N/A: Crepúsculo não me pertence.
Olá, pessoal, vim aqui trazer só mais um pouquinho dessa história! Para minha surpresa, algumas de vocês quiseram ler mais deles, então esse bônus é um agradecimento ao apoio e carinho que esses personagens receberam. Espero que dê para matar a saudade!
Boa leitura!
EPOV
Bella e eu tínhamos nos falado pelo celular praticamente todos os dias desde a última vez que a visitei e a chamei para sair. Às vezes Noah mandava uma mensagem de áudio pelo celular dela, e isso sempre melhorava meu dia. Só havia passado um mês desde que os conheci, mas era impressionante o quanto sentia falta quando não tinha notícias de nenhum dos dois.
Passei a semana imaginando como seria o encontro no sábado e, quando o dia finalmente chegou, mal podia esperar para vê-la de novo e ter a chance de conhecê-la ainda mais.
Comprei flores para levar para Bella, e ao me despedir apressado da minha mãe, ela riu e balançou de leve a cabeça, me fazendo sentir como se fosse um adolescente de novo, pronto para seu primeiro encontro.
As flores tinham sido uma sugestão dela e se a intuição de Esme estava certa da primeira vez, eu confiaria agora também.
Alguns minutos depois, eu estava à porta de Bella e enquanto a esperava, ouvi risadas e sabia que Noah devia estar brincando por perto.
Bella abriu a porta e sua beleza e seu sorriso me atingiram imediatamente, como aconteceu na primeira vez que a vi. Usava um vestido claro muito bonito, uma sandália baixa em um pé, pois o outro ainda estava engessado, e os cabelos soltos. Apenas segundos depois notei a pequena presença ao seu lado.
— Eduald! — falou com empolgação aquele que tinha se tornado rapidamente minha pessoinha favorita.
— Campeão! Tudo bem? — respondi enquanto o abraçava.
— Tudo! Mamãe disse que hoje você não veio pra ficar muito tempo e chamou a tia Alice pra brincar comigo.
— É, mas eu aposto você vai se divertir demais com ela.
— Sim, a gente vai brincar muito! — Ele comemorou e logo saiu correndo para a sala. Eu me levantei e Bella estava sorrindo olhando na direção que o filho havia corrido.
— É, eu acho que ele vai ficar bem — comentei. — Você tá linda, Bella. — falei finalmente a cumprimentando com um abraço e um beijo na testa. Ela corou e agradeceu baixinho.
— Me deixa só pegar minhas muletas e a gente vai — falou virando o corpo, estendendo o braço atrás da porta e pegando os objetos. — Noah, meu amor, a mamãe já tá saindo! — gritou em direção a sala.
Noah apareceu puxando pela mão uma mulher de cabelo preto curtinho e ainda mais baixa que Bella.
— Eduald, essa aqui é a tia Alice. Ela é amiga da mamãe e minha também! — Todos rimos de sua empolgação e cumprimentei Alice com um aperto de mão.
Bella havia me contado sobre Alice numa das nossas conversas pelo telefone. Era uma amiga de infância que depois de ter feito faculdade de design gráfico em Rhode Island, voltou para Seattle há dois anos. Apesar do tempo afastadas, Bella contou que a amizade nunca diminuiu e, agora morando na mesma cidade, sempre que precisava, Alice se dispunha a ajudá-la.
— Prazer te conhecer, Edward, só ouvi coisas boas sobre você até agora.
Bella pigarreou e, com o apoio das muletas, deu um passo para fora de casa.
— Alice, eu anotei o que ele pode e não pode comer agora a noite e pendurei na geladeira, lembra do horário de dormir e qualquer coisa me liga.
— Não se preocupe, se divirtam. — A baixinha respondeu dando uma piscadela.
Com um último abraço em Noah, fomos para o carro. A viagem até o restaurante foi tranquila, Bella me contou como estava empolgada para ter uma programação de adulto, pois geralmente passava o tempo com Noah e todas as atividades tinham que ser adequadas para crianças.
— Não que eu esteja reclamando — continuou quando eu a ajudei a sair do carro. — Mas as vezes é necessário fazer alguma coisa que não envolva o Show da Luna.
Havia perguntado durante a semana que tipo de comida Bella preferia e ela respondeu que comia de tudo, deixando a escolha em minhas mãos. Escolhi um restaurante italiano que parecia ser bem aconchegante e romântico, e ao olhar o cardápio na internet vi que não era absurdamente caro. Nossa mesa estava localizada perto das janelas de vidro com uma vista para a parte externa do estabelecimento.
Puxei a cadeira para Bella se sentar, orgulhoso de mim mesmo por lembrar do gesto e logo depois dela ter se acomodado, sentei-me a sua frente. Pedimos uma entrada e água, deixando o vinho só para acompanhar o prato principal, já que não podia beber muito tendo que dirigir mais tarde.
Bella me contou de sua semana e que aos poucos estava conseguindo recuperar o ritmo na cozinha. Os negócios estavam voltando a ser como antes, na verdade, tinham até crescido um pouco pois seu acidente virou notícia na cidade toda e mais pessoas ouviram falar de sua confeitaria, aparecendo mais gente interessada em seus doces.
Eu também tinha feito propaganda no trabalho e Emmett virou um cliente fiel. Mais fã que ele das habilidades de Bella na cozinha, só minha mãe. Ri lembrando de quando encomendei alguns muffins preparados pela minha confeiteira favorita e levei para casa, Esme se deliciou e quis saber de onde tinham vindo. Quando contei quem fazia, ela exigiu conhecer Bella imediatamente.
— Sabe, toda vez que eu comento de você com a minha mãe...
— Você fala de mim pra sua mãe? — Bella interrompeu com um sorrisinho.
— Claro, sua história ficou famosa! — brinquei.
— Só por isso? — perguntou cruzando os braços e estreitando os olhos.
— Talvez eu tenha ficado empolgado em ter te conhecido e talvez eu precisasse dividir com alguém — falei desviando o olhar e sentindo o rosto esquentar. Voltei a olhar em sua direção e ela sorria suavemente, então lembrei da segunda vez que nos vimos pessoalmente, no supermercado. Bella estava acompanhada de seu pai e Noah, e o mais velho comentou que tinha ouvido muito falar de mim.
Na ocasião, Noah logo se prontificou a explicar que havia sido ele a falar, mas lembrando do risinho que Charlie esboçou, me faz pensar que talvez Noah não tenha sido o único a citar meu nome. Será que te peguei no flagra senhorita Swan?
— Se eu bem me lembro, seu pai já ouviu falar de mim também.
— Sim, o Noah que falou — respondeu sem hesitar, mas logo suas bochechas ficaram coradas.
— Só o Noah, Bella? Tem certeza?
— Isso não vem ao caso, Edward! O que era que você ia falar mesmo? Quando você fala de mim para a sua mãe... — Ela mexeu a mão com um gesto para eu continuar.
— Certo — ri. — Ela sempre pede um doce novo e pergunta quando finalmente vai te conhecer.
— Sério?
— Aham, acho que vocês vão se dar bem. Ela já passou por uns maus bocados nessa vida e continua sendo uma das pessoas mais otimistas que conheço.
Esme foi a primeira a perceber, antes até de mim mesmo, que Bella seria especial na minha vida. Sua perspectiva sobre a situação me permitiu ver que me aproximar de Bella e Noah talvez fosse exatamente o que todos nós precisávamos.
— Ela parece ser incrível mesmo. — A morena concordou. — E você já conheceu Charlie, é justo eu conhecer sua família também.
— E não precisamos nem de um segundo encontro para dar esse passo?
Ela apenas sorriu e deu de ombros.
O resto da noite passou num clima agradável e eu percebi o quanto estava contente ali. A cada informação descoberta sobre Bella, eu percebia que tinha tirado a sorte grande quando ela disse sim para aquele encontro. E, felizmente, ela parecia tão satisfeita por estar aqui quanto eu, saboreando a comida, rindo, me deixando segurar sua mão.
Seu sorriso só saiu do rosto quando me falou mais um pouco sobre os meses que sucederam a morte de seu marido.
— Nunca me senti tão perdida quanto naqueles primeiros dias. Cuidar de Noah foi o que me manteve firme.
— E você fez um ótimo trabalho, ainda faz.
— Obrigada. — Ela falou olhando para o prato vazio a sua frente.
— É verdade. — Dei um rápido aperto em sua mão chamando sua atenção para mim. — Ele é maravilhoso e você deveria se orgulhar.
Ela voltou a sorrir e quando o garçom colocou a conta na mesa, o clima já estava leve de novo.
Ao estacionar em frente à sua casa, só conseguia pensar que queria estender a noite e passar mais horas conversando com Bella. Andei ao seu lado até a porta, atento para qualquer sinal de que ela precisaria de ajuda para se locomover.
Quando paramos, ela apoiou as muletas na parede e se virou em minha direção. Dei um passo me aproximando e entrelacei meus dedos nos seus, enquanto a outra mão acariciava sua bochecha.
— Me diverti muito hoje — falei apoiando minha testa na dela.
— Eu também. Eu te convidaria para entrar, mas tenho uma babá para dispensar.
— Não tem problema. — Baixei a cabeça e beijei sua bochecha.
Ela virou o rosto e nosso lábios finalmente se encontraram num beijo tão esperado que o senti em todo o meu corpo. Sua boca era macia na minha e quando seus braços envolveram meu pescoço e a senti se moldar junto a mim, aprofundar o beijo foi inevitável. Ficamos mais alguns minutos apenas curtindo a presença um do outro e quando a senti afrouxar o abraço, sabia que era hora de ir.
— Você tá livre aman...
— Sim — respondi antes mesmo dela terminar a pergunta.
Ela riu e segurou a parte da frente da minha camisa.
— Então vem amanhã pela tarde.
— Não precisa chamar duas vezes.
Sua mão demorou para soltar minha camisa e fiquei feliz em saber que não era o único que não queria que o momento acabasse.
— Até amanhã, Edward.
— Até.
Com um último beijo rápido, virei as costas já contando as horas para vê-la novamente.
XXX
Cheguei na casa de Bella no horário combinado e ainda pensando no final do nosso encontro. Apesar de desejar uma repetição do beijo do dia anterior, havia me preparado para a possibilidade de não acontecer nada, pois Noah estaria conosco.
Nós não havíamos conversado ainda sobre o que contar para ele, mas era evidente que ainda estávamos nos estágios iniciais da relação, ainda nos conhecendo, e não seria esperto exibir demonstrações de afeto sem pensar no impacto que teriam nele.
Noah me considerava seu amigo e se por acaso esse possível relacionamento com Bella não funcionasse, eu não queria sair totalmente da vida dele. Estragar essa amizade não é uma possibilidade.
Eles me receberam com a mesma alegria e carinho das outras vezes e estava cada vez mais fácil me acostumar com aquela dinâmica. Brincamos por algumas horas e quando o garotinho pediu para ver um filme, aceitei empolgado, pois a ideia de ficar largado no sofá depois de gastar tanta energia era mais que bem-vinda.
Estávamos quase no fim de Procurando Nemo, Noah estava ao meu lado no sofá e Bella tinha ido pegar comida. A cena em que Nemo e seu pai finalmente se reúnem estava passando quando notei que Noah não estava mais comentando animado como vinha fazendo o filme todo, achei que ele ia ficar feliz com o reencontro, mas quando olhei para o lado para checar, ele olhava para a televisão com uma expressão séria e mordendo de leve a unha do dedão direito.
— Ei, Campeão — falei baixo. — Que aconteceu?
Noah só deu de ombros e eu soube com certeza que algo estava errado, ia chamar Bella, mas erguendo o pescoço em direção à cozinha, vi que ela estava ocupada.
— Você não ficou feliz que eles se acharam? — Virei na direção dele apoiando o cotovelo esquerdo no encosto do sofá, enquanto esperava ele se sentir à vontade para falar.
— Fiquei, é que... eu também queria que meu papai me encontrasse.
Droga. Desde que conheci Noah, essa era a primeira vez que ele havia mencionado o pai. Normalmente ele era tão feliz e leve que eu até esquecia que uma parte importante de sua vida estava faltando. Isso e o fato de Bella ser sempre tão presente e atenciosa, era fácil pensar que ele não sentiria falta de um pai.
Mas eu também fui uma criança que perdeu o pai e ver o olhar triste de Noah me lembrou o quanto pode ser difícil lidar com esse tipo de situação. Por outro lado, tendo passado por uma experiência semelhante, talvez eu conseguisse ajudá-lo de alguma forma. Pausei o filme e olhei seu rostinho, pensando no que podia falar para levar seus pensamentos de volta para o lugar alegre em que costumam estar.
— Onde você acha que ele tá agora?
— Hum... — Ele olhou para a imagem congelada na televisão por um tempo e depois volta a olhar para mim. — Eu acho que ele tá voando.
— Voando? Parece legal — comentei. — Por que você acha isso?
— Porque a mamãe falou que ele tá no céu.
— Vai ver ele tá até com meu pai — disse com um leve sorriso.
Não era sempre que eu pensava no meu pai, mas a imagem dele voando despreocupado era mesmo divertida de imaginar.
— Ele tá no céu também?
— Sim, eu era um pouco mais velho que você quando ele se foi.
— E você sente saudades?
— Sinto, mas na verdade, eu não me lembro muito bem dele.
— Eu também não lembro do meu, mas a mamãe me mostra fotos. — Ele disse um pouco mais animado. — Mas, Eduald, mamãe você tem, né?
— Tenho — ri —, ela chama Esme e aí quando eu ficava triste, eu falava com ela.
— Então se eu tiver triste, eu falo com a mamãe
— Isso. Ou com o vovô. E você pode falar comigo também.
Noah apenas assentiu e voltou sua atenção para a TV, eu apertei play no controle e quando me acomodei no sofá, ele chegou mais perto de mim e encostou a cabeça no meu braço. Passei meu braço por seus ombrinhos e ficamos assim mesmo depois de Bella voltar para a sala com alguns lanches.
Quando o filme acabou, Noah quis desenhar e depois de um tempinho parecia ter voltado ao seu estado alegre. Bella, que não tinha comentado nada durante os minutos finais do desenho, veio para o meu lado e, aproveitando que Noah estava distraído, perguntou se algo tinha acontecido para ele ter ficado tão quieto.
— Sabe a cena que o Nemo e o pai se reencontram?
— Sim... — Ela respondeu estreitando os olhos.
— Ele disse que queria que o pai dele encontrasse ele também.
Bella suspirou e olhou de esguelha para o filho, que estava sentado no chão enquanto desenhava apoiado na mesinha de centro. — Não achei que ele fosse pensar nisso. O que você falou?
— Que meu pai também tava no céu e que se ele ficasse triste que falasse com você... Ou comigo — acrescentei a olhando com cautela. — Tudo bem?
— Claro — sorriu e apertou minha mão.
Ri lembrando da pergunta dele,
— Ele perguntou se eu tinha mãe.
Bella gargalhou chamando a atenção de Noah fazendo-o parar de desenhar por alguns segundos.
— E você disse o quê?
— Que sim, ué. Inclusive, — continuei, a ideia surgindo na minha cabeça naquele momento —, queria apresentá-lo para Dona Esme, se você concordar.
— É?
— Sim, não precisa ser agora, mas vocês estão se tornando uma parte importante da minha vida. Eu quero que ela conheça quem vem melhorando meus dias.
Bella jogou os braços ao redor do meu pescoço e me abraçou forte, mal me dando tempo de registrar sua ação. Não ficamos abraçados por muito tempo, só o suficiente para a morena sussurrar no meu ouvido "você melhora nossos dias também". Meu coração bateu mais forte com sua declaração simples e naquele momento prometi para mim mesmo que faria o que fosse necessário para ver os dois sempre felizes.
XXX
Mesmo estando em remissão completa há alguns anos, Esme sempre fazia exames com frequência para ficar atenta a qualquer possível mudança. Dessa vez ela ia fazer uma endoscopia e me pediu para acompanhá-la porque ia precisar de anestesia e não conseguiria voltar para casa sozinha.
Observando o ambiente hospitalar, eu pensava na carreira que não segui, mas tanto tempo havia passado desde que estudar medicina era uma possibilidade que, apesar de ainda ter essa vontade em mim, tentar agora parecia uma realidade muito distante.
— Tá tudo bem, filho?
— Sim, só pensando.
— Sobre a Bella? — Minha mãe perguntou franzindo um pouco a testa.
— Não, não. Umas coisas de trabalho — falei evasivamente.
Esme não insistiu e ficamos em silêncio até seu nome ser chamado.
No consultório onde seria realizado o exame, um médico de cabelos loiros, e que parecia ter a idade da minha mãe, ergueu a cabeça assim que entramos.
— Boa tarde, podem se sentar. — Ele nos cumprimenta apontando para as cadeiras em frente à sua mesa.
— Boa tarde, — Esme fala enquanto se senta. — Eu jurava que tinha marcado consulta com a Dra. Carmen?
— A Dra. Carmen aceitou um trabalho em Miami. Eu achei que os pacientes dela sabiam que ela não trabalhava mais aqui. — O médico explicou surpreso.
— Eu sabia, mas não esperava que fosse tão cedo, quando marquei a consulta ainda era com ela.
— Oh, ela teve que começar antes do previsto. Eu sou Dr. Carlisle. — Ele apertou a mão de Esme e logo em seguida a minha.
— Esme e Edward Cullen — falei.
— Bem, muito prazer em conhecer vocês. Eu assumi todos os pacientes da Dra. Carmen, mas se a senhora por acaso quiser mudar, não tem problema, é só avisar na secretaria que eles te encaminham para outro.
— Não, não. Não é necessário. — Ela se apressou a explicar. — Eu só fui pega de surpresa.
— Claro — respondeu.
Como era um exame que Esme já havia feito outras vezes, nós dois sabíamos como funcionava e eu havia entrado apenas para cumprimentar a médica que acompanhava minha mãe há anos.
Olhei para Esme para confirmar que estava tudo bem e que a mudança de médico não a perturbara de alguma forma e, para minha surpresa, ela estava com um leve rubor nas bochechas. Antes que eu pudesse comentar qualquer coisa, Dr. Carlisle perguntou se poderiam começar e eu logo saí do consultório.
Fiquei na sala de espera ainda contemplando a possibilidade de seguir meu sonho e quando percebi, Esme já estava sentando na cadeira ao meu lado e o médico estava em pé a nossa frente.
— Correu tudo bem?
— Sim, tudo em ordem. O resultado sai na próxima semana, mas já adianto que não tem nada para se preocupar — garantiu.
Esme, ainda sonolenta apoiou a cabeça no meu ombro e sorri já antecipando alguma pérola. Sempre que ela saía desse tipo de exame, falava algo sem sentido que rendia boas risadas para mim e muita vergonha para ela. Da última vez ela tinha falado mal da decoração do hospital.
— Tá se sentindo bem, mãe?
— Ótima — respondeu lenta. — Melhor endoscopia.
— Bom, vou deixá-los, então. — Dr. Carlisle falou e antes que começasse a andar em direção ao seu consultório, Esme falou:
— Mas é cedo.
Vi o esforço dele para manter o semblante sério, mas seus olhos tinham um divertimento por trás.
— Vocês têm que conversar. — Esme continuou. — Conversar sobre medicina.
— Mãe, ele já avisou que tá tudo certo com a senhora.
— Não, não. — Ela falou grogue e virou em direção ao loiro. — O meu filho vai ser médico. Vai ficar bonitão de jaleco. — Depois virou para mim e falou num volume nada discreto. — Bonitão igual ao Dr. Carlisle.
Não consegui segurar o riso com a descompostura dela, ela provavelmente se arrependeria de ter falado essas coisas na frente dele, mas eu devia confessar que estava me divertindo. Olhei para o Dr. Bonitão e dessa vez ele não disfarçou o sorriso.
— Com licença — falou e com um último aceno de cabeça para nós, se afastou.
À noite, aproveitei a oportunidade para zombar um pouco da tarde da Dona Esme. Ela ainda não tinha comentado sobre o pós exame, então achei que não lembrava o que tinha dito.
— Conseguiu descansar depois do exame? — perguntei durante o jantar.
— Sim, acordei do cochilo revigorada, e pelo menos dessa vez não falei besteira no hospital — falou orgulhosa.
— Mesmo? Achei que a senhora ia ficar com vergonha de ter dado em cima do médico...
— O QUÊ? — Ela me interrompe com os olhos arregalados. — Eu não fiz isso!
Eu quase cuspi a comida ao rir da expressão dela.
— Você literalmente o chamou de bonitão.
— Não! — seu rosto ficou vermelho me fazendo rir mais ainda.
— Parece que alguém tem um crush — comentei balançando as sobrancelhas do mesmo jeito que Emmett gostava de fazer e ela revirou os olhos.
Se eu já desconfiava que Esme tinha sentido algum interesse pelo médico, sua reação agora me provou estar certo. Eu nunca tinha pensado muito na vida amorosa dela, já que em todos os anos desde que meu pai faleceu ela nunca tinha se envolvido com ninguém. Depois de um tempo eu concluí que ela apenas tinha deixado essa parte da vida dela para trás.
Vê-la demonstrar esse tipo de reação com o Dr. Carlisle era tanto engraçado quanto surpreendente. Eu estava só brincando com ela, mas se por acaso ela resolvesse investir nesse lado de sua vida, eu a apoiaria. Decidi mudar de assunto e acabar com a tortura.
— E você falou também que eu ia ser médico.
— Ah, mas isso aí não é besteira, você vai ser mesmo.
— Mãe...
— Por que não, Edward? — Ela continuou. — Eu nunca vou poder agradecer o suficiente por tudo que você fez quando eu estava doente.
— Não precisa agradecer, mãe, não tinha outra coisa a ser feita.
— Claro que precisa, principalmente quando você abriu mão do seu sonho.
— Tá tudo bem, mãe. Não era pra ser — falei baixando meu olhar para o prato.
— Eu acho que você deveria tentar de novo. Graças a Deus meu quadro está estável e nós estamos numa situação financeira melhor. Você pode procurar bolsas ou a gente se vira com empréstimos estudantis. Não desiste do seu sonho não.
— Será? Bella também falou que não era tarde demais para eu tentar.
— Viu? Pensa nisso.
Terminamos o jantar com assuntos mais descontraídos, mas a ideia de entrar na faculdade não saiu da minha cabeça.
XXX
Duas semanas depois finalmente consegui marcar um dia para apresentar Bella e Noah à Esme. Eu não poderia estar mais satisfeito com a minha vida, meu relacionamento com Bella só melhorava e nós estávamos cada vez mais próximos um do outro. Noah também nunca reclamava de eu estar sempre por perto, ao contrário, sempre pedia para eu ficar mais um pouco. Se ele já tinha ganhado meu coração só pelo telefone, agora ele era uma parte essencial da minha rotina.
No trabalho, apesar de ter atendido outras ocorrências mais graves, nenhuma me marcou tanto. Acho que depois da de Bella, nenhuma outra jamais teria o mesmo impacto, por mais diferente e inesperada que fosse.
Bella havia me mandado mensagem mais cedo perguntando se devia trazer algo em especial para agradar minha mãe, dizendo que não queria fazer feio na frente dela, mas mal sabia ela que estava se preocupando à toa, pois já tinha ganhado minha mãe não só com sua habilidade culinária, mas com o fato de que me fazia muito feliz.
Eles chegaram na minha casa às seis horas da noite e, mesmo comigo garantindo que não precisava trazer nada, Bella apareceu carregando uma cesta com muffins e cookies. Ela finalmente tinha tirado o gesso do pé e era ótimo vê-la se movimentar sem me preocupar se estava prestes a cair.
Minha mãe apareceu segundos depois de eu ter fechado a porta, tão empolgada que estava praticamente pulando sem sair do lugar.
— Bella, essa é minha mãe, Esme — disse apontando de uma para a outra. — Mãe, estes são Bella e Noah.
O pequeno veio logo para o meu lado segurar minha mão enquanto minha mãe envolveu Bella num abraço meio desengonçado porque a cesta de comida estava entre as duas.
— Querida, é um prazer finalmente te conhecer — falou soltando Bella do abraço.
— O prazer é todo meu, Esme. — A morena respondeu um pouco corada da atenção que estava recebendo. — Eu trouxe uns doces para vocês.
— Não precisava! — Esme disse ao mesmo tempo que tomava a cesta das mãos de Bella.
— Precisava sim! — eu protestei fazendo Noah rir ao meu lado. Esme então olhou em sua direção e, depois de me entregar a cesta, se abaixou a sua frente.
— Oi Noah, tudo bem? — Esme falou carinhosa. — Eu sou a Esme, mãe do Edward e eu tô muito feliz em te conhecer.
— Oi, Esme — Noah respondeu sorrindo. — Você vai brincar comigo também? Que nem o Eduald brinca?
— Claro!
Aparentemente sua resposta foi suficiente para ganhar a confiança de Noah, pois assim como tinha feito comigo, ele recebeu minha mãe de braços abertos. Literalmente, já que no mesmo segundo ele passou os bracinhos ao redor do pescoço dela. Ainda abaixada, Esme ergueu a cabeça para mim e seus olhos mostravam quão feliz e emocionada ela estava com o gesto.
— Bem, eu vou levar nossa sobremesa para a cozinha. — Eu disse indo em direção ao cômodo. Esme logo se levantou e, segurando a mão de Noah, me seguiu parando na sala de jantar. Quando voltei, os três estavam em pé ao redor da mesa.
— Podem ficar à vontade. — Esme falou. Eu me sentei na ponta, Esme à minha direita e Bella à minha esquerda.
— A gente não vai brincar agora? — perguntou Noah sem querer se sentar. Bella riu e negou com a cabeça enquanto apontava para a cadeira ao seu lado, ele logo entendeu o recado e sem reclamar se sentou.
— O cheiro está maravilhoso, Esme. — Bella comentou enquanto servia a comida no prato de Noah.
— Obrigada — respondeu. — Espero que goste do tempero!
A comida estava uma delícia e todos elogiaram, inclusive Noah, para o deleite de Esme. Surpreendendo ninguém, a sobremesa também estava ótima e antes que Noah perdesse totalmente a paciência fomos para a sala de estar brincar com ele. Bem, minha mãe ficou com essa missão enquanto Bella e eu ficamos abraçados no sofá nos atualizando das novidades que não tinham sido ditas por telefone. Apesar de agora os visitar uma ou duas vezes durante a semana, eu parecia sempre ter algo a partilhar com Bella.
Entre uma brincadeira e outra, Esme fazia perguntas a Bella sobre seu negócio, sua família, seus passatempos e ao longo da conversa, senti a morena relaxar em meus braços, finalmente entendendo que não tinha mesmo motivo para ficar apreensiva.
Me deixou feliz ver duas pessoas tão importantes para mim estavam se dando bem. Três, se eu contar o garotinho brincando feliz no chão da sala. Depois de alguns minutos, ele se juntou a Bella e a mim no sofá, e pela forma como ele veio para o meu colo e apoiou a cabeça no meu ombro, eu soube que já estava cansado.
— Acho que esse é nosso sinal para ir embora. — Bella falou apontando com a cabeça para Noah.
— Eu não quero ir agora. — Noah reclamou sonolento.
— Tá quase hora de dormir, campeão.
— Mas eu quero brincar mais.
— Noah... — Bella começou a chamar sua atenção, mas logo Esme apareceu.
— A gente pode brincar mais outro dia, Noah — falou animada.
— É?
— Claro, pode vir quantas vezes quiser!
— Então tá, — ele concordou. — Mas eu volto.
— Noah! — Bella o repreendeu e abaixou a cabeça, colocando a mão na testa, mas minha mãe e eu rimos porque a verdade é que queríamos mesmo que eles voltassem. Beijei o topo de sua cabeça e Bella olhou pra mim com o rosto vermelho, mas depois sorriu meu sorriso especial e soube que sua vergonha já tinha passado.
Bella chamou um carro por um aplicativo do celular, pois ainda não estava dirigindo e ficamos esperando na frente de casa. Quando o carro chegou, me despedi com um selinho em Bella, que não pareceu afetar Noah, e um beijo na testa dele.
Ao ver o veículo se afastando não pude deixar de pensar que mesmo que parecesse cedo demais, o sentimento transbordando do meu coração não podia ser outro a não ser amor. A cada dia eu sentia mais e acreditava que era recíproco. A cada dia eu prometia a mim mesmo ser alguém melhor por aqueles dois. E a cada dia crescia a certeza de que sempre apoiaríamos um ao outro, que o futuro nos reservava muitas possibilidades, e em todas elas eu nos via unidos e felizes.
