Adaptação da edição O Herói que Faltava, da história de Julia Quinn, Um Conto de Duas Irmãs.
CAPÍTULO SEIS
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Bella estava quase certa de que agora sabia qual era a sensação de ser estrangulada.
– O que exatamente o senhor quer dizer? – perguntou, engasgando, esforçando-se para falar apesar do aperto na garganta.
Ele arqueou as sobrancelhas.
– Não fui claro?
– Milorde!
– Amanhã de manhã – declarou, em um tom que indicava não tolerar divergências. – Vamos nos casar. O vestido de Rosalie deve servir na senhorita.
Ele deu um sorriso torto malicioso enquanto caminhava até a porta.
– Não se atrase.
Ela ficou com o olhar vidrado nas costas dele.
– Não posso me casar com o senhor! – gritou.
Edward se virou devagar, com o cenho franzido, claramente sem entender de fato.
– E por que não? Não me diga que há um poeta idiota esperando pela senhorita lá fora também.
– Bem, eu...
Ela procurou as palavras. Procurou motivos. Procurou qualquer coisa que pudesse lhe dar força para sobreviver àquela que era a noite mais ilógica e inacreditável de sua vida.
– Para começar, os proclames foram lidos com o nome de Rosalie!
Ele balançou a cabeça, despreocupado.
– Isso não é um problema.
– É, para mim! Não temos licença – lembrou ela, e seus olhos se arregalaram. – Se nos casarmos, não tem como ser legal.
Ele pareceu despreocupado.
– Posso conseguir uma licença especial ao amanhecer.
– Onde o senhor acha que vai conseguir uma licença especial nas próximas dez horas?
Ele deu um passo na direção dela, com os olhos brilhando de satisfação.
– Para minha sorte e sua também, tenho certeza de que vai perceber isso logo, o arcebispo de Canterbury vem ao casamento.
Isabella sentiu o queixo cair.
– Ele não vai lhe conceder uma licença especial. Não para uma situação tão irregular!
– Engraçado – comentou ele em um tom pensativo –, eu achava que licenças especiais fossem para situações irregulares.
– Isso é loucura. Ele jamais vai permitir que nos casemos. Não quando o senhor chegou tão perto de se casar com minha irmã.
Edward apenas deu de ombros.
– Ele me deve um favor.
Bella desabou sobre a beirada da mesa de leitura do pai. Que tipo de homem era ele para que o arcebispo de Canterbury lhe devesse um favor? Ela sabia que os Cullens eram considerados uma família importante na Inglaterra, mas isso estava além do que poderia compreender.
– Milorde – disse ela, torcendo os dedos enquanto tentava formular um argumento convincente e fundamentado contra aquele plano maluco. Ele certamente estimava argumentos convincentes e fundamentados. Certamente parecera estimar durante o tempo que passaram juntos na última semana. Era por isso que ela gostava tanto dele, afinal.
– Sim? – perguntou ele, erguendo de leve os cantos dos lábios.
– Milorde – repetiu ela, pigarreando. – O senhor parece ser o tipo de pessoa que ouve um argumento convincente e fundamentado.
– Sim.
Ele cruzou os braços e se apoiou na mesa de leitura ao lado dela. Eles estavam lado a lado, com os quadris encostados – uma distração e tanto.
– Milorde – repetiu ela mais uma vez.
– Dadas as circunstâncias – disse ele, com os olhos agora brilhando de satisfação –, não acha que deveria se acostumar com meu primeiro nome?
– Certo – falou ela. – Sim, é claro. Se fôssemos nos casar, eu...
– Nós vamos nos casar.
Deus do céu, ele era mesmo obstinado.
– Talvez – disse ela, com calma. – Mas ainda assim...
Ele tocou queixo dela e o ergueu até que seus olhares se encontrassem.
– Pode me chamar de Edward – sugeriu com amabilidade.
– Não tenho certeza se...
– Eu tenho certeza.
– Milorde...
– Edward.
Ele a soltou e relaxou, e Bella conseguiu voltar a respirar.
– Edward – disse ela, embora parecesse estranho usar o nome dele. – Acho que você precisa respirar fundo e pensar no que está dizendo. Não creio que tenha pensado bem em tudo isso.
– É mesmo? – perguntou ele, com a fala arrastada.
– Nós mal trocamos uma palavra antes dessa semana – salientou ela, implorando com os olhos que ele ouvisse suas palavras. – Você não me conhece.
Ele deu de ombros.
– Eu a conheço bem melhor do que conheço a sua irmã, e ia me casar com ela.
– Mas você queria? – sussurrou ela.
Ele deu um passo à frente e pegou sua mão.
– Nem perto de quanto quero você – murmurou ele.
Ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu, apenas uma lufada leve de ar quando soltou um suspiro. Ele a puxou para mais perto... mais perto... então o braço dele serpenteou por suas costas e ela sentiu o corpo dele contra o seu, em toda a sua extensão.
– Edward – de alguma forma conseguiu sussurrar.
Então ele colocou o indicador em seus lábios.
– Shhh – fez ele. – Faz dias que eu quero fazer isso.
Seus lábios encontraram os dela e, se ele ainda sentia alguma raiva, não transpareceu no beijo. Foi um toque suave e gentil, sua boca roçando a dela com a mais leve fricção. Ainda assim, reverberou nela até os dedos dos pés.
– Você já foi beijada antes? – sussurrou ele.
Ela negou com a cabeça. Ele deu um sorriso muito satisfeito.
– Ótimo – disse e levou os lábios aos dela de novo.
Só que dessa vez o beijo foi de posse, de desejo e necessidade. Sua boca reivindicou a dela, faminta, enquanto as mãos, espalmadas nas costas de Bella, a puxavam contra seu corpo. Ela se viu mergulhando, deixando-se derreter no corpo dele, levando as mãos aos músculos poderosos das costas dele através do linho no de sua camisa. Isso, ela percebeu em algum lugar na névoa que cobria sua mente, era desejo. Isso era desejo e Rosalie era uma tola.
Rosalie! Meu Deus, o que ela estava fazendo? Bella se desvencilhou dos braços dele.
– Não podemos fazer isso! – bradou, ofegante.
Os olhos de Edward estavam vidrados e sua respiração era superficial, mas ele conseguiu parecer bastante controlado ao dizer:
– Por que não?
– Você é noivo da minha irmã!
Ele ergueu uma sobrancelha ao ouvir isso.
– Está bem – falou ela, franzindo o cenho. – Acho que não é mais noivo dela.
– É difícil continuar noivo de uma mulher casada.
– Certo. É claro que ela ainda não está casada...
Ele olhou para ela com a sobrancelha ainda arqueada. Aquilo era muito mais eficiente do que qualquer palavra, pensou Bella, impotente.
– É claro. É como se ela estivesse casada.
– Isabella.
– E seria mesmo esperar demais...
– Isabella – repetiu ele, um pouco mais alto.
– ... que mantivesse qualquer lealdade a ela nestas circunstâncias...
– Isabella!
Ela fechou a boca. O olhar de Edward era tão intenso que ela não seria capaz de desviar os olhos nem se cinco belos homens estivessem dançando nus na janela.
– Há três coisas que você precisa saber esta noite – disse ele. – Primeiro, estou sozinho com você de madrugada. Segundo, eu vou me casar com você pela manhã.
– Não tenho certeza...
– Eu tenho certeza.
– Eu não tenho – insistiu ela, numa tentativa patética de ter a última palavra.
Ele se aproximou com um sorriso bobo e parecendo mais vivo e feliz que em toda aquela semana.
– E, em terceiro lugar, passei os últimos dias torturado pela culpa porque, quando eu ia dormir à noite, eu nunca, nunca, nem mesmo uma só vez, pensei em Rosalie.
– Não? – sussurrou ela.
Ele balançou a cabeça devagar.
– Não em Rosalie.
Os lábios dela se abriram por vontade própria, e ela não conseguiu desviar o olhar enquanto ele se aproximava, com a respiração sussurrando em sua pele.
– Só em você – disse ele. O coração dela era um traidor, porque estava cantando. – Em todos os meus sonhos. Só você.
– Verdade? – insistiu ela, suspirando.
As mãos dele seguraram suas nádegas e ela viu seu corpo pressionado de forma íntima contra o dele.
– Ah, sim – respondeu ele, puxando-a ainda mais para perto, continuou beliscando com os lábios os dela –, tudo se encaixa com perfeição.
Sua língua traçou o contorno dos lábios dela.
– Porque não consigo pensar em nenhum motivo para não beijar a mulher com quem planejo me casar em menos de dez horas, ainda mais tendo a sorte de estar sozinho com ela no meio da noite.
Ele soltou um suspiro satisfeito sobre os lábios dela e a beijou mais uma vez, deslizando a língua entre os lábios dela em uma tentativa deliberada de seduzi-la.
– Principalmente – sussurrou ele, acariciando a pele dela com as palavras – quando venho sonhando com isso há dias.
Edward segurou o rosto dela quase com reverência enquanto se afastava para fitar seus olhos.
– Eu acho – disse ele, com a voz suave – que você estava destinada a ser minha.
Ela umedeceu os lábios com a língua, um movimento não ensaiado e dolorosamente sedutor. Ela estava tão linda sob a luz da lua, uma beleza que Rosalie jamais alcançaria. Os olhos de Isabella brilhavam com inteligência, calor, um entusiasmo que faltava à maioria das mulheres. Seu sorriso era contagiante, e sua risada, pura música. Ela seria uma bela esposa. Ao seu lado, em seu coração, em sua cama. Ele não sabia como não percebera isso antes.
Caramba, pensou, com uma risada, ele provavelmente deveria mandar uma caixa do melhor conhaque francês para Emmett McCarthy. Deus sabia quanto ele devia seu agradecimento eterno àquele idiota. Se ele não tivesse fugido com Rosalie, Edward teria se casado com a irmã errada. E passado a vida ansiando por Isabella.
Mas agora ela estava ali, em seus braços, e seria dele – não, ela era dele. Talvez Isabella não tivesse se dado conta disso ainda, mas era. De repente ele não conseguiu mais segurar: sorriu. Sorriu de verdade, como um idiota, imaginou.
– O que foi? – quis saber ela, com bastante cautela, quase como se temesse que ele tivesse enlouquecido.
– Descobri que estou muito satisfeito com a reviravolta recente – explicou ele, estendendo a mão e entrelaçando os dedos nos dela. – Você tinha toda a razão: Rosalie não seria a esposa certa para mim. Você, por outro lado...
Ele levou a mão dela aos lábios e beijou os nós de seus dedos. Era o tipo de gesto que já tinha feito mil vezes, geralmente apenas para atender ao desejo das mulheres por algum romance. Só que dessa vez era diferente. Dessa vez a motivação era seu próprio desejo por romance. Quando beijou a mão dela, ele quis ficar ali, não para seduzi-la (embora ele certamente quisesse isso), mas porque adorou sentir aquela mão na sua, aquela pele em seus lábios. Devagar, ele virou a mão dela e deu mais um beijo, mais íntimo, na palma aberta. Ele a desejava. Ah, como desejava! Nunca tinha sentido nada assim – desejo de dentro para fora. Começava em seu coração e se espalhava pelo corpo, não o contrário. E ele não permitiria que ela fugisse.
Pegou a outra mão de Isabella e ergueu as duas. Seus braços estavam dobrados, e os pulsos, nivelados com os ombros.
– Quero que você me prometa uma coisa – pediu ele, com a voz baixa e séria.
– O-o quê? – sussurrou ela.
– Quero que prometa que vai se casar comigo de manhã.
– Edward, eu já disse...
– Se você prometer – disse ele, ignorando seu protesto –, vou deixar que volte para seu quarto para dormir.
Ela deu uma risadinha de pânico.
– Acha que eu conseguiria dormir?
Ele sorriu. Aquilo estava indo melhor do que ele esperava.
– Eu conheço você, Isabella. Melhor do que pensa. Sei que sua palavra é compromisso. Se me der sua palavra de que não vai fazer nada tolo, como fugir, vou deixar que vá para seu quarto.
– E se eu não prometer?
A voz dela era mais sedutora do que ela poderia imaginar, e a pele dele ficou quente.
– Então vai ficar aqui comigo, na biblioteca. A noite toda.
Ela engoliu em seco.
– Eu lhe dou minha palavra de que não vou fugir – disse ela, em um tom solene. – Mas não posso prometer que vou me casar com você.
Edward considerou as opções. Tinha certeza de que conseguiria convencê-la a se casar com ele de manhã se fosse necessário. Ela já se sentia culpada o bastante em razão de seu papel na fuga de Rosalie. Era algo que ele poderia usar a seu favor.
– E, de qualquer forma, você precisa falar com meu pai – acrescentou ela.
Ele deixou que Isabella desvencilhasse os dedos, então deslizou os seus devagar pelo braço dela até que caíssem junto ao corpo. A batalha estava vencida. Se ela estava sugerindo que ele falasse com seu pai, ela já era sua.
– Nós nos vemos pela manhã – disse ele, assentindo em um gesto respeitoso.
– Vai me deixar ir? – sussurrou ela.
– Você me deu sua palavra de que não vai fugir. Não preciso de mais nada.
Ela ficou boquiaberta e seus olhos se arregalaram com uma emoção que ele não conseguiu identificar – mas era boa. Definitivamente, era boa.
– Encontro você aqui às oito da manhã – falou ele. – Pode se assegurar de que seu pai esteja presente?
Ela assentiu. Ele deu um passo para trás e fez uma reverência elegante.
– Até amanhã então, milady.
Quando ela abriu a boca para corrigir o uso dessa forma de tratamento, ele levantou a mão e a deteve.
– Amanhã você será viscondessa. Logo vai se acostumar com o tratamento correspondente.
Ela fez um gesto indicando a porta.
– É melhor que eu saia sozinha.
– É claro – concordou ele, com um quê de ironia nos lábios. – Não é bom que nos vejam juntos no meio da noite. Incitaria falatório.
Ela deu um sorriso lindo e quase repreensivo. Como se já não fosse haver falatório. O casamento deles seria o auge das fofocas por meses.
– Vá – disse ele, com a voz suave. – Durma um pouco.
Bella lhe lançou um olhar que dizia que ela não tinha esperança de dormir, depois saiu. Ele ficou olhando para a porta aberta por vários segundos depois que ela desapareceu, então sussurrou:
– Sonhe comigo.
Para a sorte de Bella, seu pai era um madrugador notório. Quando ela entrou na pequena sala do café quinze minutos antes das oito horas da manhã seguinte, ele estava lá, como sempre, com o prato cheio de presunto e ovos.
– Bom dia, Bells – disse ele, retumbante. – Excelente dia para um casamento, não é?
– Ahn, é... – concordou ela, tentando sorrir mas fracassando miseravelmente.
– Você foi esperta ao vir aqui para o desjejum. Sua mãe reuniu todos os outros na sala de jantar. Não que a maioria esteja disposta a sair da cama a esta hora.
– Na verdade, ouvi algumas pessoas por aí enquanto eu passava – comentou Bella, sem saber por que se dava o trabalho de dizer isso.
– Humpf! – bufou ele com desdém. – Como se fosse possível digerir adequadamente um prato de ovos em meio a toda aquela comoção.
– Pai, preciso lhe falar uma coisa – anunciou ela, hesitante.
Ele olhou para a filha com as sobrancelhas levantadas.
– Ahn, talvez seja melhor que eu apenas lhe mostre isto.
Ela estendeu o bilhete que Rosalie deixara para os pais explicando o que fizera, depois, por precaução, deu um passo para trás. Após ler o conteúdo da mensagem de Rosalie, o rugido do pai seria mortal. Entretanto, quando seus olhos terminaram de percorrer as linhas, ele apenas sussurrou:
– Você sabia disso?
Mais que tudo, Bella queria mentir. Mas não podia, então assentiu. O Sr. Swan ficou imóvel por vários segundos. A única prova de sua raiva eram os nós dos dedos, que embranqueciam conforme ele agarrava a borda da mesa.
– O visconde está na biblioteca – disse ela, engolindo em seco convulsivamente. O silêncio do pai era ainda mais terrível que seus gritos. – Acho que ele gostaria de conversar com o senhor.
O Sr. Swan levantou o olhar.
– Ele sabe o que ela fez?
Bella assentiu. Então o homem proferiu várias palavras que ela jamais imaginara que cruzariam seus lábios, inclusive uma ou duas que ela nunca sequer ouvira.
– Estamos arruinados – decretou, sibilante, quando terminou de praguejar. – Arruinados. E devemos isso à sua irmã... e a você.
– Talvez o senhor devesse ir ter com o visconde – sugeriu ela, triste.
Ela nunca fora próxima do pai, mas, ah, sempre desejara sua aprovação.
O Sr. Swan se levantou abruptamente e jogou longe o guardanapo. Bella saiu de seu caminho e o seguiu pelo corredor, mantendo três passos respeitosos de distância. Assim que chegou à biblioteca, porém, o pai se virou para ela.
– O que pensa que está fazendo aqui? – questionou ele, e sua raiva era evidente em cada palavra. – Você já fez o bastante. Vá para o seu quarto e não saia enquanto eu não lhe der permissão.
– Acho que ela deveria ficar – interveio uma voz grave do fundo do corredor.
Bella ergueu o olhar. Edward descia os últimos degraus da escada, esplêndido em seu terno de casamento. O pai a cutucou nas costelas.
– Achei que você tivesse dito que ele sabia – sussurrou.
– Ele sabe.
– Então o que ele está fazendo, vestido assim?
A aproximação de Edward salvou Bella de responder à pergunta.
– Charlie – cumprimentou ele, com um aceno de cabeça para o Sr. Swan.
– Milorde – respondeu o pai de Bella.
Isso a surpreendeu. Achava que o pai tratasse Edward pelo primeiro nome. Talvez seus nervos o obrigassem a demonstrar mais respeito naquela manhã. Edward fez um gesto de cabeça indicando a biblioteca.
– Vamos?
O Sr. Swan deu um passo à frente, mas Edward o interrompeu com delicadeza:
– Isabella primeiro.
Ela percebeu que o pai morria de curiosidade, mas ele se conteve. Deu um passo para trás e deixou que ela passasse. Quando ela entrou na biblioteca, no entanto, Edward se aproximou dela.
– Escolha de vestido interessante – sussurrou.
Bella sentiu a pele enrubescer. Ela estava com um de seus vestidos de sempre, não o vestido de noiva de Rosalie, como ele a instruíra. No instante seguinte os três estavam na biblioteca, com a porta bem fechada.
– Milorde – começou a falar o Sr. Swan –, preciso lhe dizer que eu não fazia ideia...
– Já é o suficiente – interrompeu Edward, no meio do cômodo, com um autocontrole notável. – Não quero falar sobre Rosalie ou sua fuga com McCarthy.
O Sr. Swan engoliu em seco, e seu pomo de adão subia e descia no pescoço carnudo.
– Não quer?
– Naturalmente, fiquei zangado com a traição de sua filha...
Qual delas?, Bella se perguntou. Ele parecia muito mais zangado com ela do que com Rosalie na noite anterior, o que era bastante injusto, em sua opinião.
– ... mas não vai ser difícil consertar a situação.
– Qualquer coisa, milorde – garantiu o Sr. Swan . – Qualquer coisa mesmo. O que estiver ao meu alcance...
– Ótimo – disse Edward, com a voz suave e um sorriso. – Então gostaria que Isabella fosse a noiva no lugar de Rosalie.
O Sr. Swan apenas piscou.
– Isabella? – perguntou por fim.
– Sim. Não tenho dúvida de que ela será uma esposa melhor do que Rosalie jamais seria.
A cabeça do Sr. Swan virou da filha para o noivo da outra filha diversas vezes.
– Mas, Bells? – questionou de novo.
– Sim.
E isso foi o bastante para convencê-lo.
– Ora, ela é sua – declarou o Sr. Swan, enfático. – Quando o senhor quiser.
– Pai! – exclamou Isabella.
Ele falava da filha como se ela não passasse de um saco de farinha.
– Pode ser hoje mesmo – disse Edward. – Consegui uma licença especial e a igreja já está pronta para o casamento.
– Maravilha, maravilha – disse o Sr. Swan, com alívio evidente em cada movimento nervoso. – Não tenho objeções... e o... é... o acordo permanece o mesmo?
A expressão de Edward ficou amarga diante do olhar ansioso do Sr. Swan, mas tudo o que ele disse foi:
– É claro.
Dessa vez o Sr. Swan nem se deu o trabalho de esconder o alívio.
Ele se virou para Isabella.
– O que está esperando, menina? Precisa se arrumar!
– Pai, eu...
– Não quero ouvir nem mais uma palavra! – decretou ele, retumbante. – Vá!
– O senhor talvez devesse falar com minha esposa em um tom mais educado – sugeriu Edward em um tom calmo e mortal.
O Sr. Swan se voltou para ele e piscou, estupefato.
– É claro – concordou. – Enfim, ela é sua agora. Como quiser.
– Eu acho que o que quero é um momento a sós.
– Claro – concordou o Sr. Swan mais uma vez, e pegou Bella pelo pulso. – Venha. O visconde quer privacidade.
– A sós com Isabella – explicou Edward.
O Sr. Swan olhou primeiro para Edward, depois para Bella, depois de volta para o futuro genro.
– Não estou certo de que seja uma decisão sábia.
– Muitas decisões não sábias foram tomadas recentemente, o senhor não acha? Esta, eu acho, é a menos insensata delas.
– É claro, é claro – murmurou o Sr. Swan, e deixou o cômodo.
Edward observou a noiva que escolhera enquanto ela observava o pai partir. Isabella se sentia desamparada, ele via isso em seu rosto. E, provavelmente, manipulada também. Mas ele se recusava a sentir culpa a respeito disso. Ele sabia, em seu coração, em seus ossos, que se casar com Isabella Swan era a coisa certa a fazer. Lamentava ter de ser tão autoritário para alcançar seu objetivo, mas ela também não era inocente na reviravolta dos acontecimentos, era?
Ele deu um passo à frente e tocou seu rosto.
– Sinto muito se acha que tudo está acontecendo rápido demais – disse ele com carinho.
Ela não falou nada.
– Posso garantir...
– Ele nem me perguntou – falou ela, com a voz embargada.
Edward deslizou os dedos até seu queixo e ergueu seu rosto. A indagação dele estava no olhar.
– Meu pai – explicou ela, piscando para segurar as lágrimas. – Ele não me perguntou uma só vez o que eu queria. Foi como se eu nem estivesse aqui.
Edward observou seu rosto, observou-a tentar arduamente permanecer forte e não demonstrar suas emoções. Viu sua coragem e a força de seu caráter e, de repente, foi tomado pelo desejo de compensá-la de alguma forma. Isabella Swan teria um casamento às pressas e que fora planejado para sua irmã, mas, por Deus, ela teria um pedido só dela.
Ele se ajoelhou.
– Milorde? – chamou ela, com a voz aguda.
– Isab... Bella – disse ele, com a voz cheia de emoção e desejo. – Humildemente peço sua mão em casamento.
– Humildemente? – ecoou ela, olhando para ele com descrença total.
Ele pegou sua mão e a levou com delicadeza até os lábios.
– Se não aceitar, vou passar o resto da vida sofrendo por você, sonhando com uma vida ideal, uma esposa especial...
– Você rimou – notou ela, com uma risada nervosa.
– Não foi por querer, eu garanto.
Então ela sorriu. Sorriu de verdade. Não aquele sorriso largo e radiante que fora o início da ruína dele, mas algo mais suave, mais tímido. Porém não menos real. E, enquanto a observava, sem tirar os olhos de seu rosto, tudo ficou claro. Ele a amava. Ele amava aquela mulher e, por Deus, achava que não poderia viver sem ela.
– Case comigo – pediu, sem tentar esconder sua urgência e seu desejo.
Os olhos dela, que estavam focados em um ponto na parede atrás dele, voltaram a fitar os de Edward.
– Case comigo, Bella – repetiu ele.
– Sim – sussurrou ela. – Sim.
De verdade? Quem saiu perdendo foi a Rose rsrs. Passou da meia noite, mas pós feriado, sabem como é kkkk Obrigada à quem está acompanhando e até o próximo domingo.
