Henrietta se pergunta como foi convencida a almoçar com os conformistas desse dia. Não é a primeira vez que está tendo muita companhia feminina, afinal tem muito quando está em outras cidade com outras góticas e teve em South Park com as emos quando estava, segundo ela, manipulada pela planta para ser emo. Lorrah, a ruiva redneck; Meredith, uma ruiva comum (onde Henrietta nem sabia da existência); Patty Nelson, a garota morena que a gótica sabe o nome (ainda lembra quando Eric Cartman disse que queria beijar ela); Red, uma ruiva que costuma andar com a feminista da Wendy.

Como foi convencida sentar junto com elas?

Henrietta descobriu que Lorrah pode ser bem persuasiva principalmente quando faz uma cara fofa como um gatinho querendo pedir alguma coisa.

— Pessoal, essa é a Henrietta - disse Lorrah para as amigas e cada uma comprimenta a gótica.

— Você é a garota que mandou Wendy se foder quando ela te convidou para o grupo das meninas? - disse Red - foi engraçado na época.

— Eu reconheço uma hipócrita quando vejo uma - disse Henrietta com sua voz sem emoções - ninguém ajuda o outro sem ter um interesse pessoal envolvido. Unir todas as garotas em um só grupo? Eu consigo ver que na verdade ela só quer mandar em todas com esse papinho de união. Você devia saber disso.

— Na verdade eu sei. Também tenho noção que não posso fazer nada sozinha, então prefiro vê-la de perto para está ciente dos seus passos. Diz uma frase que: mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto.

— Gostei da forma de pensar.

— Eu recusei está no grupo das meninas - disse Meredith - possuo outro grupo que me auxilia.

— É aquele grupo que o namorado da Lorrah montou anos atrás? - pergunta Patty.

— Esse mesmo. Os ruivos sabem como agir discretamente.

— Lorrah também está? - pergunta Red.

— Estou, mas minha participação é pequena. Eu não sou de South Park - responde Lorrah.

— E você, Patty? Pertence em um grupo - pergunta Henrietta.

— Das garotas, mas não como Red está envolvida. Gosto de evitar confusões. Meu nome é fácil de decorar?

— Lembro aquele neonazista da quarta série ter comentado queria te beijar.

— Não vamos lembrar águas do passado - Lorrah infla as bochechas contagiando as outras garotas por risos, inclusive a gótica dá um meio sorriso.

As três amigas de Lorrah acharam interessante que Henrietta não referiu Eric Cartman de gordo, o que não deixa de ser engraçado. Parece que existe um código secreto entre as pessoas acima do peso de não zombar do peso do outro, pelo menos na mesma idade já que Cartman quando era criança xingava a mãe de Kyle de velha gorda.

— Henrietta, tenho uma dúvida que sempre quis saber qual é a diferença de gótico, vampiro e emo - pergunta Meredith.

— Os emos são um grupo que pegam essa dor e expressam ao máximo possível com choros e mutilações. Os vampiros de início eles era uma subcultura gótica, mas no fim traíram o movimento e sustentam o grupo principalmente com saga de filmes de vampiros que brilham no sol. Os góticos são como espectadores do mundo vendo todos em sua volta como páginas de livros. Podemos flertar com poetas com temas sobre dor, mas nunca sucubimos aos sentimentos. Sempre buscando algo que nos tire da conformidade que a vida oferece através da libertação das nossas mentes.

— Gostei - disse Lorrah sorrindo muito.

Entre uma troca de conversas e alimentação Henrietta viu que até não era ruim de vez em quando interagir com conformistas, apesar de nunca admitir.

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— Etta - Lorrah chama Henrietta no corredor do colégio. É o fim de aula e todos estavam saindo. A gótica só foi para seu armário para guardar os materiais escolares e escuta a voz da recente garota conformista que está puxando amizade.

— Etta? - Henrietta vira para Lorrah estranhando o apelido.

— É um nome mais fácil de falar - disse Lorrah.

— O que você quer?

— Apenas dá tchau, afinal acabou o dia nada demais - Lorrah olha para baixo - droga, meu cadarço desamarrou novamente - olha para a bota direita.

Henrietta ver Lorrah se inclinando para amarrar o cadarço da bota que por consequência empinou a bunda. Tem que reconhecer que a redneck tem uma grande bunda. Uma bunda larga, gorda e suculenta. Pode reparar que muitos olhares de terceiros que estavam passando também repararam, mas logo não olharam, afinal ninguém quer ter problemas com Eric Cartman. A gótica é a única que desfruta sem pudor nenhum da visão.

"Quem me deram fazer essa raba ser gótica" pensa Henrietta.

Eric Cartman está um pouco distante e aproximando das duas. Seus pensamentos iniciais ainda são de falar com o pai de sua namorada. Tem que admitir que ele é bem intimidador, principalmente dos boatos que acabou sozinho com os PC Deltas. Um autêntico redneck que pode acabar com sua raça se descobrir que Cartman é uma ameaça. Até faz ter uma dúvida se namorar com Lorrah vale a pena, mas chegando perto vendo que ela inclinada amarrando os cadarços de suas botas já tem uma resposta: vale a pena para ter aquela raba para ele.

— Lorrah - Eric a chama quando chega perto suficiente, não importando com a gótica próxima.

— Eric - Lorrah rapidamente fica ereta e sorri para seu namorado - Etta. Tenho que apresentar meu namorado. Eric, esse é minha atual amiga, Henrietta.

— Já nos conhecemos - disse os dois juntos e um encarando o outro com estranheza.

— Se conhece.

— Pelo menos de vista - disse Cartman - ela é a garota gótica que só ficavam fumando atrás do colégio. Nunca troquei nenhuma palavra.

— Ele era o garotinho mimado que só queria chamar atenção. Só conversei com ele quando estava vestindo uma fantasia estúpida de guaxinim.

— Vadia de preto.

— Mas o que está acontecendo aqui? - disse Lorrah dizendo mais para ela do que para os dois.

Ver os dois mais discutirem, mas sem mostrar sinais de raiva como se fosse uma briga de pessoas que interagem muito, apesar de não ser o caso. Lorrah não deixa de sentir ciúmes e inveja.

A atenção dos três é desviada quando tem uns risos de algumas garotas pouco próximo ao trio. São um grupo de vampiras que olham Henrietta com divertimento. Como se o grupo fizesse questão de menosprezar e deixar essa ação mais evidente possível. Henrietta apenas encara as três com um olhar tão frio que poderia gelar até o inferno e o grupo segue seu caminho.

— Lorrah, vamos embora - disse Eric.

— Sim - disse a ruiva pegando no braço do seu namorado - tchau Henrietta. Até outro dia.

— Até - disse Henrietta seguindo seu caminho.

— Tem certeza que nunca se falaram? - disse Lorrah quando estava distante da gótica e o casal já saindo do colégio - pareciam que tem essa discussão por anos.

— Sério. Nunca conversei pessoalmente com ela. Meu único contato com ela foi em um evento muitos anos atrás em 'Casa Bunita'.

— Sei que era um lugar maneiro para se comer e fazer uma festa. O que aconteceu para vocês tivessem essa interação.

— Na época os meninos brincavam de super-heróis e meu antigo melhor amigo, Kenny me chamou junto com um novato da cidade para salvar sua irmã de um grupo que se denomina de vampiros. Quando chegamos lá era apenas uma festa de aniversário idiota dos vampiros e a irmã de Kenny estava convidado.

— Daí vocês desistiram?

— Não, Kenny ficou determinado de tirar ela de lá com preocupação de não fazer parte dos vampiros.

— Espera um pouco? A irmã dele é convidada para um lugar bacana com comida a vontade e diversão garantida e ainda ele se mete em buscá-la?

— Sim.

— Olha aquele Kenny já via que ela um cuzão, mas isso foi ser filho da puta com a própria irmã.

— Acredite que muitos encaram as atitudes dele como sendo fofo com a irmã. Acho que do tipo: que bonitinho o irmão mais velho sendo possessivo com a irmã.

— Isso é mais sendo cuzão com ela.

— Mas continuando: entre esses confrontos com os vampiros, o grupo confundindo a vadia de preto como um deles e ficou com raiva e passou ajudar Kenny. Foi nesse tempo que tive interação direta com ela.

— E foi boa?

— Foi normal. Também ela só estava ficando de baba ovo para Kenny a qual sua versão herói era alguém encapuzado se denominado como Mysterion. Olha eu posso não ter tido conversa antes com a gótica, mas tinha respeito com ela por não dá satisfação com ninguém. Contudo depois de ve-la caindo na conversa do Kenny com esse papinho 'ai você é muito sombria', 'fumar é legal', 'isso foi tão gótico', fiquei bem desacreditado por ela.

— Você gostava dela?

— Não. Eu nunca esperava que alguém, no passado, gostasse de mim ao menos se tivesse problemas mentais. Eu até fico surpreso como conseguir namorar no passado e até fico surpreso como estou namorando contigo.

— Eu gosto de você demais, Eric.

— Talvez você tenha algum parafuso a menos.

— Engraçadinho - Lorrah infla as bochechas com raiva - como era sua versão de herói?

— Guaxinim, mas não deu muito certo. Nunca tive nenhum fã.

— Eu seria sua fã número um - Lorrah sorri.

Cartman sorri para a namorada.

— Estava pensando: será que as vampiras agora implicam com Etta?

— Talvez, mas acho que ela consegue lidar com isso. Talvez elas nem partam para o confronto direto.

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Eric Cartman está na casa da sua namorada, sentado no sofá e de frente de Bryar Thomas. De todos os pais de South Park, nenhum deles tem uma postura tão firme como pai de sua namorada. É um redneck tradicional, jovem, forte. É um homem que até agora não demonstrou que busca conflito, mas aqueles que têm o azar de entrar em conflito com eles tem a infelicidade de descobrir da pior forma que não foi boa ideia.

Nunca é fácil para um pai conhecer o futuro genro, afinal independente da idade as filhas parecem que são bebês para os bons pais. Bryan não é diferente. Contudo aceita as escolhas de Lorrah, apenas coloca a prova se os namorados dela é digno para tê-la. Pode testar que Eric Cartman está intimado pela sua presença, mas se mantém firme. Até sente vontade de fazer uma pequena intimidação onde limpa sua espingarda, mas de alguma forma parece que quer evitar deja vu.

— Quando recebi a visita de sua mãe e sua, nunca pensava chegaríamos nesse ponto, apesar de ter leves suspeitas do interesse de minha filha pelo seu… porte - disse Bryar de forma calma, enquanto olha para Lorrah que está de pé encostada na parede.

A ruiva cora quando o pai olha para ela.

— Eu tenho admitir que também não imaginava falando com você em querer sua permissão para namorar Lorrah. Ruivas nunca foram minha preferência até conhecer sua filha.

— Admito sua honestidade. Vamos ao que interessa: por que preciso permitir que você namore minha filha?

— Para ser sincero seria mais sensato em não permitir - responde Cartman.

— Eric - exclama Lorrah.

— Imagino que o senhor já tenha se informado sobre mim com as outras pessoas - disse Cartman.

— Sim. Posso dizer que você teve uma infância bem… ativa.

— Não nego que já fiz.

— Se arrepende do que já fez?

— Para ser sincero a maioria das coisas não. Como você pode ser sempre fui gordo, não tive pai e minha mãe tinha seu… 'trabalho'. Eu até tive uma namorada uns seis anos atrás, mas não terminou nada bom.

— Seis anos? Namorou com dez anos?

— Sim - Cartman fica sem jeito.

— Reconhecendo tudo isso ainda quer namorar minha filha?

— Sim.

— Por que?

— Porque ela me prometeu se for uma ameaça ela me daria um tiro no meio dos meus olhos.

Bryar rir com a frase. Conhecendo sua filha é capaz de falar isso mesmo.

Já fica sério olhando nos fundos dos olhos de Cartman que deixa o adolescente e sua namorada apreensivo.

— Lorrah já apareceu outros namorados para falar comigo. Não muitos, uns quatros do total. O normal que os garotos de sua ideia fiquem borrando de medo, mas você manteve a firmeza. Eu não ligo para que você fez ou deixou de fazer, mas precisa de muita coragem para reconhecer os próprios erros. Se minha filha o escolheu, não vejo porque negar. Você tem a minha permissão.

— Obrigado pela confiança, senhor Thomas - Cartman se levanta e estende a mão e o mais velho se levanta para apertar a mão do mais novo.

Lorrah sorri por tudo tenha dado certo.