire."
Longe de Nova York, Wanda tinha uma xícara de chá em mãos, quente e agradável. A sua frente um livro de magia antigo e poderoso, estava concentrada em aprender mais e mais. Concentrada nisso, sentiu algo estranho, uma energia diferente ecoando pelo mundo e além dele, Wanda ergueu a cabeça e olhou procurando o que acontecia. Ela sentia, ela poderia ver.
Em Nova York Stephen Strange fazia algo grandioso e proibido, Wanda mesmo longe tinha dimensão do que era. Ela tomou um gole de chá e sorriu.
"Amadores"
No espaço, muuuuiiiito longe de Nova York, Thor estava comendo algum animal estranho e saboroso. Drax olhava para ele intensamente, estava incomodado com isso, mas ele era um cara legal. Rocket mexia em uma arma, Groot jogava algum jogo e Peter Quill estava reclamando sobre a Gamora, ou algo assim. Thor nem estava se importando muito com isso.
"I'm groot."
A nave seguia seu curso, nada acontecia...
Uma música tocava, sua batida envolvia cada uma das pessoas que dançavam juntas ou sozinhas. Madripoor era longe de Nova York, longe de outros problemas, naquele clube todos estavam para se divertir e faziam isso. As luzes brilhavam das telas de led ao redor da pista, o DJ fingia estar fazendo algo enquanto seu pen drive fazia todo o trabalho. Havia até uma pirotecnia que se acionava de tempos em tempos.
Um homem movia-se no ritmo da música, estava bem no centro da pista de dança. Balançava seus braços e a cabeça, por vezes erguia o dedo indicador direito e sinalizava um círculo. Olhava ao redor, batia palmas no ritmo da música. Ele se balançava e sorria, estava se divertindo.
Aquele só poderia ser ele, Barão Zemo.
Em outra parte do mundo, definitivamente longe de Nova York, Jane Foster olhava deslumbrada para o que estava acontecendo. Era hipnotizador olhar para tanta probabilidade e ao mesmo tempo temia o que estava vendo, Jane se sentia pequena e frágil diante de tal grandeza, no final das contas era uma lição de humildade. Carl Sagan deve ter sentido algo parecido ao ver a foto da Terra tirada de Plutão, essa sensação de infimidade por contemplar o quanto o próprio mundo em que vivia era nada além de um pálido ponto azul.
Jane olhava analiticamente para tudo mais uma vez, cada detalhe se encaixava perfeitamente. Era tudo tão bonito e elegante, sentiu um pouco de orgulho.
"Isso é o multiverso."
Sorriu aliviada, estava satisfeita. Era tudo o que queria contemplar e desejava, o sonho começava a se realizar. Aquilo levava a possibilidades infinitas e inimagináveis como nada antes, nem mesmo as Joias do Infinito tinham tanto peso assim. Era a própria reinvenção da ciência, o multiverso dava um viés diferente de tudo o que já havia visto. Jane olhou mais uma vez para o resultado e teve certeza do que havia concluído.
O lousa preenchida por cálculos que mostrariam a existência matemática de um multiverso era seu maior tesouro no momento. Aquela poderia ser a descoberta do século, era sem a menor dúvida uma descoberta importante e revolucionária. E tudo graças a um trabalho longo e árduo dela mesma, um trabalho que poderia trazer oportunidades maiores para a própria Jane.
Um Nobel? Fama? Riqueza? Reconhecimento? As possibilidades que o multiverso trazia eram incalculáveis.
A família Barton estava reunida numa casa longe de Nova York, Clint comia uma pizza com os filhos e a esposa quando tudo foi interrompido pelas notícias da televisão. O garoto Peter Parker estava lutando contra alguns caras, um prédio havia explodido, talvez algo pior havia acontecido. Parker estava sendo perseguido, massacrado por J. Jonah Jameson, o pobre coitado havia sido exposto e sendo culpado de algo que provavelmente nem era sua culpa, deve ter sido vítima de uma armação.
Clint pensou em ajudar, mas não poderia fazer muito. Parker tinha seus problemas, o próprio Clint tinha os dele, passou tanto tempo longe de sua família que precisava matar a saudade e reparar seus próprios erros. Cada um tinha seus problemas e esse parecia muito longe de sua capacidade, o Dr. Estranho ou o Hulk que fosse até lá, ele tinha algo mais importante para si próprio.
Scott Lang estava assistindo televisão longe de Nova York, pensava muito sobre ir ajudar o garoto. Ele estava sozinho e precisando de apoio, tinha alguns caras maus atrás dele e um jornalista sensacionalista o perseguindo. Peter poderia precisar de ajuda, ele estava disponível, precisava apenas pegar sua roupa e sair de casa, era possível chegar em Nova York logo.
Scott se apressou, ele se levantou tropeçando e impetuosamente ia na direção da porta, nada poderia para-lo. Exceto por um detalhe, Scott ainda estava em condicional e poderia ter problemas.
Ele parou, ao invés de ir para Nova York correndo, Scott Lang pegou o telefone e ligou para seu advogado.
Em Wakanda, T'Challa estava ciente do que acontecia em Nova York, porém não tinha condições de ajudar. Deitado em sua cama, ele talvez não tivesse muito mais tempo de vida, estava orgulhoso do que fizera e queria fazer mais, porém não poderia.
Mandou que chamassem Shuri, sua irmã precisava assumir as responsabilidades, ela teria que tomar providências antes de receber o trono de Wakanda. Shuri era uma mulher inteligente e muito forte, porém tinha um defeito claro e óbvio, ela não se vacinava.
Ele não queria passar o trono para alguém quem não dava o exemplo, sendo sua irmã ou não, Wakanda precisava de uma liderança que mostrasse ao povo seu valor. Por vezes mostrar o valor era lutar contra um conquistador galático, por vezes era um ato simples de se vacinar, Shuri não temia o primeiro, mas fugia do segundo .
Caso ela não quisesse se vacinar, M'Baku seria um bom nome. T'Challa começava a formar um plano...
Em Nova York um homem com garras de adamantium corria, outro soltava raios pelos olhos, uma mulher manipulava o vento e outra usava sua telecinese para defender a todos. A batalha pela cidade e o destino do mundo acontecia.
Aquela era Nova York, mas não a Nova York onde os três Homens-Aranha foram reunidos graças a desastrosa magia do Dr. Estranho. Ela ficava em outro universo, um que nunca tocaria o outro, ou talvez em breve tocasse...
"Por que você chegou até aqui? Para de perder tempo com essa fanficzinha!"
Completamente longe de Nova York, Deadpool apontava para você leitor e...
"Para de narrar isso, já deu!"
