Hinata esbarrou desengonçadamente em um dos garçons, enquanto percorria a direção da saída de funcionários e espaço da cozinha. Sua sorte era que a bandeja estava vazia. Droga, ela estava fora de si, trêmula, pálida. Parecia ter visto um fantasma e de certo modo realmente vira. Um que esteve fora de sua vida nos últimos dez anos.
—M-me desculpe – pediu, e logo se perdeu pelo longo corredor, abrindo a primeira porta que viu em sua frente, atravessando-a.
O homem, por um momento, perdeu-se na visão da bela mulher aturdida. Ela não parecia bem, mas antes mesmo que se recuperasse do primeiro choque, seu corpo bateu contra um outro. Porém esse era mais alto e mais forte, e, diferente da gentil garota, dessa vez um cara, que tal como a mulher possuía uma face de assombração e obscuridade, o segurou pelos ombros. Não houve um pedido de desculpas, bem, talvez porque a única coisa que atormentava a mente do Uchiha fosse justamente aquela miúda que fugia de si.
Tão logo, exigiu em um tom autoritário.
—Viu uma mulher de vestido preto, cabelos curtos passando aqui?
O garçom estremeceu diante da rouquidão e imponência. Estaria a bonita mulher enrascada e agora aquele ogro buscava caçá-la? Não sabendo exatamente o que responder, ele negou ao balançar a cabeça, mas isso fizera Sasuke estreitar o olhar e o solta-lo. As mãos passaram pelos cabelos negros com raiva e frustração, sentindo uma imensa vontade de socar a parede, contudo, respirou fundo controlando-se. Precisava, afinal, para começo de tudo fora justamente desse que Hinata fugiu. Virou-se para o homem, dessa vez com um tom um pouquinho mais calmo, rebaixando-se, mesmo não sendo algo costumeiro de si, ele suplicou.
—Por favor... eu preciso... só... me diz.
Hesitante, o homem endireitou-se e fitou os olhos negros por alguns segundos, sentindo um aperto no coração enquanto sua intuição o contradizia.
—Ela entrou na primeira porta à esquerda.
Sem perder mais tempo, o Uchiha correu alcançando a tal porta, atravessando-a por igual.
—Que Deus ajude que eu não tenha entregue a pobre coitada pra morte. – Rogou o homem finalmente voltando ao seu trajeto.
Sasuke sentiu o ar frio do lado de fora assim que abriu a última maldita porta. Estava em um tipo de varanda auxiliar de serviço, pois era possível ver os canos de ventilação, gás e água, tubulações de energia, telefone, etc... Haviam caixas empilhadas por ali e sem dúvida alguma, não havia nenhuma saída, já que estavam um andar acima, bom, a menos que Hinata se jogasse dali.
Estava tenso, acovardado, temeroso. Eram dez anos e ele não sabia o que falar para começo de conversa. Tinha todas aquela palavras decoradas em si, cada uma delas, todavia, sua mente não passava de um borrão. As palmas frias, esfregaram-se uma na outra, ele suava em hesitação, não de vê-la, mas do receio do que vinha dela. Talvez, o sentimento assemelhava-se a uma criança que temia uma nova perda ou rejeição.
Ouviu o barulho de esbarrão mais adiante e soube que ela estava por ali. Suas pernas ainda continuavam travadas, para logo em seguida, os passos o levar exatamente para aquele lugar, onde ela estava de costas para si, segurando com força a última barra do parapeito de proteção do lugar, como se evitasse se virar, e com certeza soubesse de sua presença ali.
Os olhos negros, contemplaram na baixa luz todo o corpo dela, todos os detalhes mapeando aquela nova garota. Dez anos mais velha, porém, Hinata era como um bom whisky, conservado no lugar certo, pois o tempo a tornara muito... muito, muito melhor.
Estava trêmulo, e por isso passou novamente as mãos pelos cabelos, dando finalmente o último passo ficando ali, quase que diante dela, vendo o instante que Hinata virou o rosto de lado mesmo sem olhá-lo diretamente.
Sasuke sentiu seu coração acelerar. Pulsava tão vivo, tão vibrante como há anos não fazia. O perfume doce dela misturava-se ao seu em uma combinação cítrica com o adocicado. Ele esboçou um sorriso quase tão pequeno que mal seria notado. Tanta, tanta coisa queria sair de sua boca de forma tão desordenada, no entanto, novamente a luz dela parecia revelar seus defeitos e fraquezas com a intimidade que só ela tinha.
—Você cortou a porra do cabelo!? – a voz não saiu dura, pelo contrário, havia um tom baixo e sutilmente divertido, estava cansado, desesperado... aliviado...
Os lábios dela curvaram-se sutilmente enquanto os olhos fechavam-se com ela controlando os pensamentos, as imagens, as vontades.
—Porque? – a voz dele soprou solitária novamente. Então, ela finalmente virou-se ficando frente a frente com aquele que foi, e ainda era, o amor da sua vida.
Apoiada com as duas mãos no ferro, ela mordiscou suavemente os lábios enquanto suas pérolas perdiam-se nas obsidianas.
—Porque você detestava... – sorriu frustrada deixando sem querer seu rosto molhar com as lágrimas, e cada uma delas era como uma fina lâmina o perfurando a alma. Sempre odiou que ela chorasse, porque quase sempre ele fora o motivo.
Hinata, sentiu seu mundo virando de cabeça para baixo. Tudo passava lento como um filme desde o dia que o deixou até ali, naquele momento. Seu coração arrebentava em seu peito,suas emoções mais profundas afloraram loucamente, o cheiro dele mexia consigo, mas sua mente era a pior, pois liberava todas as coisas pendentes que haviam, cada ação do passado, tudo que sempre fora tão sujo, tão mal resolvido.
Merda. Ela amava Sasuke Uchiha com todo o seu ser, e sofria com o olhar, com os traços que a acompanhava constantemente, embora esse fosse acompanhado do sorriso e da doçura dela... Uma mistura perfeita. Satoru era iluminado por combinar a luz e as trevas tão lindamente.
Ela sorriu sem conseguir segurar aquela vontade de chorar, de gritar na verdade, de socar Sasuke e de o destruir, de beijá-lo e feri-lo, de amá-lo e se entregar. Ele era a inconstância que alimentou suas fragilidades e inseguranças por tantos anos. Costumava dizer que ela era a luz que acentuava as suas sombras, mas adivinha? Ele também era a merda da escuridão que distorcia sua luz e trazia à vida seus temores. Estar agora frente a ele, depois de tudo, depois de anos, depois de suas escolhas e tudo que ela construiu, a apavorava e ao mesmo tempo a desesperava, para o bem e para o mal. Aquele cara ali na sua frente? Era o mesmo casco de anos atrás? Restava saber se estava diante de um casco estilhaçado, ou consertado.
Poderiam julgá-la por deixá-lo, claro que sim. Ela não esteve lá no momento mais conturbado, mas ela sempre esteve lá, suportando toda a escuridão dele enquanto ele a afundava e a arrastava junto. Ela segurou a mão de Sasuke quando ninguém o fez, ela tentou, ninguém poderia dizer que não, certamente com a mente que tinha agora faria tudo diferente, talvez o ajudasse de outra forma, talvez não se deixasse destruir junto no processo, contudo, como julgá-la? Era só uma menina... uma menina que amou tanto e tão intensamente que não media nada e nunca pediu nada, absolutamente nada em troca além da constância, da reciprocidade.
Perdão? Não! Não Havia algo exatamente que cabia perdão. Ela não pediria desculpas por partir, não se arrependia, afinal, ela sofreu, ela sentiu e ainda sentia, mas não se arrependia, principalmente ao olhar para o presente. Na verdade, não foi ela que se foi. Sasuke que a soltou, que empurrou para longe e se fechou. Ela não era uma maldita clínica de reabilitação. Era um ser humano com tantas falhas e defeitos quanto ele, então não, ela não pediria perdão por escolher a si mesma.
Estranhamente, ela reparou nas roupas que ele usava, no comportamento mais... centrado e controlado de certo modo, nas expressões mais duras, na face mais madura, no porte mais másculo. Sasuke ficou bem mais bonito que antes... muito mais.
Houve aquele silencio pesado, estranho, maldito... Apenas os olhos mantinham-se cativos um no outro, porque nenhum dos dois sabia por onde ou como começar. E a premissa da conversa novamente, partiu dele.
—M-mesmo assim você ficou... linda. Acho que poderia fazer o que fosse.
Ela sorriu miúdo, e com isso olhou para o chão quebrando o contato dos olhares, os braços se envolveram desconfortável como ela se sentia, acuada e intimidada.
—Onde... você esteve? – ele negou com a cabeça e riu irritado atraindo o olhar dela para si, talvez parecesse um maníaco daquela forma – Não... não é isso que eu quero falar. – Ele a encarou engolindo o acúmulo de saliva – Você foi embora, você só... me deixou Hinata. Eu me senti um... – mordeu o lábio contendo-se, dando um novo passo até ela. - Porque? – olhou-a nos olhos – Eu acho que merecia pelo menos saber porque fugiu.
Ela sorriu anasalada, notoriamente frustrada e o encarou por igual.
—Precisa mesmo dessa resposta? Porque eu acho que se a essa altura da vida você precisar mesmo dela, é porque continua sendo a exata pessoa que eu deixei lá atrás.
As mãos deslizaram pelos cabelos negros, a cabeça fora lançada para trás em um gesto de irritação que ela tanto conhecia, ele umedeceu os lábios que estavam ligeiramente mais secos; os olhos ardiam em uma vontade que tinha de gritar, de surtar, de chorar...
Não... não o faria, ao menos achava que não.
Gargalhou, quando finalmente voltou a encará-la, mais um passo para frente, e ela sentiu as costas no ferro frio. Tinha medo da distância se estreitando entre eles, tinha medo do que ele tornou-se, afinal, aquele homem a sua frente era uma incógnita, e o Sasuke do passado, bem... se fosse ele a tocá-la, então ela tinha problemas ainda maiores, mas esses eram consigo mesma.
—Você chorou... – disse de repente com um tom mais brando, a voz mais baixa – Naquela noite você chorou, e não foi como sempre, nada havia sido como sempre. – Mordeu o lábio contendo-se um instante enquanto organizava a própria cabeça – Droga... eu precisava de você lá. Eu precisava, Hinata.
—Você precisava de mais que isso, Sasuke – alegou sentindo as palavras apenas fugirem por seus lábios, tudo aquilo, aquela merda trazia à tona os sentimentos embaraçados e mal resolvidos do passado, cada sensação, cada dor, cada apelo.
—Precisava – concordou e sorriu frustrado – Mas você não estava lá. Caralho, como doeu – a mão subiu ao peito e amassou sem dó a camisa – Eu mal conseguia respirar, porque você se foi, porque... – ele puxou o ar enquanto ela sentia os olhos arderem mais, lutava tanto para não chorar novamente, estava sufocada com aquilo outra vez – A gente merecia mais, você deveria ter falado, ter gritado, deveria ter me feito ouvir, porra! – ele a olhou e estendeu a mão para tocá-la, mas parou no meio do caminho e puxou novamente a mão – Deveria ter dito algo, ter me amarrado, ter... sei lá – a mão passou nos cabelos outra vez enquanto ele encarou o céu noturno – Tinha que ter tentado mais... pelo mais uma vez.
Hinata sentia que seu coração iria explodir, sentia que aquilo foi o que fizesse ela engasgar e sufocar por anos demais. Sentiu raiva diante das palavras dele naquele momento, mesmo percebendo que Sasuke fosse alguém completamente diferente do que era antes. Aquela pressão, aquele acúmulo de sensações de palavras não ditas... tudo aquilo travou sua garganta quando ela bradou claramente no seu limite:
— EU TENTEI, SASUKE UCHIHA! DEUS SABE QUE TENTEI! – ofegante, ela encarou os olhos negros e alarmados dele – Eu tentei tudo, eu tentei – as lágrimas desceram outra vez – Eu dei tudo de mim, você me teve por completo, e ainda assim foi insuficiente. – Riu melancólica secando o rosto com os punhos - Não fui eu que me afastai de você, não... foi você que se isolou, você que se destruiu e me destruiu junto. Você me empurrou pra longe e eu estava quebrada – bateu no peito voltando a chorar – Eu estava quebrada justamente por carregar as suas dores, por carregar toda aquela merda, mas você não viu. Talvez... não estivesse pronto para amar nada e nem ninguém, nem a si mesmo.
—EU TE AMAVA, PORRA! - Ele não suportou tal pressão em si, e finalmente as janelas de sua alma transbordaram cristalinas pela face.
Ofegantes, encararam-se em segundos de silêncio, para logo em seguida ela negar novamente.
—Não amava não. Só não queria estar sozinho. Só queria alguém para empurrar sua culpa para conseguir se olhar no espelho.
Ele mordeu os lábios sentindo o peito fisgar. Fora tão... merda assim? Tão negligente, tão... estúpido e escroto ao ponto de ela ter apenas essa percepção de si? Não... não aceitava tal fato.
—NÃO! - Bradou – NÃO FALA ESSA MERDA! Você não... sabe de nada, Hinata. Não sabe o que se passou ou se passa na merda da minha cabeça. Não sabe o que eu senti, como eu fiquei na bosta. Não sabe de nada, só conhece as suas verdades!
—S-sasuke... p-por favor... – suplicou querendo apenas acabar com aquilo. Era uma merda de ferida aberta, um pesadelo que voltava exatamente de novo, embora agora, a ótica fosse outra, fosse mais amadurecida, pois agora entendiam seus pontos fracos, suas falhas... ainda eram crianças aprendendo a lidar com os sentimentos.
—A minha luz me largou. Ela se apagou e restou só a escuridão. - pausou a olhando nos olhos - O que acha que aconteceu, hm, Hinata?
Ela riu com raiva.
—Quer falar disso? Bom, vamos falar de como eu me levantei quebrada e cheia de dor naquela noite, como eu sai vazia e partida, como eu me rasguei em duas deixando o cara que eu amava pra trás porque ele era um merda. Como eu dirigi a porra de três mil quilômetros para longe dele, mas cada instante eu queria voltar como uma fodida pros mesmos braços que me faziam chorar. Hm? Vamos falar disso! Eu me virei nesses anos todos, Sasuke. Acha que meu pai só abriu a porta da frente? Não! Você acha que só você sente, só você sofre? É tão egoísta assim? Você é exatamente igual, só a sua dor importa, só os seus pesadelos.
—NÃO! - rugiu – Não... é justamente o contrário. – Engoliu em seco – Quer a verdade? Me deixar na merda talvez tenha sido sua melhor decisão. – Os olhos dela se arregalaram, aquela admissão dele de culpa era algo... novo. Viu o pequeno sorriso sereno formar-se nos lábios do Uchiha – Porque foi só aí que eu percebi que não era o medo da solidão que mais doía, porque você me deu um maldito proposito de levantar e... continuar. Me fez ver minha dor, meus pecados, me fez entender que não tenho que carregar uma culpa, porque me fez entender que eu deveria estar lá, de corpo e alma pra gente, e eu não estava. Eu deveria ter sido mais, ter feito mais, te provado mais, ter realmente te dado o mundo e não morrido em palavras. – ele se calou e tomou folego novamente - Eu... deveria ter dito que me importava em vez de te culpar, e só talvez eu deveria ter colocado aquela porcaria de anel no seu dedo e dito que te amava tanto que doía, ainda dói, porra...
Os olhos perolados transbordavam incontidamente, o coração era um maldito que arrebentava em seu peito de forma desvairada, seu estômago revirava-se, suas mãos suavam, e lá estava aquilo novamente, aquele fogo quente que ardia a sua alma, a paixão quase demoníaca que a consumia sem controle. Odiava as sensações que Sasuke arrastava consigo, porque eram únicas para si e ninguém mais despontava-as. Ela o odiava por fazer algo inesperado como naquele momento, aquelas palavras, aquela admissão, principalmente pelo maldito controle, quando ela mesma estava perdendo o seu.
Não... ele ainda era o mesmo fogo que consumia, só que agora era um que tinha controle. Ela morreria com aquilo.
Fechou os olhos apenas deixando o restante das lágrimas fluírem ouvindo o restante do que ele tinha a dizer, simplesmente porque não podia mais consigo mesma.
— Eu deveria ter dito tanta coisa, mas não sabia dizer, como dizer, eu... não queria assumir, não queria entender, até ter entendido... mas agora... – ele deu mais um passo em direção a ela – Agora... – ela podia sentir o cheiro dele tão perto de si a embriagando, o calor do corpo dele aquecendo o seu – Agora eu tô aqui, diante de um maldito acaso, usando a única merda de chance que eu tenho – a mão subiu até próximo ao rosto dela que parecia negar-se a abrir os olhos, Hinata podia até sentir o calor transmitido da mão dele próxima a superfície do seu rosto, mas ele ainda não a tocava, e de alguma forma seu corpo protestava, sua pele arrepiava-se com a sensação torturante. – Torcendo para algo ter valido a pena nisso tudo, torcendo para... só não ser tarde demais pra dizer que – e finalmente sua mão tocou a pele macia e quente dela fazendo imediatamente com que as ondas quentes e eletrizantes chocassem em ambos os corpos, com isso ele ofegou no mesmo instante que ela – Nunca amei, e nunca vou amar qualquer outra pessoa, que não fosse você, Hinata Hyuuga.
Os olhos finalmente encontraram-se, e quando a mão de Sasuke deslizou tocando os fios de seu cabelo de encontro a nuca, Hinata desmanchou-se completamente em sensações, fechando assim os olhos novamente apenas sentindo o contato explosivo e único dos lábios dele nos seus.
Um toque, apenas isso bastou para desencadear o efeito em cadeia em seu corpo. Um arrepio bom correu por seu torso, da ponta de sua nuca até a ponta do pé. Sentiu os lábios dele moverem-se lentos, como se apreciasse cada segundo daquele contato, como se a memória sensorial buscasse lá no fundo cada sensação uma vez sentida, mas não... o toque macio e aveludado dos lábios de Hinata não eram iguais, eram ainda melhores, talvez porque o sabor fosse regado de saudade.
Os corações pulsavam forte fazendo o sangue acelerar pelos corpos, aquecendo tudo ainda mais rápido, privando-os da respiração em abundância. Porém, quando a outra mão de Sasuke desceu para a cintura dela a pressionando, não com força, mas com necessidade de tê-la, dos lábios de Hinata escapou um pequeno gemido sôfrego.
Afastaram-se encostando apenas as testas, sem abrir os olhos, sem falar nada, apenas sentindo o efeito que percorria os corpos carentes, amantes, saudosos... Ele não arriscava soltá-la, ou ao menos se afastar. era idiota, mas tinha medo.
Medo de que ao abrir os olhos aquilo não passasse de um delírio, ou de um sonho. Tinha medo dela não estar mais ali, ou dela esvair por seus dedos. Medo...
As respirações se encontravam em um choque enquanto os lábios estavam seguramente próximos, embora devessem estar vazias, as mentes estavam cheias. Transbordavam em meio a tantas palavras, tantas lembranças, tantas certezas e a mesma maldita saudade que os esmagava. Quando finalmente aquela explosão inicial dispersou-se, e o mesmo suplicou por mais, a mão de Sasuke apertou com força a cintura pequena colando seu corpo ao dela de forma que não houvesse nem um misero milímetro de espaço entre eles, bem como seus dedos fecharam brutos em um aperto dos fios negros raspando seus dedos na nuca dela enquanto tornara a buscar pela boca quente. Os lábios esmagaram de uma forma dolorosamente boa, moveram-se rudes enquanto a língua deslizava sobre eles, quente, úmida, provocante...
Tão logo os lábios femininos afastaram-se, o músculo avermelhado dele penetrou a cavidade ansiada, encontrando imediatamente o toque aveludado e gostoso da língua dela, que acariciou a sua de forma tão receptiva. A mistura do morango e do champanhe ainda borbulhava, bem como o baunilhado intenso do whisky que ele bebeu minutos antes, deixavam as notas levemente adocicadas entre as bocas, que degustavam o sabor um do outro. Cada vez mais o toque delas tornavam-se mais intenso, cada vez mais os gostos explodiam e não conseguiam simplesmente parar para respirar. Era impossível naquele instante. O toque forte de Sasuke contra o corpo macio e voluptuoso de Hinata provocava a nova onda feroz de excitação por anos reprimida.
Pertenciam-se de corpo e alma e nem ao menos haviam se dado conta de tal fato.
Os lábios dele juntaram-se sugando os dela, os dentes pressionavam forte a carne macia e adocicada. Ele odiava qualquer coisa doce, talvez por que ela fosse tudo o que ele precisava. Hinata sentia seus lábios sendo castigados com ferocidade e tão carnívoro por ele, pulsavam doloridos e inchados, formigando em êxtase e a medida que o corpo másculo esfregava contra o seu, uma intensa onda de calor passou a alojar-se desesperadamente em seu baixo frente. Ela precisa... necessitava de mais...mais contato, mais do toque, mais do sabor.
A mão destra dela escapou para a nuca apertando e puxando com força os fios negros dele, ouvindo um rosnado perdido contra os seus lábios. Aquilo bastou para que todos os gatilhos deles disparassem. Ela o apertou e sentiu as mãos de Sasuke saírem de sua cintura e nuca e reivindicarem sua traseira, apertando com força e a puxando contra si, fazendo-a sentir ainda mais aquela protuberância excitada dele, e isso somente provocava em si o desejo insano de esfregar-se mais para aplacar aquele acúmulo de calor e a pulsação entre as pernas. Mais uma puxada dele, e dessa vez ela tinha as pernas envoltas do quadril masculino. Não precisou de dois passos para que Sasuke a prensasse contra a parede e firmasse seu corpo no dela impulsionando o seu quadril em movimentos lânguidos entre as pernas dela tão abertas para si. O vestido havia subido o bastante para deixar à mostra aquela calcinha pequena que era fina o bastante para tentá-lo e mais ainda, para fazê-lo esfregar sua ereção exatamente na boceta que ficava cada vez mais quente e molhada.
Uma das mãos dele subiu de encontro ao seio esquerdo enquanto sentia Hinata rebolar levemente contra si o instigando mais e mais. quando a falta de ar chegou ao limite, ele deixou seus lábios deslizarem pelo maxilar dela, mesmo ofegante, e caminhar em direção a pele alva do pescoço, onde começou a deixar inicialmente pequenos chupões e beijos, para depois parecer um animal a devorando e marcando.
—S-SA- SU-KE...
Ela deixou a cabeça pender-se de lado abrindo ainda mais espaço para o Uchiha devorá-la completamente. As mãos pequenas e delicadas bagunçavam os cabelos dele, apertando os ombros, descobrindo que esses estavam mais duros e musculosos. Ela dedilhava o corpo masculino tão conhecido e tão novo ao mesmo tempo, reconhecendo que cada ponto fraco dele ainda estava bem ali, principalmente quando ela trilhou lentamente com os lábios do pescoço dele até a orelha deixando escapar aqueles gemidos baixinhos, desesperados e manhosos.
—Tá acabando comigo – ele rosnou com gana ao pressionar o membro duro que doía como um inferno nela que gemeu com a aspereza e o desejo.
—Pensei que... esse papel fosse só seu... Sasu – ronronou provocantemente maliciosa e doce no ouvido dele que fechou os olhos com força rogando a Deus calma, ou a foderia bem ali mesmo.
Ofegante com um tesão quase incontrolável queimando em suas veias, ele tomou aquela boca de língua perigosa novamente. Dessa vez, a amassando e sentindo a explorando em cada toque mais ousado. Ele arrancou completamente as palavras e o fôlego da Hyuuga e quando se afastou ele só a queria, mas não ali, não daquele jeito... mesmo que os olhares só suplicassem, ela entendia que ele estava a um passo de usurpá-la toda a sanidade e fazê-la uivar bem ali.
—D-desleixado... – sussurrou ainda ofegante entendendo o temor dele que, maneou a cabeça positivamente.
O uchiha segurou o rosto dela entre as mãos assim que a desceu de seu colo tornando a atacar os lábios já inchados novamente.
—M-muito desleixado... quero você por completo, toda, cada pedaço por todo o tempo... – a voz rouca, bruta, excitada a fez vibrar. Então um sorriso malicioso nasceu nos lábios inchados e vermelhos.
Ela segurou o pulso dele e virou-se, o puxando consigo em um estado nada bonito, afinal, o volume na sua calça denunciava o tesão que aquela mulher o colocara, e não era como se apenas concentração funcionasse naquele momento, ainda mais com o desejo que ainda fazia sua mente cogitar rasgar aquele vestido e jogá-la no chão ali mesmo à metendo fundo.
— O que tá fazendo? — perguntou ao passarem pela porta.
Hinata, no entanto, riu e continuou o puxando, a ele restou encantar-se com o rosto dela iluminado naquele sorriso, nos olhos brancos que refletiam a alma intensa e acolhedora, e bem, rezar pra não o chamarem de pervertido no estado que estava.
Atravessaram um longo corredor no ponto que passavam pela cozinha e apoio do lugar, onde, surpreendentemente, a Hyuuga surrupiou na cara dura uma garrafa lacrada de champanhe.
— O que é? — sorriu diante da sobrancelha arqueada dele, que logo em seguida sorriu balançando a cabeça negando.
— Nada… e agora, pra onde? — questionou ao prensá-la contra a parede já próximos ao salão de eventos. Os olhos brancos fitaram o complexo de elevadores que havia bem mais a frente e ele franziu o cenho.
— Bem, talvez não tenha se atentado, mas estamos no salão de eventos do Gran Hotel Rikodou. — sugeriu enquanto a ponta do seu dedo indicador direito deslizou traçando os lábios dele.
Os olhos negros arregalaram-se e um sorriso malicioso formou-se no canto dos lábios. Sem perder um segundo a mais, dessa vez fora Sasuke que segurou o punho dela a puxando em direção aos elevadores.
Já dentro da caixa de metal, o botão do primeiro andar fora acionado sinalizando a recepção do mesmo. Sem deixar o momento perder-se,ele tornou a agarrá-la ali mesmo a beijando com a mesma volúpia, quando a porta abriu-se e se afastaram, sorriram quase gargalhando ao serem pegos no flagra, saíram dali como dois adolescentes rumando em direção a luxuosa recepção.
— Você viu a cara deles? — Hinata acalmava o sorriso, coisa que Sasuke já havia feito segundos antes.
— Vão te chamar de pervertida — sugeriu re-alinhando-se. O coração batia tão forte no peito, e ele se perguntava quando foi a última vez que sorrira?
— Eu pervertida? É tão cínico — ela apontou o dedo.
Aproximaram-se da recepcionista encostando-se no balcão longo, sem muitas formalidades, após o boa noite dela, a voz de Sasuke ressoou um pouco bruto e direto.
— Uma suíte, aliás, a de núpcias — olhou sorrateiro para Hinata que segurava o riso diante do olhar da garota frente ao computador.
— Núpcias, certo… preciso de um documento e … — antes dela terminar de falar, o uchiha puxou a identidade junto do cartão deslizando pelo balcão em direção a ela.
Pensando no que faria e em como aproveitar a noite com a hyuuga, ele decidiu estender aquilo, afinal, não era um momento qualquer, não era uma garota qualquer… não…Ela era a mulher da sua vida, que trazia expectativas, certezas, ânsias e porque não, sonhos?
Uma certeza única de que, haja o que houver, era ela, era com ela que queria estar até seu tempo acabar…
… afinal…
Ele sabia que a amava.
Inclinou-se mais em direção a recepção e pediu em tom de voz um tanto mais baixo.
— Mande um jantar especial, frutos do mar, vinho e… doces, uma variedade, deixo a sua escolha.
Ela arregalou os olhos diante do pedido e quando Sasuke virou-se a encarando, ela apenas o beijou de forma lenta e totalmente afetuosa diante do olhar da mulher, que interrompeu-os entregando o cartão- chave da porta da qual ele girou entre os dedos.
Era aquele olhar sacana que a consumia e fazia seu corpo tornar arder em chamas, e ela tinha apenas uma certeza, teriam a noite toda, e naquele momento ela não pensava tão adiante disso.
