Liam precisou controlar-se para não ir atrás de Jano Thickey ou de Janeth Mirren para saber mais sobre o que tinha acontecido naquela tarde.
A selecionada não saiu do quarto por dias, o que provavelmente tinha sido recomendação médica, então ele não questionaria. Apesar da sua curiosidade, ele tentou convencer-se de que teria bastante tempo para conversar sobre isso depois. Ela não tinha sido eliminada por problemas de saúde, nem tinha pedido para voltar para casa.
Ele deixou a papelada de lado alegremente, era uma boa vantagem da Seleção, não precisar preocupar-se com isso. Quem seria o rei de Illéa seria Petuel, já era hora de seus pais cobrarem dele. O seu irmão não tinha comparecido às refeições desde aquele dia, e foi só através de um informe que ele descobriu que Petuel tinha saído de Illéa com Veta sem dizer nada.
Só esperava que isso não foi uma deserção. O mais provável era que sua mãe tivesse arrumado algo para eles fazerem, considerando a sua revolta no dia que anunciaram a Seleção. Ele nunca conseguiria sair de Illéa sem que seus pais soubessem — e, sinceramente, mesmo que não fosse o caso, Liam já estava cansado de ficar se estressando e preocupando pelo seu irmão mais velho.
Os informes também trouxeram uma novidade bem preocupante para ele, que fez com que ele decidisse dar um tempo do escritório, focando nos encontros que precisaria ter até o próximo Jornal Oficial de Illéa, onde as selecionadas seriam entrevistadas pela primeira vez.
Um grupo rebelde de fora do país surgiu realizando alguns ataques nas províncias mais pobres, ao sul. Eles matavam várias pessoas nesses ataques e sempre deixavam uma pichação de uma cobra nos muros das ruas devastadas.
Gostaria de pensar que, pela primeira vez na vida, Petuel estava cuidando de um assunto do povo, mas duvidava muito que ele tivesse feito uma viagem para Dominica. Talvez estivesse tendo alguma lua de mel adiantada com Veta, já que o casamento deles tinha sido adiado em prol da Seleção de Liam.
Como se ele fosse esperar para casar-se junto com o irmão... O mais provável era que os dois arrumassem uma bomba para jogar no colo da rainha.
— Está preocupado.
Liam piscou os olhos, tentando voltar a focar onde ele estava.
Queensley olhava-o, esperando por uma resposta. Pensou que tinha sido convincente em fingir que estava ocupado demais em observar a pelagem do cavalo para disfarçar a sua distração — mas, de fato, quem ficava tanto tempo fazendo isso?
— É difícil não estar — ele respondeu, tentando aparentar tranquilidade — Alguma vez você já pegou um caso que revirou a sua cabeça e você não pôde dormir, só pensando nele?
Ela concordou.
— Uma criança de cinco anos foi pega roubando comida da despensa das casas mais ricas de Hansport. Ela era uma Três. Os pais dela eram pesquisadores, trabalhavam em um laboratório especialista em criação de vacinas e medicamentos — Queensley contou, os olhos fixos em algum lugar longe do estábulo — Você sabe o que aconteceu. Foi ano passado.
Eram tantos informes sobre as trinta e cinco províncias que era difícil de lembrar de tudo, por mais que tentasse.
— Nenhum parente distante ou amigo da família quis ficar com ela. Ela virou uma Oito. Estava roubando para ter o que comer. Nenhuma criança deveria ter que passar por isso, ainda mais com tantos Três e Dois querendo ter filhos e não conseguindo.
Ele conseguia ver o porquê de ter mexido tanto com ela. Era o tipo de história trágica que poderia ter sido evitada de acontecer, mas que não foi. Além do mais, furto era um crime, mas como ela poderia prender aquela criança por tentar se manter viva?
— Quanto maior a casta, mais cedo as crianças têm que trabalhar — disse Queensley.
Era surpreendente que alguém da Três tivesse uma noção tão grande da diferença de classes que as castas trazia para as pessoas. Não apenas isso, mas que se preocupasse verdadeiramente com essa questão, em vez de simplesmente ignorar por não querer mudar a sua realidade.
— Você está certa — concordou Liam, sem saber o que dizer.
— E você? Está preocupado com o quê? — Queensley perguntou.
Ele não deveria falar sobre assuntos do reino com selecionadas, mas não é como se os ataques não fossem voltar a acontecer e todos em breve saberiam.
— Ataques rebeldes — ele respondeu.
— Faz muito tempo desde que um ataque aconteceu — ela refletiu — O grupo não tinha sido desmantelado?
Apesar de não concordarem com as atitudes e ideias dos grupos rebeldes, era muito difícil falar sobre as mortes deles tão levianamente. Ainda eram pessoas, apesar de terem praticamente se jogado em frente às armas das tropas. Se eles pensavam que se tornariam mártires de alguma causa, estavam errados.
Eles tinham decidido que se não houvesse suficientes das castas Dois, Três, Quatro e Cinco, os monarcas seriam obrigados a subir algumas pessoas de casta para equilibrar o sistema. Por isso, as pessoas não sentiram exatamente pena depois que o grupo foi extinguido.
— Não tenho ideia de qual é a motivação dessa vez — Liam disse — Eles não são de Illéa. Há registro de ataques fora do país desse mesmo grupo.
— Não poderiam ser imitadores? — sugeriu Queensley.
— É uma possibilidade — aceitou — Infelizmente estamos no escuro.
— Também estavam quando o grupo da última vez surgiu. É só questão de tempo. Tenho total fé na competência de vocês.
O problema era que, quanto mais tempo se passasse, mais mortes aconteceriam. Ele deveria ao menos enviar tropas para Dominica, ver se conseguiam acabar com isso enquanto ainda era tempo.
Não disse isso a ela.
— Colibri gostou de você — ele apontou para o cavalo, mudando de assunto.
Queensley sorriu, aceitando o fim da conversa.
— Certo, vamos fazer o que viemos fazer.
Após cavalgar com Queensley, Liam voltou para o castelo para tomar um banho e então, talvez, sair em outro encontro. Estava se sentindo um pouco cafajeste com aquela rotina, mas ele estava sendo obrigado, em sua defesa. Ele não pediu para ter uma Seleção, ainda mais podendo oferecer pouco em comparação ao que Petuel ofereceu a Veta.
Estava caminhando pelo corredor do primeiro andar quando viu Pomona descer as escadas. Ele precisou de apenas alguns segundos para se lembrar que ela era uma das criadas da selecionada que passou mal.
— Ei, ei, ei! — ele apertou o passo — Pomona!
A empregada cruzou os braços, levantando uma sobrancelha para o príncipe.
Das empregadas do castelo, Pomona era a sua favorita. Tinha sido uma das que cuidou dele por mais tempo durante a sua pré-adolescência. Apesar de inflexível em relação a algumas coisas, ela tinha um grande coração.
— Isso é modo de tratar uma criada, Alteza? — ela deu a bronca nele.
— Pomona, por favor, eu preciso da sua ajuda — ele juntou as suas mãos, como se fosse uma prece — Você está cuidando da senhorita Janeth, não é?
— Você tem claros problemas com sobrenomes — Pomona revirou os olhos, apesar de não estar realmente incomodada — E ela não gosta de ser chamada assim.
Ele sempre se esquecia disso.
— Certo, certo, a senhorita Jane — ele corrigiu-se — Ela está bem? Vai poder voltar a tempo do Jornal Oficial de Illéa?
— Sim, ela está bem recuperada — Pomona respondeu — Ela, na realidade, não aguenta mais ficar na cama, então sim, ela vai voltar para o Jornal Oficial.
Era um alívio. Tinha temido que ela precisasse de mais tempo para se recuperar, isso ia prejudicá-la e muito.
— Pode fazê-la ficar no quarto até que eu vá buscá-la? — Liam pediu.
Então ela entendeu qual era o seu plano.
— Vou ver o que posso fazer — ela respondeu, sorrindo discretamente.
Apesar disso, ele sabia que ela ia ajudá-lo.
Os dois seguiram o caminho deles.
Assim que saiu do banho, ele voltou a caminhar pelos corredores do castelo. Algumas selecionadas estavam em uma roda conversando, sendo vigiadas pelos guardas, que não podiam deixá-las sair para os jardins. No geral, era assim.
Mas uma das Sete, Severina Snape, ficava sempre sozinha, afastada desses grupos. Ele queria deixar a Seleção mais justa, sem trapaças em sorteios e tratando igualmente as castas mais altas e mais baixas — apesar de sua vontade de eliminar todas as Dois e Três instantaneamente —, mas era inevitável o grande abismo entre as selecionadas.
Ela talvez não conseguisse se encaixar nos grupos que já pareciam pré-estabelecidos — o de Jane, o de Lucy e alguns outros menores. Ela não combinava com nenhum deles.
Apenas duas Sete foram sorteadas, ela foi uma delas.
— Senhorita Snape — ele cumprimentou-a.
Severina não levantou o rosto, estava descascando o esmalte das unhas, sentada no chão mesmo. Ele resolveu seguir o seu exemplo e captou uma expressão de surpresa por parte dela, antes que ela voltasse à indiferença.
— Não gostou da cor? — Liam tentou brincar.
— Não vejo a utilidade de pintar as partes do corpo — ela respondeu.
Parecia estar se referindo à maquiagem também.
— Eu também não — ele deu de ombros, apoiando a cabeça contra a parede —, mas nem tudo na vida tem utilidade. Ou talvez tenha, mas a gente não consegue enxergar.
— Utilidade de agradar? — Severina disse, um pouco debochada — Como se isso bastasse...
— Não precisa fazer isso se não quiser — Liam franziu um pouco o cenho.
Ele não estava entendendo muito a conversa que estavam tendo. Snape era calada demais e quando falava, não explicava muito as coisas que dizia.
— Nem você acredita nisso — ela conseguiu arrancar um último pedaço de esmalte do dedo médio e então levantou-se do chão.
Liam continuou sentado no chão, olhando para a parede, por um tempo.
Se contasse a Marlin sobre aquela conversa, ele diria que a garota era pirada — e isso porque ele não tinha conversado com Chernobyl Lovegood por mais de trinta segundos.
Escutou o som de salto alto ecoando no chão do castelo e viu as selecionadas dispersarem-se. No entanto, ele continuou sentado e apenas sorriu quando Minerva parou à sua frente. Ela não disse nada, apenas apertou os lábios, demonstrando seu descontentamento e ele levantou-se.
— Deveria arrumar-se para o Jornal Oficial, Alteza — ela sugeriu-o em tom de ordem.
— É claro, Madame — ele abaixou a cabeça brevemente, como se estivesse reverenciando-a, antes de afastar-se.
Pôde escutá-la soltar um som exasperado pela boca.
— Eu não sei como vou sobreviver a mais essa Seleção — McGonagall resmungou.
Jane abriu a porta do quarto parecendo indignada, mas não com ele, aparentemente, já que ela virou-se rapidamente para as empregadas. Liam agradeceu por ela não poder ver a expressão em seu rosto, pois precisou de alguns segundos para recompor-se. Ela estava deslumbrante.
Ele não sabia dizer muito bem o porquê de ter tido a ideia de levá-la para o Jornal Oficial de Illéa naquela sexta-feira, mas a ideia parecia certa. Ela tinha passado mal, ficou dias sem sair do quarto, e agora ela ia sair pela primeira vez. Precisava de algum acompanhamento, embora ela pudesse ter saído com suas amigas.
Por certo, ele perguntava-se o que Pomona teria feito para convencê-las a ir sem Jane. Talvez elas não soubessem que ela iria.
— Vossa Alteza, é uma honra recebê-lo — Pomona o cumprimentou, curvando-se, sendo rapidamente seguida pelas outras duas criadas.
A mais nova era a que Liam não conhecia muito, mas sabia que era bem entusiasta por seu trabalho, ou não teria sido escolhida para cuidar das selecionadas. E ela estava precisando conter-se para não gargalhar diante da expressão de indignação de Jane e as caras de pau de suas colegas de trabalho.
De repente, Liam também precisou conter-se para não começar a gargalhar. Não achava que Jane ia gostar se ele fizesse isso.
— É sempre um prazer vê-la novamente, Pomona — ele a cumprimentou.
Era basicamente um agradecimento por ela tê-lo ajudado. Sim, ele era o príncipe, mas as criadas deviam obediência às selecionadas durante a sua estada no castelo, e Pomona era bem mais do que uma simples "criada", pelo menos para ele.
Jane virou o rosto para ele, parecendo levemente surpresa. Ela não era muito boa em esconder as suas reações, era muito espontânea. Bem, pelo menos um defeito ela tinha.
— Vamos, senhorita Jane? — ele lembrou-se de não chamá-la de "Janeth".
Sem escolha, a selecionada apenas lançou um olhar irritado para as suas empregadas e então eles saíram para o corredor.
Todo o caminho até as escadas no fim do corredor, ele a observou discretamente para não constrangê-la. Ela parecia melhor. O seu rosto tinha recuperado alguma cor que parecia perdida da última vez que se viram. Talvez fosse apenas as tais vitaminas mesmo.
— Fico feliz que esteja melhor — ele disse, conforme eles desciam.
— Agradeço pelo desejo de melhoras, Alteza — ela respondeu, quase que mecanicamente.
Os seus olhos estavam fixos nos degraus, como se não pudesse garantir a si mesma que não tropeçaria em seus pés e cairia.
O silêncio não era exatamente desagradável, mas ele sentia-se um pouco frustrado consigo mesmo. Não era a primeira vez que ficava sem saber como iniciar uma conversa com uma selecionada.
Não era a primeira vez que ficava sem palavras perto dessa selecionada em específico.
Bom, não é como se ele esperasse grandes conversas entusiastas no caminho até o estúdio, que era apenas um andar abaixo do corredor das selecionadas, dentro mesmo do palácio. Aquilo não era um encontro, era apenas um momento.
Assim que entraram, ele virou-se para dizer pelo menos uma última coisa, mas uma funcionária apressou-se na direção deles, ela parecia nervosa até ver o príncipe. Como se ele devesse estar ao lado dos seus pais horas antes da transmissão começar.
— Alteza! O Jornal está quase para começar! — ela exclamou.
Aquilo era um certo exagero. Ele tinha calculado muito bem o tempo que levaria para buscar Jane e descerem as escadas.
Virou-se para a selecionada, mas ela já tinha tirado a mão em seu braço e curvado-se para despedir-se dele, antes de ir em direção às outras selecionadas, então ele não teve escolha senão seguir até onde os seus pais estavam.
Sua mãe claramente continha-se muito para não comentar nada quando o via com outras selecionadas, como quando ele foi até ela depois do seu encontro com Chavelle. Mesmo assim, ela não era nada discreta. Assim que ele sentou-se em seu lugar, ela virou o rosto para que ele não visse o seu sorriso e evitou olhar para o seu pai, como se eles estivessem conversando antes de sua chegada.
Com certeza estavam.
Seu pai, ao contrário dela, parecia um pouco preocupado, mas eles não tiveram tempo para conversas. Uma funcionária veio rapidamente passar um pó no rosto deles para que a testa não ficasse brilhosa sob as luzes dos holofotes do estúdio.
Ele lembrou-se da sua conversa mais cedo com Severina.
O operador da câmera soltou um grito incompreensível e a maquiadora saiu correndo do take, a tempo de não ser pega em rede nacional.
E então Rita Skeeter apareceu com a sua peruca loira extravagante, que ela sinceramente achava que enganava alguém, sorrindo.
— Boa noite a todos, eu tenho um anúncio a fazer: faz exatamente uma semana que a Seleção começou!
Ele conteve a vontade de apoiar o rosto com a palma da mão, mas eles nunca sabiam quando alguma das câmeras auxiliares resolvia virar-se para ver a reação deles diante das palavras ditas.
Por que eles tinham uma apresentadora mesmo? Talvez fosse porque os reis nunca tinham paciência para darem notícias e serem carismáticos ao mesmo tempo. É, pensando bem, ele não gostaria de colocar uma peruca extravagante e gritar para a câmera.
— Cinco garotas já foram mandadas para casa. Agora restam apenas trinta belas mulheres para que o príncipe Liam faça a sua escolha.
Uma das câmeras auxiliares virou-se para ele.
Ele tentou não fazer uma expressão de desgosto, apenas fingindo estar prestando atenção no que Rita dizia, como se nada ao seu redor fosse percebido, para não precisar sorrir.
Pelo menos ele não tinha que passar por aquela situação com Petuel e Veta por perto.
— Semana que vem — Rita disse, depois de alguns segundos em silêncio, fingindo um suspense, como se ninguém tivesse visto a Seleção de Petuel e soubesse o que viria a seguir —, a maior parte do Jornal Oficial de Illéa será dedicada a essas incríveis jovens.
Liam evitou gemer de desgosto, apenas permitindo-se uma fechada lenta de olhos e uma respiração profunda. Ele tinha que ter um encontro com cada uma dessas garotas antes da próxima sexta-feira. Tinha se esquecido desse pequeno detalhe.
Bom, talvez ele pudesse eliminar da lista aquelas que ele já tinha tido um encontro naquela semana, certo? Por favor, que ele pudesse...
Ou talvez ele eliminasse algumas garotas aleatoriamente para não precisar passar por isso. Certo, sem eliminações, ele tinha prometido ser imparcial e justo.
Mesmo assim, algumas selecionadas murmuraram do lugar delas, como se não esperassem por essa notícia. A câmera auxiliar virou-se para elas para gravar suas reações.
Rita então aproveitou para descansar um pouco as pernas e conversar com Liam, os funcionários empurraram uma cadeira para ela em tempo recorde — eles estavam acostumados a ser rápidos, como se fosse um crime para os telespectadores verem-nos aparecendo na tela e entregando partes do cenário. Talvez os dois sentados dessem a impressão de que estavam frente a frente, ele não sabia como funcionava o raciocínio dos operadores de câmera.
— Diga-nos, Alteza, são todas essas jovens gentis e meigas como aparentam ser? — ela perguntou.
Não.
Doralice lançou um olhar para Liam.
— Elas são mais do que isso — ele respondeu a segunda coisa que pensou.
— Que enigmático — Rita sorriu — Sorte a nossa que poderemos tirar as nossas próprias conclusões na semana que vem porque se dependesse de Vossa Alteza...
Ele soltou uma risada sincera.
Não podia evitar. Rita ficava bem irritada com ele quando precisava entrevistá-lo porque ele dizia apenas o necessário. Não era como Petuel que deixava escapar informações que muitas vezes eles precisavam retificar ou desmentir.
Ela deu uma lida rápida no cartão de notícias, mas a Seleção era o principal acontecimento da noite, assim como seria por um certo tempo.
Então, não demorou muito tempo para que ela se despedisse.
— Boa noite, Illéa.
As luzes dos holofotes apagaram-se, mas as luzes do teto permaneceram ligadas para não deixar o estúdio completamente escuro. As câmeras também apagaram-se, recolhendo-se de uma maneira que Liam nunca acharia natural.
E então Liam escutou gargalhadas.
Doralice esqueceu-se completamente que estava tentando não olhar para o marido e filho, expressando o quão atônita estava, a boca levemente aberta, antes de seus olhos seguirem de onde as risadas vinham.
Algumas selecionadas estavam rindo com bastante vontade e as outras dividiam-se entre as que pareciam envergonhadas e até um pouco assustadas com a situação, e as que soltavam algumas risadas fracas automáticas.
Até mesmo Rita desistiu de seguir o seu caminho usual depois do fim das gravações: direto para o seu camarim beber água.
Por uns instantes, todos paralisaram, sem saber o que fazer, tentando entender o que tinha ocasionado aquela crise de risos histéricos.
— Senhoritas! — McGonagall gritou, recuperada — Este não é o comportamento de uma futura princesa!
Algumas das que pareciam por fora da situação e até mesmo constrangidas, levantaram-se, aproveitando que o Jornal tinha acabado para poderem seguir para os seus quartos, mas não saíram do estúdio, como se estivessem esperando pela permissão de Minerva ou algo assim.
Liam perguntou-se o que tinha acontecido de tão engraçado.
