O despertador toca em um quarto propositalmente decorado para dar um sombrio. Cores escuras na parede, teto e chão; pentagrama em cima de um tapete extravagante; mesas de apoio com vestígio de velas queimadas; diversos pôster de banda, literatura terror e gótica. Henrietta levanta da sua cama um conjunto de roupas comum para seu pijama (short e camisa). Meio contragosto ser acordada pelo despertador a gótica se arrasta para o banheiro para fazer a higiene básica e arrumar.

Escovar os dentes na frente do espelho sempre é um ato automático e só quando terminou reparou seu reflexo. Limpa seu rosto com água e seca para começar se maquiar. O batom preto nos seus lábios, o pó de rosto que destaca a palidez de sua face, pintura em torno dos olhos para complementar o visual gótico diário. Depois pentear seus cabelos curtos sente a satisfação de ser ela mesma, ou melhor, que sua aparência reflita sua alma das trevas.

Um sentimento de satisfação ao mesmo tempo com sentimento de angústia. É uma face feminina linda, sem mancha, com visual sombrio e sem emoção pode causar tanto intimidação como admiração para os terceiros, mas sua face já denuncia a condição do seu peso. Uma face redonda e um pescoço grosso ao ponto que se abaixar a cabeça forma uma segunda aparente linha do queixo. Nada disso estraga a beleza dela, mas isso traz más recordações.

Assim tira seu pijama revelando um corpo atraente. Quadris largos tanto nos ossos como na carne acumula permitindo ter uma bunda enorme, pernas muito grossas, seios pouco fartos D-cup, braços pouco grossos e um abdome pouco avantajado tendo alguns pneus. O corpo feminino permite acumular mais massa em diversas partes do corpo e no caso Henrietta isso reflete bastante. Contudo mesmo assim é uma adolescente que está acima do peso.

Logo veste seu vestido negro muito semelhante que usava criança, mas agora permite ter um decote. Coloca seu crucifixo prateado que fica na altura dos seios e até oculta o decote, meia calça de rede, botas de cano longo e as luvas longas.

Para muitos Henrietta é apenas uma excêntrica adolescente que mantém o visual desde pequena. Para outros é só uma 'menininha' querendo chamar atenção. Ou mesmo admiradores anônimos admiram que seja a rainha das trevas. Outras pessoas pensa que ela é uma garota triste que só tem amizade com góticos. A resposta é muito simples: ela é uma simples gótica e nada mais e nada menos do que isso.

Possui sua amizade de longa data com Michael, George e Pete, mas não quer dizer que seja os únicos que ela tem contato. Suas amizades, principalmente femininas, estão em cidade vizinhas e está muito longe de ser uma 'menina solitária' querendo atenção.

Seu problema mesmo é a repulsa de muitas pessoas tem por aparência, inclusive entre os góticos, que resume uma característica: seu peso.

Henrietta admite que é gorda, mas não quer dizer que aceite ser lembrada disso o tempo todo. Já tentou emagrecer, mas nunca conseguiu. Dietas mais radicais possíveis, entrou em academia, dança e até abandonou os, preciosos, cigarros. Sem efeito para nada. Apenas causou um hábito de ficar com pirulitos na bocas já que doces sempre foi seu alimento favorito.

E não conseguindo emagrecer traz uma frustração de sua vida sentimental muito grande, afinal quem quer relacionar com uma gorda? Henrietta mesmo nunca teve um relacionamento fora da cultura gótica, diferente dos seus amigos de infância. Até lembrou quando era pequena que um garoto um ano mais novo que ela a elogiou bastante quando estava na 'Casa Bunita' quando tinha 11 anos, mas no final revelou um conformista que evita gordas. Teve sorte de não ser agradável para um galinha, mas a raiva de enganada queima até hoje. Pelo menos uma novata redneck deu uma lição nele.

Nunca teve namoros de longa data, apenas teve alguns amassos com garotos e garotas. Sim, Henrietta é bissexual do tipo que sente mais atração por homens, mas se tiver oportunidade vai com mulheres mesmo. Se for com os dois é melhor ainda.

Estando arrumada desce para cozinha e encontra sua mãe fazendo o café.

— O café está pronto, filhinha - disse a mãe da forma mais carinhosa possível.

— Sim - diz sem emoção e senta na mesa.

— Vai para aula? - coloca algumas panquecas com mel e um café amargo.

— Vou.

O senhor Biggle chega na cozinha.

— Bom dia querida. Bom dia filha.

— Bom dia - responde a esposa.

— Dia - responde Henrietta.

— Animada como sempre, filha? - pergunta o pai de família que se senta na mesa.

— Não.

— Vai para a escola?

— Sim.

— Precisa de alguma ajuda para algo?

— Não.

Passa alguns minutos e Henrietta termina a refeição.

— Terminei - se levanta e vai logo para a saída de casa.

— Ela está sempre nessa personalidade mórbida? - diz o homem.

— Sim. Quando ela mais nova gostaria que ela pedisse as coisas por favor. Ela deixou de gritar com a gente.

— Pelo menos está fazendo as coisas. Só não entendo que se passa na cabeça dela. Pelo menos deixou de fumar - diz o pai da gótica passando a mão na testa.

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Aula de culinária. Uma das matérias facultativas que Lorrah agora assim como música e artes. Essas matérias, segundo Lorrah, que vale a pena de ir para a escola. O que poderia ser melhor para a redneck ruiva? Simples tendo uma colega de classe que é uma representação perfeita de uma diva para a ruiva.

O mais curioso que sua colega tem uma aparência que não combina nada para quem demonstra interesse em cozinha. Afinal existe um padrão para cozinha? Não tem certeza que góticos tem essa peculiaridade de se interessar na cozinha, já que não conhece muito dessa cultura.

— Eu sou Lorrah Thomas. Prazer - a namorada do Cartman se apresenta para a gótica.

— Henrietta Biggle - disse a gótica com uma voz desprovida de emoção - então foi você que colocou aquele loiro galinha conformista no seu devido lugar. Foi boa.

— Sim. Não sei o que tem de mais, afinal aquele loiro merecia ainda mais.

— Foi divertido ver ele correr de medo. Isso foi tão… sombrio - a gótica da um meio sorriso que chama atenção de Lorrah.

A ruiva acha curioso como Henrietta controla facilmente suas emoções parecendo se esvaziar deles. Lembra muito uma personagem de desenho que era uma heroína que tinha esse comportamento parecido. Para a própria gótica é um condição autoimposta por causa da cultura gótica que segue desde criança. Ainda possui emoções, mas a autodisciplina condicionou a gótica não demonstra-los com tanta facilidade.

— Muitas se deixam levar pela aparência dele e a condição social dele. Principalmente novatas.

— Sabe que é estranho? Quando cheguei aqui na cidade o grupo de meninas me fizeram questão de mostrar as fichas dos garotos e mesmo que o nome daquele infeliz não esteja na lista negra qualquer uma pode ver suas ações. Como é que tem garota que mesmo sabendo pensa que com ela vai ser diferente?

— É um sentimento mesquinho de muitas que acha com ela vai ser diferente. Que com ela ele vai mudar como um ser totalmente fiel.

— Nossa! Que profundo.

— Eu também fui das poucas que não virou vadia nos braços do conformista.

— Conformista?

— É um termo que os góticos usam para descrever uma pessoa que aceita sem questionar e nem move um dedo uma situação incômoda.

— Pior que faz sentido. Então ele já chegou em ti e você deu um fora.

— Poderia dizer que sim, mas não. Parece que nunca fui alvo dele por causa que estou muito longe do seu… perfil de garota. Uma coisa me arrependo que já me deixei levar pelo papinho dele quando era criança quando justamente usou um papinho gótico.

Lorrah ri discretamente.

— Parece uma piada para você? - as veias esquerdas da testa ficam visíveis pela raiva que a gótica acabou de sentir, apesar de sua voz sem emoção.

— Longe disso. É que você lembrou um pouco meu namorado.

— Seu namorado.

— Sim. Ele no passado tem uma amargura pelo antigo namoro dele e se culpa muito disso. Eu não ri por causa de quase ter caído no papo dele, mas por seu relato parece muito com relato do seu namorado.

Henrietta observa sua colega de serviço e percebe que ela está sendo muito sincera. É um pouco irritante, mas fica grata por isso.

— Quem é seu namorado? - diz com curiosidade.

— Eric Cartman.

— Cartman? - deixa escapar um tom de surpresa.

— Sim.

— Tanto faz. Eu estou aqui para tentar passar de ano. Ano passado reprovei e fui recomendada pegar matérias facultativas para somar com a média.

— Cozinhar é divertido.

— Acho mais interessante comer.

— Essa é a melhor parte - disse Lorrah.

— Certo vamos começar fazendo o povo que a professora conformista pediu.

— Vamos - disse Lorrah com um sorriso radiante.

A redneck não deixa de reparar como Henrietta é bem atraente. O visual gótica assusta um pouco, mas o corpo… faz ela questionar da própria sexualidade. Ela pode já namorar um homem atraente, na opinião dela, contudo a gótica seria uma namorada perfeita. Afinal gosta do padrão de ter… muita 'massa', principalmente o tamanho da 'raba' que ela possui.

"Mulheres cheias são tão divas" pensa Lorrah com uma pequena inveja de sua anatomia não ser favorável para sua idealização de corpo.

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— Então ela quase quebrou sua mão? - Kyle pergunta para Kenny.

Em um intervalo Kyle, Stan, Kenny e Scott estão em um canto do colégio.

— Sim, aquela ruiva parece que saiu do mato - disse Kenny massageando a própria mão - parece que ela está em um estágio de 'Cartmantização' muito avançada.

— Eu tenho uma dúvida - Scott pergunta - por que foi justamente se meter com a namorada do Cartman?

— Não percebeu? - disse Kyle - Kenny tentou abrir os olhos dela que está namorando alguém que vai destruir a vida dela.

— E precisa tenta conquistar a novata para isso? - pergunta Scott - sei que Cartman é um pau no cu e ele fazia questão de zombar minha diabete apesar que tenho que admitir que das raras ocasiões que me interagir ele nos tempos atuais nunca tocou no assunto. Mas ser talarico para mulher dos outros, isso é vacilo.

— Concordo - disse Stan.

— Vocês estão esquecendo que ele fez com Heidi - disse Kyle - ela quase se matou por causa dele.

— Muita gente já quase se matou aqui em South Park com coisa besta. Lembra da Jenny Simon que cagou nas calças? - disse Scott - lembra que a gente teve parte culpa de zombra.

— Sim, mas foi Cartman que começou - disse Kyle.

— Mas você foi conivente.

— Eu não participei do bullying dela.

— Mas também não levantou nenhum dedo. Lembra do Pip?

— Quem? - perguntam Kyle, Kenny e Stan não lembram do inglês que estava estudando de South Park.

— Ele se parecia muito com Butters e todos praticavam bullying com ele por causa por ser francês - Pip era inglês, mas Scott não lembra muito da falecida criança que foi esmagado por um monstro mecânico do passado - também ninguém fez nada.

— Cara. Onde você quer chegar? - pergunta Stan.

— Não temos obrigação com novata e nem com Cartman. Não quer confusão não procure. Simples assim. Kenny teve a mão machucada. Querem insistir mais nesse assunto?

— Temos que salvar Lorrah das garras do Cartman.

— Lorrah? - pergunta Scott.

— Ai não - disse Stan apertando o meio dos olhos com as mãos.

Como melhor amigo do Kyle lembra dos acontecimentos quando Cartman namorava Heidi. Por mais que Stan fique no lado do seu amigo tem que reconhecer a desonestidade do Kyle na época.

Por mais que tem que reconhece a rivalidade de Cartman e Kyle no passado os dois tinham uma amizade peculiar. Seu amigo parecia que tinha uma admiração pelo gordinho por causa da liberdade que o mesmo usufruía. Enquanto Cartman parecia que queria aprovação do Kyle. Mas o que isso tem haver com antigo namoro do Cartman com Heidi?

Simples, lembra que Kyle começou a semear dúvidas do Cartman para Heidi. Lógico que não faz Kyle responsável pelo que aconteceu no namoro, mas começou a conspirar. E quando Kyle começou meio atraído pela Heidi? Meio irônico a situação e Stan se pergunta foi um sentimento verdadeiro ou só uma desculpa para agir separar Heidi de Cartman? Kyle nunca procurou Heidi nem mesmo depois dela voltar ficar magra.

Stan não acha que Kyle é gay, apenas é bem retraído no sexo oposto. Pior que sente culpado por isso, afinal insistiu com ele fazer par com Bebe mesmo não estando preparado. Também lembra da Rebecca que foi a única garota que ele investiu, mas no final ela… virou uma 'Liane Cartman' da vida. Teve Nichole, mas esse sentimento de atração, Stan achou bem… racista, em considerar que Nichole gostava de basquete só por ela ser… negra.

Lorrah, uma menina ruiva redneck que não tem corpo, pelo menos Stan nunca reparou da cintura para baixo da novata. Uma caipira que parece inocente e até entende que essas características podem chamar atenção do seu melhor amigo.

Esse assunto envolvendo Lorrah vai dá uma dor de cabeça.

CONTINUA