Disclaimer: Crepúsculo e Batman não me pertencem, só essa mistura doida aqui.
E eu voltei em uma semana, muito bem!
Obrigada pelos comentários aqui e no Twitter!
Vamos para mais um capítulo! Desculpem os erros.
Sem amigos disponíveis para ouvir minhas reclamações sobre um certo super-herói sem educação, eu me concentrei em passar o fim de semana lendo para distrair a mente. Jornais, revistas, sites aleatórios, redes sociais, arquivos, o que achava pelo caminho. Pulei de um para o outro quando minha atenção não se prendeu em nada. Tentei assistir alguma coisa na TV, também em vão. Sendo assim, desisti de distrações e dirigi meu foco para o Batman como deveria ter feito de uma vez.
Pesquisei sobre a noite em que ele me "salvou", encontrando outros dois "salvamentos" noticiados nos jornais, e três em redes sociais. Achei engraçado comparar a euforia dos depoimentos das outras pessoas com minha própria experiência. Em nenhum ele fora um poço de simpatia, ele já não era conhecido por seu bom humor, mas nenhuma pessoa salva parecia ter ficado menos do que impressionada por vê-lo. Era quase como se o trauma anterior do perigo que correram tivesse sido esquecido por todos, sendo sobreposto pelo encantamento pelo salvador.
O meu trauma, em si, nem existiu. Talvez por ele ter chegado antes que algo pior acontecesse, talvez por eu ter conseguido derrubar um deles e esperar derrubar os outros. Isso nem estava me importunando, o que mexia com a minha cabeça era o comportamento dele.
E o rosto dele.
Esse muito mais, devo admitir.
Por várias vezes me peguei sonhando acordada com aquele maxilar. Em um dos sonhos, estava lambendo o homem enquanto ele me oferecia a barra de cereal no carro. Cheguei a esconder as figuras de ação do Batman que tinha espalhadas pelo apartamento. Era demais para a minha sanidade ficar olhando para elas.
Eu precisava parar de pensar nele como um pedaço de homem gostoso. A todo momento tentava voltar a sentir raiva dele, revivendo aquelas perguntas grosseiras. Eu sabia que tinha sido descuidada ao extremo naquele dia, mas ser julgada por alguém que deveria me ajudar era demais. Queria saber se ele era assim sempre, mas as pessoas ignoravam sua petulância por ele ser quem é.
Teria sido eu sorteada?
- E se eu tivesse sido sequestrada por aqueles homens e estivesse tentando fugir? – Falei sozinha no apartamento. Amassei um papel em cima da mesa quando vi que estava escrevendo o nome dele e desenhando morcegos. – Quem ele pensa que é para chegar me acusando de estar errada?
Não que eu não estivesse.
Mas não tinha como ele saber. Ou será que tinha? O 'Melhor Detetive do Mundo' provavelmente tinha câmeras espalhadas pela cidade e vira tudo acontecer. Deve ter acompanhado todos os meus passos desde o momento que pisei naquele bairro estranho.
Pensando nisso por tempo demais, acabei ficando um pouco paranoica. Nas duas vezes que precisei ir à rua, olhei para todos os lados procurando algum sinal de que estavam todos sendo espionados.
Na segunda-feira enquanto via o noticiário mostrar o trânsito antes do trabalho foi que me dei conta: ele não usava suas próprias câmeras. O Batman tinha disponível todo o sistema de câmeras de vigilância de Gotham. Do mundo, se quisesse. Duvidava que alguém negasse alguma coisa a ele. Eu mesma acessara algumas dessas câmeras da cidade, não era tão difícil.
Eu estava muito distraída, nunca conseguiria descobrir quem ele é se continuasse assim.
BAT
O senhor Cullen passava apressado para a sala quando o chamei. Ele deu um suspiro impaciente como se não quisesse parar, mas veio até mim. Apenas estiquei a mão para entregar dois envelopes e falsificar um bom dia animado. Ele estava distraído, olhou diversas vezes entre os envelopes e o meu rosto.
– A área jurídica deixou para o senhor. – Avisei, me segurando para não revirar os olhos.
Cullen olhou para mim, parecendo estudar meu rosto por alguns segundos a mais do que o normal. Minhas bochechas escolheram aquele momento para ficarem vermelhas. Cullen pigarreou sem graça e voou para dentro da sala.
– Que merda foi essa? – Falei para mim mesma.
Depois disso, anotei em meu caderno para refazer a pesquisa sobre casos de assédio sexual praticados por ele. Não que eu tivesse encontrado algum da primeira vez que fiz, mas, isso foi muito estranho.
BAT
A pesquisa que eu fiz e culminou com a confusão de sexta-feira estava pronta, com todas as observações possíveis sobre o endereço no meio do nada. Usei todos os meios legais, e ilegais, que conhecia, mas isso não adiantou e o endereço se manteve errado. Esperava que esse detalhe não fosse prejudicar o que quer que meu querido chefe fosse fazer com aquilo.
Mais tarde naquele dia quando entreguei o documento, Cullen fez eu me sentar de frente para ele e começou a ler, fazendo comentários aqui e ali.
– Os arquivos da empresa foram suficientes para sua pesquisa?
– Não. – Deixei escapar, me arrependendo amargamente em seguida quando ele cruzou os longos dedos em cima da mesa, e pediu para eu me explicar.
O que estava acontecendo com esse homem hoje? Depois de ter fugido para longe de mim mais cedo, resolveu se se lembrar da minha existência agora? Era para ele me enxotar daqui no minuto seguinte como nos outros dias.
– Eu... tive que usar o Google. – Por fim respondi.
Eu mesma quase ri. Estava me fazendo de idiota, podia ver que ele não estava gostando da resposta.
– Eu usei tudo o que eu conhecia. – Continuei quando ele não desviou os olhos de mim. Minhas axilas estavam começando a ficar molhadas do nervoso que eu estava sentindo. – E ainda pesquisei alguns meios mais. A única informação que, talvez, não esteja correta, é o endereço da residência aqui em Gotham. – Cullen não havia mexido um músculo, ainda esperando que eu desenvolvesse. – A não ser que esse homem goste de acampar em terrenos abandonados. Eu até fui ao local, e não parecia ser uma residência. – Encerrei e dei de ombros, fingindo uma calma que não sentia.
Cullen pegou o papel e leu o endereço novamente.
– Você mora em Gotham faz quanto tempo, senhorita Swan? – Ele questionou.
– Com todo o processo de entrevista e contratação, três meses. – Respondi. Não falei sobre as férias que passei na cidade, ele não levaria em consideração esses poucos dias.
– Não conhecia, então, o local do endereço. – Era uma pergunta que saiu como uma afirmação. Ou era só uma afirmação mesmo. Eu estava nervosa demais para conseguir desvendar o que ele queria dizer.
– Pelo contrário, senhor Cullen, por saber que não é um bairro com residências achei a informação estranha e fui conferir.
– E alguém foi com você, senhorita Swan? – Conseguiu sentir toda a censura por trás daquela frase.
– Não. – Limitei-me a dizer.
Que ótimo, agora eram dois me repreendendo pelo passeio daquela noite.
Quase rolei os olhos com o pensamento.
– Senhorita Swan, da próxima vez que eu lhe pedir para pesquisar alguma coisa para mim, limite-se a pesquisar sem colocar sua vida em risco. – Sua voz foi dura.
– Por nem um minuto minha vida ficou em risco naquele dia. – Nem eu acreditei em mim mesma, e a sobrancelha erguida da pessoa na minha frente zombava de mim.
– Foi tudo bem, então? – Cullen perguntou se inclinando para perto. Os olhos verdes dele estavam tão próximos que esqueci que lhe devia uma resposta. – Foi o que pensei. – Voltou a se apoiar na cadeira. – Pode voltar para a sua mesa, senhorita Swan. Sua pesquisa será aproveitada.
Saí do meu estupor revoltada por não ter conseguido me defender mais uma vez.
E o que aquilo de 'ser aproveitada' significava? Aproveitada para que? Até aonde eu sabia, se ele quisesse podia limpar a privada com os papéis e eles estariam sendo aproveitados.
Cullen apertou um botão no telefone que piscava indicando que havia uma ligação em espera, e começou a falar enquanto eu juntava forças para me levantar.
BAT
Não o vi novamente pelo resto da semana.
Precisei participar de uma reunião por ele na quarta, e duas na sexta. Em uma, ele participou por chamada de vídeo, nas outras, fui preparada por ele e Alfred (o mordomo que trabalhava comigo naquela empresa mais do que qualquer outro), e Laurent para atuar sozinha.
Quando me candidatei para aquele emprego, nunca achei que substituiria o bilionário CEO da empresa em uma reunião, mas foi o que aconteceu. E foi a primeira vez que trabalhei com algo relacionado a empresa, e não uma pesquisa específica para Cullen. Para minha surpresa, eu me saí bem.
Obviamente, meu querido patrão não deu um pio. Mas Alfred, santo Alfred, me elogiou e prometeu que um dia me encontraria pessoalmente para tomar um café e me parabenizar.
Laurent me parabenizou e balbuciou algo que eu achei que fosse "Espero que ele saiba o que está fazendo". Eu tinha ficado feliz com a felicitação do número dois da empresa, mas depois murchei sem entender o que aquele comentário queria dizer.
BAT
No fim daquela semana, eu estava arrumando minha gaveta para ir embora quando alguém parou de frente para a minha mesa. Olhei para cima desanimada com a perspectiva de um trabalho de última hora.
– Bella, como está nessa quase noite de sexta? Nós do TI vamos para o bar de sempre, fiquei encarregado de vir te chamar.
Era Jacob Black, técnico do departamento de TI. Eu o conheci no Starbucks da esquina depois dele insistir em me emprestar dez centavos para pagar minha conta, mesmo o caixa explicando que não precisava. Não tinha nada contra Jacob, nem o conhecia, mas o jeito que ele insistia em ficar por perto mesmo eu demonstrando que não estava a fim me incomodava.
– Oi, Jacob! – Fechei a gaveta e fingi que estava digitando um memorando muito importante no computador. – O senhor Cullen nem saiu ainda. – Apontei para a porta com uma fresta de luz embaixo. – Eu estou revisando alguns textos que ele pediu. Não vai dar.
– Você pode encontrar a gente lá depois.
Estremeci.
– Eu não sei que horas ele vai sair hoje. Parece que a noite vai ser longa por aqui.
Quando finalmente achei que tinha me livrado do passeio, o interfone na mesa tocou.
– Senhorita Swan, está aí? – A ideia de receber trabalho extra talvez não fosse tão ruim assim.
– Sim, senhor Cullen. – Respondi apertando o botão até um pouco feliz.
– Estou próximo de encerrar as atividades por hoje, se quiser se adiantar e ir embora, fique à vontade.
Eu paralisei. Além daquela ser a primeira vez que Cullen usava o interfone, ele nunca tinha sido tão educado comigo.
– E o que o Senhor me pediu? – Insisti, dessa vez socando o botão do interfone.
Não havia nada, obviamente, mas eu estava contando com um lapso de memória dele.
– Não me recordo de nada. – Silêncio. – Se não lembro, não deve ser importante. Deixe para segunda. Vá aproveitar o fim de semana.
Encarei o aparelho incrédula. Era coincidência demais. Ele só podia ter ouvido o que Jacob falou e o que eu falei e queria brincar com a minha cara. Não era possível! Quem era esse homem tão educado preocupado que eu aproveitasse o fim de semana?
Eu queria chorar! Aquele era o Cullen encantador do qual todos falavam. O que nunca se mostrou para mim. Por que agora?
– Tudo bem. – Suspirei dramaticamente. – Vou apenas terminar o que já comecei.
– Senhorita Swan, o expediente acabou. Se a senhorita não sair, saiba que eu não vou pagar hora extra por teimosia. – Aí estava ele.
Quase grunhi para o interfone quando falei novamente para me despedir.
– Mudança de planos? – Jacob perguntou animado, como se fosse um cachorrinho prestes a sair para passear.
Muito a contragosto, aceitei o convite.
Preciso admitir que até me diverti com o pessoal dos computadores. Como eu entendia sobre o que eles falavam, nenhum tentou se passar por inteligente ou foi chato. Apenas Jacob, que achava que tinha algum direito sobre mim, maldita hora que aceitei os dez centavos dele no Starbucks, e tentava conversar a sós.
E por falar em café, próxima vez que fosse pegar um para Cullen, colocaria sal. E talvez derrubasse algumas gotas no maldito interfone na mesa.
É, vai ter Jacob. Desculpa, gente.
Senhorita Swan tremeu na base na sala do chefe. Valente, pero no mucho.
Querem mais? Até!
