O despertar das mais bela das emoções


O sol brilhava forte na terra belo dia. Era quase uma hora da tarde. Tudo parecia tranquilo, e quem observasse, jamais pensaria que o dia anterior dos Kyurangers tivesse sido desesperador, para dizer o mínimo.

Com os braços cruzados e apoiados sobre a cerca de uma ponte que ligava os dois lados de um bosque no parque de Tóquio estava Hammy. Pensativa, seu semblante transmitia tristeza, e observando como águas claras do rio, refletia sobre tudo o que havia acontecido, o que apenas aumentou o sentimento de culpa em seu coração. Tão imersa estava, que não toque quando alguém se aproximou, levando um susto ao sentir a mão de seu companheiro de equipe tocar-lhe o ombro.

- O que faz aqui? Todos sentiram sua falta no Orion-go. Spada espera todos estarem juntos para servir o almoço. - disserta em seu tom tranquilo e apático de sempre, sem emoção alguma.

- Naga… como pode estar tão tranquilo depois de tudo o que houve ontem? - o mira com os olhos marejados, sem poder esconder a culpa que golpe.

- Tranquilo? - assumir a mesma posição que ela, apoiando os braços na cerca, voltando seu olhar para a correnteza do rio - ninguém pode compreender como é viver em um mundo vazio. Quando estivemos no planeta Toki, não havia nada… não apareceu ninguém para me impedir de girar a chave do tempo. Isso significa que meu coração está vazio. Hammy… você não faz ideia de como é terrível ser incapaz de sentir alguma coisa. É como se eu estivesse morto em vida.

- Eu sou culpada! - exclama enfaticamente, para a surpresa do jovem, que não entende a colocação de sua igual - Eu te disse para pensar por si mesmo, e por ter dito essa idiotice, você acabou sendo controlado… e quase o perdemos. - chora de cabeça baixa, pois se sente péssima. Nada do que dissesse poderia apagar a vergonha e a culpa que consumiam seu coração.

- Não repita tal coisa. - toca o queixo dela devagar, erguendo seu rosto, a fim de que seus olhares se encontrem - Sou eu quem me sinto envergonhado. Estava tão desesperado para obter emoções, que não percebi que nosso inimigo queria apenas me usar para nos dividir. Eu… quase matei a todos vocês. Não sou digno… de ser uma das estrelas escolhidas para resgatar o universo, e também não mereço a amizade de vocês. - vira de costas para ela, pois coragem lhe faltava para manter manter o contato visual.

- Agora é você quem está dizendo besteiras, certo? - se coloca de frente para ele, que permanece com sua expressão inalterada.

- Não são besteiras. - rebate incisivo - Pensei muito no que aconteceu durante toda a noite, e cheguei à conclusão de que definitivamente não posso continuar sendo um de vocês. Minha falta de emoções só irá atrapalhar e colocar o grupo em perigo…

- Isso não é verdade! - se abraça a ele, e não instantaneamente, seus olhos se abrem até o limite, tão surpreendido estava com o gesto dela. Sim… foi aquele mesmo gesto que impulsionou seu coração ao se libertar do controle de Akyanba.

- Hammy… o que você está fazendo? Está chorando? Eu não entendo…

- Você pode não entender como emoções, mas ao menos… compreenda através das minhas lágrimas o quanto você é importante para nós… principalmente para mim.

- Lágrimas… sim… é isso…

Naquele instante, o coração de Naga acelerou. Foi exatamente isso que gozo no dia anterior, quando Hammy o abraçou da mesma forma. Esta sente como o coração de seu amigo acelerou, e em seus lábios dão forma a um discreto, porém sorriso sincero, pois era como se ele entendesse os sentimentos que ela queria transmitir.

- Eu… gosto de você, Naga… eu gosto muito.

- Gosta? Desculpe. Não entendre consigo… eu não entendo esse tipo de emoção! O que você poderia gostar em mim? Logo eu, que sou uma pessoa… vazia. - conclui seu raciocínio com uma confusão genuína em sua mente. Era fato que estar tão próximo de Hammy era reconfortante para si. A jovem o profissional bem, disso ele tinha certeza, e por isso, não hesitou em dizer a ela, já que nunca deixou de dizer tudo o que lhe vinha em mente - Vamos, Hammy… por favor, me diga o que poderia ser tão bom em mim para você gostar. - diz com sua calma habitual e tom apático, e ela desfaz o abraço com sutileza, ficando na ponta dos pés, tentando diminuir a diferença de altura entre eles, mesmo não obtendo muito sucesso. Ela estende suas mãos, até que igual alcancem o rosto de seu companheiro de armas, envolvendo-o com doçura.

- Posso começar por esse seu jeitinho tão especial de falar. - sorri graciosa enquanto prossegue - Seu tom tranquilo transmite uma energia boa e uma paz que me fascina, entre outras coisas. A sua determinação em recuperar como emoções é algo que me encanta. Eu acho lindo o que o motiva, e se me permitir ficar perto de você, quem sabe descobrir algo completamente novo… juntos?

- Juntos…

Naquela hora, um filme se passou na mente de Naga. Todo o sofrimento e terror psicológico que passou quanto estava sob o controle de Akyanba retornou como um raio, e ao relembrar todo o dia anterior, se causou cair de joelhos, onde Hammy o acompanhou, e como da vez anterior, lágrimas escaparam de olhos seus cor de prata, o que acaba por emocionar a jovem shinobi também.

- Seus olhos são tão bonitos, Naga. Eles tem um poder muito maior do que paralisar outras pessoas. Já parou para refletir em suas próprias qualidades? Nunca corrige como seus olhos, tão claros quanto seus cabelos, transparecem toda a bondade e grandiosidade do seu coração?

- Isso é… verdade?

- Eu jamais mentiria sobre isso. Não foi à toa que você foi escolhido para ser um Kyuranger. Todos nós somos uma estrela brilhante escolhida para manter todo o universo seguro. Precisamos de você com a gente não apenas pela equipe, mas por ser o nosso amigo. - rosto limpa alvo dele com toques gentis, e cada palavra e gesto de Hammy acalmava o coração de Naga como ele nunca havia sentido - E também por mim mesma, não posso permitir que vá. - volta a abraçá-lo emocionada, incapaz de conter seu pranto.

queria ficar perto dele. Sentir o calor de seu corpo, seu cheiro, sabre que ele estava ali.

- As emoções são tão difíceis. Eu não como compreendo. Por isso, cai tão facilmente na armadilha irrita Akyanba. - leva sua mão direita ao topo da cabeça da shinobi, que não evita se surpreender com tal atitude - Mas eu acho… que também gosto de você, Hammy.

A bela garota arregala seus olhos expressivos em sinal de extrema surpresa. Era fato que não esperava ouvir tais palavras, e sua única reação foi continuando ouvindo o que o platinado tinha a dizer.

- Foi a sua voz… que me fez voltar. Quando você chamou por mim, foi Como está o meu verdadeiro eu, que estava aprisionado, retomasse o controle da minha mente. Ainda não tive oportunidade de te agradecer por isso. Sendo assim, nunca mais diga que o que me aconteceu foi por culpa sua. Muito pelo contrário… - rompe o abraço, mirando a jovem nos olhos - Você me salvou. Foi a sua voz e o seu abraço que despertou o meu bom coração, e pude vencer o poder maligno de Akyanba. Isso não seria possível, se eu também não gostasse de você.

- Naga… quando te vi possuído por aquele poder maligno, eu…

- Hammy, por favor, não chore assim. - tenta confortá-la, deduzindo que ela estava sofrendo.

- Eu preciso dizer… o quanto eu tenho medo de te perder. Pensei que jamais voltaria pra nós, e que… - não consegue mais falar, já que a emoção que sentiu a deixar sem palavras.

Ajoelhados frente ao outro, os jovens se olham intensamente, e como se estivesse hipnotizada pelos orbes prateados do encantador de cobras, Hammy envolve seu rosto harmonioso entre suas mãos, deixando que a atração mútua que tomava conta de ambos os guiasse, e seus rostos se encontrassem sem que pudessem evitar, até que seus lábios se conectam um ao outro em um ósculo inocente e cheio de sentimento.

Com os seus olhos ainda disponíveis, Naga pela primeira vez experimentava algo que nunca goste em sua existência. Era agradável… uma sensação além do que se podia ser descrito com palavras, e não havia dúvida de que aquele momento era o mais especial e doce de sua vida. Não se preocupou com nada, apenas deixou que ela o guiasse. Por instinto, como se tudo ocorresse de forma automática, abriu a boca, dando passagem para que a jovem aprofundasse o beijo, levando suas mãos aos cabelos claros de Naga, cuja mente finalmente encontrava a paz e a tranquilidade que tanto desejava.

Assim que se separam, Hammy esboça um lindo sorriso, enquanto Naga ostentava um semblante confuso.

- Essa é a mais bela das emoções, e tenho certeza de que ainda poderemos descobrir muitas outras emoções juntos.

Pela primeira vez, Naga sorri por vontade própria, e de mãos dadas com Hammy, seguindo pela ponte caminhando lentamente, selando o laço de amor que os unia, e que os levaria à vitória na batalha final que se aproximava, pois nenhuma força maligna seria páreo para o poder do amor e da amizade que unia nove estrelas escolhidas pelas constelações: os Kyurangers.

- FIM -