Alexander estranhou aquele lugar mais uma vez. Por dentro, o reconheceu como um teatro, mas o que tinha de anormal ali eram mais letreiros com seu nome. O que é que estava acontecendo, afinal? Quem era aquele homem que parecia conhecê-lo e que ele não conhecia de volta? E por que ele tinha o levado para dentro do teatro com tanta pressa?
Os dois entraram dentro de uma salinha, havia roupas e espelhos ali, roupas que Alexander reconheceu do seu próprio tempo. Se aquele ano era 1804, por que todo o resto parecia tão diferente e só as roupas permaneciam iguais? E para o espanto já não tão repentino de Hamilton, ali estava mais algumas coisas com seu nome. Antes que ele abrisse a boca novamente para reclamar, o homem que o encontrou e o forçou a entrar ali o olhou novamente.
-Tá bem, essa vai ser uma conversa bem difícil… - Lin suspirou - por que não senta um pouquinho aqui, sr. Hamilton?
-Ah obrigado pela consideração - Alexander respondeu, um tanto irritado, mas se sentou.
-Bom, meu nome é Lin, Lin-Manuel Miranda, mas pode me chamar só de Lin - ele se apresentou, o que deixou Hamilton mais relaxado por ao menos saber o nome do estranho desesperado - eu não sei do que o senhor se lembra… qual a última coisa de que se lembra de ter te acontecido?
-Eu não sei como isso é relevante na nossa conversa - Alexander estreitou os olhos, levemente desconfiado - não sei se deveria contar, até porque eu me envolvi numa empreitada discreta.
-Que tipo de empreitada? - Lin desconfiava a que ele estava se referindo.
-Eu estava em Weehawken, com Aaron Burr e pelo jeito, pela dor que eu senti, ele venceu o duelo - um rápido flash de dor e amargura passou pelo olhar de Alexander.
-Ah Deus, justo aí? - Lin comentou em voz alta, mais para ele do que para seu convidado ilustre.
-Como assim? Eu morri? Esse é o pós vida? É isso que tá tentando me dizer? - questionou Hamilton, sendo prático.
-Isso aqui certamente não é o pós-vida, sr. Hamilton - Lin disse com cautela - bem, eu não sei como, mas você veio parar no futuro.
-Futuro? Não, não, isso não é possível! - desdenhou Alexander, incrédulo.
-Eu também acho que é só uma coisa de ficção, mas é a única explicação que eu tenho pra o que aconteceu - Lin entendeu o que tinha acontecido.
-Mas… como isso é possível? Mágica, milagre? - Alexander continuou questionando.
-Ciência talvez, eu não sei… - Lin ficou pensativo - quem sabe um milagre mesmo.
-Certo, se esse é o caso, onde é que eu vim parar? E pelo amor de Deus, homem, responda-me porque meu nome está em todo lugar aqui - Hamilton exigiu respostas mais uma vez.
-Bom, nós estamos no ano de 2015, novembro de 2015, em Nova York, Estados Unidos - contou Miranda.
-Nova York? Minha Nova York? Puxa vida! - o velho secretário deu um sorriso genuíno - tudo parece tão mudado, maior e mais evoluído.
-Evoluímos em algumas coisas, mas não em tudo - Lin foi sincero - e quanto ao seu nome, bem… O senhor pode imaginar que depois de tudo que fez pelo nosso governo, seu nome foi parar nos arcos da história.
-Oh, mesmo? Imagino que sim, pensando dessa forma - Alexander parecia genuinamente surpreso - mas algo me diz que meu nome em todo lugar por aqui não tem a ver com isso.
-Na verdade, tem sim - Lin deu um sorrisinho sem graça.
Antes que ele pudesse explicar tudo isso, uma batida na porta os interrompeu, e ele se assustou, pensando em manter aquele grande segredo histórico para si, pelo menos por enquanto, já que não tinha ideia de como os outros reagiriam.
A/N: Eu acho que devo desculpas por ter demorado a postar mais capítulos dessa história, mas eu tive uns dias muito corridos. Espero que vocês estejam gostando de acompanhar. Um pouco dos bastidores da minha inspiração pra essa história foi o lançamento de Hamilton no Disney+ no ano passado. Fiquei pensando o que o próprio Alexander acharia de descobrir que a vida dele inspirou um musical, e bem, aí está. Mais capítulos toda quarta.
