N/A: Essa fanfic foi um presente de amigo oculto do projeto NejiHina na plataforma Spirit Fanfic.
NejiHina sempre foi um casal que me atraiu, tendo um amor tão real e puro que me arrepiava! Espero que com essa história consiga causar em vocês o mesmo arrepio!
Boa leitura!
Acorde
Fracasso. Era isso que ele era.
Conseguia sentir os olhares de todos sobre si, julgando-o. Apontando o quão inútil e covarde ele havia sido. Mas isso não doía. Ele não tinha forças sequer para se importar com aquilo.
A única coisa em que pensava era nela. Ele não sobreviveria muito tempo sem poder tocá-la. Sem poder amá-la. Ela era o que fazia sua vida valer a pena. E agora, graças ao seu fracasso, estava morta.
Um aperto no peito e uma ardência nos olhos o fizeram perceber que estava chorando. Não suportava a dor de tê-la perdido. Ter deixado-a escapar agora, depois de finalmente aprender o que era amar. Seu coração passou a bater por causa dela. Agora não tinha motivos para continuar.
Andar pela vila, sair com Tenten e Lee, que tentavam distraí-lo, nada disso parecia real. Não era real para ele. Nada tinha sentido se ele soubesse que, ao chegar em casa, não a veria. Não poderia abraçá-la e sentir seu cheiro, ouvir sua voz. Nada valia a pena sem ela.
Hinata era o amor da sua vida. Ela era sua vida. Cada um dos momentos que compartilharam foram perfeitos. Ela era perfeita. E ele precisava dela. Não era ele quem a protegia, era ela quem o mantinha a salvo. De tudo.
[…]
— Nii-san!
A voz melódica foi ouvida pelos corredores da casa principal. Neji revirou os olhos e saiu do quarto no exato momento em que Hinata levantava a mão para bater na sua porta.
— Bom dia, Hinata-sama.
A jovem sorriu gentilmente e segurou sua mão, puxando-o em direção à cozinha. Um formigamento pareceu tomar conta do estômago do rapaz, mas ele apenas ignorou aquela sensação enquanto andava de mãos dadas com a prima pela casa.
— Feliz aniversário, Neji!
Havia um pequeno bolo no centro da mesa. Estava confeitado perfeitamente, com algumas flores de glacê chamando a atenção. Ela havia preparado aquilo para ele. Olhou em direção à garota e viu que ela tinha uma expressão ansiosa.
— É de abacaxi com coco. Seu favorito.
— Muito obrigado, Hinata-sama. Eu nem sei o que dizer.
— Não diga nada! Vamos apenas aproveitar e comer!
Neji não aguentou manter a expressão séria e sorriu. Sorriu verdadeiramente feliz naquele momento. Hinata era sua melhor amiga, sua aprendiz, e fazia algum tempo que se tornava alvo de seus olhares maliciosos também. Mas isso era segredo.
Se sentaram à mesa, um de frente para o outro, e Hinata colocou um pedaço para cada. Provou seu bolo de aniversário e não pode evitar um suspiro de prazer. Estava delicioso. Levantou os olhos e encontrou Hinata saboreando um pedaço, de olhos fechados. Ela era linda.
— Então… Você gostou? — ela perguntou tímida.
— Está delicioso. Obrigado — respondeu sério, por mais que seu interior gritasse que ele deveria levantar e abraçá-la.
Hinata sorriu feliz e concordou. Voltou a comer em silêncio e retirou a mesa quando acabaram. Se colocou na frente de Neji, que já estava em pé, e tocou um dedo no outro, de forma nervosa e sem jeito, antes de perguntar:
— O que pretende fazer hoje, Neji-nii-san?
— Temos que treinar. Seu byakugan fica cada vez mais forte. Não podemos parar agora. Depois podemos tomar chá juntos, como sempre fazemos.
— Neji… Achei que hoje poderíamos fazer algo diferente. Sei que treinar é importante, mas poderíamos… sabe… sair juntos — falou completamente vermelha.
— Sair? Por quê?
— Po-porque se-seria divertido. Não acha? — Levantou os olhos e encarou finalmente o rapaz à sua frente.
Neji jamais conseguiria olhar naqueles olhos brilhantes e dizer não. Por mais perigoso que achava que seria sair a sós com Hinata, não pôde negar. Ele queria mesmo conversar outras coisas com ela. Algo que não se resumisse apenas a treinos e golpes.
— Tudo bem. O que tem em mente?
— Quero que você acorde, Neji! Por favor…
[…]
O homem se sentou na cama em um rompante. Sua respiração estava pesada e ele suava frio. Aquela lembrança havia sido tão real. Quase como se tivesse voltado no tempo. Mas o final não era como se lembrava... No final, ele e Hinata haviam ido a uma cachoeira. Foi uma das melhores tardes de sua vida.
Lembrou-se que, naquele dia, com muito custo, entraram na água. Foi divertido nadar, era algo que não fazia há muitos anos. No início, Hinata ficou tímida com a ideia de usar somente lingerie na frente dele, mas ele a relaxou, dizendo que jamais faria qualquer coisa, ou a olharia diferente. Estavam lá para nadar, afinal.
Claro que, no fundo, ele mentiu. Ao menos na parte onde dizia que não a olharia. Ele era um homem. Mas não foi de forma maldosa, ou com segundas intenções reais. Ele apenas a achava linda. Cada centímetro. E a respeitava, mais que tudo.
Suspirou e se levantou. Por que acordou? Não poderia simplesmente viver naquele sonho? Viver com ela de novo...
Tomou um banho e saiu de casa, indo até o campo de treinamento. Pelo menos quando estava socando alguma coisa conseguia disfarçar as lágrimas.
[…]
— Mais agilidade, Hinata — Neji falou, desferindo outro golpe na barriga da morena — Você está muito desatenta hoje.
— Desculpe, nii-san. Vou prestar mais atenção — declarou corada.
Tomaram a posição e recomeçaram. Neji atacava com tudo, confiando na habilidade da prima. Hinata desviava dos golpes desferidos em direção a ela e acertava alguns outros no homem.
Ao perceber que a mulher estava atenta, o moreno passou a pegar mais pesado, usando mais velocidade e força nos golpes. Hinata se assustou e tropeçou, caindo de costas no chão e puxando Neji junto.
Com a proximidade repentina, Hinata corou fortemente e fechou os olhos sem jeito. O mais velho engoliu em seco e se jogou para o lado, saindo de cima da prima e ficando deitado de costas, assim como ela.
— Definitivamente você está desatenta — falou com a voz grave, olhando para as nuvens. — Quer falar sobre o que te incomoda?
— Está mesmo disposto a ouvir os resmungos de uma jovem que age feito criança? — perguntou corada, se deitando de lado e analisando o perfil do primo.
— Se isso for te fazer bem, então estou — respondeu ainda olhando para cima.
Hinata corou e sorriu pequeno. Neji quase sempre era uma pedra de gelo, então, quando ele demonstrava se importar, coisa que estava se tornando cada vez mais comum entre eles, a jovem sentia um calor gostoso atravessar seu corpo.
— É sobre o Naruto… — começou incerta.
— Talvez eu não queira mais ouvir —o moreno disse se virando de lado e a encarando também.
— Acho que não gosto mais dele. Não da forma que pensei — contou sem jeito, rindo da expressão que o outro fez.
— Bom… Estou ouvindo — falou, encarando-a mais intensamente.
— Eu sempre acreditei que ele seria meu grande amor… Eu admiro o Naruto, muito mesmo. Mas ele não me faz sentir… Você sabe…
— Eu não sei. O que ele deveria te fazer sentir?
— Paixão. Vontade. Ele não me faz corar como antes. E eu não me sinto… interessada.
— Há quanto tempo se sente assim?
— Já faz algum tempo… Mas eu não quis aceitar.
— Aceitar o quê? — perguntou com as sobrancelhas franzidas.
— Que meu coração foi conquistado por outro…
Neji estreitou os olhos e se levantou em um pulo, assustando a garota. Ele ficou sério e caminhou em direção a casa, cansado de ouvir a voz doce de Hinata. Voz que jamais se declararia para ele. Era sempre outro.
— Neji, espere! Eu disse algo errado?
— Não, Hinata-sama — declarou ainda sem olhá-la.
— Então, por favor… Acorde!
[…]
Neji se assustou com o pedido desesperado que ouviu antes de acordar. Não era assim que a lembrança acabava. Ela o pedia para ficar. E ele ficava. Voltava e se deitava ao seu lado.
Se lembrava de ter anoitecido quando finalmente se levantaram e foram para casa. Ficaram apenas em silêncio, curtindo a presença um do outro. Se confortando.
Passou as mãos pelos longos cabelos e sentiu um nó na garganta. Tinha revivido de forma tão real aquele momento. Não estava pronto para acordar. Não queria sair de perto dela. Não queria aceitar que aquela era a realidade. Que não voltaria a vê-la.
[…]
— Você está estranho, nii-san.
A voz suave de Hinata o despertou do transe. Estava observando a lua há horas. Seus pensamentos estavam confusos desde a conversa com Hinata.
Era estranho admitir até mesmo em pensamentos, mas amava Hinata. Ela era seu grande amor. Chegou àquela conclusão quando analisou as palavras da prima.
"Paixão. Vontade"
Ele sentia isso perto dela. Ela o fazia ficar sem jeito quando se aproximava muito, mesmo que ele não demonstrasse. Ela era interessante. Tudo nela era interessante. Estava perdidamente apaixonado.
Suspirou derrotado e voltou os olhos para a morena em pé ao seu lado. Indicou que ela se sentasse e ela assim o fez, analisando o astro que brilhava fortemente no céu.
— Por que tanto olha a lua? — ela perguntou de repente.
— Me lembra você — respondeu olhando-a. — Seus olhos me acalmam, assim como a lua.
— Neji…
— Pareço um estranho assim, não é mesmo? Desculpe por isso.
O homem fez menção de se levantar, mas foi impedido pelas pequenas mãos femininas, que seguraram seus braços. Ainda se encaravam quando Hinata se aproximou um pouco mais e colocou um das mãos em seu rosto.
— Por que eu te acharia estranho? Eu te acho… interessante — confessou corada.
— Interessante? De que tipo de interesse estamos falando? — perguntou, engolindo em seco, ansioso.
— O tipo… O tipo que me faz sentir paixão e vontade. Eu… E-eu gosto de você, Neji.
O homem sentiu um peso ser arrancado de suas costas. Ele nunca havia voado, mas a sensação deveria ser próxima à que sentia. Seu interior estava tão feliz que parecia flutuar. Sua mente estava nublada. O único pensamento coerente que tinha era que deveria beijar a mulher à sua frente.
E foi o que fez.
Levou uma de suas mãos até a nuca feminina e a puxou de encontro a si. Sentiram as respirações um do outro antes de selarem seus lábios. O beijo era calmo, porém intenso. Todos os sentimentos, guardados até então, estavam sendo expressos naquele momento.
Se separaram quando o ar faltou e sorriram um para o outro. O olhar que trocavam tinha um significado forte. Palavras não ditas estavam claras ali. Os dois se amavam. Há muito mais tempo do que percebiam.
— Neji… O que fazemos agora?
— Agora nós sentimos. Sem medo.
— Eu quero… quero que você acorde.
Neji arregalou os olhos e negou com a cabeça. Ele se lembrou de tudo. Ele não queria acordar. Por que ela sempre pedia isso? Por que não o deixava ficar com ela?
— Não foi isso que você disse. Você disse que queria me beijar de novo. Depois você ficou toda vermelha. Eu te achei ainda mais linda naquele dia… Não me expulse, por favor.
— Você tem que acordar. Por favor.
— Não! — gritou exasperado. — Me perdoa por te deixar partir! Eu preciso de você, Hinata. Me deixe ficar!
— Acorde, Neji! Acorde.
[…]
Tudo escureceu. Neji não se deu ao trabalho de abrir os olhos. Ele sabia que já havia voltado. A realidade novamente o sufocava. Se virou de lado na cama e chorou.
[…]
Hinata mordeu os lábios nervosamente e corou. Neji a olhou de cima a baixo e sorriu de lado, se aproximando dela como um gato prestes a dar o bote.
— E se eu… não souber o que fazer… — sussurrou tímida, olhando os próprios pés.
— Vamos aprender juntos, então — sussurrou, levantando o rosto dela para olhá-lo.
Selaram os lábios em um beijo apaixonado. Neji desceu suas mãos até o obi do kimono feminino e o desamarrou, retirando todo o tecido em seguida. Hinata levou os braços para os seios descobertos, tentando tapá-los, mas o homem os retirou rapidamente.
— Você é divina — falou sem desviar o olhar de seu rosto corado.
Deu um beijo casto em seus lábios antes de descer para o pescoço, provocando arrepios na mulher. Depositou uma mordida fraca na curva da clavícula e sorriu ao sentir Hinata estremecer.
Deu alguns passos para trás e se sentou na cama, posicionando Hinata em seu colo. A morena enlaçou as pernas na cintura masculina e sorriu sem jeito.
— Fique à vontade. Sou completamente seu. Para sempre.
Hinata o puxou para um beijo forte. As línguas competindo por espaço. Neji levou uma das mãos ao seio esquerdo da mulher e o acariciou, fazendo-a gemer durante o beijo. Com a outra mão ele segurou seus longos cabelos e puxou-os levemente.
— Eu te amo, Neji — falou ofegante quando uma das mãos do rapaz alcançou a barra de sua calcinha.
— Eu te amo mais, Hinata — respondeu, sorrindo verdadeiramente feliz.
Se sentia completo ao lado dela. Todo seu orgulho e frieza desapareciam perto dela. Com ela, ele era apenas ele. Apenas um rapaz muito apaixonado, capaz de mover céus e terras pela amada. Disposto a dar a vida, se necessário.
Deitou Hinata na cama e se posicionou por cima dela, entre suas pernas torneadas. Distribuiu beijos por todo o colo da mulher enquanto a ouvia gemer seu nome baixinho. Com cuidado, encaixou seu membro na entrada feminina e esperou.
— Estou pronta…
Neji entrou devagar na mulher, ouvindo-a gemer abaixo de si. Quando ela se acostumou com ele dentro, passou a se mexer, sentindo um prazer indescritível. Hinata logo começou a se mexer também, rebolando sob o falo do homem.
— Ahh… Ne-Neji! — gemeu maravilhada.
O moreno estocou mais algumas vezes e logo sentiu o interior da mulher o apertar fortemente. Gozou logo em seguida, suspirando de prazer. Se jogou ao lado de Hinata e a puxou para si, abraçando-a.
— Eu gostei muito — confessou corada.
— Você é demais. Tenho sorte em ter você na minha vida — falou enquanto acariciava o rosto angelical.
— Eu preciso muito de você. Por favor, não me deixe — pediu de repente.
_ Jamais faria isso — tranquilizou-a antes de dar um beijo em sua testa.
— Você precisa acordar! Precisa viver!
[...]
Seus olhos ardiam e sua garganta doía. Não sabia que horas eram quando acordou e percebeu que novamente suas lembranças não passavam disso: sonhos. O sol já aparecia lá fora, e ele havia chorado todo esse tempo.
Não aguentava mais a dor de ter perdido Hinata. Era demais para suportar. Depois de tudo que viveram juntos. O amor reprimido. A confissão. As carícias. Era tudo perfeito. Por que ele foi deixar aquilo acabar? Por que ele não foi mais ágil? Por que não salvou seu amor?
[…]
— Neji! Que bom que saiu de casa! — uma voz exclamou ao vê-lo na rua.
O moreno se virou em direção a voz, sem nenhuma vontade, e viu Sakura. A rosada correu até ele, alcançando-o.
— Você não pode viver assim para sempre. Precisa resistir. Sabe disso, não sabe?
— O que quer que eu faça, Sakura? Eu perdi minha vida naquele dia. Não tenho mais razão sequer para respirar! — falou nervoso, as lágrimas começando a aparecer em seus olhos.
— Você precisa resistir. Não pode desistir de tudo agora. Eu estou aqui para te ajudar. Mas sua mente tem que aceitar isso — a mulher falou suavemente.
— Eu não consigo! O único momento em que encontro paz... é quando durmo! Quando sonho com Hinata e eu! Mas ela sempre me pede para acordar…
Neji suspirou. Estava abatido. Não havia mais nada em sua voz que indicasse felicidade. Ele era apenas um fantasma vagando pela vila. Leal à única coisa que valia a pena em sua vida: Hinata.
— Tente ouvi-la. Ela precisa de você, Neji. Por favor, acorde!
O moreno olhou a rosada de forma confusa. Ele estava acordado. Sabia disso porque estava sofrendo. Negou com a cabeça, decidindo ignorar a voz da mulher e partiu, voltando a caminhar.
Chegou ao seu destino e se jogou no chão, sentando sobre as próprias pernas e observando a paisagem. Foi ali, bem ali, que viu o rosto de Hinata a última vez, com vida.
[…]
— Tem certeza que é uma boa ideia, Neji? — Rock Lee perguntou com o cenho franzido.
— Não se preocupem. Eu e Hinata já conferimos, não tem nada aqui. Podemos acampar.
— Estou com um mal pressentimento — Tenten comentou, parando ao lado dos companheiros de time.
— Calma, Tenten-chan. Vamos ficar bem — Hinata falou, pousando ao lado do time Gai.
Montaram uma pequena fogueira e dividiram as guardas. Hinata ficou responsável pela primeira vigília da noite. Se sentou em frente ao fogo e relaxou, observando a escuridão.
Sentiu alguém se aproximar e sorriu quando as mãos de Neji rodearam sua cintura. O moreno deu um beijo discreto em seu pescoço e ela se aconchegou em seu colo.
— Está uma bela noite — ele disse observando-a.
— Está mesmo. Uma noite para se lembrar. Você não deveria dormir?
— Prefiro ficar te observando.
— Vai se sentir cansado amanhã.
— Vale a pena.
Sorriram um para o outro e deram as mãos. Naquela escuridão, dividiram o céu estrelado. Tudo estava tranquilo. O ronco de Lee ressoava ao longe, fazendo-os segurar o riso.
Sem aviso prévio, sem indício de chakra, uma luz forte se fez presente. Uma explosão. Tenten e Rock Lee se colocaram ao lado dos dois, que já estavam em posição de batalha. Mal se ouviam devido ao zumbido em seus ouvidos, causado pelo barulho.
Hinata ativou o byakugan no exato momento em que uma lâmina voou em sua direção. Sem tempo de desviar, apenas fechou os olhos, mas não foi atingida. Neji estava à sua frente. O aço havia passado de raspão pelo braço do ninja.
— Foi por pouco. Não posso te perder — ele falou em um sorriso mínimo, antes de gritar apavorado.
Hinata sangrava à sua frente. Um dos ninjas inimigos havia a atingido. A lâmina era uma distração. Uma maldita distração. A morena o olhou cansada e grossas lágrimas rolaram pela bochecha alva.
— Neji, por favor…
— Não! Não! Lee, Tenten, me ajudem!
— Neji! — Ouviu a voz dos companheiros gritarem preocupados.
— Por favor, nii-san. Acorde.
Acorde.
Acorde.
— Não me deixe. Abra os olhos. Por favor.
Então Hinata sumiu. Bem na sua frente. Todos sumiram. Não havia ninjas, floresta, nada. Era uma imensidão branca. Nada fazia sentido. Tentou chamar por alguém, mas sua garganta parecia seca.
— Neji, meu amor. Se estiver me ouvindo, acorde. Abra os olhos. Volte para mim.
[…]
Então ele voltou. Abriu os olhos com enorme dificuldade e se assustou. Estava deitado. O teto acima da sua cabeça era branco. Conseguiu distinguir sons à sua volta. Um apito constante o irritava. Pareciam batimentos cardíacos.
— O que… — falou devagar, sentindo a garganta rasgando enquanto falava.
— Ne-Neji! Oh, por Kami! Você acordou!
Sentiu seu coração acelerar ao ouvir aquela voz melodiosa ao seu lado. Se virou devagar e encontrou os olhos chorosos de Hinata. O apito se tornou mais constante, indicando que a máquina mostrava o ritmo dos seus batimentos.
— Onde eu estou? — perguntou confuso.
— No hospital. Faz quase um mês. Eu pedi que você acordasse todos os dias. Eu senti tanto medo…
A morena voltou a chorar enquanto se jogava em seu braços, abraçando-o. Neji fechou os olhos e a abraçou, sentindo seu cheiro e suas formas. Ela estava ali de verdade. Não era mais um sonho.
— Você me salvou, nii-san. Pulou na frente daquela lâmina envenenada…
— Mas eu te vi… morrendo — declarou preocupado, sem coragem de afastá-la do abraço. Tinha medo de perdê-la de novo.
— O veneno na lança é muito forte. Na hora em que foi atingido, você desmaiou. Vem tendo alucinações desde então. A única forma de sobreviver ao veneno é resistir até o último sonho. E acordar.
— Você… me pedia para acordar. Eu… escutava — falou chocado.
— Sakura disse que não podíamos desistir. Tínhamos que conversar com você. Eu e ela estávamos sempre te chamando. Eu… não perdi a esperança. Sabia que voltaria.
— Você me salvou… muitas vezes.
Hinata o apertou ainda mais forte. Neji suspirou aliviado. Tudo fazia sentido. Estava sob efeito de um veneno. Tentando voltar para casa, mas vinha sendo puxado por uma escuridão sem fim.
Mas ele voltou. Ele voltou porque não podia partir. Não podia deixá-la. Ela o chamou, todos os dias. Seu cérebro lutou contra o veneno graças a ela. A voz que tanto amava. A pessoa mais especial em sua vida.
Estava viva. Ao seu lado. Passou todo esse tempo o esperando. Sentiu lágrimas se formarem em seus olhos ao mesmo tempo em que passava os braços ao redor da figura pequena.
— Eu te amo, Hinata. Mais do que tudo. Obrigado.
— Não me agradeça. Você fez a parte mais difícil. Você acordou.
— Eu jamais te deixaria aqui sozinha.
— Eu te amo, Neji. Te amo demais. Obrigada por voltar para mim.
— Eu nunca vou me afastar! Nunca mesmo. Agora que acordei, não vou voltar a dormir.
Hinata o olhou mais uma vez nos olhos, antes de selar seus lábios. Feliz, aliviada, viva. Era como se sentia agora, por ter de volta seu amor. Neji era leal. Ele prometeu não abandoná-la. E assim o fez.
Ele acordou.
