Capítulo 17.

Só Entre Muitos.


Durante as primeiras semanas, Sarah quase não trabalhava, já que quase ninguém pedia auxílio na recepção como de costume da própria empresa, sua rotina estava sempre a mesma coisa, acordava às 11:00hrs, já ia ao serviço sem tomar café, comia qualquer lanche da empresa no horário da tarde, saia às 20:00hrs e comia algo na rua, chegava em seu apartamento e se trancava no quarto, dormia por algumas horas e acordava antes do sol nascer para assistir ao nascer do sol e depois voltava a dormir, e repetia tudo de novo. Por quase 3 meses foi assim, ela não falava com ninguém e ninguém falava com ela, ela atendia uma ou duas ligações por semana e organizava algumas papeladas, recebia formalmente outras empresas e só, por onde ela andava era a mesma coisa, milhões de pessoas, milhões de pensamentos, mas era como ser o único ser vivo na face da terra.

No começo do quarto mês de serviço, Sarah é informada que a empresa iria começar negócios maiores e que a recepção precisaria de mais funcionários, então, duas outras jovens seriam colocadas para trabalhar na mesma área que Sarah. Dois dias depois, as duas jovens chegam para começarem o trabalho compartilhado, as duas já eram notavelmente amigas de longa data, elas ficam um tempo em silêncio entre si, até que uma delas decide puxar conversa com Sarah.

- ? ? : Oi, Meu nome é Hader, e essa é a Marley. - ela estende a mão para Sarah que não faz nada estando com uma cara triste.

- Marley fica um pouco tocada vendo ela assim.: Soubemos que você recebeu o emprego pelo governo. Foi um concurso.? - Sarah não responde.

- Hader.: Você não é de falar muito. ... né.? - Ela continua quieta.

As duas amigas se olham um pouco, pelos olharem elas sabiam que Sarah tinha uma certa depressão escondida, então ficam quietas continuando com seus serviços. Mais no fim do expediente, elas tentam conversar com ela de novo.

- Hader se aproxima de Sarah que ainda estava na recepção.: Oi, de novo. - Sarah continua quieta. - Ahm. ... Eu e minha amiga queriamos saber se. ... Você aceitaria ir com a gente no festival do pastel na avenida Kauston. - ela não responde.

- Marley.: Achamos que você poderia gostar, vai ter sabores do mundo inteiro lá. - ela ainda quieta, as duas se olham em silêncio por um momento.

- Hader.: Bom. ... se quiser ir. ... nosso carro vai sair às 20:30 no portão 17. ... Espero que aceite. ... - as duas saem em silêncio deixando ela ali.

Sarah continua na recepção em silêncio, apenas arrumando suas coisas, enquanto isso, na sala dos funcionários.

- Marley.: O que você acha que aconteceu com ela.? - ela diz arrumando sua bolsa.

- Hader.: Não sei, mas sinto como se já conhecesse ela de algum lugar. - ela troca a roupa do serviço.

- Katarina.: Se estão falando da mulher da recepção, só sei que ela veio pra cá pelo governo. O próprio presidente mandou que dessem a vaga pra ela. - ela diz saindo da sala.

- Hader olha pra Marley.: Acha que ela tem algo a ver com aqueles boatos?

- Marley.: Acho que não, ouvi dizer que a garota foi levada pra fazerem experimentos no cérebro dela.

As duas amigas terminam de pegar suas coisas e já saem indo para o estacionamento ainda conversando sobre Sarah, quando elas chegam no carro, elas ouvem um som de passos atrás delas, e quando olham pra trás, Sarah estava lá com uma carinha triste tentando mostrar um sorriso.

- Sarah.: Eu. ... Ainda posso ir com vocês.? - ela diz com uma voz baixa e fraca, as duas amigas sorriram.

- Marley.: É claro. Venha, pode ir no banco da frente. - ela diz entrando pela porta do passageiro de trás.

- Hader.: Que bom que você veio, sempre temos espaço pra mais uma entre nós. - ela entra no carro junto com Sarah.

Todas colocaram os sintos e foram para o festival de pasteis, ao chegarem lá, Sarah fica meio deslocada quase paralisada, mas as amigas a ajudam e as três passam a noite no festival, enquanto Hader e Marley comiam muito, Sarah mal tocava na comida mas ainda comia um pouco de cada, elas conversavam muito e Sarah sempre ficava quieta sorrindo bem fraco. Horas depois, Sarah escuta um som de relógio despertando, quando ela olha em seu celular, vê que faltava apenas 30 minutos para o nascer do sol. Ela se desespera e começa a chorar dizendo que iria perdê-lo, Hader e Marley tentavam acalmá-la mas nada adiantava, ela chorava e não conseguia dizer o motivo. Então, as duas tiveram a ideia de levar Sarah para seu ponto de encontro preferido, o alto do monte Heys, elas a levam correndo pra lá pra tentar acalmá-la o mais rápido possível, quando elas chegam, Sarah já para de chorar olhando fixamente os primeiros raios de sol apontando nas montanhas ao longe, as duas não entendem muito bem, mas apenas ficam quietas também observando o nascer do sol juntas com Sarah. Alguns minutos depois do nascer do sol, as duas olham para Sarah e viram que ela estava dormindo, evidentemente estava muito cansada. Então elas a levaram até seu apartamento, que por sorte, nesse dia era a folga delas, e as duas acabaram por dormirem na sala dela também por estarem extremamente exaustas.

Após algumas horas, Sarah acorda olhando em volta, estranhando como estava em seu quarto, ela olha pra janela e percebe pela posição do sol que já era quase meio-dia, ela se lembra do último ocorrido e se levanta um pouco sonolenta ainda e vai até a sala. Ela leva um leve susto ao ver que Hader e Marley estavam dormindo profundamente no chão de sua sala, sabendo que passaram a noite em claro, ela as deixa dormindo mais um tempo e vai pra cozinha comer algo. Não demora muito e as duas acordam também, elas vão pra cozinha sabendo que tinha alguém lá.

- Hader.: Ahm. ... Bom di. ... - ela olha o relógio da parede. - Er. ... Boa tarde.

- Sarah fica um pouco em silêncio.: Querem um café.? - ela diz com uma voz um pouco mais firme.

- Hader.: Eu. ... não recusaria. - as duas se sentam a mesa com Sarah.

Após tomarem o café, as duas amigas iam se despedir para voltarem pra casa e Sarah pede pra ir junto para conhecer a casa delas, elas deixam e vão. Pelo caminho elas continuam conversando.

- Hader.: Soube que você ficou com o emprego pelo governo.

- Sarah.: É... foi algo do tipo.

- Marley.: Como você conseguiu pelo governo.? Foi algum concurso?

- Sarah fica um pouco triste.: Não. ... Foi por uma rivalidade. ... - ela diz olhando pra rua.

- Marley.: Rivalidade.? Como assim?

- Sarah.: Meu antigo emprego. ... Eles tinham uma "regra" que não permitia relacionamentos entre. ... Colegas de trabalho. ... - as duas amigas se olham.

- Hader.: Nós duas já trabalhamos em um lugar assim também. Conheci um cara que era muito legal.

- Marley.: Quando nosso chefe descobriu mandou nós duas pra rua.

- Sarah.: Por que as duas?

- Hader.: Marley estava me cobrindo, mesmo eu pedindo pra ela não fazer isso.

- Marley.: Amigos são pra isso, e agora você é uma de nós também, Sarah. Pode contar com a gente pra tudo.

- Sarah diz baixo.: Quem dera eu pudesse mesmo. ...~

Elas chegam na casa, que era um alugado de fundo pequeno. Horas depois de mais conversa, Sarah vê que elas precisavam de uma moradia melhor e as convida para irem morar com ela. Dias depois, as três amigas estão morando juntas no mesmo apartamento e, com toda a mudança, Hader acaba encontrando uma foto de um ser que ela conhecia, e imediatamente, vai falar com Marley.

- Hader.: Você Precisa ver isso.! - ela mostra uma caixinha de metal.

- Marley abre se surpreendendo.: . . . . Era ela.! - nesse momento, Sarah entra no quarto e vê elas olhando a caixinha.

- Sarah se desespera.: NÃO.! - ela puxa a caixinha delas a fechando com raiva e assustada. - Vocês não deveriam ter visto isso! Sabem o que vão fazer comigo se souberem que Vocês sabem disso?

- Hader olha surpresa pra ela.: É você!

- Marley.: É a garota dos boatos!

Sarah fica surpresa com a reação delas e as três ficam um tempo ali em silêncio. Sarah sabia que tudo isso estava prestes a mudar de novo, mas dessa vez, ela sentia que não precisaria ter medo do que viria pela frente.