Lin não poderia esconder seu grande e tamanho plano ousado de sua esposa, aliás, percebeu que a ajuda de Vanessa viria bem a calhar.

-Então você quer mostrar o musical a ele? - ela perguntou, entendendo tudo - isso é… tem certeza que seria uma boa ideia? Não sabemos como ele reagiria.

-Eu sei, sei disso, mas ele insistiu e de alguma forma eu sinto que foi por isso que ele veio parar aqui, por algum motivo que tem a ver com o musical - Lin tentou se justificar.

-Tudo bem, não estou dizendo que não deveria fazer isso, só acho que tem que tomar cuidado - ela sugeriu - acho que eu posso ir com ele, pra me certificar de que ninguém vai descobrir quem ele é.

-Certo, esse é um bom segredo que eu pretendo manter - concordou Lin.

Assim, chegando o próximo dia de apresentação, Vanessa acompanhou Alexander, enquanto Lin tinha deixado sua casa mais cedo, indo ao trabalho. Durante o caminho, Hamilton tinha o mesmo olhar curioso e observador sobre os arredores da Nova York moderna, muitos dos sonhos pelo qual ele lutou tinham se concretizado, a cidade que o havia recebido há tantos anos atrás tinha realmente prosperado.

Dentro do Richard Rodgers, Hamilton também teve o mesmo tipo de vislumbre, era um lugar confortável, aconchegante, super bem construído, um lugar de arte e entretenimento, que agora, exibia a história de sua vida. Pensar nisso tomou um pouco do seu fôlego, Vanessa ao seu lado, percebeu seu nervosismo.

-Você está bem? - ela perguntou, preocupada.

-Sim, só… ansioso, acredito eu - Alexander forçou um sorriso, tomando coragem para tomar seu assento ao lado de Vanessa.

Ele tinha sido corajoso e ousado durante toda sua vida e agora não seria diferente, ele faria seu melhor para lidar com o desafio que estava à sua frente.

Hamilton estremeceu um pouco ao ouvir a voz do além que lhe avisava que o show estava prestes a acontecer e que seu aparelho celular e outros tipos de câmeras deveriam ser desligadas. Ele se questionou silenciosamente sobre o que deveria ser esses tais câmeras e celulares, mas então preferiu ignorar isso e prestar atenção no que aconteceria no palco.

Uma batida forte o assustou um pouco, então de repente, um homem negro vestindo casaca roxa começou a cantar. Ele achou as ofensas um pouco pesadas, se ofendendo um pouco, mas conforme a música se desenrolava e outros homens apareciam, Alexander começou a apreciar a canção que exaltava seus esforços. Os trechos mais tristes foram difíceis de ver, mas ele sabia que tinham sido reais, fazia sentido até mesmo seus momentos mais dramáticos fazerem parte da peça.

Ver Lin se chamar pelo seu nome foi um pouco estranho também, mas Alex foi se habituando. Seu maior choque foi descobrir que o narrador principal da história era no fim de tudo, Burr. Ali, Alexander recebeu a confirmação do seu destino final, seu amigo e rival tinha realmente o assassinado.

E ainda assim, ele estava ali, vivo, sem sombra de dúvida, o que era espantoso, e sem mais questionar esse fato, Alexander aceitou que era um milagre. Continuou acompanhando a história da sua vida contada por canções em estilos tão peculiares, tudo parecia que tinha que rimar e ser rápido. Alexander admitiu a si mesmo que na sua juventude ele era rápido e tagarela como Lin estava interpretando.

Rever Peggy, Angelica e Eliza, mesmo que interpretadas por atrizes tão diferentes de como elas eram na vida real, encheu seu coração de saudade, se lembrando de cada uma delas, principalmente sua esposa. Havia algo na atriz que ainda assim o fazia se lembrar de Elizabeth, talvez os cabelos e olhos escuros, a juventude e vivacidade.

Ele se deu ao luxo de gargalhar com o jeito bufão do Rei George III, ficar impressionado e completamente respeitoso ao ver o ator que interpretava George Washington. Durante "Helpless" e "Satisfied", ele ficou feliz por relembrar a história de amor que tinha com a esposa, embora o que tinha acontecido não era a mesma coisa retratada na peça. A aparente paixão secreta de Angelica por Alexander o surpreendeu, era verdade que ele e a cunhada eram muito próximos, mas não quer dizer que estavam apaixonados. Isso fez Hamilton pensar em como os historiadores interpretavam suas cartas, como Lin tinha interpretado os registros do relacionamento dos dois, tinha sido uma interpretação bem criativa.

A representação da guerra fez Alexander um tanto atento, não havia sangue, balas ou outro tipo de violência no palco, mas tudo que estava sendo representado o fez rever os horrores reais que presenciou. Apesar de tudo que ele e seus companheiros passaram, agora ele vivenciava os frutos dos seus sacrifícios, sua nação, tão jovem tinha crescido e prosperado.

O coração de Hamilton se aqueceu com "Dear Theodosia", lembrando não só de Philip, mas de cada um de seus filhos, e principalmente, quando tinha perdido seu menino, o mais velho, que era tão parecido com ele em tantas coisas. Nesse momento, pensou se a peça não retrataria a morte de Philip.

Foi ainda mais doloroso ver a morte de Laurens, ainda mais de uma forma tão poética e sensível. O que veio a seguir não foi muito diferente da vida real, Alexander usou trabalho para esquecer e superar muitos dos seus traumas, mas ainda assim, havia algumas coisas equivocadas. Seu tempo era bem organizado, ele tinha tempo para o trabalho e para a família. Hamilton ficou intrigado com o que a criativa canção "Non Stop" ainda implicaria na peça.