Adaptação da edição O Herói que Faltava, da história de Julia Quinn, Um Conto de Duas Irmãs.


EPÍLOGO

...

– Uma semana depois aqui estamos, Sra. McCarthy!

Rosalie sorria de forma sonhadora enquanto Emmett entrava com ela no colo em Portmeadow House. Não era uma casa tão grandiosa quanto Swan Hall – que também não era tão grandiosa assim – nem era deles, pelo menos não até que o tio idoso de Emmett falecesse. Mas nada disso parecia ter importância. Eles estavam casados e apaixonados e, contanto que estivessem juntos, o fato de ficarem em uma casa emprestada era irrelevante. Além disso, o tio de Emmett só voltaria de Londres na semana seguinte.

– Ora – disse Emmett, semicerrando os olhos enquanto a colocava no chão. – O que é isso?

Rosalie seguiu o olhar dele até uma caixa envolta em papel brilhoso que estava sobre a mesa da entrada.

– Um presente de casamento, talvez? – murmurou, esperançosa.

Ele lhe lançou um olhar de esguelha.

– Quem sabe que estamos casados?

– Todas as pessoas que vieram para testemunhar meu casamento com lorde Cullen, imagino – respondeu ela.

Os dois já sabiam que ele tinha se casado com Isabella no lugar de Rosalie, e ela não podia nem imaginar como estavam as fofocas.

A atenção de Emmett, no entanto, já se concentrava na caixa. Com movimentos delicados, ele tirou um envelope do meio das fitas e passou o dedo sob o lacre.

– É caro – comentou. – Um envelope de verdade. Não só um papel dobrado.

– Abra – pediu Rosalie.

– O que acha que estou fazendo?

Ela tirou o envelope das mãos dele.

– Você é lento demais.

Com dedos ansiosos, abriu o envelope e tirou o papel de dentro, desdobrando-o para que pudessem ler juntos.

Com este bilhete envio meus agradecimentos
E prometo que não passarão por tormentos.
Ao roubar minha noiva você me fez um favor
E me deu uma esposa de muito esplendor.
Envio um conhaque da melhor qualidade
E uma seleção do mais fino chocolate.
Mas o verdadeiro presente dito no poema
É que dinheiro jamais será problema.
A escritura de uma casa, não muito distante
Para chamar de sua e ficar exultante.
E uma renda modesta, por toda a vida
Pois quando fugiu, me deu uma esposa querida.
E assim desejo felicidade, saúde e amor!
(Que minha esposa garante rimar com condor.)

– Edward Masen, visconde de Cullen.

Um minuto inteiro se passou antes que Emmett ou Rosalie conseguissem falar algo.

– Muito generoso da parte dele – murmurou ela.

Emmett piscou várias vezes.

– Por que você acha que ele escreveu em verso?

– Não faço a menor ideia – respondeu. – Eu não imaginava que ele fosse tão ruim da cabeça.

Rosalie engoliu em seco e sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

– Coitada da Bella.

Emmett a abraçou.

– Sua irmã é forte. Ela vai superar.

Rosalie assentiu e deixou que ele a levasse até o quarto, onde logo esqueceu que tinha irmãs.


Enquanto isso, em Middlewood...

– Ah, Edward, você não fez isso!

Bella cobriu a boca, horrorizada, quando o marido lhe mostrou uma cópia do bilhete que enviara a Emmett e Rosalie. Ele deu de ombros.

– Não consegui me segurar.

– É muito generoso da sua parte – disse ela, tentando parecer séria.

– É mesmo, não é? – murmurou ele. – Você deveria demonstrar sua gratidão, não acha?

Ela mordeu os lábios para não rir.

– Eu não fazia a menor ideia de que você fosse um poeta tão talentoso. ww– confessou ela, tentando desesperadamente manter uma expressão neutra.

Edward levantou a mão num gesto despreocupado.

– Rimar não é tão difícil depois que começamos.

– Ah, é mesmo?

– Claro.

– Quanto tempo você levou para compor esse, ahn, poema? – Bella olhou para o papel e franziu o cenho. – Embora pareça muito injusto com Shakespeare e Marlowe usar essa palavra.

– Shakespeare e Marlowe não têm nada a temer de minha parte...

– É – murmurou ela. – Isso está claro.

– Não tenho planos de escrever mais versos – completou Edward.

– E por isso nós lhe agradecemos. Mas você não respondeu à minha pergunta.

Ele a encarou, confuso.

– Você fez uma pergunta?

– Quanto tempo levou para escrever isso? – repetiu ela.

– Ah, não foi nada – respondeu ele, com desdém. – Só quatro horas.

Quatro horas? – repetiu ela, engasgando com uma risada.

Os olhos dele brilhavam.

– Eu queria que ficasse bom, é claro.

– É claro.

– Não há motivo para fazer algo se não fizermos bem.

– É claro – repetiu ela.

Foi tudo o que ela conseguiu dizer, pois ele a abraçou e começou a beijar seu pescoço.

– Será que podemos parar de falar de poesia? – murmurou ele.

– É claro.

Ele a guiou até o sofá.

– E será que eu posso devorá-la aqui e agora?

Ela sorriu.

– É claro.

Ele afastou o rosto, ao mesmo tempo sério e doce.

– E vai me deixar amá-la para sempre?

Ela o beijou.

– É claro.


Esse poeminha fechou com chave de ouro. Lembrou minhas atividades nas aulas de português da terceira série, saudades kkkkkk Obrigada a quem acompanhou e não me deixou sozinha, achando que estava postando para o nada, muito obrigada mesmo. Semana que vem teremos uma história nova, acho que lá por quinta que vem :)

Marcella.