Adaptação da edição O Herói que Faltava, da história de Julia Quinn, Um Conto de Duas Irmãs.


CAPÍTULO DOIS

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O almoço estava sendo exatamente como Bella previra: chato. Não era insuportável. A comida estava muito boa, afinal. Mas era chato, sem dúvida.

Bella encheu o prato de presunto e bolo de chocolate (mal conseguia acreditar que a mãe tivesse servido os dois ao mesmo tempo, e ela precisava comer os dois, em homenagem ao visconde) e achou uma cadeira no canto, onde esperava que ninguém fosse incomodá-la. E ninguém o fez, pelo menos até o final, quando Rosalie tomou o assento ao lado.

– Preciso falar com você – disse Rose, em um sussurro ríspido.

Bella olhou para a direita, depois para a esquerda, tentando entender por que Rosalie precisaria anunciar aquilo.

– Então fale – pediu.

– Não aqui. Em particular.

Bella mastigou o último pedaço de bolo e o engoliu.

– Seria difícil encontrar um lugar menos privado – comentou.

Rosalie lhe lançou um olhar de irritação.

– Pode me encontrar no seu quarto em cinco minutos?

Bella observou a festividade com uma expressão desconfiada.

– Você acha mesmo que vai conseguir fugir em cinco minutos? Mamãe parece estar se divertindo bastante. Duvido que ela vá querer...

– Eu estarei lá – garantiu Rose. – Confie em mim. Vá agora, para que ninguém nos veja saindo juntas.

Bella não foi capaz de deixar aquilo passar sem um comentário.

– Ora, Rose, somos irmãs. Acho que ninguém daria muita atenção se saíssemos juntas.

– Não importa – falou Rosalie.

Bella decidiu não perguntar o que não importava. Rosalie tinha o costume de se comportar como uma atriz quando enfiava na cabeça que o assunto era importante e Bella já tinha percebido que era melhor não questioná-la.

– Tudo bem – disse, colocando o prato em uma cadeira vazia ao seu lado. – Estarei lá.

– Ótimo! – exclamou a loira, olhando de modo furtivo ao redor. – E não fale nada a ninguém.

– Pelo amor de Deus! A quem eu falaria?


– Ah, meu Deus! – falou Bella, quase como um gorjeio. – Que surpresa encontrá-lo aqui.

Edward olhou lentamente ao redor do salão. Ele não tinha acabado de deixá-la ali, não fazia nem uma hora?

– Não é lá muita coincidência – sentiu-se obrigado a destacar.

– Hum, sim – concordou ela. – Mas, considerando que nunca havíamos nos cruzado antes, duas vezes em um dia é bem impressionante.

– De fato – respondeu ele, embora não achasse aquilo nada impressionante. Edward fez um gesto indicando a mulher que estava ao seu lado. – Posso apresentá-la à minha irmã? Srta. Swan, minha irmã, lady Hale. Alice, esta é a Srta. Isabella Swan. Ela é a irmã mais nova de Rosalie.– explicou.

– Já fomos apresentadas – falou Alice, com um sorriso gentil. – Embora nunca tenhamos tido a oportunidade de trocar mais que algumas gentilezas.

– É um prazer conhecê-la melhor, lady Hale – disse Isabella.

– Por favor, pode me chamar de Alice. Seremos irmãs em questão de dias.

– E eu sou Bella.

– Encontrei Isabella esta manhã – contou Edward, sem saber ao certo por que dava aquela informação.

– Você não conhecia a irmã de Rosalie? – perguntou Alice, surpresa.

– Sim, é claro que conhecia – disse ele. – Quis dizer que nos encontramos por acaso lá fora.

– Eu virei o tornozelo – acrescentou Isabella. – Ele foi muito prestativo.

– E como está seu tornozelo? – perguntou Edward. – Não deveria ficar andando por aí.

– Não estou andando. Estou...

– Mancando?

Ela deu um sorriso culpado.

– Sim.

– Eu a encontrei no campo – disse Edward, direcionando a explicação à irmã, mas sem olhar para ela. – Eu tinha saído para fugir da multidão.

– E eu também – completou Bella. – Mas tive que ir a pé.

– Um dos cavalariços entregou a égua dela a um convidado – contou Edward. – Você acredita?

– Minha mãe deu permissão – disse Bella, revirando os olhos.

– Ainda assim.

Ela assentiu, concordando.

– Ainda assim.

Alice ficou boquiaberta com os dois.

– Vocês percebem que estão terminando as frases um do outro?

– Não, não estamos – discordou Isabella.

Ao mesmo tempo, Edward deu uma resposta mais desdenhosa:

– Que besteira.

– Estávamos falando muito rápido – argumentou ela.

– E ignorando você – acrescentou Edward.

– Mas não terminando as frases um do outro – completou Bella.

– Bom, acabaram de fazer isso – ressaltou Alice.

A resposta de Isabella não passou de um olhar vazio.

– Tenho certeza de que está enganada – murmurou ela.

– Tenho certeza de que não estou – respondeu Alice. – Mas isso não quer dizer nada.

Um silêncio constrangedor se impôs sobre eles, até que Bella pigarreou e disse:

– Preciso ir, infelizmente. Fiquei de encontrar Rosalie em meu quarto.

– Mande meus cumprimentos a ela – disse Edward, com a voz suave, perguntando-se por que ela estremecera logo depois de dizer que encontraria a irmã.

– Farei isso – disse ela, com o rosto agora meio corado.

Edward ficou desconfiado. Será que Isabella estava mentindo sobre encontrar Rosalie no andar de cima? Se fosse esse o caso, por que ela achava que ele se importaria? Que segredo poderia ter que o afetasse?

– Cuide desse tornozelo – recomendou ele. – Talvez seja bom apoiá-lo sobre um travesseiro quando chegar ao quarto.

– Excelente ideia – disse ela, assentindo. – Obrigada.

Então Isabella se afastou mancando e desapareceu do campo de visão deles.

– Bom, isso foi interessante – comentou Alice assim que teve certeza de que Isabella não ouviria.

– O que foi interessante? – perguntou o irmão.

– Isso. Ela. Isabella.

Ele a encarou sem entender.

– Allie, seja clara.

Ela apontou com a cabeça na direção em que Isabella tinha saído.

– É com ela que você deveria se casar.

– Ah, meu Deus, Alice Masen Hale, não comece.

– Eu sei que eu disse...

– Eu não sei o que você não disse – retrucou ele.

Ela olhou para o irmão, depois correu o olhar ao redor, furtiva.

– Não podemos conversar aqui – afirmou Alice.

– Não vamos conversar em lugar algum.

– Vamos, sim – respondeu ela, puxando o irmão para um cômodo próximo.

Após fechar a porta, ela virou para ele com toda a força da preocupação de uma irmã.

– Edward, precisa me ouvir. Não pode se casar com Rosalie Swan. Ela é a pessoa errada para você.

– Rosalie é perfeitamente aceitável – disse ele em um tom seco.

– Você ouviu o que acabou de dizer? – perguntou ela, impetuosa. – Perfeitamente aceitável? Você não quer se casar com uma mulher perfeitamente aceitável, Edward. Quer se casar com uma mulher que faça seu coração cantar, uma mulher que faça você sorrir sempre que ela chega. Acredite em mim, eu sei como é isso.

Ele compreendia. Alice e o marido se amavam com uma devoção intensa que talvez fosse enjoativa para quem visse de fora, mas que, por algum motivo, sempre parecera calorosa e reconfortante a Edward. Até aquele momento, quando começava a fazer com que ele sentisse inveja. O que, é claro, só servia para deixá-lo de mau humor.

– Edward – insistiu Alice –, você pelo menos está me ouvindo?

– Tudo bem – retrucou ele, incapaz de se conter e descontando o mau humor na irmã. – Então diga como é que vou me livrar disso. Devo abandoná-la a três dias da cerimônia?

Alice não fez mais que piscar, mas Edward não se enganou: a mente da irmã estava trabalhando tão rápido que ele ficou surpreso por não ver vapor saindo de suas orelhas. Se havia uma forma de romper um noivado três dias antes do casamento, certamente Alice descobriria. Ela ficou em silêncio por tempo suficiente para que Edward achasse que a conversa tinha chegado ao fim.

– Se é só isso... – disse ele, indo em direção à porta.

– Espere!

Ele soltou um gemido cansado. Era mesmo esperar muito.

– Você sabe o que acabou de dizer? – perguntou ela, colocando a mão em seu braço.

– Não – respondeu ele, sem rodeios, com esperança de que fosse o fim daquela conversa.

– Você me perguntou como poderia se livrar de seu casamento. Você sabe o que isso significa? Significa que você quer se livrar – completou ela, bastante presunçosa, na opinião dele.

– Não significa nada disso – retrucou Edward. – Nem todo mundo tem a sorte de se casar por amor, Alice. Tenho quase 30 anos. Se não aconteceu ainda, não vai acontecer. E estou envelhecendo.

– Você mal está com um dos pés na cova – zombou ela.

– Vou me casar em três dias – disse ele, severo. – Você precisa se acostumar com essa ideia.

– As terras valem tudo isso mesmo? – questionou Alice, com a voz suave mais cativante que qualquer grito jamais seria. – Oito hectares, Edward. Oito hectares em troca da sua vida.

– Vou fingir que você não disse isso – declarou ele, com firmeza.

– Não tente se enganar achando que não se trata do mais mercenário dos esforços.

– E, se for, sou tão diferente assim da maioria das pessoas da nossa classe?

– Não – concordou ela –, mas seria muito diferente de você. Não é a coisa certa, Edward. Não para você.

Ele a encarou com insolência.

– Posso ir agora? Isso conclui nossa conversa?

– Você é melhor que isso, Edward – sussurrou ela. – Você pode achar que não, mas eu sei que é.

Ele engoliu em seco, sentindo a garganta de repente tensa. Sabia que a irmã tinha razão e odiava isso.

– Vou me casar com Rosalie Swan – decretou, mal reconhecendo a própria voz. – Tomei essa decisão há meses e vou mantê-la.

Alice fechou os olhos por um instante. Ao abrir, estavam tristes e marejados.

– Você está destruindo sua vida.

– Não – disse ele apenas, incapaz de tolerar a discussão por mais um instante que fosse. – Estou só saindo daqui.

Porém, ao sair do cômodo, não sabia aonde ir. Era uma sensação que ele parecia ter com frequência nos últimos tempos.


– Por que demorou tanto?

Bella se assustou ao entrar no quarto. Rosalie já estava lá, andando de um lado para outro como um gato enjaulado.

– Bem – disse a mais nova –, eu virei o tornozelo hoje e não consigo andar depressa e...

Ela se conteve. Era melhor não dizer a Rosalie que tinha parado para conversar com o visconde e a irmã dele. Porque, sem querer, ela mencionara que iria encontrar Rosalie, e a irmã tinha dito explicitamente que ela não deveria contar isso a ninguém.

Não que Bella entendesse qual era o problema. Ainda assim, Rose não parecia estar no mais equilibrado dos humores.

– É muito grave?

– O que é muito grave?

– Seu tornozelo.

Bella olhou para baixo como se tivesse esquecido que o tornozelo estava ali.

– Não muito, acho. Não creio que eu possa ganhar alguma corrida no futuro próximo, mas também não preciso de bengala.

– Ótimo.

Rose deu um passo à frente e seus olhos azuis, tão diferentes dos de Isabella, brilhavam de tanto entusiasmo.

– Porque preciso de sua ajuda e não seria bom que estivesse debilitada.

– Do que está falando?

A voz de Rosalie virou um sussurro.

– Eu vou fugir.

– Com o visconde?

– Não. Não com o visconde, sua boba. Com Emmett.

– EMMETT? – gritou Bella.

– Você poderia falar baixo? – pediu Rosalie, sibilando.

– Rose, você está louca?

– Loucamente apaixonada.

– Por Emmett? – perguntou Bella, sem conseguir esconder a descrença em sua voz.

Rosalie olhou para ela com afronta.

– Ele com certeza é mais digno de minha paixão que o visconde.

Bella pensou em Emmett McCarthy, o homem de cabelos escuros e autodenominado intelectual que morava próximo da família Swan fazia anos. Não havia nada de errado com Emmett, imaginou Isabella, para quem gostava do tipo sonhador. Um sonhador que falava demais, se é que existia.

Bella fez uma careta. Existia, sim, e seu nome era Emmett.

Em sua última visita, Bella fingira uma gripe só para poder fugir da ladainha interminável sobre seu novo livro de poesia. Ela tentara ler a obra. Parecia a coisa educada a fazer, uma vez que eram vizinhos. Mas, depois de um tempo, ela simplesmente desistira. "Amor" sempre rimava com "condor" (onde, ela se perguntava, era possível ver tantos condores em Derbyshire?) e "senhorita" rimava tantas vezes com "favorita" que Isabella tinha vontade de agarrar Emmett pelos ombros e gritar: "Erudita, recita, incita, mesquita." Meus Deus, até "irrita" seria preferível!

A senhorita erudita recita na mesquita.

A poesia de Emmett certamente poderia melhorar. Contudo, Rosalie sempre parecera gostar muito dele e, de fato, Isabella a ouvira referir-se a ele como a "personificação da genialidade" mais de uma vez. Pensando bem, Bella deveria ter percebido o que vinha acontecendo, mas, na verdade, achava Emmett tão ridículo que era difícil imaginar que alguém pudesse se apaixonar por ele.

– Rosalie, como você pode preferir Emmett ao visconde? – disse ela, tentando manter um tom de voz razoável.

– Como você poderia saber? Você nem conhece o visconde. E certamente – prosseguiu ela, com uma fungada orgulhosa – não conhece Emmett.

– Conheço sua poesia horrível – murmurou Bella.

– O que você disse?

– Nada – respondeu Isabella depressa, para evitar aquela conversa. – É que tive a oportunidade de conversar com o visconde hoje e ele me pareceu ser um homem muito sensato.

– Ele é terrível – declarou Rosalie e se jogou na cama de Bella. A mais nova revirou os olhos.

– Rose, ele não tem nada de terrível.

– Ele nunca recitou poesia para mim.

O que, a Isabella, parecia um ponto a favor.

– E isso é um problema?

– Bells, você jamais entenderia. É jovem demais.

– Sou 11 meses mais nova que você!

– Em termos de idade – disse Rosalie com um suspiro dramático. – Mas décadas em termos de experiência.

– Meses! – ressaltou Isabella, quase gritando.

Rosalie colocou uma das mãos sobre o coração.

– Bells, não quero discutir com você.

– Então pare de falar como uma louca. Você está noiva. Vai se casar em três dias. Três dias!

Isabella jogou as mãos para o alto em sinal de desespero.

– Não pode fugir com Emmett McCarthy!

Rosalie se sentou de repente.

– Posso, sim – rebateu. – E vou. Com ou sem a sua ajuda.

– Rose...

– Se não me ajudar, vou pedir a Ingrid.

– Ah, não faça isso – respondeu Isabella, com um gemido. – Pelo amor de Deus, Rosalie, Ingrid mal fez 15 anos. Não seria justo arrastá-la para uma situação dessas.

– Se você não concordar, não terei escolha.

– Por que aceitou o visconde se o odeia tanto?

Rosalie abriu a boca para responder, mas ficou em silêncio e uma expressão pensativa incomum surgiu em seu rosto.

Pela primeira vez, ela não estava sendo dramática só por gostar de drama. Pela primeira vez, não desatou a falar sobre amor, romance, poesia e emoções ternas. E, quando Isabella olhou para ela, pela primeira vez, o que viu foi a irmã amada com quem ela compartilhara quase tudo, até a própria infância.

– Não sei – respondeu finalmente, com a voz suave e cheia de arrependimento. – Acho que pensei que era o que esperavam de mim. Ninguém nunca imaginou que eu seria pedida em casamento por um aristocrata. A mamãe e o papai ficaram tão felizes... Ele é um ótimo partido, sabia?

– Eu imagino – disse Isabella, uma vez que não tinha nenhuma experiência com o mercado casamenteiro.

Ao contrário de Rosalie, ela nunca passara uma temporada social em Londres. O dinheiro da família era curto demais para isso. Mas ela não se importava. Sempre vivera no sudeste de Derbyshire e esperava passar o resto da vida ali também. Os Swan não eram o que se pudesse chamar de pobres, mas estavam sempre tirando de Pedro para dar a Paulo – manter as aparências era caro, a Sra. Swan sempre dizia.

Isabella se admirava de nunca terem sido obrigados a vender o lote de terra que era o dote de Rosalie. Entretanto, ela não sentira falta de passar uma temporada de eventos sociais em Londres. A família só conseguiria arcar com o custo disso se vendesse todos os cavalos dos estábulos, o que seu pai não estava disposto a fazer. (E, na verdade, nem Bella; ela gostava demais de sua égua para trocá-la por alguns vestidos elegantes.) Além disso, naquela região, aos 21 anos as mulheres não eram consideradas velhas demais para casar e ela certamente não se sentia uma solteirona.

Depois que Rosalie se casasse e saísse de casa, tinha certeza de que os pais voltariam sua atenção para ela. Embora não tivesse tanta certeza de que isso seria bom.

– E eu o acho bonito – admitiu Rosalie.

Muito mais que Emmett, pensou Bella, mas guardou isso para si mesma.

– E ele é rico – a mais velha suspirou. – Não sou mercenária... É claro que não, se estava pensando em se casar com Emmett, que não tinha um tostão. – ... mas é difícil recusar alguém que vai oferecer dotes e temporadas sociais para as suas irmãs mais novas.

Os olhos de Bella se arregalaram.

– Ele vai fazer isso?

Rosalie assentiu.

– Ele não usou essas palavras, mas o dinheiro necessário para isso seria uma ninharia para ele. E ele disse ao papai que garantiria que todos os Swan seriam assistidos. O que teria de incluir vocês, não é? Vocês são Swan tanto quanto eu.

Isabella afundou na cadeira da escrivaninha. Não tinha ideia de que Rosalie estava fazendo um sacrifício tão grande por ela. E Ingrid e Rosamund, claro. Quatro filhas eram um fardo e tanto no orçamento da família Swan. Então um pensamento horrível ocorreu a Isabella.

Quem iria pagar pelas comemorações do casamento? O visconde, ela imaginava, mas era difícil acreditar que ele fizesse isso se Rosalie o abandonasse. Ele já teria antecipado os fundos para os Swan ou a mãe delas organizara tudo (o que era muito caro) entendendo que lorde Cullen a reembolsaria? O que ele certamente não faria se fosse largado no altar. Meu Deus, que confusão.

– Rose – disse Charlotte, com uma urgência renovada –, você precisa se casar com o visconde. Precisa.

E garantiu a si mesma que não dizia aquilo apenas para salvar a própria pele ou livrar a família da ruína. Ela acreditava mesmo que, dos dois pretendentes de Rosalie, Edward Masen era o melhor. Emmett não era ruim; ele não faria nada que magoasse Rosalie, mas gastava um dinheiro que não tinha e vivia falando de coisas como metafísica e emoções elevadas. Na verdade, era difícil ouvi-lo sem rir.

Edward, por outro lado, parecia coerente e confiável. Belo e inteligente, com uma sagacidade aguda. E, quando falava, era sobre assuntos realmente interessantes. Ele era tudo o que uma mulher poderia querer de um marido, pelo menos na opinião de Bella. E ela jamais entenderia como Rosalie não enxergava isso.

– Não posso – respondeu Rose. – Simplesmente não posso. Se eu não amasse Emmett, seria diferente. Eu poderia aceitar me casar com alguém que não amo se fosse minha única opção. Mas não é. Você não vê? Eu tenho outra opção. E escolho o amor.

– Você tem certeza de que ama Emmett? – perguntou Bella, retraída.

E se fosse apenas uma paixãozinha boba? Rosalie não seria a primeira mulher a destruir sua vida por causa de uma paixão adolescente, mas Bella não se importava com as outras mulheres infelizes – elas não eram suas irmãs.

– Tenho – sussurrou Rosalie. – De todo o meu coração.

Coração, pensou Bella, com frieza. Ela se lembrava de Emmett rimando a palavra com declaração. E uma vez com operação, o que parecera bem estranho.

– Além disso, é tarde demais – acrescentou Rosalie.

Bella olhou para o relógio.

– Tarde demais para quê?

– Para me casar com o visconde.

– Não entendo. O casamento é só daqui a três dias.

– Não posso me casar com ele.

Isabella lutou contra a vontade de rosnar para a irmã.

– Sim, você já disse isso.

– Não, eu quero dizer que não posso.

As palavras pairaram no ar, ameaçadoras, e Bella sentiu algo explodir dentro de si.

– Ah, não, Rose, você não fez isso.

Rosalie assentiu sem um pingo de remorso.

– Fiz.

– Como pôde fazer isso?

Rose soltou um suspiro, sonhadora.

– Como eu poderia não fazer?

– Bem – retrucou Bella –, você poderia ter dito não.

– É impossível dizer não a Emmett – murmurou Rosalie.

– Bem, impossível para você, com certeza.

– Para qualquer uma – disse a outra, com um sorriso quase de beata. – Tenho tanta sorte por ele ter me escolhido!

– Ah, pelo amor de Deus – resmungou Bella. Ela se levantou para andar de um lado para outro, então quase uivou de dor ao se lembrar de seu pobre tornozelo. – O que você vai fazer?

– Vou me casar com Emmett – respondeu Rose, e o olhar sonhador foi surpreendentemente substituído por uma determinação lúcida.

– Você não está sendo justa com o visconde – destacou Bella.

– Eu sei – afirmou a loura, com o rosto tão avermelhado de remorso que Bella chegou a pensar que fosse sincero. – Mas não sei o que fazer. Se eu contar à mamãe e ao papai, eles vão me trancar em meu quarto, com certeza.

– Bom, então, pelo amor de Deus, se você vai fugir, precisa ser esta noite. Quanto antes, melhor. Não é justo abandonar o coitado em cima da hora.

– Só posso fugir na sexta à noite.

– Posso saber por quê?

– Emmett não está pronto.

– Bom, então faça com que ele esteja – repreendeu-a Bella.

– Se você não fugir antes de sexta à noite, ninguém vai saber até sábado de manhã, o que significa que todos vão estar reunidos na igreja quando você não aparecer.

– Não podemos ir sem dinheiro – explicou Rosalie. – E Emmett só conseguiu que o banco liberasse fundos na sexta à tarde.

– Eu não sabia que Emmett tinha fundos – resmungou Bella, incapaz de ser educada naquele momento.

– Ele não tem. Mas ele recebe uma mesada trimestral do tio. E só vai receber na sexta. O banco confirmou.

Bella soltou um gemido. Fazia sentido. Se ela fosse a responsável por repassar a mesada trimestral de Emmett, também não a entregaria um dia antes que fosse.

Ela apoiou a cabeça nas mãos e os cotovelos nos joelhos. Aquilo era horrível. Ela sempre fora especialista em ver o lado bom das coisas. Mesmo quando a situação parecia desoladora, ela conseguia encontrar um ângulo interessante, um caminho positivo que pudesse ser a saída do problema. Mas não naquele dia. Só uma coisa era certa: ela teria de ajudar Rosalie a fugir, por mais desagradável que isso fosse.

Não seria justo Rosalie se casar com o visconde depois de já ter se entregado a Emmett. Contudo, não se tratava apenas do visconde. Rose era sua irmã. Isabella queria que ela fosse feliz. Mesmo que isso significasse ter Emmett McCarthy como cunhado. Ainda assim, ela não conseguiu se livrar da sensação terrível na boca do estômago quando finalmente levantou a cabeça para olhar para Rosalie e disse:

– Diga o que eu preciso fazer.


Estão dadas as cartas. Rosalie tem um gosto duvidoso, preciso dizer isso hahaha. Até domingo!

Obrigada a quem já apareceu, que emoção \o/