Capítulo 2.

Medo e Luz.


Sarah já está no último ônibus, indo até Nevada, eram 10:00, ela parte cedo da cidade e a viagem levaria 10 longas horas para chegar ao outro lado do país. Ela passa o tempo assistindo um filme e lendo um livro de ficção, sobre um garotinho que sempre ajuda seus amigos.

No meio do caminho, o ônibus faz uma parada para abastecer, os passageiros esticarem um pouco as pernas e comprarem algo para comer. Após uma hora, todos voltam para o ônibus que logo volta para a estrada para as últimas horas de viagem. Sarah aproveita para tirar um cochilo após sua refeição, ela ajeita a cabeça e cobre os olhos para descansar um pouco. O ônibus chega na última estrada reta de seu percurso, onde não havia cidades ou sequer vilas, apenas uma longa estrada reta entre um campo vasto e um bosque fechado de altas árvores, onde seguem por um longo tempo.

Depois de um tempo, de repente, Sarah sente uma freada brusca que à acorda na hora, ela ouve vozes do lado de fora do ônibus e os passageiros agitados, ela abre os olhos e vê um carro do tipo blindado de cobalto e prata parado lá fora e alguns homens encapuzados de preto com facões nas mãos, ela logo percebe que era uma gangue e tenta não fazer nada que a colocasse em risco. Então, dois dos homens entram e mandam todos descerem do ônibus, em fileira e sem reagirem, Sarah e os outros saem um por um em fila com calma, e quando saem, ela não vê mais o carro blindado, mas um robô gigante vigiando todos como um guarda.

Sarah não sabia o que fazer, ficava quieta apenas seguindo o que os homens pediam. Até que um dos passageiros esbarra nela e à empurra sem querer, ela cai atrás do ônibus sem a gangue perceber que caiu ali, ela aproveita a situação e vai de fininho para a floresta que tinha ali, mas antes que ela se escondesse completamente, ouve os homens gritando, e quando ela olha para trás, um deles ordena que o robô gigante fosse atrás dela e à trouxesse de volta, ela corre desesperada para dentro da floresta enquanto ouve os fortes e pesados passos vindo atrás dela.

Sarah corre por entre as árvores desesperada, galhos e folhas quebram deixando sua mente mais assustada com os sons, o chão treme como se fosse um terremoto, passos altos se aproximam cada vez mais dela e ela corria como nunca correu na vida, aquele robô vem derrubando os troncos, deixando uma trilha de destruição por onde passava.

Ela consegue desviar da mira dele, ela para e se esconde atrás de um arbusto alto, sem fazer barulho para tentar despistar o robô. Ela sentia seus passos chegar ali, devagar, e então ele para, muito perto, observando o local, analisando a área, enquanto o ronco do motor se aproximava. Sem mais nem menos, o arbusto onde ela estava é arrancado do chão como brinquedo. Com grande susto por essa ação, Sarah cai no chão e grita ao ver aquela coisa de tão perto. Era como se estivesse em um pesadelo, ele era um monstro, ele era vivo. Era real. Sarah tenta se levantar e percebe que cortou sua perna esquerda com a queda, mas por conta do medo extremo e da adrenalina, ela consegue se levantar e continuar correndo.

A coisa continuava com o comando e vai atrás dela, chega a mão bem perto, quase alcançando enquanto ela não conseguia mais ver direito o que há pela frente, eram folhas atrás de folhas, Sarah continua correndo sem mais saber pra onde ir. Do nada, sem nem perceber, ela tropeça, cai e escorrega por um barranco pequeno cheio de lama, quando levanta a cabeça e olha pra cima, vê estava no fundo de uma montanha completamente íngreme, lisa e sem raízes ou galhos para subir. Não havia saída e nem como voltar ou se esconder. Os tremores no chão aumentam lentamente, e quando ela olha para trás, a coisa se aproxima, ela vê se erguer de trás das árvores uma enorme sombra negra com olhos vermelhos que tampava a luz do sol.

Com o coração batendo forte, sem saídas e sem chances, estava no fundo do buraco e a coisa chegava sua mão cada vez mais perto dela, ela tenta se afastar mas não havia mais espaço, era seu fim ali. Ele à pega em sua enorme mão, ela sente um suor frio e uma dor interna quando um grito desesperador bem alto sai de sua garganta, ardendo como espinhos cortando o silêncio.

Antes que ele à tirasse completamente dali, uma voz grave e forte surge como um grito de guerra. Ainda ajoelhado com à mão perto do chão, a coisa olha pro lado e Sarah também, quando veem uma lâmina gigantesca, uma espada surge do meio das árvores escuras vindo na direção daquela coisa e o atinge na hora de baixo pra cima.

Sarah mal vê aquilo chegar, apenas sente a força do impacto dado no robô. Ele à solta na hora e ela cai no chão sem conseguir ver nada, ela sente dores no corte da perna e põe a mão pra tentar diminuir o sangramento. Sons altos de metais se colidindo com ferocidade, ela levanta a cabeça e vê outro robô atacando aquela coisa, mas ele era diferente, era como um guerreiro gigante com sua pele luminosa com a luz do sol azul e vermelho, com ele tinha uma enorme espada flamejante que cortava aquela coisa em pedaços. Sarah via aquela cena paralisada, era como se nada mais fosse acontecer com ela, os sons ao redor sumiam e ela só enxergava o brilho da espada cortando o vento.

Ele dá um soco forte no rosto da coisa que o derrubou na hora, ela se assusta com o tremor que causa no chão e quando percebe, aquele enorme robô azul virou um grande caminhão, parado na frente dela, ele abre a porta sozinho, ela sente que ele era bom e estava ali para ajudar. Sarah mal consegue se levantar agora que sente a dor e vai pulando com uma perna se apoiando nos galhos, ela entra no caminhão, fecha a porta e o mesmo começa a si dirigir sozinho para fora da floresta. Sarah, sentada no banco passageiro, olha pelo espelho do caminhão e vê a destruição que havia ficado o local, o coração ainda batia forte, estava tentando se acalmar, ela põe a mão na perna e quando olha nota que estava sangrando muito e tinha marcado o banco com sangue. O caminhão vai saindo do bosque devagar para não balançar muito. Então ele fala.

? ? - Está sangrando muito.

Sarah se assusta ao ouvir uma voz, vindo do caminhão, sem ter ninguém ali com ela. Ele continua.

? ? - Há um pedaço de pano no porta-luvas. Pode usar para fechar o corte.

O porta-luvas se abre e tinha mesmo um pano ali, Sarah não entende muito bem o que estava acontecendo, mas pega o pano e amarra na perna para fechar o sangramento. Eles saem do bosque e já estão na estrada, Sarah logo lembra das outras pessoas ao ver a estrada, mas não vê mais aquele ônibus, ela olha toda a estrada procurando por eles.

- Sarah:. Havia um ônibus aqui. ... Eu estava nele. ...

? ? - Não se preocupe. Aquelas pessoas estão bem.

- Sarah:. Mas eu. ... como você. ...?

? ? - Eles estão bem. Ajudei todos eles quando passava por aqui.

- Sarah:. E como você me encontrou no fundo daquela floresta?

? ? - Vi um caminho de árvores quebradas do lado do ônibus e ouvi gritos vindos do fundo da floresta.

Sarah fica assustada com o quão longe ficou da estrada e o quão alto tinha conseguido gritar naquele momento.

- Sarah:. Eu precisava estar naquele ônibus. Tenho que chegar ao próximo estado ainda esta noite. - Ela fala preocupada e com medo de perder sua chance do novo emprego.

? ? - Onde você precisa chegar.?

- Sarah:. Jasper, em Nevada. Mas ainda fica muito longe daqui.

? ? - Eu te levo até lá.

- Sarah:. O quê.?! Sério.?!

? ? - Sim. Eu vivo próximo da região, vou deixar você no centro de Jasper.

- Sarah:. Ai, muito obrigada.! Eu preciso muito mesmo chegar lá hoje.

Ela fica aliviada e feliz pela ajuda, mesmo não sabendo direito o que estava acontecendo, mas ela sabia que aquele caminhão tinha algo, e não era controlado por ninguém além dele mesmo. Eles seguem o resto da viagem até Nevada, que não demorou tanto tempo até chegarem lá.