De volta ao Richard Rodgers, Lin tentava se concentrar no seu trabalho, ao mesmo tempo que lidava com o fato fantástico e inusitado de ter Alexander Hamilton no seu apartamento. Por mais que fosse um ator e ainda por cima, estivesse trabalhando, era difícil não demonstrar sua inquietação e pensamento um pouco fora do tempo presente.
-Está tudo bem com você, Lin? - Phillipa perguntou, enquanto eles faziam uma pausa.
-Está tudo ótimo, eu estou bem, de verdade, só um pouco… - ele estava disposto a admitir seu estado um tanto diferente.
-Distraído - ela deu um sorriso sem graça, completando sua frase.
-Eu sei, é só que, aconteceu uma coisa meio doida, que… bom, eu não posso contar pra ninguém, sério, eu… - ele viu que já estava ultrapassando os limites e então pensou melhor - quer saber, Pippa? Não é nada, mesmo, é melhor deixar pra lá.
-Não, não me parece uma coisa que se deixa pra lá - ela foi sincera - mas eu estou entendendo que seja lá o que for que está te preocupando, aqui e agora não são o momento certo pra falar sobre isso.
-É, exatamente, nós temos um show pra ensaiar e apresentar, é nisso que temos que estar focados - Lin respondeu, sua frase servindo mais para ele mesmo do que pra ele.
-Isso, e seja lá o que for, não se preocupe, se estiver nas suas mãos resolver esse problema, você consegue - Philipa acreditava no bom senso do seu amigo e colega de trabalho.
-Obrigado por entender, Pippa - ele agradeceu de coração, com seus olhos expressivos chegando até a ficarem ressaltados, típicos de quando ele se emocionava.
-Não tem de quê, Lin - ela chegou a dar um tapinha afetuoso em seu ombro.
Assim, eles continuaram os ensaios e mais tarde, Lin ficou um pouco mais relaxado, focando apenas na sua apresentação. Mas naquela noite, antes de entrar no palco, pensou uma porção de coisas a respeito de Alexander Hamilton.
À essa altura, ele sentia que conseguia o cara melhor do que qualquer pessoa, como se o antigo soldado e secretário do governo fosse um amigo próximo, mas agora, esse fenômeno fantástico que tinha acontecido, e Lin o conhecia pessoalmente. Era como se a vida e o destino os unisse com um propósito. Talvez fosse presunção do ator de pensar de que alguma forma a vida tinha trazido Hamilton ao futuro para que ele visse seu trabalho, mas por trás disso, deveria ter algo mais, algo que Lin pudesse aprender com Alexander, de alguma forma. Naquela noite, o ator sentiu que deveria honrá-lo ainda mais com a sua performance, por tudo que ele foi para o país e por todos os problemas e perdas emocionais que passou. Certamente, a plateia recebeu como presente uma das melhores apresentações de Lin-Manuel Miranda como Alexander Hamilton naquela noite.
Isso foi comprovado pelos elogios que ele recebeu enquanto atendia o público na saída do teatro. Depois daquela noite, ele tinha um plano mais ou menos organizado de como lidaria com Hamilton no futuro/presente, já que o fato começou a ser entendido por ele de uma melhor forma.
