Capítulo 3

Once in a lifetime, the suffering of fools

(Uma vez na vida, o sofrimento dos tolos)

To find our way home, to break in these bones

(Para encontrar nosso caminho para casa, para quebrar esses ossos)

Once in a lifetime (once in a lifetime)

(Uma vez na vida [uma vez na vida])

O jantar com Theresa e Timmy correu super bem e, por mais que se esforçasse, Ray não conseguia se lembrar quando fora tão feliz nos últimos anos. É claro que fora feliz com a mãe de Timmy também, mas tanto tempo e tanta coisa havia acontecido desde então...

— Bom, rapazes, eu amei esse jantar e acho que a gente devia fazer isso muito mais vezes — iniciou Theresa —, mas já passa das onze e eu não estou de folga amanhã — ela completou encarando Ray de maneira brincalhona. — Preciso mesmo dormir algumas horas pra conseguir estar apresentável amanhã, então acho melhor eu ir embora.

Obviamente não era isso que nenhum deles queria, porém compreendiam que era inevitável.

— Posso usar o telefone pra chamar um táxi? — indagou Theresa sorrindo. — Meu carro está no mecânico.

— Claro que não — respondeu Timmy rindo e surpreendendo Ray e ela. — Meu pai vai te levar em casa, não é? — ele falou encarando seu pai de maneira sugestiva e Ray corou levemente ao imaginar o que se passava na mente de Timmy naquele momento.

— Definitivamente — concordou Ray se levantando. — Era isso que eu sugerir antes desse tampinha se meter na conversa. — Theresa riu. Era divertido observar a interação entre aqueles dois.

— Ótimo — ela falou se levantando também. — Então é melhor irmos logo.

A jovem se despediu de Timmy com um beijo no rosto e seguiu em direção da porta enquanto Ray pegava a chave do carro.

— Você precisa trabalhar sua sutileza — ele disse a seu filho, após verificar se Theresa estava longe o bastante para não ouvi-los.

— Vou manter isso em mente — afirmou Timmy com um sorriso de canto. — E pode deixar que não vou te esperar acordado.

— Isso não quer dizer que não vou voltar logo depois de deixar Theresa em casa. — Timmy deu de ombros.

— De qualquer forma, estarei dormindo.

Ray sacudiu a cabeça levemente e depois bagunçou os cabelos de seu filho antes de lhe dar um beijo na testa.

— Boa noite.

A seguir foi em direção à porta e acompanhou Theresa ao seu carro.


Give me a shot at the night

(Me dê uma chance à noite)

Give me a moment, some kinda mysterious

(Me dê um momento, algo com um quê de mistério)

— É nesse prédio aqui — disse Theresa, indicando onde Ray devia parar.

— Então está entregue — Ray respondeu ao parar o carro na frente do prédio.

— Obrigada — a jovem disse aproximando seu rosto do dele para lhe dar um beijo de agradecimento, mas, assim que seus lábios se tocaram, o beijo se tornou muito mais do que isso, e logo as mãos de Ray estavam na cintura dela, puxando-a para perto de si.

Quando se separaram em busca de ar, podiam ver o desejo brilhando nos olhos um do outro, porém Ray não queria agir de maneira intrusiva, portanto, mesmo que de maneira relutante, ele afastou suas mãos da cintura dela.

— Pode me pedir carona sempre que quiser — ele disse com um sorriso de canto. Theresa assentiu, também relutante em sair do carro, e ela já havia aberto a porta quando voltou seu rosto para ele novamente.

— Você ainda não conhece meu apartamento — a jovem comentou com as bochechas coradas e fazendo o coração de Ray quase pular pra fora do peito. — Quer subir?

Ray também sentiu seu rosto corar e, por um segundo, não soube bem como se comportar diante daquela proposta. Certamente não era a primeira vez que uma mulher o convidava para seu apartamento, e ele estava ciente de que esse convite poderia não significar nada além de algo guiado pela educação, mas, mesmo assim, ele se sentia nervoso como um adolescente.

— Tem certeza? — ele questionou encabulado. — É que você disse que precisava dormir, e eu não quero te atrapalhar.

Theresa sentiu seu coração esquentar diante da atitude conscienciosa de Ray. E não conseguia deixar de pensar em como ele parecia fofo naquele momento. Alex estava totalmente errado sobre ele. Ray não era um criminoso inconsequente, como ele afirmava. Ele era um pai dedicado e um homem extremamente carinhoso. É claro que havia cometido alguns erros na vida, mas quem não?

— Você não vai me atrapalhar — ela garantiu sorrindo. — E, pelo que entendi, o Timmy não vai te esperar acordado.

Theresa começou a rir e, por mais encabulado que estivesse, Ray riu junto com ela.

— Você ouviu isso? — ele questionou de maneira retorica escondendo seu rosto nas mãos. — Me desculpe. Ele não quis dizer nada com isso... Eu quero dizer, não combinamos nada. Foi só...

Theresa o silenciou com um beijo.

— Eu sei. Não se preocupe. Eu entendi que não foi algo planejado — a jovem afirmou ainda sorrindo. — Eu quero que você conheça meu apartamento, afinal, eu conheço o seu; e, se vamos continuar juntos, você vai vir aqui com frequência.

Ray assentiu, sentindo-se um pouco emocionado. Era bom saber que Theresa realmente queria que ele fizesse parte de sua vida.

— Vai ser um prazer — ele disse abrindo a porta do carro e seguindo para o lado oposto para ajudá-la a sair também. — Lidere o caminho — Ray brincou fazendo uma reverência para ela e Theresa o guiou até seu apartamento.


Once in a lifetime, we're breaking all the rules

(Uma vez na vida, estamos quebrando todas as regras)

To find that our home has long been out grown

(Para descobrir que nossa casa há muito tempo deixou de ser suficiente)

Throw me a life line, 'cause, honey, I got nothing to lose

(Me lance uma corda salva-vidas, pois, querida, eu não tenho nada a perder)

Once in a lifetime (once in a lifetime)

(Uma vez na vida [uma vez na vida])

— Não é muito grande, mas como moro sozinha serve perfeitamente — ela disse assim que entraram na sala e acendeu a luz.

— É muito bonito — Ray falou observando como ela era muito mais organizada que ele e soube aproveitar o espaço e a luz que as janelas do apartamento ofereciam. — Eu estou pensando em me mudar em breve, arranjar um lugar maior, com dois quartos. Você não saberia...

O que Ray planejava perguntar desapareceu de sua mente, assim que sentiu o corpo de Theresa se colando ao seu, enquanto ela o beijava sofregamente e o empurrava em direção à porta, que havia acabado de fechar, em busca de apoio.

A jovem o envolveu pelo pescoço e o beijava com paixão e logo Ray a erguia pelas pernas, que logo estavam ao redor de sua cintura. Nenhum dos dois parecia disposto a soltar o outro e, por mais que quisesse agir de maneira menos afoita e demonstrar o quanto Theresa era especial para ele, Ray entendia que este não era o momento para isso.

Naquele momento eles vivenciavam algo avassalador demais para ser posto em palavras, então só lhe restava demonstrar com seus corpos o quanto se desejavam.

De maneira trôpega, Ray se moveu pelo apartamento sem soltar Theresa e sem sequer pensar direito no que fazia. De alguma forma, ele conseguiu achar o quarto, e logo ambos estavam na cama se despindo.

— Você tem certeza de que é isso o que quer? — ele perguntou ofegante, erguendo os braços para que Theresa pudesse tirar sua camisa.

— Tenho certeza — ela respondeu enquanto Ray voltava a direcionar seus beijos para o pescoço dela. — Quero você.

Essas palavras eram tudo o que Ray precisava escutar para que seus receios desaparecessem e ele pudesse se entregar plenamente à mulher que estava em seus braços. Isso não era o que ele havia planejado para sua noite, mas, certamente, não gostaria de estar em nenhum outro lugar neste momento.

Give me a shot at the night

(Me dê uma chance à noite)

Give me a moment, some kinda mysterious

(Me dê um momento, algo com um quê de mistério)

[Shot at the Night – The Killers]

Início e Término: 04/10/2021.