Disclaimer: Harry Potter não pertence à mim, mas à tia Jo, Warner Bros. e quem mais faça dinheiro com isso. Escrevo apenas por diversão.


- Tudo bem, eu não vou insistir. Não hoje, Evans. Aliás, quer saber? Eu não vou insistir mais. Chega um momento na vida de um homem que ele tem que entender que não é recíproco e, bem, talvez hoje seja esse dia. A gente se vê por aí.

E, com um aceno, James Potter deu às costas e alguns passos antes de congelar onde estava, a última palavra da ruiva ecoando, irreal, em sua mente.

Ele girou o corpo e a encontrou parada no mesmo lugar, as mãos nos bolsos das vestes.

- Hã... Ei, Evans. - Ele caminhou vagarosamente na direção da garota, passos incertos - O que foi que você disse?

- Sim.

- E você disse sim pra...?

Ela arqueou uma sobrancelha, mas não segurou o riso.

- Francamente, Potter... Sua pergunta. O encontro. Se você me disser exatamente quando e onde.


Se James não havia pensado em levá-la a um lugar menos cheio de estudantes que o "Três Vassouras"? Ele havia, sim, obviamente, mas se todos os seus anos de rejeição haviam sido públicos, também pública seria a sua vitória: sob olhares que sequer tentavam disfarçar seu interesse (e, ocasionalmente, alguma decepção), ele e Lily tinham seu primeiro encontro e a primeira conversa em que ela parecia descontraída, a despeito de toda a atenção.

- Uau. Quer dizer, é praticamente um quadribol jogado apenas chutando a goles. - O garoto parecia genuinamente impressionado. - Caramba, trouxas realmente conseguem se divertir, mesmo sem magia. Eu adoraria jogar isso. Como se chama mesmo?

- Futebol. Mas não sei se teria a mesma graça pra você se não pudesse ser o jogador com a função mais importante do time.

Ela não disse aquelas palavras para ofendê-lo, nem por isso eram menos dolorosas; afinal, elas, saídas tão naturalmente, representavam o que ela, por fim, ainda pensava a seu respeito.

- Sabe, Evans... - Ele sacudiu a cabeça. - Lily, - ele abaixou sua voz, aproximando-se dela para falar - eu não sou só isso que você pensa de mim.

- Eu não posso conhecer um James Potter ao qual não fui apresentada.

Mesmo em meio a tantas pessoas, ele conseguiu rapidamente chegar ao balcão, pagar e retornar à mesa, estendendo a mão para Lily e guiando-a com firmeza para longe da multidão. Mas, uma vez do lado de fora, ele prontamente a soltou, correu a mão pelo suéter e, tirando de lá um pergaminho velho, levou-a um beco escondido, apontou sua varinha para ele, sussurrou algo e, para a surpresa dela, vários nomes surgiram, caminhando sobre o papel.

- Mas o quê...?

- Bem, - James a interrompeu - o quão corajosa Lily Evans se sente hoje?

- O suficiente pra ir a um encontro com o garoto mais conhecido da escola no lugar mais frequentado de Hogsmeade.

James não pôde segurar a felicidade que encheu seu peito ao ouvir dos lábios dela estava em um encontro com ele, mas segurou a mão que corria a lhe despentear os cabelos na metade do caminho, parando-a atrás do pescoço, como se pensasse. Ele se lembrava bem de como ela detestava esse seu hábito, como ela mesma havia dito, presunçoso.

- Ei, Pott- digo, James - ela revirou os olhos ao ver o largo sorriso no rosto do outro à menção de seu primeiro nome, sem conseguir conter que um outro a entregasse, lhe escapando dos lábios -, você consegue pensar mais rápido? 'Tá começando a nevar.


Lily não havia mentido ao dizer que era corajosa. Ela teria entrado na Casa dos Gritos sob quaisquer outras circunstâncias, mas estar completamente sozinha com James, assim, tão longe de todos, a deixava nervosa.

Isso explicaria a distância de alguns metros entre eles, bem como o silêncio que, passados alguns minutos, foi James quem rompeu:

- Eu entendo se não quiser ficar sozinha comigo. Mas o James que não conhece se sente mais à vontade longe das outras pessoas, se 'tiver OK pra você. Se preferir, podemos ir ao Madame Puddifoot...

Ela fez uma careta e ele riu. No silêncio da casa, sua risada ecoou.

- Madame Puddifoot é tão... encontro. Tão oficial.

- E isso não é um encontro oficial? - A voz dele saiu mais magoada do que pretendia.

- Bem, é a minha primeira vez em um encontro a essa distância em uma casa abandonada.

James se sentou ao seu lado, suas pernas quase se tocando, e tomou a mão dela entre as suas. O silêncio voltou a pairar entre eles, mas, dessa vez, era a quietude de quem se conhece há tantos anos que não era preciso preenchê-lo com palavras.

(Ele se perguntava se ela também conseguia ouvir o estrondo que seu coração fazia, batendo forte em seu peito.)

Sob as suas, a mão dela parecia tão pequena, ele pensou, concentrado nela. Comparou-as, pondo a dela sobre a sua, e ficou alguns segundos acariciando-a, antes de entrelaçar seus dedos. Estava tão distraído que quase não percebeu os olhos verdes que o encaravam fixamente, como se perguntassem no que pensava.

Ele soltou sua mão e a puxou para perto com um braço, que permaneceu ao seu redor, e deixou sua cabeça pender sobre a dela, sentindo o perfume de seus cabelos cor-de-fogo.

- Pra mim, esse é um encontro oficial.

E, pela primeira vez, ela relaxou sob seu corpo, puxou para si a mão que ele tinha livre e a acariciou, passando as pontas de seus dedos pela extensão dos dele.

Tendo perdido completamente a noção, nenhum dos dois seria capaz de dizer quanto tempo havia se passado ou como exatamente ela acabara sentada por entre as pernas dele, envolvida em seus braços. Mas, quando James deu por si, apertou-a contra o peito, como tivesse medo de que pudesse fugir quando passasse o transe em que ambos pareciam estar.

Para sua surpresa, ela se aninhou ainda mais em seu corpo e ele viu nada além de seus olhos profundamente verdes quando puxou seu rosto com as mãos e pousou os lábios sobre os dela, sem saber se eram, ou não, os seus que estremeciam.

James Potter, nascido e criado entre bruxos, conheceu a magia em um fim-de-tarde próximo ao Natal.