O gloss efeito espelhado era contornado com cuidado e delicadeza sobre os lábios carnudos que tinham naquele momento um tom vermelho cereja. Repousando o objeto sobre a penteadeira, os olhos perolados encararam diante do espelho camarim enquanto ajeitava novamente os cabelos negros-azulados que tinham um corte Chanel e impecável. Os fios bem cuidados, carregavam uma maciez incrível, bem como o brilho vívido.
Ela abriu uma caixinha retangular, tirando desta um par de brincos e um colar em tons dourado do ouro e champanhe, os colocando com destreza. Pegou o frasco do perfume que havia escolhido para a ocasião e borrifou sobre nuca, pescoço, colo e pulsos, preenchendo assim o ambiente com o delicioso e adocicado aroma floral de lírios.
Ela ergueu-se, equilibrando-se em seus saltos e ajeitou o vestido preto que usaria para aquela noite em especial. Pegou sua clutch de mão e caminhou em direção a saída da suíte. Ainda na sala, ela observou as figuras que estavam ali concentradas em um filme na TV.
Sorriu e deu um longo suspiro.
— Volto tarde, os telefones estão na geladeira.
— Se divirta, mana! — Respondeu a voz feminina que nem ao mesmo se deu ao trabalho de virar-se.
Saindo então dali, ela parou frente ao elevador do prédio que morava e respirou, dispersando a tensão. Não era a primeira vez que tinha de ir a eventos sociais da revista que trabalhava e, agora que assumira um cargo de chefia de departamento, passaram de ocasionais, para obrigatórios, principalmente aquele que marcava seu primeiro lançamento como editora de arte.
— Vai dar tudo certo! — Murmurou assim que a porta de aço se abriu diante de si. Havia um pressentimento bom e estranho ao mesmo tempo em seu coração. Algo que a apertava, a deixava insegura e, ao mesmo tempo, ansiosa demais.
Para Hinata, era apenas nervosismo, mas ela se lembrava bem da última vez que se sentiu assim.
...
Ele ajeitou o blazer em um tom de azul marinho sobre os ombros enquanto encarava-se diante do espelho de corpo inteiro do closet. A mão deslizou sobre os cabelos negros, buscando ajeita-los melhor, mas fracassando em partes. Talvez estivessem compridos demais. A face contorceu-se, contrariado. Não queria mesmo ir nessa coisa idiota.
Carrancudo ainda, ele abriu uma larga gaveta que revelou várias gravatas organizadas em seus espaços individuais, broches, acessórios e alguns relógios; do qual ele escolheu um e fechou novamente a gaveta, colocando-o no pulso, enquanto saia do seu quarto.
Se brincasse e deixasse Naruto mais um tempo só, ele era capaz de destruir alguma coisa sua com aquela mania idiota de tocar em tudo. Parecia uma criança estúpida e sem modos, e, com sorte, se livraria dela, a empurrando para alguma mulher noite adentro, e o veria novamente apenas na segunda pela manhã.
Assim que surgiu na sala, como ele previu, o Uzumaki estava com um dos seus troféus em mãos e quase o deixou cair pelo susto.
— Tá bonitão! — Provocou-o
— Tsc! Anda longo, maldito, antes que eu mude de ideia. — Só Deus sabe a pouca vontade que ele tinha de realmente ter de sair e socializar.
Talvez porque ele já não via mais qualquer arco-íris no final da chuva. Eram só as densas, escuras e gélidas nuvens tempestuosas.
...
O longo tapete vermelho que ficava na entrada do lugar, estava cercado por fotógrafos, jornalistas de várias mídias e um público misto. À medida que os convidados passavam por ali, a chuva de flashes era intensa, e com ela não foi diferente.
Acompanhada da produtora de moda da revista, Ino Yamanaka, e do diretor de fotografia, Kiba Inuzuka, ela sorria de praxes, ocultando o nervosismo implícito da noite. Posou ao lado dos amigos diante da chuva de flashes e, como padrão, respondeu a algumas perguntas sobre o novo editorial.
Assim que entraram no imenso salão de festas, a atmosfera era outra. Havia uma cabine exclusiva para o DJ que, além de controlar as músicas ambiente mais animadas, também controlava os vídeos que eram alternados nos telões com vídeos de desfiles e de lançamentos da revista. Tratou logo de pegar uma taça de coquetel a fim de misturar-se naquela noite.
Quando Sasuke chegou diante daquele maldito tapete, a ultima coisa que fizera foi sorrir diante daquela tempestade de flashes, diferente do Uzumaki, que esbanjava simpatia e uma cantada na manga para uma ruiva que ele mal colocara os olhos e já babava.
Revirou os olhos perante a facilidade de Naruto em tocar o foda-se em todas as instâncias da sua vida particular, e, como um cara reservado que era, quase arrastou o amigo para dentro daquela festa idiota.
Lá dentro a atmosfera era outra. Era um clima moderno, instigante, de certo modo colorido e ainda mais irritante, principalmente com aquela musiquinha de socialização. Ali via-se de tudo, de modelos a alguns artistas. Como sua primeira ação, ele imediatamente procurou pelo bar. Enfrentaria aquela noite com uma boa dose de whisky no sangue.
— Ei! — Ouviu a voz animada de Naruto por trás de si, que se aproximava na mesma intenção de começar aquilo bebendo. — Viu o tanto de mulher gata que tem nesse lugar? Isso é definitivamente o paraíso. Modelos, Sasuke, modelos! Vamos lá.
O Uchiha virou um gole seco da bebida recém servida e encarou os olhos azuis.
— Tsc... — Virou-se, fitando o salão e ponderou. Sim, havia muitas mulheres lindas, estonteantes. Certamente terminaria a noite bem acompanhando se quisesse – e não era papo de um cara arrogante –. Conhecia seus limites e também sabia que nem de longe era um cara feio, só amargo demais.
Se perguntou quando havia sido a última vez que havia estado em companhia feminina mais longamente, quando se permitiu ao menos tentar se envolver ou se permitir sentir. Bom, a última vez fora há dois anos, tinha cabelos rosados e uma personalidade tempestuosa e bastante brilhante. Um relacionamento que durou exatamente oito meses e nenhum dia a mais. No exato dia que ela lhe exigiu um pouco mais de ênfase, de dinâmica, de... comprometimento emocional, esse ele simplesmente não poderia ofertar nem se quisesse, porque ele não tinha nenhum controle.
Sexo apenas por alívio? Bem, esse ele sabia que havia, talvez, quase um mês da última garota. Essa, por mais imbecil que fosse, o atraiu justamente pelas particularidades físicas que possuía e que eram tão similares àquela pessoa.
É patético ir para cama com uma mulher apenas porque essa o lembrava outra, ele sabia perfeitamente disso, mas era algo que simplesmente aconteceu e não vingou. Não passou de uma noite de prazer, porque, na manhã seguinte, ainda sabia que eram pessoas completamente diferentes.
E, antes que imaginassem que era um absurdo ficar tanto tempo assim, ele estava bem com isso, aliás, lidava bem com isso. Não era como se não sentisse falta de sexo ou se fosse um maníaco que não conseguiria viver sem. Ele apenas residia entre os dois estágios. Talvez devesse mudar completamente seu foco de desejo, certo?
— Nada de morenas. — Ralhou para o melhor amigo, este sorriu ladino e deu um tapinha nas costas de Sasuke.
— É assim que se fala!
Afastaram-se do bar em direção ao lado esquerdo do salão, ao mesmo tempo que vindo do lado direito, uma mulher de longos cabelos loiros longos, se aproximava acompanhada da melhor amiga, Hinata Hyuuga, buscando o bar.
Sorriam, com diversão, visto ao fora que a morena havia acabado de dar em um dos diretores de uma empresa que divulgava com eles.
— Tadinho, Hina. Partiu o coraçãozinho dele.
A morena levou os dedos aos lábios, tentando segurar a gargalhada.
— Dois Berry Bubbles. — Pediu ao barman e virou-se, encarando a amiga. — Você viu como os olhos dele encheram de lágrimas?
— Amiga, você viu aquela peruca horrenda e mal presa? — Indagou Hinata, não conseguindo mais conter o riso e gargalhando baixinho junto de Ino.
Quando as bebidas finalmente chegaram, elas tocaram as taças, brindando e viraram o primeiro gole.
— Sério, sério, Hyuuga. Tem caras bem bonitos hoje. Poderia... Sei lá. Curtir pra variar?
— Eu curto! — Protestou, com um sorriso meigo nos lábios, e viu a careta da amiga. — Às vezes... Tá, ocasionalmente. Mas, em minha defesa, é a falta de tempo.
— Ótimo! Hoje não tem desculpa!
— Amiga... O Satoru...
— Sem desculpas!
Riu, sem jeito, e suspirou. Ok, que mal havia em distrair-se apenas um pouquinho, certo? Não era como se sua vida fosse sofrer uma mudança drástica apenas por fazer sexo ou se divertir, afinal, ela era humana e também tinha desejos e necessidades como qualquer outro. Ino, então, a arrastou na direção esquerda do salão, onde havia uma boa movimentação de pessoas.
Sasuke estava perto de uma daquelas mesinhas altas de um dos lounge montados ali, enquanto bebia e ouvia Naruto tagarelar com uma mulher ruiva, simultaneamente, sua amiga,que era uma atraente loira, dirigia olhares libidinosos para o Uchiha, que não conseguia sustentar uma conversa com ela por não terem absolutamente nenhuma afinidade comum.
De repente, seu olfato capturou um cheiro de perfume adocicado em meio a tantos outros cheiros, era estranhamente bom, e ao mesmo tempo, uma sensação nostálgica o invadia. Havia um ar de novidade. Suas pupilas dilataram-se e ele ergueu o olhar do copo, em direção ao público, ao mesmo tempo que buscava a origem do cheiro. Talvez parecesse um maluco.
Virou-se de costas para a mesa, mas tudo que sentia era o cheiro se afastando até sumir. Estaria ficando louco?
Sentiu alguém trombar em si, sutilmente, e virou-se encarando um par de olhos verdes-ciano.
— Me desculpa. — Sorriu a loira. — Uau, você é bem... Alto. — Negou, ainda rindo.
— Tudo bem. — Respondeu, seco, e deu um longo suspiro. Voltou a encarar ao redor em busca de algo que nem mesmo ele sabia. Até que sentiu o leve aroma adocicado que vinha da loira, como um resquício de perfume que se impregna no corpo.
— É... Por um acaso viu minha amiga passar. Morena, vestido escuro, cabelos curtos assim...
— Não! — Cortou-a e virou um gole de bebida, voltando-se para a mesa novamente. — Boa sorte ao achá-la.
Apenas cinco minutos haviam se passado, quando a música mais agitada começou a tocar e as pessoas se dirigiram para a pista de dança.
— Quer dançar um pouco, querido? — Ele viu a loira que estava na mesa consigo deslizar o dedo sobre sua mão que segurava o copo de bebida e, imediatamente, a escondeu ao levar mais bebida aos lábios.
Olhando-a compenetrado e assustadoramente gélido, ele respondeu:
— Eu não danço! — E, dito isso, ele virou as costas e saiu. Ia buscar mais bebida e, com sorte, ir embora pra valer, já estava quase no limite dos cinquenta minutos. Absolutamente nada o fizera desejar prolongar esse tempo, muito menos ficar.
Ele tornou a se aproximar do bar e esbarrou em um cara com cabelos castanhos, olhos selvagens e escuros, vestido de forma despojada e, ao mesmo tempo, moderno. O solavanco irritou ainda mais o Uchiha. Parecia que todos haviam tirado a noite para passar por cima dele. Estaria tão invisível assim? Se bem que, foda-se!
— Foi mal cara! — Riu, mostrando dentes super alinhados e brancos. — Você deveria prestar mais atenção. — Disse com uma pitada de provocação, alcançando o bar. — Humm, me vê um cowboy e champanhe Sunrise.
— Eu tava na frente? Quer saber? Essa festa é uma droga! — Ralhou Sasuke, tão focado na discussão com o jovem de cabelos castanhos que nem mesmo se atentou para a mulher que se aproximava, e, assim, virou-se totalmente de costas para o homem, focando-se no balcão do bar e em seu pedido.
Hinata aproximou-se do amigo e num primeiro momento, focou os olhos brancos em um homem alto, todo de preto, que estava de costas. Os cabelos um tanto rebeldes e o jeito travado da musculatura notada pelas roupas sport fino. Travou um instante, sentindo o coração acelerar ligeiramente e, com isso, suspirou.
Às vezes isso acontecia, até se decepcionar. Seria considerada uma mulher tão ruim ao ter tentado buscar outros relacionamentos com pessoas tão fisicamente parecidas com o cara que amou grande parte da vida? Talvez fosse ridículo, mas, no fundo, ela sabia que era mais egoísta e masoquista do que se imaginava. Tão masoquista ao ponto de nunca ter olhado para trás por medo de si mesma e de não conseguir se jogar novamente nos braços de Sasuke. Por isso mesmo, aprendeu a conviver com aquela abstinência da qual, às vezes, tinha dias ruins e extremos, mas, na maior parte do tempo, ela conseguia apenas levar e seguir em frente.
Suspirou, tocando no ombro de Kiba, seu amigo. Falou algo no ouvido dele e recebeu a taça em mãos virando-se de costas. Nesse momento, Sasuke virou-se, fitando o salão, porque tornou a sentir aquele perfume adocicado e floral que inebria-o de sensações nostálgicas.
O cheiro estava espalhado e logo seus olhos focaram em uma mulher de costas para ele, essa usava o vestido preto ligeiramente curto e muito elegante com alças ombro a ombro, deixando parte dos ombros de pele branquinha desnuda.
Ele não era tão colado, mas, ainda assim, marcava o corpo curvilíneo dela que se acentuou ainda mais com o salto alto que usava. Porém, não o bastante para fazê-la alcançar sua altura, por exemplo. Os cabelos negros, muito escuros naquele momento, tinham o tom azulado e um corte sobre os ombros, algo que em parte ele detestou, talvez fosse um viciado em cabelos longos.
Tensionou o maxilar encarando a silhueta dela, sentiu uma estranha pulsação correr por seu corpo como um flagelo do seu passado.
Hesitou...
Dois passos de distância e ele sabia que havia uma mulher que certamente poderia levá-lo a ter uma noite presa em memórias materializadas, no entanto, soou tão vazio novamente. Substituições eram tão dolorosas, porque, no fim, eram apenas mais decepções. Nenhuma era ela, no final. Então tornou a virar-se para o bar.
Poucos segundos depois, Hinata virou-se novamente, vendo que Kiba finalmente pegou a sua bebida e segurou pela cintura.
— Beber e dançar, gata. A pista tá agitadaça! — Assim puxou-a para longe dali, em direção ao alvoroço animado que ficava ali perto.
Mal esses dois foram afastados, a atenção de Sasuke foi totalmente tomada por um loiro agitado demais que, pelo visto, desconhecia a palavra limite.
— Aí está você! A Shion está te esperando, Uchiha. Que deselegante deixar uma mulher como aquela sozinha!
— Pega pra você. — Corou, ríspido, e fez com que Naruto arregalasse os olhos, para depois gargalhar.
— Tentador, bem tentador... — Colocou a mão no queixo ao dizer. — Mas... Como seu melhor e único amigo, é meu dever cuidar da sua vida pessoal e amorosa.
— Rwnnr, deveria só a deixar em paz!
— Alguém já disse como é ranzinza e parece um velho?
— Alguém já te disse como é irritante e inconveniente?
Encararam-se com semblantes firmes e carregados e, com um suspiro, Naruto sorriu.
— Touché! Ok, ok. — Olhou no relógio de pulso. — Bem, cumpriu com o acordo. Já vai embora?
— Tá me mandando embora?
— Você que disse que ia embora!
— E tem alguma coisa que preste aqui pra eu ficar?
— E depois o irritante sou eu! — Rosnou o loiro. — Anda logo, as meninas estão esperando a gente!
Segurou o pulso do Uchiha e, sem delongas, o arrastou em direção à pista de dança enquanto ouvia resmungos e rosnados em protesto. Talvez levasse um soco até ele ir embora? Sim, Naruto sabia dos riscos, mas acreditava que salvar a vida sexual e amorosa do amigo valia o esforço.
Aproximaram-se rapidamente da pista de dança e Sasuke até pôde ver a loira à sua espera. Macabramente, parecia um tipo estranho de harpia, doida para lhe fincar as garras. Era pavoroso.
— Vamos dançar, finalmente? — Sorriu, animada.
— Nem fodendo! — Ele respondeu, ríspido.
— Sasuke! — Bradou Naruto, o olhando atravessado.
— Tsc! Palhaçada. — Virou-se completamente, decidido a ir mesmo embora daquele lugar. Para ele, a noite havia chegado ao fim.
Hinata havia terminado de virar o último gole de sua taça. Sentia as bochechas quentes pelo álcool e julgava já ter bebido o bastante para que conseguisse se soltar na pista de dança sem remorsos por ter bloqueado, parcialmente, sua timidez involuntária.
Ao lado de Kiba, ela soltou-se ao som de Little Mix, Hair. Os quadris moviam-se soltos, junto ao corpo. Sorria, animada. Todas as suas apreensões haviam aquietando-se e, então, em meio a um passo de Kiba, ela virou-se e foi aí que aquilo aconteceu. Tudo mudou em fração de segundos, absolutamente tudo, com uma simples e singela troca de olhares que fez com que não apenas o seu coração disparasse, mas o dela também.
Cara a cara, Sasuke e Hinata eram vencidos pelo destino mais uma vez.
Naquele momento, para ambos, era como se todo o som, todo movimento, todas as cores ao redor deles tivesse subitamente desaparecido e havia apenas o encontro do preto e do branco em um intenso choque de auras e sentimentos que explodiam dentro de cada um.
Havia tantas perguntas, tantas palavras, tantas emoções, mas todas estavam presas, incapazes de simplesmente serem libertadas. Talvez, se fossem, não poderiam ser controladas. Os olhos perolados arregalaram-se expressivamente, os lábios abriram um vão entre si, enquanto estremeciam. O corpo feminino explodiu-se em recordações marcadas a fogo por aquelas mesmas mãos que um dia a conheceram tão intimamente.
Um segundo, três segundos, cinco segundos...
— Sa-Sasuke…? — Escapou de seus lábios como uma invocação de corpo e alma.
Temeu ser uma visão, temeu aquela presença, temeu o passado, o presente, temeu, desesperadamente, a si mesma. Ter de volta a inconstância, o descontrole... Temeu seu próprio amor, temeu a escuridão e o fascínio. Os olhos negros extremamente familiares, no entanto, completamente desconhecidos para o seu eu de agora.
Então, com urgência, sentindo o ar deixando seus pulmões e causando uma sensação opressora que a arrancava do chão, Hinata fugiu dali com pressa. Tinha certeza que desmaiaria se continuasse ali. Aquela mesma sensação de antes da festa explodiu em sua mente. As lembranças da noite que partiu, deixando-o; as promessas que fizera a si mesma, em momentos dolorosos, de esquecê-lo; a força interior que criou para não ligar, para não voltar, para não ceder...
Cada músculo, cada fibra de si... E tudo desmoronou com apenas um olhar.
Sasuke, por sua vez, havia virado-se para sair quando teve o braço segurado por Naruto, que o faria ficar nem que fosse à força. Mas, naquelas mínimas frações de segundo, pela segunda vez na noite, ele sentiu aquele perfume.
Ele viu aquela mulher novamente, de costas, na pista de dança, movendo-se de forma que o atraia quase hipnoticamente. Quando finalmente ela virou de frente, seus olhos alcançaram os dela e ele perdeu o chão. Naruto, que o impedia, viu-o estático e, então, olhou o que prendeu o amigo, vendo assim a morena mais à frente.
Primeiramente, ele sorriu, malicioso, e, depois, franziu o cenho.
— Uau, ela é muito gata... Pensando bem, agora que eu reparei, ela se parece com a garota das suas fotografias.
E então tudo foi muito rápido e intenso. A garota virou, saindo.
— Puta merda! É a garota que fugiu de você?!
Mas Sasuke não perdeu tempo com a resposta, porque seu corpo simplesmente moveu-se atrás dela. Ia atrás de Hinata e foda-se todo o resto.
Naruto, que sentiu o solavanco de quando o amigo se puxou o braço, sorriu, malicioso, diante dos fatos.
— Pelo visto, achou um motivo para ficar, hm, tigrão?! — Gargalhou e virou-se para a ruiva e para a loira novamente. — Então, vamos beber e dançar?!
