Ele não soube o exato momento que reagiu, ou o exato momento que se desligou de tudo que era externo. Sasuke levantou-se de supetão da cama mostrando-se completamente desnorteado e embora Hinata falasse qualquer coisa ao fundo, ele apenas não ouvia. Seus passos o deixaram frente a mesa que comiam horas antes, os olhos negrumes encararam a meia garrafa de vinho branco enquanto seus dedos agindo sozinho agarrou a taça, então ele tinha os dois em ambas as mãos: a bebida e o copo, no entanto parou, encarou a taça e logo depois a garrafa e então largou a taça de volta a mesa abrindo a rolha do vinho com um puxão e levando a garrafa direto aos lábios. Hinata puxou um dos lençóis enrolando-se a ele enquanto rumou atrás do Uchiha, quando ele se virou a encarando-a mal conseguia distinguir o que aqueles olhos tão escuros diziam.
Raiva?
Mágoa?
alegria?
surpresa?
negação?
o que em nome de Deus ele pensava?
O coração da Hyuuga arrebentava no peito em dor e miséria.
—Fala alguma coisa, por favor... – suplicou baixinho, ainda assim forte o bastante para que ele ouvisse.
mais um gole enquanto Hinata sentiu os olhos dele a perfurarem até a alma, e então ficou impossível sustentar aquele olhar, então ela apenas desviou para o chão levando junto consigo sua cabeça. Seus cabelos azulados arremeteram-se para frente lhe encobrindo a face enquanto o corpo pequeno estremeceu com pequenos soluços do choro que se iniciava. Foi então que a voz dele reverberou forte, rouca, grave e potente.
—Como ele é?
Ela levantou um pouco os olhos para olha-lo revelando os seus próprios completamente afogados nas lagrimas. as bochechas estavam rosadas e ele via a ponta do nariz seguindo o mesmo tom. De lábios trêmulos, Hinata secou a face notando o quão duro Sasuke estava naquele momento. seus músculos estavam tensos e sua expressão era indecifrável. Ela então puxou o folego acalmando um pouco o choro, mas as lágrimas finas continuaram a descer pela maçã de seu rosto.
—E-ele... é bem alto para a idade dele, e esperto. Cheio de manias e vontades, é daqueles garotos que te dobram ao meio quando só quer te convencer de algo... igualzinho você – ela fungou e limpou novamente a face tornando a olha-lo – eu poderia dizer que... na verdade, Satoru é todo você. é quase como olhar uma versão jovem sua, de quando tinha quatorze. – Ela sorriu e viu os lábios de Sasuke curvar-se ligeiramente.
—Satoru... – murmurou baixinho provando pela primeira a experiencia de dizer aquele nome, o nome do seu filho. os olhos baixaram-se para a garrafa observando o rotulo por um instante. Hinata mordiscou o lábio enquanto apenas o olhava naqueles instantes de silencio – ele está com o que, agora? nove anos?
—Isso – ela sorriu minimamente – Deixa eu mostrar – murmurou dando alguns passos até sua clutch pegando o celular de dentro. Rapidamente ela acessou a sua galeria de fotos enquanto aproximava-se de Sasuke.
Ele repousou a garrafa sobre a mesa recebendo o aparelho celular logo em seguida. Sua mente lentamente digeria aquela novidade, aos poucos ele se situava e deixava as questões e duvidas apenas vir, a curiosidade e demônios aflorarem. Obviamente em um pequeno instante ele apenas sentiu-se traído e irritado, afinal, a Hyuuga havia tirado de si uma parte importante demais, mas o problema era que ela por si só era um parte importante por igual e desde que puderam apenas conversar na noite anterior, que puderam trazer a tona toda aquela sujeira, ele apenas queria ouvi-la, queria entender suas razões para lhe negar aquilo. Não era estupido também, sabia que ambos eram uma bagunça, ela era uma menina sozinha e gravida e ele... bem... Sasuke era um merda.
Seu coração explodiu em um êxtase novo, em emoções que eram no mínimo indescritíveis quando seus olhos negros encararam pela primeira vez aquele garotinho na tela. Ele era um pedaço seu e isso era inegável em cada traço, desde o pequeno sorriso arteiro e um tanto arrogante, aos olhos escuros. Ele deslizou o polegar sobre o display passando as imagens quando a voz de Hinata soprou baixinho:
—Aqui foi quando fomos a Kumo no ultimo feriado. Ele que escolheu o destino porque queria ir ao aquário e ver as tartarugas gigantes. – Sasuke embora a ouvisse, apenas divagava naqueles momentos em família pensando em coisas que perdeu, como nove aniversários, nove natais, nove dia dos pais... quantos passeios em família? e as viagens de férias? Quem ensinou Satoru a andar de bicicleta, e quem o segurou nos primeiros passos? Sem querer ele apenas não conseguiu reprimir as pequenas lágrimas que lhe escorreu a face.
Para Hinata, vê-lo daquela maneira a doeu absurdamente e fizera sentir-se tão culpada. Sasuke vulnerável era algo simplesmente indescritível e triste. Ela apenas queria poder saber as coisas que se passavam na cabeça dele com todas aquelas informações, ou ao menos o quanto ele a odiava. Como ela não sabia lidar tão bem consigo mesma, ela apenas continuou falando, como se de algum modo as palavras e história pudesse amenizar, sinceramente? ela não o julgaria se ele apenas surtasse.
— Ele é um aluno bastante aplicado, está um ano adiantado. E... ele toca como você. Ele gosta de música e eu surtei tanto... – ela riu limpando as lágrimas vendo um sorriso nos lábios de Sasuke – as vezes eu entro no quarto dele e lá está ele com a maldita guitarra.
Ele limpou o rosto continuou passando as fotos.
—Ele perguntou por mim... digo, pelo pai? – a voz dele estava mais baixa e rouca. Ela apenas consentiu, engasgava-se com as próprias lágrimas – O que disse a ele?
—A verdade – ela fungou limpando novamente a face – Eu não o menti nunca. Ele tem fotos suas, as que eu trouxe comigo nas minhas coisas. – Ela sorriu negando – acho que foi por vê-lo com a droga da guitarra que ele quis. Não foi fácil... Quando ele era tão pequeno foi Neji que esteve lá, ele o chamou de pai e mesmo que eu dissesse que era o tio, ele o aceitou de coração e criação, mas quando cresceu ele dizia: Eu devo ser muito sortudo, eu tenho dois pais. As perguntas antes bobas tornaram-se mais exigentes, ele queria detalhes e não aceitava ser tratado apenas como um garotinho ingênuo.
—Disse a ele que eu estraguei tudo? – falou sentindo o amargo nos lábios e a olhou a vendo negar.
—Não... eu disse apenas que não demos certo, que nem sempre o amor bastava para duas pessoas ficarem juntas. Disse que eu parti o deixando. por um tempo ele apenas o odiou, achava culpado por magoar a mãe dele, mas eu tirei essas ideias da cabeça dele.
Hinata sentou-se no sofá e bateu com a mão ao lado o convidando a sentar-se ali. Ele a devolveu o aparelho, e esse fora bloqueado novamente e repousado sobre a mesinha do pequeno estar da suíte. Sasuke deixou os dedos enlaçarem enquanto o corpo estava ligeiramente curvado para frente.
— Eu fui tão ruim assim para só... não me procurar? nenhuma maldita ligação, uma carta, qualquer coisa...
Ela encarou o carpete por um tempo apenas pensando em como responde-lo.
—Que tipo de cara você era a dez anos? – indagou sem olha-lo – eu fiquei pensando em um cara como você sendo apenas pai. o que você abriria mão por ele naquela época? o Sasuke que eu conhecia não o faria. Não digo apenas você, nos éramos uma destruição e ruim um para o outro e ter uma criança no meio disso poderia ser tão desastroso. Quanto tempo até apenas termos a assistência social em nossa porta, ou ouvirmos de alguém que erámos péssimos pais? Se você me afastava, o que faria com ele? – ela sorriu triste – eu não pensava em você apenas desistindo da música, ou da sua autodestruição apenas para achar um emprego descente e ter uma família...- ela riu mais negando em meio as lagrimas - você nem ao menos me achava boa o bastante para me propor, Sasuke – ela o olhou nos olhos e havia tanta dor em ambos – você não queria uma família, você não estava pronto para uma... e talvez a destruísse – deu de ombros e mexeu em seus dedos – eu desisti de tudo por ele. Eu fiquei limpa, eu... dei o meu melhor eu... fui de barista a camareira apenas para pagar as contas. eu mal dormia cinco horas seguidas entre faculdade, trabalho e ele... e ainda assim eu pensava a cada aniversario, cada natal: Como o pai dele estava? como ele reagiria? sem saber eu apenas o criei forte porque eu pensava que o dia que ele batesse em sua porta e você apenas o negasse ou fosse um merda, ele ia olhar pra mim e pensar que mesmo que você não estivesse lá, eu o amava e ele tão precioso para mim.
Ele engoliu aquele bolo de fel enquanto pensava nos anos, em quantas vezes a amou e amaldiçoou, quantas vezes a odiou, mas a buscou em sonhos, a cada vez que a escuridão gritava seu nome e ele apenas queria se agarrar aquela luz, mesmo que longe. Pensou nos malditos dez cartões postal que ele escreveu para cada aniversário dela que esteve longe e apenas o enfiou em alguma caixa apenas porque não sabia onde Hinata estava ou se alguma merda de dia a veria outra vez. Eles estavam o tempo todo tão longe, mas tão perto. Seria tão idiota de sua parte apenas pensar que, o filho que tinham era aquela luz ou aquele elo de esperança que apenas os manteve, o chamado destino que em algum momento apenas os traria novamente ali, frente a frente, com seus demônios e todas as marcas. Queria odiá-la, apenas gritar e culpa-la por priva-lo, queria dizer que ela foi cruel que ela o fodeu antes e agora o fodia novamente, mas ele não conseguia, e muito menos podia porque ele sabia de tudo aquilo, sabia o que era, sabia como ela era, sabia que os dois eram uma merda e ela tinha razão... naquela noite ele esteve sóbrio o bastante para querer propor, para querer dá-la uma vida descente, mas e na primeira recaída? na primeira briga? ela tinha razão, era questão de tempo até terem aquela criança arrancada deles, ou pior...
Ele suspirou longamente.
— Posso só... vê-lo? conhecer um guri?
Hinata sorriu enquanto moveu lentamente a cabeça.
—Deve...
—Mas não posso só chegar de mãos abanando – ele sorriu miúdo ainda encarando o carpete.
—Acho que ele não se importaria.
ele sorriu mais um pouco enquanto reclinava-se no estofado. as mãos deslizaram pelos fios negros enquanto ele respirava forte sentindo o coração arrebentando forte no peito enquanto repetia-se em looping: sou pai... eu sou pai...
Tantas coisas para ver, fazer, comprar...
—Eu tô tão perdido... eu não sei do que ele gosta, sua cor favorita, ou música...
A mão de Hinata tocou seu joelho em uma sensação quente e acolhedora e então ele a olhou. Dez anos... ele apenas deveria estar feliz pelas coisas que aquela merda de destino o devolvia. era como um prejuízo de anos sendo restituído com juros, e esse era um pré-adolescente que ele tinha medo de lidar e decepciona-lo.
(...)
—Pelo visto alguém aproveito a noite como se deve – Hinata encarava o visor digital de sua cafeteira a programando rapidamente enquanto os cabelos castanhos de Hanabi espalhavam-se pelo balcão quando a garota se debruçou sobre ele naquela manhã. A indagação da Hyuuga caçula fazia muito sentido, porque todas as vezes que teve de ficar de babá para Satoru, quase sempre Hinata voltava cedo.
Observando a irmã mais velha, Hanabi poderia até dizer que ela está ótima, não estava amassada nem nada do tipo, mas conseguia ver claramente algumas das marcas que o corpo marmóreo carregava, como chupões e mordidas. Uma noite quente e selvagem... quem poderia culpa-la? Hinata era uma mãe tão aplicada e quase nunca tocava o foda-se na vida, bom, ao menos não depois de ter um filho. A Hyuuga ainda lembrava-se como Hiashi falava de Hinata, de como a julgava ainda adolescente, de todas as vezes que a garota fugiu no meio da noite voltando para casa apenas no dia seguinte, e tudo sempre movida por Sasuke Uchiha, e olha que Hinata ainda era uma pequena garota, por volta dos quatorze ou quinze anos.
Hinata suspirou longamente se sentando a ilha da cozinha e fitando algum ponto qualquer, e Hanabi estava pronta para contesta-la de alguma forma apenas por ver os olhos inchados e pensar que ela deve ter tido algum arrependimento ou crise, mas a Hyuuga mais velha apenas falou algo que Hanabi não esperava:
—E-eu... reencontrei Sasuke...
Quando o garotinho de cabelos negros ouviu aquele nome, ele apenas congelou onde estava e encostou-se contra a parede prendendo a respiração. Era errado ouvir conversas e espiar, e ele sabia muito bem disso, mas ouvir aquele nome tinha efeitos controversos em si, as vezes de curiosidade, as vezes raiva ou frustração. As poucas coisas que conseguiu ouvir escondido sobre o progenitor quase sempre eram ambíguas demais para que ele apenas se decidisse se o queria perto ou longe de si. Satoru tinha apenas nove anos, mas começava a viver uma fase apenas complicada e confusa e cada dia a mais ele apenas tinha questões que Hinata apenas não podia sana-las e isso o irritava. Satoru apenas tinha uma imagem idealizada de Sasuke, essa formada através das poucas informações que tinha e no fundo o garotinho tinha medo de desaponta-lo de algum modo. Sua mãe lhe dizia que ele parecia tanto com o pai, mas era tão estranho porque na maioria das vezes ela chorava e isso era o suficiente para confundi-lo mais.
—Sasuke Uchiha... – o nome saiu proferido pelos lábios de Hanabi, que suspirou longamente se sentando. não demorou muito para que a cafeteira apenas apitasse e o cheiro de café subisse no ar. – então todo esse estrago em si...
—É... – Resmungou Hinata, extremamente constrangida.
—Haja saudade... – zombou a mais nova indo de encontro a cafeteira pegando duas canecas para enche-las – Eu sabia..., não, eu tinha certeza – deu um risinho entregando um copo para Hinata – eu disse a Neji uma vez que se ele voltasse, você perderia a cabeça.
—E-eu não perdi a cabeça! – protestou e Hanabi gargalhou.
—Oh não! pelo visto perdeu a calcinha mesmo. Então, como está aquele merda?
Hinata soprou sua caneca e bebericou um bom gole de café forte, diante de um agoniado olhar de sua irmã caçula.
— Bem... está mais... maduro.
—Pelo visto vaso ruim não quebra! E então... onde se encontraram?
—Na avant-première.
Hanabi deu um sorriso malicioso e perverso.
—O que ele fazia lá? estava a trabalho ou diversão? aposto que ainda fodido.
Hinata fechou os olhos e suspirou, como alguém tão pequeno podia ter tanto ódio? ainda mais de alguém que nunca, absolutamente nunca, fizera qualquer coisa para ela? Hanabi parecia ter absorvido todo o ódio de Hiashi pelo Uchiha apenas por convivência.
—Ele estava representando um dos nossos anunciantes. Hana... ele não é só mais aquele garoto perdido e confuso que destruía tudo a sua volta, ele... parece ter se tornado algo melhor.
—Algumas horas e você já aceitou tudo fácil.
—Eu não sou mais uma menina, eu não sou alguém que apenas tem tempo sobrando para coisas tão... insignificantes. é o pai de Satoru e mais que isso, é o cara que eu mais amei em toda minha vida. Não é como se o passado pudesse só... ser mudado, Hanabi. Ele plantou e ele colheu e comigo não foi diferente.
—Então se entenderam... – resmungou contrariada.
Hinata deslizou as mãos pelos cabelos enquanto inspirava profundamente.
—Digamos apenas que colocamos uma pedra no passado. Que fizemos isso como dois adultos e duas pessoas maduras que nunca deixaram de se amar.
—Todo o passado? – provocou a garota.
—Todo ele... tivemos uma longa conversa sobre Satoru.
—Como ele reagiu?
—Surpreendentemente, positivo. Eu me sinto mais leve, menos... – Hinata sentiu os olhos enxerem de lágrimas, embora essas não fossem mais de tristeza, ou medo. era apenas alivio, conforto e alegria. – Menos culpada. Sinto como se pela primeira vez em tantos anos eu pudesse ter planos de futuro, que eu posso dar ao meu filho a família que ele merece. Eu me sinto mesmo pronta e leve o bastante apenas para recomeçar o nosso sentimento.
— Isso é loucura!
Hinata sorriu encarando a irmã.
—Eu sei! eu simplesmente sei..., mais de dez anos que apenas não sou louca. Eu agora preciso pensar como falar com meu filho e prepara-lo para isso antes do que eu planejei.
—Hm... então apenas suponho que ele vem?
—Ele está louco para conhecer Satoru. Vamos ter um jantar...
—Vai cozinhar?
—Vou pedir algo. provavelmente se me arriscasse agora na cozinha eu queimaria o que quer que fosse.
—Concordo. – disse risonha e maldosa vendo Hinata ruborizar.
Não muito longe dali, um garotinho de cabelos negros disparou para seu quarto jogando-se na cama. a mente dele apenas ponderava aquilo, aquelas palavras e novidade: seu pai queria o conhecer... seu pai... Sua mãe havia encontrado com seu pai na festa do trabalho e agora ele iria ali. O sorriso apenas não queria deixar seus lábios e seu coração batia tão de pressa que o causava falta de ar. Tudo que ele sabia de Sasuke era do passado, tudo que ele imaginava também tinha a ver com isso.
—Uchiha... – ele murmurou contra o travesseiro e então apertou os cobertores rindo abobado... então aquele era o sobrenome.
Será que ele gostaria de si? ele continuava tocando? ele ainda tinha banda? era alto como parecia? e os cabelos? será que ele ainda era tão sério?
Satoru pensava em coisas tão importantes para si, e ao mesmo tempo tão banais para um adulto. dentre tudo ele apenas queria que Sasuke gostasse dele, queria poder tocar sua guitarra e faze-lo se orgulhar e mostrar suas notas e medalhas do colégio. queria dividir seus jogos de game favorito se perguntando se ele jogava, e se sim, ele jogaria um pouco consigo. Como seria os avós? ele tinha primos? tios? tantas e tantas perguntas angustiavam o garotinho precipitadamente. suas mãos suavam e então ele parou e franziu o cenho... virou-se de barriga para cima e encarou o teto do quarto, a mão direita foi de encontro o peito onde ele amassou o pijama sentindo as batidas forte e aquela pressão. Satoru então finalmente deixou-se mergulhar em algo ainda mais profundo, a raiva que sua amada tia Hanabi evidenciou de Sasuke, de repente, a criança fora bombardeada de outras informações e meias verdades. "Aquele merda" fora assim que Hanabi o definiu, bem como disse que sua mãe perderia a cabeça. Hinata também havia dito que Sasuke destruía tudo a sua volta. O pequeno Hyuuga só não entendia se aquelas coisas eram no sentido literal ou figurado. Então aquela altura ele apenas pensou, e se seu pai não fosse tudo aquilo que havia sonhado? ouvindo outras pessoas falarem dele como Neji ou Hana ou seu avô Hiashi, então ele apenas pensava que seu pai era um dos caras maus como nos filmes e animes, um tipo de vilão que apenas faz coisas ruins, certo? Talvez ele magoaria sua mãe outra vez, talvez o magoaria junto. Será mesmo que eles precisavam de Sasuke? afinal, estavam felizes..., mas e se não o fosse, e se seu pai, como sua mãe disse fosse sim um cara apenas legal?
O garoto vivia uma confusão apenas, torturava-se porque ele queria conhecer Sasuke, queria descobrir se ele era tudo que ele imaginou, queria ter uma família completa como seus amigos tinham, ele queria um pai e uma mãe, queria férias e fotos, queria ver seu pai sentado na plateia quando ele tivesse alguém apresentação idiota do colégio, ele queria os churrascos e clubes no fim de semana... ele queria, mas não queria se isso apenas significasse ter sua mãe triste e infeliz, apenas para satisfazer seu anseio.
bem... definitivamente, ele tinha medo, mas tinha tanta curiosidade de ver e saber como era aquele homem.
—Satoru Hyuuga... Uchiha. – Ele divagou, sorriu minimamente enquanto os lábios estremeceram, e foi só aí que notou que seus olhos estavam escorrendo com pequenas lagrimas. – Será que vai gostar de mim, pai?
(...)
O loiro adicionou mais uma colherada de açúcar ao seu café para logo depois despejar uma generosa quantia de creme. A ultima coisa que ele estava preocupado era com a face de horror do Uchiha a sua frente que decididamente além de ser amargo odiava doce. Como se adorasse apenas o provoca-lo, Naruto apenas levou a xícara aos lábios e sorriu.
—Bem doce e cremoso... delicia! – Sasuke revirou os olhos e voltou a beber seu café preto sem açúcar. – Então... onde começa a parte divertida dessa conversa?
—Não estou aqui para diverti-lo.
—Oh, não venha com essa! você saiu atrás da garota da foto e então desapareceu. Seu celular estava apenas em caixa postal. O mínimo que eu espero é detalhes, todos eles e de preferencia bastante sórdidos. Cacete, você correu atrás de uma garota pra valer e literalmente, tem noção de como é hilário e inédito?
—Você é ridículo! E não vou só dividir minha intimidade contigo assim.
—Mas deveria. Sou seu melhor amigo, aliás, seu único amigo. Ninguem te aguenta. fora que, eu cuido de você...
—Humpf... – desdenhou conhecendo o drama.
—To falando sério, cara. olha... por exemplo ontem. depois que você foi lá atrás da garota, eu me sacrifiquei com aquelas duas garotas para que você não ficasse com uma fama ruim.
—Quanto sacrifício... – ironizou.
—E tem mais. Depois que elas apagaram eu pensei: onde aquele filha da puta se meteu. Então... eu cogitei várias coisas, mas apenas duas ficaram, ou o maldito se deu bem e passou a porra da noite trepando, ou... ele estaria hoje pela manhã no noticiário prestes a ir a forca.
—Hm... – Sasuke simplesmente deu corda naquilo, por mais bizarro que fosse aquela conversa.
—Eu sou seu amigo e por isso tenho muita fé em você. Então as quatro da manhã eu estava ligando para o advogado da empresa para deixa-lo alerta de que talvez precisamos te tirar do xadrez.
—Naruto... você é puta apoio moral.
—é... eu sei – sorriu de forma tão irritante e brilhante – então... vendo você acabado agora e essa grande marca de chupão no pescoço eu posso dizer apenas que além de gata ela é bem selvagem. tem garras e morde pra valer. faz todo sentido agora. por isso ela chutou seu traseiro no passado. é ranzinza demais para ela.
—Você é o pior amigo da história, sabe disso né?
—Tá, tá... no dia do amigo você me dá um belo presente, mas agora não quero fugas, quero detalhes.
Sasuke bufou e a fim de tirar aquele foco de Naruto – que certamente não o deixaria em paz mesmo – ele apenas falou o que o motivara aquele café da manhã com o Uzumaki, para começo de conversa:
— Eu estive com ela a noite toda, conversando e descobrimos muitas coisas. – Pausou e olhou nas safiras ansiosas e curiosas que o observava – Eu descobri por exemplo, que tivemos um filho.
o queixo de Naruto praticamente caiu enquanto os olhos arregalaram.
—COMO ASSIM, VOCÊ SE REPRODUZIU? céus... o mundo não é mais o mesmo.
...
Em companhia de Naruto, o Uchiha caminhava pelos corredores do Shopping olhando as vitrines das lojas infantis, enquanto tentava apenas controlar aquela maldita ansiedade que rugia no seu peito. Paternidade certamente deveria ser um processo, mas ele não o teve e agora se perguntava se conseguiria ser um pai minimamente descente. Não era apenas uma criança pequena ou boba da qual ele poderia estar lá, dar qualquer coisa, ou ser dizer qualquer coisa, ou mesmo ser algum tipo de super herói. em vez disso, Sasuke apenas pensava que ele seria decepcionante para um pré-adolescente de quase dez anos, até porque todas as suas lembranças de fases próximas a essa o faziam ver seu pai como um merda que quase nunca tinha tempo, ou estava sempre o cobrando alguma coisa.
Ele apenas queria não estragar tudo, não queria que Satoru o odiasse. Às vezes, em silencio, ouvindo a voz tagarela de Naruto ao fundo, ele apenas pensava nas coisas que Hinata falou e ficava pensando no que o filho poderia questiona-lo, e sendo assim, que respostas ele poderia apenas trazer? como dizer ao seu filho o que ele era? as merdas que ele fez? como dizer a uma criança que as vezes ele apenas se chapava e não se importava com a destruição que estava a sua volta? ou que ele arruinou tudo com Hinata? oh não... ele não poderia dizer coisas assim, que tipo de pai ele era? alias, que tipo de pai o pequeno esperava receber?
ele estava fodido, ele tinha uma experiencia ZERO com crianças. Sempre as detestou e tirando seus pequenos surtos e devaneios ocasionais com a Hyuuga no passado, ele não havia cogitado filhos jamais e de certo modo aquilo tornava aquele menino uma completa surpresa e maior desafio de sua vida. ele sentia em suas entranhas que apenas o queria, que não podia desaponta-lo. Sasuke descobriu antes mesmo de conhece-lo, um estranho sentimento escorrendo descontrolado de dentro de si, um que ele nunca pensou sentir e não entendia, apenas o deixava ansioso. Quebrando o monólogo de Naruto, ele apenas falou:
—O que um garoto de nove anos gosta?
O loiro enfiou as mãos no bolso do jeans e apenas deu de ombros.
—Nessa idade eu estava mais preocupado em descobrir as calcinhas das garotas do colégio... bom... isso e descobrir o tesouro do meu avô.
Chocado, sim, o Uchiha estava bastante chocado, ainda assim a curiosidade foi maior e ousou perguntar:
—E descobriu?
—Oh, claro! era um baú lotado de pornografia. eram revistas e livros...
Sasuke apertou a ponte do nariz enquanto fechava os olhos suspirando longamente, claro que era aquilo, o que ele esperava de Naruto?
—Depois disso o que havia embaixo das calcinhas passou a ser minha maior preocupação – concluiu Naruto.
—Deus... – ele olhou chocado para o loiro que apenas fez pouco caso. – Não imagino isso como algo a ser apresentado a... uma criança.
—Você tá certo... olha, até que não é tão ruim nessa parada de ser pai – bateu no ombro do moreno que rosnou. – Então... o que você tem pensado em dar? sei que a sua cabeça 'tava fervilhando.
—E-eu não sei... eu pensei em bonecos de heróis, eu pensei em jogos, em bola, até mesmo em um skate.
—Ah é... você andava, certo? eu vi as fotos.
Sasuke apenas entristeceu-se alguns instantes quando as lembranças da perda do seu irmão apenas chegaram. não... skate não era uma opção.
—Sem skates – determinou – Eu vi fotos dele de bicicleta também... – passou as mãos pelos cabelos estando extremamente frustrado – Eu apenas queria algo perfeito para compensar o atraso.
—Porque apenas não liga para ela e pergunta, pede alguma ajuda.
Sasuke parou abruptamente e encarou Naruto, que achou que ele o socaria, mas em vez disso o Uchiha apenas sorriu e aquilo foi ainda mais assustador para o loiro que não estava acostumado
—Às vezes você é capaz de pensar algo descente, idiota! – ele então puxou o celular do bolso sabendo que talvez teria a sua resposta.
