Disclaimer: Harry Potter não me pertence. Pertence à tia Jo, à Warner Bros e quem mais faça dinheiro com isso. Escrevo só por diversão.

Lily Evans descobriu a magia no seu primeiro dia em Hogwarts.

Não que não soubesse, antes; ela mesma fizera alguns pequenos truques acidentais. Havia, também, as inúmeras histórias que Severus lhe havia contado nas muitas tardes que compartilharam, sentados sobre a grama, em que tudo aquilo - o castelo, as aulas e até a própria magia - parecia um sonho distante.

Mas, ali, conforme entrava no castelo com que tantas vezes sonhara, todo o resto parecia... irreal. Era como se todos os seus onze anos de vida a tivessem conduzido para aquele momento e que, ao adentrar o saguão, estivesse dando os primeiros passos para o começo de sua vida.

Se ela conhecesse os rumos inesperados que sua mágica jornada teria, talvez não tivesse soltado tão rapidamente a mão de seu melhor amigo. Entretanto, como acontece em todo começo, ela não poderia imaginar o que a esperava. Por isso, desprendeu-se rapidamente de Severus ao ouvir seu nome ser chamado, mas lhe deu um breve sorriso antes de desaparecer por entre as outras cabeças.

Alguns anos depois, sentada sob a sombra de uma frondosa árvore próxima ao lago, Lily Evans pensaria que ele talvez soubesse, ao ouvir o Chapéu Seletor anunciar "Gryffindor!" após minutos de consideração, que aquela havia sido a última vez que suas mãos haveriam se entrelaçado. Ela teria vontade de questioná-lo, mas a distância que havia entre eles, naquele momento, já não encontrava uma jovem tão inocente e esperançosa quanto a que vivenciava Hogwarts pela primeira vez.

A ainda primeiranista, no entanto, naquele momento de euforia e do melhor do desconhecimento, vibrou com cada novo membro a ser convocado para sua própria Casa, mas foi a única a em toda a mesa a aplaudir quando o Chapéu, mal roçando os negros cabelos do amigo, disse um sonoro "Slytherin!".

Ela se virou e sorriu para ele, queria abraçá-lo e dizer que se veriam logo mais, mas ele não olhou em sua direção uma vez sequer. Ele não pôde ver, portanto, a tristeza que crescia conforme seus passos se distanciavam, mas esta foi rapidamente substituída por um enorme banquete que simplesmente não estava lá há alguns segundos.

Algumas horas, novas amizades e um futuro inteiro pela frente depois, a pequena fechou os olhos, confortável em seu dormitório, caindo no sono sem conseguir encontrar em seu extenso vocabulário para uma bruxa tão jovem, uma palavra com que pudesse descrever tudo o que sentia.