Uma fração de segundo foi suficiente para que o homem sentisse uma estranha sensação de empurrão, como se forças opostas esmagassem seu peito, o espremendo no meio daquelas duas direções. A dor que sentia o queria fazer gritar, mas nada o fazia conseguir reproduzir som algum, tão forte foi a sensação quanto rápida, de repente, tudo tinha acabado. Mas algo ainda estava errado… Ele ainda estava vivo.

Depois de tudo que tinha passado, imaginava que estaria morto naquele momento, mas não era como se acordasse de um pesadelo muito real. De repente, ele ouviu um som estranho, algo que nunca tinha ouvido na vida, que foi aumentando e aumentando, até que aquilo e irritasse demais.

Uma buzina o despertou, o fez sair daquele estado de movimentação estática em que seu cérebro estava raramente lento e ele mal conseguia manter os olhos abertos. Seus olhos violeta contemplaram uma visão impossível. Carruagens estranhas passavam pra lá e pra cá, numa rapidez incrível, a maioria delas ostentava um tom chamativo de amarelo. Mais acima, erguendo a cabeça, ele viu quadros enormes, não só quadros, estavam mais para grandes janelas, mostrando coisas inimagináveis, escritos, pessoas, coisas, se mexendo, sem nenhuma restrição… Aquilo só poderia se tratar de magia, o homem chegou a pensar, se achando um tolo. Provavelmente, ele estava liderando no seu leito de morte.

Mas a sua mente afiada não costumava enganá-lo, era muito real o que estava vivenciando para negar isso. Começou a reparar nas pessoas ao seu redor, estavam vestidas de forma diferente da dele, sua capa ainda escondia sua figura, seus óculos ainda estavam sob os olhos, mas as outras pessoas que passavam por ele, não tinham nenhuma elegância ou sofisticação, suas roupas eram folgadas, muito mais confortáveis até, ele teve que admitir.

Que lugar era aquele? O que ele estava fazendo ali? Não tinha como obter essas respostas, e sua mente rápida começou a se sentir ainda pior sem ter como obter tais respostas. Quem estava ao seu redor mal o olhava e, se olhava, lhe davam um olhar de estranhamento, como seu aquele homem não se encaixasse ali. Talvez fosse verdade, mas ele estava acostumado com aquele tipo de olhar, raramente era o mais querido nos ambientes em que estavam…

Cansado de tantas dúvidas, começou a andar, caminhar meio sem rumo e direção, procurando algo que poderia lhe dar uma explicação sobre onde ele estava e como ele fora parar ali. Não demorou muito para que algo ainda mais surpreendente o deixasse em um estado de maior espanto ainda…

Era uma simples placa, havia uma estrela preta de cinco pontas sobre um fundo dourado, no lugar da ponta de cima, havia uma silhueta de um homem, fazendo uma pose muito peculiar, apontava um dedo para cima, o que lembrava o observador da placa sobre a última coisa que ele tinha feito…

O espanto maior de todos ficou no nome que estava escrito ali, era o sobrenome do homem que estava lendo: Hamilton.