Ainda abalado, Hamilton percebeu que a história rumava para o final, sua memória não estava falhando e o lembrava claramente dos acontecimentos que antecediam sua morte, isto é, se considerasse morte ser baleado e vir parar no futuro misteriosamente.
Viu o destempero da sua contraparte contra o governo de John Adams, um pouco mais das tramas de Jefferson, as eleições, as afrontas com Burr. Vendo os dois homens discutindo, Alexander não conseguiu evitar de pensar que, no fim das contas, os dois poderiam chegar a um acordo favorável para ambas as partes, perdoar e esquecer, mas o ego e a honra dos dois homens falou mais alto.
A despedida de Eliza na peça foi dura de se ver, mais uma vez a culpa recaiu sobre Hamilton, imaginando como ele tinha deixado a esposa e os filhos depois de sua morte.
Ver todo o duelo e a maneira como os atores expressavam os sentimentos hipotéticos que ele e Burr sentiram naquele momento, deixou Hamilton vidrado. Ele estava completamente tenso, ao mesmo tempo que concordava com o que estava sendo dito. Seriam seus óculos realmente o motivo para que Burr fosse mais agressivo? Não, não era só isso, como tinham mencionado anteriormente, eles tinham vivido 30 anos de desentendimentos, era o que motivava Aaron ainda mais naquele momento.
Legado, era a reflexão final de Alexander na peça, e era algo pelo qual o verdadeiro Hamilton, que via o espetáculo agora por um milagre, perseguiu por toda sua vida. Agora que estava morto, começava a ponderar se tudo aquilo realmente tinha valido a pena, em como Eliza e as crianças ficaram depois da partida dele.
A última canção respondeu seus questionamentos, ele pôde descobrir o que tinha acontecido depois de sua morte, no seu próprio plano e tempo, que ele tinha deixado e estava ali agora, observando o término da história de sua vida cantada. Jefferson, Madison, Washington, todos dizendo o que ele fez, o que ele deixou para trás, até a canção enfatizar Eliza. Betsy, sua amada esposa, a moça encantadora que tinha conhecido enquanto ainda enfrentava a guerra, uma companheira valiosa e fiel, que nunca tinha deixado de o apoiar. Era graças a ela que seu legado estava vivo, era graças a ela que o musical Hamilton existia, por todo trabalho que ela reuniu e perpetuou. Aquele último suspiro de Philippa Soo ao olhar para a plateia depois de olhar para Lin, tocou seu coração completamente. Era como se sua Eliza estivesse vendo os frutos do legado de seu marido. E agora, o Hamilton real experimentava e vivia tudo isso. Alexander apenas chorou de gratidão enquanto todos à sua volta aplaudiam. As sementes que ele plantou e ela germinou floresceram no futuro.
